As implicações teórico-práticas da externalização da segurança interna: o caso
dos países sul-americanos fronteiriços da Colômbia
Introdução
O desfecho da contenda bipolar que manteve os estados em suspenso durante perto
de cinco décadas redundou em tempos de acentuado otimismo em relação ao devir
dos assuntos da paz e da segurança internacional. Contudo, o cenário
internacional evidenciou rapidamente que, além de não ter desaparecido, a
conflitualidade enveredava por um caminho distinto daquele que imperou durante
grande parte do século xx. Nessa época, os conceitos de segurança e defesa
encontravam-se claramente definidos e diferenciados, e a abordagem analítica
centrava-se exclusivamente na preocupação em torno da guerra, como mecanismo
para ganhar poder e resolver disputas interestatais, dada a relevância absoluta
das capacidades materiais na definição do curso da política internacional. Ora,
finda a Guerra Fria, essa clareza teórico-conceptual foi cedendo perante um
cenário de segurança que se tornou mais complexo com a emergência de uma
categoria distinta de ameaça; a conflitualidade tradicional passou a partilhar
o palco com outras ameaças de cariz não tradicional.
Nesse sentido, e pondo de parte problemáticas decorrentes de rivalidades
étnicas e tendências separatistas, a conflitualidade passa a estar ligada a
ameaças não tradicionais como sejam o terrorismo, o crime organizado
transnacional e a proliferação de armas não convencionais que, com o
aprofundamento e a ampliação da globalização, ganham projeção e potencialidade.
Assim, integram as agendas de segurança enquanto ameaças não militares,
emergindo no interior dos estados e sendo levadas a cabo por distintos atores,
cujo acionamento tem alcance transnacional. Resultam num novo tipo de
conflitualidade, desenvolvido dentro das fronteiras nacionais e, através delas,
interligando a segurança dos países. Nessa conjuntura, produz-se um processo de
externalização da segurança dos estados e, consequentemente, o conceito de
política de segurança pública deixa de ser pertinente para denominar as medidas
implementadas para combater as ameaças internas porque também se começa a
assistir a ações que correspondem ao âmbito da defesa nacional, logo à esfera
da política externa.
Atendendo à relevância desta temática e ao clima de debate político-académico
que gera, este artigo analisa a ocorrência do referido processo de
externalização e as suas consequências teórico-práticas. Para o efeito, o caso
de referência empírica em apreço refere-se às decisões de segurança dos países
sul-americanos fronteiriços da Colômbia, no período entre 2000 e 2011, no
tocante a situações de segurança nas zonas de fronteira partilhadas com o seu
vizinho andino.
A esse respeito, justifica-se adiantar três pressupostos de base que delineam o
quadro teórico do presente trabalho. Em primeiro lugar, a aproximação ao
processo de externalização da segurança está em sintonia com a visão
interméstica1 das relações internacionais de Putnam2, entendendo-se que, além
de estar ligada a variáveis sistémicas, a política externa de um Estado está
condicionada pelo seu ambiente interno. Em segundo lugar, considera-se o
contributo de Buzan e Wæver3 sobre os complexos regionais de segurança para
abordar a relação entre determinados atores estatais. De acordo com os autores,
a América do Sul forma um complexo regional de segurança dadas as intensas
ligações existentes nesse âmbito entre os estados e por aí vigorar um padrão
tradicional de amizade-inimizade; por seu turno a região andina ergue-se em
subcomplexo por apresentar uma dinâmica específica à volta do narcotráfico e
dos grupos armados, que constituem ameaças relevantes. Tendo por referência
essa proposta, e tendo as referidas ameaças um forte impacto nas zonas
fronteiriças, considera-se pertinente e necessário incluir o Brasil no referido
subcomplexo regional. Por último, também se parte do trabalho de diversos
analistas como Baylis e Brown4 no que diz respeito ao alargamento do conceito
de segurança no contexto do pós-Guerra Fria, o qual contribui para entender as
mudanças que perpassam à lógica da conflitualidade entendida em termos
tradicionais.
Finalmente, de um ponto de vista metodológico, o artigo apresenta uma abordagem
qualitativa dado a sua grande pertinência para a obtenção e reconstrução de
evidências empíricas. Concretiza-se através de um estudo de caso para, no
final, explicar como sucedem os factos e porquê encontrar causas imediatas e
levar à sua contextualização precisa. Por outro lado, as técnicas de recolha de
dados assentam em repositórios bibliográficos e documentais, fontes escritas
primárias e secundárias, aplicando-se-lhes técnicas da análise dos conteúdos
dadas as dificuldades de proceder a uma observação direta do fenómeno em causa
e, mais geralmente, a elevada fragmentação da realidade internacional.
Por último, cabe adiantar que o artigo se estrutura em três partes. O primeiro
capítulo introduz o cenário de segurança colombiano e o impacto do alastramento
das suas ameaças não tradicionais nas zonas fronteiriças dos estados vizinhos.
O segundo, aborda as políticas públicas que esses estados implementam para
neutralizar o dito efeito, ao ponto de condicionarem as suas políticas
externas, daí se extraindo consequências práticas para o processo de
externalização da sua segurança. Finalmente, inferem-se as consequências
teóricas enraizadas na necessidade de dar conta da dupla conotação, interna e
externa, das referidas políticas5.
A problemática Colombiana como catalisador do processo de externalização da
segurança nas zonas de fronteira com os Estados vizinhos
A Colômbia vive desde há décadas um conflito armado protagonizado, no
essencial, pelas guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(FARC) e pelo Exército de Libertação Nacional (ELN) assim como distintos grupos
paramilitares. A partir dos anos 1990, somou-se ao persistente conflito a
intensa atividade das redes de narcotráfico, dando origem a uma situação
complexa em termos de segurança e sendo objeto de análise a nível
internacional. Este cenário de violência pode medir-se mediante alguns dados
tão pontuais quanto representativos. Por volta do ano 2000, registaram-se na
Colômbia 1403 vítimas de massacres e 26 540 vítimas de homicídio; foram
assassinados 115 sindicalistas, 144 indígenas, 34 candidatos a cargos públicos
e sequestradas 29 pessoas; foram denunciados 3700 sequestros; houve 700
desaparecimentos forçados, 450 vítimas de tortura, 821 ataques a
infraestruturas, 270 mil pessoas deslocadas, 620 pessoas afetadas ou mortas por
minas antipessoal, e mais de mil ações armadas perpetradas pela guerrilha6.
Este contexto abrange o território nacional na sua íntegra, embora afete com
maior virulência as zonas de fronteira, historicamente enfermas da atenção e
presença do Estado. O Estado é virtualmente inexistente em termos de controlo e
vigilância fronteiriça e as zonas adjacentes encontram-se desarticuladas do
resto do território dada a ausência de infraestruturas energéticas, hídrica e
de comunicações. Trata-se, portanto, de áreas geográficas absolutamente
vulneráveis à ação de grupos armados e redes de narcotráfico.
Consequentemente, em finais dos anos 1990, na zona de fronteira com o Peru,
proliferaram cultivos nas margens do Putumayo bem como pistas de aterragem
clandestinas para fazer a distribuição da cocaína com destino aos Estados
Unidos, passando pelas Caraíbas7. No Putumayo e no Nariño, dois departamentos
que confinam com o Equador, concentravam-se 37 por cento dos cultivos de coca
cujo controlo era alvo de disputa entre guerrilha e paramilitares8. Idêntica
situação repete-se na zona fronteiriça com a Venezuela, onde além disso se
localiza uma base de assentamento do ELN. Por último, destaque-se na fronteira
com o Brasil a mineração informal, em especial o garimpo do ouro, uma atividade
protegida e patrocinada pelas FARC. Sem esquecer Guainía e Vaupes onde se
encontravam cultivos de coca junto aos principais rios, diversas rotas
terrestres de tráfico e a presença permanente das frentes n.º 1 e n.º 16 das
FARC9.
Desse modo, nas zonas sul-americanas fronteiriças da Colômbia existem grupos
ilegais e uma importante atividade de produção e tráfico de drogas. Esta
situação é claramente delicada para os países limítrofes cujos territórios
fronteiriços, excetuando o Brasil, se deparam com problemáticas estruturais por
faltar uma presença ativa do Estado e, para todos os efeitos, por estarem
arredados da dinâmica preponderante do território nacional. Ademais, nelas
imperam condições socioeconómicas negativas enraizadas, a par de situações de
pobreza e exclusão crónicas e de uma lassa presença do Estado, criando
condições favoráveis ao desenvolvimento de ameaças que o confronto armado e o
narcotráfico colom biano. Nesses termos, o potencial de perigosidade inerente
ao efeito de contágio da violência a partir da Colômbia constitui um assunto de
primeiro plano nas agendas de segurança do Peru, do Brasil, do Equador e da
Venezuela neste novo século. Tanto mais que, no ano de 2000, a implementação do
Plano Colômbia e de outros dois planos nos anos subsequentes, Plano Patriota e
Plano Victoria, determinou um combate militar apontado às guerrilhas o que
arrastou a sua deslocação territorial para as zonas de fronteira10.
Acompanhando os estudos internacionais teóricos sobre a temática, podia-se
prognosticar esse recuo territorial da guerrilha e das atividades ilegais, como
mecanismo de sobrevivência própria, eludindo a pressão militar e prolongando o
conflito11. Deste modo, as FARC, em especial, aumentaram as suas oportunidades
de arranjar um local de descanso, refúgio e abastecimento12. Neste quadro, o
impacto desse deslocamento interno para zonas de fronteira com estados vizinhos
também era de esperar. Ainda mais, tratando-se de espaços amplamente
permeáveis. A esse propósito, convém referir que as zonas de fronteira na
América Latina, regra geral, são áreas muito pouco desenvolvidas, em muitos
casos despovoadas e amiúde esquecidas pelo Estado. Ou seja, apresentam
condições que facilitam a reprodução de atividades ilegais e as incursões de
grupos armados como aqueles que combatem na Colômbia.
Na zona de fronteira com o Peru, cuja extensão de 1626 quilómetros corresponde
em 80 por cento ao rio Putumayo13, as atividades lícitas e ilícitas giram à
volta do abastecimento logístico dos grupos de guerrilheiros e narcotraficantes
colombianos. Entre 2000 e 2011, dado o papel deste país enquanto segundo
cultivador de coca, produtor de pasta base, refinador e exportador de
cocaína14, mantiveram-se vigentes as rotas de trânsito da pasta base na sua
franja junto à fronteira com a Colômbia. Além disso, as fumigações dos cultivos
no Amazonas e Putumayo levaram, a partir de 2004, a um aumento dos hectares
plantados15, concentrando-se algumas dessas áreas à volta das bacias fluviais
da zona fronteiriça, e de forma mais sustentada entre 2005 e 200916. O que
evidencia a deslocação relativa e paulatina dos cultivos a partir dos
departamentos colombianos, ao que se juntou o recrutamento, pela guerrilha
colombiana, de jovens peruanos para as sementeiras17.
Quanto à zona de fronteira com o Brasil, com uma extensão de 1669 quilómetros
de selva, foi alvo de algumas incursões violentas por parte das FARC em finais
da década de 1990, tendo desencadeado medidas de controlo18. Não obstante,
entre 2000 e 2011, a zona de fronteira continuou a abrigar o tráfico de
reativos químicos e de cocaína colombiana19e, ainda, em distintas ocasiões as
autoridades colombianas divulgaram a existência de refúgios da guerrilha20. Por
outro lado, a maioria da população deslocada entra ilegalmente no Brasil,
fugindo ao recrutamento forçado das FARC21, enquanto os números de refugiados e
requerentes de asilo registados pelo ACNUR, embora baixos22, sobem
sustentadamente a partir de 1999 e ganham mais ênfase a partir de 2002.
Relativamente à zona de fronteira com o Equador, cuja extensão de 586
quilómetros conjuga selva e montanha, evidencia-se a instalação e o
aprovisionamento logístico e de bens de primeira necessidade dos acampamentos
de descanso e treino da guerrilha colombiana23. Esse panorama perdura entre
2000 e 2011, tal como o tráfico de precursores químicos com destino à Colômbia,
o armazenamento e exportação de cocaína24 e as plantações de coca nos rios San
Miguel e Putumayo25. A presença das FARC gera situações criminais e de
violência, incluindo a importação de determinados modus operandi delituosos26,
sendo Sucumbíos e San Lorenzo as localidades mais afetadas27. Para completar o
cenário, ocorrem deslocamentos populacionais para territórios tradicionalmente
pobres, marginalizados e violentos, agudizando-se a crise sanitária e
humanitária nas orlas do San Miguel e do Putumayo28. Os registos do ACNUR
dispararam no ano de 2000, aumentando a ritmo constante, tanto que em 2010
contabilizaram-se 52 100 refugiados, 39 700 requerentes de asilo e 68 300 em
situação de refúgio29, vaticinando-se a subida desses números30.
Por último, a zona de fronteira com a Venezuela, estendendo-se por 2219
quilómetros por uma geografia inóspita, foi décadas a fio uma área de trânsito
e recetáculo da cocaína colombiana assim como de refúgio para grupos ilegais
que, ainda por cima, não só se confrontavam mutuamente como enfrentavam as
forças públicas venezuelanas31. Entre 2000 e 2011, o trânsito de precursores
químicos e de cocaína manteve-se fluido32, enquanto o avanço militar do Governo
colombiano fomentou a transferência dos grupos armados para a Venezuela onde se
geraram cenários de combate, tendo inclusive as forças nacionais capturado
paramilitares e guerrilheiros33. Além de o Governo colombiano ter acusado o
Governo venezuelano de conivência com as FARC.
Finalmente, mal os deslocamentos de pessoas dispararam em 2004 e 2005 e o
número de requerentes de asilo aumentou, embora irregularmente, em 2010
verifica-se uma mudança radical, sendo contabilizadas 200 mil pessoas em
situação de refúgio, 15 490 requerentes de asilo e 2790 refugiados34. Números
que não incluem as comunidades indígenas colombianas que são acolhidas
regularmente35 sendo que o ACNUR adverte para o aumento dos números.
A análise destes cenários indica que a conflitualidade armada e a atividade do
narcotráfico continuam a extravasar as fronteiras da Colômbia e exercem uma
influência considerável no período 2000-2011. Por um lado, nas faixas
fronteiriças com o Peru, o Equador e a Venezuela esses cenários de segurança
tornam-se mais complicados. No Peru, a fronteira permanece permeável a essas
ameaças, enquanto as relações de Quito e Caracas com Bogotá são afetadas em
virtude dos crescentes surtos de conflitualidade36. No Brasil, por outro lado,
o impacto do surto de violência é bem menor porque o Estado se preocupou e cedo
tratou de desdobrar a sua presença de um modo preventivo. Não obstante, os
problemas de violência, os deslocamentos, as rotas dos tráficos e as ações
armadas não deixaram de se manifestar pelo que não é possível afirmar
categoricamente que não haja um derramamento da conflitualidade.
Deste modo, os desafios de segurança que o Peru, o Brasil, o Equador e a
Venezuela enfrentam habitualmente nas suas zonas de fronteira no final da
década de 1990, são potenciados entre 2000 e 2011 pelas manifestações de
conflitualidade com origem na Colômbia, associadas ao deslize das ameaças dos
grupos armados e às atividades dos narcotraficantes. Nesse sentido, portanto,
pode-se afirmar que as ameaças não tradicionais que perpassam as fronteiras
desses estados levam a um processo de externalização da sua segurança respetiva
e a observação desse fenómeno prende-se com o reforço das políticas públicas
implementadas para dar resposta à situação de segurança doméstica. No capítulo
seguinte explicitam-se essas políticas.
As políticas públicas instrumentalizadas pelos Estados fronteiriços:
consequências práticas do processo de externalização
Conforme se adiantou, o processo de externalização da segurança nas zonas de
fronteira do Peru, do Brasil, do Equador e da Venezuela evidencia o impacto das
ameaças não tradicionais originadas na Colômbia. Não obstante, de um prisma
intermestico atento aos condicionalismos internos que influem sobre a conceção
e execução da política externa de um Estado, também se pode afirmar que as
políticas de segurança pública desenvolvidas pelos referidos países revelam
esse processo de externalização na medida em que condicionam as suas políticas
externas. Em primeiro lugar, porque as políticas de segurança se entrelaçam com
medidas do foro da defesa nacional que, por sua vez, faz parte integrante da
política externa de um Estado. Em segundo lugar, o desenvolvimento e a expansão
efetivos e potenciais das ameaças não tradicionais também influem sobre a
política externa, condicionando o contexto no qual os estados desenvolvem o seu
relacionamento. Ambas as questões podem ser observadas pelo reforço das
políticas de segurança públicas de Lima, Brasília, Quito e Caracas nas suas
zonas de fronteira respetivas, motivo pelo qual essas políticas são entendidas
como consequências práticas do processo de externalização da segurança dos
referidos estados.
Em relação ao primeiro ponto, convém considerar que tanto o narcotráfico como o
confronto dos grupos armados colombianos envolvem recursos económicos,
logísticos, humanos, armamentísticos e de inteligência que potenciam a sua
perigosidade. Tudo isso soma-se à complexidade da geografia fronteiriça
resultando na centralidade das Forças Armadas que, devido à sua perícia
profissional, são o ator melhor apetrechado e com mais capacidades para
combatê-los numa perspetiva de treino, equipamento e tipo de armamento.
Neste quadro, por volta do ano 2000, o Peru aumentou o envio de tropas para a
sua fronteira norte, duplicou os postos de vigilância em Loreto e criou, em
2008, o Comando Operacional da Amazónia. Na zona de desenvolvimento económico e
social da fronteira, estabeleceu o Conselho Nacional de Desenvolvimento das
Fronteiras bem como três comissões macrorregionais de desenvolvimento das
fronteiras mandatadas para formular estratégias de desenvolvimento a longo
prazo, pese embora ainda não tenham apresentado resultados tangíveis37.
O Brasil, pelo seu lado, concretizou a Operação Cobra (2000), o Plano Nacional
de Segurança Pública (2000) e o Programa Calha Norte (1985), todos eles
escorados no acionamento das Forças Armadas para reforçar a vigilância e o
controlo da fronteira. Inclusive contêm medidas de cunho económico e social
para responder às necessidades de desenvolvimento das populações fronteiriças e
para lidar com as condições estruturais que favorecem o enraizamento do tráfico
como meio de subsistência. As modificações na organização da instituição
castrense, contempladas no Plano de Bases para a Estruturação do Exército e a
Doutrina Gama38, bem como as características dos múltiplos exercícios de treino
também dão conta da importância do ator militar na defesa da zona fronteiriça
junto à Colômbia.
No Equador, o Governo estabeleceu a Política de Segurança para a Fronteira
Norte (2000) com o respetivo Plano Operativo (2001); definiu a zona de
fronteira como sendo Área de Reserva e Zona Fronteiriça sob controlo militar
(2003); lançou o Plano Emergente da Fronteira Norte e o Plano de Fortalecimento
(2008) e apresentou o Plano de Defesa Interna «Pátria I» com vista à
redistribuição das forças na fronteira39. Todas estas medidas visam fortalecer
a presença militar40.
Por fim, a Venezuela adotou medidas de caráter defensivo no quadro de uma
relação bilateral atravessada por uma lógica de ciclos de tensão com picos de
alta conflitualidade política. Assim sendo, procedeu ao envio de tropas para a
região da fronteira, ao anúncio da aquisição de novos equipamentos bélicos, ao
reforço de unidades blindadas mecanizadas, à instalação de equipamentos de
apoio tático nas bases fronteiriças e ao aumento das unidades navais
artilhadas41.
Consequentemente, em qualquer um destes casos assiste-se a uma intensificação
do papel das Forças Armadas e ao preenchimento das questões de segurança
interna pela defesa nacional, que se lhe sobrepõe.
No tocante ao segundo ponto, relativo à influência do desenvolvimento e da
expansão das ameaças não tradicionais sobre a política externa, condicionando o
contexto em que os estados se relacionam, deparamo-nos com diferentes cenários.
Seguindo a linha de Buzan e Wæver, refletem a forma como a dinâmica de
segurança do subcomplexo regional, no qual os surtos de violência provenientes
da Colômbia são percecionados como uma ameaça, influindo na acentuação do
caráter cooperativo ou conflituoso das relações que se estabelecem entre Bogotá
e os seus vizinhos.
O primeiro desses cenários encontra-se marcado por um desenvolvimento da ameaça
que, apesar de poder potencialmente incrementar o seu impacto negativo
atendendo à sua perigosidade, não se manifesta por ora de forma particularmente
agressiva nem apresenta consequências deveras preocupantes ou cuja abordagem
seja demasiado complexa. Num ambiente desses, as boas relações interestatais
ou, pelo menos, as ligações não conflituosas têm maior probabilidade de ocorrer
e podem manifestar-se no estabelecimento de relações mais fluidas, inclusive no
intuito de abordar conjuntamente e com algum grau de coordenação os reptos
decorrentes de uma agenda de segurança partilhada.
A esse propósito, embora a situação de segurança nas fronteiras do Peru e do
Brasil com a Colômbia suscite um certo nível de preocupação, não tem comparação
com o que acontece nas demais fronteiras do Estado andino. Por isso, Brasília e
Lima puderam desenvolver relações de proximidade com Bogotá quanto à
possibilidade de enfrentar de modo colaborativo os desafios relativos à
segurança partilhada. A densa trama de vínculos que liga estes estados inclui,
no âmbito da segurança e da defesa, acordos e memorandos de entendimento
celebrados (cinco com o Brasil e seis com o Peru), o estabelecimento de
mecanismos bilaterais (sete com o Brasil e oito com o Peru) e a realização de
exercícios militares conjuntos (três com o Brasil e cinco com o Peru). Na área
do desenvolvimento fronteiriço económico e social também foram rubricados
acordos e memorandos de entendimento (três com o Brasil e dois com o Peru),
estão em curso planos e projetos (três com o Brasil e quatro com o Peru) e, por
último, instauraram-se mecanismos bilaterais (três com o Brasil)42.
Quadro_1
No outro cenário possível predominam relações bilaterais problemáticas ou que
envolvem elevados graus de tensão consoante o evoluir das ameaças através dos
limites fronteiriços. Num contexto destes, é muito possível que os estados
privilegiem o desenvolvimento de medidas destinadas a conter a penetração
dessas ameaças na sua própria zona de fronteira, fazendo prevalecer uma visão
estritamente nacional em relação à resposta a dar perante uma situação de
ameaça externa. Significa que a margem para desenvolver relações cooperativas é
muito escassa e, além disso, muito provavelmente que a própria tensão do
relacionamento bilateral tende a favorecer a multiplicação de situações ásperas
em função do transcurso das ameaças na fronteira comum.
Este panorama condiz com o que sucedeu nas zonas de fronteira com o Equador e a
Venezuela durante a primeira década do século XXI, em relação ao avanço
ininterrupto do narcotráfico e à difusão da violência decorrentes do confronto
armado colombiano. Nenhum dos estados estabeleceu instâncias de entendimento ou
acordos formais com a Colômbia nem sequer se instauraram mecanismos de diálogo
ou de cooperação no âmbito fronteiriço e no combate às ameaças partilhadas43.
Acresce que, embora quer Caracas quer Quito tenham com Bogotá um espaço de
diálogo preexistente nas Comissões Binacionais de Segurança Fronteiriça, estas
não registam níveis de atividade ou resultados consideráveis. De igual modo,
não se encontram dados acerca da realização de exercícios conjuntos entre as
suas Forças Armadas nem projetos na área de desenvolvimento socioeconómico
fronteiriço. Por outro lado, no período temporal considerado sucederam-se
vários episódios de tensão entre esses estados e a Colômbia. A esse propósito,
de entre os factos mais destacados cabe recordar o bombardeamento colombiano na
localidade equatoriana de Angostura em 2008, a queixa apresentada por Quito ao
Tribunal d'A Haia pelos danos que as fumigações colombianas ocasionaram na zona
da fronteira e as acusações feitas contra o Governo venezuelano por se
relacionar com as FARC.
Finalmente, convém esclarecer que, embora o foco deste trabalho não seja o
perfil político-ideológico dos governos, é necessário reconhecer a importância
desta variável como condicionante das possibilidades de aproximação entre os
estados, não deixa de incidir positivamente sobre as probabilidades de existir
um diálogo fluido e do relacionamento alcançar um certo grau de dinamismo.
Nesse sentido, a proximidade político-ideológica da Colômbia com o Brasil e o
Peru é um fator que favorece claramente a ocorrência de um cenário do tipo
descrito o que a distância ou as diferenças existentes com o Equador e a
Venezuela já não permite.
O conceito «Decisões de Segurança»: consequência teórica do processo de
externalização da segurança dos Estados
No capítulo anterior observou-se o impacto das ameaças não tradicionais
propiciadas pelo cenário de segurança colombiano relativamente às zonas de
fronteira com os estados sul-americanos limítrofes na perspetiva do processo de
externalização da sua segurança. Nesse sentido, vale a pena refletir sobre as
consequências teóricas inerentes a esse processo. Para o efeito, é conveniente
introduzir as principais premissas relativas ao processo de reconceptualização
do termo «segurança» no contexto do pós-Guerra Fria e a alteração inerente à
lógica de conflitualidade.
Tradicionalmente, as noções existentes acerca do termo «segurança» entendiam-na
como uma condição objetiva do Estado e associavam-na, de modo exclusivo, às
ameaças às capacidades militares configuradas pelas Forças Armadas e que os
governos tinham a capacidade de mobilizar. Porém nos anos 1990 essa
conceptualização mudou devido à ocorrência de um debate académico que se pode
sintetizar em torno de dois eixos44. O primeiro diz respeito à ampliação da
conceção realista da segurança com o propósito de incluir ameaças desenvolvidas
em diver sos campos e de cariz não militar45. O segundo refere-se ao
aprofundamento da aplicação da noção de segurança para além do Estado e, por
arrastamento, da segurança internacional46. Este eixo foi abordado segundo dois
critérios diferentes: um geográfico, focando o conceito de segurança regional e
global47; o outro ligado ao objeto da segurança, levando à reflexão sobre a
noção de segurança humana48. Consequentemente, com as alterações assinaladas o
tipo de conflitualidade que atravessa o sistema internacional já não se pode
demarcar das hipóteses de conflito entre os estados que poderiam ocasionar
confronto armado. Bem pelo contrário, os cenários de insegurança diversificam-
se, e portanto multiplicam-se, de acordo com a proliferação de ameaças
transnacionais que podem afetar determinados quadrantes da população num mesmo
Estado, num conjunto deles ou na totalidade do sistema internacional. Este
panorama consolida-se no início do século XXI quando ocorrem os atentados do 11
de setembro de 2001 nos Estados Unidos e com a ascensão do terrorismo
internacional, ameaça que passa a integrar as agendas de segurança dos estados.
Este facto inaugura uma conjuntura que enterra definitivamente a visão otimista
que caracterizou o imediato pós-Guerra Fria no campo da paz e da segurança
internacional e abriu o debate para se determinar quais são os instrumentos, os
recursos e as políticas adequados para combater ameaças cuja natureza é tão
díspar.
No quadro das mudanças referidas parece ser adequado rever também a
conceptualização feita acerca das ações e medidas que os estados vizinhos da
Colômbia definem para fazer frente ao avanço do narcotráfico e da violência
derivada do conflito interno colombiano.
Conforme se expôs no capítulo anterior, as políticas de segurança públicas que
o Peru, o Brasil, o Equador e a Venezuela instrumentalizam nas suas zonas de
fronteira condicionam a forma como se conformam e executam as suas políticas
externas respetivas. Tal dá-se na medida em que se entrelaçam com políticas
próprias da esfera da defesa nacional e em que o desenvolvimento e a expansão
das ameaças que procuram combater influem sobre as relações interestatais.
Portanto, essas políticas de segurança pública assumem uma configuração
distinta daquela indicada na sua denominação tradicional e evidenciam uma
proximidade entre o âmbito da segurança pública e o da defesa nacional devido
ao alargamento do conceito de segurança. Além de que permitem destacar os
pontos de relacionamento que aproximam os estados, independentemente do caráter
cooperativo ou conflituoso da referida aproximação, que se materializam na
forma como abordam as agendas de segurança partilhadas e que, em definitivo,
refletem o aprofundamento do conceito de segurança numa perspetiva geográfica.
De igual modo, essas políticas dão conta das ferramentas que os governos
ponderam para lutar contra as ameaças transnacionais e que dificilmente se
podem associar de forma pura às forças de segurança pública ou mesmo às Forças
Armadas, nem tão-pouco se podem já circunscrever à área da segurança excluindo
o âmbito do desenvolvimento económico e social.
Assim, no caso abordado no presente artigo, entende-se ser justificado e
necessário mencionar as políticas de segurança pública concretizadas pelos
estados fronteiriços da Colômbia em termos de decisões de segurança. Por um
lado, em virtude do papel desempenhado pelas Forças Armadas nas questões de
segurança pública, sendo gerador de contactos entre a segurança externa e a
segurança interna dos estados e, por outro, dos relacionamentos internacionais
que este ator subnacional materializa. Por conseguinte, define-se esse conceito
de decisões de segurança mediante as disposições estatais contra as ameaças não
tradicionais e preponderantemente executadas pelas Forças Armadas, que se
referem tanto a questões de segurança e defesa como de desenvolvimento
económico e social, são levadas a cabo num quadro nacional e internacional e
podem propiciar um contexto cooperativo ou conflitual com outros estados.
De um ponto de vista teórico-analítico, a proposta deste conceito responde à
complexidade do cenário configurado a partir das respostas dos estados face ao
desenvolvimento das ameaças não tradicionais e que desencadeiam o processo de
externalização da sua segurança. Neste sentido, o conceito de decisões de
segurança expressa a interseção interna e externa das políticas públicas
destinadas a neutralizar tais desafios, no caso vertente o tráfico de drogas e
a violência que advém dos confrontos internos na Colômbia, tendo em conta o seu
impacto simultaneamente doméstico/interno e internacional.
Conclusão
No decurso deste artigo apresentaram-se as consequências empíricas e teóricas
do processo de externalização da segurança tomando por referência as decisões
de segurança dos países sul-americanos fronteiriços com a Colômbia no período
2000-2011, em relação a situações de segurança nas zonas de fronteira que
partilham com o seu vizinho andino. Chegado o momento de proceder a reflexões
finais sobre o trabalho e sem pretender reiterar questões anteriormente
abordadas, considera-se importante destacar dois aspetos.
Por um lado, em termos gerais, a importância de poder contar com conceitos que
refletem com maior clareza o panorama contemporâneo da segurança internacional.
Esses conceitos constituem um contributo insubstituível no momento de analisar
as problemáticas de segurança e são, portanto, uma peça fundamental na difícil
tarefa de conceber políticas que contenham de um modo eficaz as ameaças
transnacionais. Por outro lado, em linha com o que antecede, cabe salientar que
o conceito de decisões de segurança coloca no primeiro plano a ocorrência do
processo de externalização da segurança que os estados atravessam e, por sua
vez, a forma como pode desencadear uma prática cooperativa entre os governos
ou, pelo contrário, favorecer entre eles situações de fricção e tensões.
Portanto, este conceito clarifica a necessidade de os estados projetarem
políticas com um determinado grau de coordenação, perante as ameaças não
tradicionais partilhadas, com o duplo propósito de as combater com maior
eficiência e de reduzir as probabilidades de deterioração das suas relações com
outros estados em virtude da sua propagação.
Tradução: Patrícia Roman
Notas
1
O termo interméstico a que a autora se refere, remete para a fusão das
dimensões, e palav ras, internacional e doméstica/o [Nota da Tradutora].
2
Puttnam, Robert ' «Diplomacy and domestic politics: the logic of two-level
games». In International Organization. Vol. 42, N.° 3, 1988.
3
Buzan, Barr y, e Weaver, Ole ' Regions and Powers: The Security of
International Security. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.
4
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Institute of Peace Press, 2007; Baylis, John ' «International
and global security in the post Cold War era». In Baylis, John, e Smith, Steve
(eds.) ' The Globalization of World Politics: An Introduction to International
Relations. Oxford: Oxford University Press, 2005.
5
Os dados analisados neste artigo foram compilados juntamente com outros e de
forma mais exaustiva no quadro de uma pesquisa de doutoramento realizada pela
autora, que culminou em março de 2012.
6
Relatórios anuais «Estadísticas por Departamento», Observatorio de Derechos
Humanos del Programa Presidencial de Derechos Humanos y Derecho Internacional
Humanitario, período 2003-2010.
7
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25
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31
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33
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34
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http://www.acnur.org/t3/fileadmin/scripts/doc.php?file=t3/fileadmin/Documentos/
RefugiadosAmericas/Colombia/Situacion_Colombia_-_Panorama_regional_-_2011
35
«The patriot plan». In Boletín Informativo de la Consultoría para los Derechos
Humanos y el Desplazamiento. codhes: Bogotá, 2004.
36
Relativamente ao Equador, sucederam-se três factos significativos: a deportação
em 2004 do guerrilheiro Simón Trinidad; o resgate, em 2005, de um bloco de
notas num acampamento guerrilheiro onde se indicava que «o Equador comporta 21
províncias para desenvolver e iniciar a luta armada de guerra de guerrilla »
(El espectador, 16 de abril de 2005); a ação militar colombiana em 2008 contra
um acampamento em Angostura.
37
Marco de la Política Exterior Peruana, 2003. [Consultado em: 15 de abril de
2009]. Disponível em: http://www.contexto.org/docs/marco_politica.html
38
Revista militar do Brasil, 2009. [Consultado em: 13 de fevereiro 2011].
Disponível em: http://www.exercito.gov.br/web/revista-verde-oliva/4
39
«ffaa presentan nuevo plan de defensa interna». In Hoy, 6 de fevereiro de 2009.
[Consultado em: 23 de fevereiro de 2011]. Disponível em: http://www.hoy.com.ec/
noticias-ecuador/ffaa-presentan-nuevo-plan-de-defensa-interna
40
«O Chefe do Comando conjunto informou acerca da reorganização estratégica das
Forças Armadas», 2 de março de 2009. In Boletín de Prensa del Comando Conjunto
das Fuerzas Armadas de Perú. [Consultado em: 5 de junho de 2010]. Disponível
em: http://www.ccffaa.mil.pe/CO/comunicados.htm
41
Kornblith, Miriam ' «Perceciones colombianas sobre la crisis de Colombia». In
Colombia Internacional. Centro de Estudios Internacionales, Universidad de los
Andes, Bogotá, 2004.
42
O Quadro_1 explicita os dados correspondentes aos laços de cooperação criados
pela Colômbia com o Brasil e o Peru.
43
Esta afirmação põe de parte o acordado pela Venezuela e o Equador com a
Colômbia em 2010, no quadro da normalização das relações após a crise de 2008.
Caracas assinou um convénio para a cooperação na luta contra o problema das
drogas e estabeleceu uma comissão bilateral de segurança; enquanto Quito
constituiu uma comissão encarregue de assuntos sensíveis.
44
Krause, Keth, e Williams, Michael ' «Broadening the agenda of security studies:
politics and methods». In Mershon International Studies Review. Vol. 40, N.° 2,
1996.
45
O alargamento do conceito de segurança orientou-se para a inclusão de ameaças
como as migrações económicas e os movimentos de populações fora do controlo
estatal, as disputas comerciais, a deterioração ambiental, a escassez dos
recursos, a proliferação da tecnologia nuclear e o fortalecimento da
criminalidade organizada transnacional e os atos de terrorismo, de entre os
mais relevantes. As mesmas incidem no âmbito económico, social, político e
ambiental.
46
A noção de segurança internacional refere-se à situação tradicional das
relações entre estados que procuram preservar a sua segurança nacional num
sistema internacional anárquico onde prevalece o dilema da segurança como
critério de relacionamento.
47
A segurança regional tende a associar-se ao conceito de complexo regional de
segurança expresso por Buzan e Weaver, ao passo que o conceito de segurança
global reconhece uma rede mundial de relações económicas, sociais,
comunicacionais e culturais que rompe vestefaliana de Estado e dá lugar a novas
formas de insegurança que surgem no seu seio (intraestatal) e extravasam as
suas fronteiras (trasnacional). A causa dessa insegurança, no entender de
Kaldor, radica nos nacionalismos, na etnicidade e na religião; outros analistas
enfatizam causas como as problemáticas de alcance mundial (ambientais, pobreza
e desigualdade, escassez de recursos naturais, pandemias, violações dos
direitos humanos) ou referem-se ao terrorismo e a tráficos ilegais. Cf. Baylis,
John ' «International and global security in the post Cold War era».
48
O PNUD ' Programa para o Desenvolvimento da ONU está na origem do conceito de
segurança humana que visa a proteção do Homem diante do sofrimento proveniente
das ameaças crónicas como a fome, as doenças e a repressão'Brown, Michael '
«New global dangers». In Crocker, Chester A., Hampson, Fen Osler, e Aall,
Pamela (eds.) ' Leashing the Dogs of War. Washington: US Institute of Peace
Press, 2007.
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