Oficina sobre projeto pedagógico de curso de enfermagem: refletindo sobre
inovações, desafios e potencialidades
Introdução
O Curso de Enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ),
implantado em 2008, pauta-se por um projeto pedagógico inovador, visando
integrar áreas do conhecimento em saúde, indispensáveis à formação do
enfermeiro. O caráter inovador deste projeto pedagógico se deve,
principalmente, ao fato do aluno se inserir desde o primeiro período do curso
em diferentes campos de prática, onde realizam o ensino clínico. Destaca-se
também que a avaliação dos conteúdos se dá de maneira integrada, incorporando
conteúdos das áreas de bases biológicas e psicossociais, bem como do cuidado de
enfermagem propriamente dito. Neste currículo, os conteúdos são ministrados a
partir de módulos simultâneos, veiculados por meio de unidades curriculares que
englobam diversas disciplinas diferentemente do modelo tradicional. As
atividades de ensino ocorrem, além do ambiente da sala de aula e de
laboratórios, também em diversos cenários de aprendizagem, especialmente em
campos que demostram a realidade de saúde do município e região. Como a um
espiral, o projeto permite sucessivas aproximações com os temas abordados
durante o curso, aprimorando o conteúdo apreendido a cada novo contato.
O atual Projeto Pedagógico do Curso de Enfermagem da UFSJ de 2009 tem como
pressuposto a formação de enfermeiros, visando a aquisição de competências e
habilidades essenciais para o pleno exercício da enfermagem no contexto da
prevenção de doenças e da promoção da saúde (Guimarães et al., 2009) Este curso
busca formar enfermeiros para que possam trabalhar no âmbito do fortalecimento
da descentralização da gestão do sistema único de saúde, na reorganização das
práticas de saúde orientadas pela integralidade da assistência e na
implementação do controle social.
Nessa direção, conforme preconizado nas Diretrizes Curriculares Nacionais, os
conteúdos essenciais para o Curso de Graduação em Enfermagem devem estar
relacionados com todo o processo saúde-doença do cidadão, da família e da
comunidade, integrado à realidade epidemiológica e profissional, proporcionando
a integralidade das ações do cuidar em enfermagem (Brasil, 2001, pág. 4).
Pensando na articulação simultânea da teoria com a prática, no contexto do
sistema de saúde atual, elegeu-se uma proposta pedagógica integrada e arrojada,
tornando indispensável a discussão de sua implantação e o estabelecimento de
estratégias para oportunizar e explorar todos os atributos descritos neste
currículo. Na atualidade, percebemos que o reconhecimento da enfermagem implica
a articulação de competências com evidências nos níveis, técnico, científico e
relacional. Envolvendo atitudes individuais e coletivas, as quais refletem na
ampliação das intervenções sociais e na ocupação de espaços, tornando a
enfermagem protagonista de um novo saber e fazer (Souza et al., 2010).
A formação do Enfermeiro deve atender as necessidades sociais da saúde, com
ênfase no Sistema Único de Saúde (SUS) e assegurar a integralidade da atenção e
a qualidade e humanização do atendimento. (Brasil, 2001, pág. 3). Visando
atender a essas diretrizes, projetos pedagógicos integrados têm sido
implementados em diversos cursos de enfermagem no país. O currículo integrado é
considerado uma abordagem pedagógica que possibilita o ensino das ciências de
forma interdisciplinar, impulsionando o estudante a analisar de forma crítica
os problemas de saúde das populações, capacitando-o para atuar na prevenção,
tratamento e reabilitação. Cada vez mais estudada e aplicada, essa proposta
pedagógica permite, gradativamente, aproximações da teoria com a prática,
tornando a aprendizagem significativa, gerando sistematicamente o interesse do
estudante sobre os desafios do sistema de saúde brasileiro, mobilizando-o para
refletir sobre a possibilidade de intervenções (Nunes et al., 2008).
Nesse contexto, o currículo integrado prepara de forma mais efetiva o aluno nos
âmbitos assistencial, gerencial e político. Contudo, grande parte dos docentes
que se encontram atualmente no ensino superior de enfermagem teve, na sua
própria formação e na sua experiência docente, o modelo conservador e
tradicional de ensino. Essa realidade tem dificultado a transposição da
proposta teórica do projeto pedagógico para a aplicação, na prática, do ensino
via currículo integrado.
Os docentes do curso de enfermagem da UFSJ vivem atualmente situação semelhante
ao cenário nacional no que diz respeito à dificuldade de efetivar a proposta
curricular integrada (Souza, Zeferino, Da Ros, 2011).
Nesse sentido, considerando a importância da reflexão coletiva das práticas
pedagógicas na implantação de um currículo integrado, que se caracteriza por
ser essencialmente interdisciplinar, propôs-se trabalhar com oficina de forma a
pensar em um conjunto de possibilidades de superação de desafios na execução
deste projeto, sem perder de vista o conceito e a prática da cidadania,
pautados numa educação crítica e reflexiva.
Objetivos
Descrever os fatores dificultadores da implantação do projeto pedagógico do
curso de enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei na visão de
docentes;
Identificar estratégias de intervenção para a efetiva implantação do projeto
pedagógico do curso de enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei
na visão de docentes.
Enquadramento
Na história do ensino da enfermagem no Brasil as mudanças curriculares mais
significativas aconteceram no período dos anos 70 a 85 acompanhando os
movimentos de resposta às políticas de saúde estimuladas pela Organização
Mundial de Saúde e pela Oficina Panamericana de Saúde. Nesta época, o currículo
de enfermagem se caracterizava pela ênfase à atenção hospitalar, necessitando
de alterações para atender às necessidades de atenção primária a saúde.
Historicamente, as mudanças curriculares no ensino da graduação em enfermagem
no Brasil visaram pontualmente preparar o regresso para as exigências do
mercado de trabalho. Observa-se, no entanto, a necessidade de ampliar o foco da
formação para além desses interesses, priorizando que o enfermeiro seja agente
de transformação com atuação crítica no sistema de saúde vigente, contemplando
o exercício da cidadania (Ito et al., 2006).
De fato, os currículos devem potencializar a integração ensino-trabalho-
cidadania como um dos focos de mudança no ensino superior de enfermagem (Tanji
et al., 2008). Para tal, tem sido defendida, a partir da preconização das
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino da Enfermagem a necessidade de
direcionar a formação do enfermeiro com o objetivo de desenvolver no aluno
habilidades e competências, criando oportunidades de ensino / aprendizagem que
vão além do cognitivo (Brasil, 2001). Nesta modalidade de ensino, espera-se
formar um profissional de saúde com autonomia para garantir a integralidade do
cuidado e que seja capaz de articular diversos conhecimentos na solução de
problemas frequentes numa unidade de saúde; contudo para que isso aconteça,
faz-se necessário que todos os envolvidos nesse processo sejam responsáveis
pela mudança (Lima et al., 2011).
Desse modo, estratégias de avaliação da implantação de projetos pedagógicos
inovadores na área de enfermagem, como por exemplo as oficinas, são relevantes
e devem buscar explicitar os desafios e as potencialidades dessas propostas,
visando caminhos a serem pensados na superação das dificuldades.
Questões
Existem fatores dificultadores da implantação do projeto pedagógico do Curso de
Enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei?
Quais são as potenciais medidas de intervenção a serem adotadas para minimizar
os fatores dificultadores da implantação do projeto pedagógico do Curso de
Enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei?
Metodologia
Tipo de estudo: Trata-se de um estudo exploratório, com abordagem qualitativa,
do tipo relato de experiência vivenciado na forma de oficina cujos sujeitos
trabalharam as possíveis estratégias de superação de desafios na execução do
projeto pedagógico integrado do curso de enfermagem no ano de 2010, na
Universidade Federal de São João del Rei, Campus Centro-Oeste Dona Lindu,
Divinópolis, Minas Gerais. Optou-se por este tipo de estudo porque as pesquisas
exploratórias têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias e seu
planejamento permite uma flexibilidade, considerando vários aspectos
relacionados à questão estudada (Gil, 2007).
Sujeitos da pesquisa: Participaram do estudo, trinta docentes do curso de
enfermagem, incluindo as áreas: bases biológicas, saúde da mulher, saúde do
adulto e do idoso, enfermagem fundamental, saúde da criança, saúde mental e
administração, metodologia da pesquisa.
Coleta e análise de dados: Os dados foram coletados a partir do registro em
diário de campo das observações e discussões obtidas durante a realização de
uma oficina com a duração de 5 horas, em uma sala ampla e arejada do campus. As
oficinas pautaram-se nas recomendações de Afonso (2007). Essas são
caracterizadas como uma prática de intervenção psicossocial e possibilitam
ações pedagógicas sendo, pois, um instrumento de construção do conhecimento
(Afonso, 2007). Os conteúdos temáticos desenvolvidos foram as diretrizes
brasileiras para o curso de enfermagem, competências e habilidades requeridas
para cada período do curso, formas de avaliação discente, avaliação da
implantação do projeto político-pedagógico e propostas de intervenções.
Inicialmente, foi realizada exposição dialogada sobre a legislação brasileira
para os cursos de graduação em enfermagem que respalda o projeto pedagógico em
questão. Posteriormente, os docentes se organizaram em 9 grupos, cada um deles
representando um período do curso. Foi proposto aos componentes de cada grupo
que refletissem, discutissem e respondessem de forma descritiva às quatro
questões a seguir: Que leitura você faz do período do curso que seu grupo
representa? Quais são os maiores desafios para a implementação do projeto
pedagógico neste período do curso? Que estratégias podem ser utilizadas para
minimizar essas dificuldades? Após a discussão, cada grupo registrou suas
discussões em cartazes através de colagens de gravuras de revista, desenhos,
expressões escritas e trabalhos manuais com massinhas. Cada grupo expôs as suas
considerações para a plateia maior de docentes permitindo a discussão coletiva.
As respostas expressas nos painéis elaborados pelos docentes e as explicações
orais apresentadas por eles foram registradas em diário de campo. Destaca-se
que este é um instrumento de coleta de dados abrangente e que permite o
registro detalhado de uma situação vivenciada e é capaz de reproduzir as
experiências dos sujeitos na percepção do pesquisador (Beheregaray e Gerhardt,
2010). Os registros contidos no diário de campo retrataram com clareza os
desafios na implantação do projeto pedagógico de curso e as possíveis
estratégias para superação dessas dificuldades, subsidiando a análise dos
dados.
Resultados e discussão
Os trabalhos apresentados pelos docentes foram consensuais ao relatarem que a
grande dificuldade na implantação do currículo é a efetivação da integração dos
conteúdos complementares, especialmente em relação às unidades curriculares da
área biológica e da área técnico-profissional, como pode-se ratificar na ideia
apresentada por estes docentes nos respectivos grupos de trabalho: Não há
integração entre os conteúdos. Grupo 3.
Os alunos não conseguem integrar o que aprendem em bases biológicas com o
processo de cuidar em enfermagem, mostrando que não há integração. Grupo 7.
Ficou evidenciado que a distância da proposta escrita do projeto para a prática
educativa se deve, especialmente, pela ausência de diálogo entre professores
das referidas áreas. A importância do diálogo frente à proposta curricular não
é um fato desconhecido dos docentes envolvidos, no entanto, os sujeitos referem
que dificuldades na comunicação se devem ao grande número de outros encargos
destinados ao docente, como reuniões administrativas, dentre outros, inerentes
à implantação do campus, como percebe-se nas ideias apresentadas pelos docentes
em seus grupos de trabalho: A gente tem que dar conta da parte teórica, da
parte prática em vários cursos do campus e ainda participar de diversas
reuniões administrativas e pedagógicas. Grupo 4.
Há uma ausência de diálogo entre nós professores, pois temos que produzir,
ensinar e participar de muitas reuniões administrativas Grupo 6.
Portanto, pode-se perceber que apesar de inovador, o currículo integrado exige
dos docentes um grande envolvimento no sentido de efetivar o trabalho em
equipe, principalmente no que se refere à necessidade de reuniões periódicas
entre os docentes, revisão dos conteúdos dos módulos temáticos, além da maior
interface com os profissionais dos serviços de saúde locais (Almeida e Ferreira
Filho, 2008).
Silva e Rodrigues (2008), discutindo a mudança curricular no ensino em
enfermagem também apontam que há dificuldade com a questão da incorporação de
uma prática interdisciplinar pelos docentes do curso na orientação do processo
de formação, sendo esse fato evidenciado pela participação superficial dos
docentes na implantação do projeto pedagógico de curso.
Salientou-se que mesmo quando em determinados momentos se percebe a tentativa
de integrar conteúdos durante o planejamento do semestre, por exemplo, não
ocorre a continuidade da proposta. Interrompe-se o processo quando se observam
aulas absolutamente fragmentadas no que diz respeito à integração, e,
consequentemente, uma avaliação da aprendizagem individualizada, aos moldes do
currículo tradicional. De fato, os docentes discutiram que a formação obtida
por eles próprios ocorreu no modelo tradicional de ensino o que, de certo modo,
contribui para dificultar o processo de implantação deste projeto pedagógico,
como demonstrado pelos docentes a seguir: Nós estudamos em um currículo
tradicional, nunca ministramos aula em cursos com uma proposta integrada e isso
dificulta a integração. Grupo 1.
Nossa formação tradicionalista e nossa experiência em trabalhar apenas com
currículos tradicionais dificultam a nossa prática pedagógica neste currículo.
Grupo 3.
Laluna e Ferraz (2007) ao discutirem a avaliação na formação do enfermeiro em
um curso de graduação em enfermagem com currículo integrado, identificaram
dificuldades similares. O referido estudo mostrou que os docentes, mesmo
inseridos em uma proposta pedagógica cuja essência contempla uma postura mais
ativa do aluno, ainda mantêm um comportamento de controle, fiscalização,
punição, transmissão de conteúdos, reproduzindo o modelo tradicional de ensino,
onde reitera-se o autoritarismo e a exclusão.
É perturbador constatar que outro forte ponto de dificuldade de integração dos
conteúdos, destacado unanimemente pelos grupos, é o arcabouço insuficiente de
conhecimento prévio dos ingressantes e a aprovação no vestibular com notas de
corte muito baixas. Além disso, o aluno chega à universidade com uma
experiência didática tradicional levando um tempo para que ele possa se
ambientar e entender como funciona um currículo integrado. Essas ideias são
exemplificadas no relato dos docentes a seguir: Os alunos chegam no primeiro
período muito despreparados e isso a gente vê no processo seletivo, onde as
notas de ingresso são muito baixas. Grupo 5.
Os calouros têm um ensino médio muito fraco e, quando chegam aqui, não dão
conta de acompanhar porque lhes falta base. Grupo 2.
Os alunos quando chegam à universidade estão muito acostumados com as aulas
expositivas, com a transmissão do conhecimento e, portanto, têm dificuldade de
se adaptar a um processo de formação onde eles devem ser corresponsáveis, muito
diferente do tradicional. Grupo 4.
Este é um momento que deve ser trabalhado junto à comunidade acadêmica na
tentativa de facilitar o aprendizado de uma maneira diferente de formação de
conhecimento.
Corroborando com essa afirmativa, Felicetti e Morosini (2009) analisando a
equidade e iniquidade no ensino superior, relatam que o sistema de cotas tem
propiciado, nos últimos anos, maior oportunidade de acesso. No entanto, as
autoras analisam que houve o ingresso de alunos com médias inferiores às de
estudantes não contemplados pelas cotas, portanto menos preparados para o
ingresso no ensino superior. Talvez, essa mesma justificativa possa ser
aplicada na realidade do curso de enfermagem da UFSJ.
Como produto da oficina, indicou-se a implementação de propostas integrativas,
como reuniões regulares, de cunho puramente pedagógico envolvendo docentes das
áreas biológicas e técnicas. Os docentes mencionaram também a importância de
realização de oficinas permanentemente com o intuito de aprimoramento das
práticas pedagógicas com vistas ao projeto pedagógico de curso, como mencionado
a seguir: Pensamos que uma forma de superar essas dificuldades seria uma
agenda periódica de oficinas, capacitações, envolvendo exclusivamente a questão
pedagógica do curso, com os professores da área básica e profissional. Grupo
4.
Para o grupo, outra possibilidade elencada foi a implementação de propostas
integrativas, pois essas propiciariam um maior diálogo entre os professores,
facilitando a contextualização das aulas e tornando os conteúdos mais
significativos. Sugeriram-se, ainda, que as avaliações discentes fossem
integradas, podendo ser realizadas através de seminários, situações-problema,
estudos de caso e portfólios.
Atividades de nivelamento e de tutoria dos alunos foram apresentadas como
propostas a serem colocadas em prática desde o primeiro período, tomando como
base a nota de entrada do aluno na universidade. Nessa proposta, a partir da
observação das fragilidades de conhecimento prévio evidenciadas pelo
vestibular, acompanhamento pedagógico voltado para as áreas de fragilidade
seria aplicado a fim de minimizar as dificuldades de prosseguimento no curso.
Essas ideias são demonstradas a seguir: Compreendemos que é importante que
ocorram atividades de integração entre docentes e discentes para contextualizar
melhor as aulas. Grupo 5.
Entendemos que em um projeto pedagógico integrado, as avaliações não podem ser
feitas de maneira tradicional e sim na forma integrada, partindo de situações
vivenciadas no ensino clínico prático junto à comunidade. Grupo 1.
Para resolver esse problema das fragilidades de conhecimento dos alunos,
devemos trabalhar com tutoria, optativas e atividades de nivelamento. Grupo 2.
De fato, aprimorar as discussões entre docentes e discentes, visando a
construção coletiva de propostas integrativas tem sido reafirmado na literatura
enquanto estratégia para propiciar integração dos conhecimentos e aprimorar os
processos de ensino aprendizagem. Importante também destacar os programas de
tutoria enquanto instrumentos valiosos no estímulo ao desenvolvimento de
habilidades, valores, atitudes e estratégias motivacionais de apoio à autonomia
do aluno (Laluna e Ferraz, 2007; Geib et al., 2007; Aguilar-da-Silva et al.,
2009).
Evidencia-se que, embora desafios tenham sido apontados, o grupo em geral
caminha na direção do aprimoramento das práticas pedagógicas, inicialmente com
a participação efetiva na oficina proposta, bem como na proposição de
estratégias que possam propiciar a superação dos desafios.
Diferentes autores apontam a oficina como uma estratégia capaz de promover a
integração do conhecimento. Para Berardinelli e Santos (2007) a oficina é uma
ação de inclusão social cuja intenção é contribuir para o aprimoramento das
habilidades, atitudes e construção da cidadania. Essa estratégia de ensino
coaduna-se com a concepção de que a função social da universidade é
possibilitar a apropriação do conhecimento para compreensão do mundo e inserção
social. A oficina enfatiza o respeito às diferenças, articula saberes, ensino,
aprendizagem e avaliação.
E acredita-se que esta construção coletiva envolve uma complexidade de valores,
atitudes e gera expectativas e demandas por acontecer num tempo e num espaço
social marcado pela perplexidade, por mudanças de concepções e paradigmas.
Tornando assim a construção do Projeto Político Pedagógico uma tarefa contínua
na universidade, que nunca se finda, um processo que se constrói e se orienta
na intencionalidade explícita, porque é prática educativa (Gadotti, 2008).
Corroborando com Nunes et al. (2010) acredita-se que a implantação de uma
proposta pedagógica integrada exige pensar de modo transpessoal, ou seja, é
indispensável compreender que trata-se de ruptura paradigmática no processo
ensino-aprendizagem, onde a interdisciplinaridade é condição sine qua non na
práxis do cuidado da enfermagem atual.
Conclusão
A oficina implementada com docentes possibilitou elencar fatores dificultadores
da implementação do projeto pedagógico, além de propostas de superação dos
desafios apresentados. A dificuldade de integração de professores e dos
conhecimentos das áreas biológicas e técnicas representaram importante entrave
na efetivação da proposta pedagógica. Acrescida a fragilidade de conhecimento
dos alunos ingressantes que também se apresentou como expressivo dificultador.
Considerando as estratégias propostas para resolução das questões, recomenda-se
a estimulação dos docentes para a realização de atividades integrativas na
elaboração das aulas e processos avaliativos. Indica-se também monitoria e
tutoria de alunos por seus pares, tornando-os corresponsáveis pela sua
aprendizagem.