TEITOK@C-I   |   Corpora@C-I   |   CELGA-ILTEC   |   Contacto

EN | PT

Representação em texto

EuPTCVHe0874-02832012000300007

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0874-0283
ano2012
Issue0003
Article number00007

O script do Java parece estar desligado, ou então houve um erro de comunicação. Ligue o script do Java para mais opções de representação.

Oficina sobre projeto pedagógico de curso de enfermagem: refletindo sobre inovações, desafios e potencialidades

Introdução O Curso de Enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), implantado em 2008, pauta-se por um projeto pedagógico inovador, visando integrar áreas do conhecimento em saúde, indispensáveis à formação do enfermeiro. O caráter inovador deste projeto pedagógico se deve, principalmente, ao fato do aluno se inserir desde o primeiro período do curso em diferentes campos de prática, onde realizam o ensino clínico. Destaca-se também que a avaliação dos conteúdos se de maneira integrada, incorporando conteúdos das áreas de bases biológicas e psicossociais, bem como do cuidado de enfermagem propriamente dito. Neste currículo, os conteúdos são ministrados a partir de módulos simultâneos, veiculados por meio de unidades curriculares que englobam diversas disciplinas diferentemente do modelo tradicional. As atividades de ensino ocorrem, além do ambiente da sala de aula e de laboratórios, também em diversos cenários de aprendizagem, especialmente em campos que demostram a realidade de saúde do município e região. Como a um espiral, o projeto permite sucessivas aproximações com os temas abordados durante o curso, aprimorando o conteúdo apreendido a cada novo contato.

O atual Projeto Pedagógico do Curso de Enfermagem da UFSJ de 2009 tem como pressuposto a formação de enfermeiros, visando a aquisição de competências e habilidades essenciais para o pleno exercício da enfermagem no contexto da prevenção de doenças e da promoção da saúde (Guimarães et al., 2009) Este curso busca formar enfermeiros para que possam trabalhar no âmbito do fortalecimento da descentralização da gestão do sistema único de saúde, na reorganização das práticas de saúde orientadas pela integralidade da assistência e na implementação do controle social.

Nessa direção, conforme preconizado nas Diretrizes Curriculares Nacionais, os conteúdos essenciais para o Curso de Graduação em Enfermagem devem estar relacionados com todo o processo saúde-doença do cidadão, da família e da comunidade, integrado à realidade epidemiológica e profissional, proporcionando a integralidade das ações do cuidar em enfermagem (Brasil, 2001, pág. 4).

Pensando na articulação simultânea da teoria com a prática, no contexto do sistema de saúde atual, elegeu-se uma proposta pedagógica integrada e arrojada, tornando indispensável a discussão de sua implantação e o estabelecimento de estratégias para oportunizar e explorar todos os atributos descritos neste currículo. Na atualidade, percebemos que o reconhecimento da enfermagem implica a articulação de competências com evidências nos níveis, técnico, científico e relacional. Envolvendo atitudes individuais e coletivas, as quais refletem na ampliação das intervenções sociais e na ocupação de espaços, tornando a enfermagem protagonista de um novo saber e fazer (Souza et al., 2010).

A formação do Enfermeiro deve atender as necessidades sociais da saúde, com ênfase no Sistema Único de Saúde (SUS) e assegurar a integralidade da atenção e a qualidade e humanização do atendimento. (Brasil, 2001, pág. 3). Visando atender a essas diretrizes, projetos pedagógicos integrados têm sido implementados em diversos cursos de enfermagem no país. O currículo integrado é considerado uma abordagem pedagógica que possibilita o ensino das ciências de forma interdisciplinar, impulsionando o estudante a analisar de forma crítica os problemas de saúde das populações, capacitando-o para atuar na prevenção, tratamento e reabilitação. Cada vez mais estudada e aplicada, essa proposta pedagógica permite, gradativamente, aproximações da teoria com a prática, tornando a aprendizagem significativa, gerando sistematicamente o interesse do estudante sobre os desafios do sistema de saúde brasileiro, mobilizando-o para refletir sobre a possibilidade de intervenções (Nunes et al., 2008).

Nesse contexto, o currículo integrado prepara de forma mais efetiva o aluno nos âmbitos assistencial, gerencial e político. Contudo, grande parte dos docentes que se encontram atualmente no ensino superior de enfermagem teve, na sua própria formação e na sua experiência docente, o modelo conservador e tradicional de ensino. Essa realidade tem dificultado a transposição da proposta teórica do projeto pedagógico para a aplicação, na prática, do ensino via currículo integrado.

Os docentes do curso de enfermagem da UFSJ vivem atualmente situação semelhante ao cenário nacional no que diz respeito à dificuldade de efetivar a proposta curricular integrada (Souza, Zeferino, Da Ros, 2011).

Nesse sentido, considerando a importância da reflexão coletiva das práticas pedagógicas na implantação de um currículo integrado, que se caracteriza por ser essencialmente interdisciplinar, propôs-se trabalhar com oficina de forma a pensar em um conjunto de possibilidades de superação de desafios na execução deste projeto, sem perder de vista o conceito e a prática da cidadania, pautados numa educação crítica e reflexiva.

Objetivos Descrever os fatores dificultadores da implantação do projeto pedagógico do curso de enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei na visão de docentes; Identificar estratégias de intervenção para a efetiva implantação do projeto pedagógico do curso de enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei na visão de docentes.

Enquadramento Na história do ensino da enfermagem no Brasil as mudanças curriculares mais significativas aconteceram no período dos anos 70 a 85 acompanhando os movimentos de resposta às políticas de saúde estimuladas pela Organização Mundial de Saúde e pela Oficina Panamericana de Saúde. Nesta época, o currículo de enfermagem se caracterizava pela ênfase à atenção hospitalar, necessitando de alterações para atender às necessidades de atenção primária a saúde.

Historicamente, as mudanças curriculares no ensino da graduação em enfermagem no Brasil visaram pontualmente preparar o regresso para as exigências do mercado de trabalho. Observa-se, no entanto, a necessidade de ampliar o foco da formação para além desses interesses, priorizando que o enfermeiro seja agente de transformação com atuação crítica no sistema de saúde vigente, contemplando o exercício da cidadania (Ito et al., 2006).

De fato, os currículos devem potencializar a integração ensino-trabalho- cidadania como um dos focos de mudança no ensino superior de enfermagem (Tanji et al., 2008). Para tal, tem sido defendida, a partir da preconização das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino da Enfermagem a necessidade de direcionar a formação do enfermeiro com o objetivo de desenvolver no aluno habilidades e competências, criando oportunidades de ensino / aprendizagem que vão além do cognitivo (Brasil, 2001). Nesta modalidade de ensino, espera-se formar um profissional de saúde com autonomia para garantir a integralidade do cuidado e que seja capaz de articular diversos conhecimentos na solução de problemas frequentes numa unidade de saúde; contudo para que isso aconteça, faz-se necessário que todos os envolvidos nesse processo sejam responsáveis pela mudança (Lima et al., 2011).

Desse modo, estratégias de avaliação da implantação de projetos pedagógicos inovadores na área de enfermagem, como por exemplo as oficinas, são relevantes e devem buscar explicitar os desafios e as potencialidades dessas propostas, visando caminhos a serem pensados na superação das dificuldades.

Questões Existem fatores dificultadores da implantação do projeto pedagógico do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei? Quais são as potenciais medidas de intervenção a serem adotadas para minimizar os fatores dificultadores da implantação do projeto pedagógico do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de São João del Rei?

Metodologia Tipo de estudo: Trata-se de um estudo exploratório, com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência vivenciado na forma de oficina cujos sujeitos trabalharam as possíveis estratégias de superação de desafios na execução do projeto pedagógico integrado do curso de enfermagem no ano de 2010, na Universidade Federal de São João del Rei, Campus Centro-Oeste Dona Lindu, Divinópolis, Minas Gerais. Optou-se por este tipo de estudo porque as pesquisas exploratórias têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias e seu planejamento permite uma flexibilidade, considerando vários aspectos relacionados à questão estudada (Gil, 2007).

Sujeitos da pesquisa: Participaram do estudo, trinta docentes do curso de enfermagem, incluindo as áreas: bases biológicas, saúde da mulher, saúde do adulto e do idoso, enfermagem fundamental, saúde da criança, saúde mental e administração, metodologia da pesquisa.

Coleta e análise de dados: Os dados foram coletados a partir do registro em diário de campo das observações e discussões obtidas durante a realização de uma oficina com a duração de 5 horas, em uma sala ampla e arejada do campus. As oficinas pautaram-se nas recomendações de Afonso (2007). Essas são caracterizadas como uma prática de intervenção psicossocial e possibilitam ações pedagógicas sendo, pois, um instrumento de construção do conhecimento (Afonso, 2007). Os conteúdos temáticos desenvolvidos foram as diretrizes brasileiras para o curso de enfermagem, competências e habilidades requeridas para cada período do curso, formas de avaliação discente, avaliação da implantação do projeto político-pedagógico e propostas de intervenções.

Inicialmente, foi realizada exposição dialogada sobre a legislação brasileira para os cursos de graduação em enfermagem que respalda o projeto pedagógico em questão. Posteriormente, os docentes se organizaram em 9 grupos, cada um deles representando um período do curso. Foi proposto aos componentes de cada grupo que refletissem, discutissem e respondessem de forma descritiva às quatro questões a seguir: Que leitura você faz do período do curso que seu grupo representa? Quais são os maiores desafios para a implementação do projeto pedagógico neste período do curso? Que estratégias podem ser utilizadas para minimizar essas dificuldades? Após a discussão, cada grupo registrou suas discussões em cartazes através de colagens de gravuras de revista, desenhos, expressões escritas e trabalhos manuais com massinhas. Cada grupo expôs as suas considerações para a plateia maior de docentes permitindo a discussão coletiva.

As respostas expressas nos painéis elaborados pelos docentes e as explicações orais apresentadas por eles foram registradas em diário de campo. Destaca-se que este é um instrumento de coleta de dados abrangente e que permite o registro detalhado de uma situação vivenciada e é capaz de reproduzir as experiências dos sujeitos na percepção do pesquisador (Beheregaray e Gerhardt, 2010). Os registros contidos no diário de campo retrataram com clareza os desafios na implantação do projeto pedagógico de curso e as possíveis estratégias para superação dessas dificuldades, subsidiando a análise dos dados.

Resultados e discussão Os trabalhos apresentados pelos docentes foram consensuais ao relatarem que a grande dificuldade na implantação do currículo é a efetivação da integração dos conteúdos complementares, especialmente em relação às unidades curriculares da área biológica e da área técnico-profissional, como pode-se ratificar na ideia apresentada por estes docentes nos respectivos grupos de trabalho: Não integração entre os conteúdos. Grupo 3.

Os alunos não conseguem integrar o que aprendem em bases biológicas com o processo de cuidar em enfermagem, mostrando que não integração. Grupo 7.

Ficou evidenciado que a distância da proposta escrita do projeto para a prática educativa se deve, especialmente, pela ausência de diálogo entre professores das referidas áreas. A importância do diálogo frente à proposta curricular não é um fato desconhecido dos docentes envolvidos, no entanto, os sujeitos referem que dificuldades na comunicação se devem ao grande número de outros encargos destinados ao docente, como reuniões administrativas, dentre outros, inerentes à implantação do campus, como percebe-se nas ideias apresentadas pelos docentes em seus grupos de trabalho: A gente tem que dar conta da parte teórica, da parte prática em vários cursos do campus e ainda participar de diversas reuniões administrativas e pedagógicas. Grupo 4.

uma ausência de diálogo entre nós professores, pois temos que produzir, ensinar e participar de muitas reuniões administrativas Grupo 6.

Portanto, pode-se perceber que apesar de inovador, o currículo integrado exige dos docentes um grande envolvimento no sentido de efetivar o trabalho em equipe, principalmente no que se refere à necessidade de reuniões periódicas entre os docentes, revisão dos conteúdos dos módulos temáticos, além da maior interface com os profissionais dos serviços de saúde locais (Almeida e Ferreira Filho, 2008).

Silva e Rodrigues (2008), discutindo a mudança curricular no ensino em enfermagem também apontam que dificuldade com a questão da incorporação de uma prática interdisciplinar pelos docentes do curso na orientação do processo de formação, sendo esse fato evidenciado pela participação superficial dos docentes na implantação do projeto pedagógico de curso.

Salientou-se que mesmo quando em determinados momentos se percebe a tentativa de integrar conteúdos durante o planejamento do semestre, por exemplo, não ocorre a continuidade da proposta. Interrompe-se o processo quando se observam aulas absolutamente fragmentadas no que diz respeito à integração, e, consequentemente, uma avaliação da aprendizagem individualizada, aos moldes do currículo tradicional. De fato, os docentes discutiram que a formação obtida por eles próprios ocorreu no modelo tradicional de ensino o que, de certo modo, contribui para dificultar o processo de implantação deste projeto pedagógico, como demonstrado pelos docentes a seguir: Nós estudamos em um currículo tradicional, nunca ministramos aula em cursos com uma proposta integrada e isso dificulta a integração. Grupo 1.

Nossa formação tradicionalista e nossa experiência em trabalhar apenas com currículos tradicionais dificultam a nossa prática pedagógica neste currículo.

Grupo 3.

Laluna e Ferraz (2007) ao discutirem a avaliação na formação do enfermeiro em um curso de graduação em enfermagem com currículo integrado, identificaram dificuldades similares. O referido estudo mostrou que os docentes, mesmo inseridos em uma proposta pedagógica cuja essência contempla uma postura mais ativa do aluno, ainda mantêm um comportamento de controle, fiscalização, punição, transmissão de conteúdos, reproduzindo o modelo tradicional de ensino, onde reitera-se o autoritarismo e a exclusão.

É perturbador constatar que outro forte ponto de dificuldade de integração dos conteúdos, destacado unanimemente pelos grupos, é o arcabouço insuficiente de conhecimento prévio dos ingressantes e a aprovação no vestibular com notas de corte muito baixas. Além disso, o aluno chega à universidade com uma experiência didática tradicional levando um tempo para que ele possa se ambientar e entender como funciona um currículo integrado. Essas ideias são exemplificadas no relato dos docentes a seguir: Os alunos chegam no primeiro período muito despreparados e isso a gente no processo seletivo, onde as notas de ingresso são muito baixas. Grupo 5.

Os calouros têm um ensino médio muito fraco e, quando chegam aqui, não dão conta de acompanhar porque lhes falta base. Grupo 2.

Os alunos quando chegam à universidade estão muito acostumados com as aulas expositivas, com a transmissão do conhecimento e, portanto, têm dificuldade de se adaptar a um processo de formação onde eles devem ser corresponsáveis, muito diferente do tradicional. Grupo 4.

Este é um momento que deve ser trabalhado junto à comunidade acadêmica na tentativa de facilitar o aprendizado de uma maneira diferente de formação de conhecimento.

Corroborando com essa afirmativa, Felicetti e Morosini (2009) analisando a equidade e iniquidade no ensino superior, relatam que o sistema de cotas tem propiciado, nos últimos anos, maior oportunidade de acesso. No entanto, as autoras analisam que houve o ingresso de alunos com médias inferiores às de estudantes não contemplados pelas cotas, portanto menos preparados para o ingresso no ensino superior. Talvez, essa mesma justificativa possa ser aplicada na realidade do curso de enfermagem da UFSJ.

Como produto da oficina, indicou-se a implementação de propostas integrativas, como reuniões regulares, de cunho puramente pedagógico envolvendo docentes das áreas biológicas e técnicas. Os docentes mencionaram também a importância de realização de oficinas permanentemente com o intuito de aprimoramento das práticas pedagógicas com vistas ao projeto pedagógico de curso, como mencionado a seguir: Pensamos que uma forma de superar essas dificuldades seria uma agenda periódica de oficinas, capacitações, envolvendo exclusivamente a questão pedagógica do curso, com os professores da área básica e profissional. Grupo 4.

Para o grupo, outra possibilidade elencada foi a implementação de propostas integrativas, pois essas propiciariam um maior diálogo entre os professores, facilitando a contextualização das aulas e tornando os conteúdos mais significativos. Sugeriram-se, ainda, que as avaliações discentes fossem integradas, podendo ser realizadas através de seminários, situações-problema, estudos de caso e portfólios.

Atividades de nivelamento e de tutoria dos alunos foram apresentadas como propostas a serem colocadas em prática desde o primeiro período, tomando como base a nota de entrada do aluno na universidade. Nessa proposta, a partir da observação das fragilidades de conhecimento prévio evidenciadas pelo vestibular, acompanhamento pedagógico voltado para as áreas de fragilidade seria aplicado a fim de minimizar as dificuldades de prosseguimento no curso.

Essas ideias são demonstradas a seguir: Compreendemos que é importante que ocorram atividades de integração entre docentes e discentes para contextualizar melhor as aulas. Grupo 5.

Entendemos que em um projeto pedagógico integrado, as avaliações não podem ser feitas de maneira tradicional e sim na forma integrada, partindo de situações vivenciadas no ensino clínico prático junto à comunidade. Grupo 1.

Para resolver esse problema das fragilidades de conhecimento dos alunos, devemos trabalhar com tutoria, optativas e atividades de nivelamento. Grupo 2.

De fato, aprimorar as discussões entre docentes e discentes, visando a construção coletiva de propostas integrativas tem sido reafirmado na literatura enquanto estratégia para propiciar integração dos conhecimentos e aprimorar os processos de ensino aprendizagem. Importante também destacar os programas de tutoria enquanto instrumentos valiosos no estímulo ao desenvolvimento de habilidades, valores, atitudes e estratégias motivacionais de apoio à autonomia do aluno (Laluna e Ferraz, 2007; Geib et al., 2007; Aguilar-da-Silva et al., 2009).

Evidencia-se que, embora desafios tenham sido apontados, o grupo em geral caminha na direção do aprimoramento das práticas pedagógicas, inicialmente com a participação efetiva na oficina proposta, bem como na proposição de estratégias que possam propiciar a superação dos desafios.

Diferentes autores apontam a oficina como uma estratégia capaz de promover a integração do conhecimento. Para Berardinelli e Santos (2007) a oficina é uma ação de inclusão social cuja intenção é contribuir para o aprimoramento das habilidades, atitudes e construção da cidadania. Essa estratégia de ensino coaduna-se com a concepção de que a função social da universidade é possibilitar a apropriação do conhecimento para compreensão do mundo e inserção social. A oficina enfatiza o respeito às diferenças, articula saberes, ensino, aprendizagem e avaliação.

E acredita-se que esta construção coletiva envolve uma complexidade de valores, atitudes e gera expectativas e demandas por acontecer num tempo e num espaço social marcado pela perplexidade, por mudanças de concepções e paradigmas.

Tornando assim a construção do Projeto Político Pedagógico uma tarefa contínua na universidade, que nunca se finda, um processo que se constrói e se orienta na intencionalidade explícita, porque é prática educativa (Gadotti, 2008).

Corroborando com Nunes et al. (2010) acredita-se que a implantação de uma proposta pedagógica integrada exige pensar de modo transpessoal, ou seja, é indispensável compreender que trata-se de ruptura paradigmática no processo ensino-aprendizagem, onde a interdisciplinaridade é condição sine qua non na práxis do cuidado da enfermagem atual.

Conclusão A oficina implementada com docentes possibilitou elencar fatores dificultadores da implementação do projeto pedagógico, além de propostas de superação dos desafios apresentados. A dificuldade de integração de professores e dos conhecimentos das áreas biológicas e técnicas representaram importante entrave na efetivação da proposta pedagógica. Acrescida a fragilidade de conhecimento dos alunos ingressantes que também se apresentou como expressivo dificultador.

Considerando as estratégias propostas para resolução das questões, recomenda-se a estimulação dos docentes para a realização de atividades integrativas na elaboração das aulas e processos avaliativos. Indica-se também monitoria e tutoria de alunos por seus pares, tornando-os corresponsáveis pela sua aprendizagem.


transferir texto