Estudar o turismo hoje: para uma revisão crítica dos estudos de turismo
O estudo do turismo, um interesse de investigação que se foi desenvolvendo nas
margens das ciências sociais ' quer nas notas de antropólogos que registavam,
frequentemente com desagrado, a presença de turistas no seu campo (Smith
1978: 1), quer nas reflexões dos sociólogos do trabalho, confrontados com o
papel crescente do lazer nas sociedades modernas ' parece finalmente ter
encontrado reconhecimento académico. Tendo-se tornado, sobretudo a partir da
segunda metade do século XX, uma prática social alargada, o turismo figura hoje
como tema de um vasto número de conferências e publicações especializadas,
ancoradas nas mais diversas perspetivas.
É neste contexto de franca expansão que surgem The Sage Handbook of Tourism
Studies (Jamal e Robinson 2009) e The Sociology of Tourism: European Origins
and Developments (Dann e Parrinello 2009), cuja publicação quase em simultâneo
faz deste um momento oportuno para uma revisão crítica da área. Os dois volumes
oferecem um balanço do que tem sido feito, permitindo-nos apreciar como é que o
turismo se tem vindo a constituir ' construir e desconstruir ' como um objeto
de estudo. No entanto, a forma como este objetivo é concretizado é bastante
diferente: se o manual da Sage representa, e de certa forma consagra, a forte
presença anglo-americana na área, uma presença que valoriza a
pluridisciplinaridade e que revela preocupação em sinalizar e abraçar novas
tendências, já Sociology of Tourism se constrói deliberadamente em oposição a
esta presença (que considera hegemónica) para, por um lado, dar prioridade a
perspetivas europeias e continentais e, por outro, recuperar um passado que vem
reafirmar a centralidade da sociologia nos estudos de turismo. Ao oferecer uma
visão geral das principais questões e controvérsias que dominam o campo, a
leitura conjunta destes dois volumes parece-me vantajosa, podendo contribuir
para uma melhor compreensão do tipo de estudos de turismo que se faz (ou se
quer fazer) em Portugal, nomeadamente no âmbito da antropologia.
UM GUIA DEFINITIVO? THE SAGE HANDBOOK OF TOURISM STUDIES
Das duas publicações em revista, esta é, sem dúvida, a mais ambiciosa: com mais
de setecentas páginas e um total de trinta e nove capítulos, The Sage Handbook
of Tourism Studies pretende constituir-se como uma base de conhecimento sobre
o estudo do turismo. O livro divide-se em três partes: Approaches to tourism
studies, que apresenta as principais abordagens que têm surgido nas diferentes
áreas disciplinares (antropologia, sociologia, estudos culturais, estudos de
desenvolvimento, história, geografia, economia, ciência política, estudos
urbanos, entre outras); Key topics in tourism, que faz o estado da arte do
campo a partir de alguns tópicos principais (que vão desde a relação do turismo
com a religião e a espiritualidade ao turismo voluntário, turismo rural, gestão
e marketing de destinos turísticos, prevenção e segurança no turismo, etc.);
Critical issues and emerging perspectives, que discute as problemáticas mais
importantes e as tendências emergentes (tais como festivais e eventos, turismo
e pós-colonialismo, turismo e performance, turismo e ética). Sendo os capítulos
escritos por especialistas, os organizadores não hesitam em apresentar este
manual como um guia definitivo, crítico e indispensável para académicos de
diversas disciplinas (Jamal e Robinson 2009: xvii).
E é, de facto, grande o número de tópicos e autores que se reúnem nesta obra.
No entanto, apesar da diversidade temática e metodológica, bem como da
pluralidade de vozes, é possível discernir uma certa convergência de
tendências, nomeadamente: (1) tendência culturalista; (2) tendência inter ou
mesmo transdisciplinar; (3) tendência para privilegiar a ótica do consumidor,
em detrimento das questões de produção/trabalho; (4) tendência para
sobrevalorizar perspetivas microscópicas (centradas, por exemplo, no corpo),
sob o risco de perder de vista outras escalas e relações; por fim, ainda que
vários autores refiram a importância de se demarcarem de abordagens
economicistas, é notório (5) um compromisso com o setor empresarial turístico.
Isto é, ainda que se verifiquem diferenças claras no tipo de análise e de
enfoque entre os contributos provenientes das ciências sociais e humanidades e
os contributos provenientes da economia e gestão, sente-se, por outro lado, uma
certa preocupação com a aplicabilidade da investigação dos primeiros aos
segundos ' uma tendência que poderá refletir a crescente dependência das
universidades e dos centros de investigação de financiamentos privados
(nomeadamente, oriundos do setor turístico e de serviços de consultadoria).
Em relação ao primeiro aspeto (tendência culturalista), não constitui uma
surpresa. Grande parte da literatura sobre turismo que nos chega dos Estados
Unidos, Canadá e Reino Unido ' esta antologia define-se geograficamente como
cross-Atlantic (2009: xvii) ' apresenta um forte pendor culturalista. Na
verdade, o manual da Sage vem consagrar uma agenda de investigação do turismo
que se tem vindo a formar no mundo anglo-saxónico sob a égide dos estudos
culturais (uma aproximação que o termo tourism studies consegue veicular), ou,
de uma forma mais geral, sobre o chamado cultural turn nas ciências sociais,
assente na rejeição de abordagens quer positivistas quer economicistas do
turismo, como resposta à condição de intensa culturalização das sociedades
contemporâneas ditas pós-modernas (cf. Rojek e Urry 1997).[1]
A presença dos estudos culturais neste volume é notória: para além de terem
direito a um capítulo próprio, assinado por David Crouch, os estudos culturais
são discutidos, por exemplo, no capítulo sobre a relação entre turismo e
desenvolvimento (Jamal e Robinson 2009: 147, 159). O turismo é tratado
sobretudo como um fenómeno cultural (an intrinsically cultural phenomenon,
2009: 3, 7), um espaço mobilizador de encontros entre diversas expressões
culturais tangíveis e intangíveis, gerador de significados que se supõem
(direta ou indiretamente) ligados à modernidade (e, nalguns casos, à sua mais
recente atualização terminológica, a globalização). A base multidisciplinar
desta antologia é também comum aos estudos culturais. Mais do que
interdisciplinaridade, o que se defende aqui é uma espécie de desenraizamento e
deslocamento disciplinar, uma transdisciplinaridade (2009: xvii, 2), que
pretende questionar as fronteiras não apenas entre disciplinas tradicionais,
mas também entre outros compartimentos conceptuais, tais como lazer (ligado
à sociologia do trabalho), hospitalidade (ligado à gestão) e turismo (2009:
30), áreas nas quais vários dos contributos aqui reunidos têm origem.
Em 1997, Chris Rojek e John Urry ' sociólogos britânicos associados aos estudos
culturais[2] ' propunham a desconstrução do termo turismo, que deixaria de
ser visto como um fenómeno social claramente circunscrito e identificável, para
passar a ser um conjunto complexo de discursos e práticas sociais (Rojek e Urry
1997: 1; cf. Franklin e Crang 2001: 7). Esta abordagem, apesar de não ser a
única (o geógrafo Sanjay K. Nepal avança uma definição mais positivista de
turismo; cf. Jamal e Robinson 2009: 130), tem forte representatividade nesta
antologia, onde a questão da definição do objeto de estudo é constantemente
adiada, ou mesmo rejeitada. Para Naomi Leite e Nelson Graburn, por exemplo, o
que caracteriza as intervenções antropológicas no âmbito dos estudos de turismo
não é tanto o objeto de estudo (comum às outras ciências sociais), como a
combinação metodológica de uma abordagem holística com pesquisas etnográficas
(2009: 36). O turismo é entendido como um fenómeno cultural complexo que
resiste a ser definido, justificando a rejeição de modelos e tipologias, a
favor de estudos locais, concretos e particulares, que privilegiam a
pluralidade de práticas, a partir das quais se procura explorar ambiguidades,
contingências e deslizes (slippages) de significação (2009: 37).
A necessidade de valorizar o concreto e o particular é partilhada por autores
de outras ciências sociais. Na sociologia, Adrian Franklin lamenta todo um
período em que o turismo foi predominantemente estudado a partir de teorizações
abstratas, assentes, em larga medida, numa série de dualismos ' everyday :
extraordinary; home : away; profane : sacred; inauthentic : authentic ' em
vez de ser estudado through reconstructing precise historical and cultural
accounts of its emergence and operation (2009: 73). O historiador John K.
Walton expressa uma preocupação semelhante, sublinhando a necessidade de se
prestar mais atenção ao contexto e ao pormenor histórico, o que permitirá
refutar noções simplistas, mas vastamente difundidas, sobre o turismo,
nomeadamente a noção de turismo de massas, a ideia de que o turismo teve
origem num único fenómeno (o Grand Tour), ou, de uma forma mais geral, a ideia
de que existe uniformidade nas experiências turísticas, em detrimento de
especificidades espaciais e temporais (2009: 117).
De facto, uma tendência comum a todos os capítulos (à exceção do capítulo 10,
sobre a economia do turismo internacional) é a identificação dos autores, de
uma forma mais ou menos assumida, com uma narrativa de rutura em relação a
estudos e abordagens anteriores ' um gesto frequentemente acompanhado por um
apelo ao novo (por exemplo, 2009: 685). Apesar de algumas diferenças, há um
padrão que emerge: para trás ficam os estudos de impacte (característicos da
antropologia e da geografia; 2009: 40, 133), a preocupação com fenómenos de
aculturação (agora preterida pelo hibridismo; 2009: 40), e a elaboração
(sobretudo na sociologia) de modelos teóricos explicativos, tais como o resort
cycle model e o tourist gaze (2009: 75). No capítulo escrito por Adrian
Franklin, fala-se de uma nova vaga na sociologia do turismo, de um critical
turn que procura romper com vários conceitos e abordagens da primeira vaga
(protagonizada pelos sociólogos Dean MacCannell e John Urry), e adotar uma
visão mais generosa e aberta do turismo (2009: 73). Os temas que este
sociólogo identifica são mais ou menos transversais a todos os capítulos do
livro: reconfiguração do turismo como uma prática quotidiana, vulgar e
geograficamente difundida; rejeição da primazia da visão (ou ocularcentrismo)
e do cognitivo, típicos dos estudos anteriores, a favor de uma maior atenção ao
corpo, aos sentidos, à sexualidade e à performance (2009: 73-75). A nova fase é
louvada pela sua sofisticação (2009: 40), que procura dar conta da diversidade
e agencialidade dos atores sociais, resultando numa literatura rica em nuances
(cf. 2009: 41).
O contributo dos estudos culturais (ou de uma das suas correntes mais fortes)
é, também aqui, evidente, já que o que se pretende valorizar ' na linha de
MacCannell (1999 [1976]), como David Crouch refere (em Jamal e Robinson 2009:
90) ' são as práticas do turista e não tanto as indústrias e instituições
promotoras do turismo. Estas práticas são agora concebidas como embodied
practices, numa correção a tendências teóricas anteriores que privilegiavam as
representações e enfatizavam os processos de mediação (2009: 90). Por outras
palavras, conceitos como mediação e representação (curiosamente, na base das
origens e do sucesso dos estudos culturais) perdem relevância. O corpo impõe-se
cada vez mais como o único mediador legítimo entre o turista/consumidor (agora
reformulado como ativo, reflexivo, coprodutor; 2009: 91) e a experiência
turística, o que também vem justificar a crescente importância do conceito de
performance (2009: 89). O preço a pagar por esta valorização da performance é o
contexto: passa-se de uma semiótica determinada pelo contexto (context-driven)
para uma semiótica encarnada ou corporizada (uma embodied semiotics; 2009:
93), que parece prescindir de mediadores, contextos ou qualquer tipo de
exterioridade (incluindo o público que, enquanto produtor ativo de
significados, passa a ser visto como parte integrante da performance).
Este embodied turn (2009: 640) teve especial expressão nos estudos de género
(cf. capítulo 35), que rejeitaram a neutralidade tácita do olhar turístico,
reclamando a sua ligação ao corpo, ao género, à sexualidade e aos outros
sentidos (cf. Veijola e Jokinen 1994). Um outro contributo importante foi a
teorização de formas de poder e agencialidade negociadas e vivenciadas
horizontalmente, ou até de baixo para cima. No entanto, é difícil ignorar a
ligação entre estes desenvolvimentos teóricos e desenvolvimentos históricos
concomitantes ' nomeadamente, a expansão e consolidação das práticas turísticas
dentro de um modelo de sociedade capitalista. O apelo aos vários sentidos tem
marcado a própria indústria, forçada a reinventar-se face à pressão
concorrencial que decorre do seu próprio sucesso global, nomeadamente através
da criação de novos produtos, como o turismo enológico, gastronómico, de
aventura, rural, o ecoturismo e o agroturismo.[3] Como destrinçar as novas
agencialidades (performativas e corporizadas) da esfera de influência da
chamada experience economy (Löfgren 2008), que coloca o corpo humano no centro
da produção de serviços e mercadorias, é um problema que continua por resolver.
Uma última tendência presente neste livro é a valorização da ética, ou ethical
turn (Jamal e Robinson 2009: 615), cuja matriz filosófica assenta no
liberalismo, utilitarismo e individualismo de Stuart Mill e Locke, bem como na
ética do outro e do respeito pela diferença de Levinas. Na prática, esta
ética aplicada ao turismo traduz-se numa ética conservacionista ou ambiental
(2009: 210) e numa ética de responsabilidade social das empresas, que passa,
por exemplo, pela democratização do acesso ao turismo (2009: 373, 383) e o
envolvimento das comunidades locais nos processos de decisão (2009: 423). A
discussão destes assuntos é, porém, bastante limitada: a ideia de um turismo
sustentável, ético ou responsável ' quer se trate de ecoturismo, fair trade
ou pro-poor tourism ' está inserida numa lógica de consumo, que faz do
consumidor-turista o sujeito ético por excelência. Por outras palavras, o
ecoturismo é indissociável do green consumerism (2009: 212), o que afasta do
horizonte ético posições anticonsumistas, ou mesmo anticapitalistas.
Esta visão é confirmada nos capítulos sobre gestão, marketing e planeamento (na
parte central do livro). Longe das críticas ao turismo (relegadas para o âmbito
da academia, ou para o passado), das dúvidas e hesitações, o objetivo do
planeamento turístico é claro: to minimize the adverse effects of tourism
development while maximizing the potential benefits (2009: 418). No final,
torna-se evidente que, para que possa ser efetivamente sustentável, o turismo '
entendido como uma atividade económica transversal ' requer um esforço enorme e
contínuo de sustentação, um esforço que depende de equilíbrios frágeis assentes
em três pilares ' sustentabilidade social, sustentabilidade ambiental e
sustentabilidade económica (cf. 2009: 411) ' que, por sua vez, estão assentes
num contexto político favorável (isto é, de estabilidade política e social)
capaz de garantir o sucesso dos investimentos e empreendimentos. É sobretudo em
relação a estes problemas que o pendor aplicado de muitos dos contributos se
faz sentir ' por exemplo, no capítulo sobre turismo rural que, depois de
diagnosticar o fim de uma época de ouro, lança uma série de recomendações
práticas para contornar as dificuldades que se avizinham (2009: 365-366).
Alguns autores chegam mesmo a defender uma agenda de investigação mais
holística, capaz de interligar a literatura empresarial (vocacionada para os
resultados) e a literatura das ciências sociais e humanas (focalizada nos
processos) (2009: 497), o que parece ir ao encontro dos organizadores, que, na
conclusão, defendem a aproximação destes dois tipos de abordagem (2009: 696).
UMA QUESTÃO DE CHAUVINISMO? THE SOCIOLOGY OF TOURISM: EUROPEAN ORIGINS AND
DEVELOPMENTS E A ALTERNATIVA EUROPEIA NÃO ANGLÓFONA
Uma visão muito diferente (apesar de sobreposições e convergências) é-nos dada
na segunda publicação em revista, também de 2009, editada por Graham Dann e
Giuli Liebman Parrinello, dois sociólogos europeus. Sob a alçada do comité de
investigação do turismo internacional (RC50) da Associação Internacional de
Sociologia, esta coletânea surge como resposta à hegemonia anglo-saxónica nesta
área de estudos (patente, para começar, no monopólio da língua inglesa nas
publicações académicas internacionais mais importantes). O objetivo é comparar
as teorias sociais do turismo e estabelecer as suas origens europeias, mas
também corrigir a profunda amnésia intelectual (Dann e Parrinello 2009: 49)
que vem caracterizando os novos estudos de turismo. A ideia de que esta é uma
área de estudos nova, tão cara a alguns autores anglófonos,[4] é amplamente
contrariada nos nove capítulos que discutem o aparecimento e a evolução da
sociologia do turismo em contextos nacionais específicos, nomeadamente nos
países de expressão alemã (Alemanha, Áustria e Suíça), em França, em Itália, na
Polónia, na ex-Jugoslávia (com ênfase na Croácia), na Escandinávia (sobretudo
Noruega e Suécia), em Espanha, no Benelux (Bélgica e Holanda, o Luxemburgo é
excluído) e na Grécia. O que emerge deste retrato geral é que o estudo do
turismo na Europa remonta pelo menos à década de 1930, sendo por isso muito
anterior ao boom dos estudos de turismo, de base anglófona, que teve lugar nos
últimos vinte e cinco anos.
São sete as principais problemáticas (nomeadas e discutidas no capítulo
introdutório) que orientaram a elaboração deste volume: (1) a origem e
constituição das sociologias nacionais e europeias; (2) a relação entre
sociologia geral e sociologia do turismo; (3) a relação entre sociologia do
turismo e sociologia do lazer (a primeira associada ao turismo internacional, a
segunda às práticas de lazer domésticas); (4) a definição do objeto
(turismo); (5) a multi e interdisciplinaridade; (6) a questão linguística e,
finalmente, (7) a questão ideológica (isto é, as imbricações entre sociologia,
turismo e ideologia). Mas o grande objetivo desta antologia ' claramente
enunciado pelos organizadores e perseguido por alguns dos autores
(nomeadamente, o alemão Hasso Spode e o norueguês Jens Jacobsen) ' é demonstrar
que grande parte das teorias sociológicas sobre o turismo, hoje associadas a
autores anglófonos, foi de facto antecipada na Europa continental por autores
como Durkheim, Marx, Enzensberger, Simmel, Huizinga, Benjamin, Veblen,
Foucault, Eco e Bourdieu (Dann e Parrinello: 42-49).
Os autores da maior parte dos contributos aqui reunidos possuem uma longa
carreira na área do turismo, com ligações quer à academia quer à investigação
aplicada, quer mesmo à administração pública. Muitos são protagonistas da
história que contam ' é o caso de Marie-Françoise Lanfant, autora do capítulo
francês, que foi a principal impulsionadora, em 1994, do RC50 (uma cisão do
Comité de Investigação do Lazer, que Joffré Dumazedier formara em 1953). Por
outro lado, são várias as abordagens adotadas nos diversos capítulos, oscilando
entre apreciações generalistas e algo impressionistas (como no capítulo
polaco), revisões do campo centradas nas publicações (como no caso grego), e
contributos mais ambiciosos que não descuram as correntes intelectuais, locais
e internacionais nem a respetiva ancoragem institucional e académica (como nos
capítulos alemão, francês e italiano), as organizações sociais e civis extra-
académicas (como no caso belga e holandês), ou os dois últimos aspetos (como no
caso escandinavo). O capítulo espanhol é o menos convencional ' e possivelmente
também o mais arriscado ' ao optar por uma narrativa focada no trabalho de três
pioneiros situados à margem da academia espanhola, nomeadamente, Mario
Gaviria, Francisco Jurdao e José Luís Febas, descritos, respetivamente, como a
professional sociologist, an accidental anthropologist e a semiologist
(Dann e Parrinello 2009: 243).
Torna-se claro que, para os organizadores (e alguns dos autores), falar de uma
sociologia do turismo europeia é, basicamente, falar dos casos alemão e
francês, deliberadamente colocados no início do livro (2009: 49). A sociologia
do turismo que se desenvolveu na maior parte dos países europeus é, deste modo,
vista como derivativa de uma destas tradições (2009: 12). O que as une é,
basicamente, o mesmo impulso de transformar o estudo do turismo num ramo da
sociologia, e não da economia (2009: 72) ' partindo da necessidade de
distinguir (como faz Hunziger) entre the economic aspects of tourism e
tourism as the object of noneconomic subjects (2009: 31).
O sucesso deste empreendimento tem sido volátil, tendo-se sucedido, ao longo do
século XX, períodos de forte originalidade e teorização, seguidos de outros de
estagnação, orientados para uma investigação aplicada às necessidades
específicas da indústria. No caso alemão, o autor Hasso Spode considera três
períodos particularmente produtivos: as décadas de 1930 e 1940; os anos 1960
(no âmbito do Studienkreis, que promoveu a interdisciplinaridade, ou sob a
influência da Escola de Frankfurt); e a década de 1990. Segundo Spode, o
período atual corresponderia a uma fase de estagnação (2009: 87). No capítulo
francês, Marie-Françoise Lanfant centra-se na discussão da relação entre a
sociologia do turismo e a sociologia, que passa pela constituição do turismo
como um objeto sociológico. Baseando-se em Marcel Mauss, o contributo de
Lanfant foi propor o conceito de turismo como um fenómeno social total ' isto
é, um fenómeno eminentemente social (e não the product of individual
conscience), que não pode ser reduzido to its mere representation in social
discourse or to the subjective experiences of actors (2009: 108-109). A
criação de um campo de pesquisa dedicado ao turismo internacional tinha como
objetivo, segundo a autora, por um lado, ultrapassar as esferas do local e
nacional, integrando-as numa dimensão global (que, nos anos 1990, se tornava
cada vez mais evidente) e, por outro, ultrapassar a separação teórica e
metodológica entre sociedades emissoras de turistas (as sociedades
desenvolvidas), objeto da sociologia do lazer, e sociedades recetoras de
turistas (as sociedades em vias de desenvolvimento), objeto da antropologia e
da etnologia (2009: 126).
O envolvimento do turismo em questões ideológicas emerge nos vários capítulos:
se na França dos anos 1950 a sociologia do lazer se desenvolveu no seio de uma
economia liberal, em pleno clima de Guerra Fria e por reação ao marxismo (2009:
112), o lazer era já uma preocupação mais antiga (remontando pelo menos ao
século XIX), que opunha operários a patrões, na questão da redução da jornada
de trabalho. Por razões capitalistas (diminuição da produtividade), moralistas
(prevenção do alcoolismo e outros vícios), políticas (propagação de ideias
revolucionárias) ou mesmo paternalistas (promoção do desenvolvimento pessoal e
religioso), o lazer e o tempo livre eram tópicos controversos, carecendo, na
opinião de muitos, de algum tipo de controlo (cf. capítulo sobre a Bélgica e a
Holanda, 2009: 277-278). Ao longo do século XX, o turismo viria a assumir
contornos ideológicos renovados: na Itália dos anos 70, os membros filiados na
AIEST (associação internacional de cientistas especialistas em turismo)
defendiam a investigação do turismo em articulação com a questão do
desenvolvimento, entrando em polémica com o que ficou conhecido por sociologia
antropologizada (2009: 135), apoiada pela UNESCO e o Banco Mundial, que
sublinhava os aspetos degenerativos do turismo para as comunidades e culturas
locais (o que lhes custou a acusação, pelos primeiros, de imobilismo a-
histórico).
Não sendo um tópico ideologicamente neutro (se é que é possível descobrir algum
que o seja), o turismo não pode, porém, ser reduzido a um único uso ideológico.
Como Dann e Parrinello (2009: 28) referem no capítulo introdutório, o turismo
floresceu quer em regimes fascistas (como na Alemanha nazi, no movimento Kraft
durch Freude) quer em regimes democráticos (durante a Frente Popular francesa),
quer mesmo em regimes socialistas, como se pode constatar no capítulo sobre a
ex-Jugoslávia. Esta consciência histórica está, provavelmente, na base da
advertência dos organizadores, feita logo na introdução (2009: 24), em relação
à permeabilidade ideológica dos estudos aqui apresentados.
No geral, é de louvar, nesta antologia, o objetivo de trazer à luz aspetos da
história do turismo e do seu estudo que estavam esquecidos. Os estudos de
turismo só têm a ganhar com a preservação, nas palavras de Hasso Spode, de uma
memória cumulativa (Dann e Parrinello 2009: 88), que lhes conferirá
profundidade histórica e maior rigor na avaliação do novo. É igualmente de
louvar a valorização de outras línguas que não o inglês (todas as citações são
feitas na língua original e seguidas da tradução inglesa), que, aceitando
pragmaticamente o uso do inglês como língua franca, não cede, porém, ao
monolinguismo, cada vez mais generalizado, que ameaça separar o meio académico
de alguns dos seus interlocutores mais importantes. Por fim, um dos pontos
fortes de The Sociology of Tourism é a variedade de perspetivas que emerge dos
contextos geográficos e históricos específicos (nacionais) de cada capítulo.
A perspetiva nacional comporta riscos evidentes, como o de se trocar um tipo de
etnocentrismo (anglófono) por outro (germanófono e francófono), considerado
correto (2009: 11).[5] No entanto, o recurso ao nacional como instrumento de
investigação é, de certo modo, inevitável ' sobretudo quando se trata de
comparar tradições académicas que, pelo menos nos últimos cem anos, se
constituíram num quadro marcadamente nacional.
Um problema mais evidente, e de difícil resolução, é a questão da
representatividade destas histórias nacionais: os organizadores consideram os
contributos aqui apresentados como representativos da investigação sobre
turismo que se faz na Europa, descrevendo os autores selecionados como the
leading representatives for their respective countries and regions (2009: 62).
Mas a opção editorial de incluir uns autores e não outros ' já para não falar
da opção de não incluir alguns países ' é suscetível de questionamento. O
silêncio sobre a influência soviética nos estudos do turismo dos países do
bloco socialista poderá ser um efeito deste tipo de escolha. Para além disso, a
não inclusão de países como Portugal e a Rússia ' aparentemente, por
apresentarem um número reduzido de centros de investigação nesta área (2009:
62, nota 1) ' pode reavivar argumentos linguísticos (agora imputáveis a
francófonos e germanófonos) ou até ideológicos, ainda que, mais provavelmente,
seja o resultado de redes de conhecimento, através das quais os centros e as
margens da academia ganham forma.
Apesar de partilhar muitos dos postulados dos estudos de turismo anglófonos
(com os quais, de resto, mantém um diálogo próximo), o livro da Emerald é mais
prudente em relação aos ganhos dos últimos anos. Em alguns pontos, as
diferenças são mais de grau do que de género: a interdisciplinaridade, por
exemplo, é defendida, mas sem que o enquadramento disciplinar seja
completamente posto em causa (firmemente ancorada na sociologia, esta antologia
demonstra que o estudo do turismo há muito que se faz numa base
interdisciplinar); a produção de definições (provisórias) continua a ser um
objetivo. Segundo Hasso Spode, ainda que partilhando o mesmo vocabulário
(construção, distinção, liminalidade, gaze ' Spode é particularmente
crítico do último, associado ao sociólogo inglês John Urry), os estudos de
turismo dos países de expressão alemã e da Europa continental são, em geral,
menos dados a um pensamento pós-moderno (2009: 87-88), e mais inclinados para
resgatar o turismo de perspetivas a-históricas ou trans-históricas (ainda que
estas tendências não se confirmem em todos os capítulos deste livro).[6] Ao
contrário do que sucede no manual da Sage, a subordinação do estudo do turismo
à investigação aplicada é motivo de grande preocupação para os organizadores e
alguns dos autores de The Sociology of Tourism, nomeadamente por implicar a
rejeição de questões polémicas a favor da resolução pragmática de problemas
concretos (Dann e Parrinello 2009: 124).[7] Mas não há dúvida de que o grande
mérito do livro da Emerald reside na variedade de tradições que nos apresenta,
que nos permite colocar em perspetiva as tendências dominantes dos estudos do
turismo anglófonos. Há alguns desequilíbrios entre os capítulos, cujo sucesso,
em última análise, depende da forma como cada autor conseguiu captar o
dinamismo e a especificidade dos processos históricos, de forma a equilibrar o
cariz generalista e sistematizador que orienta a obra (sobretudo em torno das
categorias nacional e europeu).
CONCLUSÃO: PARA ONDE?
Como é possível constatar pela leitura destes dois volumes, o processo de
constituição do turismo como objeto de investigação nas ciências sociais ' seja
no mundo anglófono, seja na Europa continental ' passou, em boa medida, pela
emancipação de perspetivas predominantemente económicas. Os estudos culturais
deram um importante contributo na prossecução deste objetivo, nomeadamente ao
sublinharem o papel da linguagem, dos processos simbólicos e das representações
na constituição de objetos, lugares, experiências e sujeitos turísticos, mas
também ao insistirem na polissemia e polivocalidade de todas as práticas
sociais, incluindo as turísticas. O resultado, como o manual da Sage ilustra,
foi a generalização das metodologias interpretativas e o alargamento explosivo
do âmbito da investigação, que passou a levar em conta processos culturais
antes ignorados ' relacionados, por exemplo, com etnicidade, autenticidade,
identidade, género e sexualidade (Jamal e Robinson 2009: 39-40) ' e a
incorporar pontos de vista alternativos que propõem ou recuperam narrativas
contra-hegemónicas (veja-se o capítulo sobre turismo e pós-colonialismo, 2009:
514-515).
Mas se os novos rumos tornaram este campo de estudo mais variado, mais
interessante, ou até mais divertido (Franklin e Crang 2001: 14), está por
provar se o tornaram menos repetitivo e mais crítico.[8] Com efeito, do mesmo
modo que não faz sentido reduzir o turismo a uma atividade de cariz
estritamente económico, também não faz sentido alienar as práticas turísticas
dos contextos materiais (sociais, económicos e político-económicos) em que se
inserem. Esta preocupação esteve na base dos estudos culturais, atingindo a sua
máxima expressão no materialismo cultural de Raymond Williams, com origem no
diálogo tenso entre a tradição idealista alemã e a tradição de crítica cultural
marxista (Williams 1995 [1981]; Mulhern 2000). A partir da década de 1990,
quando os estudos culturais se demarcaram definitivamente da tradição marxista,
o culturalismo qualificado de Williams foi sendo substituído por um
culturalismo mais intenso e, de certa forma, desmaterializado. Esta
desmaterialização dos estudos culturais é percetível em vários artigos do
manual da Sage, mas é também motivo de algum desconforto, como transparece no
capítulo sobre turismo e estudos de género, que advoga a sua rematerialização
(Jamal e Robinson 2009: 638).[9] Nos capítulos dedicados à indústria de turismo
global (capítulo 32) e às políticas internacionais (capítulo 33), também se
aponta a necessidade de se efetuarem mais estudos sobre o lado da oferta (2009:
582) e de se recuperar a relação entre consumo e produção (2009: 583, 590), e,
na conclusão, os organizadores referem a importância (e escassez) de trabalhos
empíricos sobre organizações e empresas ligadas ao turismo (2009: 696).
No final, questões teóricas à parte, impõe-se-nos a pergunta: como estudar o
turismo hoje? O que nos fica destas duas obras é a importância dos estudos
locais. O turismo tende a fomentar grandes discussões especulativas ' desde
polémicas de cariz político (que o veem ou como libertador dos povos e promotor
da harmonia universal, ou, no extremo oposto, como destruidor de culturas e
criador de desigualdades) até considerações de ordem filosófica ou estética
(que tomam o turismo e o turista como metáforas de uma condição humana
universalizante). Num e noutro caso é reciclada toda uma retórica que, sob
diversas formas (discursos oficiais de promoção turística, publicidade,
literatura, cinema), irriga o quotidiano e a própria academia.
Ultrapassar esta retórica ' ou, pelo menos, reconhecer a sua força e os seus
limites ' constitui um dos maiores desafios neste campo. Ao dar voz aos
turistas ' tradicionalmente denegridos (Culler 1988) ou ausentes da maior parte
dos estudos ' através da etnografia, a antropologia tem desempenhado um papel
particularmente importante a este nível. Como Leite e Graburn sublinham no
capítulo da Sage, a extrema mobilidade dos turistas torna-os de difícil estudo
(Jamal e Robinson 2009: 36-37), requerendo soluções metodológicas inovadoras,
capazes de combinar, por exemplo, a observação participante (de longa, média e
curta duração) com inquéritos, entrevistas (muitas vezes recorrendo a estímulos
visuais, tais como fotografias e vídeos domésticos, ou a objetos), diários de
viagem e, mais recentemente, blogues e redes sociais. Esta recuperação do
turista tem-se feito sentir, com efeitos positivos, também noutras áreas: a
recuperação das práticas turísticas na história do turismo tem permitido
contrariar as abordagens dominantes, que sobrevalorizavam os discursos
normalizadores da atividade turística e privilegiavam uma historiografia feita
de cima para baixo (Vidal 2010).
No entanto, alguns excessos têm também acompanhado esta reorientação para os
turistas, designadamente quando estes ameaçam tornar-se os atores principais
do turismo num quadro de exoticização da mobilidade que, para além de
introduzir desequilíbrios no campo das observações, nos diz mais sobre as
posições cosmopolitas dos investigadores do que propriamente sobre o objeto das
suas investigações (Silva 2004: 9). Na conclusão ao volume da Sage, os
organizadores Tazim Jamal e Mike Robinson (2009: 696) reconhecem como dominante
a tendência para privilegiar os locais de destino e o capítulo de Mavrič e Urry
é exemplificativo da aposta teórica e metodológica na mobilidade. A proposta de
Maria Cardeira da Silva de encarar o turismo como um novo terreno da
antropologia promete colmatar alguns destes excessos. A ideia é tomar o ponto
de vista dos lugares (turísticos, de origem e de destino) para produzir
observações diretas e descrições densas (Silva 2004: 10), desse modo
explorando a capacidade da antropologia de atribuição de voz ao local, sem
descurar um enquadramento mais vasto no seu quadro de produção social (Silva
2004: 11). Esta perspetiva é muito diferente da onda de estudos que se têm
debruçado sobre os processos de tipificação (branding) dos lugares, em que o
ponto de chegada é, muitas vezes, a negação do lugar, isto é, a
reconceptualização dos lugares turísticos como não-lugares (cf. Jamal e
Robinson 2009: 47). Recusando a reificação da cultura (mas admitindo a
banalidade deste processo), Cardeira da Silva sublinha que não se trata de
regressar a noções clássicas do local, mas de reconhecer as vantagens deste
ponto de vista.
Com efeito, é ao nível do local que encontramos as marcas das mobilidades
que, apesar de transitórias, não deixam de largar lastro, desse modo tornando
visível a vasta dinâmica dos lugares turísticos ' espaços agenciados por
práticas, que são o produto de um jogo complexo entre os discursos, os
interesses e os usos (Vidal 2010: 111). A questão da visibilidade e da
invisibilidade é aqui crucial: mais do que deter-nos na constatação (ou
rejeição) da primazia da visão no turismo, é importante identificar aquilo que,
em contextos turísticos locais, é visível e invisível, e refletir sobre esta
relação. A clássica distinção entre backstage e front stage (MacCannell 1999
[1976]) apontava já para a importância deste aspeto no turismo; no entanto, é
possível ir mais longe, para lá da questão da autenticidade (que motivou a
discussão de MacCannell), a fim de recuperar um sentido de visão (e atenção)
que seja capaz de nos voltar a conectar com a materialidade das coisas e,
através dela, com os processos sociais e culturais (muitas vezes invisíveis)
que estão na base daquilo a que convencionalmente chamamos turismo.
Por outras palavras, para além do regresso a perspetivas locais, uma
rematerialização dos estudos de turismo implicará também uma revalorização da
visualidade, num quadro conceptual que rejeita a redução do olhar a um
instrumento de controlo e disciplina (a tendência, de inspiração foucaultiana,
ainda dominante); que se afasta do conceito de tourist gaze (Urry 2002), que
tem monopolizado grande parte das discussões sobre visão e turismo (sobretudo
de inspiração anglófona, mas não só); e que, reconhecendo os limites e as
limitações do olhar científico, não deixa de atribuir uma componente
epistemológica e de crítica social (pelo menos potencial) ao ato de ver e/ou
tornar visível. Dois exemplos diferentes de estudos que se poderiam inserir
nesta linha são Swords e Mize (2008), que criticam os conceitos de tourist gaze
e performance para abordar as questões da terra e do trabalho em contextos
turísticos mexicanos e porto-riquenhos, e Löfgren, que lamenta o facto de os
estudos sobre turismo se terem vindo a focar demasiado on the dramatic and
eventful, the visible and explicit (2008: 86), em detrimento das experiências
dos turistas consideradas desagradáveis ou simplesmente banais.
A ausência do trabalho e do banal ' consequência de uma conceção de turismo
como espaço de lazer e do fora do comum, que a indústria não deixa de
incentivar ' constitui, de resto, um dos maiores equívocos dos estudos de
turismo, que um enfoque excessivo no turismo como espaço de produção de
identidades e culturas (ou até de signos) tende a perpetuar.[10] Os métodos
visuais (que recebem pouca atenção no volume da Sage)[11] poderão ajudar a
colmatar este tipo de lacuna, ao permitirem estabelecer conexões e tornar
presente o ausente, preconizando uma nova forma de conceber a visualidade nos
estudos de turismo (cf. Crang 2009). Reconhecer, a partir de observações
diretas e recebidas, que há um rol de coisas, processos e relações que, não
sendo imediatamente visíveis, todavia fazem parte da fotografia, constitui um
passo importante na rematerialização e necessária revitalização dos estudos de
turismo.