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Representação em texto

EuPTCVHe2182-51732015000200010

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN2182-5173
ano2015
Issue0002
Article number00010

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Varicela no pequeno lactente

Introdução A varicela é uma doença causada pelo vírus Varicela-Zoster (VVZ) da família herpesvirus.1 Trata-se de uma doença exantemática muito comum na infância.

Acomete normalmente crianças com idades superiores aos seis meses de vida.2- 3 Mais rara será a infeção no lactente antes dos seis meses de idade, sobretudo pela imunidade conferida pela mãe, frequentemente reforçada pela transferência passiva de imunoglobulinas através do aleitamento materno e, inclusivamente, pelo isolamento natural a que lactentes com esta idade estão sujeitos no que a contactos com outras crianças diz respeito.4 Em 2007 foram registados em Portugal, pela rede de Médicos Sentinela, 722 casos de varicela com taxas de incidência estimadas de 6.241,5 por 100.000 no grupo etário dos 0-4 anos.3 O diagnóstico é sobretudo efetuado por uma observação clínica num contexto epidemiológico de doença.1,4 Apesar de habitualmente benigna em idades pediátricas, quando ocorre até aos três meses de idade, coincidindo com uma maior imaturidade imunológica, poderá suscitar receios quanto à sua evolução e dúvidas na sua abordagem.

Descreve-se um caso de varicela num pequeno lactente (dois meses), seguida de uma breve revisão dos conceitos atuais de abordagem desta patologia nesta faixa etária.

Descrição do caso H, dois meses de idade, sexo feminino, raça caucasiana, natural e residente em Escariz (Arouca), sem antecedentes patológicos de relevo. O parto foi eutócico às 39 semanas, com APGAR 8/10 e somatometria adequada à idade gestacional.

Mantinha-se sob aleitamento materno exclusivo. Desconhecidas doenças heredofamiliares (Figura_1) e apresentava calendário de vacinação atualizado.

Recorreu à consulta aberta do centro de saúde por aparecimento de vesículas com início no dorso com dois dias de evolução e posterior propagação para tronco, virilhas e região anterior das coxas. Nega febre, anorexia ou alterações comportamentais. Referido episódio de varicela no irmão de sete anos cerca de duas semanas antes. A mãe afirmava ter tido a doença na infância.

Ao exame objetivo constatavam-se vesículas distribuídas de forma concêntrica na região dorsal, algumas crostas na região da nuca com presença de halo eritematoso sugestivo de varicela (Figura_2). Sem febre, sem sinais de sobreinfeção, nomeadamente sem crosta melicérica, exsudados ou celulite, com criança bem disposta e interativa durante a consulta.

Foi evocado o diagnóstico de varicela, pelo que o lactente foi referenciado ao Serviço de Urgência de Pediatria do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga, confirmando-se o diagnóstico. Foi efetuado estudo analítico, com hemograma completo, proteína C reativa e função renal que não evidenciou alterações de relevo. Foi decidido internamento e fez terapêutica com aciclovir endovenoso (na dose de 30mg/Kg/dia, divididos em três tomas, durante sete dias). Teve como única intercorrência uma conjuntivite sem necessidade de antibioterapia tópica.

A criança mantém um desenvolvimento adequado, com seguimento harmonioso da sua linha de percentis de crescimento. Este evento de vida não gerou um momento de crise familiar com caráter patológico.

Comentário A incubação do VVZ pode durar entre 10 a 21 dias, sendo que em média dura 14 dias,1,5-8 o que valida a transmissão através do irmão.

Apesar de se tratar de um contágio intrafamiliar (e, por isso, potencialmente mais exuberante) apresentava um quadro frustre, com poucas lesões observáveis ao exame físico e sem grande repercussão sistémica, o que se explica pela proteção conferida pela mãe, como referido anteriormente.

A abordagem terapêutica desta situação passou pela administração de aciclovir endovenoso em regime de internamento. Atualmente existem alguns autores que apontam outras possibilidades de atuação, como por exemplo uma atitude mais expectante ou tratamento sintomático,9-10 aplicáveis desde o período neonatal (em recém-nascidos com varicela adquirida na comunidade e mais de 15 dias de vida).

Assim sendo, considera-se que os recém-nascidos com transmissão horizontal de varicela poderão não ser tratados com aciclovir desde que não revelem repercussão sistémica importante ou co-morbilidades10-11 e estando assegurada uma vigilância adequada em ambulatório.12 Quando se opta pelo tratamento com aciclovir, o mesmo deve ser iniciado nas primeiras 24 horas de doença para ser obtida a máxima eficácia.7-8,10-11,13 Este fármaco é habitualmente bem tolerado em idade pediátrica quando administrado por via endovenosa. Não existem muitos dados disponíveis sobre a sua eficácia quando administrado oralmente até aos três meses de idade, pelo que esta via de tratamento não é preconizada nestes casos.

Como discutido anteriormente, deve manter-se o encorajamento do aleitamento materno pelo seu papel imunomodulador.6,9,14


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