Análise das publicações dos enfermeiros assistenciais em periódicos nacionais
INTRODUÇÃO
A necessidade do embasamento científico aplicado à prática assistencial entre
os profissionais da área da saúde é fundamental e compreendida como toda a
atividade que visa à busca de soluções de problemas com a intenção de descobrir
conhecimento, é processo que contribui para a transformação da realidade.
Historicamente, para que uma profissão seja reconhecida no âmbito nacional e
internacional e tenha visibilidade no cenário científico, necessita produzir
ciência e divulgar mais o que produz. Isso se traduz pelo volume da produção
que é publicado em revistas científicas da área específica ou das áreas afins
(1).
Atualmente, com o desenvolvimento do setor da saúde e o reconhecimento mundial
da necessidade de inovações tecnológicas e científicas constantes, é dada
ênfase e apoio à pesquisa em saúde no Brasil. Tal incentivo em saúde e a
promoção de condições favoráveis à realização de estudos científicos geram
prática profissional ampla, eficiente e especializada, pautada em conhecimento
seguro, flexível e sedimentado que enobrece o profissional e propicia
assistência plena e garantida à população(2).
Em enfermagem, a produção de conhecimento tem sido preocupação constante na
trajetória evolutiva da profissão, evidenciada mais enfaticamente no Brasil nos
últimos trinta anos, com a implementação dos cursos de pós-graduação,
especialmente mestrado e doutorado. Essa preocupação reflete o empenho das
enfermeiras em inserir no âmbito de suas ações a arte e a ciência, para
enfrentar os desafios impostos pelas transformações científicas, tecnológicas e
políticas contemporâneas, bem como saber ou conhecer mais sobre a enfermagem e
seus termos teóricos e práticos, valorizar-se nas relações com os assistidos e
seus pares, e identificar-se como profissão no mundo(3). Além do mais, sua
execução na prática profissional mobiliza profissionais para ações reflexivas e
críticas(4).
As tendências na produção científica de enfermagem surgem, sobretudo, das
inquietações sobre o modo como a profissão vem enfocando e respondendo as
questões da saúde em suas pesquisas. Para o crescimento da profissão é
relevante conhecer quantitativa e qualitativamente sua produção cientifica, na
procura de evidências não somente sobre o desenvolvimento profissional, mas,
fundamentalmente, sobre os resultados e impactos sociais(5).
Ação investigativa e publicação por enfermeiras são fundamentais, porque
possibilitam que elas adquiram, produzam e aprofundem conhecimentos; atualizem-
se e avaliem suas práticas; encaminhem as soluções de problemas
metodologicamente; cresçam profissionalmente pelo estímulo à reflexão de novas
formas de conduzir seu trabalho e despertem-se para a paixão pelo conhecimento
estruturado cientificamente(6).
No entanto, observa-se que nem sempre essas profissionais compartilham idéias,
sentimentos ou experiências, correndo assim o risco de não divulgarem suas
vivências e, conseqüentemente, permanecerem somente na geração de idéias(7).
Diante da ênfase de necessidade de investigações científicas relacionadas às
práticas em enfermagem, esta pesquisa objetivou identificar em periódicos
nacionais a participação de enfermeiras assistenciais como autores e os co-
autores em publicações; elencar nos artigos o contexto de atuação da enfermeira
assistencial e sua titulação, bem como a titulação de outros autores, área de
interesse da pesquisa, as categorias de publicação e origem dos artigos;
analisar as características e proceder a correlações entre os artigos
publicados que tenham participação da enfermeira assistencial.
MÉTODO
Pesquisa de revisão bibliográfica temática e de atualização(8) em três
periódicos nacionais na categoria Qualis B Nacional, no período de 2000 a 2007,
restrito a três periódicos de enfermagem, sendo um de circulação internacional
e dois de circulação nacional, descritos a seguir: Revista Latino-Americana de
Enfermagem (RLAE); Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn); Revista Cogitare
Enfermagem da UFPR. Optou-se por pesquisar esses periódicos por considerá-los
de grande circulação em ambientes acadêmicos e profissionais. Foi possível
pesquisar todos os exemplares publicados, ou seja, nenhuma edição dos
periódicos ficou excluída da análise no presente estudo.
Os critérios de inclusão de artigos foram: autores enfermeiro(a) assistencial
em qualquer área de atuação como autor ou co-autor e nas seguintes categorias
de publicação: artigos originais, revisões, atualizações, comunicações breves/
estudo de caso, relato de experiência e página do estudante.
Os critérios de exclusão de artigos foram: autores que fossem enfermeiros
docentes de nível médio, graduação, pós-graduação, preceptores e residência,
doutorandos, mestrandos, especializandos, alunos de residência. Excluiu-se
ainda o enfermeiro assistencial com função docente; publicações de enfermeiros
estrangeiros; enfermeiros de laboratórios, institutos de pesquisa ou de grupos
de pesquisa, assessorias ou em cargos institucionais. Dentre as categorias de
publicação excluíram-se artigos como resenhas de livro e, ou carta ao leitor.
Para a análise das informações obtidas, nos artigos dos periódicos pesquisados,
os dados foram incluídos em planilha Excel, contendo: tipo de participação da
enfermeira assistencial (autora ou co-autora), contexto de sua atuação,
titulação de autores e co-autores, área temática de interesse, categoria da
publicação e procedência do artigo. Os dados foram submetidos à estatística
descritiva.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os três periódicos pesquisados somaram 24 volumes, com 1.918 artigos e neles
foram encontrados 162 artigos (8.5%) com a participação das enfermeiras
assistenciais entre 2000 a 2007.
Os dados da Tabela_1 mostram que dentre os 103 números pesquisados o percentual
de participação da enfermeira assistencial não ultrapassa 10% do total de 1918
artigos. Acredita-se que esse cenário não se modifica em relação a outros
periódicos semelhantes no Brasil.
Os resultados apontam para o fato de haver necessidade de estimular as
enfermeiras assistenciais a participarem da comunidade científica, pois a falta
dessa produção tem imposto limitações ao seu desenvolvimento profissional e,
consequentemente, da prática social da Enfermagem, trazendo menor visibilidade
dessa profissional na comunidade científica, tal como já tem sido afirmado de
diversas maneiras por autores em diferentes décadas(9-12).
Os mesmos autores - e ainda outros(13) - enfatizam, assim como os resultados
desta pesquisa, que a maioria dos trabalhos de investigação está na área
acadêmica, nas universidades e cursos de pós-graduação, se comparada à
publicação da enfermeira-assistencial e do docente-assistencial; dessa maneira
torna-se mais difícil para as enfermeiras assistenciais incorporarem e
aplicarem os resultados das pesquisas à prática.
A experiência de maior convivência com enfermeiras assistenciais, as reflexões
conjuntas, as trocas de saberes e experiências reafirmam a confiança na
capacidade das enfermeiras em elaborar e desenvolver trabalhos científicos,
acreditando nas possibilidades de adaptação às novas situações, por mais
adversas que sejam, criando, inovando e reinventando possibilidades para
satisfazer suas necessidades na prática profissional.
Os dados da Tabela_2 mostram que não há grande diferença de autoria e co-
autoria na RLAE e REBEn, já na Cogitare há participação em ambas as categorias.
Não foi realizada série histórica para identificar qual a evolução ao longo dos
oito anos estudados.
A maior participação em co-autoria (59,0% na RLAE e 55,0% na REBEn) mostra as
enfermeiras como membro de produção coletiva, o que é muito importante no
sentido de ampliar e socializar saberes. Sua participação como autoras também é
muito significativa, pois mostra sua independência nas produções e visibilidade
no processo de trabalho em serviços de saúde.
Defende-se que se amplie a participação da enfermeira assistencial na produção
científica, pois como agente social, inserida num contexto marcado por
circunstâncias sociais, condicionadas por interesses históricos dominantes, ao
revestir-se dessa nova modalidade de ação - a pesquisa -, assume o ato de
pensar no cuidado de forma sistematizada e científica. Essa prática tem em si a
premissa de que quem cuida e lidera outros profissionais no processo de cuidar
deve pensar o cuidado, para transformá-lo na perspectiva de melhor cuidar. A
pesquisa é, então, impulsionadora do processo de refletir experenciar -
transformar, estratégia fundamental para mudar a cultura do cuidado
ritualizado. Cuidar e pesquisar torna-se um binômio que demanda competência e
esforço da enfermeira(14).
Dentre as 162 participações em autoria ou co-autoria de enfermeiras em
periódicos, na RLAE, o maior contexto de atuação é em hospital universitário
(44,0%), provavelmente por ser publica-ção ligada a hospital-escola com longa
trajetória de consolidação em pesquisa nacional (Tabela_3).
Já na REBEn, pelo seu caráter nacional, representativo da classe de Enfermagem,
a distribuição é equitativa entre serviços de saúde coletiva (28,0%), hospitais
universitário (20,0%) e geral (25,0%). A Cogitare, por sua vez, tem
distribuição semelhante à REBEn, embora seja publicação ligada a hospital-
escola.
Chama a atenção o fato de haver 30% de não identificação do contexto de atuação
de enfermeiras nas revistas. Essa indicação permitiria obter mais dados das
enfermeiras assistenciais.
O número total da Tabela_4 soma 204, o que excede 162 participações, pois há
situações em que os artigos trazem mais de uma enfermeira assistencial na
autoria de artigos. Esse dado mostra que há mais 42 enfermeiras na co-autoria
de artigos no período pesquisado. Tal informação é importante, pois mostra que
há grupos de colegas interessadas em publicações, destacando o interesse em
participar de grupos de pesquisa e/ou estudos em serviços de saúde.
Os dados mostram que nos periódicos pesquisados há baixo percentual de doutores
nos serviços (6,0%), o que deverá ser implementado à medida de consolidação dos
cursos stricto senso no país, em especial pela procura de enfermeiras pelo
mestrado (28,0% na RLAE, 36,0% na REBEn e 18,0% na Cogitare), bem como maior
garantia de qualificação profissional e efetividade em serviços.
A participação de especialistas é menor. Tal dado retrata que embora os
serviços exijam maior qualificação e os enfermeiros respondam por este
chamamento, é preciso maior incentivo acadêmico e de serviços de saúde para que
produzam cientificamente, como mais uma forma de manter, aumentar ou melhorar
competências, compatíveis com as exigências da própria profissão.
Em relação aos graduados esperava-se maior participação, em especial após o
advento da exigência de monografias ao final dos cursos, o que deveria e
poderia ser estímulo para continuidade de publicações. No entanto, no período
pesquisado, essa situação não se revela.
Outro ponto a referenciar trata-se da questão que norteia a produção científica
na pós-graduação. Em algumas situações o nível de complexidade das pesquisas
propostas pelo orientador à enfermeira, ao contrário de estimular produções,
torna-se de tal maneira opressivo que leva a enfermeira a sentir rejeição a
trabalhos futuros. Por outro lado, há o fato de o orientador subestimar a
capacidade da enfermeira, por meio de trabalhos demasiadamente desestimulantes
e sem aderência com suas experiências ou necessidades profissionais.
Ainda, como na Tabela_3, há um percentual significativo de ausência da
titulação do enfermeiro assistencial. Nos artigos pesquisados encontram-se
detalhadas as titulações de doutores, mestres e acadêmicos, no entanto é
relativamente comum encontrar apenas a palavra "enfermeira" na titulação de
autoria de enfermeiras assistenciais, sem referência sobre a função e/ou cargo
que ocupa.
Essa falta de titulação torna-se um problema, mesmo parecendo pouco importante
o currículo de enfermeiras assistenciais na titulação dos artigos. A titulação
deveria ser motivo de estímulo e valorização de colegas de serviços.
Considerando que falta esta titulação acreditamos que o número de participação
de enfermeiros assistenciais nas publicações seja menor do que o encontrado,
pois são muito comuns publicações resultantes de curso de graduação e pós-
graduação sem essa especificação, nem no título ou rodapé do artigo.
Sendo assim, faz-se necessário modernizar o processo de formação dos títulos
dos enfermeiros; incentivar os jovens criativos envolvendo-os nas atividades de
pesquisa e extensão; estimular os alunos a integrar os grupos de pesquisa das
universidades com um objetivo comum, visando atender às demandas da sociedade.
Aos pesquisadores cabe a responsabilidade de encaminhar seus manus-critos a
revistas arbitradas e a adoção de esforços para melhoria da qualidade editorial
(15).
Outro impasse está nas organizações que ainda não desenvol-veram cultura
organizacional que valorize e facilite o desen-volvimento de pesquisas, pois
são ainda espaços burocráticos, sem ampliação de seus papéis na geração e
promoção de conhecimentos que garantam tanto a sobrevivência da instituição
como os benefícios à sociedade. Falta-lhes assumir a missão de
instrumentalização das enfermeiras para a pesquisa, para que a entendam como
instrumento que auxilia a validar práticas consagradas; apontar, indagar,
aprofundar conhecimentos e proceder a mudanças necessárias no cotidiano do
trabalho, porém, torna-se fundamental que as enfermeiras questionem as
finalidades da pesquisa e, em conjunto com a administração, criem espaços,
proponham estratégias e aloquem recursos para sua realização(16).
Por outro lado, as enfermeiras conhecem a cultura organizacional do serviço no
qual atuam, participam de alguma maneira na disputa de interesses, mas com
frágil autonomia, não conseguindo representar-se com resolutividade na
estruturação política do hospital, pois, quando se defrontam com os limites
impostos pelas regras de funcionamento de um grupo legislador composto por uma
rede de relações hierárquicas de maior influência, que ocupa espaços tanto na
administração do hospital como no corpo clínico, são estes e não aquelas que
decidem sobre a gestão da instituição.
Além do mais, as razões atribuídas pelas enfermeiras ao desenvolvimento das
pesquisas decorrem, entre outras, das complexidades de seu campo de trabalho,
que não tem como rotina essa prática, bem como as dificuldades naturais no
desenvolvimento da pesquisa tornam essa atividade difícil, exaustiva e
desmotivante.
Por outro lado, a educação profissional iniciada na graduação deveria ser
continuada com estimulo para o auto-aprendizado, para enfrentar os desafios da
organização do sistema de saúde vigente, das características do mercado de
trabalho e da necessidade de preparo para trabalhar em equipe multiprofissional
(17).
Os doutores são amplamente os que mais publicaram com enfermeiras
assistenciais. Esse dado é confortante no sentido de identificar seu papel como
pesquisadores e líderes de grupos de pesquisa, em conjunto com os serviços de
saúde. Além de agregar colegas, incentivam iniciativas de futuros pós-
graduandos para que realizem o mesmo. Esses dados se mostram pela participação
de mestres, mestrandos e doutorandos na co-autoria de publicações.
Há que se destacar, contudo, que a falta de engajamento de enfermeiras em
grupos de pesquisa na linha proposta pelo líder e seu grupo, nem sempre é
aderente às suas necessidades e/ou de intervenção no campo da prática.
Já os especialistas não são tão representativos, conforme mostra a Tabela_5.
Acredita-se que esses profissionais, logo após a graduação, busquem pela
especialização e vínculo empregatício. Passado um período optam pelo stricto
senso se, preferencialmente, pretendem seguir a carreira docente. Mais
recentemente há uma tendência por esses cursos, independente da carreira.
Em relação aos graduados, esperava-se maior participação, considerando que
devam estar engajados em grupos de pesquisa e que certamente poderiam estar
mais presentes nas publicações, inclusive como estímulo futuro.
Destaca-se que há um problema, sem dúvida, enfrentado pela enfermeira que é o
trâmite do projeto no Comitê de Ética. A experiência de trabalho em grupo
minimiza as possíveis dificuldades e exigências solicitadas para a aprovação do
projeto. Nessa mesma linha está a necessidade de se passar o relatório da
pesquisa das normas de ABNT para Vancouver, utilizado na maioria dos periódicos
nacionais.
Nossa experiência tem mostrado que as enfermeiras ficam menos motivadas à
publicação considerando as tarefas acima mencionadas e ainda por desconhecerem
o trâmite, para que um artigo seja publicado.
Com relação às áreas de publicações por enfermeiras assistenciais, os dados
mostraram que as duas de maior interesse são: educação em saúde e em enfermagem
(27,0% na RLAE, 24,0% na REBEn e 18,0% na Cogitare); saúde do adulto e do idoso
(25,0% na RLAE, 31,0% na REBEn e 18,0% na Cogitare), seguida por temas de saúde
coletiva e saúde domiciliar. Outras áreas de interesse para publicações
englobam: administração hospitalar, saúde da mulher, saúde da criança e
adolescente e saúde ocupacional.
A área de educação pode se justificar pelo fato de as revistas serem, em
maioria, de cursos de graduação e pós graduação em enfermagem; já a saúde do
adulto e idoso se justifica, talvez, por haver muitos grupos de pesquisa, em
diversas sub-áreas, que abrangem essas faixas etárias.
Chama a atenção que a área de administração tenha tão pouca participação da
enfermeira de serviços (9,0% na RLAE, 13,0% na REBEn e 24,0% na Cogitare).
Afinal, o processo de trabalho em enfermagem se constrói a partir do
gerenciamento. Nele está a base de ações de cuidado. Logo, essa deveria ser
área de maior interesse. As áreas de saúde da mulher e saúde da criança e
adolescente também são pouco representativas, mas são de grande interesse de
enfermeiras de serviços de saúde.
Pode-se esperar do profissional o compromisso com o contexto sócio-histórico em
que está inserido, quando lhe é proporcionada a oportunidade de exercitar, ao
longo do curso e após a formação, a inserção em projetos e programas próximos
da realidade em que atua ou atuará, que produzam e divulguem ciência,
tecnologia e cultura, conduzindo-o à sensibilização e co-responsabilidade
frente aos problemas sociais. Porém, essa ainda é uma realidade a ser
alcançada.
Dessa maneira, a indissociabilidade entre ensino-serviço proporciona a prática
desse exercício, pela troca de saberes sistematizados e interdisciplinares;
desenvolvimento do potencial criativo e inovador; acompanhamento de
transformações tecnológicas e sociais; revisão de saberes adquiridos pela
experiência prática, despertando a curiosidade e a humanização na assistência,
entre outros benefícios pessoais e de equipes de saúde.
Esse caráter de educação continuada é entendido como processo de crescimento e
aperfeiçoamento, dinâmico e dialógico, realizado de forma individual ou
coletiva, reafirmando ou reformulando valores e práticas, construindo relações
de integração de forma criativa e inovadora(18).
O perfil de publicações de um periódico se revela pela tendência na abordagem
que adota. A RLAE tem maior número de publicações em pesquisa do tipo
quantitativa (53,0%); já a REBEn segue mais para a tendência qualitativa
(48,0%), assim como parece ser a Cogitare (44,0%).
Importante é que há participação, mesmo que pequena, de enfermeiras nas
diferentes abordagens de publicações. Nossa experiência tem mostrado que as
enfermeiras assistenciais preferem relatar suas experiências em ambas as
abordagens, pois têm maior segurança em referir sobre situação, fato ou caso
experenciado. Essa é uma maneira importante de socialização de saberes e que
poderia ser estimulada entre seus pares.
Os dados da Tabela_6 mostram que é interessante conhecer a linha editorial das
revistas para facilitar a publicação, pois quanto maior a procura por pós-
graduação maior a tendência em publicar; mas não em continuar publicando.
CONCLUSÃO
Os dados da pesquisa apontam que a produção científica é maior por autores da
academia que do campo da prática; as titulações de enfermeiras assistenciais
não são consideradas plenamente nas publicações; as enfermeiras têm maior
facilidade em publicar quando ligadas a grupos de estudos e pesquisas e também
que há maior procura por temas em educação e saúde e saúde do adulto.
Isto posto, algumas sugestões podem ser apontadas para facilitar a produção e
divulgação de resultados de pesquisas por enfermeiras assistenciais, dentre
elas: utilização de resultados de pesquisas divulgados na literatura; organizar
um grupo de estudos, certi-ficando-se que faça parte do organograma do serviço
de saúde para garantir de fato a sua existência; estimular o contínuo exercício
de persistência e paciência, pois conhecimento é um processo em construção;
começar a investigação por nível crescente de complexidade; buscar no campo da
prática os problemas de pesquisa que "chamam" por solução, pois esses são mais
motivadores.
Em outro aspecto, o trâmite do projeto no Comitê de Ética pode ser doloroso e
desestimulante, pois em publicações surgem impasses e, como as enfermeiras
desconhecem o trâmite, se frustram com as idas e vindas dos textos devolvidos
pelos consultores dos periódicos.
Finalmente, a investigação científica na prática feita por enfermeiras é um dos
indícios para a consubstancialidade da Enfermagem como profissão na sociedade,
dando maior visibilidade ao trabalho em Enfermagem, mobilizando o potencial de
seus profissionais para conduzir e usar pesquisa, pela aquisição de habilidades
e conhecimentos, e possibilitando maior credibilidade para formulação de
julgamentos na tomada de decisões, com fatos e dados para as soluções das
questões e problemas do cotidiano.