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Representação em texto

EuPTCVHe0872-07542013000100008

variedadeEu
ano2013
fonteScielo

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COMENTÁRIOS O reconhecimento e orientação das situações de emergência psiquiátrica são uma necessidade dos profissionais de saúde que trabalham nos serviços de urgência de cuidados pediátricos.

Esta necessidade é fundamental, tendo em conta que os recursos em pedopsiquiatria são limitados, e fazem-se habitualmente em articulação com serviços que não existem no mesmo espaço físico hospitalar.

O alargamento recente da pediatria até aos 18 anos em todo o país veio também aumentar o atendimento de adolescentes, faixa etária com maior incidência de problemas de saúde mental e quadros psiquiátricos. Por outro lado, é reconhecida a nível mundial, a tendência no aumento de procura de jovens com problemas de saúde mental nos serviços de emergência1.

O aumento dos atendimentos na Unidade de Atendimento Urgente no Departamento de Pedopsiquiatria do Centro Hospitalar do Porto é provavelmente uma consequência do mesmo fenómeno2.

Os serviços de urgência pediátrica enfrentam dificuldades no atendimento deste tipo de utentes pelas limitações de tempo e de espaço, pelas características dos doentes (podem apresentar comportamentos disruptivos e agressivos) que podem perturbar a rotina e o fluxo do trabalho e ainda pela falta de formação e treino na identificação e tratamento das perturbações psiquiátricas; acresce ainda que, um local sobrelotado, ruidoso e com estímulos perturbadores não é facilitador para avaliar e tranquilizar jovens com estas problemáticas3.

São consideradas como situações urgentes, os verdadeiros quadros psiquiátricos4, que podem manifestar-se de novo, ou sofrer uma recidiva: • quadros psicóticos • mania aguda • depressão • quadros de ansiedade (Perturbação de Pânico, Perturbação de Stress Pós- Traumático).

Existem também problemas agudos de saúde mental, que se podem acompanhar ou não de um distúrbio psiquiátrico, que se apresentam nos serviços de urgência e requerem avaliação 4: • comportamentos suicidários • agressão e os comportamentos fora de controlo • conflitos pais-filhos • reações de ajustamento (morte de pessoa significativa ou rutura amorosa, por ex.) • situações de abuso • ausência de lar.

A Associação Americana de Pediatria recomenda o aperfeiçoamento do rastreio dos problemas de saúde mental nos serviços de emergência, através da utilização de instrumentos estandardizados. Os autores do artigo propuseram-se então a criar um instrumento que permitisse a recolha de informação relevante para a tomada de decisão, breve, de fácil aplicação e não exigente do ponto de vista da formação. Foi o que fizeram ao adaptar uma entrevista psicossocial para adolescentes conhecida ' a HEADS ' cuja mnemónica diz respeito a Home, Education, Activities/peers, Drugs/alchool e Suicidality. Acrescentaram as áreas Emotions/behaviors e Discharge/resources, dando então origem à sigla HEADS-ED.

A HEADS-ED inclui 7 itens que abrangem domínios importantes da vida dos adolescentes, incluindo o planeamento para a alta e um sistema de codificação segundo a gravidade clínica de 0 a 2; 0 quando não necessidade de ação, 1 quando a ação é necessária, mas não imediata e 2 quando a ação é requerida de imediato. Os autores concluíram que este instrumento apresenta boas características psicométricas: • uma pontuação > 5 (percentil 50) associava-se à avaliação psiquiátrica • uma pontuação > 7 (percentil 75) com um fator 2 no risco de suicídio, associava-se a internamento psiquiátrico Os jovens que apresentavam risco de suicídio e problemas com as emoções/ comportamento tinham maior probabilidade de precisar de intervenção imediata, em comparação com os problemas relativos ao lar, escola, atividades/ pares e álcool/drogas.

Os autores partem do pressuposto que os clínicos conhecem o questionário de origem e que possuem as competências necessárias para interrogar o adolescente.

Um modelo muito próximo pode ser consultado a propósito da HEADSS (inclui o item da sexualidade), com sugestões acerca da técnica de entrevista5 O questionário HEADS-ED pode ser pedido ao autor e pode servir como modelo para a adaptação em serviços de urgência pediátricos no nosso país, tendo sido obtida a autorização para utilização no Centro Hospitalar do Porto.


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