A (des)construção do saber educativo nos laços da teoria da educação
Nível teórico-científico dos saberes: os contributos das Ciências da Educação
e de outras áreas científicas que possibilitam o conhecimento da realidade
educativa;
Nível tecnológico de aplicação: a inclusão da educação formal (teoria do
currículo, questões relacionadas com a prática escolar), da educação não formal
(educação social, educação ambiental, educação para o consumo, educação
comunitária, educação cívica, etc.) e educação informal.Por conseguinte, a
teoria da educação têm um carácter teórico, prático e tecnológico, com o
objectivo de conhecer (teoria), para fazer (tecnologia), já que a tecnologia
própria desse fazer' prático é de teor racional (conhecimento racional).
A sua racionalidade advém da sua praxiologia, já que é uma teoria para a acção,
uma reflexão sobre a pertinência das acções educativas (fins, objectivos). Tudo
isto dá-lhe consistência racional e identidade teórico-prática. Simultaneamente
constitui-se numa estrutura aberta que depende de múltiplos modelos axiológicos
e evidencia uma preocupação sobre a educabilidade. Dito deste modo, a teoria da
educação é uma teoria narrativa sobre a realidade e dos acontecimentos
educativos, já que a essência dessa narratividade está na explicação coerente
entre os princípios teóricos e a actividade prática. Na concretização da
educabilidade, ela acolhe qualquer saber próprio das ciências sociais e humanas
para conseguir os seus propósitos: pragmática, funcional e validar a
intervenção prática.
3. Realidade e saber educativo: a abordagem à teoria da educação
Inicialmente explicaremos o que entendemos por Teoria' no campo das ciências
da educação, sabendo que ela pode estar impregnada por ideologia (s)' e por
confusões geradas no âmbito teórico da educação, por exemplo, se considerarmos
o teórico na educação como não aplicativo e não narrativo (Colom, 1992).
Confundia-se o teórico ' educativo com os pressupostos da filosofia da
educação, como se o filósofo da educação' fosse sinónimo de teórico da
educação.
É óbvio que nem todo o conhecimento educativo teórico faz parte da teoria da
educação. De facto, o saber filosófico sobre a educação constitui um saber
teórico de carácter especulativo, que não cumpre os requisitos de uma teoria'
(da ciência). Muitas vezes o teórico' coincide com teorias particulares sobre
questões ou perspectivas pessoais sobre a educação. Por exemplo, a teoria
pedagógica de Paulo Freire ou a teoria da desescolarização indicam aspectos
pessoais (opiniões, opções conceptuais) referentes à educação (em contexto
específico). Elas têm características de serem apenas perspectivas
educativas'.
Por outro lado, também se considera teoria' como sinónimo de ideologia(s)',
de tal modo, que as posições de um pensador ou de uma corrente de pensamento
converte-se, no marco conceptual de classificação do educativo' em teoria,
quando no fundo nada dizem sobre o saber educativo ou pedagógico, porque são as
compreensões que os autores possuem da educação ou da cultura pedagógica. Ou
seja, eleva-se ao plano da teoria o que são apenas subjectivismos: o adjectivo
é a educação e a substancialidade é dada pela posição ideológica de fundo
(autor, pensador). Por exemplo, a pedagogia marxista dá-nos a visão do marxismo
aplicado à educação, mas nada diz sobre o saber educativo/pedagógico e da
realidade educativa. O marxismo pode servir de extrapolação a outras correntes
ou movimentos de pensamento, de posição científica ou de autores/pensadores,
mas, no fundo, são simples compreensões educativas que não ampliam conhecimento
sobre o fenómeno factual do que é educar ou do acto educativo (Colom, 2004).
O que é a teoria da educação? Quais são os fundamentos racionais do seu saber?
A teoria educativa, enquanto teoria sobre a educação, está fundamentada num
tipo de saber que se caracteriza pelos seguintes tipos de racionalidade:
material (tangível, empiricamente evidente), tecnológica (discurso sobre a
acção educativa: o saber fazer), complexa (afecta os fenómenos educativo,
processos de educar) e hipertextual (informação, novas tecnologias) (Colom,
2004). É no plano teórico que epistemologicamente se pretende evidenciar o seu
substrato racional (que saber, que tipo de saber), que determina a configuração
dessa concepção teórica da' ou sobre a educação', que é essencialmente uma
concepção pragmática e utilitarista (Martins, 2007).
No século passado, o conhecimento pedagógico acrescentou duas novas fontes ao
saber: a investigação educativa e a documentação educativa. Na verdade, a
investigação educativa e a documentação educativa constituem as fontes recentes
do saber pedagógico. Apesar das críticas, na década de 80, sobre a investigação
educacional nos seus contributos para a melhoria da prática educativa, o
desenvolvimento educativo/formativo não pode ser entendido desvinculado dos
pressupostos científicos dados pelas Ciências da Educação e, em especial, pelas
ciências pedagógicas (Rico, 2009).
a. A investigação educativa adopta duas orientações ou critérios fundamentais:
b. Investigação sobre a educação com finalidades epistémicas realizada pelas
Ciências da Educação independentemente dos seus enfoques epistemológicos
origina no conjunto das ciências, por exemplo, o caso da Biologia da Educação
(área das Ciências da Vida) ou de outras ciências integradas nas Ciências
Sociais e Humanas (Sociologia da Educação, História da Educação, Psicologia da
Educação, Antropologia Educacional, Filosofia da Educação, Política Educativa,
etc.). Esta pluralidade e complementaridade metodológica das Ciências da
Educação permitem um maior conhecimento dos fenómenos educativos, satisfazendo
a finalidade epistémica de qualquer ciência: gerar saber (es)' e conhecimento
(s).
c. Investigação sobre a actividade educativa orientada por fins tecnológicos e/
ou praxiológicos, vinculada à análise dos processos e resultados das acções
educativas. É neste campo, que a teoria da educação, a didáctica ou metodologia
geral e as didácticas específicas, a orientação educativa (escolar, pessoal,
profissional), a organização escolar, etc., empreenderam as suas investigações.
d. Na perspectiva do educador/professor a investigação educativa tem uma
incidência reduzida na prática educativa, o que reforça a ideia de dissociação
entre o conhecimento científico e o conhecimento prático e, simultaneamente,
entre os investigadores e os práticos da educação. Contudo, a partir de outros
paradigmas educacionais surgiram outras metodologias complementares ao enfoque
dominante (positivista, neo-positivista), tais como a investigação-acção, a
avaliação e os estudos de caso que contribuem para a melhoria da prática
educativa e do aperfeiçoamento dos professores e educadores.
e. As inovações produzidas nas práticas educativas tendem a integrar os
diferentes tipos de saberes: a pluralidade de saberes próprios das Ciências da
Educação (teóricos e práticos), o saber analítico, crítico e reflexivo e a
competência dos educadores/professores (Martins, 2005a). Os contributos das
Ciências da Educação e os resultados das investigações sobre o acto e a acção
de educar podem ser avaliados, tendo em consideração, os critérios internos de
cada ciência ou área científica e critérios externos a ela (Colom, 1992).
f. A documentação educativa é outra fonte recente do saber pedagógico. O acervo
de conhecimentos e de saberes sobre os problemas e as questões educativas têm-
se incrementado e difundido a partir das novas tecnologias da informação. As
fontes bibliográficas e hemerográficas, as bases científicas de dados, os
relatórios de investigação e outro tipo de documentação educativa/pedagógica
passaram a ser ferramentas úteis ao saber pedagógico.
4. A teoria na construção do saber educativo
Já afirmámos que uma das vertentes fundamentadoras do corpo científico da
teoria sobre a educação é o da dimensão educativa materializada na eficácia da
acção dos agentes educativos no desenvolvimento das competências ou
capacidades, habilidades e valores do sujeito da educação. Podemos sintetizar
esta perspectiva em três aspectos importantes:
Os teóricos da educação debruçam-se sobre as questões relacionadas com os
critérios, que limitam teoricamente a consistência dos processos educativos, de
modo a conseguir os objectivos e possibilidades de desenvolvimento do sujeito
da educação;
A teoria sobre a educação integra os contributos da investigação educacional
e amplia o marco conceptual do saber da educação;
A incorporação da tecnologia na (s) teoria (s) sobre a educação implicou uma
reconstrução dos seus objectivos de investigação, principalmente nos processos
de desenvolvimento humano, dando respostas funcionais e práticas, que pretendem
melhorar as práticas educativas, e, ainda possibilitam a identificação dessas
intervenções na prática. Neste sentido, com o auxílio do princípio da
consistência dos processos educativos, foi possível incorporar o critério de
efectividade das intervenções. Contudo, as investigações sobre a educação têm
dedicado uma atenção especial à avaliação do desempenho dos professores e à
avaliação institucional, convertendo-se num novo âmbito científico, assim como
indagar a conceptualização e as metodologias dos processos de construção do
sujeito da educação nas suas diferentes dimensões (cognitiva, afectivo, ético-
moral, social, expressiva, etc.), resultantes dos problemas criados pelas
intervenções práticas (Castillejo & Colom, 1987).
Reconhecemos que a teoria sobre a educação tem permitido o desenvolvimento de
novas formas de procedimento pedagógico ao nível praxiológico, contribuindo
para a eficácia dos processos formativos do sujeito da educação nos seus
contextos sociais e culturais. É bom lembrar historicamente as teorias do
conhecimento e a acção educativa no século XX, por exemplo, os contributos de
Vygotsky, Piaget, Dewey, P. Freire, Köhlberg, Ausubel, etc. Por isso, o saber
educativo é um saber constitutivo de novas possibilidades para a eficácia e
qualidade formativa dos sujeitos, a partir das condições e dos contextos de
experimentação e de inovação consistentes e com um modelo teórico de base
(Berliner, 2002).
Por outro lado, a teoria da educação, como saber teórico, possui um outro
objectivo para além de ser pragmática e de aplicabilidade do saber educativo.
Esse objectivo insere-a no campo da epistemologia das Ciências da Educação com
a pretensão de evidenciar o substrato racional (que saber, que tipo de saber)
configurador dessa concepção teórica da educação, que é essencialmente
pragmatista e utilitarista. De facto, a teoria da educação é uma teoria
pragmática e funcional, que tem por objectivo a validade e a pertinência da
prática educativa nos respectivos contextos. Por isso, a teoria da educação é
uma teoria orientada para a prática.
De facto, enquanto o saber tecnológico se orienta para a acção, o saber
científico orienta-se para o conhecimento. A tecnologia, corpo de conhecimentos
com requisitos próprios, aceita o conhecimento científico para, em contexto
específico, resolver os problemas de acção (Bunge, 1981). Nestes processos a
tecnologia transforma-se numa fonte de conhecimento, de tal forma, que o
cientista da educação pretende, a partir dos actos, conhecer a realidade
educativa (produto) e o tecnólogo aspira a conhecer, a partir dos actos, as
acções eficazes dessa realidade (processo). Ambas as perspectivas, a científica
e a tecnológica da educação, instrumentalizam conhecimentos, com o intuito de
conhecer a realidade (Ciências da Educação) ou para concretizar objectivos ou
para resolver problemas situacionais da educação (tecnologia educativa). Isto
é, qualquer teoria exige uma dimensão explicativa e normativa dos fenómenos
factuais e das realidades dinâmicas, tendo como apoio os conhecimentos
científicos e tecnológicos sobre a educação (Colom, Ballester, Solórzano &
Ortega, 2009).
A teoria tecnológica sobre a educação é uma teoria que pretende a racionalidade
da educação, como acção, em qualquer contexto educacional. É verdade que a
pedagogia, na sua acepção tradicional, orientava a intervenção sistémica do
educador sobre o educando e, consequentemente, o nível teórico ou a intervenção
explicativa, prescrevendo o próprio processo da acção prática (Dale, 1997).
Consideramos que a teoria da educação compreende e integra os dois enfoques
racionais, o científico e o tecnológico, seja a partir da metodologia
experimental, os sistemas hipotético-dedutivos para confirmar o marco
conceptual das leis pedagógicas, referentes ao conhecimento dos factos
educativos. Mediante a aplicação do conhecimento científico (saber teórico),
unido a outros elementos integrantes do saber tecnológico (saber prático),
conseguimos o conhecimento dos processos educativos e, por isso, entendemos a
educação como acção e estudo dos actos educativos. Portanto, uma teoria da
educação deverá ser, científica e tecnológica, integrando leis e normas ou
prescrições da acção educativa.
Em educação temos que conhecer a realidade (epistemologia) e os seus contextos
para depois os actores ou agentes educativos saberem actuar, não perdendo de
vista a dimensão axiológica e humanística dessa intervenção. A tecnologia da
educação contribui a teoria sobre a educação com novas formas de pensar e de
intervir, com uma multidisciplinaridade de saberes e metodologias no contexto
da realidade educativa, na resolução de problemas e para a eficácia da acção
(Colom & Cubero, 2001; Martins, 2005a).
No seguimento do que afirmamos, qualquer teoria pretende uma fundamentação
válida para qualquer teoria particular ou específica sobre a educação no plano
do conhecimento, isto é, ser uma teoria da educação' capaz de integrar
racionalmente qualquer das teorias aplicativas, de modo a dar solução aos
diversos problemas de prática educativa, por exemplo, ao nível organizativo,
avaliativo, planificação de conteúdos e dificuldades de aprendizagem.
Esta teoria epistemológica sobre a educação será o guarda-chuva ou o marco
teórico (a teoria no âmbito de qualquer ciência) da (s) teoria (s) sobre a
educação, no sentido aplicativo ou pragmático. Este sentido argumentativo, no
dizer de Colom (2004) aproxima-nos do sentido que Popper dá ao mundo 3 (mundo
da meta-ciência), o que implica, que a teoria da educação, enquanto Teoria'
para todas as teorias educativas, se fundamenta num tipo de saber que possui
diversas racionalidades: uma racionalidade material; racionalidade tecnológica;
racionalidade de complexidade e racionalidade hipertextual (Martins, 2005b).
Cremos que uma teoria da educação deve ser uma teoria da complexidade educativa
ou pedagógica. O educativo' está disseminado em várias áreas ou unidades
curriculares das Ciências da Educação que intentam, de forma analítica, a
sistematização interdisciplinar dos saberes. Ora bem a intenção é demonstrar
que a teoria da educação possui essa capacidade de realizar um discurso sobre a
complexidade das realidades educativas e, isso determina uma concepção
diferente da teoria e da realidade (Martins, 2007).
A teoria deve apoiar-se na complexidade, constituindo-se numa teoria ou numa
estrutura de conhecimento aberto e indefinido. Só assim podemos questionar as
problemáticas educativas nas diversas áreas do saber, já que o educativo' na
realidade não apresenta limites (interactua de forma circular nos diversos
campos, objectos e métodos), afecta a pessoa no seu aprender ao longo da vida,
nos seus diversos contextos (formais, não-formais), e dá solução aos problemas
de vária índole (psicológica, sociológica, cultural, etc.) (Rico, 2009).
De facto, esta abertura das Ciências da Educação e à compreensão dos fenómenos
educativos/pedagógicos permitiu estabelecer sistemas de relação abertos a
inovações externas, que contribuíram para o desenvolvimento do conhecimento
(saber). É devido a essa abertura e à sua perspectiva de (auto) regulação entre
todos os conhecimentos educativos que a teoria da educação tem esse carácter
complexo e integrador (Martins, 2006). Não nos esqueçamos que a realidade, em
geral e a realidade educativa em particular, é temporal, irreversível, caótica,
indefinível, complexa, não descritível e com entropias e necessita da mesma
fenomenologia, de uma racionalidade complexa, para a sua construção teórica que
nos leve a uma adequada compreensão dos fenómenos (Colom, 2004; Martins, 2007).
É lógico que uma sociedade plural e complexa origine múltiplas fontes de
informação e, consequentemente, múltiplas opções educativas/formativas para o
indivíduo aprendente (Husen, 1988). A educação deve-se abrir a todas as
linguagens, rompendo com a linearidade narrativa e possibilitar o esplendor da
palavra, da linguagem e da magia da imagem. Esta disseminação afecta a outros
meios educativos e, por isso, a hipertextualidade se converte em multimédia
(teatro, cinema, televisão, a imagem, poesia, computador, etc.), com formatos
diversificados para novas possibilidades educativas (Pérez, 2004). A abertura
da educação para além da educação/formação escolar possibilitou essa
desconstrução e o aparecimento de uma disseminação de múltiplas opções de
aprendizagem em vários contextos (Dale, 1997).
Algumas (in)conclusões
O presente texto, de carácter sintético e orientador, pretendeu averiguar o que
é a teoria da educação e que tipo de teoria é a teoria educativa. Provavelmente
faltam tópicos e assuntos que ajudariam a aprofundar o nosso estudo educativo e
pedagógico, facilitando uma melhor compreensão interpretativa do
desenvolvimento do conhecimento pedagógico. Sabemos que um texto é sempre o
resultado de uma sistemática pesquisa documental e reflexiva, de modo a
oferecer uma síntese de conhecimentos sobre a teoria da educação, preocupada
pela normatividade pedagógica.
Na verdade, a teoria da educação está em função do sentido que damos ao
conceito teoria', o qual pode ter três acepções (Cabanas, 1988):
Tradicional. A teoria é o âmbito especulativo com a pretensão de compreender
uma realidade;
Epistemológico (técnico). A teoria é um construto que integra um conjunto de
hipóteses, que configuram um modelo ou esquema explicativo de uma questão
científica. Assim, a teoria científica constitui um sistema de conteúdos
sistematizados, uma representação conceptual e simbólica dos dados de
observação e proporcional a um conjunto de normas de inferência que permitem a
previsibilidade dos dados factuais.
Estrutural. A teoria é um retrato da realidade (pictures'), mesmo que esse
retrato não seja correcto, mas sim possível e predizível com os seus
componentes descritivos e explicativos dos factos (processo de observação).
Ora bem, estas acepções aplicam-se à realidade educativa e à investigação
educacional. Daí haver distintos modelos epistemológicos de teorias sobre a
educação ou de teoria da educação, por exemplo:
A teoria da educação de base científica (saber educativo/pedagógico) na
realidade educativa, opondo-se à praxis educativa. Trata-se do conceito de
Pedagogia como Ciência da Educação, que inclui as teorias específicas e teorias
dos elementos do processo educativo. Contudo, a teoria da educação sistematiza
os conhecimentos pedagógicos (teoria e prática) e, simultaneamente, o
desenvolvimento concreto sobre a educação.
A teoria da educação como explicação pedagógica, preocupada com a natureza da
educação (função explicativa e didáctica) e pela orientação do acto educativo
(normatividade). Neste sentido a teoria da educação terá uma vertente
filosófica e antropológica e outra vertente científica e, por isso, uma relação
com a filosofia da educação e a antropologia pedagógica.
A teoria da educação como abordagem epistemológica do fenómeno educativo.
Trata-se da análise do conceito de teoria' no sentido epistemológico estrito
com o intuito de se elaborar uma teoria da educação no cenário de complexidade
da realidade educativa (Colom, 1992; Rego & Tostado, 2006; Rico, 2009).
Em suma, da nossa argumentação podemos aferir os seguintes pontos conclusivos:
A teoria da educação entendida nos contextos da realidade educativa. Dissemos
que a teoria da educação é uma teoria narrativa, isto é, uma teoria orientada à
concretização (aplicativa, pragmática) de objectivos. Trata-se de uma teoria
praxiológica em que a sua aplicabilidade dá solução a problemas educativos.
Deste modo, a teoria da educação converte-se numa Teoria' para a prática
educativa/pedagógica, como sendo uma estrutura aberta, flexível,
interdisciplinar e dependente de múltiplos conhecimentos das Ciências da
Educação.
No plano epistemológico a teoria da educação no momento de limitar que tipo
de saber é o saber educativo/pedagógico constitui-se numa: teoria
materialista baseada nas capacidades do sujeito da educação e do educador na
realização do acto educativo e estabelecendo uma relação educativa/pedagógica;
teoria tecnológica que procura o saber para fazer (tecnologia educativa);
teoria apoiada na complexidade ao reconhecer que o acto educativo é complexo,
imprevisível, de carácter individual e tendo múltiplas influências; e teoria
hipertextual em que a realidade social em que está imersa a educação obedece a
uma realidade em que as formas pedagógicas se pluralizaram no contexto da
sociedade do conhecimento e/ou da informação. A pluralidade das fontes de
informação, dos formatos educativos e das narrações educativas permitem novas
formas de aprendizagem. Esta racionalidade hipertextual permite uma
compatibilidade com a subjectividade dos indivíduos, dos meios e das linguagens
da informação (Martins, 2005a). Ou seja, passou-se a desconstruir a razão
pedagógica da modernidade para se construir, desde a complexidade, uma educação
que parece não necessitar de uma racionalidade para existir, no contexto da
sociedade do conhecimento e da informação (Colom, 1992; Martins, 2007).
Podemos dizer que a teoria da educação ou a (s) teoria (s) sobre a educação
possui a capacidade de explicação da realidade educativa, em termos gerais,
independentemente dos aspectos ideológicos, filosóficos ou de movimento de
ideias (correntes).