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Representação em texto

EuPTHUHu1645-00862009000100008

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioHumanities
Great areaHuman Sciences
ISSN1645-0086
ano2009
Issue0001
Article number00008

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Comportamentos sexuais de risco em estudantes do ensino superior público da cidade de Bragança

O instinto sexual é algo que, desde os insectos ao ser humano, aparece de uma maneira extremamente forte, levando a certos comportamentos e gastando energias que se justificam biologicamente porque tornam possível algo fundamental à vida, nomeadamente, a propagação da espécie.

Actualmente, graças às técnicas, altamente eficazes, de contracepção e também de concepção ou reprodução assistida que surgiram nos últimos 50 anos, o sexo e reprodução não andam, necessariamente, juntos. O relacionamento sexual tem assim, na nossa espécie, além da função reprodutiva, dois papéis importantíssimos, designadamente, a satisfação de um instinto básico, tal como existe nos outros animais e, sobretudo, a criação de laços fortes entre duas pessoas que buscam o prazer mútuo.

Os jovens iniciam a sua vida sexual cada vez mais cedo (Nodin, 2001), pelo que a elaboração de estudos na área dos comportamentos sexuais têm sido considerados prioritários (Reis & Matos, 2008). Para um adolescente bem orientado, principalmente, quando a iniciação sexual acontece com um parceiro da mesma idade, isso não traz grandes problemas, mas sem a orientação necessária, a sexualidade precoce pode causar prejuízos físicos e emocionais, além de aumentar os riscos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e de uma gravidez indesejada (Alves & Lopes, 2008). Ao negligenciarem a prática da contracepção e de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, adolescentes e jovens podem expor-se ao VIH/SIDA e às demais doenças sexualmente transmissíveis, bem como a uma gravidez não planeada (Júnior et al., 2007).

Na literatura, as características dos jovens, frequentemente associadas ao comportamento sexual de risco são, o uso de drogas ilícitas, o consumo de álcool, a baixa idade das primeiras relações sexuais, a variabilidade de parceiros, o não uso de preservativo, o desempenho escolar, o historial de abuso sexual, o sexo, o nível socioeconómico, o nível de escolaridade, a idade, a idade dos pais e o estado civil dos mesmos. Ao investigar algumas destas variáveis, Poulin e Graham (2001) verificaram que, dos jovens que haviam iniciado a sua vida sexual, 6,4% relataram múltiplos parceiros e 57,3% confirmaram o uso inconsistente de preservativo. Além disso, 37,6% dos adolescentes que haviam mantido relações sexuais nos últimos 12 meses referiram tê-lo feito de forma não planeada sob a influência de álcool ou outra droga.

As DSTs desde sempre afectaram a Humanidade. Frequentemente causadoras de epidemias mais ou menos graves, responsáveis por muitas mortes, estas foram e são também um factor determinante de doenças crónicas de vários sectores do organismo, de infertilidade, impotência e frigidez.

Hoje em dia, a SIDA e a Hepatite B tornaram-se as mais ameaçadoras doenças que o sexo pode transmitir. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), metade das novas infecções por SIDA surgem em pessoas menores de 24 anos, sendo que a maioria se infecta pela relação sexual. A Clamydia, Gonorreia, Herpes, Papiloma Vírus Humano (PHV) e Pediculose púbica são também doenças sexualmente transmissíveis frequentes (Rocha et al., 2007).

As DSTs são transmitidas tanto pelas práticas heterossexuais, como pelas homossexuais. Elas podem ser transferidas para outras pessoas durante a relação sexual anal, oral ou vaginal. Algumas práticas sexuais, como uma relação anal, apresentam um risco maior de transmissão de certas doenças que outras práticas sexuais. Algumas DSTs podem também ser transmitidas pelo contacto directo, não sexual, com tecidos ou fluidos infectados. Um modo comum de transmissão não sexual é por meio do contacto com sangue infectado. Por exemplo, o compartilhar de agulhas com o uso de drogas endovenosas é a principal causa da transmissão do VIH e da Hepatite B. Outros meios de transmissão não sexual incluem, transfusões de sangue e hemoderivados contaminados; por meio da placenta, da mãe para o feto e, raramente, por meio do leite materno.

Determinados comportamentos aumentam o risco de contrair uma DST, tais como: a existência de vários parceiros sexuais (ou alteração de parceiros sexuais) com um histórico pessoal de qualquer DST; a existência de um parceiro com um histórico de qualquer DST ou com um histórico desconhecido e que consome drogas endovenosas; a existência de parceiros bissexuais ou homossexuais; a prática de relações sexuais anais; a prática de relações sexuais sem protecção; e, o consumo de qualquer substância que altere o estado do indivíduo, numa situação em que o sexo pode ocorrer. A este propósito, Hamburg (1999) e Brook et al.

(2006) defendem que o consumo de álcool e de outras substâncias estão na base de determinados comportamentos sexuais de risco, designadamente, acidentes rodoviários, violência, entre outros. Vários estudos mencionam que a desinibição e a crença de que o consumo de álcool aumenta o prazer sexual fazem com que as bebidas alcoólicas sejam, facilmente, consumidas antes ou durante os actos sexuais. Estes factores têm sido destacados por vários investigadores como apresentando correlações ou associações com o aparecimento de infecções, designadamente, as DSTs, o HIV e a SIDA (Cardoso et al., 2008; Stoner, 2007) Para diminuir o risco de transmissão ou de contracção de DST's, as pessoas devem optar por comportamentos seguros tais como o uso de preservativo durante a relação sexual. Taquette et al. (2004) verificaram que o uso infrequente do preservativo foi a principal variável associada à presença de DSTs. Outras práticas podem também ser consideradas tais como a abstinência, considerada por muitos, como a resposta absoluta para a prevenção de DSTs, contudo, pouco praticada e, na maioria dos casos, indesejável; um relacionamento sexual monogâmico com um indivíduo que se sabe estar livre de qualquer DST e, o aconselhamento, antes da gravidez, a mulheres com DSTs sobre o risco para o bebé.

Os estudos destinados à criação de intervenções para a prevenção de DSTs têm-se deparado com vários desafios nas últimas décadas. O conhecimento detalhado e sistemático dos comportamentos sexuais de risco é um dos aspectos fundamentais para o desenvolvimento de pesquisas que visam a criação de programas eficazes para a prevenção de DSTs (Reis & Matos, 2008).

O estilo de vida, caracterizado por um conjunto de comportamentos diários, representa um dos principais moduladores dos níveis de saúde e qualidade de vida das pessoas. Entre estes comportamentos, aqueles que podem afectar a saúde tais como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o fumo, os hábitos alimentares inadequados, os níveis insuficientes de actividade física, o uso de drogas ilícitas e os comportamentos sexuais, têm sido frequentemente investigados em adolescentes (Júnior & Lopes, 2004) e em jovens universitários (Alvarez & Nogueira, 2008; Gonzalez & Ribeiro, 2004; Reis & Matos, 2008). Tal facto justifica-se, segundo a OMS, por ser na adolescência e na fase adulta jovem que se concentra metade das infecções por VIH em todo o mundo (Nogueira et al., 2008).

O presente artigo tem como objectivos a identificação e a caracterização de comportamentos sexuais de risco nos alunos que frequentam o ensino superior público em Bragança. Estas informações serão úteis na medida em que podem contribuir para a definição de políticas de saúde adequadas à redução desses comportamentos de risco.

MÉTODO Participantes Na opinião de Cohen et al. (2000), para um nível de confiança de 95% e tendo em conta a população objecto deste estudo, a amostra afigura-se representativa se for constituída por pelo menos 347 indivíduos. A amostra, constituída por 367 indivíduos, foi seleccionada de forma aleatória a partir de um universo de 4168 estudantes que frequentam o ensino superior público em Bragança.

Foram excluídos deste estudo, os alunos inscritos em Cursos de Especialização Tecnológica (CET's), Mestrados, Pós-Graduações e a licenciatura em Enfermagem com entrada no de Semestre. Foram também excluídos questionários que não estavam devidamente preenchidos.

Material Para Gil (1999), a construção de um questionário consiste em traduzir os objectivos da pesquisa em questões específicas. Dado o grande número de pessoas interrogadas e o posterior tratamento das informações, foram valorizadas neste trabalho as perguntas do tipo fechado. O questionário foi estruturado em três partes. A primeira incluía questões do foro individual, pessoal, geográfico, académico, designadamente, o sexo, a idade, a região de proveniência; a área científica do curso, o ano que frequentam e o local de residência em tempo de aulas. Com excepção da idade, todas as outras variáveis eram qualitativas sendo medidas com recurso a escalas nominais. A segunda parte envolvia afirmações referentes a comportamentos sexuais acerca, nomeadamente, do inicio da vida sexual, da idade da primeira relação sexual, do número de parceiros sexuais, dos motivos que levam ao uso ou não uso do preservativo, dos métodos anticoncepcionais que previnem as DSTs. Com excepção da idade da primeira relação sexual e o número de parceiros sexuais, estas variáveis são qualitativas e medidas de acordo com escalas nominais. Finalmente, a terceira parte continha afirmações que permitiram avaliar o conhecimento dos inquiridos relativamente às DSTs. A estas questões, os inquiridos tinham de atribuir uma classificação que variava de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente).

Estas variáveis eram, igualmente, de natureza qualitativa mas, agora, medidas com recurso a uma escala ordinal.

Procedimento O estudo, de carácter transversal, foi desenvolvido com base num questionário administrado directamente aos estudantes, embora os investigadores estivessem presentes para o esclarecimento de qualquer dúvida que pudesse surgir. Ao serem contactados, na biblioteca ou na sala de aula, os participantes foram informados acerca do estudo e foi-lhes explicado o carácter voluntário da sua participação. Igualmente, foi solicitado a cada participante, individualmente, que respondesse ao questionário, em conformidade com os critérios éticos utilizados em pesquisas com seres humanos. Desta forma, para proteger o anonimato dos participantes não foi colocada no questionário qualquer questão relativa à sua identidade. A confidencialidade dos dados foi-lhes, também, garantida.

Os dados foram recolhidos no ano lectivo de 20082009. Após a recepção dos questionários, estes foram conferidos, numerados sequencialmente e introduzidos manualmente numa base de dados construída, para o efeito, no SPSS 16.0 (Statistical Package for Social Sciences). Posteriormente, procedeu-se ao tratamento estatístico dos dados e à análise dos resultados. Para caracterizar o perfil do grupo de alunos inquiridos, apresentou-se uma análise exploratória com o cálculo de medidas descritivas (média, mediana e desvio-padrão) e a construção de tabelas de frequências e gráficos.

O presente estudo compara homens e mulheres quanto à idade da primeira relação sexual, ao número de parceiros sexuais nos últimos 12 meses e ao nível de conhecimento sobre as DSTs. Para esta análise foi utilizado o teste paramétrico T Student para amostras independentes uma vez que as variáveis tinham distribuição normal, aferida através do teste de Kolmogorov Smirnov com a correcção de Lilliefors (Maroco, 2007). Por outro lado, para comparar o nível de conhecimento sobre as DST`s tendo em conta o sexo e as classes etárias recorreu-se à alternativa não paramétrica, ou seja, ao teste de Mann Whitney Wilcoxon por não se verificar a normalidade dos dados. Os testes estatísticos foram calculados considerando-se um nível de confiança de 95%.

RESULTADOS Caracterização da amostra Nesta investigação participaram 367 jovens inscritos no ensino superior público Brigantino. A maioria dos respondentes são do sexo feminino (68,2%), uma grande parte frequenta o ano (44,9%) e possui, em média, 21 anos, sendo que esta varia entre os 17 e os 45 anos. A esmagadora maioria é proveniente da região Norte (84,2%) e, em tempo de aulas, reside num quarto ou apartamento arrendado (71,9%) (ver tabela 1).

Tabela 1 Dados socais, geográficos e académicos dos inquiridos

Sexualidade e relações sexuais Dos inquiridos, 76% tiveram relações sexuais (ver figura 1). Em média, os respondentes iniciaram a sua vida sexual aos 17,5 anos (DP= 1,72). A idade mínima registada foi de 13 anos e a máxima foi de 26 anos.

Figura 1 Início da vida sexual e orientação sexual do inquirido

Quanto ao inicio da vida sexual, os resultados revelaram uma iniciação mais precoce para o sexo masculino com uma média de 16,63 anos enquanto a média registada para o sexo feminino foi de 17,96 anos. Para verificar se existem diferenças, estatisticamente, significativas entre as médias referidas testaram-se as hipóteses (H0: Masculino= µFeminino; H1: µMasculino≠µFeminino) usando, para o efeito, o teste TStudent. Uma vez que a estatística do teste é igual a 5,59 à qual corresponde um p-value = 0 < α= 5%, rejeita-se a hipótese nula (H0). Conclui-se, por isso, as médias são, estatisticamente, diferentes.

Quanto às questões ligadas à sexualidade verificou-se estar na presença de jovens com uma orientação sexual, maioritariamente, heterossexual (96,8%) como pode ver-se na figura 1.

Comportamentos de risco e vida sexual Do total de inquiridos, 279 iniciaram a sua vida sexual e destes, 113 (40,5%) tiveram relações sexuais sob o efeito de álcool e 22 (7,8%) tiveram relações sexuais sob o efeito de drogas. Por outro lado, 135 respondentes (48,4%) tiveram relações sexuais sem estarem protegidos e 10 (3,6%) afirmam nunca ter usado preservativo. Dos jovens que iniciaram a sua vida sexual, 9 (3,4%) pagaram para terem relações sexuais e 3 (1,1%) foram pagos. Uma percentagem elevada, 64,5% (180), refere nunca ter feito um teste às DST's, incluindo o VIH. Contudo, e, atendendo aos últimos 12 meses, apenas 254 inquiridos se mantiveram sexualmente activos, sendo a média global de parceiros de 1,4. Tendo em conta o sexo dos inquiridos, registaram-se médias de 1,85 e 1,09 para os sexos masculino e feminino, respectivamente. Para verificar se existem diferenças, estatisticamente, significativas entre estas médias testou- se a hipótese nula de que o número médio de parceiros sexuais é igual, independentemente, do sexo do inquirido (H0: µMasculino= µFeminino) contra a hipótese alternativa (H1: µMasculino> µFeminino) usando, novamente, o teste TStudent. Os resultados do teste levam à rejeição da hipótese nula concluindo- se que existiam diferenças, estatisticamente, significativas (t = -3,913; p- value = 0). Assim, ao nível de significância de 5%, pode afirmar-se que os respondentes do sexo masculino têm um número de parceiros superior ao dos respondentes do sexo feminino.

Motivos da não utilização de preservativos Do total de jovens que iniciaram a sua vida sexual, 54,5% não usam preservativo porque confiam no parceiro ou porque praticam sexo com o mesmo companheiro (54,4%), 24,3% referem não ter usado preservativo por não quererem ou não gostarem; 24,4% não usaram porque não tinham, no momento do acto sexual, disponibilidade de preservativos, 10% estavam demasiado excitados, 7,9% esqueceram-se de usar, 4,3% não usaram porque estavam sob o efeito do álcool ou drogas ilícitas e 3,9% por não estarem à vontade para perguntar ao parceiro sexual se o poderiam usar.

Abordagem às DSTs No que diz respeito à abordagem e às fontes de informação sobre as DSTs, a maioria dos inquiridos afirma ter tido contacto com este tipo de informação entre 3 a 4 vezes, sendo que 98,2% ouviu falar ou leu sobre o assunto, 97,5% referem ter obtido mais informação através dos colegas, amigos ou conhecidos, 89,6% discutiu o assunto com o parceiro sexual, 88,5% dos respondentes abordaram esta temática na sala de aula com professores e 79,2% conversaram sobre o tema com familiares próximos (ver tabela 2).

Tabela 2 Fontes de informação sobre as DSTs (N=279)

Fonte informação Sim Não NR   % % % Familiares 79.2 17.6 3.2 Revistas. Media 98.2 0.4 1.4 Colegas, amigos e 97.5 1.1 1.4 conhecidos Sala de aula 88.5 9 2.5 Parceiro sexual 89.6 7.5 8

Métodos contraceptivos que previnem as DSTs Em relação aos métodos contraceptivos (ver tabela 3), a maioria dos inquiridos considera que o preservativo é o único que previne as DSTs (98%). No entanto, uma percentagem reduzida afirma que o diafragma (14,8%), o dispositivo intrauterino (5,4%), a pílula (3,4%), o espermicida (2%) e o coito interrompido (1%) podem também ser uma forma de prevenção das DST`s.

Tabela 3 Opinião dos inquiridos sobre os métodos que previnem as DSTs (N=279)

Conhecimento sobre as DSTs Para avaliar o conhecimento dos inquiridos sobre as DSTs, foram colocadas várias afirmações às quais os respondentes tinham de atribuir uma classificação que variava de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Para verificar se existem diferenças, estatisticamente, significativas entre as médias das afirmações referidas tendo em conta o sexo e a classe etária testaram-se as seguintes hipóteses: H0: µMasculino= µFeminino contra H1: µMasculino≠µFeminino H0: µ17 a 22 = µ≥23 contra H1: µ17 a 22 ≠µ≥23.

Os resultados do teste de Kolmogorov Smirnov revelaram que os dados não eram normais o que inviabilizou o uso do teste de T Student. Em alternativa, usou-se o teste de Mann Whitney Wilcoxon. A comparação entre géneros mostrou existirem diferenças, estatisticamente, significativas (ver tabela 4), concluindo-se que mulheres e homens não apresentam igual nível de conhecimento nos itens, a única prevenção da SIDA é não ter relações sexuais com portadores (p-value = 0,008), Algumas formas de contágio da SIDA podem ser picadas de insectos, contactos sociais e profissionais, utilizar casas de banho públicas, beijar, abraçar, tocar, partilhar roupa, utilizar os mesmos talheres, tomar banho(p- value = 0,020), O contágio da sífilis é feito apenas por contacto sexual (p- value = 0,011), a candidíase é provocada por um fungo (p-value = 0,001), a única prevenção da candidíase é a abstinência sexual logo após o aparecimento da infecção e durante o tratamento (p-value = 0,047), a gonorreia transmitese por contacto sexual directo (p-value = 0,022) e as pessoas infectadas pelo vírus da SIDA ficam vulneráveis a outras infecções (p-value = 0,023).

Tabela 4 Teste de Mann Whitney para comparar o conhecimento sobre as DST`s entre géneros (N=279)

Relativamente à estrutura etária, verificou-se que, na generalidade, são os inquiridos com idade igual ou superior a 23 anos que têm maior conhecimento sobre as DSTs (ver tabela 5). Contudo, se verifiquem diferenças, estatisticamente, significativas nos itens o uso do preservativo é muito eficaz para evitar a gonorreia (p-value = 0,021), a hepatite B transmite-se pelo sangue e pela saliva (p-value = 0,002), a hepatite B pode transmitir-se ao feto pela mãe através do sémen e secreções vaginais, suor, lágrimas (p- value = 0,026), a SIDA deteriora o sistema imunitário da pessoa (p-value = 0,002), as pessoas infectadas pelo Vírus da SIDA ficam vulneráveis a outras infecções (p-value = 0,026) e um indivíduo que reduza o número de parceiros sexuais está mais protegido (p-value = 0,041).

Tabela 5 Teste de MannWhitney para comparar o conhecimento sobre as DSTs entre classes etárias (N=279)

DISCUSSÃO Do total de inquiridos, 279 inquiridos iniciaram a sua vida sexual e destes, 113 (40,5%) tiveram relações sexuais sob o efeito de álcool e 22 (7,8%) tiveram relações sexuais sob o efeito de drogas. Por outro lado, 135 respondentes (48,4%) tiveram relações sexuais sem estarem protegidos e 10 (3,6%) afirmam nunca ter usado preservativo. Dos jovens que iniciaram a sua vida sexual, 9 (3,4%) pagaram para terem relações sexuais e 3 (1,1%) foram pagos. Uma percentagem elevada, 64,5% (180), refere nunca ter feito um teste às DST's, incluindo o VIH. Na opinião de Lomba et al., (2008), esta é uma atitude débil da percepção de risco perante os comportamentos sexuais adoptados. Os inquiridos iniciaram a sua vida sexual com uma idade média de 17,5 anos e o desvio padrão é de 1,6. Idênticos resultados foram encontrados num estudo realizado por Antunes et al. (2007) em que a idade de início da vida sexual oscilou entre os 18 e os 22 anos, com média igual a 16,4 e desvio padrão de 2,1 anos. Também de acordo com um estudo feito por Souza et al. (2007), a idade média da primeira relação sexual foi de 16,4 anos. Giraldo (2006) observou que a idade média da primeira relação sexual nas adolescentes foi igual a 15,5 anos, embora, 17,2% tenham iniciado a actividade sexual mais precocemente. O presente estudo corrobora uma pesquisa realizada pela UNESCO em 2002 em que foi verificado que os jovens do sexo masculino se iniciaram, sexualmente, mais cedo (Azevedo et al., 2006). Os mesmos resultados tinham sido obtidos num estudo elaborado por Reis e Matos (2008) em contexto universitário. Na opinião destes autores a grande maioria dos jovens europeus, particularmente, os portugueses iniciam cada vez mais cedo a sua vida sexual. Esta mudança é visível sobretudo nas raparigas uma vez que em relação aos rapazes a idade média da primeira relação sexual tem-se mantido estável.

Do total de inquiridos a maioria descreveu-se como heterossexual (99,4%).

Semelhantes resultados foram observados por Barbosa et al. (2006) e Alvarez e Nogueira (2008).

Verificou-se existirem diferenças, estatisticamente, significativas entre os géneros no que diz respeito ao número de parceiros nos últimos 12 meses. Em média, os respondentes do sexo masculino têm um número de parceiros superior quando comparados com os respondentes do sexo feminino. Estes resultados corroboram os encontrados por Gaspar et al. (2006) no qual concluíram que a sexualidade é vivida de forma diferente consoante o sexo. O facto de um rapaz ter mais do que uma parceira é encarado de forma natural enquanto uma rapariga que tenha mais do que um parceiro é avaliada de modo depreciativo, até pelas próprias mulheres.

Nesta investigação a maioria dos estudantes apresenta vida sexual activa e refere que o uso do preservativo é o único método contraceptivo de prevenção de DSTs (98%). Contudo, 54,5% não usam preservativo porque confiam no parceiro ou porque praticam sexo com o mesmo companheiro (54,4%), 24,3% referem não ter usado preservativo por não querer ou não gostar; 24,4% não usaram porque não tinham, no momento do acto sexual, disponibilidade de preservativos, 10% estavam demasiados excitados, 7,9% esqueceram-se de o usar, 4,3% não usaram porque estavam sob o efeito do álcool ou de drogas ilícitas. De acordo com um estudo efectuado por Ribeiro (2005), 60% dos estudantes tinham relações sexuais sem protecção e, destes 59% faziam-no sob influência do álcool. Um estudo desenvolvido pela UNESCO em 2000 verificou que a confiança no parceiro, principalmente, por parte das mulheres, é destacada como uma das razões mais comuns para que se deixe de lado o comportamento preventivo (Azevedo et al., 2006). Na opinião de Pimentel et al. (2008), o mito do amor romântico também exerce influência no comportamento preventivo, uma vez que a fidelidade e a confiança no parceiro fixo tornam a mulher ainda mais vulnerável. Ribeiro (2005) constatou que os estudantes, normalmente, usam preservativo, no entanto, com parceiros fixos, negligenciam a sua utilização. De acordo com este perfil, o preservativo serve para ser usado em relações casuais e, especialmente, no início dos relacionamentos.

Quanto à abordagem e às fontes de informação sobre as DSTs destacam-se por ordem de preferência as revistas e os media (98,2%), as conversas com colegas, amigos ou conhecidos (97,5%), conversas com o parceiro sexual (89,6%), abordagem desta temática na sala de aula (88,5%) e as conversas com familiares (79,2%). Na opinião de Marques et al. (2006) os jovens recebem informações limitadas e inadequadas, provenientes de amigos, de pessoas pouco preparadas para esta função. Por outro lado, Souza et al. (2007) concluíram que a maioria dos jovens obtém conhecimento acerca desta temática por meios, como a escola, os pais, a televisão, os profissionais de saúde e a pesquisa em livros, revistas e internet.

Por fim, e em relação aos métodos contraceptivos, a maioria dos inquiridos considera que o preservativo é o único que previne as DSTs (98%). No entanto, uma percentagem reduzida afirma que o diafragma (14,8%), o dispositivo intrauterino (5,4%), a pílula (3,4%), o espermicida (2%) e o coito interrompido (1%) podem também ser uma forma de prevenção das DSTs. Estes resultados demonstram que a maioria dos participantes possui conhecimento mas apresenta uma atitude pouco positiva face ao uso dos métodos contraceptivos, nomeadamente, no que diz respeito ao uso do preservativo (Reis et al., 2007) uma vez que, 3,6% nunca usou preservativo. Ribeiro (2005) destaca na sua pesquisa que, embora 80% dos estudantes entrevistados tenham conhecimento quanto à função do preservativo na prevenção das DSTs, apenas 35% das mulheres e 20% dos homens afirmam usá-lo em todas as relações sexuais.


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