Propriedades psicométricas da escala de ansiedade social para adolescentes em
jovens institucionalizados
ABSTRACT
The main aim of the present study was to examine the psychometric properties of
the Social Anxiety Scale for Adolescents (SAS-A) among a sample of
institutionalized youths. Based on this sample (N = 221), the Portuguese
version of the SAS-A demonstrated good psychometric properties, namely in terms
of factor structure, internal consistency, convergent validity, and
discriminant validity that generally justifies its use. Positive correlations
were found with the empathy construct and negative correlations with Conduct
Disorder diagnosis, cannabis use, and physical violence.
Key- words - Assessment; Social Anxiety Scale for Adolescents (SAS-A);
Adolescence
A ansiedade social tem vindo a ser associada com a presença de perturbações do
desenvolvimento na adolescência, nomeadamente interferindo significativamente
com o saudável estabelecimento e desenvolvimento das relações interpessoais e
sociais tão importantes para a solidificação do sentido de identidade pessoal
dos jovens. Alguns estudos (e.g., Davidson, Hughes, George, & Blazer, 1993;
Francis, Last, & Strauss, 1992) efetuados na década de 90 já apontam para o
papel nefasto que a ansiedade social desempenha a nível dos problemas de
comportamento, abuso de substâncias, ideação suicida, patologia depressiva,
abandono escolar e faltas de assiduidade em jovens e crianças.
Apesar de algumas investigações mais recentes terem vindo a comprovar que a
adolescência, enquanto fase crítica do desenvolvimento pessoal, torna os
sujeitos especialmente vulneráveis à ansiedade social (e.g., Elizabeth, King,
& Ollendick; Levpuscek, 2004), a investigação deste fenómeno em jovens e
crianças tem sido muito menor do que a investigação efetuada em adultos (Beidel
et al., 2007). Um desenvolvimento recente na investigação em adultos, por
exemplo, surgiu dos estudos de Tibi-Elhanany e Shamay-Tsoory (2011) sobre a
associação positiva e estatisticamente significativa entre ansiedade social e
empatia, i.e., indivíduos com altos níveis de ansiedade social demonstram
capacidades sociocognitivas únicas caraterizadas por tendências empáticas
cognitivamente elevadas e alta precisão nas atribuições de estados mentais
afetivos.
Um dos motivos apontados para a pouca investigação do constructo da ansiedade
social em adolescentes e crianças está relacionada com a escassez de
instrumentos psicométricos fiáveis que o meçam em populações não-adultas
(Inderbitzen-Nolan & Walters, 2000; La Greca, 1998). A Escala de Ansiedade
Social para Adolescentes (Social Anxiety Scale for Adolescents ' SAS-A; La
Greca & Lopez, 1998) surgiu da adaptação para a população adolescente da
Escala de Ansiedade Social para Crianças ' Revista (Social Anxiety Scale for
Children-Revised ' SASC-R; La Greca & Stone, 1993), que, por sua vez, foi
inicialmente desenvolvida a partir de estudos efetuados por Watson e Friend
(1969) sobre avaliação da ansiedade social em adultos. A SAS-A pode ser
aplicada a jovens entre os 12 anos e os 18 anos, sendo constituída por 18 itens
ordinais de 5 pontos (De forma nenhuma a Todas as vezes) e mais 4 itens neutros
que não são cotados.
A utilização de análise fatorial numa amostra escolar de 250 participantes
permitiu a La Greca e Lopez (1998) identificar as três subescalas que
constituem atualmente a SAS-A. A primeira subescala, designada Medo de
Avaliação Negativa (Fear of Negative Evaluation ' FNE), tem 8 itens e reflete
medos e preocupações relativamente a avaliações dos pares. A segunda e terceira
subescalas são designadas Evitamento e Aflição Social (Social Avoidance and
Distress ' SAD) Novo (New) e Geral (General), respetivamente. A SAD-Novo tem 6
itens e reflete a evitação e a aflição social relativamente a novas situações
ou pares não-familiares, enquanto a SAD-Geral tem 4 itens e reflete um mal-
estar social mais generalizado e abrangente, desconforto e inibição. A SAS-
A demonstrou possuir uma boa consistência interna, com alfas de Cronbach de
0,91, 0,83 e 0,76 para as subescalas FNE, SAD-Novo e SAD-Geral, respetivamente
(La Greca & Lopez, 1998).
Inderbitzen-Nolan e Walters (2000) utilizaram análise fatorial confirmatória
numa amostra escolar constituída por 2937 participantes e replicaram com
sucesso a estrutura de três fatores (X2 = 1551,83; GFI = 0,94; CFI = 0,94)
previamente obtida por La Greca e Lopez (1998), reforçando a ideia de que estas
subescalas representam facetas distintas mas interrelacionadas da ansiedade
social. A consistência interna obteve também bons resultados uma vez que esteve
sempre acima de 0,70. A nível da validade de constructo obtiveram-se também
bons resultados dadas as correlações positivas estatisticamente significativas
entre a SAS-A e a RCMAS (Escala Revista de Ansiedade Manifesta para Crianças) e
o CDI (Inventário de Depressão para Crianças). Também consistente com estudos
prévios (e.g., La Greca, 1998), confirmou-se que as raparigas relatam ter
níveis mais elevados de ansiedade social que os rapazes.
Na realidade nacional portuguesa, Cunha, Pinto Gouveia, Alegre e Salvador
(2004) utilizaram uma amostra escolar de 522 participantes provenientes de 6
escolas do Concelho de Coimbra para analisar as propriedades psicométricas duma
versão portuguesa da SAS-A. Utilizando Análise de Componentes Principais com
rotação Varimax, não foi possível a estes autores replicar adequadamente a
estrutura fatorial da versão original norte-americana da SAS-A dado que vários
itens (nomeadamente os itens 6, 17 e 15) não saturaram nas dimensões corretas.
Por outro lado, a consistência interna desta versão portuguesa modificada da
SAS-A revelou-se adequada dado que esteve sempre acima de 0,70, além de que
também se encontraram correlações positivas estatisticamente significativas com
a RCMAS e o CDI.
O presente estudo teve por objetivo principal analisar as propriedades
psicométricas da SAS-A numa amostra de adolescentes institucionalizados, mais
especificamente a nível da estrutura fatorial deste instrumento utilizando para
tal análise fatorial confirmatória. O objetivo secundário consistiu em analisar
na mesma amostra de adolescentes a relação entre ansiedade social e empatia,
nomeadamente a existência de uma eventual associação positiva e
estatisticamente significativa entre estas duas variáveis.
MÉTODO
Participantes
A amostra foi recolhida nos Centros Educativos existentes a nível nacional em
Portugal, que são geridos pela Direção-Geral de Reinserção Social. Um total de
221 participantes do sexo masculino (M = 16,75; DP = 1,41; amplitude = 13 - 20
anos) concordaram em participar voluntariamente na presente investigação. Os
participantes tinham uma proveniência predominantemente urbana (92,8%), eram
predominantemente europeus (54,3%) em termos étnicos e encontravam-se
internados por ordem judicial.
Material
A Escala de Ansiedade Social para Adolescentes (Social Anxiety Scale for
Adolescents ' SAS-A; La Greca & Lopez, 1998) avalia as experiências de
ansiedade social dos adolescentes no contexto das relações com os seus pares. É
uma escala de auto-resposta constituída por 22 itens, dos quais 4 são itens
neutros não contabilizados na cotação total. Os itens são avaliados segundo uma
escala ordinal de 5 pontos, que vai de De forma nenhuma a Todas as vezes. A
cotação da escala é feita de forma que quanto maior é a pontuação maior é a
ansiedade social medida, sendo que para além da pontuação total se pode obter
também as pontuações nas três subescalas, nomeadamente: FNE, SAD-Novo e SAD-
Geral (La Greca & Lopez, 1998).
O Dispositivo de Despiste de Processo Antissocial (Antisocial Process Screening
Device ' APSD; Frick & Hare, 2001) na versão de autorresposta (Muñoz &
Frick, 2007) é uma medida multidimensional de 20 itens projetada para avaliar
traços psicopáticos em adolescentes. Cada item é cotado numa escala ordinal de
3 pontos, de Nunca a Frequentemente. A pontuação total e as pontuações de cada
dimensão são obtidas somando os respetivos itens. Alguns estudos (e.g., Frick,
O'Brien, Wootton, & McBurnett, 1994) evidenciam a existência de dois
fatores: traços calosos/não-emocionais (CU) com seis itens (que explora
dimensões interpessoais e afetivas da psicopatia como a falta de culpa e a
ausência de empatia) e impulsividade/problemas de comportamento (I-CP) com 10
itens (que explora aspetos comportamentais a nível de problemas de
comportamento e controlo de impulsos). Outros estudos (e.g., Frick, Barry,
& Bodin, 2000) evidenciam a uma estrutura de três fatores na qual o fator
I-CP anteriormente descrito se subdivide em outros dois fatores, nomeadamente
narcisismo (Nar) e impulsividade (Imp). Pontuações mais elevadas indicam maior
presença dos traços em questão. Na presente investigação foi utilizada a versão
portuguesa do APSD-SR (Pechorro, Marôco, Poiares, & Vieira, 2013). A
consistência interna por Alfa de Cronbach para a presente investigação foi de
0,81.
O Inventário de Traços Calosos/Não-emocionais (Inventory of Callous-Unemotional
Traits ' ICU; Essau, Sasagawa, & Frick, 2006) é uma medida multidimensional
de autorresposta constituída por 24 itens desenhada para avaliar traços
calosos/não-emocionais (i.e., frieza/insensibilidade emocional) em jovens. Cada
item é cotado numa escala ordinal de 4 pontos, de Totalmente falso a Totalmente
verdade. Através de análise fatorial confirmatória permitiu identificar três
dimensões independentes, nomeadamente Callousness, Unemotional e Uncaring.
Pontuações mais elevadas indicam maior presença dos traços em questão. Na
presente investigação foi utilizada a versão portuguesa do ICU (Pechorro, Ray,
Barroso, Maroco, & Gonçalves., in press). A consistência interna por Alfa
de Cronbach para a presente investigação foi de 0,90.
O Questionário de Agressividade Reativa-Proativa (Reactive-Proactive Aggression
Questionnaire ' RPQ; Raine et al., 2006) é uma medida de autorresposta
constituída por 23 itens que distingue entre agressividade reativa e proativa.
Cada item é cotado em escala ordinal de 3 pontos, de Nunca a Frequentemente. A
pontuação total e as pontuações de cada dimensão são obtidas somando os
respetivos itens. O RPQ pode ser utilizado com adolescentes e jovens adultos.
Pontuações mais elevadas indicam maior presença dos traços em questão. Na
presente investigação foi utilizada a versão portuguesa do RPQ (Pechorro,
Maroco, Ray, & Gonçalves, in press). A consistência interna por Alfa de
Cronbach para a presente investigação foi de 0,93.
A Escala de Empatia Básica (Basic Empathy Scale ' BES; Jolliffe &
Farrington, 2006) é uma medida de autorresposta constituída por 20 itens,
desenhada para medir duas dimensões da empatia em jovens: empatia afetiva e
empatia cognitiva. Cada item é cotado em escala ordinal de 5 pontos, de
Discordo totalmente a Concordo totalmente. A pontuação total e as pontuações de
cada dimensão são obtidas somando os respetivos itens. Pontuações mais elevadas
indicam maior presença dos traços em questão. Na presente investigação foi
utilizada a versão portuguesa da BES (Pechorro, Ray, Salas-Wright, Maroco,
& Gonçalves, in press). A consistência interna por Alfa de Cronbach para a
presente investigação foi de 0,91.
Adicionalmente foi construído um questionário para descrever as variáveis
sociodemográficas dos participantes. Este questionário incluiu variáveis como
idade, nacionalidade, grupo étnico, proveniência rural vs. urbana, nível de
escolaridade concluído, posição social, estado civil dos pais, consumo de
álcool, consumo de cannabis, e história de agressão física contra pessoas. A
posição social foi medida através da combinação do nível de escolaridade dos
pais e suas profissões (Simões, 1994).
Procedimento
A autora principal da SAS-A, Annette La Greca, foi contatada no sentido de
autorizar a utilização e validação em adolescentes portugueses. Devido aos
problemas evidenciados anteriormente por Cunha et al. (2004) a nível de
saturação cruzada de itens, optou-se por efetuar uma nova tradução portuguesa
da SAS-A. No processo de tradução e de retroversão foram seguidos os
procedimentos adequados (Hambleton, Merenda, & Spielberger, 2005). A
tradução inicial de Inglês para Português foi efetuada pelos primeiro e segundo
autores deste artigo, seguida da retroversão por um tradutor especialista. Não
foram encontradas diferenças relevantes entre a retroversão e a versão
original, ficando demonstrado que os itens traduzidos tinham um significado
idêntico ou muito semelhante aos itens originais em Inglês.
A Direcção-Geral de Reinserção Social concedeu autorização para avaliar os
jovens internados nos Centros Educativos existentes a nível nacional. Os
potenciais participantes foram informados sobre os objetivos do estudo, sendo
salientado que a participação era voluntária, anónima e confidencial. Nem todos
os jovens abordados participaram no estudo, nomeadamente devido a: recusa em
ser avaliado, não ser fluente na língua portuguesa e isolamento por questões de
segurança. A avaliação foi feita através de entrevistas individuais em contexto
apropriado. Foram também utilizados dados constantes nos processos de
internamento dos jovens. O primeiro autor fez o diagnóstico de Perturbação do
Comportamento (American Psychiatric Association, 2013).
Os dados foram analisados utilizando o SPSS v22 (IBM SPSS, 2013) e o EQS 6.2
(Bentler & Wu, 2008). A estrutura fatorial da versão Portuguesa do SAS-
A foi avaliada com Análise Fatorial Confirmatória (AFC) efetuada no software
EQS com métodos robustos de estimação. Os índices de ajustamento calculados
incluíram: Qui-quadrado de Satorra-Bentler/graus de liberdade, CFI (Comparative
Ft Index), IFI (Incremental Fit Index), RMSEA (Root Mean Square Error of
Approximation). Um qui-quadrado/graus de liberdade = 2 é considerado bom e
valores = 1 são considerados muito bons (Marôco, 2014). CFI = 0,90 e RMSEA =
0,10 são considerados ajustamento adequado, enquanto que CFI = 0,95 e RMSEA =
0,06 indicam um ajustamento bom (Byrne, 2006). Um IFI = 0,90 é considerado
aceitável. Em caso de necessidade seriam utilizados Índices de Modificação para
melhorar o ajustamento.
A AFC foi efetuada diretamente nos itens da SAS-A e somente valores com
saturação = 0,45 foram considerados. Optou-se pela utilização de correlações
policóricas nos itens ordinais porquês estas proporcionam melhores resultados
(Holgado-Tello, Chacón-Moscoso, Barbero-García, & Vila-Abad, 2010).
Correlações Pearson foram utilizadas para analisar as associações entre
variáveis escalares, enquanto as correlações bisseriais por ponto foram
utilizadas para analisar a relação entre variáveis nominais dicotómicas e
variáveis escalares (Leech, Barrett, & Morgan, 2008; Tabachnick &
Fidell, 2007). Os resultados foram considerados significativos se p = 0,05 e
marginalmente significativos se p = 0,1 (Aron, Coups, & Aron, 2013).
RESULTADOS
O nosso primeiro passo na análise das propriedades psicométricas da versão
portuguesa da SAS-A foi a tentativa de replicação da estrutura fatorial através
de análise fatorial confirmatória. Utilizando o método ML Robust obtivemos
resultados em termos de índices de ajustamento que confirmam a estrutura
fatorial tridimensional obtida por La Greca e Lopez (1998), nomeadamente: S-
BX2/df = 252,45/132; IFI = 0,94; CFI = 0,94; RMSEA (90% CI) = 0,07 (0,06 '
0,08). No quadro_1 apresentamos as cargas fatoriais obtidas na nossa amostra.
De salientar que todos os itens tiveram saturações acima de 0,45.
No quadro_2 apresentamos as correlações entre a SAS-A e as suas dimensões.
O passo seguinte consistiu na estimação dos Alfa de Cronbach, das médias das
correlações inter-itens e das amplitudes das correlações item-total corrigidas
da SAS-A e das suas dimensões (ver quadro_3).
A validade convergente foi efetuada com a BES dada a correlação positiva
esperada entre ansiedade social e empatia, enquanto a validade discriminante
foi efetuada com o APSD-SR, o ICU e o RPQ (ver quadro_4).
Foram também analisadas as correlações da SAS-A e suas dimensões com as
seguintes variáveis: diagnóstico de Perturbação do Comportamento da DSM-5,
consumo de álcool, consumo de cannabis e agressões físicas contra pessoas (ver
quadro_5).
DISCUSSÃO
O presente estudo teve por objetivo principal analisar as propriedades
psicométricas da SAS-A numa amostra de adolescentes institucionalizados, tendo
também o objetivo secundário de analisar a relação entre ansiedade social e
empatia. A utilização de análise fatorial confirmatória permitiu confirmar
integralmente a estrutura da versão americana original (La Greca & Lopez,
1998) na nossa amostra portuguesa, contrariamente ao que se passou com a versão
anteriormente adaptada por Cunha et al. (2004) na qual se constataram problemas
de saturação cruzada de itens. O ajustamento do modelo de três fatores inter-
correlacionados foi considerado bastante bom à luz dos índices de ajustamento,
incluindo a saturação dos itens nas respetivas dimensões que estiveram sempre
acima de 0,45. A matriz de correlações entre a SAS-A e as suas dimensões também
revelou as esperadas correlações moderadas a altas (La Greca & Lopez, 1998;
Olivares et al., 2005).
A análise da consistência interna através de alfa de Cronbach revelou valores
bons sempre acima do limite recomendado de 0,70 (Cortina, 1993; Kaplan &
Saccuzzo, 2009), em linha com estudos feitos anteriormente (Inderbitzen-Nolan
& Walters, 2000; La Greca & Lopez, 1998; Olivares et al., 2005). Em
termos das médias das correlações inter-itens a SAS-A total e a dimensão Geral
obtiveram valores dentro dos limites recomendados de 0,15 a 0,50, mas as
dimensões Novo e FNE estiveram acima do limite máximo, o que indicia uma
excessiva homogeneidade dos itens que as constituem (Clark & Watson, 1995;
Domino & Domino, 2006). Em termos das correlações item-total corrigidas a
SAS-A e todas as suas dimensões estiveram sempre bem acima do valor mínimo
recomendado de 0,30 (Kaplan & Saccuzzo, 2009; Nunnally & Bernstein,
1994).
A validade convergente da SAS-A e suas dimensões com a BES revelou as
correlações positivas estatisticamente significativas previamente descritas em
adultos por Tibi-Elhanany e Shamay-Tsoory (2011), demonstrando-se assim a
esperada sobreposição destes constructos também em adolescentes especialmente
no que se refere à dimensão FNE. A validade discriminante da SAS-A e suas
dimensões com o APSD-SR, o ICU e o RPQ revelou as esperadas correlações
negativas ou não-significativas, sendo especialmente de salientar as
correlações negativas significativas com o ICU (American Psychological
Association, 1999; Kaplan & Saccuzzo, 2009). As correlações da SAS-A e suas
dimensões com o diagnóstico de Perturbação do Comportamento, consumo de
cannabis e agressões físicas revelaram-se negativas e estatisticamente
significativas apenas no que concerne à dimensão SAS-A Geral, não havendo
quaisquer correlações significativas com a variável consumo de álcool. A alta
prevalência do diagnóstico de Perturbação do Comportamento na nossa amostra
(94,1%) pode ser considerada mais elevada que as que tipicamente se encontram
em populações de jovens do sexo masculino institucionalizados (Sevecke &
Kosson, 2010).
Em termos de limitações da nossa investigação, podemos afirmar que no futuro
será necessário replicar as propriedades psicométricas da SAS-A em amostras
clínicas e que incluam raparigas de forma a testar a hipótese de que estas têm
tipicamente níveis mais altos de ansiedade social. Será necessário também
efetuar outros tipos de procedimentos psicométricos, como a avaliação da
estabilidade temporal (teste-reteste) e a validade convergente com outras
medidas específicas de ansiedade social. Apesar destas limitações, os
resultados do nosso estudo permitem-nos concluir que a SAS-A é um instrumento
válido e fiável quando aplicado aos jovens portugueses.