A Grande Guerra e as relações internacionais de Portugal: Da Monarquia à
República
Neste artigo procuramos fazer uma revisitação aos antecedentes e causas
próximas que ajudam a explicar a participação portuguesa na Grande Guerra e a
opção do Partido Democrático pelo envolvimento do País na frente europeia. Não
se trata de uma investigação nova, baseada em fontes primárias, mas de uma
leitura e interpretação alicerçada em alguns estudos dedicados a este tema.
Um pleno entendimento da participação portuguesa na Grande Guerra exige não
apenas um recuo temporal, mas uma visão abrangente entre dinâmicas internas e
externas. Nas primeiras, importa ter em consideração o binómio monarquia/
república, e também as profundas divergências que rapidamente dividiram o campo
republicano. Nas segundas, há que ter em conta três vectores tradicionais da
política externa portuguesa: a aliança inglesa, a dualidade peninsular e o
império.
O texto encontra-se dividido geográfica e cronologicamente. Assim, a primeira
parte é dedicada à questão colonial. O colonialismo europeu no final do século
XIX, a Conferência de Berlim e as ameaças aos territórios africanos
portugueses, são um factor determinante na política interna portuguesa na
transição para o século XX e ajudam a explicar o posicionamento de Portugal
perante a guerra. No entanto, estava também em causa a dualidade peninsular.
Sem uma referência à situação então vivida na Península Ibérica e ao impacto da
mudança de regime em Portugal no país vizinho, dificilmente se pode compreender
a evolução da política externa portuguesa nestes conturbados anos. É desse
aspecto que trata a segunda parte do artigo. Finalmente, a terceira parte
centra-se sobretudo nas dinâmicas internas, e é dedicada à opção e ao empenho
dos democráticos no envio de uma força expedicionária para combater em solo
europeu. É esta complexa teia entre política interna e política externa que
procuraremos articular, recuperando os principais pontos analisados por
diversos historiadores que se dedicaram a este tema.
África
No último quartel do século XIX, assistiu-se a um fenómeno de extensão da
influência dos países europeus nos continentes africano e asiático.
Curiosamente, este movimento surgiu depois dos europeus terem progressivamente
deixado de possuir colónias no continente americano, região onde os Estados
Unidos pretendiam assumir um papel preponderante de acordo com a célebre
doutrina Monroe. Existem várias teses que procuram explicar este fenómeno:
motivos económicos e financeiros, relacionados com a procura de matérias-primas
e de mercados para a colocação de produtos manufacturados; motivos religiosos
(rivalidade entre missionários católicos e protestantes); motivos demográficos;
motivos estratégicos; psicológicos; políticos Entre estes destacava-se o
nacionalismo que se fez sentir na Europa de duas maneiras distintas. Por um
lado como movimento unificador, no caso da Alemanha e da Itália, e, por outro,
como movimento pulverizador que seria particularmente sentido no seio do
Império Otomano.
Independentemente da perspectiva adoptada, a verdade é que se assistiu a uma
corrida e a uma partilha de vastas zonas do globo que até essa data não estavam
sob dominação efectiva de qualquer país europeu. Do Norte de África ao Extremo
Oriente, as principais potências europeias lançaram-se numa corrida aos
impérios que dividiu, muitas vezes a regra e esquadro, o globo.
No final do século XIX, entre colónias e protectorados, os britânicos
controlavam cerca de um quarto da população mundial que vivia em todos os
continentes. Por seu lado, os franceses tinham colónias no Norte de África, na
Costa do Marfim e na Indochina. Os holandeses, além de pequenas possessões
espalhadas pelo globo, detinham a Indonésia. E a Bélgica e a Alemanha tinham
passado a deter territórios coloniais em África. Esta corrida, além de
sacrificar zonas que até essa data não tinham sido alvo de ocupação formal ou
de disputa de esferas de influência, colocou também grande pressão nos
territórios coloniais portugueses, cada vez mais cobiçados pelos poderes
europeus emergentes.
O crescente interesse pelo continente africano conduziu à realização da
Conferência de Berlim (1884-1885), na qual ficou consagrado o princípio da
ocupação efectiva em detrimento do princípio dos direitos históricos, colocando
em causa os interesses portugueses no continente. Na sequência desta
conferência, Portugal empenhou-se em garantir uma ocupação efectiva dos seus
territórios e procurou assegurar que as restantes potências europeias não se
oporiam à sua pretensão de unir Angola e Moçambique, criando assim um vasto
território que atravessava o continente africano ligando a costa atlântica à
costa do Índico. Curiosamente, a maior oposição à pretensão portuguesa viria
não da França ou da Alemanha, interessadas em reforçar as suas posições no
continente africano, mas da secular aliada que tinha interesses antagónicos (o
projecto de união do Cabo ao Cairo, preconizado por Cecil Rhodes). Quando uma
expedição militar portuguesa, liderada por Serpa Pinto, entrou em território
disputado com os britânicos, o governo de Sua Majestade prontificou-se a exigir
às autoridades portuguesas uma retirada. Era o célebre ultimato
2
. A nível interno, a posição inglesa foi fortemente atacada, criando-se um
clima de patriotismo que viria mais tarde a ser aproveitado com sucesso pelos
republicanos. Por outro lado, a luta entre regeneradores e progressistas
inviabilizou o sonho da existência de uma ligação entre as duas colónias, a
África Meridional portuguesa, já que, mesmo depois do ultimato, os ingleses
garantiram a Portugal uma faixa de comunicação entre Angola e Moçambique, na
qual se situava o cobiçado planalto de Manica. No entanto, rivalidades
partidárias inviabilizaram esta solução, e o que viria a ser acordado com a
Inglaterra, desta vez sem oposição, foi um tratado pior do que aquele que tinha
sido considerado uma infâmia.
Também a nível externo as consequências deste episódio seriam profundas. É que,
após o ultimato, o governo de Lisboa procurou o apoio da Alemanha e da França
nas suas pretensões contra a Inglaterra. Acontece que a resposta não foi a
esperada. Aproveitando os desentendimentos entre Lisboa e Londres, o kaiser
alemão sugeriu que o seu país e a Inglaterra dividissem entre si o Império
Português. Por seu lado, os franceses, temendo um entendimento entre estes
dois, deixaram claro que a divisão teria de ser tripartida
3
. Contudo, esta era uma solução que não agradava os britânicos, pois,
significaria entregar importantes territórios na África Austral a dois
competidores. Perante este cenário, era preferível a manutenção desses
territórios em mãos portuguesas. Foi esta posição que permitiu que nos anos
seguintes, através de uma hábil política diplomática conduzida em grande parte
pelo próprio rei D. Carlos, se tivesse verificado um desanuviamento da tensão e
uma reaproximação à Inglaterra.
Acontece que as crónicas necessidades financeiras do Estado português voltaram
a trazer para a ordem do dia o problema colonial, uma vez que, além de serem
alvo de vários apetites externos, as colónias representavam no final do século
XIX um peso no orçamento português, havendo quem defendesse como solução do
problema a sua alienação
4
. A via encontrada pelo Governo português não era aparentemente tão drástica,
mas comportava elevados riscos: em troca de um avultado empréstimo britânico,
Portugal daria como garantia os rendimentos alfandegários das colónias. Esta
solução não foi bem recebida por alemães e franceses que, vislumbrando um
eventual incumprimento português (em 1892 Portugal tinha declarado uma
bancarrota parcial), defendiam que o que estava realmente em causa era uma
alteração do status quoem África. O Governo alemão sugeriu então que, em vez de
um empréstimo britânico, se fizesse um empréstimo anglo-alemão, garantido
igualmente pelos rendimentos das colónias. Em caso de resposta negativa por
parte dos britânicos, os alemães ameaçavam celebrar um entendimento alargado
com a França e a Rússia a fim de evitar o que entendiam ser uma manobra
britânica para se apropriar das colónias portuguesas.
O espectro de uma aliança entre os três maiores poderes continentais obrigou a
Inglaterra a recuar. No Verão de 1898, a Alemanha e a Inglaterra chegaram
finalmente a um acordo: nenhum dos dois países faria um empréstimo a Portugal
sem o envolvimento do outro; não seria admitido o envolvimento de terceiros; o
eventual empréstimo seria garantido pelos rendimentos de Moçambique e Angola;
caso Portugal viesse a pretender vender as colónias estas seriam repartidas
entre as duas partes; e finalmente, ficava estipulada a divisão das respectivas
esferas de influência.
Mais uma vez, esta era uma solução que não agradava à Inglaterra. No fundo
estava a discutir a divisão de algo que de maneira informal já controlava. Por
outro lado, uma das razões que a levou a celebrar este acordo com a Alemanha,
relacionava-se com a pretensão, que obteve, de garantir a neutralidade alemã na
guerra contra os bóeres. Por isso, uma vez celebrado o acordo, o Governo
britânico informou o embaixador português em Londres sobre o seu conteúdo e deu
a entender que Portugal deveria recusar o empréstimo conjunto. Além disso, a
Inglaterra ajudou Portugal a encontrar uma solução alternativa que passava pela
obtenção de um empréstimo em bancos privados franceses.
A fim de evitar problemas como os anteriores, o governo de Lisboa preparava-se
para aceitar que este empréstimo tivesse como contrapartidas as receitas
alfandegárias de Portugal continental e das ilhas atlânticas. Esta hipótese
foi, no entanto, duramente criticada pela Inglaterra que exigiu uma garantia
escrita do governo de Lisboa em como os Açores jamais passariam a ser
controlados por terceiros. Era um importante sinal, demonstrativo da
importância geo-estratégica que o arquipélago iria desenvolver nas décadas
seguintes. Essa garantia foi dada e os britânicos confirmaram os seus
compromissos com o seu velho aliado
5
. Durante mais de dez anos a sorte das colónias portuguesas não voltou a estar
no topo das preocupações dos governantes portugueses. No entanto, essa situação
alterou-se em 1912.
Em Março desse ano, a Inglaterra, preocupada com o ritmo de crescimento da
frota alemã, procurou um entendimento com a Alemanha. A principal preocupação
britânica era a manutenção da sua supremacia naval e existiam algumas
contrapartidas que poderiam ser oferecidas caso a Alemanha estivesse disposta a
desistir do seu programa de construções navais. Entre estas, encontrava-se
Angola.
Após um ano de negociações, os representantes dos dois países chegaram a um
entendimento que recuperava vários pontos da convenção de 1898. Desta vez, no
entanto, a Alemanha adoptou uma nova estratégia e, mesmo antes do acordo ter
sido rectificado, o chanceler alemão reconheceu a sua existência, procurando
desta forma apresenta-lo como um facto consumado e criar problemas entre a
Inglaterra e a França que, mais uma vez, tinha sido ignorada. Entretanto, a
Alemanha continuava a desenvolver o seu programa naval, tendo este até sofrido
uma aceleração. Nestas circunstâncias a Inglaterra não estava disposta a ceder
6
e o Império Português permaneceu intacto.
Como defendeu Hobsbawm, a sobrevivência do Império Português em África deveu-
se, em primeiro lugar, «à incapacidade dos seus modernos rivais para chegarem a
um acordo preciso sobre a maneira de dividir entre eles aqueles territórios»
7
.
O início das hostilidades, em Julho de 1914, constituiu assim mais do que uma
ameaça, uma hipótese de clarificação e de reafirmação da presença de Portugal
em África. Logo em Setembro de 1914, foram enviadas para Angola e Moçambique as
primeiras expedições que tinham como principal objectivo travar as previsíveis
ofensivas alemãs oriundas do Sudoeste Africano, actual Namíbia, no caso
angolano, e da África Oriental alemã, actual Tanzânia, no caso moçambicano.
Não cabe aqui fazer o relato das operações militares portuguesas nos teatros
africanos. Deve, no entanto, sublinhar-se que o resultado da acção das tropas
portuguesas nos territórios africanos não foi positivo. Aniceto Afonso defende
que esta se caracterizou por «inúmeras incapacidades, improvisações e
fragilidades com divisão de responsabilidades entre as autoridades políticas e
administrativas e os comandos militares»
8
. Referindo-se concretamente à campanha de Moçambique, António José Telo não
traça um cenário mais animador:
«O resultado final deste considerável esforço foi amplamente negativo. As
reduzidas ofensivas portuguesas correram mal, o território da colónia não foi
defendido e as baixas foram imensas à escala nacional: 2007 europeus e 2804
militares indígenas mortos. Morreram mais portugueses em Moçambique do que na
frente da França, com a diferença que os mortos em Moçambique foram
fundamentalmente provocados por razões sanitárias. No final da guerra, uma
parte do Norte de Moçambique estava sublevado e as campanhas de pacificação
continuam por alguns anos.»
9
Apesar destes balanços negativos, a verdade é que o principal objectivo foi
conseguido: no final do conflito, Portugal tinha ultrapassado diversos momentos
críticos que tinham colocado em causa a integridade do Império e mantinha as
colónias que vinham sendo cobiçadas há décadas por vários países europeus. Este
resultado não se deveu a uma efectiva capacidade de controlo sobre os vastos
territórios africanos mas a um conjunto de factores externos que propiciaram
este desfecho. Complexa foi também a manutenção da dualidade peninsular,
ameaçada após a queda do regime monárquico. Vejamos então qual a situação
política vivida na Península Ibérica na primeira década do século XX.
Península Ibérica
Em Outubro de 1910 foi implantado um regime republicano em Portugal. A nível
externo, uma das principais preocupações dos republicanos foi assegurar o
reconhecimento do novo regime pela velha aliada. Para esse efeito, três meses
antes da revolta de Outubro, foi enviada a Londres uma delegação que foi
recebida no Foreign Office pelo subsecretário de Estado dos Negócios
Estrangeiros. Obviamente que o Governo inglês não tomou nenhuma atitude que
pudesse ser lida como um apoio à causa republicana, mas também não manifestou
qualquer intenção de apoiar a monarquia dos Bragança. Esta posição merece uma
explicação.
Desde 1906 assistia-se a uma aproximação entre Londres, Paris e Madrid, que
reagiram às declarações públicas do kaiser Guilherme II a favor da
independência de Marrocos, firmando os acordos de Algeciras e de Cartagena que
pretendiam contrariar as pretensões alemãs na área do estreito de Gibraltar.
Esta aproximação permitiu que após o regicídio de Fevereiro de 1908, que fez
soar um alarme na vizinha Espanha, o rei Afonso XIII tenha revelado as suas
ambições sobre Portugal, quer à França quer à Inglaterra
10
. A crise política vivida em Portugal servia assim de argumento às históricas
ambições iberistas num momento em que a Espanha se recompunha da derrota
sofrida em 1898. Os estudos do historiador Hipólito de la Torre Gómez, apesar
de deixarem claro que se tratava de posições do rei e não de opções
estratégicas do Governo espanhol, revelam que imediatamente após o golpe de 5
de Outubro, alguns ministros espanhóis defenderam em reunião do executivo o
bombardeamento de Lisboa e que no final desse mês, o exército do país vizinho
tinha junto da fronteira três divisões prontas para entrar em Portugal. Não se
tratava, portanto, de uma mera fixação do monarca, verificando-se a existência,
quer no governo, quer nas forças armadas, de sectores intervencionistas que
foram em grande parte vencidos pela posição moderada do presidente do Conselho,
José Canalejas
11
.
De qualquer modo, estas confidências à tradicional aliada do país vizinho eram
inconcebíveis anos antes. A aproximação entre a Inglaterra e a Espanha
esvaziava a importância da dualidade peninsular. Na opinião de António Telo, a
Inglaterra não estava muito preocupada com uma alteração do regime em Portugal,
pois essa hipótese permitir-lhe-ia negociar um eventual novo enquadramento
peninsular e um acordo com a Alemanha tendo como moeda de troca o Império
Português
12
.
Este cenário ajuda a compreender a posição de wait and see adoptada pelos
ingleses que, apesar de não terem tomado qualquer atitude contra o novo regime,
foram sucessivamente adiando o reconhecimento da República, até ao momento em
que foram forçados a agir como resposta aos franceses, que avisaram que iriam
reconhecer a República depois de aprovada a Constituição e de eleito o
Presidente da República. Logo de seguida, em Outubro de 1911, as incursões
monárquicas a partir da Galiza, sublinharam a fragilidade dos laços externos do
novo regime, que não conseguia obter da tradicional aliada qualquer tipo de
apoio perante as ameaças originárias do outro lado da fronteira. Nos anos que
antecederam o conflito mundial a aliança luso-britânica perdera assim muito do
seu significado. Para os ingleses, o único ponto fundamental passava por
garantir que as ilhas atlânticas não viessem a ser usadas por um poder rival,
havendo mesmo uma corrente que defendia que a amizade com Espanha e a sua
adesão à Ententepoderia justificar uma eventual absorção de Portugal pelo seu
vizinho. Entre os adeptos desta tese encontrava-se Winston Churchill, então
primeiro lord do almirantado.
Em 1912, um relatório do almirantado defendia que a aliança luso-britânica não
trazia vantagens directas para a Inglaterra, implicando, pelo contrário,
pesadas responsabilidades, dada a situação crítica que se vivia nas forças
armadas portuguesas, afectadas pela mudança de regime. Paralelamente, a Espanha
e as suas ilhas atlânticas, eram vistas pela marinha britânica como peças cada
vez mais importantes num xadrez europeu em movimento, que se aproximava de um
conflito bélico
13
.
Dois anos mais tarde, Churchill lembrava que caso o almirantado tivesse de
decidir entre a amizade de Portugal e a de Espanha, a primeira teria de ser
abandonada em benefício da segunda. Churchill ia ainda mais longe e admitia,
como «mais que provável», que uma aproximação da Espanha à Ententese viesse a
traduzir na anexação de Portugal, sendo que nesse cenário a Inglaterra deveria
aceitar essa anexação em troca da cooperação espanhola
14
. Acontece que esta visão não era partilhada pelo Foreign Office, que
continuava a defender a dualidade peninsular
15
, embora esta não representasse o antagonismo de outrora, uma vez que neste
período se procuravam manter em paralelo boas relações com os dois estados
peninsulares.
Por outro lado, o rei espanhol, que tinha confessado pessoalmente as suas
pretensões a Churchill
16
, continuava a não esconder as suas ideias relativamente a Portugal e chegou a
oferecer ao Presidente francês a utilização das Baleares, a passagem de tropas
por território espanhol e mesmo a beligerância do seu país em troca da anexação
de Portugal
17
. São estes factos que devemos ter em consideração quando procuramos analisar a
posição adoptada pelos republicanos quando deflagrou a Grande Guerra.
Portugal
Com alguns cambiantes, a defesa das colónias, a procura de reconhecimento
internacional do novo regime e mesmo a independência nacional foram
tradicionalmente apresentados pela historiografia como as razões que explicam a
entrada de Portugal no conflito. No entanto, como bem explicou Nuno Severiano
Teixeira, estes argumentos são insuficientes
18
.
Como já tivemos oportunidade de observar, as colónias portuguesas estiveram, de
facto, no centro das atenções das grandes potências europeias nas décadas que
antecederam o conflito e foram vistas, principalmente pela Inglaterra, como uma
das moedas de troca que poderia ser utilizada a fim de evitar esse mesmo
conflito. Por outro lado, durante a guerra, os dois maiores territórios
africanos, Angola e Moçambique, foram atacados pelos alemães, e os ingleses
utilizaram esses territórios como pontos de apoio e de passagem das suas
tropas. Severiano Teixeira defende ainda que as colónias portuguesas poderiam
também vir a ser utilizadas no quadro negocial do pós-guerra. Nesse sentido,
existiam realmente ameaças sobre o império colonial português. No entanto, como
o mesmo autor sublinha, a defesa das colónias e uma intervenção armada no
continente africano não implicava qualquer intervenção na frente europeia nem
uma beligerância activa. Apesar do envio de tropas para Angola e Moçambique e
dos confrontos travados nesses territórios contra os alemães, e não obstante as
facilidades concedidas aos ingleses, a Alemanha não declarou guerra a Portugal.
Isto explica porque uma boa parte da elite política portuguesa defendia que o
País deveria limitar-se a defender a integridade territorial das colónias e
manter uma neutralidade pró-britânica. Ou seja, a defesa das colónias não
justificava nem a beligerância nem a entrada de Portugal na guerra europeia.
Estas foram defendidas por outros dois motivos: a necessidade de obter o
reconhecimento internacional da República e como forma de garantir o
esvaziamento da ameaça espanhola. Como também já verificámos, estes eram
problemas reais, que poderiam ser resolvidos se Portugal entrasse na guerra ao
lado dos aliados. Por um lado, a beligerância portuguesa traduzir-se-ia num
claro reforço do reconhecimento internacional que os republicanos procuravam
obter e, por outro, esvaziava a ameaça espanhola, uma vez que os adeptos da
união ibérica deixariam de poder contar com a indiferença, ou mesmo com
eventuais apoios internacionais.
No entanto, como também notou Severiano Teixeira, estes objectivos seriam
plenamente alcançados caso Portugal, ao contrário da Espanha, saísse da
neutralidade e declarasse a beligerância. Acontece que a beligerância não
implicava a participação de Portugal no esforço de guerra travado nos campos de
batalha europeus. Para explicar essa participação, este autor defende que temos
de procurar razões de ordem interna e não razões de ordem externa.
A entrada de Portugal na Guerra ao lado dos aliados, com um papel activo nos
combates militares que se travam na Europa, era a via que permitiria aos
democráticos de Afonso Costa manterem a sua posição hegemónica no sistema
político-partidário português, através da união, se não de todos os
portugueses, pelo menos de todos os republicanos, em torno de um grande
objectivo nacional que criasse uma vaga de patriotismo que não admitia
dissenções. Ora, uma vaga desta dimensão não se formaria apenas com o envio de
forças para África, nem mesmo com uma declaração de beligerância. Era na Europa
que se desenharia o pós-guerra. Nesse sentido, o projecto radical só teria
sucesso através da participação portuguesa no esforço de guerra europeu
19
.
Falta, no entanto, referir um outro aspecto tão ou mais importante que aqueles
que já referimos: a questão financeira.
Desde finais de 1914, os governos portugueses vinham solicitando assistência
financeira a Londres e invariavelmente a resposta que obtinham era que, dada a
situação de guerra que se atravessava, apenas seriam concedidos créditos a
Portugal caso o país tivesse de entrar em guerra. O desenrolar do conflito veio
agudizar as necessidades financeiras do Estado português que, por exemplo,
comprava cereais e os vendia com prejuízo a fim de evitar repercutir nos
consumidores finais os aumentos verificados no seu preço, justificados em parte
pelo extraordinário aumento dos custos de transporte. Era o chamado «pão
político». Acresce que não era apenas na escassez de trigo e de outros cereais
que se faziam sentir os efeitos da guerra. Verificava-se também falta de
carvão, um combustível essencial no início do século XX, cuja carência se
repercutia em todos os domínios da economia, e a guerra submarina afectava não
apenas o comércio que garantia a importação de bens essenciais, mas também as
trocas com as colónias. A solução era, pois, a beligerância, uma vez que esta
permitiria ao país beneficiar do pacto de colaboração económica interaliado e
obter da Inglaterra um empréstimo que, além de permitir a compra de armas,
viabilizasse a compra de trigo, travando a crise de câmbio que se adivinhava.
Para Afonso Costa, apenas a entrada na guerra poderia travar o isolamento
financeiro que estava a afectar profundamente o País
20
.
Acontece que no Verão de 1914, o País estava num impasse. No poder estava o
governo minoritário de Bernardino Machado, apoiado pelo presidente da
República, Manuel de Arriaga, mas que não tinha uma posição clara sobre qual
deveria ser o posicionamento do país em caso de conflito. O Partido Democrático
de Afonso Costa era maioritário na Câmara dos Deputados, mas os evolucionistas
liderados por António José de Almeida e os unionistas de Brito Camacho detinham
o controlo do Senado.
Para os democráticos, a participação na Guerra poderia trazer a paz interna e a
glória externa. Mais, era uma ocasião de ouro para reafirmar a hegemonia do
Partido Democrático sobre os demais partidos republicanos. Nas palavras de
António Telo, a guerra «era a espada que podia cortar o nó górdio do que
parecia ser a inevitável queda da República radical e promover um renascimento
nacional»
21
. A maior dificuldade dos intervencionistas foi a de fazer erguer essa grande
vaga que teimava em não aparecer. É que esta só poderia surgir no horizonte de
duas formas: através de um ataque alemão ou de um pedido inglês em nome da
aliança.
Relativamente ao primeiro aspecto importa sublinhar, como já referimos, que
durante os primeiros dois anos da guerra se registaram confrontos entre forças
militares portuguesas e alemãs no Sul de Angola e no Norte de Moçambique sem
que Portugal tivesse quebrado o seu estatuto de neutralidade. Acresce que
durante este período as relações diplomáticas entre os dois países não sofreram
qualquer alteração
22
.
Relativamente ao segundo ponto importa clarificar qual a posição inglesa
relativamente ao posicionamento de Portugal no conflito.
Assim que deflagrou o conflito o Governo inglês pediu que Lisboa não declarasse
a neutralidade nem a beligerância, uma vez que a declaração de neutralidade
implicava um conjunto de obrigações que colocava os beligerantes em situação de
igualdade. O Governo de Sua Majestade solicitou ainda várias facilidades de
ordem logística e mesmo a compra de armas. Londres conhecia bem a fragilidades
das forças armadas portuguesas e temia ter de assumir pesados encargos caso
Portugal declarasse a beligerância. Por outro lado, a imediata entrada de
Portugal poderia ter consequências em Espanha e em Itália (país que integrava a
Tríplice Aliança mas que se mantinha neutral), sendo que para os aliados a
evolução do posicionamento destes dois países era muito mais importante do que
a beligerância portuguesa. Finalmente, a entrada de Portugal na guerra
impediria que os seus territórios coloniais viessem a ser utilizados num
cenário de paz de compromisso com a Alemanha. Nesse sentido, tem razão Rui
Ramos quando, evocando João Chagas, então embaixador em Paris e um dos mais
acérrimos intervencionistas, defende que, em primeiro lugar, Portugal teve que
lutar contra a Inglaterra
23
. João Chagas foi precisamente um dos principais opositores da política
moderada do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Freire de Andrade, que
entendia que o País deveria apenas responder positivamente às solicitações da
aliada. O escritor Aquilino Ribeiro relata no seu diário um encontro que
manteve com o representante diplomático de Portugal em França, que é bem
revelador da postura dos radicais
24
.
A porta da beligerância que os democráticos procuravam atravessar abriu-se
ligeiramente em Setembro de 1914, quando a França solicitou a Portugal a
cedência de peças de artilharia que eram necessárias na frente europeia. Tinha
finalmente chegado a oportunidade por que ansiavam. O ministro da Guerra
defendeu então que a «honra» das Forças Armadas estaria em causa se as armas
fossem enviadas para França sem os respectivos artilheiros. O Governo francês
não contrariou este argumento e aceitou o envio dos artilheiros e das peças.
A passagem pela porta começava a fazer-se sem grandes dificuldades. No entanto,
era preciso mais. Era necessário escancará-la e transformá-la num arco de
triunfo. Perante a resposta francesa, o Governo português respondeu que sendo
assim, e uma vez que não se desejavam ferir susceptibilidades no seio do
exército português, era preferível optar pelo envio de uma divisão completa.
Acontece que o País estava longe de poder dispor, num curto espaço de tempo, de
uma divisão completa, efectivamente preparada para combater. Por isso o Governo
português aceitou a sugestão inglesa: primeiro seguiriam as peças de
artilharia, depois, numa segunda fase iriam os homens e as restantes armas,
assim que as tropas estivessem preparadas
25
. Para muitos observadores nacionais e estrangeiros muito provavelmente este
cenário nunca se iria verificar, isso explica porque mais tarde se designou
como «milagre» à instrução dada em Tancos. Perspectivando-se a criação de um
executivo de Unidade Nacional, caiu o governo de Bernardino Machado. O novo
Governo, apoiado pelo Partido Democrático, era liderado pelo antigo presidente
da Câmara dos Deputados, Vítor Hugo de Azevedo Coutinho, mas rapidamente ficou
conhecido como «os miseráveis de Vítor Hugo». É que a unidade ficou
comprometida assim que Brito Camacho tornou pública a sua oposição à política
dos democráticos. Camacho teve conhecimento da posição inglesa relativamente ao
envolvimento de Portugal na guerra e defendeu que o País deveria limitar-se a
satisfazer os pedidos da aliada. Posicionamento idêntico era partilhado por um
importante sector do Exército, que não escondeu o seu descontentamento: Vários
oficiais manifestaram o seu desagrado relativamente à política intervencionista
entregando ao Presidente da República as suas espadas.
Perante esta agitação, que ficou conhecida como o «movimento das espadas», o
Presidente Arriaga chamou um militar, o general Pimenta de Castro, para chefiar
um novo governo que se pretendia «nacional» e que tomou posse em Janeiro de
1915. O envio de uma força expedicionária para França deixou de ser prioritário
e apenas se mantiveram os preparativos para o envio de novas forças para
África.
A nível interno, Pimenta de Castro promoveu a realização de nova legislação
eleitoral e anunciou que, contrariamente ao previsto, o parlamento não iria
reabrir, o que implicava o adiamento das eleições. Os democráticos responderam
organizando uma reunião de deputados e de senadores em Santo Antão do Tojal de
onde saíram apelos à revolta. Esta foi alastrando, alimentada por sentimentos
antimonárquicos, já que os monárquicos tinham deixado de ser perseguidos
durante o governo de Pimenta de Castro. A iniciativa partiu da Marinha, que na
madrugada do dia 14 de Maio se revoltou contra o Governo. As forças leais ao
executivo bombardearam os navios revoltados e estes responderam abrindo fogo
sobre a cidade. A capital esteve à beira da guerra civil e mesmo a demissão do
Governo não impediu a continuação dos confrontos onde participam inúmeros civis
armados. O poder passou então para uma Junta Constitucional que levou o País a
eleições em Junho de 1915.
Controlando a máquina eleitoral, os democráticos conseguiram uma larga maioria
e obtiveram mais de dois terços nas câmaras dos deputados e dos senadores.
Entretanto, Manuel de Arriaga apresentou a demissão, e foi substituído por
Teófilo Braga. Afonso Costa não queria ir para o governo pois sabia que se o
fizesse não poderia implementar a política intervencionista que vinha
advogando, mas acabaria por assumir a chefia do executivo meses depois, no
final de Novembro de 1915
26
. Os democráticos tinham finalmente o poder. No entanto, este não era
suficiente para que a estratégia intervencionista pudesse ser imediatamente
posta em prática. Faltava pouco.
No início de 1916, o Governo francês sugeriu que a Inglaterra solicitasse a
requisição dos navios alemães que se encontravam nos portos portugueses. A
acção dos submarinos alemães estava a causar sérios problemas ao esforço de
guerra aliado e os navios alemães que se tinham refugiado nos portos dos países
neutrais quando se iniciou o conflito começaram a ser muito cobiçados. No
segundo dia de Fevereiro de 1916, a Inglaterra solicitou ao Governo de Lisboa a
requisição desses navios. O Governo português respondeu que aceitaria
satisfazer a solicitação, mas exigiu que esse pedido fosse feito em nome da
aliança, de forma a salvaguardar eventuais represálias. No dia 17 desse mês
surgiu o almejado pedido: em nome da aliança, a Inglaterra solicitava a
requisição de todos os navios inimigos que se encontravam em portos
portugueses. No final de Fevereiro, o pedido foi levado a cabo com particular
ênfase e empenho: Numa operação surpresa, os navios alemães foram ocupados e as
bandeiras alemãs foram substituídas pelas das cinco quinas. A 9 de Março surgiu
a resposta formal da Alemanha que se declarou em estado de guerra com Portugal.
O primeiro objectivo dos intervencionistas fora conseguido. Faltava no entanto
o segundo, tão ou mais importante que o primeiro. O envio de uma força
expedicionária para França.
Para alcançar este objectivo era importante, em primeiro lugar, procurar o
maior número possível de suporte político. Este desiderato já se tinha
verificado em 1914 e não tinha sido bem-sucedido. Com a declaração de guerra
alemã, os democráticos esperaram que fosse possível um entendimento alargado.
No dia 10 de Março de 1916, numa sessão conjunta, as duas câmaras votaram a
favor da criação de um executivo de reconciliação nacional que abarcasse as
várias sensibilidades políticas. Acontece que rapidamente se percebeu que esse
alargamento não deveria ser tão lato que englobasse os católicos e menos ainda
os monárquicos. Os unionistas de Brito Camacho aproveitaram essas exclusões
para permanecerem de fora. Posicionamento idêntico foi adoptado pelo Partido
Socialistas Português. Restavam os evolucionistas de António José de Almeida,
que aceitaram integrar o novo executivo. Para contrabalançar a hegemonia dos
democráticos, a liderança do Governo foi entregue ao líder dos evolucionistas.
No entanto, o envio de uma força expedicionária para a frente europeia
continuava a encontrar resistências na velha aliada. Em Abril de 1916, o
Governo inglês defendeu que a melhor forma que Portugal tinha para participar
na guerra seria através de um reforço do esforço militar em Moçambique e de uma
intensificação das defesas marítimas do País. Esta posição foi contrariada por
Afonso Costa, que nesse Verão se deslocou a Londres para tratar pessoalmente do
assunto. As armas negociais utilizadas foram os navios alemães apreendidos. Em
troca de uma participação de Portugal ao lado dos aliados na frente europeia e
da obtenção de um empréstimo que serviria para cobrir todos os encargos que
essa participação envolvia (transportes, abastecimentos, treinos e armas,
etc.), o Governo de Lisboa cederia à aliada 80 por cento dos navios apreendidos
27
. Quando a questão se tornou pública, embora sem que todos os seus contornos
tivessem sido conhecidos, Brito Camacho tratou de sublinhar as contradições dos
democráticos: Portugal tinha-se apoderado dos navios alemães para fazer face às
necessidades económicas que atravessava; como consequência, a Alemanha tinha
declarado guerra a Portugal mas o Governo tinha decidido desfazer-se de boa
parte dos navios
28
.
Acontece que, como já observámos, não foi esta a única, nem mesmo a principal
razão que levou o Governo português a responder tão prontamente ao pedido
inglês. No entanto, foi este o argumento que permitiu o envio de um corpo
expedicionário para França.
Após a declaração de guerra feita pela Alemanha, iniciaram-se as diligências
tendo em vista a constituição de uma divisão que deveria combater na frente
ocidental. Para esse efeito foi montado um campo de instrução em Tancos. Várias
revoltas, que segundo os democráticos eram impulsionadas pelos monárquicos,
cedo revelaram o descontentamento do exército relativamente às teses
intervencionistas. O conflito desenvolvia-se há dois anos e, apesar da censura,
conheciam-se bastante bem os seus efeitos devastadores. O sonho dos louros e da
glória tinha um lado cada vez mais negro e sangrento e, embora em guerra com a
Alemanha, não existia qualquer sentimento de ameaça concreta que pudesse
sublimar as virtudes da guerra. No final de 1916, o histórico herói da Rotunda,
Machado dos Santos, encabeçou um movimento contra o envio de forças para a
frente europeia. Não eram só os monárquicos que não viam com bons olhos os
embarques para França. Em Janeiro de 1917, Portugal e Inglaterra assinaram
finalmente a convenção militar que iria reger a participação portuguesa na
frente europeia. Este documento estipulava que Portugal enviaria uma divisão
reforçada, que se traduzia em 35 mil homens. Nesse mesmo mês seguiram as
primeiras tropas. Pouco depois, Portugal sugeriu o envio de mais 20 mil
militares, de forma a que fosse possível constituir duas divisões, proposta que
foi aceite pela Inglaterra. O transporte das tropas portuguesas foi um processo
lento e moroso que se prolongou por onze meses. Apenas em Novembro de 1917
Portugal ocupou o seu sector que se estendia por cerca de 12 quilómetros no Sul
da Flandres, no vale do rio Lys.
A esperada onda de patriotismo não varreu o País e, além dos problemas
relacionados com a participação de Portugal na guerra, o Governo debateu-se com
os graves problemas económicos e financeiros. Estes problemas estão na origem
da ruptura da coligação dos evolucionistas com os democráticos. Em Maio de
1917, foi atingido um novo patamar de conflitualidade social e Lisboa viveu em
clima pré-revolucionário. No final desse ano, Sidónio Pais liderou com sucesso
uma junta revolucionária que derrubou o Governo. Pouco tempo depois, a batalha
de La Lys revelaria as debilidades da política voluntarista dos democráticos.
A nível interno a estratégia intervencionista revelou-se um completo fracasso.
Apesar do carácter efémero do regime de Sidónio, a República jamais se
recomporia das divisões internas que a corroíam. A nível externo, apesar dos
diversos erros cometidos, manteve-se o que era considerado essencial: o império
e a dualidade peninsular. No entanto, não é a participação de tropas
portuguesas nos campos da Flandres que explica esta situação. Como noutras
ocasiões, a manutenção da integridade nacional deveu-se essencialmente a
factores externos que inviabilizaram uma acção concertada das grandes
potências.
O travo amargo da derrota militar de La Lys é um dos elementos essenciais na
queda da República e na implantação da ditadura militar. Já os espectros da
partilha do império, da unidade peninsular e das crónicas debilidades
financeiras do país, estão na origem da afirmação política de Oliveira Salazar
que dará particular atenção a todas essas questões.
Data de recepção: 9 de Abril de 2014
Data de aprovação: 14 de Maio de 2014
Notas
1
A pedido do autor este texto não adopta as normas do novo Acordo Ortográfico.
2
Sobre o ultimato ver: Teixeira, Nuno Severiano ' O Ultimatum Inglês. Política
Externa e Política Interna no Portugal de 1890. Lisboa: Publicações Alfa, 1990.
3
Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à Realidade. Lisboa:
Editorial Presença, 2010, p. 237.
4
Ramos, Rui ' A Segunda Fundação (1890-1926). Lisboa: Editorial Estampa, 1994,
pp. 145-146.
5
Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à Realidade. pp. 245-248.
6
Ibidem, pp. 288-294.
7
Hobsbawn, Eric J. ' A Era do Império 1875-1914. Lisboa: Editorial Presença,
1990, p. 79.
8
Afonso, Aniceto ' «Portugal e a guerra nas colónias». In Rosas, Fernando, e
Rollo, Maria Fernanda (coord.) ' História da Primeira República Portuguesa.
Lisboa: Tinta-da-China, 2009, p. 293.
9
Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à Realidade, p. 437.
10
Ibidem, pp. 260-261; Ramos, Rui ' «Aparências e realidades: os republicanos
perante a Aliança Inglesa até à Primeira Guerra Mundial». In Meneses, Filipe
Ribeiro de, e Oliveira, Pedro Aires de (coord.) ' A I República Portuguesa:
Diplomacia, Guerra e Império. Lisboa: Tinta-da-China, 2011, pp. 97-98; Gómez, Hipólito de la Torre ' «A I República e a Espanha». In
Meneses, Filipe Ribeiro de, e Oliveira, Pedro Aires de (coord.) ' A I República
Portuguesa: Diplomacia, Guerra e Império, pp. 120-121.
11
Goméz, Hipólito de la Torre ' El Império del Rey. Alfonso XIII, Por tugal y los
ingleses (1907-1916). Mérida: Editora Regional de Extremadura, 2002, pp. 77-80.
12
Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à Realidade. p. 268.
13
Goméz, Hipólito de la Torre ' El Império del Rey. Alfonso XIII, Portugal y los
ingleses (1907-1916), pp. 118-123.
14
Ibidem, pp. 143-144.
15
Goméz, Hipólito de la Torre - El Império del Rey. Alfonso XIII, Portugal y los
ingleses (1907-1916), p. 154.
16
Ibidem, p. 86.
17
Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à Realidade, pp. 278-286; Goméz, Hipólito de la Torre ' El Império del Rey. Alfonso
XIII, Portugal y los ingleses (1907-1916), p. 127.
18
Sobre a entrada de Portugal na Primeira Guerra veja-se Teixeira, Nuno Severiano
' O Poder e a Guerra 1914-1918. Objectivos Nacionais e Estratégias Políticas na
Entrada de Portugal na Grande Guerra. Lisboa: Editorial Estampa, 1996; veja-se também a síntese do mesmo autor, «Portugal na Grande
Guerra, 1914-1918: as razões da entrada e os problemas da conduta». In
Teixeira, Nuno Severiano (coord.) ' Portugal e a Guerra. Lisboa: Edições
Colibri, 1996, pp. 55-69.
19
Teixeira, Nuno Severiano ' «Portugal na Grande Guerra 1914-1918: as razões da
en-trada e os problemas da conduta», pp. 56-62.
20
Ramos, Rui ' A Segunda Fundação (1890-1926), p. 516.
21
Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à Realidade, p. 299.
22
Esta situação é salientada no último livro de José Medeiros Ferreira, Ferreira,
José Medeiros ' Não Há Mapa Cor-de-Rosa. A História (Mal)dita da Integração
Europeia. Lisboa: Edições 70, 2013, p. 15.
23
Ramos, Rui ' A Segunda Fundação (1890-1926), pp. 498-499.
24
Aquilino transcreve assim as afirmações proferidas por João Chagas no encontro
que ambos mantiveram na Embaixada de Portugal em Paris no dia 3 de Agosto de
1914: «Portugal ainda não declarou a beligerância, não senhor, e todavia é
urgente que a declare. É uma questão de decoro e de independência. Se quer
viver, se quer ser alguém no concerto da Europa futura, apressa-se a entrar em
guerra com o pouco que tem, com o pouco que pode dar, contra os impérios
centrais. O contrário é o suicídio»; «De hoje em diante tomo a peito levar o
meu país à guerra; vou pregar a cruzada; serei Pedro Eremita [ ] Todas as
razões e mais uma nos aconselham a entrar em guerra. O próprio interesse da
humanidade». Este posicionamento de Chagas levou Aquilino a questionar-se: «Em
nome de que justa, necessária causa, se podem despachar par a o matadoiro os
meus pobres, ignorantes, pacíficos labregos?». Ribeiro, Aquilino ' É a Guerra.
Diário. Lisboa: Livraria Bertrand, 1975, pp. 63-65.
25
Sobre este episódio ver: Ramos, Rui ' A Segunda Fundação (1890-1926), pp. 499-
500; e Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à
Realidade, pp. 308-310.
26
Ramos, Rui ' A Segunda Fundação (1890-1926), pp. 512-514;
Meneses, Filipe Ribeiro de ' «Intervencionistas e anti-intervencionistas». In
Rosas, Fernando, e Rollo, Maria Fernanda (coord.) ' História da Primeira
República Portuguesa. Lisboa: Tinta-da-China, 2009, pp. 267-276.
27
Telo, António José ' Primeira República I. Do Sonho à Realidade, pp. 336-337.
28
Meneses, Filipe Ribeiro de ' «A União Sagrada». In Rosas, Fernando, e Rollo,
Maria Fernanda (coord.) ' História da Primeira República Portuguesa, p. 281.
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