Relação entre atitudes sexuais, conhecimentos e atitudes sobre VIH/Sida na
orientação sexual
Relação entre atitudes sexuais, conhecimentos e atitudes sobre VIH/Sida na
orientação sexual
As atitudes e os conhecimentos referentes à sexualidade dos jovens,
nomeadamente no que diz respeito ao VIH/Sida não se têm mantido constantes ao
longo do tempo em resultado das profundas mudanças sócio-culturais verificadas
nos últimos anos. Neste sentido, enunciou-se o seguinte problema de
investigação: que relação existe entre o nível de conhecimento sobre os modos
de transmissão do VIH/Sida, as atitudes sexuais e as atitudes face aos
portadores do VIH/Sida, em estudantes universitários? Pretendemos também
clarificar o modo como os conhecimentos e as atitudes se relacionam com a
orientação sexual.
A orientação sexual é entendida como a atração sexual direcionada para alguém
do mesmo sexo (homossexualidade), do sexo oposto (heterossexualidade) e por
membros de ambos os sexos (bissexualidade).
A incidência da infeção do vírus da imunodeficiência humana/síndrome da
imunodeficiência adquirida - VIH/Sida entre a população heterossexual tem vindo
a aumentar sistematicamente e continua a existir uma percentagem na população
homo/bissexual significativa, em particular em jovens adultos (CVEDT, 2009;
UNAIDS, 2008).
No ano de 2009 em Portugal, a categoria de transmissão heterossexual registou
61,2% dos casos notificados, a transmissão associada à toxicodependência
apresentou o valor de 14,8% e os casos homo/bissexuais foram de 19,7% do total
(CVEDT,2009).
Segundo a UNAIDS (2008), no final de 2007 cerca de 33 milhões de pessoas viviam
com a infeção do VIH em todo o mundo e 45% das novas infeções por VIH/Sida
ocorrem em jovens com idades entre os 15 e os 24 anos.
Tendo em conta que o período de incubação do VIH, de acordo com as
investigações publicadas, pode variar entre os 6 e os 12 anos, significa que a
maior parte destes indivíduos foi, muito provavelmente, infetada durante a
adolescência ou início da idade adulta (Reis, Ramiro, Carvalho & Pereira,
2009). Na ausência de uma cura eficaz e tendo em conta a própria epidemiologia
da doença, o controlo e prevenção da Sida dependem sobretudo da mudança de
comportamentos, em particular a nível sexual.
São várias as investigações que referem que o conhecimento, apesar de
necessário, não é suficiente para as pessoas modificarem o seu comportamento,
uma vez que existem outros fatores, tais como atitudes, crenças, aptidões
comportamentais e motivação, que podem interferir nos diferentes tipos de
comportamento, considerando-se a mudança de comportamentos um processo
extremamente complexo, que se desenvolve em várias etapas e difere de indivíduo
para indivíduo, de acordo com as suas características psicológicas, sociais e
culturais (Matos, 2008).
Mas na ausência de uma cura para o VIH/Sida, a prevenção e o combate ao VIH/
Sida passam pela adoção e manutenção de comportamentos seguros, bem como pela
diminuição dos comportamentos discriminatórios relativamente à orientação
sexual de cada sujeito.
Verificando-se atualmente uma maior abertura relativamente às pessoas que se
identificam como não sendo heterossexuais, podemos igualmente observar
tentativas constantes de questionar os avanços sociais propostos por essa
população, nomeadamente em questões de parentalidade ou de reconhecimento por
parte da sociedade quanto às suas relações íntimas.
Deste modo, persistem mitos na nossa sociedade acerca da homossexualidade,
enraizados na nossa cultura, sendo por vezes idênticos a outros mitos de índole
sexista ou racista. Vivemos numa cultura homofóbica que é interiorizada e
reproduzida de igual modo pelos profissionais das mais variadas áreas do
conhecimento, incluindo os psicólogos, psiquiatras e todos aqueles que lidam de
uma forma constante com as questões relacionadas com o funcionamento mental
(Crawford, McLeod, Zamboni & Jordan, 1999).
Um dos mitos mais comuns é o de que as crianças que crescem no seio de uma
família homossexual serão elas próprias homossexuais futuramente, ou que
exibirão alguma ambiguidade em termos da sua sexualidade. Este mito é refutado
pelos estudos de Bailey, Bobrow, Wolfe e Mikach (1995) e Golombok e Tasker
(1996), entre outros, ao concluírem que a maioria de filhos de pessoas
homossexuais apresenta uma orientação sexual heterossexual.
Outra questão, que geralmente se verifica, é a de que as crianças com pais
homossexuais terão dificuldades ao nível da adaptação social, uma vez que
sofrerão o estigma social associado à expressão da sua sexualidade. Embora se
possa alegar que este argumento tem claramente em consideração a segurança da
criança, coloca um problema de discriminação ' não ao nível daqueles que a
praticam mas sim nos alvos dessa discriminação (a família) ' numa atitude clara
de culpabilizar a vítima pelos atos alheios. Tal atitude de culpabilização não
se confina ao tema da orientação sexual. Mohr (1988) estabelece um paralelo com
os casais inter-raciais, igualmente alvo de discriminação social; de igual
modo, Leal (2004) aponta para o facto de determinadas variáveis como a etnia, a
condição social e mesmo as características físicas serem igualmente socialmente
discriminadas, não sendo, contudo, impedimento de acesso à parentalidade.
Assim, o argumento parece apenas funcionar como forma de institucionalizar a
discriminação, uma vez que os estudos efetuados caminham em sentido contrário
ao evidenciarem que as crianças de pais homossexuais têm relações satisfatórias
e adequadas com os seus pares e os adultos (Patterson 2000,2004; Perrin, 2002;
Stacey & Biblarz, 2001; Tasker,1999; Tasker & Golombok, 1997). Ligada
intimamente à ideia de desadequação social das crianças de pais homossexuais
está a noção de que estas crianças sofrem pela falta de modelos parentais
apropriados; considera-se geralmente que existe um défice na estrutura familiar
que não permite o desenvolvimento das crianças, por estas não terem contacto
com modelos do sexo oposto ao dos seus pais. De acordo com Clarke (2001), tal
perceção advém da ideia errónea que os homossexuais apenas se socializam com
pessoas do mesmo sexo, evidenciando desta maneira a forma segregadora como se
constroem as ideias sobre determinadas populações. Um estudo de
Golombok,Spencer e Rutter (1983) indica-nos que os contactos das crianças de
mães lésbicas não são exclusivamente homossexuais, mas de igual modo
heterossexuais.
Devemos ter em conta que este argumento se coloca igualmente em outras formas
de família (pais separados, famílias em que existe apenas um progenitor), pelo
que não é exclusivo das famílias homossexuais.
Um outro mito recorrente é o de que as crianças de pais homossexuais estarão
mais sujeitas a situações de abuso sexual. Contudo, o abuso sexual de crianças
não se encontra diretamente relacionado com a orientação sexual do indivíduo
(Howitt, 1995; Jenny, Roesler & Poyer, 1994; Sarafino, 1979; Stevenson,
2000).
Por sua vez, a Associação Americana de Pediatria afirmou em comunicado oficial
que o desenvolvimento da criança será influenciado não pela estrutura da
família, mas pela natureza das relações e interações que esta fornece e
possibilita (Perrin, 2002).
Assim, verificamos, através da análise de alguns dos vários mitos relativos à
homossexualidade, que esses mitos não se baseiam em literatura científica mas
na perpetuação de estereótipos e preconceitos sobre a população homossexual.
Como tal, é importante que tenhamos, enquanto profissionais de psicologia,
noção desta realidade e que atuemos no sentido de a contrariar em todos os
contextos nos quais nos movimentamos.
Em termos de educação, é crucial educar os jovens, todos, antes destes se
depararem com tomadas de decisão acerca da sua sexualidade e comportamentos
sexuais, o que implica trabalhar na aquisição de conhecimentos mas, também, de
atitudes, crenças e competências importantes na promoção de uma vida sexual e
reprodutiva saudável (Reis et al., 2009), respeitando simultaneamente as
diferenças de género e de orientação sexual.
Deste modo, torna-se pertinente aprofundar os conhecimentos e atitudes sobre o
VIH/Sida, bem como as atitudes sexuais e a orientação sexual pelo facto destes
serem aspectos importantes relacionados com a vivência positiva da sexualidade.
Estudo SSREU - HBSC/OMS ' Saúde Sexual e Reprodutiva dos Estudantes
Universitários
O HBSC/OMS (Health Behaviour in School-aged Children) é um estudo colaborativo
da Organização Mundial de Saúde (www.hbsc.org ) que pretende estudar os
comportamentos de saúde em adolescentes em idade escolar e está inscrito numa
rede internacional de investigação constituída por 43 países europeus, entre os
quais Portugal, integrado desde 1996 e membro associado desde 1998 (Currie,
Samdal, Boyce, & Smith, 2001).Pretendeu-se alargar este estudo aos alunos
do ensino superior português no que diz respeito ao tema da saúde sexual e
reprodutiva.
Deste modo é objetivo do presente estudo, caracterizar comportamentos face à
sexualidade, avaliar as atitudes sexuais, os conhecimentos e atitudes face ao
VIH/Sida, nos jovens heterossexuais, bissexuais e homossexuais.
MÉTODO
Participantes
Como se pode ver na quadro_1, a amostra total do estudo SSREU de 2010,
realizado pela equipa do Projecto Aventura Social, é constituída por 3278
estudantes, dos quais 30,3% são do género masculino e 69,7% do género feminino
(distribuição esta que é aproximadamente a encontrada na população
universitária portuguesa; DGES/MCTES, 2011), com uma média de idades de 21 anos
(DP=3,00). A maioria dos participantes é de nacionalidade portuguesa (97,3%),
de religião católica (71,9%), solteira (95,5%) e refere ser heterossexual
(96,5%).
De forma a obter-se uma amostra parcial e equitativa (heterossexual vs não
heterossexual ' bissexual e homossexual) efetuou-se uma seleção aleatória de 5%
da amostra heterossexual.
Sendo assim a amostra parcial é constituída por 239 estudantes, dos quais 36,8%
são do género masculino e 63,2% do género feminino, com uma média de idades de
21 anos (DP=2,99). A maioria dos participantes é de nacionalidade portuguesa
(97,5%), de religião católica (67,4%) e solteira (97,1%). No que diz respeito à
orientação sexual, 57,7% referem ser heterossexuais, 33,1% homossexuais e 9,2%
bissexuais (ver quadro_2).
Material
O questionário internacional do HBSC/OMS é desenvolvido numa lógica de
cooperação pelos investigadores dos países que integram a rede. O Questionário
de Saúde Sexual e Reprodutiva dos Estudantes Universitários (QSSREU) (Matos,
Reis & equipa aventura social, 2011) utilizado neste estudo, resultou do
protocolo internacional no que diz respeito às questões aplicáveis a nível
demográfico, bem como nas relacionadas com o comportamento sexual, atitudes e
conhecimentos face ao VIH/Sida. Para além dessas, acrescentaram-se outras,
nomeadamente no que diz respeito aos conhecimentos e atitudes face à
contraceção; as atitudes sexuais; as competências relativas ao preservativo e
aos comportamentos de risco; e acrescentaram-se, também, questões sobre
educação sexual.
O QSSREU foi sujeito a um painel de especialistas e a pré-teste e teve a
aprovação da Comissão de Ética do Hospital São João do Porto, da Comissão
Nacional de Proteção de Dados e do Conselho Consultivo da Equipa Aventura
Social.
Do questionário, foram selecionadas para este estudo específico questões
relacionadas com aspetos sociodemográficos, ter relações sexuais, idade da
primeira relação sexual, atitudes sexuais, atitudes face ao VIH/Sida e
conhecimentos sobre VIH/Sida.
Procedimento
De modo a obter uma amostra representativa da população que frequenta o ensino
superior em Portugal, efetuou-se uma seleção aleatória, estratificada por
regiões do país, das universidades e institutos politécnicos, quer do ensino
público quer do privado. Dos 144 institutos/universidades de Portugal
continental procedeu-se à recolha de 5 instituições na região norte, 4
instituições na região centro, 5 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 2 na
região do Alentejo e 3 na do Algarve.
A técnica de recolha da amostra foi a cluster sampling, considerando-se a
turma o cluster. Assim, recolheram-se questionários em 124 turmas num total
de 3278 alunos inscritos no ano letivo de 2009/2010. A administração dos
questionários realizou-se no contexto da sala de aula e o preenchimento dos
questionários foi supervisionado pelo investigador responsável pelo estudo.
Antes do preenchimento, os estudantes foram informados que a resposta ao
questionário era voluntária, confidencial e anónima. O tempo de preenchimento
do questionário situou-se entre os 60 e os 90 minutos.
RESULTADOS
As análises e procedimentos estatísticos foram efetuados através do programa
Statistical Package for Social Sciences (SPSS, versão 19.0) para Windows.
Questões: ter relações sexuais e idade da primeira relação sexual
A maioria dos jovens afirma já ter tido relações sexuais (92,1%) e iniciou a
sua vida sexual a partir dos 16 anos (75,9%). Dos jovens que referem ter
iniciado a sua vida sexual, 36,8% são rapazes e 63,2% são raparigas.
Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o género e a
orientação sexual para a idade da primeira relação sexual (?2(3) = 8,56; p =
0,03; (?2(6) = 19,96; p = 0,003, respetivamente).
Os resultados mostraram que, apesar da maioria da amostra parcial mencionar ter
tido a 1ª relação sexual aos 16 aos ou mais tarde (75,9%), os homens (6,2%; 8,6
% e 17,3%) mais frequentemente que as mulheres (0,7%; 4,3% e 14,4% ) iniciaram
mais novos (aos 11anos ou menos, entre os 12 e os 13 anos e entre os 14 e 15
anos). Quanto à orientação sexual (heterossexual, bissexual e homossexual),
verificou-se que os homossexuais (6,9%) mais frequentemente que os
heterossexuais (0%) iniciaram mais novos (aos 11 anos ou menos) e os
heterossexuais (81,9%) mais frequentemente que os homossexuais (66,7%)
iniciaram aos 16 anos ou mais tarde. Não foram encontradas diferenças
estatisticamente significativas entre a bissexualidade e a heterossexualidade e
homossexualidade (ver quadro_3 e 4).
Diferenças na Orientação Sexual para as variáveis em estudo
A análise das diferenças quanto à orientação sexual para as atitudes face à
sexualidade, as atitudes face aos portadores de VIH/Sida e os conhecimentos
sobre o VIH/Sida foi efetuada através da ANOVA para comparar grupos
independentes.
A comparação quanto à orientação sexual para as variáveis em estudo mostrou
diferenças estatisticamente significativas para as atitudes sexuais (F(2, 226)
= 3,93; p = 0,02) e as atitudes face aos portadores do VIH/Sida (F(2, 234) =
3,08; p = 0,04), no sentido dos heterossexuais apresentarem valores médios
superiores aos dos bissexuais para as atitudes sexuais (M = 69,57; DP = 8,78 e
M = 63,05; DP = 14,16, respetivamente); e para as atitudes face aos portadores
do VIH/Sida, os bissexuais (M = 5,91; DP = 1,72) apresentaram valores médios
superiores aos dos homossexuais (M = 5,24; DP = 0,79). Lembremos, que para as
atitudes face ao VIH/Sida quanto mais elevado o resultado obtido, mais elevado
o grau de discriminação face aos portadores do VIH/Sida.
Correlações bivariadas entre as variáveis em estudo
Analisaram-se as associações entre as variáveis do estudo, através de
correlações de Pearson.
Como se pode observar no quadro_6, as atitudes sexuais associaram-se de forma
positiva, fraca e estatisticamente significativa com os conhecimentos sobre o
VIH/Sida (r = 0,21; p = 0,01).
Os conhecimentos sobre o VIH/Sida apresentaram correlação estatisticamente
significativa, negativa e fraca com as atitudes face aos portadores VIH/Sida (r
= -0,21; p = 0,01).
DISCUSSÃO
O presente estudo teve como objetivo central conhecer a sexualidade dos jovens
estudantes universitários, designadamente caracterizar comportamentos face à
sexualidade, avaliar as atitudes sexuais, os conhecimentos e atitudes face ao
VIH/Sida, nos jovens heterossexuais, bissexuais e homossexuais.
Os resultados obtidos permitem afirmar que a maioria é sexualmente ativa e teve
a sua primeira relação sexual aos 16 anos ou mais tarde.
Na comparação entre o género, verifica-se que existe uma tendência do género
masculino para iniciar a vida sexual antes do género feminino. Relativamente à
comparação da orientação sexual, observa-se que existe uma tendência de quem
menciona ser homossexual iniciar mais novo que os heterossexuais e estes por
sua vez mencionam que iniciam mais tarde a vida sexual.
No que diz respeito às atitudes sexuais e face aos portadores do VIH/Sida, os
resultados demonstraram que a maioria dos participantes, independente da
orientação sexual, apresenta uma atitude muito positiva em relação à
sexualidade e uma atitude muito pouco discriminatória em relação aos portadores
do VIH/Sida.
Verificou-se, ainda, que a maioria apresenta bons conhecimentos sobre os modos
de transmissão do VIH/Sida, o que nos sugere que estão sensibilizados em
relação ao VIH/Sida.
A análise comparativa mostrou diferenças estatisticamente significativas quanto
à orientação sexual para as atitudes face à sexualidade e aos portadores de
VIH/Sida, em que os heterossexuais apresentam uma atitude sexual mais positiva
do que os bissexuais e estes por sua vez apresentam uma atitude menos
discriminatória relativamente aos portadores do VIH/Sida do que os
homossexuais.
No estudo das correlações, verificou-se que as atitudes sexuais associaram-se
fraca e positivamente com os conhecimentos sobre o VIH/Sida e por sua vez os
conhecimentos face ao VIH/Sida associaram-se fraca e negativamente com as
atitudes em relação aos portadores do VIH/Sida, isto é, os conhecimentos
influenciam as atitudes, diminuindo os comportamentos de risco. Estes
resultados estão de acordo com as ideias defendidas por Matos (2008).
Em conclusão, a análise dos resultados relativos à problemática da Sida, no
estudo HBSC de 2002 e 2006 dos adolescentes portugueses (Matos et al., 2003;
Matos et al., 2006) sugere que os conhecimentos acerca da infeção do VIH/Sida
são importantes nas atitudes que estes têm face às pessoas infetadas uma vez
que, frequentemente, a infeção por VIH/Sida aparece associada a determinados
comportamentos de risco (consumo de drogas e relações sexuais desprotegidas) e
as pessoas infetadas tendem a ser alvos de exclusão social e a estar
relacionadas com esse tipo de comportamentos. Porém o risco de ser infetado com
VIH/Sida está relacionado com as diversas situações do dia a dia e não tem um
grupo de risco associado, assim como o conhecimento não é suficiente para
explicar as diferenças nas atitudes.
É ainda importante salientar o papel que a escola pode ter na discussão acerca
do conhecimento adequado dos modos de transmissão do VIH/Sida. As escolas têm
sido referidas como contextos privilegiados para planear intervenções que
proporcionem a participação dos alunos na construção da sua própria saúde e
para a promoção de atitudes positivas face aos outros - independentemente da
orientação sexual - em geral, e às pessoas infetadas com VIH, em particular.
Será ainda necessário fazer esforços no sentido de promover um sentimento de
ligação forte dos adolescentes ao meio escolar, como forma de aumentar a
perceção de um ambiente escolar positivo, uma perceção subjetiva de bem-estar,
um sentimento de pertença, uma perceção de auto-eficácia e de valor e,
consequentemente, permitir escolhas e opções por estilos de vida saudáveis de
forma consistente e sustentada.
Para a vivência da sexualidade dos jovens ser positiva e não discriminatória é
importante que se aposte na educação sexual como estratégia da saúde sexual e
reprodutiva.