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Representação em texto

EuPTCVHe1646-21222014000400010

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN1646-2122
ano2014
Issue0004
Article number00010

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Rutura do tendão quadricipital, diagnóstico tardio

INTRODUÇÃO A rutura do tendão quadricipital é uma lesão relativamente pouco frequente e afeta predominantemente indivíduos depois da quinta década de vida.1,2,3,5 Geralmente é secundária a trauma, mas pode ocorrer de forma espontânea, por vezes até bilateralmente, em doentes com situações predisponentes, tais como, uso crónico de corticoides e fluoroquinolonas.1,3,5 Também a imobilização prolongada e algumas doenças crónicas, como diabetes mellitus, insuficiência renal crónica, doenças autoimunes ou metabólicas, entre outras, podem ser também responsáveis por este tipo de lesão.1,2,3,4,5 A rutura ocorre mais comummente 1-2cm acima do polo superior da rótula, a zona menos vascularizada do tendão.1,4 O diagnóstico é baseado na história e exame clínico, embora exames de imagem, como ecografia e ressonância magnética, possam ter indicação na sua confirmação.1,2,3 Os sintomas clássicos são a dor súbita suprapatelar, perda de extensão ativa do joelho e palpação de defeito suprapatelar.1,2,3 O tratamento é sempre cirúrgico e deve ser realizado o mais rapidamente possível, pois após 72h retração do tendão.1,3,4,5 Quando não diagnosticadas em tempo, o resultado é menos satisfatório, e apesar da reparação do tendão ser conseguida, no final, o défice na flexão é uma sequela comum.1,2,3,5 Dentro das várias técnicas cirúrgicas para o tratamento deste tipo de lesões, a de Codivilla, descrita por Scuderi, é a mais preconizada, apesar de estar associada um défice de extensão.2 Os autores descrevem o caso de um paciente com uma rutura traumática do tendão quadricipital diagnosticado tardiamente.

CASO CLÍNICO Doente de 71 anos, género masculino, caucasiano, com antecedentes de hipertensão arterial e diabetes mellitus, vítima de queda com traumatismo de joelho direito. Recorreu ao Serviço de Urgência, não tendo sido diagnosticada qualquer lesão no aparelho extensor do joelho. Por manter dor e limitação funcional do membro inferior direito recorre novamente ao Serviço de Urgência passado um mês e meio. Clinicamente o exame era sugestivo de rutura de tendão quadricipital, com dor ao nível do polo superior da rótula, incapacidade funcional do membro e depressão supra-patelar palpável. Associava também edema moderado e sinais inflamatórios do membro inferior direito. Realizou ecografia, que descrevia rutura do tendão quadricipital. Concomitantemente foi diagnosticada celulite do membro inferior. Internado para antibioterapia e repouso.

Após 10 dias de antibioterapia e regressão dos sinais inflamatórios do membro inferior, foi submetido a tratamento cirúrgico, tenorrafia do tendão quadricipital pela técnica de Codivilla (corte em forma de V invertido na região proximal do tendão, aproximação dos bordos, reforço da sutura com o flap de tendão e sutura contínua da parte superior aberta do V). O período de pós- operatório imediato decorreu sem intercorrências. Teve alta para o domicílio 1 semana após a cirurgia com indicação de manter imobilização com tala de Depuy e deambulação com canadianas com carga parcial no membro durante 4 semanas.

Efetuou consulta de revisão no mês pós-operatório, retirando imobilização e iniciando programa de reabilitação funcional, com mobilização ativa assistida do joelho e anca para ganho de amplitudes articulares, estiramento do quadricípede e fortalecimento muscular isométrico que evoluiu para isotónico concêntrico para ganho de massa e força muscular.

Observado ao mês pós-operatório, sem dor, sem presença de solução de continuidade no tendão, sem atrofia do músculo quadricipital. Faz carga total sem claudicação. Força muscular 4+/5. Arco de mobilidade ativa do joelho situada entre 10º e 95º. (Figura_1)

Consulta de revisão aos 6 meses, situação clínica idêntica ao descrito anteriormente.

CONCLUSÃO Doenças como diabetes mellitus, como no caso clínico descrito, causam lesões vasculares e necrose do tecido fibroso do tendão com consequente enfraquecimento, o que leva a que mesmo traumatismos de baixa energia provoquem a rutura, especialmente em indivíduos com mais que 65 anos.3,4,6


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