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BrBRCVHe0034-71672010000600027

National varietyBr
Year2010
SourceScielo

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Análise das publicações dos enfermeiros assistenciais em periódicos nacionais

INTRODUÇÃO A necessidade do embasamento científico aplicado à prática assistencial entre os profissionais da área da saúde é fundamental e compreendida como toda a atividade que visa à busca de soluções de problemas com a intenção de descobrir conhecimento, é processo que contribui para a transformação da realidade.

Historicamente, para que uma profissão seja reconhecida no âmbito nacional e internacional e tenha visibilidade no cenário científico, necessita produzir ciência e divulgar mais o que produz. Isso se traduz pelo volume da produção que é publicado em revistas científicas da área específica ou das áreas afins (1).

Atualmente, com o desenvolvimento do setor da saúde e o reconhecimento mundial da necessidade de inovações tecnológicas e científicas constantes, é dada ênfase e apoio à pesquisa em saúde no Brasil. Tal incentivo em saúde e a promoção de condições favoráveis à realização de estudos científicos geram prática profissional ampla, eficiente e especializada, pautada em conhecimento seguro, flexível e sedimentado que enobrece o profissional e propicia assistência plena e garantida à população(2).

Em enfermagem, a produção de conhecimento tem sido preocupação constante na trajetória evolutiva da profissão, evidenciada mais enfaticamente no Brasil nos últimos trinta anos, com a implementação dos cursos de pós-graduação, especialmente mestrado e doutorado. Essa preocupação reflete o empenho das enfermeiras em inserir no âmbito de suas ações a arte e a ciência, para enfrentar os desafios impostos pelas transformações científicas, tecnológicas e políticas contemporâneas, bem como saber ou conhecer mais sobre a enfermagem e seus termos teóricos e práticos, valorizar-se nas relações com os assistidos e seus pares, e identificar-se como profissão no mundo(3). Além do mais, sua execução na prática profissional mobiliza profissionais para ações reflexivas e críticas(4).

As tendências na produção científica de enfermagem surgem, sobretudo, das inquietações sobre o modo como a profissão vem enfocando e respondendo as questões da saúde em suas pesquisas. Para o crescimento da profissão é relevante conhecer quantitativa e qualitativamente sua produção cientifica, na procura de evidências não somente sobre o desenvolvimento profissional, mas, fundamentalmente, sobre os resultados e impactos sociais(5).

Ação investigativa e publicação por enfermeiras são fundamentais, porque possibilitam que elas adquiram, produzam e aprofundem conhecimentos; atualizem- se e avaliem suas práticas; encaminhem as soluções de problemas metodologicamente; cresçam profissionalmente pelo estímulo à reflexão de novas formas de conduzir seu trabalho e despertem-se para a paixão pelo conhecimento estruturado cientificamente(6).

No entanto, observa-se que nem sempre essas profissionais compartilham idéias, sentimentos ou experiências, correndo assim o risco de não divulgarem suas vivências e, conseqüentemente, permanecerem somente na geração de idéias(7).

Diante da ênfase de necessidade de investigações científicas relacionadas às práticas em enfermagem, esta pesquisa objetivou identificar em periódicos nacionais a participação de enfermeiras assistenciais como autores e os co- autores em publicações; elencar nos artigos o contexto de atuação da enfermeira assistencial e sua titulação, bem como a titulação de outros autores, área de interesse da pesquisa, as categorias de publicação e origem dos artigos; analisar as características e proceder a correlações entre os artigos publicados que tenham participação da enfermeira assistencial.

MÉTODO Pesquisa de revisão bibliográfica temática e de atualização(8) em três periódicos nacionais na categoria Qualis B Nacional, no período de 2000 a 2007, restrito a três periódicos de enfermagem, sendo um de circulação internacional e dois de circulação nacional, descritos a seguir: Revista Latino-Americana de Enfermagem (RLAE); Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn); Revista Cogitare Enfermagem da UFPR. Optou-se por pesquisar esses periódicos por considerá-los de grande circulação em ambientes acadêmicos e profissionais. Foi possível pesquisar todos os exemplares publicados, ou seja, nenhuma edição dos periódicos ficou excluída da análise no presente estudo.

Os critérios de inclusão de artigos foram: autores enfermeiro(a) assistencial em qualquer área de atuação como autor ou co-autor e nas seguintes categorias de publicação: artigos originais, revisões, atualizações, comunicações breves/ estudo de caso, relato de experiência e página do estudante.

Os critérios de exclusão de artigos foram: autores que fossem enfermeiros docentes de nível médio, graduação, pós-graduação, preceptores e residência, doutorandos, mestrandos, especializandos, alunos de residência. Excluiu-se ainda o enfermeiro assistencial com função docente; publicações de enfermeiros estrangeiros; enfermeiros de laboratórios, institutos de pesquisa ou de grupos de pesquisa, assessorias ou em cargos institucionais. Dentre as categorias de publicação excluíram-se artigos como resenhas de livro e, ou carta ao leitor.

Para a análise das informações obtidas, nos artigos dos periódicos pesquisados, os dados foram incluídos em planilha Excel, contendo: tipo de participação da enfermeira assistencial (autora ou co-autora), contexto de sua atuação, titulação de autores e co-autores, área temática de interesse, categoria da publicação e procedência do artigo. Os dados foram submetidos à estatística descritiva.  

RESULTADOS E DISCUSSÃO Os três periódicos pesquisados somaram 24 volumes, com 1.918 artigos e neles foram encontrados 162 artigos (8.5%) com a participação das enfermeiras assistenciais entre 2000 a 2007.

Os dados da Tabela_1 mostram que dentre os 103 números pesquisados o percentual de participação da enfermeira assistencial não ultrapassa 10% do total de 1918 artigos. Acredita-se que esse cenário não se modifica em relação a outros periódicos semelhantes no Brasil.

Os resultados apontam para o fato de haver necessidade de estimular as enfermeiras assistenciais a participarem da comunidade científica, pois a falta dessa produção tem imposto limitações ao seu desenvolvimento profissional e, consequentemente, da prática social da Enfermagem, trazendo menor visibilidade dessa profissional na comunidade científica, tal como tem sido afirmado de diversas maneiras por autores em diferentes décadas(9-12).

Os mesmos autores - e ainda outros(13) - enfatizam, assim como os resultados desta pesquisa, que a maioria dos trabalhos de investigação está na área acadêmica, nas universidades e cursos de pós-graduação, se comparada à publicação da enfermeira-assistencial e do docente-assistencial; dessa maneira torna-se mais difícil para as enfermeiras assistenciais incorporarem e aplicarem os resultados das pesquisas à prática.

A experiência de maior convivência com enfermeiras assistenciais, as reflexões conjuntas, as trocas de saberes e experiências reafirmam a confiança na capacidade das enfermeiras em elaborar e desenvolver trabalhos científicos, acreditando nas possibilidades de adaptação às novas situações, por mais adversas que sejam, criando, inovando e reinventando possibilidades para satisfazer suas necessidades na prática profissional.

Os dados da Tabela_2 mostram que não grande diferença de autoria e co- autoria na RLAE e REBEn, na Cogitare participação em ambas as categorias.

Não foi realizada série histórica para identificar qual a evolução ao longo dos oito anos estudados.

A maior participação em co-autoria (59,0% na RLAE e 55,0% na REBEn) mostra as enfermeiras como membro de produção coletiva, o que é muito importante no sentido de ampliar e socializar saberes. Sua participação como autoras também é muito significativa, pois mostra sua independência nas produções e visibilidade no processo de trabalho em serviços de saúde.

Defende-se que se amplie a participação da enfermeira assistencial na produção científica, pois como agente social, inserida num contexto marcado por circunstâncias sociais, condicionadas por interesses históricos dominantes, ao revestir-se dessa nova modalidade de ação - a pesquisa -, assume o ato de pensar no cuidado de forma sistematizada e científica. Essa prática tem em si a premissa de que quem cuida e lidera outros profissionais no processo de cuidar deve pensar o cuidado, para transformá-lo na perspectiva de melhor cuidar. A pesquisa é, então, impulsionadora do processo de refletir experenciar - transformar, estratégia fundamental para mudar a cultura do cuidado ritualizado. Cuidar e pesquisar torna-se um binômio que demanda competência e esforço da enfermeira(14).

Dentre as 162 participações em autoria ou co-autoria de enfermeiras em periódicos, na RLAE, o maior contexto de atuação é em hospital universitário (44,0%), provavelmente por ser publica-ção ligada a hospital-escola com longa trajetória de consolidação em pesquisa nacional (Tabela_3).

na REBEn, pelo seu caráter nacional, representativo da classe de Enfermagem, a distribuição é equitativa entre serviços de saúde coletiva (28,0%), hospitais universitário (20,0%) e geral (25,0%). A Cogitare, por sua vez, tem distribuição semelhante à REBEn, embora seja publicação ligada a hospital- escola.

Chama a atenção o fato de haver 30% de não identificação do contexto de atuação de enfermeiras nas revistas. Essa indicação permitiria obter mais dados das enfermeiras assistenciais.

O número total da Tabela_4 soma 204, o que excede 162 participações, pois situações em que os artigos trazem mais de uma enfermeira assistencial na autoria de artigos. Esse dado mostra que mais 42 enfermeiras na co-autoria de artigos no período pesquisado. Tal informação é importante, pois mostra que grupos de colegas interessadas em publicações, destacando o interesse em participar de grupos de pesquisa e/ou estudos em serviços de saúde.

Os dados mostram que nos periódicos pesquisados baixo percentual de doutores nos serviços (6,0%), o que deverá ser implementado à medida de consolidação dos cursos stricto senso no país, em especial pela procura de enfermeiras pelo mestrado (28,0% na RLAE, 36,0% na REBEn e 18,0% na Cogitare), bem como maior garantia de qualificação profissional e efetividade em serviços.

A participação de especialistas é menor. Tal dado retrata que embora os serviços exijam maior qualificação e os enfermeiros respondam por este chamamento, é preciso maior incentivo acadêmico e de serviços de saúde para que produzam cientificamente, como mais uma forma de manter, aumentar ou melhorar competências, compatíveis com as exigências da própria profissão.

Em relação aos graduados esperava-se maior participação, em especial após o advento da exigência de monografias ao final dos cursos, o que deveria e poderia ser estímulo para continuidade de publicações. No entanto, no período pesquisado, essa situação não se revela.

Outro ponto a referenciar trata-se da questão que norteia a produção científica na pós-graduação. Em algumas situações o nível de complexidade das pesquisas propostas pelo orientador à enfermeira, ao contrário de estimular produções, torna-se de tal maneira opressivo que leva a enfermeira a sentir rejeição a trabalhos futuros. Por outro lado, o fato de o orientador subestimar a capacidade da enfermeira, por meio de trabalhos demasiadamente desestimulantes e sem aderência com suas experiências ou necessidades profissionais.

Ainda, como na Tabela_3, um percentual significativo de ausência da titulação do enfermeiro assistencial. Nos artigos pesquisados encontram-se detalhadas as titulações de doutores, mestres e acadêmicos, no entanto é relativamente comum encontrar apenas a palavra "enfermeira" na titulação de autoria de enfermeiras assistenciais, sem referência sobre a função e/ou cargo que ocupa.

Essa falta de titulação torna-se um problema, mesmo parecendo pouco importante o currículo de enfermeiras assistenciais na titulação dos artigos. A titulação deveria ser motivo de estímulo e valorização de colegas de serviços.

Considerando que falta esta titulação acreditamos que o número de participação de enfermeiros assistenciais nas publicações seja menor do que o encontrado, pois são muito comuns publicações resultantes de curso de graduação e pós- graduação sem essa especificação, nem no título ou rodapé do artigo.

Sendo assim, faz-se necessário modernizar o processo de formação dos títulos dos enfermeiros; incentivar os jovens criativos envolvendo-os nas atividades de pesquisa e extensão; estimular os alunos a integrar os grupos de pesquisa das universidades com um objetivo comum, visando atender às demandas da sociedade.

Aos pesquisadores cabe a responsabilidade de encaminhar seus manus-critos a revistas arbitradas e a adoção de esforços para melhoria da qualidade editorial (15).

Outro impasse está nas organizações que ainda não desenvol-veram cultura organizacional que valorize e facilite o desen-volvimento de pesquisas, pois são ainda espaços burocráticos, sem ampliação de seus papéis na geração e promoção de conhecimentos que garantam tanto a sobrevivência da instituição como os benefícios à sociedade. Falta-lhes assumir a missão de instrumentalização das enfermeiras para a pesquisa, para que a entendam como instrumento que auxilia a validar práticas consagradas; apontar, indagar, aprofundar conhecimentos e proceder a mudanças necessárias no cotidiano do trabalho, porém, torna-se fundamental que as enfermeiras questionem as finalidades da pesquisa e, em conjunto com a administração, criem espaços, proponham estratégias e aloquem recursos para sua realização(16).

Por outro lado, as enfermeiras conhecem a cultura organizacional do serviço no qual atuam, participam de alguma maneira na disputa de interesses, mas com frágil autonomia, não conseguindo representar-se com resolutividade na estruturação política do hospital, pois, quando se defrontam com os limites impostos pelas regras de funcionamento de um grupo legislador composto por uma rede de relações hierárquicas de maior influência, que ocupa espaços tanto na administração do hospital como no corpo clínico, são estes e não aquelas que decidem sobre a gestão da instituição.

Além do mais, as razões atribuídas pelas enfermeiras ao desenvolvimento das pesquisas decorrem, entre outras, das complexidades de seu campo de trabalho, que não tem como rotina essa prática, bem como as dificuldades naturais no desenvolvimento da pesquisa tornam essa atividade difícil, exaustiva e desmotivante.

Por outro lado, a educação profissional iniciada na graduação deveria ser continuada com estimulo para o auto-aprendizado, para enfrentar os desafios da organização do sistema de saúde vigente, das características do mercado de trabalho e da necessidade de preparo para trabalhar em equipe multiprofissional (17).

Os doutores são amplamente os que mais publicaram com enfermeiras assistenciais. Esse dado é confortante no sentido de identificar seu papel como pesquisadores e líderes de grupos de pesquisa, em conjunto com os serviços de saúde. Além de agregar colegas, incentivam iniciativas de futuros pós- graduandos para que realizem o mesmo. Esses dados se mostram pela participação de mestres, mestrandos e doutorandos na co-autoria de publicações.

que se destacar, contudo, que a falta de engajamento de enfermeiras em grupos de pesquisa na linha proposta pelo líder e seu grupo, nem sempre é aderente às suas necessidades e/ou de intervenção no campo da prática.

os especialistas não são tão representativos, conforme mostra a Tabela_5.

Acredita-se que esses profissionais, logo após a graduação, busquem pela especialização e vínculo empregatício. Passado um período optam pelo stricto senso se, preferencialmente, pretendem seguir a carreira docente. Mais recentemente uma tendência por esses cursos, independente da carreira.

Em relação aos graduados, esperava-se maior participação, considerando que devam estar engajados em grupos de pesquisa e que certamente poderiam estar mais presentes nas publicações, inclusive como estímulo futuro.

Destaca-se que um problema, sem dúvida, enfrentado pela enfermeira que é o trâmite do projeto no Comitê de Ética. A experiência de trabalho em grupo minimiza as possíveis dificuldades e exigências solicitadas para a aprovação do projeto. Nessa mesma linha está a necessidade de se passar o relatório da pesquisa das normas de ABNT para Vancouver, utilizado na maioria dos periódicos nacionais.

Nossa experiência tem mostrado que as enfermeiras ficam menos motivadas à publicação considerando as tarefas acima mencionadas e ainda por desconhecerem o trâmite, para que um artigo seja publicado.

Com relação às áreas de publicações por enfermeiras assistenciais, os dados mostraram que as duas de maior interesse são: educação em saúde e em enfermagem (27,0% na RLAE, 24,0% na REBEn e 18,0% na Cogitare); saúde do adulto e do idoso (25,0% na RLAE, 31,0% na REBEn e 18,0% na Cogitare), seguida por temas de saúde coletiva e saúde domiciliar. Outras áreas de interesse para publicações englobam: administração hospitalar, saúde da mulher, saúde da criança e adolescente e saúde ocupacional.

A área de educação pode se justificar pelo fato de as revistas serem, em maioria, de cursos de graduação e pós graduação em enfermagem; a saúde do adulto e idoso se justifica, talvez, por haver muitos grupos de pesquisa, em diversas sub-áreas, que abrangem essas faixas etárias.

Chama a atenção que a área de administração tenha tão pouca participação da enfermeira de serviços (9,0% na RLAE, 13,0% na REBEn e 24,0% na Cogitare).

Afinal, o processo de trabalho em enfermagem se constrói a partir do gerenciamento. Nele está a base de ações de cuidado. Logo, essa deveria ser área de maior interesse. As áreas de saúde da mulher e saúde da criança e adolescente também são pouco representativas, mas são de grande interesse de enfermeiras de serviços de saúde.

Pode-se esperar do profissional o compromisso com o contexto sócio-histórico em que está inserido, quando lhe é proporcionada a oportunidade de exercitar, ao longo do curso e após a formação, a inserção em projetos e programas próximos da realidade em que atua ou atuará, que produzam e divulguem ciência, tecnologia e cultura, conduzindo-o à sensibilização e co-responsabilidade frente aos problemas sociais. Porém, essa ainda é uma realidade a ser alcançada.

Dessa maneira, a indissociabilidade entre ensino-serviço proporciona a prática desse exercício, pela troca de saberes sistematizados e interdisciplinares; desenvolvimento do potencial criativo e inovador; acompanhamento de transformações tecnológicas e sociais; revisão de saberes adquiridos pela experiência prática, despertando a curiosidade e a humanização na assistência, entre outros benefícios pessoais e de equipes de saúde.

Esse caráter de educação continuada é entendido como processo de crescimento e aperfeiçoamento, dinâmico e dialógico, realizado de forma individual ou coletiva, reafirmando ou reformulando valores e práticas, construindo relações de integração de forma criativa e inovadora(18).

O perfil de publicações de um periódico se revela pela tendência na abordagem que adota. A RLAE tem maior número de publicações em pesquisa do tipo quantitativa (53,0%); a REBEn segue mais para a tendência qualitativa (48,0%), assim como parece ser a Cogitare (44,0%).

Importante é que participação, mesmo que pequena, de enfermeiras nas diferentes abordagens de publicações. Nossa experiência tem mostrado que as enfermeiras assistenciais preferem relatar suas experiências em ambas as abordagens, pois têm maior segurança em referir sobre situação, fato ou caso experenciado. Essa é uma maneira importante de socialização de saberes e que poderia ser estimulada entre seus pares.

Os dados da Tabela_6 mostram que é interessante conhecer a linha editorial das revistas para facilitar a publicação, pois quanto maior a procura por pós- graduação maior a tendência em publicar; mas não em continuar publicando.

CONCLUSÃO Os dados da pesquisa apontam que a produção científica é maior por autores da academia que do campo da prática; as titulações de enfermeiras assistenciais não são consideradas plenamente nas publicações; as enfermeiras têm maior facilidade em publicar quando ligadas a grupos de estudos e pesquisas e também que maior procura por temas em educação e saúde e saúde do adulto.

Isto posto, algumas sugestões podem ser apontadas para facilitar a produção e divulgação de resultados de pesquisas por enfermeiras assistenciais, dentre elas: utilização de resultados de pesquisas divulgados na literatura; organizar um grupo de estudos, certi-ficando-se que faça parte do organograma do serviço de saúde para garantir de fato a sua existência; estimular o contínuo exercício de persistência e paciência, pois conhecimento é um processo em construção; começar a investigação por nível crescente de complexidade; buscar no campo da prática os problemas de pesquisa que "chamam" por solução, pois esses são mais motivadores.

Em outro aspecto, o trâmite do projeto no Comitê de Ética pode ser doloroso e desestimulante, pois em publicações surgem impasses e, como as enfermeiras desconhecem o trâmite, se frustram com as idas e vindas dos textos devolvidos pelos consultores dos periódicos.

Finalmente, a investigação científica na prática feita por enfermeiras é um dos indícios para a consubstancialidade da Enfermagem como profissão na sociedade, dando maior visibilidade ao trabalho em Enfermagem, mobilizando o potencial de seus profissionais para conduzir e usar pesquisa, pela aquisição de habilidades e conhecimentos, e possibilitando maior credibilidade para formulação de julgamentos na tomada de decisões, com fatos e dados para as soluções das questões e problemas do cotidiano.


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