TEITOK@C-I   |   Corpora@C-I   |   CELGA-ILTEC   |   Contacto

EN | PT

Text view

EuPTCVHe0872-07542011000300028

National varietyEu
Year2011
SourceScielo

Javascript seems to be turned off, or there was a communication error. Turn on Javascript for more display options.

Deformidades da Coluna no Adolescente

INTRODUÇÃO A coluna vertebral tem curvaturas fisiológicas, como sejam a lordose cervical, cifose dorsal, lordose lombar e cifose sacro­coccigea, fundamentais para o ortostatismo e marcha humana. São consideradas curvaturas patológicas com importância clínica a escoliose no plano frontal e a hipercifose no plano sagital.

A hipercifose dorsal ou dorsolombar é causa de deformidade da coluna, mas também de dorsolombalgia e patologia respiratória em alguns casos. O seu diagnóstico é clínico, complementado com exame radiográfico e o seu tratamento é habitualmente direccionado para reeducação postural, reforço muscular, ortótese em determinados casos e intervenção cirúrgica apenas em casos excepcionais.

A escoliose é sempre patológica, embora uma curvatura superior a 10º na avaliação radiográfica seja considerada escoliose segundo a Scoliosis Research Society.(3) Pode ser idiopática ou secundária a diversas doenças ou síndromes, embora a escoliose idiopática do adolescente seja a escoliose mais frequente na população, com uma prevalência de 2 a 4%(4,5,6) e atinge predominantemente o sexo feminino, com uma relação que pode atingir 10/1(7,8)O diagnóstico clínico é fundamental, em especial com o teste de Adams, complementado com estudo radiográfico em chassis extralongo, raramente se solicitando outros. O seu tratamento varia desde a simples vigilância, estímulo de actividade física, ao uso de ortóteses e, em casos graves à correcção cirúrgica. Embora no tratamento cirúrgico da escoliose se contemplem problemas mecânicos, respiratórios e neurológicos, o principal motivo de preocupação do adolescente que dela padece é a deformidade estética com perturbação da sua imagem corporal e sofrimento psicossocial.

Cifose A cifose dorsal é fisiológica e constituída por uma curva­tura harmoniosa. a hipercifose é anormal, podendo esta ser postural, que é redutível e não tem alterações anatómi­cas vertebrais ou constitucional. A hipercifose constitucional é rígida ou parcialmente redutível e tem alterações vertebrais com várias causas, tais como congénitas, pós-traumáticas, infecciosas, tumorais, mas, a mais comum e que afecta cerca de 1% da população, predomina no sexo masculino e tem incidência familiar é a cifose juvenil, ou cifose familiar ou doença de Scheuermann.(1) Caracteriza-se por uma cifose dorsal excessiva, de incidência familiar, manifestando-se por uma deformidade irredutível, causando por vezes dosolombalgia e apresentando no exame radiográfico acunhamento dos corpos vertebrais envolvidos com irregularidades das platafor­mas vertebrais e osteoporose difusa (Figura 1).

Figura 1 - Doença de Scheuermann

O seu tratamento depende da gravidade da deformidade, podendo consistir no uso de colete de Milwaukee nos casos mo­derados e em adolescentes ainda esqueleticamente imaturos (Figura 2).

Figura 2 - Colete de Milwaukee

O tratamento cirúrgico (2) reserva-se para casos graves, em adolescentes maduros em termos esqueléticos e consiste na instrumentação e artrodese vertebral por via posterior, com tempo prévio de libertação por via anterior (Figura 3).

Figura 3 - RX pré e pos-operatório de Doença de Scheuermann

Escoliose A escoliose é definida como uma curvatura lateral da coluna vertebral no plano frontal, mas na realidade é uma deformida­de complexa e tridimensional não da coluna mas também de todo o tronco e inclusive com alterações noutras partes do corpo (Figura 4).

Figura 4 - Escoliose em espécime humano exumado

Quando a curvatura lateral da coluna vertebral é redutível, não estruturada e secundária a contracturas musculares ou dis­metria dos membros inferiores, chamamos atitude escoliótica.

O diagnóstico da escoliose idiopática do adolescente é clí­nico e deve incluir a observação do adolescente de , em flexão anterior do tronco com a designada manobra ou teste de Adams (Figura 5), que realça a deformidade paravertebral ou gibosida­de característica da escoliose verdadeira ou estruturada, com rotação vertebral. Por definição a escoliose idiopática do adolescente não tem causa atribuída e poderá manter-se estável ou ser progressiva, ou seja agravar-se com o crescimento e até ao final deste.

Figura 5 - Teste de Adams

A título complementar deve ser executado estudo radiográfico em chassis extralongo, cujo dado mais importante é a medição do ângulo de Cobb(9) que dará uma medida da gravidade da, ou das curvas escolióticas (Figura 6) e o índice de Risser(8)na crista ilíaca, como dado relativo à maturidade esquelética do adolescente.

Figura 6 - Ângulo de Cobb

As curvas escolióticas podem ser quanto à sua localização dorsais, dorsolombares, lombares e quanto ao número únicas, duplas e por vezes triplas.

Nas escolioses idiopáticas geralmente não dor, o que explica a detecção ocasional pela Família, pelo seu Pediatra ou Médico Assistente ou em exame radiográfico de tórax para estudo de patologia respiratória. Nas escolioses idiopáticas do ado­lescente as curvas dorsais são habitualmente de convexidade direita.(6,11) Perante uma escoliose dolorosa ou de localização atípica, como o caso duma curva dorsal de convexidade esquerda é fundamental o despiste de patologia intra ou extramedular do tipo seringomielia ou tumoral, nomeadamente com ressonância magnética nuclear.

O tratamento varia desde a simples vigilância clínica, prática de actividade física, fisioterapia, até ao uso de ortóteses ou cirurgia correctora. Na Medicina baseada na evidência provou-se que os coletes (Figura 7) são a único método de tratamento conservador efectivo(12,13,14,15)e, tem como objectivo a correcção da deformidade ou evitar a sua progressão numa fase precoce, evitando o tratamento cirúrgico. Estão indicados em escolioses com ângulo de Cobb superior a 25º e têm efeitos indesejáveis quer físicos quer psicológicos.

(14,16,17)

Figura 7 - Colete termomoldado para correcção de escoliose

O tratamento cirúrgico é o único método de tratamento efectivo de escolioses graves. Está indicado em escolioses com deformidade sérias e visa não restabelecer a anatomia e biomecânica da coluna vertebral mas essencialmente resolver o aspecto inestético, que é, sem dúvida, a vontade do adolescente extraordinariamente perturbado em termos psíquicos e sociais com a alteração da imagem corporal que a escoliose provoca.

As técnicas cirúrgicas por nós utilizadas são variadas e dependem da ou das curvas escolióticas, sua localização, valor angular e rigidez. Nas curvas dorsais únicas, duplas ou triplas realizamos a instrumentação e artrodese posterior (Figura 8) e nas curvas dorsolombares ou lombares a instrumentação e ar­trodese anterior (Figura 9).

Figura 8 - Instrumentação e artrodese posterior de escoliose dorsal (pré e pós- operatório, vista posterior e com teste de Adams)

Figura 9 - Instrumentação e artrodese anterior de escoliose lombar (pré e pós- operatório, vista posterior e lateral)

O tratamento cirúrgico é tecnicamente muito exigente, executado em Centros de referência especializados e dotadas de meios técnicos e humanos para o efeito e, não está isento de riscos e complicações.(14,18)

CONCLUSÃO As deformidades da coluna vertebral, sobretudo a escoliose idiopática que afecta de forma especial o sexo feminino, contribuem para uma preocupante deterioração da imagem corporal, nesta fase muito especial, que é a adolescência.

Felizmente que o conhecimento médico actual consegue satisfazer os anseios dos adolescentes que padecem de deformidades da coluna vertebral, resolvendo com segurança e com bons resultados este problema sério da adolescência


Download text