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EuPTCVHe0873-21592010000300008

National varietyEu
Year2010
SourceScielo

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Papel da pressão inspiratória máxima na avaliação da força muscular respiratória em asmáticos - Revisão sistemática

Introdução A asma é uma doença crónica de limitação do fluxo aéreo, caracterizada por inflamação, hiperreactividade e hiperresponsividade brônquica a estímulos, no mínimo parcialmente reversível, espontaneamente, ou após tratamento 1 , 2 , 3 , 4 . Devido a essa limitação ao fluxo aéreo, o indivíduo asmático diminui o volume corrente expirado, aumenta a sua capacidade pulmonar total, o que caracteriza a hiperinsuflação pulmonar.

A hiperinsuflação leva ao aplainamento do músculo diafragma 5 , devido à sua inserção na face interna das seis últimas costelas, face interna do processo xifóide e corpos vertebrais da 2.ª e 3.ª vértebras lombares, deixando-o em desvantagem mecânica, o que proporciona uma limitação dos músculos inspiratórios 6 , 7 , 8 . Outro factor importante é o uso de corticosteróide no tratamento medicamentoso da asma; sabe-se que eles podem levar ao desenvolvimento de fraqueza muscular, pela miopatia induzida por esteróides, provocada por altas doses de esteróides7, 9 , 10 . A fraqueza muscular respiratória gera um desequilíbrio entre a carga do músculo e a sua capacidade de gerar tensão, que quando severo pode conduzir a hipercapnia 11 e fracasso respiratório, sendo por isso importante que se quantifique essa força muscular. Uma forma muito eficiente e bastante utilizada para avaliar a força muscular respiratória é a pressão inspiratória máxima (PImáx), um teste não invasivo capaz de avaliar a pressão gerada pelos músculos inspiratórios 12 , 13 . Ela consiste numa inspiração máxima ou sub máxima através de um bocal ou máscara conectado a um manovacuómetro, o qual mensura a pressão gerada. Pode ser utilizada tanto em indivíduos saudáveis, quanto em indivíduos com disfunções respiratórias ou neurológicas12, 14 , 15 , 16 , identificando o risco de desenvolver fadiga do músculo respiratório.

No entanto, alguns estudos questionam a utilização da PImáx como método de avaliação da força muscular inspiratória, por ser dependente da colaboração do indivíduo avaliado, apresentando outras técnicas alternativas para este fim 17 . Assim, o objectivo desta revisão é o de verificar a utilização do teste de PImáx nas avaliações da força muscular respiratória em asmáticos.

Materiais e métodos Este estudo faz uma revisão sistemática de artigos publicados em revistas importantes da literatura médica actual, utilizando as bases de dados PUBMED, MEDLINE, LILACS e SCIELO, onde foram aplicados os seguintes termos na busca: Asthma(asma), respiratory muscle(músculos respiratórios) e muscle strength (força muscular).

Foram incluídos artigos originais, realizados em humanos, que utilizem alguma técnica para avaliar a força muscular respiratória e cuja população seja compreendida para asmáticos. Não foram incluídos estudos que envolvessem outras patologias que não a asma, seja de ordem neurológica, muscular ou genética, ou ainda patologias associadas à asma, estudos duplicados, estudos de revisão e resumos de congressos.

Dois revisores independentes selecionaram os artigos para inclusão a partir da avaliação metodológica, qualidade dos estudos e dados relevantes.

Resultados Após a busca na literatura, cinquenta e seis artigos foram encontrados e, desses, trinta foram excluídos, seis por estarem duplicados, dezoito estudos por não terem a força muscular respiratória em asmáticos como foco, ou ter outras patologias associadas, quatro estudos são revisões bibliográficas, um estudo por se tratar de estudo de caso e um por ser resumo apresentado em congresso.

Vinte e seis artigos foram incluídos nesta revisão, vinte e três realizados em adultos e três em crianças.

Dos artigos incluídos, apenas dois utilizaram outras técnicas para avaliar a força muscular respiratória. O Quadro I apresenta esses artigos, o autor e ano de publicação, o teste utilizado para avaliar a força muscular respiratória, a população estudada, o objectivo e o resultado dos estudos:

Quadro I Artigos que utilizaram outras técnicas para avaliação da força muscular respiratória

Os demais artigos utilizaram a PImáx como técnica escolhida para avaliação da força muscular respiratória, sozinha ou relacionado com outros factores, como estado nutricional e consumo de  corticosteróides. No Quadro II são apresentados esses artigos, o autor e ano de publicação, a população estudada, o objectivo e o resultado dos estudos. O Quadro III apresenta três artigos realizados em crianças, o autor e ano de publicação, a população estudada, o objectivo e o resultado dos estudos. Todos os artigos utilizaram a PImáx para a avaliação da força muscular respiratória.

Quadro_II Artigos que utilizaram a PImáx como técnica para avaliação da força muscular respiratória

Quadro III Artigos realizados em crianças

Discussão Segundo Black e Hyat12 e Camelo13, a PImáx é uma técnica eficaz na avaliação da força muscular respiratória por ser um método simples, prático e preciso.

Grande parte dos autores que avaliam a força muscular respiratória a utiliza, devido ao seu fácil manuseio, que possui um dispositivo portátil e também por ser uma técnica não invasiva e de baixo custo 42 .

Nesta revisão, a maioria dos artigos utilizou a Pimáx como técnica escolhida na avaliação da força muscular respiratória em asmáticos, alguns avaliando a sua relação com o consumo de â2 agonistas, estado nutricional, sinais e sintomas e o treino muscular na asma.

Apenas dois trabalhos não utilizaram a Pimáx para a avaliação da força muscular respiratória, empregando duas outras técnicas para esse fim. Uma das técnicas foi a pressão esofágica17, 18 , que representa de forma indirecta a pressão intratorácica, reflectindo a pressão gerada pelos músculos inspiratórios. O método consiste na introdução de um balão de látex por via oral ou nasal, posicionando-o na parede do esófago, onde vai mensurar a pressão esofágica que transmite as mesmas a transdutores de pressão43. Trata-se, no entanto, de uma técnica invasiva, de alto custo quando comparada com outras técnicas, que necessita de um local adequado para ser realizada e que tem seu uso restrito a alguns indivíduos. Stell18 utilizou a técnica de sniffnasal, a qual consiste na oclusão da narina com um cone, e após uma manobra de inalação máxima a pressão gerada reflecte a pressão esofágica. A relação entre a pressão nasal e a esofágica, durante um sniff,resulta do colapso da válvula nasal, quando o gradiente de pressões entre as vias aéreas intra e extratorácicas se torna muito pequeno, logo, a pressão nasal aproxima–se muito da esofágica 44 . Este facto não acontece nos doentes com patologia pulmonar obstutiva, o caso da asma, pois a transmissão das alterações da pressão alveolar à boca tornam-se mais lentas do que o normal 45 , 46 , podendo subestimar a pressão esofágica43; neste caso o uso da PImáx é mais indicado, que a mesma afere as pressões no nível da boca, não havendo o colapso da válvula nasal. Apenas três artigos incluídos foram realizados em crianças, todos estes utilizaram a PImáx na avaliação da força muscular respiratória. Nickerson et al.

41 avaliou a relação entre o treino muscular respiratório e a PImáx, Lands et al.

39 avaliou a relação entre a PImáx e o estado nutricional. Sette et al.

40 avaliou a reprodutividade da PImáx em crianças, chegando à conclusão de que, apesar de difícil para as crianças, a PImáx é mais simples de ser realizada do que os testes de função pulmonar, apesar de alguns autores acharem uma manobra difícil para a criança repetir, que depende da vontade do indivíduo avaliado 42 .

Considerações finais Através do presente estudo podemos observar a importância e a necessidade de se estudar a força muscular respiratória em asmáticos e que a PImáx é uma técnica hábil, bastante difundida e utilizada na prática médica actual, demonstrando eficiência para esse fim.

Evidenciamos também que ela pode ser utilizada tanto em adultos quanto em crianças com asma; no entanto, carência de mais estudos para que se estabeleça um consenso a esse respeito, principalmente estudos em crianças, onde comprovamos que o número de trabalhos é menor, a fim de produzir maiores conhecimentos a este respeito.


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