O desafio do futuro no presente: a inconsistência temporal e a política das
alterações climáticas
A Política das Alterações Climáticas: fundamentos e evolução
O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (PIAC), constatando
o aquecimento da atmosfera terrestre e a diminuição das massas de gelo e neve,
tem vindo a defender que estão em curso alterações climáticas que não têm
precedente desde há vários milhares de anos e que não podem ser atribuídas aos
ciclos naturais do planeta
1
. No âmago do problema estão as crescentes emissões de gases de efeito estufa
(GEE) de origem antropogénica, principalmente de CO2, que têm provocado o
incremento da concentração destes gases na atmosfera. De acordo com o IPCC, a
queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) foi responsável por 2/
3 das emissões antropogénicas de CO2 desde 1750
2
.
Face à evolução verificada, a Humanidade enfrenta um problema global e de longo
prazo, na medida em que parte do CO2 permanece na atmosfera por um período que
vai de algumas décadas a vários milhares de anos
3
. Assim, considerando que um certo nível de alterações climáticas está em curso
e não pode ser evitado, ganhou relevância a ideia de que importava evitar
alterações climáticas perigosas e garantir a segurança climática
4
, estabelecendo-se como objetivo a redução das emissões numa dimensão que evite
um crescimento da temperatura média global superior a 2°C até ao fim do século
XXI face aos valores pré-industriais
5
.
Embora as consequências das alterações climáticas não sejam totalmente
conhecidas, vários especialistas, instituições governamentais e internacionais
têm vindo alertar que a crescente probabilidade de ocorrerem fenómenos
climatéricos extremos resultantes das alterações climáticas, a degradação dos
recursos naturais, a pressão demográfica e a competição por recursos
estratégicos serão fatores que contribuirão para a deterioração das condições
de vida em vários pontos do planeta e, em caso extremos, podem mesmo concorrer
para o surgimento ou aprofundamento de conflitos violentos, contribuir para a
fragilização de vários estados, acentuar crises humanitárias, bem como originar
massas migratórias de grandes dimensões
6
.
As alterações climáticas representam um desafio extraordinário para os
indivíduos, para a sociedade, para os estados e para comunidade mundial,
exigindo uma verdadeira cooperação global. Na conferência ministerial sobre
alterações climáticas realizada em Noordwijk em 1989, os países europeus, o
Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia defenderam o estabelecimento de limites
quantificados para as emissões de GEE. A esta pretensão opuseram-se os Estados
Unidos, o Japão e a União Soviética, argumentando que ela exigia medidas muito
rígidas e não considerava as diferentes circunstâncias nacionais, além de que
era necessário aprofundar o conhecimento científico sobre as alterações
climáticas
7
.
Estas primeiras divergências reflectiram-se também no processo negocial que
levou à assinatura da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações
Climáticas (CQNUAC) em 1992. A CQNUAC tinha como objetivo a estabilização da
concentração de GEE na atmosfera num nível que evitasse uma interferência
antropogénica perigosa no sistema climático. Na época, a Comunidade Europeia
defendeu o estabelecimento de metas quantificadas e calendarizadas de redução
das emissões de GEE. Este objetivo foi rejeitado pelos Estados Unidos, pelos
países da OPEP, assim como pela China, Índia e Brasil que receavam que tal
medida ameaçasse as suas perspetivas de crescimento económico. Assim, a CQNUAC
foi assinada sem menção a qualquer meta de redução das emissões, característica
regularmente encarada como uma fragilidade
8
.
O Protocolo de Quioto (PQ), adotado em 1997, foi apresentado como um avanço
decisivo para garantir a segurança climática já que, pela primeira vez,
determinaram-se metas quantificadas e calendarizadas de redução das emissões. O
compromisso deveria garantir uma redução das emissões de GEE a nível global de,
pelo menos, 5,2 por cento das emissões dos países constantes do Anexo B (países
mais desenvolvidos e economias em transição) entre 2008-2012 face aos valores
de 1990. Os países em desenvolvimento ficaram sem qualquer meta para as suas
emissões, facto relacionado com os argumentos em torno da justiça climática
9
.
Analisando o percurso do PQ, que entrou em vigor em 2005, é possível
identificar sérias fragilidades. Por um lado, vários países que o adotaram
enfrentaram grandes dificuldades para alcançar os seus objetivos e outros, como
o Canadá, falharam o cumprimento das suas metas. Por outro lado, os mecanismos
de flexibilidade previstos no PQ, como o mecanismo de desenvolvimento limpo, a
implementação conjunta e o comércio de emissões, têm sido utilizados de forma
ineficaz, abusiva e mesmo fraudulenta
10
. Além disso, com a recusa dos Estados Unidos em ratificar o PQ, cerca de 70
por cento das emissões de GEE registadas em 2006 não estavam sujeitas a
qualquer meta. Adicionalmente, as penalizações pelo não cumprimento dos
objetivos de Quioto são fracas ou inexistentes. Desta forma, as emissões anuais
antropogénicas de CO2 têm vindo a aumentar de forma acelerada. Repare-se, por
exemplo, que as emissões de CO2 provenientes do consumo de combustíveis fósseis
e da produção de cimento em 2011 eram 54% superiores às verificadas em 1990
11
. Parte substancial deste incremento veio dos países em desenvolvimento,
particularmente da China, atualmente o país com maiores emissões a nível
mundial, e da Índia
12
.
Realçadas as insuficiências do PQ, é importante notar que no momento da sua
entrada em vigor (2005) já se debatiam novas soluções para concretizar após
2012, ano em que o PQ terminava a sua vigência. Na próxima secção do artigo
desenvolveremos sobre os principais desenvolvimentos negociais verificados ao
longo dos últimos anos no regime internacional de combate às alterações
climáticas. Por fim, a última secção do artigo será dedicada ao problema da
inconsistência temporal que, em nosso entender, é central para compreender e
explicar a dificuldade em obter um acordo global e eficaz no domínio climático.
A Política Das Alterações Climáticas Em Tempos De Desilusão
Na ronda negocial de Copenhaga em 2009 (COP 15/CMP 5)
13
desejava-se a obtenção de um acordo que substituísse o Protocolo de Quioto após
2012. Todavia, as negociações foram marcadas por divisões profundas entre os
atores relevantes envolvidos. Os países em desenvolvimento basearam novamente a
sua argumentação na afirmação do princípio das responsabilidades comuns mas
diferenciadas e nos argumentos relacionados com a justiça climática. Por outro
lado, levando em consideração que alguns países em desenvolvimento estão entre
os que vêm registando um maior crescimento das emissões de GEE, vários estados
desenvolvidos, em particular os Estados Unidos, defenderam que seria
ambientalmente perigoso que aqueles países continuassem sem objetivos para as
suas emissões
14
.
Quando a Conferência de Copenhaga se aproximava do fim é promovida uma reunião
entre os Estados Unidos, o Brasil, a África do Sul, a Índia e a China da qual
resultou o Acordo de Copenhaga e no qual não constam metas quantificadas e
calendarizadas de redução das emissões
15
, característica reveladora do evidente insucesso da Conferência. As razões
para o fracasso prenderam-se com o facto de os Estados Unidos e do Canadá, ao
contrário dos restantes países mais desenvolvidos, se oporem ao estabelecimento
de metas ambiciosas de redução das suas emissões. Por outro lado, países como a
China e a Índia recusaram-se também a assumir compromissos quantificados e
calendarizados para as suas emissões
16
. Além disso, estados que anteriormente tinham demonstrado elevado empenhamento
nas negociações climáticas, como os países da UE e o Japão, tiveram um
envolvimento mínimo nas negociações decisivas
17
. Como aspeto positivo da ronda negocial podem ser identificadas as importantes
decisões sobre as ajudas financeiras aos países em desenvolvimento para
adaptação e mitigação
18
.
O Acordo de Copenhaga determinava que as partes da CQNUAC submetessem os seus
planos voluntários de mitigação das emissões de GEE para 2020 até 31 de janeiro
de 2010. Todavia, as propostas entretanto apresentadas pelos principais
emissores mundiais ficam bem longe de garantir a segurança climática. Além
disso, as negociações de Copenhaga contribuíram também para aprofundar o
sentimento de que as soluções para enfrentar as alterações climáticas estão
para além da capacidade política, social e tecnológica da Humanidade. Este
elemento é relevante na medida em que as pessoas, as comunidades e em última
instância os estados tendem a secundarizar um problema cuja solução consideram
estar para além da sua capacidade, entrando em negação para aliviar danos e
sofrimento
20
.
Foi neste contexto difícil que decorreu em 2010 em Cancun (COP16/ CMP6) nova
ronda negocial. Mais uma vez não se alcançou qualquer compromisso compatível
com a segurança climática. O resultado final foi a transformação dos objetivos,
assumidamente insuficientes, apresentados pelos estados no âmbito do Acordo de
Copenhaga numa decisão da CQNUAC. Em termos de financiamento à mitigação e
adaptação apenas se confirmaram os valores determinados em Copenhaga e decidiu-
se sobre a organização do fundo que irá gerir esse dinheiro
21
.
A conferência de Durban (COP17/CMP7), realizada em 2011, decorreu num momento
particularmente adverso para a política das alterações climáticas. Como
enfatiza a Agência Internacional de Energia
22
, o acidente na central nuclear de Fukushima Daiichi e a instabilidade política
nos países Árabes contribuíram para uma crescente preocupação sobre o
abastecimento energético, secundarizando-se o problema climático e contribuindo
para um reforço de fontes de energia ainda mais contrárias às preocupações
climáticas como o carvão e o petróleo não-convencional
23
. Além disso, as crises financeira e das dívidas soberanas que, nos últimos
anos, têm vindo a afetar particularmente as economias mais desenvolvidas,
captaram o essencial das preocupações governamentais, contribuindo para uma
secundarização das alterações climáticas nas agendas políticas, assim como para
aliviar a pressão para uma rápida transição energética. Severamente afetada
pela crise da dívida soberana, a União Europeia chegou à conferência de Durban
fragilizada, facto preocupante considerando que historicamente tinha sido o
ator mais ambicioso nas negociações climáticas.
A avaliação que fazemos dos resultados da Conferência de Durban é, mais uma
vez, negativa, assistindo-se novamente ao adiamento de ações decisivas. Em
Durban decidiu-se que novas negociações se iniciariam em 2012 com vista a
concluir um acordo global no domínio climático em 2015 e que entrará em vigor
em 2020
24
. Foi também decidido um segundo período de cumprimento do PQ que vigorará até
2020 e no âmbito do qual as partes que aceitem participar deverão reduzir as
suas emissões entre 25 por cento e 40 por cento face aos níveis de 1990.
Todavia, com a recusa dos Estados Unidos e do Canadá em participarem neste
segundo período de cumprimento, menos de 15 por cento das emissões mundiais
ficam ao abrigo desta nova fase do Protocolo
25
. As negociações climáticas realizadas em Doha (COP18/CMP8) em 2012 e Varsóvia
(COP19/CMP9) em 2013 evidenciaram novamente a falta de vontade política para se
alcançarem compromissos ambiciosos que respondam às exigências da segurança
climática
26
.
O regime internacional de combate às alterações climáticas parece estar neste
momento num processo que Depledge apelidou de ossificação
27
. Na teoria dos regimes internacionais encontramos a ideia de que para a sua
construção é fundamental o reconhecimento de que existe um problema que exige
uma ação coletiva e ao qual estão associados riscos consideráveis. Após este
reconhecimento, a negociação entre os atores relevantes envolvidos deve
resultar, de forma implícita ou explícita, no estabelecimento de princípios,
normas, regras e procedimentos de decisão comuns
28
. Adicionalmente, os regimes internacionais devem promover a aprendizagem dos
atores acerca do problema em questão, facilitar a troca de ideias, favorecer o
estabelecimento de conceitos coletivos e disseminar informação consensual
29
. O processo de ossificação é o oposto da aprendizagem, já que um regime que
deixa de aprender estagna e reduz a sua eficácia, caracterizando-se pela
incapacidade de processar novos dados e informação técnica e científica, de
debater novas propostas e desenvolver novos conceitos e ideias
30
. No âmbito do regime internacional de combate às alterações climáticas é até
possível verificar que as relações entre atores fundamentais têm vindo a
deteriorar-se e as negociações têm sido marcadas pela suspeição, pela
desconfiança, pela falta de entendimento e por ressentimentos vários que se
assumem como barreiras até agora intransponíveis para fazer avançar o regime. A
dificuldade em obter um acordo global que se aproxime dos objetivos da
segurança climática e a estagnação do regime internacional estão intimamente
relacionadas com o prolema da inconsistência temporal, elemento frequentemente
secundarizado, por vezes mesmo ignorado, e que desenvolveremos seguidamente.
O problema da inconsistência temporal: evidências e impacto na política das
Alterações Climáticas
O problema da inconsistência temporal, particularmente desenvolvido nas áreas
da macroeconomia e microeconomia
31
, é fácil de entender quando aplicado ao nível das escolhas e comportamentos
individuais. A este respeito, Hovi et al.
32
apresentam o exemplo de uma pessoa que ambiciona melhorar a sua saúde e planeia
um programa de longo prazo de prática regular de exercício físico. Mesmo um
indivíduo que acredite que esse programa, na globalidade, lhe irá trazer
benefícios em termos de saúde e qualidade de vida, ele pode não chegar à mesma
conclusão acerca de todas as sessões de treino. Assim, deixar de realizar uma
única sessão de treino não coloca em risco o plano de longo prazo de exercício
físico regular mas pode aumentar o bem-estar a curto prazo. Isto pode
verificar-se, por exemplo, quando deixar de realizar essa sessão de exercício
físico permita evitar a exposição a más condições climatéricas ou ter tempo
livre para assistir a um evento cultural. Todavia, quando o cálculo individual
dos custos e benefícios acerca de cada sessão de treino leva a pessoa
sistematicamente a não realizar o exercício físico, tal situação afetará
naturalmente o objetivo de longo prazo de melhorar a sua saúde e qualidade de
vida, aumentando também o risco de abandono e desistência.
O problema da inconsistência temporal é especialmente interessante quando
aplicado às alterações climáticas, as quais podem ser caracterizadas como um
problema de longo prazo que exige políticas e estratégias que atravessam várias
gerações, existindo durante este percurso elementos de elevada incerteza. Sendo
as alterações climáticas um problema fundamentalmente localizado no futuro,
aplicar todos os esforços presentes e futuros na sua mitigação comporta dois
problemas essenciais. Em primeiro lugar, os resultados potencialmente positivos
desses esforços só serão visíveis a longo prazo e, em segundo lugar, mesmo
assim é possível falhar na obtenção da estabilidade climática. Imagine-se, por
exemplo, que todos os estados do mundo decidem concentrar os seus esforços em
garantir nas próximas décadas uma transição para uma economia com baixas
emissões de carbono. Esta estratégia de longo prazo enfrenta inevitavelmente um
problema de credibilidade, na medida em que exige investimentos monstruosos,
apenas potencialmente rentabilizados no prazo de várias gerações, implicaria
perdas económicas importantes pelo menos no curto e médio prazos, assim como
seriam necessárias adaptações sociais extraordinárias. Além disso, no decorrer
desta transição vão surgindo outros problemas como por exemplo crises
económicas e financeiras, pobreza, epidemias, desemprego, ciclos eleitorais,
conflitos militares e catástrofes naturais. Estas são questões que exigem
respostas imediatas dos decisores políticos que colocam regularmente em causa a
exequibilidade e a credibilidade da estratégia de longo prazo que visa a
estabilidade climática
33
. Assim, o sucessivo adiamento da tomada de decisões no presente em
concordância com uma estratégia que garanta a estabilidade climática, como tem
vindo a acontecer, ou mesmo o assumir de comportamentos e políticas contrárias
a essa estratégia, surge como opção natural quando os custos do presente são
mais evidentes e contabilizáveis do que os custos do futuro. Este é um cenário
compatível com o problema da inconsistência temporal
34
.
Na política das alterações climáticas, o problema da inconsistência temporal é
perfeitamente identificável na posição assumida por David King, conselheiro
científico do governo britânico entre 2000 e 2007. Num artigo publicado em
2004, King
35
afirmava que as alterações climáticas eram o problema mais grave que a
Humanidade enfrenta. Todavia, em 2005, King assumia que a estabilização da
concentração de GEE na atmosfera abaixo de 550ppm (partes por milhão) é
irrealista em temos políticos e económicos
36
. No mesmo sentido se manifesta Nicholas Stern
37
que, no seu estudo sobre a economia das alterações climáticas, afirmava que a
estabilização da concentração de GEE na atmosfera nos 450ppm exigia cortes
imediatos e substanciais das emissões que provavelmente serão extremamente
onerosos
38
.
As posições anteriormente identificadas enquadram-se no âmbito da
inconsistência temporal, na medida em que o adiamento da tomada de decisões
parece estar a levar ao abandono do objetivo de estabilizar a concentração GEE
na atmosfera no nível de 450ppm. Assim, a determinação de objetivos menos
ambiciosos afeta severamente a credibilidade dos planos de mitigação das
alterações climáticas e, em última análise, acabará por destruí-los. Na
verdade, a adaptação às alterações climáticas, mais do que a sua mitigação e
apesar de não serem objetivos em conflito, parece ser uma estratégia de longo
prazo mais compatível com o problema da inconsistência temporal já que o tempo
entre a ação (custo) e os benefícios é menor, situação que torna esses
benefícios mais concretos e visíveis
39
.
Em matéria de demonstrar o problema da inconsistência temporal, repare-se, sem
ser caso único, no exemplo do Reino Unido que, apesar de formalmente empenhado
em reduzir as suas emissões, continua a saudar e a apoiar a descoberta e
exploração de novas reservas de petróleo e gás no seu território porque elas
representam mais crescimento económico e criação de riqueza
40
. Como enfatiza Monbiot
41
emerge uma forte incoerência quando a esmagadora maioria dos países do mundo
continuam a suportar a maximização da produção de recursos fósseis e a
descoberta de novas reservas e, ao mesmo tempo, uma boa parte deles afirma
pretender também minimizar o seu consumo de forma a, entre outros aspetos,
mitigar as alterações climáticas.
O problema da inconsistência temporal é também visível no discurso de muitos
dos que recusam a possibilidade de assumir perdas económicas importantes na
atualidade e ao longo das próximas décadas para mitigar o problema climático.
Repare-se, por exemplo, no argumento de Sinclair que, revelando a sua frontal
oposição às atuais políticas europeias de redução das emissões, critica os
subsídios às energias renováveis porque representam uma pesada fatura para os
contribuintes e um péssimo investimento, até porque, no futuro, a humanidade
pode descobrir melhores formas de produzir energia para substituir os
combustíveis fósseis
42
. Sinclair não ignora que as alterações climáticas perigosas comportam riscos
importantes e consequências económicas negativas (que não quantifica), mas
considera que o preço a pagar ao longo das próximas décadas para reduzir as
emissões é muito elevado, além de que as capacidades de adaptação e inovação da
Humanidade, suportadas por economias prósperas, irão permitir lidar com as
alterações climáticas mesmo que elas se materializem em consequências
catastróficas
43
. Em termos abstratos, este autor aponta a implementação de soluções de geo-
engenharia que visam a manipulação em grande escala dos ecossistemas de forma a
responder ao problema climático
44
. Nesta linha de pensamento, o problema da inconsistência temporal é
perfeitamente visível, já que o argumento considera que o preço a pagar
atualmente e ao longo das próximas décadas é muito elevado tendo em conta que
as alterações climáticas apenas revelarão as suas piores consequências num
futuro longínquo e as perdas económicas são ainda muito difíceis de
quantificar. A defesa abstrata das soluções de geo-engenharia é também
reveladora da inconsistência temporal, já que, desconhecendo-se ainda com
exatidão os seus riscos e custos, é certo que eles se localizam num futuro
longínquo.
Da análise da perceção da opinião pública sobre as alterações climáticas emerge
também o problema da inconsistência temporal. Apesar de se verificarem
oscilações, os vários estudos desenvolvidos demonstram que a opinião pública
considera as alterações climáticas um problema relevante. A avaliação do Banco
Mundial sobre a opinião pública de quinze países com diferentes localizações
geográficas e níveis de desenvolvimento revela que a esmagadora maioria das
pessoas identifica as alterações climáticas como um problema muito sério ou de
alguma maneira sério
45
. Não obstante este padrão geral, o que também é possível averiguar através de
outros estudos de opinião é que as alterações climáticas são secundarizadas
face a outras questões que afetam as pessoas e as sociedades.
Nos Estados Unidos, Nisbet e Myers revelam que, no âmbito dos problemas
ambientais que mais preocupavam os americanos em 2006 e 2007, as alterações
climáticas eram subalternizadas face à poluição da água para consumo humano, à
poluição dos rios e lagos e à contaminação dos solos
46
. Naquele país, as alterações climáticas localizavam-se em vigésimo primeiro
lugar num ranking de prioridades dos cidadãos para o ano de 2010, surgindo
depois da economia, do emprego, do terrorismo, da educação, do défice
orçamental, da saúde, da pobreza, dos assuntos militares, da energia e do
crime, entre outros
47
. Esta fraca posição das alterações climáticas no ranking das políticas
públicas prioritárias para os cidadãos americanos mantem-se em 2013
48
. No Reino Unido, apenas 7 por cento dos cidadãos consultados em 2008 colocaram
as alterações climáticas como a primeira prioridade, assumindo-se a economia
como o assunto mais importante para 33 por cento dos inquiridos
49
. Na Austrália, as alterações climáticas apareciam, em 2010, secundarizadas no
âmbito das preocupações dos cidadãos face a problemas como o sistema de saúde,
a economia, os custos da habitação, o emprego e o sistema de educação
50
. Em 2005, numa consulta de opinião realizada em 22 países na qual se
perguntava qual o problema mais importante que o mundo enfrentava, somente 1
por cento das pessoas referiram as alterações climáticas
51
. No contexto da União Europeia, um inquérito promovido pelo Eurobarómetro, em
finais de 2013, revelava que os cidadãos dos 28 estados da UE colocavam as
alterações climáticas como o terceiro problema mais sério que o mundo enfrenta,
apenas ultrapassado pela (1) pobreza, fome e acesso à água potável e pela (2)
situação económica
52
. No mesmo inquérito, 69 por cento das pessoas inquiridas consideram as
alterações climáticas como um assunto muito sério
53
. Todavia, os dados relevados pelo Eurobarómetro em março de 2014 revelam
também que os cidadãos europeus, quando chamados a identificar os principais
problemas que os seus países e eles próprios enfrentam, secundarizam as
alterações climáticas face a problemas como a criminalidade/segurança, a
situação económica, a inflação, os impostos, o desemprego, a dívida pública, a
imigração, os sistemas de saúde e de segurança social, a educação e o sistema
de pensões
54
.
Se é verdade que a maioria das opiniões recolhidas em diversos países considera
as alterações climáticas um problema muito sério que deve ser enfrentado, na
identificação dos problemas prioritários elas obtêm uma posição débil face a
outras questões, o que sugere que elas não são consideradas prioritárias face a
outros problemas que afetam os estados, as sociedades e as pessoas. A este
respeito, Pielke refere que a «batalha» pelo esclarecimento da opinião pública
sobre as alterações climáticas foi ganha, já que a maioria das pessoas
reconhece o problema e considera que devem ser tomadas medidas para o enfrentar
55
. Todavia, o apoio da opinião pública ao combate às alterações climáticas tem
limites. Já em 1998, alguns autores referiam que os dados sobre a opinião
pública permitiam concluir que a maioria dos cidadãos dos vários países do
mundo apoiava iniciativas de combate às alterações climáticas desde que elas
não implicassem mudanças significativas no seu estilo de vida
56
. Esta é uma interpretação compatível com a lei de ferro da política climática
formulada por Pielke, argumentando o autor que qualquer esforço para reduzir as
emissões de GEE que coloque em causa os crescimentos económico e do consumo de
recursos simplesmente não é opção, consideração diretamente relacionada com o
problema da inconsistência temporal e reveladora do conflito entre o presente e
o futuro na política das alterações climáticas
57
.
A sensibilização da opinião pública para o problema das alterações climáticas,
como enfatiza Helm, apoiou-se fortemente na ideia agradável de que as
alterações climáticas podiam ser combatidas com um baixo custo, argumento que,
não obstante a complexidade desta quantificação, o autor considera uma ilusão
com efeitos contraproducentes
58
. Acudir às exigências da segurança climática exige uma transformação radical e
rápida de um sistema energético global ainda acomodado aos combustíveis fósseis
através da utilização de fontes de energia livres de emissões, a qual é um
empreendimento extremamente dispendioso
59
. Se é verdade, como enfatiza Helm, que têm surgido as maiores dificuldades na
obtenção de um acordo global no domínio climático mesmo perante a mensagem,
suportada pelo Relatório Stern, de que o combate às alterações climáticas teria
um custo anual equivalente a 1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)
mundial, a constatação de que esta tarefa pode ser substancialmente mais
dispendiosa coloca obstáculos quase inultrapassáveis a uma ação eficaz
60
.
A própria politização e securitização das alterações climáticas
61
encerram um paradoxo importante que está também relacionado com a dimensão
temporal de que falamos. Repare-se que várias posições assumidas nas
negociações climáticas têm valorizado mais as ameaças decorrentes da redução
das emissões do que propriamente as ameaças resultantes das alterações
climáticas. Este tipo de abordagem é visível na recusa dos Estados Unidos em
ratificar o PQ, argumentando que ele provocaria perdas económicas que ameaçavam
a sua segurança económica. Nesta linha de argumentação tornou-se famosa a
formulação do Presidente dos Estados Unidos George Bush na Cimeira da Terra em
1992 quando defendeu que o estilo de vida americano não é negociável
62
. Vários países em desenvolvimento têm também assumido que a redução das suas
emissões é uma ameaça aos seus anseios de desenvolvimento, também não
negociáveis, que exigem um consumo crescente de combustíveis fósseis
63
. Verdadeiramente, o que se verifica de forma evidente é a valorização do
presente e do futuro próximo face aos desafios de longo prazo que atravessam
várias gerações.
As alterações climáticas são, como refere Giddens, um problema diferente de
outros não apenas devido à sua escala mas também porque é sobretudo acerca do
futuro
64
. Não obstante todos os avisos sobre os seus riscos, eles parecem abstratos,
ilusórios, irreais, na medida em que não são tangíveis, imediatos e visíveis no
decorrer da vida diária. Assim, como existe uma vida para viver e problemas
imediatos para enfrentar, a maioria das pessoas não encontra um incentivo
fundamental para agir. Todavia, quando as consequências negativas das
alterações climáticas se concretizarem já será tarde para tomar medidas
corretivas. Este é um problema clássico já evidenciado pelo Clube de Roma no
famoso relatório Limites ao Crescimento de 1972
65
. Ali se evidenciava que todas as pessoas no mundo enfrentam uma série de
problemas que requerem a sua atenção e que as afeta em diferentes níveis que
variam no espaço e no tempo, sendo que a maioria dos indivíduos centra a sua
atenção em problemas que afetam a sua família e amigos num período curto de
tempo. À medida que se vai avançando em termos espaciais para lá da família
(vizinhança, cidade, nação e mundo) e também se avança em termos temporais para
lá das próximas semanas (próximos anos, período da sua vida e da vida dos
filhos) diminuem as pessoas que centram as suas atenções e esforços em níveis
mais alargados em termos espaciais e temporais. Esta perspetiva é
particularmente interessante no caso das alterações climáticas, na medida em
que existe um evidente desfasamento temporal entre as suas causas (emissões) e
os seus efeitos (consequências das alterações climáticas). De facto, quanto
maior é o desfasamento temporal entre as causas e as consequências, e no caso
das alterações climáticas ele é de várias gerações, e quanto mais incertas e
complexas são essas consequências, que neste caso são também elevadas, mais
facilmente se aceitam riscos e perdas futuras em face de benefícios imediatos,
levando ao adiamento da adoção de medidas preventivas.
Ao contrário do esperado por alguns destacados cientistas e políticos, o
aprofundamento do conhecimento científico sobre as alterações climáticas e o
esclarecimento sobre suas causas e potenciais consequências catastróficas ainda
não foram suficientes nem para os estados formularem um acordo político à
altura da dimensão do problema, nem sequer para o estabelecimento de uma
resposta capaz por parte da sociedade. Esta é, como refere Booth, a real
verdade inconveniente, já não a questão científica mas sim a incapacidade de
formular uma resposta política eficaz e adequada para enfrentar as alterações
climáticas
66
. Uma resposta política eficaz exige respostas complexas e dispendiosas, requer
uma profunda cooperação global, obriga a cedências significativas de todos os
atores, assim como uma mudança célere e radical do sistema energético mundial.
No fundo, exige aceitar perdas importantes no presente tendo como única
contrapartida uma vaga promessa de que tais perdas possam garantir ganhos num
futuro longínquo. Esta dimensão temporal, que propicia a inconsistência, está
no âmago do problema climático e tem contribuído decisivamente para os
sucessivos fracassos na obtenção de um acordo global capaz de acudir às
exigências da segurança climática.
Data de receção: 18 de junho de 2013
Data de aprovação: 19 de maio de 2014
Notas
1
Sobre a posição do PIAC acerca das alterações climáticas ver Solomon, Susan et
al. (eds.) -Climate Change 2007: The Physical Science Basis;
Contribution of Working Group 1 to the Fourth Assessment Report of the
Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University
Press, 2007; Metz, Bert et al. (eds.) ' Climate Change 2007: Mitigation of
Climate Change; Contribution of Working Group III to the
Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change.
Cambridge: Cambridge University Press, 2007; Parry, Martin et al. (eds.) -
Climate Change 2007: Impacts, Adaptation and Vulnerability; Contribution of
Working Group II to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel
on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2007; Stoker, Thomas
et al. (eds.) - Climate Change 2013: The Physical Science Basis; Working Group I Contribution to the Fifth Assessment Report of the
Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University
Press, 2013.
2
Solomon, Susan et al. (eds.) - Climate Change 2007: The Physical Science Basis,
pp. 2 e 25; Stoker, Thomas et al. (eds.) - Climate Change
2013: The Physical Science Basis, p. 11
3
Solomon, Susan et al. (eds.) - Climate Change 2007: The Physical Science Basis,
p. 25.
4
Em termos genéricos, a segurança climática está intimamente relacionada com o
obj etivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas
(CQNUAC) (1992) de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa num
nível que evite uma interferência antropogénica perigosa no clima (artigo n.º 2
da CQNUAC). Todavia, este princípio implica desde logo a definição de qual é o
nível perigoso de concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. No
final da década de 1980, a Organização Meteorológica Mundial, a International
Council of Scientific Unions e o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente defenderam que a subida temperatura média global de 2ºC face aos
valores pré-industriais era o limite máximo aceitável e tolerável de
aquecimento planetário, valor a partir do qual existe um risco muito elevado de
ocorrerem mudanças climáticas perigosas para os ecossistemas e para própria
Humanidade. Progressivamente, e com alguma polémica a nível científico, as
negociações políticas no domínio climático assumiram o objetivo de reduzir as
emissões numa dimensão que evite um crescimento da temperatura média global
superior a 2°C até ao fim do século XXI face aos valores pré-industriais. Para
assegurar esta meta, as negociações políticas enfatizaram a importância de
conter o crescimento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera num
máximo de 450ppm (partes por milhão), relacionando este nível máximo de
concentração como aquele que permitiria evitar uma subida superior a 2°C da
temperatura média global e, desta forma, também evitar as alterações climáticas
perigosas e garantir a segurança climática. Sobre o assunto veja-se: Hansen,
James et al. - «Dangerous human-made interference with climate: a GISS modelE
study». In Atmospheric Chemistry and Physics. Vol. 7, N.º 9, pp. 2287-2312; Metz, Bert et al. (eds.) - Climate Change 2007 Mitigation of
Climate Change, p.99.
5
Para uma visão contrária à defendida pelo PIAC e pela maioria da comunidade
científica mundial veja-se, por exemplo, Essex, Christopher e Mckitrick, Ross -
Taken By Storm: The Troubled Science, Policy and Politics of Global Warming.
Toronto: Key Porter Books, 2007; Singer, Fred e Avery, Dennis -Unstoppable
Global Warming: Every 1,500 Years. Nova York: Rowman e Littlefield Publishers,
2007; Michaels, Patrick e Balling Jr, Robert - Climate of
Extremes: Global Warming Science They Don't Want You to Know. Massachusetts:
Cato Institute, 2009. Para um conhecimento da campanha
desenvolvida pelos críticos da visão do PIAC sobre as alterações climáticas
veja-se: Mann, Michael - The Hockey Stick and The Climate Wars. Nova York:
Columbia University Press, 2012.
6
Sobre este debate ver, entre outros, Klare, Michael -Rising Powers, Shrinking
Planet; The New Geopolitics of Energy. Nova York: Metropolitan Books, 2008;
«Annex to the Letter Dated 5 April 2007 From the Permanent Representative of
the United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland to the United Nations
Addressed to the President of the Security Council (S / 2007.186)», Conselho de
Segurança das Naçõe s Unidas [C onsultado em: 03/09/2009]. Disponível em: http:
//www.securitycouncilreport.org/atf/cf/%7B65BFCF9B-6D27-4E9C-8CD3-
CF6E4FF96FF9%7D/CC%20S2007%20186.pdf;; REUVENY, Rafael - «Climate change
induced migration and violent conflict». In Political Geography. Vol. 26, N.º
6, 2007, pp.656-673; Barnett, Jon e Adger, Neil - «Climate
change, human security and violent conflict». In Political Geography. Vol. 26,
N.º 6, 2007, pp. 639-655; DOD/USA Quadrennial Defense Review
Report. [Consultado em: 12/09/2010]. Disponível em: http://www.defense.gov/qdr/
images/QDR_as_of_12Feb10_1000.pdf; HOMER-DIXON, Thomas -«Terror in the Weather
Forecast». In The New York Times, 24 de Abril de 2007;
Dupont, Alan - «The Strategic Implications of Climate Change». In Survival.
Vol. 50, N.º 3, 2008, pp.29-54; Mazo, Jeffrey - «Climate
Conflict: How global warming threatens security and what to do about it»,
Adelphi Papers, n.º 409. Londres: Routledge, 2010; Nordas,
Ragnhild e Gleditsch, Nils - «Climate change and conflict». In Political
Geography. Vol. 26, N.º 6, 2007, pp.627-638; Diamond, Jared -
Collapse; How Societies Choose To Fail or Succeed. Nova York: Viking Penguin,
2005; «Turn Down the Heat: Why a 4°C Warmer World Must be Avoided», A Report
for the World Bank by the Potsdam Institute for Climate Impact Research and
Climate Analytics, The World Bank, 2012. [Consultado em: 12/05/2013]:
Disponível em: https://www-wds.worldbank.org/exter-nal/default/
WDSContentServer/WDSP/IB/2012/12/20/000356161_20121220072749/Rendered/PDF/
NonAsciiFileName0.pdf; Welzer, Harald - Climate Wars: what people will be
killed for in the 21st Century. Cambridge: Polity Press, 2012.
7
luterbacher, Urs e Sprinz, Detlef - International Relations and Global Climate
Change. Cambridge: MIT, 2001, p. 29.
8
Ibidem, pp. 31-34.
9
O debate sobre a justiça climática, intimamente relacionado com o princípio das
responsabilidades comuns mas diferenciadas e respetivas capacidades (artigo 3º,
n.º1 da CQNUAC), assumiu-se como central nas negociações climáticas e tem
suportado o argumento de que os países mais desenvolvidos têm a obrigação de
suportar o essencial das responsabilidades associadas às alterações climáticas
porque são mais ricos (justiça distributiva), porque foram os que mais
contribuíram para o problema climático (maiores emissões históricas e per
capita) e também porque serão os países menos desenvolvidos a sofrer as piores
consequências (justiça corretiva). Sobre o assunto veja-se, entre outros,
Meyer, Lucas e Roser, Dominic - «Climate justice and historical emissions». In
Critical Review of International Social and Political Philosophy. Vol. 13, N.º
1, 2010, pp. 229-253; Posner, Eric e Weisbach, David '
Climate Change Justice. Princeton: Princeton University Press, 2010; Fonseca, Pedro - «O Problema da Justiça na Política das Alterações
Climáticas». In Revista Portuguesa de Ciência Política. N.º 2, 2012, pp. 101-
112.
10
Schreuder, Yda - The Corporate Greenhouse: Climate Change Policy in a
Globalizing World. Nova York: Zed Books, 2009, p. 160;
Tickell, Oliver - Kyoto2: How to manage the global greenhouse. Londres: Zed
Books, 2008, pp. 35-6; Posner, Eric e Weisbach, David -
Climate Change Justice, pp. 62-64.
11
Stoker, Thomas et al. (eds.) - Climate Change 2013: The Physical Science Basis,
p.12.
12
«Redrawing the Energy-Climate Map», World Energy Outlook Special Report. Paris:
IEA, 2013, pp. 13-41.
13
COP refere-se à Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas
sobre as Alterações Climáticas (CQNUAC). CMP refere-se à Conferência das Partes
do Protocolo de Quioto.
14
Nicoll, Alexander - «Copenhagen Accord Faces First Test». In Strategic
Comments, Vol.16, N.º 1, 2010, pp. 1-3.
15
Ibidem, pp.1-3.
16
Dimitrov, Radoslav - «Inside UN Climate Change Negotiations: The Copenhagen
Conference». In Review of Policy Research. Vol. 27, N.º 6, 2010, p. 796.
17
Christoff, Peter - «Cold Climate in Copenhagen: China and the United States at
COP15». In Environmental Politics. Vol. 19, N.º 4, 2010, p. 639; POSNER, Eric e Weisbach, David - Climate Change Justice, p. 194.
18
Sandler, Lauren e Kymer, Reeva - «Copenhagen Accord: Outcomes, Next Steps, and
Business Implications». In Environmental Claims Journal. Vol. 22, N.º 2, 2010,
pp. 146-148. 19 Cf. «Are countries on track for 2oC or 1.5oC
goals?», Climate Action Tracker [Consultado em: 12/09/2010]. Disponível em:
http://www.climateactiontracker.org/CAT_Overview_FullENG_20101009.pdf; BIROL,
Fatih (coord) - «World Energy Outlook 2010». Paris: OECD/IEA, 2010, pp. 381382;
Roberts, J. Timmons e Parks, Bradley - «A shared vision? Why inequality
should worry us». In Climate Change, Ethics and Human Security. Cambridge:
Cambridge University Press, 2010, p. 70; «The Emissions Gap Report 2012; A UNEP
Synthesis Report». Nairobi: United Nations Environment Programme, 2012;
«Redrawing the Energy-Climate Map», World Energy Outlook Special Report, UNEP.
20
Friedrichs, Joerg - «'In the long run we are all dead' Confronting the
Transitory Nature of Industrial Society». Comunicação na 7th Pan-European IR
Conference, Estocolmo, 9-11 de Setembro de 2010, pp. 32-35.
21
Morgan, Jennifer - «Reflections on COP 18 in Doha: Negotiators Made Only
Incremental Progress. [Consultado em: 12/05/2013]. Disponível em: http://insi-
ghts.wri.org/news/2012/12/reflections-cop-18-doha-negotiators-made-only-
incremental-progress
22
Birol, Fatih (Coord.) -«World Energy Outlook 2011». Paris: OECD/IEA, 2011, pp.
39, 209.
23
A distinção entre petróleo convencional e não convencional tem gerado
importantes desacordos entre os diversos especialistas e as várias instituições
que se dedicam ao estudo do problema. Sendo desnecessário para os propósitos do
presente artigo desenvolver sobre a questão, importa apenas aclarar que a
exploração do regularmente denominado petróleo não-convencional é mais difícil
e dela resultam maiores emissões de GEE comparativamente com a exploração do
petróleo convencional.
24
Morgan, Jennifer e Cameron, Edward - «Reflections on COP 17 in Durban», WRI
Insights. [Consultado em: 16/12/2011]. Disponível em: http://insi-ghts.wri.org/
news/2011/12/reflections-cop-17-durban
.
25
«UK -Plenary Statement», High-Level Segment at COP 17/CMP 7, 2011. [Consultado
em: 12/05/2013]. Disponível em: O desafio do futuro no presente: http://
unfccc.int/files/meetings/durban__nov_2_0_11/statements/application/pdf/
111208_cop17_hls_uk.pdf
26
Morgan, Jennifer - Reflections on COP 18 in Doha: Negotiators Made Only
Incremental Progress; MORGAN, Jennifer et al. - COP 19 Made
Small Steps Forward, but We Need Bolder Leaps. [Consultado em: 13/01/2014].
Disponível em: http://www.wri.org/blog/2013/11/cop-19-made-small-steps-forward-
we-need-bolder-leaps
27
Depledge, Joanna - «The Opposite of Learning: Ossification in the Climate
Change Regime». In Global Environmental Politics. Vol. 6, N.º 1, 2006, pp. 1-
22.
28
Sobre o assunto veja-se Krasner, Stephen (ed.) - International Regimes. Ithaca:
Cornell University Press. 1983; Hasenclever, Andreas et al -
Theories of international Regimes. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.
29
Depledge, Joanna - «The Opposite of Learning: Ossification in the Climate
Change Regime», pp. 1-22.
30
Ibidem, pp.1-22.
31
Sobre o assunto veja-se, entre outros, Kydland, Finn e Prescott, Edward -
«Rules Rather Than Discretion: The Inconsistency of Optimal Plans». In Journal
of Political Economy. Vol. 85, N.º 3, 1977, pp. 473-491;
Strotz, Robert - «Myopia and Inconsistency in Dynamic Utility Maximization». In
Review of Economic Studies. Vol. 23, N.º 3, 1955-1956, pp. 165-180; Asheim, Geir - «Individual and Collective Time-Consistency». In The
Review of Economic Studies. Vol. 64, N.º 3, 1997, pp. 427-443.
32
Hovi, Jon et al. - «Implementing Long-Term Climate Policy: Time Inconsistency,
Domestic Politics, International Anarchy». In Global Environmental Politics.
Vol. 9, N.º 3, 2009, p. 22.
33
Ibidem, pp.20-39; Underdal, Arild - «Complexity and challenges of long-term
environmental governance». In Global Environmental Change. Vol.20, N.º 3, 2010,
pp. 386-393.
34
Akerlof, George - «Procrastination and Obedience». In The American Economic
Review. Vol. 81, N.º 2, 1991, pp. 1-19.
35
King, David - «Climate Change Science: Adapt, Mitigate, or Ignore?». In
Science. Vol. 303, N.º 5655, 2004, pp. 176-177.
36
Citado por Hamilton, Clive - Requiem For A Species: Why We Resist The Truth
About Climate Change. Crows Nest: Allen e Unwin, 2010, pp. 26 e 55.
37
Stern, Nicolas - Economics of Climate Change: The Stern Review. Cambridge:
Cambridge University Press, 2007, p.219.
38
Não obstante a controvérsia, recorde-se que a estabilização da concentração de
GEE na atmosfera no nível de 450ppm tem vindo a ganhar consenso como aceitável
para garantir a segurança climática e evitar um crescimento da temperatura
média global superior a 2°C até ao fim do século XXI face aos valores pré-
industriais. Em 2013, a concentração de CO2 na atmosfera já tinha ultrapassado
os 400ppm.
39
Hovi, Jon et al. - «Implementing Long-Term Climate Policy: Time Inconsistency,
Domestic Politics, International Anarchy», pp. 20-39.
40
Milmo, Dan - «BP to redevelop North Sea oil fields». In The Guardian, 14 de
Julho de 2011.
41
Monbiot, George - «An Underground National Park». In The Guardian, 19 de Julho
de 2011.
42
Sinclair, Matthew - Let Them Eat Carbon: The Price of Failing Climate Change
Policies, and How Governments and Big Business Profit From Them. Londres:
Biteback Publishing, 2011, pp .44, 81-129.
43
Ibidem, pp. 15, 233, 285.
44
Ibidem, p. 233.
45
«Public attitudes toward climate change: findings from a multi-country poll»,
World Development Report 2009, The World Bank. [Consultado em: 20/11/2010].
Disponível em: [http://siteresources.worl-dbank.org/INT_WDR2010/Resources/
Background-report.pdf].
46
Nisbet, Matthew e Myers, Teresa - «The polls-trends twenty years of public
opinion about global warming». In Public Opinion Quarterly. Vol.71, N.º 3,
2007, p. 459.
47
«Energy concerns fall, deficit concerns rise public's priorities for 2010:
economy, jobs, terrorism», The Pew Research Center for the People and the
Press. [Consultado em: 2/12/2010]. Disponível em: http://www.people-press.org/
files/legacy-pdf/584.pdf
48
«Public's Policy Priorities: 1994-2013; Deficit Reduction Rises on Public's
Agenda for Obama's Second Term», The Pew Research Center for the People Center
for the People and the Press. [Consultado em: 02/06/2013]. Disponível em: http:
//www.people-press.org/files/legacy-pdf/01-24-13%20Prioritie%20Release.pdf
49
Giddens, Anthony - The Politics of Climate Change. Cambridge: Polity Press,
2009, p.101.
50
«Climate of The Nation: Australians Attitudes towards Climate Change and its
Solutions», The Climate Institute. [Consultado em: 17/12/2010]. Disponível em:
http://www.climateinstitute.org.au/verve/_resources/
climateofthenation_august2010.pdf, p.8.
51
Leiserowitz, Anthony - «International Public Opinion, Perception, and 149
Understanding of Global Climate Change», Human Development Report Office,
Occasional Paper, 2007. [Consultado em: 26/04/2010]. Disponível em: http://
hdr.undp.org/en/reports/global/hdr2007-2008/papers/leiserowitz_anthony6.pdf, p.
28.
52
Eurobarometer - «Climate Change Report 2013», Special Eurobarometer 409.
[Consultado em: 22/05/2014]. Disponível em: http://ec.europa.eu/public_opinion/
archives/ebs/ebs_409_en.pdf, pp. 8-19.
53
Ibidem, 2013, p. 22.
54
Eurobarometer ' «Europeans in 2014», Special Eurobarometer 415. [Consultado em:
22/05/2014]. Disponível em: http://ec.europa.eu/public_opinion/archi-ves/ebs/
ebs_415_data_en.pdf, pp. 15-19.
55
Pielke, Roger -The Climate Fix: What Scientists and Politicians Won't Tell You
About Global Warming. Nova York: Basic Books, 2010, pp. 43-45, 208.
56
Borde, Richard et al. -«Public perceptions of global warming: United States and
international perspectives». In Climate Research. Vol. 11, 1998, p. 83.
57
Pielke, Roger -The Climate Fix: What Scientists and Politicians Won't Tell You
About Global Warming, p. 219.
58
Helm, Dieter -«Climate-change Policy: Why Has So Little Benn Achieved?». In
Helm, Dieter e Hepburn, Cameron (Eds.) -The Economics and Politics of Climate
Change. Oxford: Oxford University Press, 2009, pp. 11, 28-29.
59
Sobre este debate ver, entre outros, Odell, Peter -Why Carbon Fuels Will
Dominate The 21st Century's Global Energy Economy. Essex: Multi-Science
Publishing, 2004; Yergin, Daniel -The Quest; Energy, Security, and the Remaking
of the Modern World. Londres: Allen Lane, 2011; Ayres, Robert e Ayres, Edward -
Crossing the Energy Divide; Moving from Fossil Fuel Dependence to a Clean-
Energy Future. New Jersey: Wharton School Publishing, 2010; Tertzakian, Peter e
Hollihan, Keith -The End of Energy Obesity Breaking Today's Energy Addiction
for a Prosperous and Secure Tomorrow. Hoboken: John Wiley e Sons, 2009; Smil,
Vaclav -Energy Transitions; Histor y, Requirements, Prospects. Santa Barbara:
Praeger, 2010; Newell, Peter e Paterson, Matthew -Climate Capitalism Global
Warming and the Transformation of the Global Economy. Cambridge: Cambridge
University Press, 2010; Birol, Fatih (Coord) - World Energy Outlook 2011.
60
Helm, Dieter - «Climate-change Policy: Why Has So Little Benn Achieved?», p.
33.
61
Sobre os conceitos de politização e securitização importa reter as
considerações de Buzan et al, representantes proeminentes da denominada escola
de Copenhaga, que na obra Securtiy, A New Framework for Analysis referem que a
securitização pode, pois, ser entendida como uma versão extrema de politização.
Em teoria, qualquer questão pública pode ser classificada como não politizável
(o que significa que o Estado não se ocupa da questão nem esta se torna alvo de
debate ou de decisão pública) ou como politizável (o que significa que a
questão faz parte do debate público e que requer decisão política e alocação de
recursos e, com menor frequência, qualquer outra forma de governação pública)
ou então como securitária (o que significa que a questão é representada como
uma ameaça existencial e que requer medidas de emergência que, por sua vez,
justificam decisões políticas tomadas à margem do processo político
democrático) (Buzan, Barry et al. - Security: A New Framework for Analysis.
Londres: Lynne Rienner Publishers, 1998, pp. 23-24).
62
Citado em Atkisson, Alan - The Sustainability Transformation: How to Accelerate
Positive Change in Challenging Times, Londres: Earthscan, 2011, p. 220.
63
Trombetta, Maria - «Environmental security and climate change: analyzing the
discourse». In Cambridge Review of International Affairs. Vol. 21, N.º 4, 2008,
p. 596.
64
Giddens, Anthony - The Politics of Climate Change, p.2.
65
Meadows, Dennis et al. - Os Limites ao Crescimento. Lisboa: Publicações Dom
Quixote, 1973, pp.25-28.
66
Booth, Ken - Theory of World Security. Cambridge: Cambridge University Press,
2007, p. 330.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
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