A pirataria desarma-se em terra: o caso da Somália
A pirataria desarma-se em terra - o caso da Somália
Os incidentes com navios assaltados por piratas têm-se multiplicado na costa
oriental africana, desde o Quénia ao golfo de Adem. A União Europeia (UE)
lançou a operação "Atalanta" para anular esta ameaça e outros
actores internacionais tiveram iniciativas semelhantes
1
. No entanto, os resultados não têm correspondido às expectativas. Existe um
sentimento de impunidade junto dos piratas que sabem que não poderão ser
julgados por tribunais internacionais e, por outro lado, os tribunais somalis
não funcionam. Um artifício tem também sido posto em prática. Os piratas
interceptados são largados numa qualquer praia da Somália depois de despojados
das embarcações, armas e meios de comunicação utilizados para os assaltos no
alto-mar. Mas isto só faz espalhar a notícia da incapacidade de serem aplicados
castigos por tal tipo de acções, tornando a actividade da pirataria mais
atractiva
2
.
Neste artigo argumenta-se que a solução só pode passar pelo apoio à instauração
do Estado de direito na Somália e noutros países da região. E para tal ser
conseguido, há que proporcionar recursos às entidades e organizações
relevantes, incluindo o Governo Federal de Transição da Somália (Transitional
Federal Government ' TFG), que não só têm a vontade para o fazer, mas também
estão nas melhores condições políticas e estratégicas para o concretizarem. No
entanto, a assistência internacional ao Governo tem sido escassa e há, por
exemplo, um grande atraso na disponibilização dos fundos prometidos em 2009 na
conferência de Bruxelas
3
.
SOMÁLIA, UM ESTADO FALHADO NUMA REGIÃO INSEGURA
A 3 de Dezembro de 2009, no Hotel Shamo em Mogadíscio, foi lançado um ataque
terrorista durante uma cerimónia de graduação de estudantes de Medicina da
Universidade de Benadir, provocando 23 mortos, incluindo três ministros do TFG,
assim como vários jovens finalistas e jornalistas4. Em consultas de emergência
levadas a cabo pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) o ataque
terrorista foi condenado e foi exigido que os criminosos fossem levados perante
a Justiça5. Mas o país não dispõe de mecanismos para fazer cumprir essa
resolução. A Somália encontra-se actualmente numa situação de existência de
quase não-Estado. Recontros violentos continuam a acontecer em Mogadíscio,
restringindo a capacidade dos actores internacionais para implementar com
profundidade programas humanitários críticos6. O TFG praticamente não passa de
um governo nominal, tentando exercer a acção governativa com apoio do exterior,
mas com uma base política interna muito fraca. As incipientes estruturas
governamentais não garantem o Estado de direito. Não existem Forças Armadas ou
outras estruturas organizadas com capacidade suficiente para garantir a
segurança e a defesa do extenso território. O país está, na prática, dividido
em três territórios separados politicamente, a Somália Centro-Sul, a
Somalilândia7 e a Puntlândia.
Na verdade, o TFG tem exercido um grande esforço na consolidação e expansão da
sua base de apoio. Primeiro, intensificou esforços para aumentar o suporte dos
grupos de oposição em Mogadíscio. Depois, consolidou a cooperação com o
principal grupo da oposição, o Ahlu Sunna Wal Jama'a (ASWJ) contando com
o apoio deste grupo que controla importantes regiões no Centro da Somália,
nomeadamente Hiran, Galgudud e Mudug8. Finalmente, iniciou um processo de
profunda revisão da sua relação com as autoridades autónomas da Puntlândia. Tem
havido desenvolvimentos importantes, como seja a deserção de Mohamed Faruq e
Ali Hassan Gheddi, dois importantes operacionais da Al-Shabaab, principal grupo
armado da Puntlândia que se opõe ao Governo, em conjunto com 550 dos seus
guerrilheiros, o que parece indicar crescentes divisões no seio da Al-Shabaab9.
No entanto, continuam a faltar ao TFG recursos regulares e adequados para
apoiar e integrar os que abandonam as fileiras da oposição armada. As
principais lacunas são os recursos financeiros10. Apesar de tudo isto, o
Governo tem apresentado como suas mais prementes prioridades melhorar a
situação de segurança, promover a reconciliação entre todas as partes
envolvidas nos conflitos internos da Somália e criar melhores condições para a
distribuição de assistência humanitária11.
Mas a Somália não captaria o interesse da comunicação social e da opinião
pública se não se passassem nas suas águas os ataques de pirataria que tão
profusamente têm sido relatados, especialmente desde há cerca de três anos. Nos
mares costeiros mas também ao largo, especialmente a Norte, o fenómeno da
pirataria tem grassado e os esforços da comunidade internacional têm aumentado
em proporção para tentar debelar esta ameaça à navegação marítima e à segurança
em geral.
Agravando o problema das águas territoriais da Somália, a norte estas fazem
fronteira com as do Iémen, no golfo de Adem, onde se situa a zona de maior
concentração de actos de pirataria dos últimos anos. No caso deste país,
algumas notícias parecem ligar a pirataria local, que visa essencialmente
recolher fundos através do resgate das tripulações e dos navios, com o
terrorismo12. O Iémen tem sido referido frequentemente como uma das bases da
Al-Qaida na região. As declarações do nigeriano Umar Farouk Abdul Mutallab,
recentemente detido após tentar fazer explodir um avião de passageiros de uma
companhia comercial norte-americana, de que os operacionais da Al-Qaida no
Iémen o tinham treinado, armado e atribuído a missão de fazer explodir o avião,
o que quase conseguiu, são testemunho das actividades locais dessa organização
terrorista13.
A situação geográfica é favorável aos piratas: o Iémen está muito próximo do
estreito de Bab El-Mandeb, na embocadura do mar Vermelho, pelo qual transitam
cerca de 15,5 milhões de barris de petróleo todos os dias, segundo dados de
2009, o que representa cerca de um terço de todo o petróleo que circula
mundialmente por via marítima14. Estes são alvo da cobiça dos piratas, que se
acoitam nas duas margens do estreito. No entanto, alguns indícios apontam para
a ideia de que resolvendo o problema da Somália se reforçará a capacidade de
intervenção também nas águas do Iémen, anulando-se a capacidade de ataque dos
piratas no estreito.
CAUSAS, PRETEXTOS E FACTOS DAS ACÇÕES DE PIRATARIA
O fenómeno da pirataria tem vindo a crescer ao largo da Somália especialmente
nos últimos anos. Mas foi no Verão de 2008 que se alcançou um pico na
frequência dos ataques armados a navios nas vizinhanças da Somália: 300 reféns,
13 navios capturados, numa média de dois ataques por dia. Analisando esse ano,
nota-se a distribuição dos ataques por duas áreas, a costa oriental da Somália
e a costa norte, no golfo de Adem. Torna-se evidente que os piratas executam as
suas acções cada vez mais a norte. Em 2008 foram aí realizados 61 ataques a
navios, dos quais 31 se ficaram pela tentativa e 30 foram concretizados. No
decurso destes ataques foram aprisionados 19 navios. Na costa oriental foram
executados 10 ataques em 2008, dos quais cinco foram eficazes, resultando em
cinco navios capturados15.
A NAVCO, a força naval da UE que executa a operação "Atalanta" de
combate à pirataria, sublinha que desde o ano de 2006 que os navios são
aconselhados a passarem a mais de 200 milhas náuticas da costa. No entanto
existem dificuldades. Em primeiro lugar, a adopção desta medida fez alterar o
modus operandi dos piratas, que passaram a usar um navio-base para lançarem
ataques a mais de 400 milhas e, em segundo lugar, os piratas passaram a focar a
sua atenção no golfo de Adem, pois a navegação aí não pode ser feita tão longe
da costa. No entanto, apesar da presença de importantes meios navais militares
na região, a situação continua a agravar-se.
A pirataria que se observa ao largo das costas somalis é um fenómeno que diz
respeito essencialmente a terra, às regiões donde partem os piratas, ou seja, a
Puntlândia (as costas mais ao sul abrigam poucos piratas, mesmo se a oposição
armada radical controla o porto de Kismayo16). Os piratas justificaram
inicialmente as suas acções pelo facto de as águas somalis, devido à ausência
de controlo por um Estado organizado, se terem tornado local de despejo de
detritos tóxicos por navios estrangeiros e serem o sítio favorito de pesca
industrial de navios europeus e asiáticos. A isso há que adicionar o tráfico de
armas, os produtos de contrabando e o tráfico humano (emigração irregular para
a Península Arábica de cidadãos provenientes da Etiópia e da Somália). Devido a
estas causas, os piratas apresentar-se-iam como a "guarda costeira"
da Somália.
Os despejos de detritos tóxicos terão cessado devido à dissuasão dos piratas
(tratava-se essencialmente de lixo hospitalar, vindo da Europa, relacionado com
negócios de redes criminosas europeias). A pesca industrial também declinou
bastante, mesmo se alguns navios europeus continuam a pescar, por vezes contra
pagamento de retribuições a organizações locais próximas dos piratas. É
necessário sublinhar que a pirataria utiliza estes pretextos para justificar as
suas acções, embora o seu único objectivo seja ganhar somas avultadas graças
aos resgates. Estima-se em 80 milhões de dólares por ano os lucros da
pirataria17, o que é considerável se se comparar com as receitas do Governo
somali, que não devem exceder três ou quatro milhões de dólares por mês. As
consequências acumuladas da guerra civil, da falta de um controlo eficaz do mar
pelo Estado, da pesca ilegal e dos benefícios da pirataria é que todas as
actividades económicas do litoral somali foram destruídas ou se tornaram
impossíveis. Sejam quais forem os riscos que possam comportar ' na verdade
relativamente fracos ', a pirataria é a única hipótese de sobrevivência para
muitas pessoas.
Esta actividade está bem organizada e encontra-se estruturada em funções
operacionais. Há uma componente logística "a montante" que compra
embarcações, motores, sistema de orientação GPS, armas, etc., através de redes
locais, nos países do golfo e da Península Arábica. Relativamente às operações,
marinheiros e piratas são pagos pelas organizações referidas e remunerados à
percentagem. O comando e o controlo são exercidos por poderosos chefes somalis,
que são também comerciantes e homens de negócios. A componente de segurança
operacional é exercida por uma rede de negociantes que fazem de intermediários
com as companhias de seguros e os armadores, para obterem os resgates (em
geral, estas transacções são feitas longe da Somália). Há uma estrutura de
logística "a jusante" que inclui todo o circuito de lavagem das
avultadas somas recolhidas, no exterior da Somália. O Quénia é o primeiro alvo
dos investimentos somalis, em particular no imobiliário. Como este é também um
dos países onde existe um elevado nível de corrupção e que contém uma forte
minoria de etnia somali, há também aqui um forte risco de desestabilização.
Face a tudo isto, a resposta que consiste em combater os piratas no mar não é
suficientemente dissuasora, porque os riscos em que podem incorrer são aceites
por estes. Esta abordagem poderá diminuir o número de casos de pirataria com
sucesso, mas isso deverá ser feito em detrimento do tráfego marítimo e tal
situação não poderá continuar eternamente. Os piratas encontrariam então outras
actividades mais lucrativas, beneficiando das facilidades da "zona
franca" que é a Somália (por exemplo, o contrabando em toda a região).
Felizmente, por enquanto, parece haver poucas relações entre a pirataria e a
oposição armada islâmica radical, mas os somalis, sendo frequentemente hábeis
homens de negócios e, alguns, por vezes, sem escrúpulos, deverão aperceber-se
dentro em breve de que esta situação não deve durar, pelo que se aproveitarão
das oportunidades de negócios.
É preciso, portanto, atacar as verdadeiras causas da pirataria, que são:
• A falta de controlo do Estado, no mar e sobre a faixa litoral. Não há
qualquer administração dos assuntos marítimos nem alfândega eficaz. Não há
registo de embarcações, nem dos marinheiros ou dos pescadores, nem há guarda
costeira.
• A destruição das actividades de pesca e das indústrias alimentares
associadas, como é o caso das conserveiras.
• A carência de actividades económicas rentáveis para as populações litorais
que não se dedicam à pesca, como a agricultura e pequenas indústrias.
• A insegurança ligada à supremacia dos grupos de senhores da guerra em relação
às forças de segurança.
AS INICIATIVAS DA COMUNIDADE INTERNACIONAL
Após as duas intervenções da comunidade internacional, as forças dos tribunais
islâmicos instalaram-se em Mogadíscio e aí impuseram regras duríssimas,
sonegando a capital (e o país, em geral) à autoridade do Estado representada
pelo Governo. O resto do território foi mais ou menos dividido por todos os
senhores da guerra que conseguiram impor-se, observando-se um estado de total
anarquia. A reorganização que parcialmente se concretizou nas províncias a
norte, constituindo a Puntlândia e a Somalilândia, fizeram sobressair, por
contraste, o caos e a insegurança que se vive nas regiões Centro e Sul,
incluindo a capital, Mogadíscio.
A operação da AMISOM, que na altura contava com importantes meios da vizinha
Etiópia, conseguiu restabelecer alguma calma e abriu as portas à oportunidade
para alguma acção do TFG. No entanto, a comunidade internacional, para além da
componente militar da AMISOM, está totalmente ausente da Somália, por razões de
segurança. A Somália é, portanto, uma crise gerida à distância. A ONU e os seus
representantes estão em Nairobi, no Quénia, assim como as componentes de
planeamento, de civis e de policiais da AMISOM que se dividem entre Nairobi e
Adis Abeba (Etiópia) e as embaixadas. É também uma crise gerida por
intermediários ' a componente militar da AMISOM. Entretanto, a
"comunidade internacional" não tem estado inactiva no seu apoio à
reconstrução das instituições somalis, no apoio ao seu povo e na tentativa de
se conseguir estruturar sistemas de segurança e defesa que permitam a
existência, de novo, do Estado de direito na Somália. A Resolução 1816, de 2 de
Junho de 2008, do CSNU, fazendo apelo à actuação no âmbito do capítulo VII da
Carta das Nações Unidas, condenou todos os actos de pirataria (e de roubo
armado) contra navios em águas territoriais e ao largo das costas da Somália, e
apelou aos estados e organizações interessados para que providenciassem
assistência técnica à Somália e aos estados costeiros vizinhos, para reforçar a
segurança costeira e marítima.
Aquela resolução acaba por dar relevância ao problema dos piratas detidos em
flagrante delito. Por isso, no seu parágrafo 11, apela-se a todos os estados
envolvidos, seja por a eles pertencerem os criminosos ou as vítimas, para
colaborarem na criação e aprovação de legislação, da identificação da
jurisdição a aplicar e também na investigação e julgamento dos suspeitos e
responsáveis por actos de pirataria.
Para além das iniciativas mais operacionais para combater a pirataria, são de
relevar ainda as iniciativas da UE, com os seus planos de desenvolvimento para
o país e para o financiamento da AMISOM. Em Julho de 2009 a UE nomeou um
responsável pelo acompanhamento da situação na Somália, um antigo conselheiro
do anterior alto-representante da UE Javier Solana para as questões do reforço
das capacidades africanas. Assim, tem-se vindo a coordenar a exploração de
soluções para se alcançar a estabilidade na Somália e na região, tanto no mar
como em terra. Neste âmbito, para além de se comprometer com o sucesso da
operação "Atalanta", a UE procura também desenvolver actividades de
apoio reforçado à UA na Somália, de levantamento de capacidades no sector de
segurança, de criação de uma estratégia de longo prazo de assistência à
Somália, e de reforço do quadro legal para resolver a questão da pirataria18.
Também a ONU se mantém profundamente empenhada em resolver a questão somali,
que considera um problema mundial. Presente na cimeira da UA, realizada em Adis
Abeba, a 31 de Janeiro de 2010, o secretário-geral das Nações Unidas sublinhou
na sua intervenção que os trágicos acontecimentos recentes na Somália (ataque
ao Quartel-General da AMISOM, a 17 de Setembro de 2009) tinham demonstrado que
o conflito naquele país tinha um impacto directo na segurança mundial e que,
portanto, as Nações Unidas continuariam fortemente empenhadas em prosseguir o
trabalho conjunto com a UA para reforçar a AMISOM19.
Em Bruxelas, a 17 de Novembro de 2009, os ministros dos Negócios Estrangeiros e
da Defesa da UE prolongaram por mais um ano a operação "Atalanta".
A disponibilização de navios pela NATO e pela UE, em conjunto com iniciativas
implementadas autonomamente por vários países como a China, o Japão, o Irão, a
Coreia do Sul e a Rússia continuam ' nas palavras do secretário-geral das
Nações Unidas ' a ter um impacto muito positivo, tornando mais difícil para os
piratas operarem nesses mares20. No entanto, o fenómeno de pirataria não se
desvaneceu. Pelo contrário, verificaram-se adaptações às novas condições.
OS ESFORÇOS DA UNIÃO AFRICANA PARA A PAZ E A ESTABILIDADE NA SOMÁLIA
Conforme refere Rodrigo Tavares, um especialista em questões de segurança
africanas, a capacidade organizativa de uma organização para levar a cabo
actividades de paz e segurança depende das medidas constitucionais que levam à
activação do mandato e os mecanismos institucionais através dos quais ela pode
funcionar e exercer aquele mandato21. Em consonância com outras organizações
sub-regionais, a UA adoptou medidas constitucionais para se empenhar na paz e
na segurança. Assim, tentando aplicar o desenvolvimento das suas capacidades
para missões de paz em território africano, a UA tomou a iniciativa de levantar
uma força de paz para auxiliar as populações somalis e o seu governo. A AMISOM
acabou por ser enviada para a Somália sem estar devidamente preparada. Apesar
das lacunas graves, a AMISOM pôde desalojar as forças dos tribunais islâmicos e
criar, temporariamente, as condições mínimas para o regresso do Governo somali
à capital. A AMISOM acabou por perder a vantagem do ímpeto inicial, tendo-se
verificado o retorno, embora parcial, das forças dos tribunais islâmicos a
Mogadíscio. Este desfecho foi também uma consequência do esgotamento da outra
missão de paz da UA, a AMIS II (African Mission in Sudan)22. Na sede da UA, em
Adis Abeba, os representantes dos países africanos dividem-se entre apoiar a
AMIS II (que agora se transformou em UNAMID), ou continuar os esforços para
manter e levar a bom termo as duas missões actuais da UA.
O que não pode ser posto em dúvida é que a AMISOM tem desempenhado um papel
significativo e recomendável ao levar a cabo o seu mandato, apesar de sérios
desafios. Esta missão continua, no entanto, sujeita a uma variedade de
pressões, especialmente no que diz respeito à geração de forças e ao
fornecimento de equipamentos. Actualmente, dispõe apenas de seis batalhões,
cerca de 65 por cento da força identificada como necessária para o objectivo
previsto inicialmente, de dois países, o Burundi e o Uganda23. Para além de
reforço de tropa, são necessários mais meios sanitários, de engenharia e de
polícia militar, segundo a UA. Por outro lado, uma equipa de planeamento da ONU
continua a apoiar o planeamento operacional em Adis Abeba, no Quartel-General
da UA, incluindo a preparação da projecção de mais três batalhões de infantaria
e de 22 oficiais de estado-maior, oriundos de oito países africanos.
Nos moldes em que se encontra, a situação de segurança em Mogadíscio continuará
a afectar a distribuição de elementos essenciais do pacote de apoio das Nações
Unidas à AMISOM. Com o seu reduzido potencial actual e dada a natureza urbana
do conflito, a missão é incapaz de garantir a segurança de uma área
suficientemente ampla para evitar o ataque ao aeroporto e ao porto de
Mogadíscio com fogo de morteiros. Os itinerários de reabastecimento
provenientes de Mombaça têm sido alvo dos ataques dos insurrectos24,
especialmente à aproximação ao porto. É portanto essencial que os esforços, por
menores que sejam, se destinem a apoiar a AMISOM, que sozinha ergue a bandeira
da "comunidade internacional" no país.
COMBATER AS CAUSAS E NÃO OS SINTOMAS
A solução encontrada pela comunidade internacional para tentar anular a ameaça
' combater os piratas nos mares ', por muito que isso releve um passado
romântico das marinhas de guerra, não tem surtido efeitos imediatos, como se
viu, quanto mais não seja porque não existem medidas legais, claras, concretas
e eficazes para deter e punir os piratas.
Os debates em Bruxelas durante o ano de 2008 decorreram à volta de algumas
soluções propostas para proteger a navegação marítima, após representantes
somalis se terem deslocado ao Comité Político e de Segurança (COPS) do Conselho
da UE, apelando ao auxílio na neutralização deste fenómeno criminoso. A solução
consensual foi constituir uma força naval para interditar as actividades
criminosas nas águas internacionais em frente à Somália, levando ao lançamento
da operação "Atalanta". No entanto, pelas razões apontadas, o que
faz é "combater os sintomas e não a doença". Os custos desta
operação são elevadíssimos25 e talvez seja agora a altura de se fazer um estudo
comparativo entre estas actividades e as de um reforço substantivo da presença
internacional em território somali, como a missão da UA, sob mandato da onu,
orientada para combater e anular as causas da pirataria. Claro que, para isso,
é necessário apoiar as iniciativas da UA no reforço de uma força de imposição
da paz eficaz, dotada dos meios necessários, o que actualmente ainda não
acontece com a AMISOM. Embora disponha de um mandato forte, carece de recursos
críticos para atingir o potencial credível mínimo.
A UA tem capacidade para mobilizar os efectivos militares necessários. No
entanto, faltam-lhe recursos financeiros para pagar a essa tropa, faltam-lhe
meios de transporte (estratégico e táctico), meios de sustentação da força
(apoio logístico), apoio sanitário e, principalmente, falta vontade política
para entregar à UA as capacidades que a tornem capaz de actuar eficazmente. A
UE tem contribuído muito para a criação de tais oportunidades. Em Novembro de
2009, o Conselho da UE aprovou um Conceito de Gestão de Crises (CMG) para o
possível lançamento de uma missão que contribua para o levantamento e treino
das forças de segurança do TFG. Parece que, com o devido reforço dos meios da
AMISOM e com a implementação desta missão para reorganização das forças de
segurança da Somália, se poderão criar as condições para desmantelar os grupos
criminosos que se lançam, das praias somalis, no encalço das presas que
circulam naqueles mares.
O flagelo da criminalidade que infesta a Somália só prospera, no entanto,
porque as condições de subdesenvolvimento e de carência absoluta de recursos
por parte do Estado (praticamente inexistente) lhe dão essa oportunidade. Só
com a criação de condições para ajuda ao desenvolvimento, ao mesmo tempo que se
aplicam esforços na reconstrução das estruturas do Estado de direito, se
poderão encontrar sinergias para trazer de volta a Somália à sociedade
internacional composta por estados soberanos. Portanto, não se conseguirá
estabelecer o clima necessário de segurança se não se combaterem devidamente as
causas do subdesenvolvimento. Para esse fim a UE, através da Comissão e dos
estados-membros, já atribuiu 215,4 milhões de euros para ajuda ao
desenvolvimento através do Fundo Europeu de Desenvolvimento, para o período de
2008-2013. O programa corrente da comissão de ajuda ao desenvolvimento para a
Somália (incluindo todas as regiões da Somália Central-Sul, Puntlândia e
Somalilândia) ascende a quase 180 milhões de euros e corresponde a 87
projectos26. Também a ONU tem estado activa, tendo organizado uma reunião de
doadores em Nova York, a 9 de Outubro de 2009, para avaliar a possibilidade de
se concretizarem as contribuições prometidas27. Do valor total prometido, 39
por cento já tinha sido recebido, estando ainda pendentes 121 milhões. Desses,
os trust fundsda ONU para as instituições de segurança somalis tinham recebido
aproximadamente 851 mil dólares e o trust fund para a AMISOM 25 milhões.
Adicionalmente, cerca de três milhões tinham sido distribuídos directamente por
doadores ao TFG, enquanto a UA tinha recebido 16,6 milhões de dólares
bilateralmente28.
Por outro lado, a ONU continua a desenvolver planos para uma expansão da sua
presença física em Mogadíscio e eventual presença permanente. O Governo de
transição acolhe bem esta ideia e considera-a mesmo uma medida essencial para a
estabilização, para apoio ao funcionamento das instituições públicas e para
melhorar o acesso dos agentes humanitários. Mas o apoio internacional deve
exercer o seu grande esforço inicial no reforço das instituições de segurança
da Somália. Isto servirá para criar as bases do Estado de direito, anulando-se
os santuários de piratas. O principal objectivo do desenvolvimento das
instituições do sector de segurança é manter e reforçar a segurança dentro da
capital, para que o Governo se possa tornar completamente operacional.
Ao mesmo tempo que o Governo procura construir a sua capacidade operacional
militar para lidar com as ameaças de segurança imediatas, continua também a
trabalhar a longo prazo para o desenvolvimento das forças de segurança
nacionais, contando com o apoio da AMISOM. No entanto, permanecem desafios
sérios, nomeadamente, os salários, o equipamento e a reintegração das tropas
governamentais após regressarem, no final do período de instrução, dos países
onde foram formadas. Recentemente, 160 militares treinados integraram as forças
do Governo, e espera-se que tenham um impacto positivo na segurança em
Mogadíscio. Entretanto, a França já começou a treinar um segundo contingente de
350 recrutas no Djibuti, enquanto o Sudão começou a instrução de 120 elementos
de defesa próxima, ou seja, dedicados à protecção de altas individualidades,
como o Presidente Sheikh Sharif Ahmed. Os Estados Unidos continuam a
providenciar fundos e apoio logístico ao Governo, com 750 soldados e 30
oficiais a passarem por um período de instrução intensiva de nove meses em
Kampala, no Uganda. A Turquia, o Iémen e a Argélia têm estado envolvidos no
transporte aéreo de tropas de e para locais de instrução e no fornecimento de
equipamentos.
Para além da missão de Política Comum de Segurança e Defesa (PCSD) para apoiar
a instrução de forças de segurança governamentais, a UE apoia um outro
projecto, que deverá começar logo que estejam reunidas as condições políticas e
de segurança, de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) de todas as
forças irregulares, milícias e forças regulares excedentárias. Esse processo
DDR conta já com a nomeação de um ministro, desde Setembro de 2009, que terá
exclusivamente essa pasta, o que constitui um primeiro passo para o
estabelecimento de um quadro institucional nacional necessário à coordenação
destas actividades.
A solução passa assim por ajudar os somalis a enfrentarem as dificuldades que
se lhes deparam, combinando um apoio para reforço do papel do Estado (na
segurança e na administração), uma ajuda humanitária para fazer baixar o
desespero das populações, uma ajuda ao desenvolvimento dirigida ao relançamento
das actividades honestas e remuneradoras e, finalmente, uma dissuasão militar
contra os piratas no mar. Por enquanto, o TFG é incapaz de desempenhar o seu
papel. Seria preciso antes de tudo trabalhar com a Somalilândia e a Puntlândia,
de uma maneira descentralizada, mas incluindo o TFG nestas iniciativas, para
evitar enfraquecê-lo por comparação a estes dois estados que ainda estão dentro
da Somália. São de apoiar os esforços de formação em proveito das
administrações, incluindo o governo federal e os governos dos estados
federados: polícia, forças armadas, justiça, alfândegas, guarda costeira
(projectos de missões PCSD em curso para as forças armadas e de segurança,
formação de polícia pelo PNUD com financiamento da Comissão Europeia,
iniciativas bilaterais italianas, alemãs, etíopes, norte-americanas, suecas,
dinamarquesas, etc.).
O apoio de Reforma do Sector de Segurança (RSS) ao TFG deve-se fixar no
objectivo de lhe dar mais liberdade de acção, para demonstrar as suas
capacidades e utilidade à oposição não radical e assim obter apoios. Só após a
implementação destas medidas se poderá estabelecer um reposicionamento de
administração nas zonas não controladas. Em termos de acções militares, dado os
inúmeros desafios e os constrangimentos orçamentais dos actores internacionais
empenhados, deve privilegiar-se o apoio através da formação e educação das
forças de segurança.
Em conclusão, o que poderá ser feito para modificar positivamente a situação e
melhorar a eficácia do empenhamento da "comunidade internacional"?
No que diz respeito à AMISOM, o seu papel deve-se limitar a Mogadíscio, para
apoiar os esforços do TFG, até que este controle toda a cidade. Será necessário
continuar a apoiar essa força para que permaneça no território, para que
melhore a sua própria protecção e também para incrementar a sua capacidade de
intervenção na cidade. Ainda lhe faltam três batalhões suplementares e tem
necessidades de apoio em informações militares e na luta contra os
insurrectos29. É também necessário ajudar essa força na sua missão de formação
de forças de segurança somalis (ou seja, no processo de RSS), nomeadamente no
apoio à selecção e preparação de recrutas (curso de indução), apoio ou parceria
para a formação de militares e de polícias, no exterior da Somália (no Uganda,
com a missão PCSD), apoio à mentalização e monitorização (mentoring and
monitoring) das forças de segurança em Mogadíscio (através de um curso de
reinserção). Apesar de todo este planeamento, embora seja global, deverá ser
feita uma tentativa no Sul da Puntlândia, apoiada num ponto da costa, para se
experimentar numa pequena escala o relançamento de um porto (o de Eyl, por
exemplo), através da combinação de medidas de segurança, posicionamento de
polícia, das alfândegas, justiça, assuntos do mar, relançamento de uma
actividade industrial, apoio à pesca, apoio do sector educativo e do de saúde,
ajuda humanitária, etc., em ligação com o estado da Puntlândia e o TFG.
Finalmente, para se obter êxito, desde já, no combate às causas desta crise, é
preciso alterar a ordem jurídica interna dos estados que têm vontade e
necessidade de terminar com este fenómeno, de modo a que possam ser previstos e
sancionados os crimes de pirataria, ou seja, é necessária uma melhor
articulação entre o direito internacional e a legislação interna dos estados.
Manifestando "perplexidade pela rápida libertação dos dezanove piratas
que tinham sido feitos prisioneiros" pela fragata portuguesa Corte Real,
sublinha Eduardo Serra Brandão que tal seria "resultado da desarticulação
entre o Direito Internacional e as leis penais dos diversos Estados a que
pertencem as forças que actuam na região"30.
NOTAS FINAIS
A comunidade internacional tem de decidir se quer ou não um continente africano
pacificado, capaz de iniciar o rumo da segurança e da prosperidade. A África
providencia riquíssimos recursos ao mundo, especialmente à Europa, mas também
aos Estados Unidos e à China. Na verdade, num continente enfraquecido por
sucessivas crises, com muitos territórios geridos por dirigentes corruptos, é
mais fácil obter recursos vitais por melhores preços. Ironicamente, as leis de
mercado imporão assim que sejam mantidas condições de fragilidade. No entanto,
casos de insegurança, como na Somália, têm ramificações a nível global e têm
custos elevados, que a "comunidade internacional" acaba por ter de
pagar. Não se sabe exactamente quanto os armadores pagam para que sejam
libertados navios e tripulações interceptados pelos piratas nos mares da
Somália. Serão, no entanto, somas elevadíssimas, a juntar a todos os gastos com
a operação "Atalanta" e com as outras iniciativas em curso. É
necessário, portanto, rever o direito internacional e a legislação interna dos
estados para que não aconteçam as lacunas da lei que levam à libertação dos
suspeitos de pirataria logo após a sua detenção em flagrante delito.
A comunidade internacional, e especificamente a Europa, deverão repensar a sua
atitude para com este fenómeno criminoso em plena prosperidade e aceitar que
com uma África segura se garantirá reforço de segurança para todos. A
interdependência entre a Europa e África, que cada vez mais se intensifica à
luz do fenómeno da globalização, transforma a crise da Somália num problema
europeu que, se for resolvido, tornará os mares mais seguros, por um lado, e,
por outro, reforçará a parceria estratégica entre a África e a UE, assinada na
Cimeira de Lisboa durante a presidência portuguesa da UE, demonstrando a sua
mútua utilidade.
É importante a existência de um esforço coordenado e focado entre o Governo
somali e a comunidade internacional de forma a gerar as condições políticas e
de segurança necessárias para que se completem com sucesso os planos de
transição planeados.
A Somália necessita de ser capaz de desempenhar por si só as tarefas de
segurança necessárias, e as suas instituições de segurança devem ser
desenvolvidas para se tornarem entidades credíveis e profissionais. Esta é a
questão fundamental de estratégia para a Somália, cujo propósito final será o
de restabelecer o Estado de direito.
A falta de oportunidades para uma geração com uma vida melhor e mais digna
contribuiu sem dúvida para a insegurança que se vive no país. A comunidade
internacional deverá apoiar empenhadamente a Somália nos seus esforços para
recuperar de duas décadas de destruição, criando oportunidades de emprego e de
bem-estar, e permitindo que este país a integre de pleno direito. Para apoiar o
sucesso desta estratégia é também necessário o incremento do esforço da
comunidade internacional para apoiar a AMISOM que, sozinha, leva a cabo uma
hercúlea actividade de gestão do conflito na Somália.
NOTAS
1
Nomeadamente, a operação "Ocean Shield" da NATO, a CTF-51 que
compreende uma coligação de 25 países sob comando americano sediada no Barém e
contribuições individuais de países que destacaram meios navais próprios sob
comando nacional, a saber: China, Japão, Índia, Irão, Rússia e Arábia Saudita.
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL, UNSC Resolution S/RES/1950 (2010): The
situation in Somalia. 23 de Novembro de 2010. [Consultado em: Novembro de
2010]. Disponível em: http://daccess-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N10/649/02/
PDF/N1064902.pdf, p. 2. Cf. também "No stopping them". In The
Economist, 3 de Fevereiro de 2011. [Consultado em: Fevereiro de 2011].
Disponível em: http://www.economist.com/node/18061574.
2
HANSEN, Stig Jarle ' Piracy in the Greater Gulf of Aden: Myths, Misconception
and Remedies. Oslo: NIBR Report 29, 2009. [Consultado em: Agosto de 2010].
Disponível em: http://www.nibr.no/uploads/publications/
26b0226ad4177819779c2805e91c670d.pdf.
3
Na Conferência de Doadores de Bruxelas, em Abril de 2009, foram prometidos 213
milhões de dólares. Cf. "Somalia wins over $200m in Brussels
donors' conference". In EUObserver, 24 de Abril de 2009.
[Consultado em: Agosto de 2010]. Disponível em: http://euobserver.com/9/28001.
4
"Somalis rally against al-Shabab islamists and bombing". In BBC
News, 7 de Dezembro de 2009. [Consultado em: Agosto de 2010]. Disponível em:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/8399506.stm.
5
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL ' Report of the Secretary-General on the
Situation in Somalia (S/2009/684), p. 4. [Consultado em: 8 de Janeiro de 2010].
Disponível em: http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html
6
MENKHAUS, Ken ' "Stabilisation and humanitarian access in a collapsed
state: the Somali case". In Disasters. Vol. 34, N.º 3, 2010, pp. 320-341.
[Consultado em: Setembro de 2010]. Disponível em: http://www.riftvalley.net/
resources/file/menkhaus%20stabilisation%20j.1467-7717.2010.01204.x.pdf
7
A Somalilândia declarou unilateralmente independência em 1991 mas até ao
presente carece de reconhecimento internacional.
8
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL ' Report of the Secretary-General on Somalia
(S/2010/675), p. 2. [Consultado em: Dezembro de 2010]. Disponível em: http://
www.un.org/Docs/sc/sgrep10.htm.
9
Ibidem, p. 1.
10
Apesar das promessas, a alocação de fundos para o TFG tem sofrido atrasos que
contribuíram nomeadamente para o aumento de deserções das instituições de
segurança do TFG. De acordo com o Relatório S/2010/675, os pagamentos em
Dezembro de 2010 dos fundos prometidos em Bruxelas perfaziam 150 milhões. No
caso da UE, desde 2007 até Dezembro de 2010, contribuiu com 142 milhões para a
AMISOM.
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL ' Report of the Secretary-General on Somalia
(S/2010/675), p. 7. [Consultado em: Dezembro de 2010]. Disponível em: http://
www.un.org/Docs/sc/sgrep10.htm
11
Ibidem, p. 4.
12
"Pirate Ransoms could fund terrorists", afirmava o diário
britânico The Observer, na sua página online, a 1 de Novembro de 2009.
[Consultado em: Março de 2011]. Disponível em: http://www.guardian.co.uk/world/
2009/nov/01/pirate-ransoms-could-fund-terrorists. No entanto, na maioria dos
relatórios consultados sublinha-se que não há aparentemente ligações entre Al-
shabab (o movimento militante islamita com ligações à Al-Qaida) e os piratas,
apesar de algumas notícias na imprensa. DAGNE, Ted ' Somalia: Current
Conditions and Prospects for a Lasting Peace. Congressional Research Service,
2010. [Consultado em: Dezembro de 2010]. Disponível em: http://www.fas.org/sgp/
crs/row/RL33911.pdf. p.14.
13
MAREA, Elham ' Is Yemen the Next Failed State? [Consultado em: 19 de Fevereiro
de 2009]. Disponível em: http://www.guardina.co.uk/commentisfree/2009/dec/2009/
yemen-terror-failed-state/print.
14
Dados do relatório de 2011 da Energy Information Administration ' "World
Oil Transit Chokepoints". [Consultado em: Março de 2011]. Disponível em
http://www.eia.doe.gov/cabs/world_oil_transit_chokepoints/pdf.pdf., p. 1.
15
Dados apresentados pela UE (EU Naval Coordination Cell ' EU NAVCO), em
Bruxelas, a 15 de Outubro de 2008. [Consultado em: 17 de Fevereiro de 2010].
Disponível em: http://www.consilium.europa.eu.
16
De acordo com o periódico da UNHCR, Refworld, citando a Amnistia
Internacional, "Kismayo is under the authority of an armed opposition
faction and local clan militia. The Transitional Federal Government of Somalia,
under President Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, does not exercise authority over
the area". [Consultado em: Fevereiro de 2011]. Disponível em: http://
www.unhcr.org/refworld/country,,AMNESTY,,SOM,456d621e2,4a110b6d14,0.html.
17
De acordo com o Economistestima-se que os lucros associados ao pagamento de
resgates tenham rendido 238 milhões de dólares em 2010. Cf. "At sea:
Somali piracy". In The Economist, 3 de Fevereiro de 2011. [Consultado em:
Fevereiro de 2011]. Disponível em: http://www.economist.com/node/18070160. De acordo com as estimativas das Nações Unidas o custo anual
associado à intensificação da pirataria nesta região perfaz entre cinco a sete
biliões de dólares ("No stopping them". In The Economist, 3 de
Fevereiro de 2011. [Consultado em: Fevereiro de 2011]. Disponível em: http://
www.economist.com/node/18061574).
18
Cf. "EU Support to African Capabilities". [Consultado em: 17
Fevereiro 2010]. Disponível em: http://www.consilium.europa.eu/
showPage.aspx?id=1158&lang=PT.
19
UNITED NATIONS SECRETARY GENERAL ' The Secretary-General Remarks to the Summit
of the African Union ' "An Agenda for Prosperity and Peace".
[Consultado em: 19 de Fevereiro de 2010]. Disponível em: http://www.africa-
union.org/root/au/index/index.htm.
20
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL ' Report of the Secretary-General on the
situation in Somalia (S/2009/684). [Consultado em: 8 de Janeiro de
2010]. Disponível em: http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html, pp.
4-5
21
TAVARES, Rodrigo ' Regional Security ' The Capacity of International
Organizations. Nova York: Routledge, 2009, p. 23. Tradução do autor. No original: "The organizational capacity of an organization to
undertake peace and security depends on the constitutional provisions according
it the mandate to become active, and the institutional mechanisms through which
it can function and exercise that mandate. Similarly to other African sub-
regional organizations (e.g., SADC, IGAD, ECOWAS), the AU has adopted
constitutional provisions to engage in peace and security".
22
A qual tem tido, no entanto, muitas dificuldades em organizar-se e desenvolver
as tarefas da sua missão devido a variados constrangimentos, muitos deles
impostos pelo Presidente do Sudão, o general Al-Bashir, tal como a exigência de
"no white faces" na missão.
23
Em data posterior à submissão inicial do presente artigo o Conselho de
Segurança das Nações Unidas autorizou o reforço da força da AMISOM de oito mil
para 12 mil efectivos. UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL ' UNSC Resolution S/RES/
1964 (2010) The situation in Somalia. 22 de Dezembro de 2010. [Consultado em:
Dezembro de 2010]. Disponível em: http://www.un.org/Docs/sc/
unsc_resolutions10.htm, p. 3.
24
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL ' Report of the Secretary-General on the
Situation in Somalia (S/2009/684) [Consultado em: 8 de Janeiro de 2010].
Disponível em: http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html, p. 12.
25
De acordo com o comando da operação "Atalanta", "The common
funding for the operation amounted to EUR 8.4 million for 2010 and EUR 7.8
million for 2011. This budget, which is shared between the EU Member States and
is established on the basis of their GDP, mainly covers the running costs of
the Operational Headquarters (Northwood ' UK) and the Force Headquarters
(onboard the Flagship, in the theatre of operation). Costs of supplying
military assets and personnel are shared by the contributing states and
established according to their involvement in the operation, with each state
continuing to bear the cost of the resources it deploys." [Consultado em:
13 de Março de 2011]. Disponível em: http://www.eunavfor.eu/about-us/mission.
26
EUROPEAN UNION COUNCIL GENERAL SECRETARIAT ' EU Council Secretariat factsheet
' EU engagement in Somalia. [Consultado em: 18 de Fevereiro de 2010].
Disponível em: http://www.consilium.europa.eu.
27
Department of Political Affairs e Department of Field Support.
28
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL ' Report of the Secretary-General on the
situation in Somalia (S/2009/684). [Consultado em: 8 de Janeiro de
2010]. Disponível em: http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html, p. 8.
29
O financiamento do per diem dos seus elementos e outros apoios vão continuar a
serem garantidos pela Comissão Europeia.
30
BRANDÃO, Eduardo Serra ' "Afinal o que é a pirataria?", In Jornal
Defesa e Relações Internacionais, 17 de Fevereiro de 2010. Disponível em :
http://www.jornaldefesa.com.pt/conteudos/view_txt.asp?id=766
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