MULTIPLICAÇÃO IN VITRO DE PORTA-ENXERTOS DO GÊNERO PRUNUS SOB DIFERENTES
CONCENTRAÇÕES DE BAP EM DOIS MEIOS DE CULTURA
MULTIPLICAÇÃO IN VITRO DE PORTA-ENXERTOS DO GÊNEROPRUNUS SOB DIFERENTES
CONCENTRAÇÕES DE BAP EM DOIS
MEIOS DE CULTURA1
INTRODUÇÃO
Na multiplicação in vitro, os fatores concentração de citocinina e tipo de meio
usado são extremamente importantes para obter bons resultados. Vários meios
básicos têm sido utilizados na multiplicação de plantas, sendo que a maioria se
baseia no meio MS (Murashige e Skoog, 1962). Modificações e diluições deste
meio têm apresentado bons resultados para diversas espécies. Em 1974, Boxus e
Quoirin (1974) deram início ao cultivo in vitro de espécies do gênero Prunus,
através da cultura de meristemas. Logo após, Tabachnik e Kester (1977)
realizaram os primeiros trabalhos de micropropagação de híbridos de pessegueiro
e amendoeira, a partir de gemas apicais. Na Itália, Zuccherelli (1979) deu
início à multiplicação in vitro de porta-enxertos de pessegueiro. Ainda na
Itália, Marino (1982) realizou vários trabalhos visando a desenvolver
protocolos de multiplicação in vitro de porta-enxertos híbridos de Prunus. Além
do tipo de meio, outro aspecto importante na multiplicação in vitro está
relacionado com o tipo de citocinina e sua concentração, sendo ambos
determinantes no sucesso da multiplicação in vitro (Grattapaglia e Machado,
1998).
Este trabalho teve como objetivo estabelecer os melhores meios de cultura e
concentração de BAP para a multiplicação de porta-enxertos do gênero Prunus.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Laboratório de Cultura de Tecidos da Embrapa
Clima Temperado, Pelotas-RS. Os porta-enxertos utilizados foram: G x N22, GF
677, Marianna, Mirabolano e Mr.S 2/5. Os explantes (segmentos nodais)
originaram-se de subcultivos anteriores do mesmo laboratório. O tamanho do
explante variou de acordo com o porta-enxerto, ficando em torno de 5,0 mm e/ou
5 gemas.Foram usados dois meios de cultura, MS e MS ¾ (reduzido em 25% dos sais
do meio inteiro), combinados com quatro concentrações da citocinina BAP (6-
benzilaminopurina): 0,1; 0,3; 0,5 e 0,7 mg.L-1 A ambos os meios foram
acrescidos 30 g.L-1 de sacarose, 6,5 g.L-1 de ágar e 100 mg.L-1 de mio-
inositol. O pH foi ajustado para 5,8 antes da colocação do ágar. Os meios foram
distribuídos em frascos de 250 mL com 8 cm de diâmetro. Em cada frasco,
colocaram-se 30 mL de meio. Após, foram autoclavados à temperatura de 121 oC,
durante 15 minutos. Em cada frasco, foram colocados 5 (cinco) explantes. Após a
colocação destes, os frascos foram levados para sala de crescimento, sob
condições de luz fluorescente, com intensidade de 20 mE.m-2.s-1, fotoperíodo de
16 horas e temperatura de 25±2ºC, permanecendo nestas condições por período de
35 dias.
O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com 4 (quatro)
repetições, sendo cada unidade experimental constituída de um frasco contendo 5
(cinco) segmentos nodais. O delineamento de tratamento foi um fatorial 2x4x5,
sendo os fatores Meio de cultura (MS e MS ¾), Concentração de BAP (0,1; 0,3;
0,5 e 0,7 mg.L-1) e Porta-enxerto (G x N22, GF 677, Marianna, Mirabolano e Mr.S
2/5).
As variáveis analisadas foram: número de gemas e de brotações (transformadas
segundo ,
respectiva-mente), e tamanho das brotações (em mm). A análise estatística dos
dados foi feita através da análise da variação e decomposição da variação para
os fatores Meio e Porta-enxerto, pela comparação de médias através do teste de
Duncan (a = 0,05), e Concentração de BAP, pela análise de regressão polinomial.
O nível mínimo de significância adotado em todos os testes foi de 5%. As
análises estatísticas foram executadas pelo programa SANEST - Sistema de
Análise Estatística para Microcomputadores (Zonta e Machado, 1984).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela_1, são apresentados os resultados da variável número de gemas. No
meio MS ¾, o porta-enxerto G x N22 foi superior aos demais, enquanto no MS, o
porta-enxerto Mirabolano foi melhor (o porta-enxerto G x N22 foi o único que
apresentou resposta significativamente superior em relação ao tipo de meio,
preferindo aquele menos concentrado). Os meios baseados em formulações básicas
diluídas têm possibilitado melhores resultados para a multiplicação das mais
diversas espécies (Preece, 1995). Na Figura_1A, observa-se o comportamento do G
x N22 em função da concentração de BAP nos dois meios testados. No meio MS ¾, o
número de gemas aumentou linearmente de acordo com o aumento de BAP, já no meio
MS, as melhores respostas foram obtidas na concentração de 0,34 mg.L-1.
Os porta-enxertos responderam diferentemente às concentrações de BAP (Figura
1A-1F). De acordo com Zimmerman (1988), as necessidades das cultivares dentro
de uma mesma espécie são diferentes, havendo necessidade de modificação do meio
e doses de citocinina. O comportamento do porta-enxerto G x N22 indica que
meios ricos em sais dificultam a proliferação de gemas. Este fato se agrava
ainda mais quando maiores concentrações de BAP forem adicionadas a meios desse
tipo. O porta-enxerto Mirabolano não apresentou resposta significativa aos
meios e às concentrações de BAP. Apesar disso, as melhores respostas da
variável número de gemas foram observadas nas concentrações de 0,5 e 0,7 mg.L-
1 de BAP, nos meios MS ¾ e MS, respectivamente.
Para o tamanho das brotações, observou-se diferença significativa apenas para o
porta-enxerto G x N22, sendo que as melhores respostas foram obtidas no meio MS
¾ (Tabela_2). No meio MS, este mesmo porta-enxerto apresentou os maiores
tamanhos de brotações nas menores concentrações de BAP (Figura_1E). Apesar
disso, no meio MS ¾, o aumento da concentração de BAP não influenciou
significativamente o tamanho das brotações (Figura_1E), indicando que, para
esse genótipo, meios com sais reduzidos minimizam os efeitos negativos das
citocininas. Tabachnik e Kester (1977) observaram que concentrações de 6-BA (6-
benziladenina) de até 1,0 mg.L-1 foram melhores para a multiplicação de
híbridos de amendoeira e pessegueiro. Por outro lado, concentrações maiores
inibiram a elongação das brotações, enquanto a concentração de 0,1 mg.L-
1 proporcionou o alongamento das brotações. Harada e Murai (1996), em trabalho
com o Prunus mume, observaram, no entanto, que o tamanho das brotações não foi
influenciado pelas concentrações de benziladenina de até 5 mM, sendo que a
maior proliferação de gemas foi obtida nessa concentração. Segundo Grattapaglia
e Machado (1998), muitas vezes, concentrações crescentes de citocininas inibem
o alongamento das brotações. Boxus (1986), por sua vez, observou que, além da
redução na concentração de BAP no meio de multiplicação, é interessante limitar
o número de subcultivos com o objetivo de minimizar os efeitos negativos das
citocininas.
Os porta-enxertos Marianna, no meio MS, e Mr.S 2/5 tiveram comportamento
semelhante, ou seja, à medida que aumentou a concentração de BAP, aumentou o
número de gemas (Figura_1C_e_1B, respectivamente). Marino (1982) observou que
concentração de BAP de 1,0 mg.L-1 possibilitou maiores taxas de multiplicação
de Prunus, porém o tamanho das brotações foi muito pequeno, dificultando a
separação das gemas. Analisando conjuntamente as variáveis número de gemas e
tamanho das brotações, para os porta-enxertos G x N22, no meio MS, e
Mirabolano, os resultados obtidos estão de acordo com Marino (1982). O porta-
enxerto Mirabolano apresentou, no meio MS, as melhores respostas para o número
de brotações, sendo significativamente superior aos demais (Tabela_3). A
resposta do porta-enxerto Mirabolano indica um comportamento linear decrescente
em função das concentrações de BAP (Figura_1D). Possivelmente, os teores
endógenos de citocinina deste porta-enxerto sejam altos, o que, aliado às doses
exógenas, contribuiu para o efeito decrescente desta variável. O efeito
negativo do aumento de BAP também se fez notar na variável tamanho das
brotações (Figura_1F). Em relação ao porta-enxerto GF 677, apesar de ser
micropropagado comercialmente na Europa, apresenta uma taxa de proliferação
muito baixa (Dimasi-Theriou & Economou, 1995). Estes autores, no entanto,
conseguiram um elevado número de brotações deste porta-enxerto apenas
controlando o tempo de exposição e a concentração de etileno dentro dos
frascos. No presente trabalho, este porta-enxerto não apresentou bons
resultados, sendo aquele de pior desempenho em todas as variáveis analisadas,
além de ser aquele que apresentou maiores percentagens de contaminação in vitro
(observações empíricas). É possível que seu desempenho tenha sido influenciado
pela presença de bactérias endógenas nos explantes ou mesmo bactérias exógenas
presentes no meio de cultura, o que dificultou a absorção dos nutrientes do
meio assim como da citocinina. Esse fato certamente mascarou as respostas deste
porta-enxerto.
CONCLUSÕES
1. Para os porta-enxertos G x N22 e Mr.S 2/5, o melhor meio de multiplicação
foi o MS ¾ com 0,7 mg.L-1 de BAP.
2. Para o porta-enxerto Marianna, o melhor meio é o MS com 0,7 mg.L-1 de BAP.
3. Para o porta-enxerto Mirabolano, o melhor meio foi o MS ¾ com 0,5 mg.L-1 de
BAP.
4. Para o porta-enxerto Mirabolano, o BAP exerce efeito negativo sobre o
tamanho das brotações, independentemente do tipo de meio. Já para o porta-
enxerto G x N22, este efeito se fez notar apenas no meio MS.
5. O porta-enxerto GF 677 não apresentou bons resultados na propagação in
vitro.