Artroplastia unicompartimental do joelho: Porquê o preconceito?
INTRODUÇÃO
A artroplastia das grandes articulações é, sem dúvida, um dos maiores sucessos
cirúrgicos dos últimos 100 anos, sendo hoje a artroplastia do joelho uma das
intervenções médicas mais eficazes. Avanços nas técnicas cirúrgicas, tecnologia
dos materiais e engenharia dos implantes continuam a aumentar as expectativas
em relação ao desgaste das superfícies de contacto, à fixação das próteses e à
sua longevidade. Estes avanços têm permitido uma expansão das indicações
cirúrgicas para pacientes mais jovens, mais ativos e mais pesados [1, 2].
A artroplastia unicompartimental do joelho (AUJ) surgiu na década de 1970, mas
estudos iniciais relatavam maus resultados, com taxas de revisão, a médio
prazo, na ordem dos 15% a 28%, devido à dificuldade técnica e seleção errada de
pacientes que levavam a libertação da prótese, desgaste do polietileno e
progressão da artrose nos outros compartimentos, o que deixou esta técnica em
segundo plano, quando comparada com a artroplastia total do joelho (ATJ) e
Osteotomia Tibial Alta (OTA)[3, 4].
Apesar da ATJ continuar a ser o gold standard do tratamento cirúrgico da
osteoartrose (OA) do joelho[5], com taxas de sobrevida sobrevida a 10 anos
entre 94% a 100%, a AUJ tem mostrado grandes melhorias, nos últimos anos, com
resultados excelentes publicados em vários estudos[6-8]. Juntamente com estes
bons resultados, a melhor relação custo-eficácia verificada com AUJ[9] e as
muitas vantagens que lhe são atribuídas em relação aos outros métodos
cirúrgicos, fazem com que esta pareça, cada vez mais, uma alternativa viável no
tratamento da OA do joelho.
MATERIAL E MÉTODOS
Acedendo à base de dados MEDLINE, através da PubMed, realizou-se a pesquisa
bibliográfica, utilizando como chave os termos "Unicompartmental Knee
Arthroplasty" e limitando a pesquisa a artigos publicados entre 1 de
janeiro de 2010 e 31 de dezembro de 2012, escritos em inglês ou português.
Foram encontrados 252 artigos, realizando-se a leitura integral ou do resumo
dos mesmos e sendo selecionados os artigos que abordavam os temas: indicações
cirúrgicas, sobrevida, resultados funcionais, vantagens e desvantagens, relação
custo-eficácia, complicações e revisão em casos de falência. Esta triagem
resultou na seleção de 94 artigos, sendo incluídos na presente monografia
aqueles que se revelavam pertinentes.
VANTAGENS
Estão hoje descritas na literatura várias vantagens da AUJ sobre a ATJ, sendo,
talvez, a mais preponderante, a possibilidade de atuação apenas no
compartimento degenerado, poupando o restante joelho[10]. Esta abordagem mais
conservadora, permite a manutenção das estruturas saudáveis, incluindo o
ligamento cruzado anterior (LCA), e permite uma cinética muito semelhante à de
um joelho normal. Está descrita uma melhoria funcional, verificada tanto em
termos objetivos, baseada em provas funcionais e na amplitude de movimento,
como em questionários colocados aos pacientes, que descrevem uma melhoria
significativa em relação à função pré-operatória[11, 12]. Num estudo em que se
avaliaram pacientes com uma prótese unicompartimental, enquanto subiam escadas,
verificou-se que foi preservada a simetria entre os membros inferiores durante
a marcha[13].
Apesar dos bons resultados que se verificam atualmente, continuam a haver casos
em que é necessária uma revisão da prótese, muitas vezes para ATJ. Vários
estudos relatam este procedimento realizado com sucesso, contrariando a ideia
de que esta é uma cirurgia complicada e que necessita muitas vezes de enxertos
ósseos e com dificuldades de implantação da nova prótese[14, 15]. Esta
facilidade em rever uma AUJ falhada deve-se, em parte, à natureza poupadora de
osso desta cirurgia. No entanto, há ainda controvérsia sobre os resultados de
uma AUJ revista para ATJ, estando publicados estudos que relatam resultados
inferiores aos de uma ATJ primária[16, 17].
A AUJ é uma cirurgia menos invasiva do que a ATJ e como tal tem menos
complicações e taxa de mortalidade associadas[18]. Atualmente, há a
possibilidade de utilizar técnicas de cirurgia minimamente invasiva (CMI),
podendo ser obtidos resultados ainda mais favoráveis. As perdas hemáticas são
menores e há risco reduzido de eventos tromboembólicos[19]. É possível, também,
um melhor controlo da dor peri-operatória[20]. Isto leva a uma redução
significativa no tempo de hospitalização e a um menor risco de transferência
para unidades de cuidados continuados[21]. Estudos comparativos entre AUJ e ATJ
revelam que os pacientes apresentam maiores índices de satisfação e bem estar
mental no seguimento de uma AUJ, em grande parte devido à maior semelhança com
o joelho normal, o chamado natural feeling, proporcionado por estas próteses
[22]. Devido à pequena incisão realizada, com menor lesão muscular, é possível
obter resultados funcionais equiparáveis aos pré-operatórios no espaço de um
mês, período muito inferior ao verificado com ATJ[23, 24], podendo ser
esperados os resultados finais entre os 6 e os 12 meses[25]. A AUJ permite,
ainda, que uma grande maioria dos pacientes mais jovens regressem às suas
atividades profissionais, em média, 3 meses após a cirurgia[1] e que cerca de
90% dos pacientes relatem manutenção ou melhoria da sua capacidade de
participar em atividades físicas recreativas ao fim de 18 meses[2].
Está ainda descrito que esta é uma cirurgia mais barata do que a ATJ[9].
INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES
Numa revisão da literatura feita em 2010, comparando a AUJ com OTA, Dettoni
identificou como indicações ideais para AUJ medial: A) a presença de OA
unicompartimental medial ou necrose avascular do côndilo femural, com
compartimento lateral e patelo-femural intactos; B) idade superior a 60 anos;
C) baixa atividade física; D) ausência de obesidade; E) dor mínima em repouso;
F) arco de movimento superior a 90º com menos de 5º de contratura em flexão; G)
deformidade com menos de 10º, que possa ser passivamente corrigida[26].
Na presente revisão bibliográfica, a maioria dos autores que relatam bons
resultados utilizaram indicações sobreponíveis ou muito semelhantes às
supramencionadas, apresentando como principais diferenças os critérios
utilizados em relação à idade e peso.
Existe atualmente uma grande controvérsia em relação à idade ideal para a
realização deste procedimento. Muitos cirurgiões não impõem um limite mínimo,
obtendo bons resultados. Num estudo realizado em pacientes com idade inferior a
60 anos, foi obtida uma sobrevida de 93,5% aos 10 anos[8], e noutro com as
mesmas condições a sobrevida foi de 94% aos 12 anos[11]. Os autores referem
ainda que em 90% dos casos é obtida muito boa satisfação por parte dos doentes.
No entanto, a idade é considerada por alguns um preditor de satisfação, tendo
os pacientes com idade inferior a 60 anos um maior risco de insatisfação em
relação à sua prótese[27, 28]. Os autores sugerem como explicação o facto dos
doentes mais novos esperarem maior melhoria funcional do que aquela que a
prótese pode oferecer, o que pode levar a um aumento da taxa de revisão para
este grupo de pacientes.
O excesso de peso é globalmente aceite como um fator de risco de falência
precoce na AUJ. No entanto não está estabelecido um valor limite a partir do
qual se deve optar por outro procedimento. Alguns autores consideram obesidade
mórbida uma contraindicação[8], outros não impõem limite e obtêm bons
resultados[27]. Num inquérito realizado no Reino Unido, apenas 8% dos
cirurgiões participantes consideraram a obesidade uma contraindicação[29]. Este
alargamento dos critérios pode ser explicado pelo aparecimento de estudos a
relatar bons resultados em pacientes obesos. Kuipers ficou surpreendido ao
verificar que no seu estudo os pacientes obesos não apresentavam um risco
aumentado de falência[28], especulando que isto se possa dever ao maior
sedentarismo muitas vezes apresentado por pacientes obesos, que poupa a sua
prótese aos efeitos deletérios da sobrecarga ponderal. Outro autor refere não
ter encontrado uma diferença estatisticamente significativa entre o índice de
massa corporal (IMC) e o resultado funcional obtido[30]. No entanto refere que
de um modo geral, os melhores resultados foram encontrados em pacientes com
menor IMC. Em contrapartida, num estudo desenhado especificamente para avaliar
o resultado da AUJ estratificado por IMC, os autores concluíram que os
pacientes com IMC>35 Kg/m2 estão em maior risco de falência, pelo que a AUJ
nestes pacientes deve ser abordada com precaução[31].
A artrose deve estar numa fase avançada, com apagamento da interlinha
articular, o que corresponde a um grau 2 ou superior na escala de Ahlback[11].
Num estudo publicado em 2011, Niinimaki sugere que a AUJ só deve ser realizada
em casos em que a espessura da cartilagem do compartimento medial seja inferior
a 40% da cartilagem do compartimento lateral[32]. O autor explica que esta
cirurgia não deve ser realizada se houver evidência de desgaste incompleto da
cartilagem, uma vez que em fases iniciais da artrose os sintomas são
principalmente causados por inflamação sinovial, justificando-se, por exemplo,
infiltração com corticosteroides. Em casos mais avançados, com perda total da
cartilagem, é mais comum que os sintomas sejam de origem mecânica, com dor
proveniente do osso, fazendo com que o doente beneficie mais com uma AUJ.
Lesão do ligamento cruzado anterior é tida como uma contraindicação para AUJ
[26], por causar maiores forças sobre os componentes, levando a falência
precoce do implante. Ainda assim, existem estudos em que foram realizadas AUJ
em joelhos com deficiência do LCA tendo sido obtidos bons resultados. Um grupo
de autores utilizando a prótese Oxford fase-3, obtiveram bons resultados em
pacientes com LCA insuficiente, conseguindo uma sobrevida de 94% aos 5 anos
[33]. Apesar dos bons resultados os autores recomendam que se continue a ter a
presença LCA intacto como critério para a realização de AUJ, apenas ignorando a
lesão do mesmo em casos muito específicos, em que o doente está ciente do
problema e do risco associado.
Estudos recentes demonstram que é possível realizar AUJ combinada com
reconstrução do LCA, em pacientes com instabilidade articular, obtendo-se
resultados bastante promissores[34, 35]. Os autores referem que este é um
procedimento complexo, e que deve ser realizado por cirurgiões experientes, sob
pena de serem obtidos maus resultados.
Doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide, são consideradas uma
contraindicação formal[36]. Osteófitos e condrocalcinose ligeira podem estar
presentes sem contraindicarem a AUJ. No caso de OA patelofemural de grau
avançado, com osso-em-osso, deve optar-se por outro procedimento[8].
IMPLANTES
Está descrito que os modelos fixos com alta conformidade produzem forças de
contacto reduzidas, mas há maior tensão no componente tibial, podendo levar a
libertação do mesmo. Por sua vez, um modelo fixo com baixa conformidade causa
menos tensão no componente tibial, mas produz maior forças de contacto, levando
a um aumento do desgaste do polietileno. Todos os modelos fixos apresentam um
conflito de cinética, com rotação limitada. Surgem assim os modelos móveis,
numa tentativa de conciliar congruência e mobilidade, teoricamente reduzindo a
tensão no componente tibial e as forças de contacto ao mesmo tempo que resolvem
o conflito de cinética, permitindo a livre rotação da articulação[37].
Não estão ainda esclarecidas as diferenças entre os modelos de próteses
unicompartimentais. Num estudo em que foram comparados dois modelos fixos e um
móvel não foram detetadas diferenças significativas no que toca a resultados
funcionais, sobrevida e modos de falência, apesar do tempo decorrido até se
verificar um dado modo de falência se alterar para os diferentes modelos[3]. Os
autores sugerem que a AUJ com prótese móvel é uma cirurgia que permite menor
margem de erro, o que pode explicar as falências precoces por vezes descritas
para estes modelos.
Estudos in-vitro realizados para determinar diferenças em termos de desgaste do
polietileno, utilizando simuladores em que a prótese é fixada a um bloco
metálico, revelam uma maior tendência para ocorrer desgaste nos modelos móveis
[38, 39]. Esta diferença pode dever-se ao facto de, nos modelos móveis, haver
uma maior liberdade da movimentação em qualquer direção e uma maior área de
contacto, com a adição da face inferior do polietileno. Noutro estudo in-vitro
foram usados dois métodos de fixação, sendo obtidos os mesmos resultados acima
referidos quando foi usado o mesmo método. No entanto, quando se fixaram as
próteses a um fémur sintético, numa tentativa de melhor reproduzir as condições
in-vivo, os resultados inverteram-se, demonstrando um desgaste mais elevado nos
modelos fixos[37], mas sendo a diferença encontrada menor em relação aos
resultados anteriores. Foi realizada uma análise a nível molecular, que revelou
uma maior degradação da estrutura do polietileno para os modelos móveis, em
ambos os métodos de fixação. Esta degradação da estrutura pode ter resultados
deletérios a longo prazo.
Outro autor conclui que a utilização de modelos fixos com componente tibial
metálico, em detrimento de componentes totalmente de polietileno, produz uma
melhor distribuição das forças na superfície proximal da tíbia, reduzindo assim
os casos de colapso, descritos para este modelo[40].
SOBREVIDA
Um dos grandes debates em relação a AUJ é a sua sobrevida. Será que podem ser
obtidos resultados tão bons ou melhores do que os que se verificam com a ATJ?
Surgem assim muitos estudos a relatar taxas de sobrevida, obtendo-se resultados
mistos e variados modos de falência para estas próteses.
Num estudo realizado com a prótese unicompartimental móvel Oxford fase-3,
Clement obteve uma sobrevida de 91,2% aos 9 anos[27]. O autor atribui estes
bons resultados a uma escolha cuidadosa dos pacientes indicados e à boa técnica
dos cirurgiões. Foran descreve resultados igualmente satisfatórios com a
prótese unicompartimental fixa Miller-Galante, obtendo uma taxa de sobrevida
aos 15 anos de 93% e de 90% aos 20 anos[36]. Um achado interessante neste
estudo foi que todos os pacientes que realizaram controlo radiográfico durante
o follow-up revelaram progressão da artrose no compartimento lateral, mas
apenas em 2 casos esta progressão obrigou a uma revisão. Os autores sublinham o
grande esforço demonstrado pelos cirurgiões em evitar a sobrecorreção e o
sobredimensionamento dos componentes da prótese, facto que decerto contribuiu
para os resultados obtidos.
Numa análise da base de dados Medicare, foram selecionadas 2848 AUJ realizadas
entre 2001 e 2007, sendo obtida uma sobrevida de 94% aos 5 anos[6]. Os autores
atribuem o risco aumentado de revisão da AUJ à experiência do cirurgião, sendo
detetada uma diferença significativa aos 2 anos entre cirurgiões menos
experientes que realizam menos de 40 AUJ por ano, quando comparados com os que
realizam mais do que este número de AUJ por ano. Esta diferença pode ser
explicada pelas falências catastróficas atribuíveis a erros cirúrgicos.
Dervin relata experiência inicial de 545 casos dum grupo de cirurgiões com a
Oxford fase-3, descrevendo uma taxa de revisão de 5% aos 2 anos, atingindo
depois um plateau com um número muito reduzido de revisões[41]. A causa mais
comum de falência encontrada foi a progressão da artrose no compartimento
lateral. Mais uma vez, os autores atribuem estas falências precoces a erros na
seleção dos pacientes e a erros cirúrgicos, nomeadamente a lesão do ligamento
colateral medial e a defeitos de corte, resultando em erros de alinhamento e
casos de overstuffing do compartimento lateral.
O alinhamento tibiofemural está descrito como tendo um grande impacto no
resultado obtido na AUJ. É aconselhado um alinhamento neutro (5º a 8º em valgo)
ou ligeiramente subcorrigido, pois a sobrecorreção acarreta um risco aumentado
de progressão da artrose no compartimento lateral, enquanto a subcorreção
excessiva pode levar a desgaste aumentado do polietileno. Kim atingiu os
melhores resultados quando se obteve um alinhamento de 4º a 6º em valgo[42].
O declive posterior do prato tibial no compartimento medial desempenha também
um papel importante no resultado da AUJ. Um aumento deste declive pode levar a
instabilidade da articulação, com lesão do LCA, que podem levar a falência
precoce da prótese[43]. Está descrito que o declive tibial posterior deve
variar entre os 3º e 7º[44].
Apesar dos bons resultados obtidos por alguns autores com a CMI, continua a
haver o receio por parte de muitos cirurgiões em usar esta técnica devido à
visualização limitada proporcionada pela incisão reduzida, o que pode pôr em
risco a preparação das superfícies articulares e do alinhamento dos implantes
[45]. Numa tentativa de diminuir este risco de mal posicionamento, tanto na CMI
como na cirurgia convencional, surgiram sistemas de navegação intraoperatórios
que, teoricamente, levariam a um melhor posicionamento das próteses. Estudos
recentes não têm conseguido demonstrar esta melhoria no posicionamento com as
técnicas de navegação[30, 46]. Estes sistemas têm ainda o inconveniente de ser
caros e levarem a cirurgias mais longas. No entanto, os autores referem poder
haver vantagens da utilização dos mesmos por cirurgiões menos experientes, que
ainda não desenvolveram totalmente a sua técnica.
O modo mais comum de falência da prótese relacionada com o cirurgião, é a
progressão da artrose no compartimento lateral, devendo-se esta, muitas vezes,
à sobrecorreção acima descrita[47], que resulta de uma tentativa, por parte dos
cirurgiões, de atingir a estabilidade do prato de polietileno móvel, utilizando
o maior tamanho possível.
Outros modos de falência comuns, atualmente, são o desgaste do polietileno[11],
dor medial persistente[48], luxação do prato de polietileno e libertação de
componentes da prótese[49].
Com vista a evitar estes mecanismos de falência estão a ser concebidos novos
equipamentos, como pratos de polietileno mais anatómicos e novos métodos de
fixação das próteses. É o caso da prótese Twin Peg Oxford, que tem dois pinos
de fixação femural, ao contrário do anterior modelo que tinha apenas um pino,
com vista a reduzir possíveis libertações deste componente. White descreve os
primeiros 100 casos com esta prótese, obtendo 100% de sobrevida aos 2 anos[50].
Apesar de estarem descritos todos estes modos de falência e dos maus resultados
obtidos em alguns estudos[28, 47], estão também descritos resultados muito
favoráveis a longo-prazo. Price descreve a sua experiência na segunda década
com a prótese Oxford fase-3, tendo obtido uma sobrevida de 91% aos 20 anos[14].
O autor sugere que se a prótese sobreviver até aos 10 anos, é de esperar que
chegue aos 20 anos. Sendo assim, e dado que uma grande parte dos doentes em que
se realizam AUJ tem perto de 70 anos, o autor acredita que não há necessidade
de considerar a AUJ um procedimento pré-ATJ.
CONCLUSÃO
Nos últimos anos tem sido observado um aumento da popularidade da AUJ na
comunidade ortopédica devido ao avanço das técnicas e tecnologias cirúrgicas, à
engenharia dos implantes e a procedimentos minimamente invasivos.
Apesar de ser uma técnica com uma curva de aprendizagem longa, em que muitas
vezes são observados resultados menos bons no início da aprendizagem do
cirurgião, quando nas mãos de um perito e seguindo as indicações adequadas, a
AUJ parece ser um procedimento eficaz no tratamento de osteoartrose do
compartimento medial do joelho, apresentando um risco de revisão da prótese
comparável ao verificado com a ATJ. É possível obter excelentes resultados
funcionais e sobrevidas dos implantes igualmente satisfatórias. Esta sobrevida
prolongada das próteses, que chegam à 3ª década, faz com que a AUJ possa ser
vista como uma medida definitiva na população mais envelhecida. Com a inclusão
de pacientes mais jovens surge a necessidade de revisão de algumas destas
próteses, procedimento que, devido às próteses modernas, pode ser realizado com
dificuldades técnicas mínimas. A AUJ apresenta resultados funcionais melhorados
em relação à ATJ e os pacientes podem contar com um regresso a atividades
físicas após esta cirurgia.