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EuPTHUHu1645-72502011000100004

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolHumanities
Great areaHuman Sciences
ISSN1645-7250
Year2011
Issue0001
Article number00004

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A (des)construção do saber educativo nos laços da teoria da educação • Nível teórico-científico dos saberes: os contributos das Ciências da Educação e de outras áreas científicas que possibilitam o conhecimento da realidade educativa; • Nível tecnológico de aplicação: a inclusão da educação formal (teoria do currículo, questões relacionadas com a prática escolar), da educação não formal (educação social, educação ambiental, educação para o consumo, educação comunitária, educação cívica, etc.) e educação informal.Por conseguinte, a teoria da educação têm um carácter teórico, prático e tecnológico, com o objectivo de conhecer (teoria), para fazer (tecnologia), que a tecnologia própria desse ‘fazer' prático é de teor racional (conhecimento racional).

A sua racionalidade advém da sua praxiologia, que é uma teoria para a acção, uma reflexão sobre a pertinência das acções educativas (fins, objectivos). Tudo isto dá-lhe consistência racional e identidade teórico-prática. Simultaneamente constitui-se numa estrutura aberta que depende de múltiplos modelos axiológicos e evidencia uma preocupação sobre a educabilidade. Dito deste modo, a teoria da educação é uma teoria narrativa sobre a realidade e dos acontecimentos educativos, que a essência dessa narratividade está na explicação coerente entre os princípios teóricos e a actividade prática. Na concretização da educabilidade, ela acolhe qualquer saber próprio das ciências sociais e humanas para conseguir os seus propósitos: pragmática, funcional e validar a intervenção prática.

3. Realidade e saber educativo: a abordagem à teoria da educação Inicialmente explicaremos o que entendemos por ‘Teoria' no campo das ciências da educação, sabendo que ela pode estar impregnada por ‘ideologia (s)' e por confusões geradas no âmbito teórico da educação, por exemplo, se considerarmos o teórico na educação como não aplicativo e não narrativo (Colom, 1992).

Confundia-se o teórico ' educativo com os pressupostos da filosofia da educação, como se o ‘filósofo da educação' fosse sinónimo de teórico da educação.

É óbvio que nem todo o conhecimento educativo teórico faz parte da teoria da educação. De facto, o saber filosófico sobre a educação constitui um saber teórico de carácter especulativo, que não cumpre os requisitos de uma ‘teoria' (da ciência). Muitas vezes o ‘teórico' coincide com teorias particulares sobre questões ou perspectivas pessoais sobre a educação. Por exemplo, a teoria pedagógica de Paulo Freire ou a teoria da desescolarização indicam aspectos pessoais (opiniões, opções conceptuais) referentes à educação (em contexto específico). Elas têm características de serem apenas ‘perspectivas educativas'.

Por outro lado, também se considera ‘teoria' como sinónimo de ‘ideologia(s)', de tal modo, que as posições de um pensador ou de uma corrente de pensamento converte-se, no marco conceptual de classificação do ‘educativo' em teoria, quando no fundo nada dizem sobre o saber educativo ou pedagógico, porque são as compreensões que os autores possuem da educação ou da cultura pedagógica. Ou seja, eleva-se ao plano da teoria o que são apenas subjectivismos: o adjectivo é a educação e a substancialidade é dada pela posição ideológica de fundo (autor, pensador). Por exemplo, a pedagogia marxista dá-nos a visão do marxismo aplicado à educação, mas nada diz sobre o saber educativo/pedagógico e da realidade educativa. O marxismo pode servir de extrapolação a outras correntes ou movimentos de pensamento, de posição científica ou de autores/pensadores, mas, no fundo, são simples compreensões educativas que não ampliam conhecimento sobre o fenómeno factual do que é educar ou do acto educativo (Colom, 2004).

O que é a teoria da educação? Quais são os fundamentos racionais do seu saber? A teoria educativa, enquanto teoria sobre a educação, está fundamentada num tipo de saber que se caracteriza pelos seguintes tipos de racionalidade: material (tangível, empiricamente evidente), tecnológica (discurso sobre a acção educativa: o saber fazer), complexa (afecta os fenómenos educativo, processos de educar) e hipertextual (informação, novas tecnologias) (Colom, 2004). É no plano teórico que epistemologicamente se pretende evidenciar o seu substrato racional (que saber, que tipo de saber), que determina a configuração dessa concepção teórica ‘da' ou ‘sobre a educação', que é essencialmente uma concepção pragmática e utilitarista (Martins, 2007).

No século passado, o conhecimento pedagógico acrescentou duas novas fontes ao saber: a investigação educativa e a documentação educativa. Na verdade, a investigação educativa e a documentação educativa constituem as fontes recentes do saber pedagógico. Apesar das críticas, na década de 80, sobre a investigação educacional nos seus contributos para a melhoria da prática educativa, o desenvolvimento educativo/formativo não pode ser entendido desvinculado dos pressupostos científicos dados pelas Ciências da Educação e, em especial, pelas ciências pedagógicas (Rico, 2009).

a. A investigação educativa adopta duas orientações ou critérios fundamentais: b. Investigação sobre a educação com finalidades epistémicas realizada pelas Ciências da Educação independentemente dos seus enfoques epistemológicos origina no conjunto das ciências, por exemplo, o caso da Biologia da Educação (área das Ciências da Vida) ou de outras ciências integradas nas Ciências Sociais e Humanas (Sociologia da Educação, História da Educação, Psicologia da Educação, Antropologia Educacional, Filosofia da Educação, Política Educativa, etc.). Esta pluralidade e complementaridade metodológica das Ciências da Educação permitem um maior conhecimento dos fenómenos educativos, satisfazendo a finalidade epistémica de qualquer ciência: ‘gerar saber (es)' e conhecimento (s).

c. Investigação sobre a actividade educativa orientada por fins tecnológicos e/ ou praxiológicos, vinculada à análise dos processos e resultados das acções educativas. É neste campo, que a teoria da educação, a didáctica ou metodologia geral e as didácticas específicas, a orientação educativa (escolar, pessoal, profissional), a organização escolar, etc., empreenderam as suas investigações.

d. Na perspectiva do educador/professor a investigação educativa tem uma incidência reduzida na prática educativa, o que reforça a ideia de dissociação entre o conhecimento científico e o conhecimento prático e, simultaneamente, entre os investigadores e os práticos da educação. Contudo, a partir de outros paradigmas educacionais surgiram outras metodologias complementares ao enfoque dominante (positivista, neo-positivista), tais como a investigação-acção, a avaliação e os estudos de caso que contribuem para a melhoria da prática educativa e do aperfeiçoamento dos professores e educadores.

e. As inovações produzidas nas práticas educativas tendem a integrar os diferentes tipos de saberes: a pluralidade de saberes próprios das Ciências da Educação (teóricos e práticos), o saber analítico, crítico e reflexivo e a competência dos educadores/professores (Martins, 2005a). Os contributos das Ciências da Educação e os resultados das investigações sobre o acto e a acção de educar podem ser avaliados, tendo em consideração, os critérios internos de cada ciência ou área científica e critérios externos a ela (Colom, 1992).

f. A documentação educativa é outra fonte recente do saber pedagógico. O acervo de conhecimentos e de saberes sobre os problemas e as questões educativas têm- se incrementado e difundido a partir das novas tecnologias da informação. As fontes bibliográficas e hemerográficas, as bases científicas de dados, os relatórios de investigação e outro tipo de documentação educativa/pedagógica passaram a ser ferramentas úteis ao saber pedagógico.

4. A teoria na construção do saber educativo afirmámos que uma das vertentes fundamentadoras do corpo científico da teoria sobre a educação é o da dimensão educativa materializada na eficácia da acção dos agentes educativos no desenvolvimento das competências ou capacidades, habilidades e valores do sujeito da educação. Podemos sintetizar esta perspectiva em três aspectos importantes: • Os teóricos da educação debruçam-se sobre as questões relacionadas com os critérios, que limitam teoricamente a consistência dos processos educativos, de modo a conseguir os objectivos e possibilidades de desenvolvimento do sujeito da educação; • A teoria sobre a educação integra os contributos da investigação educacional e amplia o marco conceptual do saber da educação; • A incorporação da tecnologia na (s) teoria (s) sobre a educação implicou uma reconstrução dos seus objectivos de investigação, principalmente nos processos de desenvolvimento humano, dando respostas funcionais e práticas, que pretendem melhorar as práticas educativas, e, ainda possibilitam a identificação dessas intervenções na prática. Neste sentido, com o auxílio do princípio da consistência dos processos educativos, foi possível incorporar o critério de efectividade das intervenções. Contudo, as investigações sobre a educação têm dedicado uma atenção especial à avaliação do desempenho dos professores e à avaliação institucional, convertendo-se num novo âmbito científico, assim como indagar a conceptualização e as metodologias dos processos de construção do sujeito da educação nas suas diferentes dimensões (cognitiva, afectivo, ético- moral, social, expressiva, etc.), resultantes dos problemas criados pelas intervenções práticas (Castillejo & Colom, 1987).

Reconhecemos que a teoria sobre a educação tem permitido o desenvolvimento de novas formas de procedimento pedagógico ao nível praxiológico, contribuindo para a eficácia dos processos formativos do sujeito da educação nos seus contextos sociais e culturais. É bom lembrar historicamente as teorias do conhecimento e a acção educativa no século XX, por exemplo, os contributos de Vygotsky, Piaget, Dewey, P. Freire, Köhlberg, Ausubel, etc. Por isso, o saber educativo é um saber constitutivo de novas possibilidades para a eficácia e qualidade formativa dos sujeitos, a partir das condições e dos contextos de experimentação e de inovação consistentes e com um modelo teórico de base (Berliner, 2002).

Por outro lado, a teoria da educação, como saber teórico, possui um outro objectivo para além de ser pragmática e de aplicabilidade do saber educativo.

Esse objectivo insere-a no campo da epistemologia das Ciências da Educação com a pretensão de evidenciar o substrato racional (que saber, que tipo de saber) configurador dessa concepção teórica da educação, que é essencialmente pragmatista e utilitarista. De facto, a teoria da educação é uma teoria pragmática e funcional, que tem por objectivo a validade e a pertinência da prática educativa nos respectivos contextos. Por isso, a teoria da educação é uma teoria orientada para a prática.

De facto, enquanto o saber tecnológico se orienta para a acção, o saber científico orienta-se para o conhecimento. A tecnologia, corpo de conhecimentos com requisitos próprios, aceita o conhecimento científico para, em contexto específico, resolver os problemas de acção (Bunge, 1981). Nestes processos a tecnologia transforma-se numa fonte de conhecimento, de tal forma, que o cientista da educação pretende, a partir dos actos, conhecer a realidade educativa (produto) e o tecnólogo aspira a conhecer, a partir dos actos, as acções eficazes dessa realidade (processo). Ambas as perspectivas, a científica e a tecnológica da educação, instrumentalizam conhecimentos, com o intuito de conhecer a realidade (Ciências da Educação) ou para concretizar objectivos ou para resolver problemas situacionais da educação (tecnologia educativa). Isto é, qualquer teoria exige uma dimensão explicativa e normativa dos fenómenos factuais e das realidades dinâmicas, tendo como apoio os conhecimentos científicos e tecnológicos sobre a educação (Colom, Ballester, Solórzano & Ortega, 2009).

A teoria tecnológica sobre a educação é uma teoria que pretende a racionalidade da educação, como acção, em qualquer contexto educacional. É verdade que a pedagogia, na sua acepção tradicional, orientava a intervenção sistémica do educador sobre o educando e, consequentemente, o nível teórico ou a intervenção explicativa, prescrevendo o próprio processo da acção prática (Dale, 1997).

Consideramos que a teoria da educação compreende e integra os dois enfoques racionais, o científico e o tecnológico, seja a partir da metodologia experimental, os sistemas hipotético-dedutivos para confirmar o marco conceptual das leis pedagógicas, referentes ao conhecimento dos factos educativos. Mediante a aplicação do conhecimento científico (saber teórico), unido a outros elementos integrantes do saber tecnológico (saber prático), conseguimos o conhecimento dos processos educativos e, por isso, entendemos a educação como acção e estudo dos actos educativos. Portanto, uma teoria da educação deverá ser, científica e tecnológica, integrando leis e normas ou prescrições da acção educativa.

Em educação temos que conhecer a realidade (epistemologia) e os seus contextos para depois os actores ou agentes educativos saberem actuar, não perdendo de vista a dimensão axiológica e humanística dessa intervenção. A tecnologia da educação contribui a teoria sobre a educação com novas formas de pensar e de intervir, com uma multidisciplinaridade de saberes e metodologias no contexto da realidade educativa, na resolução de problemas e para a eficácia da acção (Colom & Cubero, 2001; Martins, 2005a).

No seguimento do que afirmamos, qualquer teoria pretende uma fundamentação válida para qualquer teoria particular ou específica sobre a educação no plano do conhecimento, isto é, ser uma ‘teoria da educação' capaz de integrar racionalmente qualquer das teorias aplicativas, de modo a dar solução aos diversos problemas de prática educativa, por exemplo, ao nível organizativo, avaliativo, planificação de conteúdos e dificuldades de aprendizagem.

Esta teoria epistemológica sobre a educação será o guarda-chuva ou o marco teórico (a teoria no âmbito de qualquer ciência) da (s) teoria (s) sobre a educação, no sentido aplicativo ou pragmático. Este sentido argumentativo, no dizer de Colom (2004) aproxima-nos do sentido que Popper ao mundo 3 (mundo da meta-ciência), o que implica, que a teoria da educação, enquanto ‘Teoria' para todas as teorias educativas, se fundamenta num tipo de saber que possui diversas racionalidades: uma racionalidade material; racionalidade tecnológica; racionalidade de complexidade e racionalidade hipertextual (Martins, 2005b).

Cremos que uma teoria da educação deve ser uma teoria da complexidade educativa ou pedagógica. O ‘educativo' está disseminado em várias áreas ou unidades curriculares das Ciências da Educação que intentam, de forma analítica, a sistematização interdisciplinar dos saberes. Ora bem a intenção é demonstrar que a teoria da educação possui essa capacidade de realizar um discurso sobre a complexidade das realidades educativas e, isso determina uma concepção diferente da teoria e da realidade (Martins, 2007).

A teoria deve apoiar-se na complexidade, constituindo-se numa teoria ou numa estrutura de conhecimento aberto e indefinido. assim podemos questionar as problemáticas educativas nas diversas áreas do saber, que o ‘educativo' na realidade não apresenta limites (interactua de forma circular nos diversos campos, objectos e métodos), afecta a pessoa no seu aprender ao longo da vida, nos seus diversos contextos (formais, não-formais), e solução aos problemas de vária índole (psicológica, sociológica, cultural, etc.) (Rico, 2009).

De facto, esta abertura das Ciências da Educação e à compreensão dos fenómenos educativos/pedagógicos permitiu estabelecer sistemas de relação abertos a inovações externas, que contribuíram para o desenvolvimento do conhecimento (saber). É devido a essa abertura e à sua perspectiva de (auto) regulação entre todos os conhecimentos educativos que a teoria da educação tem esse carácter complexo e integrador (Martins, 2006). Não nos esqueçamos que a realidade, em geral e a realidade educativa em particular, é temporal, irreversível, caótica, indefinível, complexa, não descritível e com entropias e necessita da mesma fenomenologia, de uma racionalidade complexa, para a sua construção teórica que nos leve a uma adequada compreensão dos fenómenos (Colom, 2004; Martins, 2007).

É lógico que uma sociedade plural e complexa origine múltiplas fontes de informação e, consequentemente, múltiplas opções educativas/formativas para o indivíduo aprendente (Husen, 1988). A educação deve-se abrir a todas as linguagens, rompendo com a linearidade narrativa e possibilitar o esplendor da palavra, da linguagem e da magia da imagem. Esta disseminação afecta a outros meios educativos e, por isso, a hipertextualidade se converte em multimédia (teatro, cinema, televisão, a imagem, poesia, computador, etc.), com formatos diversificados para novas possibilidades educativas (Pérez, 2004). A abertura da educação para além da educação/formação escolar possibilitou essa desconstrução e o aparecimento de uma disseminação de múltiplas opções de aprendizagem em vários contextos (Dale, 1997).

Algumas (in)conclusões O presente texto, de carácter sintético e orientador, pretendeu averiguar o que é a teoria da educação e que tipo de teoria é a teoria educativa. Provavelmente faltam tópicos e assuntos que ajudariam a aprofundar o nosso estudo educativo e pedagógico, facilitando uma melhor compreensão interpretativa do desenvolvimento do conhecimento pedagógico. Sabemos que um texto é sempre o resultado de uma sistemática pesquisa documental e reflexiva, de modo a oferecer uma síntese de conhecimentos sobre a teoria da educação, preocupada pela normatividade pedagógica.

Na verdade, a teoria da educação está em função do sentido que damos ao conceito ‘teoria', o qual pode ter três acepções (Cabanas, 1988): • Tradicional. A teoria é o âmbito especulativo com a pretensão de compreender uma realidade; • Epistemológico (técnico). A teoria é um construto que integra um conjunto de hipóteses, que configuram um modelo ou esquema explicativo de uma questão científica. Assim, a teoria científica constitui um sistema de conteúdos sistematizados, uma representação conceptual e simbólica dos dados de observação e proporcional a um conjunto de normas de inferência que permitem a previsibilidade dos dados factuais.

• Estrutural. A teoria é um retrato da realidade (‘pictures'), mesmo que esse retrato não seja correcto, mas sim possível e predizível com os seus componentes descritivos e explicativos dos factos (processo de observação).

Ora bem, estas acepções aplicam-se à realidade educativa e à investigação educacional. Daí haver distintos modelos epistemológicos de teorias sobre a educação ou de teoria da educação, por exemplo: • A teoria da educação de base científica (saber educativo/pedagógico) na realidade educativa, opondo-se à praxis educativa. Trata-se do conceito de Pedagogia como Ciência da Educação, que inclui as teorias específicas e teorias dos elementos do processo educativo. Contudo, a teoria da educação sistematiza os conhecimentos pedagógicos (teoria e prática) e, simultaneamente, o desenvolvimento concreto sobre a educação.

• A teoria da educação como explicação pedagógica, preocupada com a natureza da educação (função explicativa e didáctica) e pela orientação do acto educativo (normatividade). Neste sentido a teoria da educação terá uma vertente filosófica e antropológica e outra vertente científica e, por isso, uma relação com a filosofia da educação e a antropologia pedagógica.

• A teoria da educação como abordagem epistemológica do fenómeno educativo.

Trata-se da análise do conceito de ‘teoria' no sentido epistemológico estrito com o intuito de se elaborar uma teoria da educação no cenário de complexidade da realidade educativa (Colom, 1992; Rego & Tostado, 2006; Rico, 2009).

Em suma, da nossa argumentação podemos aferir os seguintes pontos conclusivos: • A teoria da educação entendida nos contextos da realidade educativa. Dissemos que a teoria da educação é uma teoria narrativa, isto é, uma teoria orientada à concretização (aplicativa, pragmática) de objectivos. Trata-se de uma teoria praxiológica em que a sua aplicabilidade solução a problemas educativos.

Deste modo, a teoria da educação converte-se numa ‘Teoria' para a prática educativa/pedagógica, como sendo uma estrutura aberta, flexível, interdisciplinar e dependente de múltiplos conhecimentos das Ciências da Educação.

• No plano epistemológico a teoria da educação no momento de limitar que tipo de saber é o saber educativo/pedagógico constitui-se numa: • teoria materialista baseada nas capacidades do sujeito da educação e do educador na realização do acto educativo e estabelecendo uma relação educativa/pedagógica; • teoria tecnológica que procura o saber para fazer (tecnologia educativa); • teoria apoiada na complexidade ao reconhecer que o acto educativo é complexo, imprevisível, de carácter individual e tendo múltiplas influências; • e teoria hipertextual em que a realidade social em que está imersa a educação obedece a uma realidade em que as formas pedagógicas se pluralizaram no contexto da sociedade do conhecimento e/ou da informação. A pluralidade das fontes de informação, dos formatos educativos e das narrações educativas permitem novas formas de aprendizagem. Esta racionalidade hipertextual permite uma compatibilidade com a subjectividade dos indivíduos, dos meios e das linguagens da informação (Martins, 2005a). Ou seja, passou-se a desconstruir a razão pedagógica da modernidade para se construir, desde a complexidade, uma educação que parece não necessitar de uma racionalidade para existir, no contexto da sociedade do conhecimento e da informação (Colom, 1992; Martins, 2007).

Podemos dizer que a teoria da educação ou a (s) teoria (s) sobre a educação possui a capacidade de explicação da realidade educativa, em termos gerais, independentemente dos aspectos ideológicos, filosóficos ou de movimento de ideias (correntes).


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