Existential therapies (2003): Mick Cooper. London: Sage Publications, 169 pp.
EXISTENTIAL THERAPIES (2003) - Mick Cooper. London: Sage Publications, 169 pp.
Este é o livro que faltava na área que se poderia denominar por história e
sistemas em terapias existenciais, disponibilizando uma panorâmica geral muito
compreensiva, rigorosa e praticamente exaustiva das diferentes abordagens que
existem no campo das psicoterapias existenciais.
A finalidade principal deste livro - introduzir o leitor às diversas terapias
existenciais - é plenamente atingida e de uma forma muito clara. De tal modo,
que o leitor fica bem esclarecido sobre as diferenças que existem, por exemplo
entre as abordagens de Binswanger, Frankl, Bugental, Lainge Yalom, para citar
apenas alguns autores. Adicionalmente, o livro pretende interessar cada vez
mais técnicos de saúde para as abordagens existenciais, discutir quais são as
expectativas dos clientes em relação à perspectiva existencial, identificar as
potencialidades e limitações de cada abordagem, além de definir qual o tipo de
escolhas e dilemas com que se confrontam os terapeutas existenciais. Pode
afirmar-se que, no essencial, estes objectivos são também plenamente atingidos.
O leitor fica de facto com ideias muito claras sobre como é a prática da
psicoterapia existencial, a identificar os aspectos comuns e diferentes que
existem entre as diversas abordagens e ainda recolhe sugestões para outras
leituras. Como escreveu Emmy van Deurzen(New School of Psychotherapy and
Counselling, UK), este livro disponibiliza uma revisão excelente, clara e
crítica da abordagem existencial tal como ela é praticada correntemente.
Mick Cooperé Senior Lecturer em Aconselhamento na Universidade Strathclyde
(Grã-Bretanha) e psicoterapeuta existencial, que se define a si próprio como se
situando entre a perspectiva existencial e a terapia centrada no cliente.
O livro inicia-se com um capítulo sobre filosofia existencial, que assinalando
conceitos fundamentais, como o de existência, o método fenomenológico, as
escolhas livres, o projecto, autenticidade, etc., dá também conta da
diversidade de pontos de vista (Heidegger, Kierkegaard, Marcel, Buber, Sartre,
Merleau-Ponty, entre outros), sempre com a finalidade de mostrar como é que as
ideias filosóficas informam e inspiram as terapias existenciais, apresentando
no final os dilemas e paradoxos da existência e alguns aspectos críticos em
relação à própria filosofia existencial.
Seguidamente, o livro está organizado em 6 capítulosfundamentais, cada um dos
quais focalizado numa abordagem, a saber:
- Análise do Dasein de L. Binswanger e M. Boss
- Logoterapia de V. Frankl
- Abordagem Existencial-Humanista de Rollo May, J. Bugental, I. Yalom e Kirk
Schneider
- Abordagem de R. Laing
- Escola Britânica de Análise Existencial de Emmy van Deurzen, E. Spinelli e
Hans Cohn
- Terapias Existenciais Breves de J. Bugentale de F. Strasser e A. Strasser
Cada um destes capítulos está organizado de uma forma em que, após uma revisão
das influências principais que inspiraram os autores, é caracterizada
detalhadamente a abordagem, sempre com preocupações cronológicas, e termina com
uma perspectiva crítica sobre a abordagem em análise. Cada capítulo tem
referências bibliográficas muito completas, específicas e actualizadas.
Os sétimoe penúltimo capítuloé muito importante porque apresenta uma análise
detalhada das várias dimensões da prática psicoterapêutica, situando as
diferente abordagens ao longo de três eixos fundamentais:
-Fenomenologia - Existencialismo
-Patologização - Não patologização
-Directividade - Não-directividade
Este capítulo permite identificar de forma clara as semelhanças e as diferenças
que existem entre as várias abordagens terapêuticas existenciais.
Finalmente, no último capítuloda obra o autor discute os desafios futuros e as
questões em aberto com que se confrontam as terapias existenciais, com destaque
para a demonstração da sua eficácia terapêutica e o estabelecimento de diálogo
com outras abordagens psicoterapêuticas. O autor mostra aqui qual a sua
perspectiva para superar dialecticamente os conflitos que existem entre as
diversas perspectivas existenciais, nomeadamente em torno daquelas polaridades
e do discurso existencial, defendendo uma compreensão dinâmica e de-construtiva
das estruturas opostas e dos significados.
Por todas as razões, é um livro que não só é recomendado mas também é
recomendável para todos os que se interessam pelas terapias existenciais.
José A. Carvalho Teixeira