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BrBRCVAg0100-29452001000300007

National varietyBr
Year2001
SourceScielo

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MULTIPLICAÇÃO IN VITRO DE PORTA-ENXERTOS DO GÊNERO PRUNUS SOB DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE BAP EM DOIS MEIOS DE CULTURA MULTIPLICAÇÃO IN VITRO DE PORTA-ENXERTOS DO GÊNEROPRUNUS SOB DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE BAP EM DOIS MEIOS DE CULTURA1

INTRODUÇÃO Na multiplicação in vitro, os fatores concentração de citocinina e tipo de meio usado são extremamente importantes para obter bons resultados. Vários meios básicos têm sido utilizados na multiplicação de plantas, sendo que a maioria se baseia no meio MS (Murashige e Skoog, 1962). Modificações e diluições deste meio têm apresentado bons resultados para diversas espécies. Em 1974, Boxus e Quoirin (1974) deram início ao cultivo in vitro de espécies do gênero Prunus, através da cultura de meristemas. Logo após, Tabachnik e Kester (1977) realizaram os primeiros trabalhos de micropropagação de híbridos de pessegueiro e amendoeira, a partir de gemas apicais. Na Itália, Zuccherelli (1979) deu início à multiplicação in vitro de porta-enxertos de pessegueiro. Ainda na Itália, Marino (1982) realizou vários trabalhos visando a desenvolver protocolos de multiplicação in vitro de porta-enxertos híbridos de Prunus. Além do tipo de meio, outro aspecto importante na multiplicação in vitro está relacionado com o tipo de citocinina e sua concentração, sendo ambos determinantes no sucesso da multiplicação in vitro (Grattapaglia e Machado, 1998).

Este trabalho teve como objetivo estabelecer os melhores meios de cultura e concentração de BAP para a multiplicação de porta-enxertos do gênero Prunus.

MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no Laboratório de Cultura de Tecidos da Embrapa Clima Temperado, Pelotas-RS. Os porta-enxertos utilizados foram: G x N22, GF 677, Marianna, Mirabolano e Mr.S 2/5. Os explantes (segmentos nodais) originaram-se de subcultivos anteriores do mesmo laboratório. O tamanho do explante variou de acordo com o porta-enxerto, ficando em torno de 5,0 mm e/ou 5 gemas.Foram usados dois meios de cultura, MS e MS ¾ (reduzido em 25% dos sais do meio inteiro), combinados com quatro concentrações da citocinina BAP (6- benzilaminopurina): 0,1; 0,3; 0,5 e 0,7 mg.L-1 A ambos os meios foram acrescidos 30 g.L-1 de sacarose, 6,5 g.L-1 de ágar e 100 mg.L-1 de mio- inositol. O pH foi ajustado para 5,8 antes da colocação do ágar. Os meios foram distribuídos em frascos de 250 mL com 8 cm de diâmetro. Em cada frasco, colocaram-se 30 mL de meio. Após, foram autoclavados à temperatura de 121 oC, durante 15 minutos. Em cada frasco, foram colocados 5 (cinco) explantes. Após a colocação destes, os frascos foram levados para sala de crescimento, sob condições de luz fluorescente, com intensidade de 20 mE.m-2.s-1, fotoperíodo de 16 horas e temperatura de 25±2ºC, permanecendo nestas condições por período de 35 dias.

O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com 4 (quatro) repetições, sendo cada unidade experimental constituída de um frasco contendo 5 (cinco) segmentos nodais. O delineamento de tratamento foi um fatorial 2x4x5, sendo os fatores Meio de cultura (MS e MS ¾), Concentração de BAP (0,1; 0,3; 0,5 e 0,7 mg.L-1) e Porta-enxerto (G x N22, GF 677, Marianna, Mirabolano e Mr.S 2/5).

As variáveis analisadas foram: número de gemas e de brotações (transformadas segundo , respectiva-mente), e tamanho das brotações (em mm). A análise estatística dos dados foi feita através da análise da variação e decomposição da variação para os fatores Meio e Porta-enxerto, pela comparação de médias através do teste de Duncan (a = 0,05), e Concentração de BAP, pela análise de regressão polinomial.

O nível mínimo de significância adotado em todos os testes foi de 5%. As análises estatísticas foram executadas pelo programa SANEST - Sistema de Análise Estatística para Microcomputadores (Zonta e Machado, 1984).

RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela_1, são apresentados os resultados da variável número de gemas. No meio MS ¾, o porta-enxerto G x N22 foi superior aos demais, enquanto no MS, o porta-enxerto Mirabolano foi melhor (o porta-enxerto G x N22 foi o único que apresentou resposta significativamente superior em relação ao tipo de meio, preferindo aquele menos concentrado). Os meios baseados em formulações básicas diluídas têm possibilitado melhores resultados para a multiplicação das mais diversas espécies (Preece, 1995). Na Figura_1A, observa-se o comportamento do G x N22 em função da concentração de BAP nos dois meios testados. No meio MS ¾, o número de gemas aumentou linearmente de acordo com o aumento de BAP, no meio MS, as melhores respostas foram obtidas na concentração de 0,34 mg.L-1.

Os porta-enxertos responderam diferentemente às concentrações de BAP (Figura 1A-1F). De acordo com Zimmerman (1988), as necessidades das cultivares dentro de uma mesma espécie são diferentes, havendo necessidade de modificação do meio e doses de citocinina. O comportamento do porta-enxerto G x N22 indica que meios ricos em sais dificultam a proliferação de gemas. Este fato se agrava ainda mais quando maiores concentrações de BAP forem adicionadas a meios desse tipo. O porta-enxerto Mirabolano não apresentou resposta significativa aos meios e às concentrações de BAP. Apesar disso, as melhores respostas da variável número de gemas foram observadas nas concentrações de 0,5 e 0,7 mg.L- 1 de BAP, nos meios MS ¾ e MS, respectivamente.

Para o tamanho das brotações, observou-se diferença significativa apenas para o porta-enxerto G x N22, sendo que as melhores respostas foram obtidas no meio MS ¾ (Tabela_2). No meio MS, este mesmo porta-enxerto apresentou os maiores tamanhos de brotações nas menores concentrações de BAP (Figura_1E). Apesar disso, no meio MS ¾, o aumento da concentração de BAP não influenciou significativamente o tamanho das brotações (Figura_1E), indicando que, para esse genótipo, meios com sais reduzidos minimizam os efeitos negativos das citocininas. Tabachnik e Kester (1977) observaram que concentrações de 6-BA (6- benziladenina) de até 1,0 mg.L-1 foram melhores para a multiplicação de híbridos de amendoeira e pessegueiro. Por outro lado, concentrações maiores inibiram a elongação das brotações, enquanto a concentração de 0,1 mg.L- 1 proporcionou o alongamento das brotações. Harada e Murai (1996), em trabalho com o Prunus mume, observaram, no entanto, que o tamanho das brotações não foi influenciado pelas concentrações de benziladenina de até 5 mM, sendo que a maior proliferação de gemas foi obtida nessa concentração. Segundo Grattapaglia e Machado (1998), muitas vezes, concentrações crescentes de citocininas inibem o alongamento das brotações. Boxus (1986), por sua vez, observou que, além da redução na concentração de BAP no meio de multiplicação, é interessante limitar o número de subcultivos com o objetivo de minimizar os efeitos negativos das citocininas.

Os porta-enxertos Marianna, no meio MS, e Mr.S 2/5 tiveram comportamento semelhante, ou seja, à medida que aumentou a concentração de BAP, aumentou o número de gemas (Figura_1C_e_1B, respectivamente). Marino (1982) observou que concentração de BAP de 1,0 mg.L-1 possibilitou maiores taxas de multiplicação de Prunus, porém o tamanho das brotações foi muito pequeno, dificultando a separação das gemas. Analisando conjuntamente as variáveis número de gemas e tamanho das brotações, para os porta-enxertos G x N22, no meio MS, e Mirabolano, os resultados obtidos estão de acordo com Marino (1982). O porta- enxerto Mirabolano apresentou, no meio MS, as melhores respostas para o número de brotações, sendo significativamente superior aos demais (Tabela_3). A resposta do porta-enxerto Mirabolano indica um comportamento linear decrescente em função das concentrações de BAP (Figura_1D). Possivelmente, os teores endógenos de citocinina deste porta-enxerto sejam altos, o que, aliado às doses exógenas, contribuiu para o efeito decrescente desta variável. O efeito negativo do aumento de BAP também se fez notar na variável tamanho das brotações (Figura_1F). Em relação ao porta-enxerto GF 677, apesar de ser micropropagado comercialmente na Europa, apresenta uma taxa de proliferação muito baixa (Dimasi-Theriou & Economou, 1995). Estes autores, no entanto, conseguiram um elevado número de brotações deste porta-enxerto apenas controlando o tempo de exposição e a concentração de etileno dentro dos frascos. No presente trabalho, este porta-enxerto não apresentou bons resultados, sendo aquele de pior desempenho em todas as variáveis analisadas, além de ser aquele que apresentou maiores percentagens de contaminação in vitro (observações empíricas). É possível que seu desempenho tenha sido influenciado pela presença de bactérias endógenas nos explantes ou mesmo bactérias exógenas presentes no meio de cultura, o que dificultou a absorção dos nutrientes do meio assim como da citocinina. Esse fato certamente mascarou as respostas deste porta-enxerto.

CONCLUSÕES 1. Para os porta-enxertos G x N22 e Mr.S 2/5, o melhor meio de multiplicação foi o MS ¾ com 0,7 mg.L-1 de BAP.

2. Para o porta-enxerto Marianna, o melhor meio é o MS com 0,7 mg.L-1 de BAP.

3. Para o porta-enxerto Mirabolano, o melhor meio foi o MS ¾ com 0,5 mg.L-1 de BAP.

4. Para o porta-enxerto Mirabolano, o BAP exerce efeito negativo sobre o tamanho das brotações, independentemente do tipo de meio. para o porta- enxerto G x N22, este efeito se fez notar apenas no meio MS.

5. O porta-enxerto GF 677 não apresentou bons resultados na propagação in vitro.


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