Tendências de pesquisas brasileiras sobre mulheres mastectomizadas
Introdução
No Brasil, a saúde da mulher foi incorporada às Políticas Nacionais de Saúde
através do Programa Materno Infantil, muito embora estivesse atrelada a essa
iniciativa uma visão restrita sobre a mulher, baseando-se em sua especificidade
biológica e no seu papel social de mãe e doméstica, responsável pela criação,
pela educação e pelo cuidado com a saúde dos filhos e demais familiares
(Brasil, 2004).
Na década de 1980 o cenário nacional passou por um crescente momento
democrático, a partir da organização de movimentos sociais, que foram
fortalecidos com os movimentos feministas, e estes, por sua vez, já estavam
lutando por seus direitos, desde o tempo da ditadura militar. Assim, o tema
saúde da mulher cresce no país através dos espaços académicos e na maioria dos
movimentos sociais organizados.
No processo de abertura política, feministas e profissionais da saúde iniciaram
uma parceria com o Ministério da Saúde para elaboração de propostas de
atendimento à mulher que garantissem o respeito pelos seus direitos de cidadã,
resultando em uma proposta concreta do Estado como resposta às reivindicações.
Assim, criou-se no ano de 1984 o Programa de Assistência Integral à Saúde da
Mulher (PAISM).
De acordo o Instituto Nacional do Câncer (Brasil, 2006) e o Ministério da Saúde
(Brasil, 2000), o câncer de mama é a maior causa de óbito da população feminina
brasileira, principalmente na faixa etária de 40 a 69 anos e sua incidência
varia em função de fatores como raça, classe social, estado conjugal e local de
residência. Estima-se que 80% dos tumores de mama são descobertos pela própria
mulher ao palpar acidentalmente suas mamas. Em geral, mais de 50% dos casos são
diagnosticados em estágios avançados (III e IV), gerando tratamento muitas
vezes mutilantes, causando sofrimento à mulher, tornando-se muito dispendioso
aos cofres públicos.
Contudo, o câncer de mama representa o primeiro lugar em número de intervenções
cirúrgicas realizadas no país anualmente. A cirurgia frequentemente gera
comorbidades que causam grande temor entre as mulheres, provocando alterações
psicológicas que afetam a percepção da sexualidade e a imagem pessoal, além dos
desconfortos e debilidades físicas (Nogueira et al., 2005).
Muitas mulheres estão tendo o diagnóstico precocemente através da realização da
mamografia e muitos casos não são apresentados sinais e sintomas e nenhuma
nodosidade palpável, porém estas lesões são detectadas pela mamografia.
Portanto, a partir de uma preocupação inquietante no tocante ao tema exposto,
alguns questionamentos nortearam a pesquisa: quais as tendências e os enfoques
dados pelas pesquisas que abordam as mulheres mastectomizadas? Os pesquisadores
brasileiros estão desenvolvendo pesquisas direcionadas à mastectomia por câncer
de mama?
Nesta perspectiva, o presente artigo teve como objetivos analisar as tendências
das pesquisas realizadas no Brasil sobre mulheres mastectomizadas.
Especificamente, buscou-se avaliar qual direcionamento os pesquisadores estão
trabalhando, ou seja, qual o tipo de abordagem e o enfoque dado nos estudos
(assistência, reabilitação, educação em saúde, prevenção e promoção de saúde,
entre outros).
Quadro teórico
O Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher marca uma ruptura
conceitual com os princípios norteadores da política de saúde das mulheres e os
critérios para eleição de prioridades neste campo. É nessa perspectiva que tal
programa, incluía ações educativas, preventivas, de diagnóstico, tratamento e
recuperação, englobando a assistência à mulher em clínica ginecológica, no pré-
natal, parto e puerpério, no climatério, em planejamento familiar, DST, câncer
de colo de útero e de mama, além de outras necessidades identificadas a partir
do perfil populacional das mulheres (Brasil, 1984).
Logo após, em 1986, a 8ª Conferência Nacional de Saúde realizada em Brasília '
DF configurou-se na primeira conferência de caráter democrático, por ter sido
representada por representantes de todo o Brasil, dentre eles, os movimentos de
mulheres que já estavam fortalecidos naquela época, com isso, aquelas que foram
representando tal movimento, contribuíram através das participações nas rodas
de discussões e nas construções de direitos a saúde da população
maternoinfantil e áreas afins. Foi nessa perspectiva, que as mulheres tiveram
suas reivindicações incorporadas na Constituição Federal do Brasil de 1988
(Brasil, 2004; Brasil, 2006).
O Ministério da Saúde em 2004, através da Política de Atenção a Saúde da Mulher
se propõe a reduzir a morbimortalidade por câncer na população feminina,
através da organização em municípios polos de microrregiões, redes de
referência e contrarreferência para o diagnóstico e o tratamento de câncer de
colo uterino e de mama, garantindo o cumprimento da Lei Federal nº 10.223 que
prevê a cirurgia de reconstrução mamária nas mulheres que realizaram
mastectomia (Brasil, 2004).
Foi então que, no ano de 2006, com o intuito de melhorar a atenção básica em
saúde, o Ministério da Saúde cria o pacto pela vida e, com ele, define seis
prioridades: saúde do idoso; fortalecimento da capacidade de respostas às
doenças emergentes e endémicas, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose,
malária e influenza; fortalecimento da atenção primária e promoção da saúde e,
mais uma vez, percebe-se uma preocupação com a redução da mortalidade infantil
e materna e com o controle de câncer de colo de útero e de mama (Brasil, 2007).
Tornando'se claro os objetivos dos gestores em reduzir o câncer de mama das
mulheres brasileiras.
O aumento da expectativa de vida da população brasileira nas últimas décadas
tem levado ao foco da atenção epidemiológica as doenças crónico-degenerativas,
demonstrando que as mesmas caracterizam um grave problema de saúde pública no
país, tendo em vista que, excluindo as causas mal definidas, as doenças
cardiovasculares e o câncer causam mais de 40% dos óbitos no Brasil, e o câncer
de mama caracteriza a neoplasia mais frequente entre as mulheres. Na capital
gaúcha encontram-se as taxas mais altas de mortalidade específica, com 26,6
óbitos para cada 100.000 habitantes, ressaltando o câncer de mama como a
principal causa de morte em mulheres de 20 e 49 anos (Duncan, Schmidt e
Giuglian, 2006).
De acordo com Araújo et al. (2010), o Brasil vem apresentando um importante
aumento nos casos de câncer de mama nos últimos anos, cujos fatores podem estar
relacionados direta ou indiretamente aos fatores genéticos; idade elevada
(acima de 50 anos); história pessoal ou familiar; menarca precoce (antes dos 12
anos); nuliparidade e idade materna tardia ou precoce no primeiro nascimento
(mulheres que tem seus filhos após 30 anos ou, antes dos 20 anos); menopausa
tardia; história de doença mamária proliferativa benigna; exposição a radiação
ionizante entre a puberdade e 30 anos de idade; obesidade; terapia de reposição
hormonal e ingestão de álcool.
Pode-se dizer que a lei nº 9.797, de 6 de maio de 1999, representa um grande
avanço para as mulheres portadoras de câncer de mama, uma vez que dispõe sobre
a obrigatoriedade da cirurgia plástica reparadora da mama pela rede de unidades
integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS) nos casos de mutilação decorrentes
de tratamento de câncer. Garante às mulheres, em seus artigos 1º e 2º, que
aquelas que sofrerem mutilação total ou parcial da mama, decorrente de
utilização de técnica de tratamento de câncer, têm direito a cirurgia plástica
reconstrutiva e que cabe ao SUS, por meio de sua rede de unidades públicas ou
conveniadas, prestarem serviço de cirurgia plástica reconstrutiva de mama
prevista no art. 1º utilizando-se de todos os meios e técnicas necessárias
(Cardoso, 1999).
Mas, para Rodrigues, Silva e Fernandes (2003) o diagnóstico de câncer de mama
gera profundo estresse emocional na vida da mulher, aliado à mastectomia, que
poderá ser tão dolorosa e agressiva como a própria doença. No entanto, faz-se
necessária uma relação de apoio, atenção, compreensão, amor e diálogo entre o
profissional e o cliente; e outro parceiro essencial nesta recuperação são os
grupos de apoio, por serem considerados elementos relevantes e necessários para
o processo de recuperação da mulher e aceitação do câncer de mama e
mastectomia, possibilitando o compartilhar de experiências de vida a respeito
da convivência com a enfermidade e procura coletiva de meios de resolução para
os seus problemas.
Para Otto (2002), as manifestações clínicas do câncer de mama são classificadas
em sintomas mais comuns na abertura do quadro: massa (especialmente quando
dura, irregular, indolor) ou espessamento na mama ou axila; secreção
espontânea, persistente, unilateral mamilar serossanguinolenta, sanguinolenta
ou aquosa; retração ou inversão do mamilo; alteração no tamanho, no formato ou
na textura da mama (assimetria); enrugamento ou retração da pele, descamação
cutânea em torno do mamilo; sintomas de disseminação regional: vermelhidão,
ulceração, edema ou dilatação das veias, alterações cutâneas do tipo peau
d'orange, aumento dos linfonodos na axila; evidências da doença metastática:
aumento dos linfonodos na região supraclavicular ou cervical e anormalidades na
radiografia de tórax, com ou sem derrame pleural.
Metodologia
Trata-se de uma revisão da literatura de abordagem quantitativa que, segundo
Marconi e Lakatos (2006), propicia o exame de um tema sob um novo enfoque ou
abordagem, chegando a conclusões inovadoras, não se configurando uma repetição
do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto. Além de corresponder a uma
metodologia que vai ao encontro do objetivo proposto neste estudo, ao
posicionar o leitor do estudo e os próprios pesquisadores acerca dos avanços,
retrocessos, ou áreas envoltas em polémicas, ela também fornece informações
para contextualizar a extensão e a significância do problema que se maneja,
portanto, tem função histórica e de atualização (Silveira, Soares e Reinaldo,
2010).
Para Polit e Hungler (1995) a pesquisa está contemplada dentro de uma abordagem
quantitativa quando envolve a coleta sistemática de informação numérica, em que
se utilizam procedimentos estatísticos.
Inicialmente o processo de busca se deu a partir da associação dos descritores
mulheres', mastectomia' com o uso indicador boleano and'. A população foi
constituída por resumos adquiridos através de busca eletrónica, utilizando-se a
base de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME), do Sistema Latino-
Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS), nos quais
foram encontrados 61 artigos. Na National Library of Medicine (MEDLINE),
Scientific Eletronic Library Online (SciELO) 13 artigos e do Banco de Dados em
Enfermagem (BDENF) 37 artigos.
Os critérios de inclusão definidos para a constituição da amostra foram:
estudos realizados no Brasil, considerando que a vivência da mastectomia sofre
a influência de valores culturais; estudos com enfoque nas vivências femininas
sobre o câncer de mama e sobre a mastectomia. Foram excluídos os estudos
realizados em outros países e aqueles com enfoques diferentes dos definidos.
Sendo assim, com base nestes critérios, foram encontrados 111 trabalhos, porém,
para atender aos objetivos do estudo foram selecionados 69 artigos, devido ao
grande número de artigos repetidos nos referidos bancos de dados.
Utilizou-se para coleta dos dados empíricos um instrumento estruturado,
submetido à pré-testagem com aplicação em oito trabalhos. A coleta de dados foi
realizada no período de 15 de junho a 31 de julho de 2009.
Por se tratar de um estudo quantitativo, os dados foram tabulados, analisados,
transformados em porcentagens e agrupados em uma tabela para facilitar a
visualização e o agrupamento das informações.
Resultados e discussão
A tabela abaixo revela que, quanto ao tipo de estudo, 32 (46,4%) foram
encontrados na íntegra e 37 (53,6%) em resumo. Com base no enfoque dado, 31
(44,9%) foram relacionados à reabilitação, 17 (24,6%) à assistência, 13 (18,8%)
à prevenção e promoção de saúde, e 9 (13%) não foi informado. Os tipos de
abordagem utilizados nas pesquisas foram: 33 (47,8%) qualitativa, 14 (20,3%)
quantitativa e 22 (31,9%) não foram informados. Os tipos de instrumento
utilizados 39 (56,5%) realizaram entrevista com o uso do gravador, 10 (14,5%)
utilizaram questionário, e 13 (18,8%) não informaram.
Tabela 1 ' Resultados das tendências de pesquisas brasileiras sobre mulheres
mastectomizadas
Observa-se que são quase equiparados o número de trabalhos na íntegra e em
resumo. Durante a pesquisa pôde-se perceber que nos artigos apresentados em
forma de resumo faltavam muitos dados informativos, tais como: a metodologia da
pesquisa utilizada, o local onde foi feita a pesquisa, e o referencial da
análise. De acordo com alguns autores, muitas pesquisas mostram as dificuldades
encontradas no decorrer da exploração dos resumos, e não ofereceram em seus
conteúdos, informações completas e objetivas, de maneira a considerar os
mínimos critérios que estão recomendados nas normas técnicas vigentes (Souto et
al., 2007). Nesse sentido, percebe-se o quanto os pesquisadores devem estar
atentos às normas técnicas estabelecidas, tendo em vista as fragilidades que os
leitores podem encontrar ao terem contato com os referidos artigos.
O tipo de abordagem de maior número foi a qualitativa, com o percentual de 33
(47,8%). Sobretudo, é importante enfocar que um quantitativo de autores bem
significante (31,9%) não informou nos resumos qual abordagem utilizou na
construção do estudo, demonstrando, assim, déficit na sua qualidade.
Segundo Souto et al., (2007) o aumento nas pesquisas qualitativas se deve ao
desenvolvimento da enfermagem ao longo de sua história, em que a partir de
Florence deixou de se ter visão de profissão apenas positivista e passou a ter
influências filosóficas como o humanismo e a fenomenologia, fazendo surgir
novas abordagens metodológicas nas investigações científicas. Duarte e Andrade
(2003) destacam que trabalhar com esta metodologia permite compreender a
realidade cotidiana das mulheres mastectomizadas, além de apreender os
significados dados a experiência da sexualidade dentro do processo de
adoecimento.
Com base no enfoque dado nos estudos, a maior parte dos artigos pesquisados
está voltada para a reabilitação, seguindo com a assistência. A integralidade
da assistência não é somente o acesso às tecnologias, chamando a atenção dos
profissionais para aspectos biológicos, físicos e sociais do adoecer, que
também podem traduzir a integralidade. Mostram a importância de uma equipe
interdisciplinar na orientação e apoio psicológico de pacientes oncológicos, em
que a enfermagem tem um importante papel como facilitadora do processo de
reabilitação.
O tipo de instrumento mais utilizado nos artigos foi a entrevista, totalizando
o número de 39 (56,5%) estudos que utilizaram este método para a coleta de
dados; e apenas 10 (14,5%) usaram o questionário, provavelmente pelo fato de a
maioria das pesquisas terem sido qualitativas e, com isso, as participantes das
pesquisas expressaram sentimentos, angústias, conhecimento e percepção a
respeito das repercussões que a mastectomia causa na sua vida.
Com base no tipo de cenário, observou-se que as instituições hospitalares
representaram os locais mais utilizados para a realização dos estudos, assim
como a escola/universidade, tendo em vista que ambos apresentaram 22 artigos
(31,95%) da amostra. O processo de mudança das instituições hospitalares
verificados em escala internacional em tempo recente e a discussão referente à
vinculação das mesmas com os sistemas de saúde envolvem os Hospitais
Universitários (HU) de modo particular.
Segundo Machado e Kuchenbecker (2007) existem várias razões para acreditarmos
que os HU têm condições e responsabilidades específicas que configuram sua
identidade institucional que são: a sua específica condição em buscar uma
posição de centralidade na sua sugestão e indução de políticas públicas no
campo da saúde. Estas condições devem sustentar-se em uma clara, consistente,
decidida e prioritária política de Estado.
Cabe às instituições hospitalares o papel de melhorar as condições de saúde da
população e, especialmente no contexto do HU, remeter também ao ensino e à
pesquisa; e integrar, de modo efetivo, os sistemas de saúde de maneira que não
sejam considerados isoladamente. Através dessa futura perspectiva, traz como
importância para este hospitais a função mais ampla do que apenas instituições
prestadoras de serviços. O futuro e a afirmação das instituições hospitalares
dependeram sempre da capacidade dos mesmos em contribuir sempre para ações
criativas e integradoras no âmbito das políticas de Estado para a saúde e
educação (Machado e Kuchenbecker, 2007).
Os docentes foram os pesquisadores mais encontrados, com 28 (40,6%) do total de
artigos pesquisados. A produção científica na enfermagem é quantitativamente
incipiente em decorrência do reduzido número de profissionais titulados, isto
considerando-se o grande número de enfermeiros(as) cadastrados no Conselho
Federal de Enfermagem (COFEN)/Conselho Regional de Enfermagem (COREN). Porém, a
pesquisa em Enfermagem expandiu-se consideravelmente nos últimos anos,
evoluindo de uma visão predominantemente tecnicista para uma análise profunda
dos problemas pesquisados, sendo acrescentadas nos estudos as áreas biológicas,
humanas e sociais. Outro aspecto relevante que reforça os achados desse estudo
deve-se à atual oferta de vagas nos cursos de mestrado e doutorado para
capacitação de enfermeiros, fortalecendo os núcleos de pesquisa existentes nas
instituições e, ao mesmo tempo, incentivando o discente a publicar artigos
científicos a partir dos resultados de seus estudos (Souto et al., 2007).
Quanto ao tipo de estudo, os artigos analisados apresentaram 37 (53,6%) de
estudos do tipo exploratório; 22 (31,9%) descritivos e 17 (24,6%) não
informaram esse dado. Percebe-se que quanto ao referencial de análise, 11 (16%)
disseram ter utilizado a análise de discurso e um número igual utilizou análise
de conteúdo, 7 (10,1%) fenomenologia, enquanto 4 (5,7%) utilizaram programa de
computador, 6 (8,7%) foram estatísticos, 6 (8,7%) estatístico-descritivo,
podendo estes, estarem relacionados aos estudo quantitativos, porém, um fator
agravante e que relaciona-se diretamente na qualidade dos estudos avaliados foi
que 20 (29%) não informaram nada sobre esses dados.
Quando analisadas as regiões do Brasil em que foram realizadas essas pesquisas,
pôde-se observar que a região que tem mais desenvolvido pesquisas nesta área
foi a Sudeste com 29 trabalhos (42%), seguida pela região nordeste com 22
(32%), e outros 17 (24,6%) não informaram, demonstrando também, escassez de
informações na construção desses artigos.
Sobretudo, de acordo com o Ministério da Saúde, durante o ano de 2006 no
Brasil, 49.400 mulheres descobriram-se portadoras de câncer de mama. A
mortalidade por câncer de mama no Brasil varia entre suas regiões, como reflexo
da incidência variável e do acesso aos serviços de saúde, o que causa
subnotificação. Nas regiões sudeste e sul, a mortalidade pelo câncer de mama se
situa entre 7 a 18 óbitos a cada 100.000 mulheres. Em alguns estados da região
norte foi encontrado a mais baixa mortalidade por câncer de mama do país, de 1
a 3 óbitos a cada 100.000 mulheres (Brasil, 2006). Justificando, assim, o
número de estudos encontrados ao longo da pesquisa nesta região.
Durante todo o processo de análise, observou-se que várias pesquisas
apresentaram déficit nos dados abordados neste estudo. O fato que chama mais
atenção das pesquisadoras é que itens importantes e essenciais a serem
informados nos artigos avaliados, como o tipo de estudo, referencial de
análise, região em que foi realizado o estudo, tipo de abordagem e até a
identificação dos pesquisadores, não foram informados por muitos deles.
Conclusão
Percebe-se a partir dessa investigação, um grande interesse dos pesquisadores
em conhecer relatos de mulheres mastectomizadas, avaliando suas vivências e
experiências, também foi possível constatar, que as pesquisas estão permeadas
por estudos exploratórios que visam descobrir o que há de novo sobre essa
temática. Para isso, os estudos qualitativos têm sido a grande preferência para
analisar o material empírico, por possibilitar conhecimento da prática dos
participantes; do referencial estatístico descritivo que interpretam dados e a
análise de discurso que procura descobrir algo para ser estudado.
Evidenciou-se um número significativo de pesquisas sobre a mastectomia por
câncer de mama e que os pesquisadores da região sudeste estão se destacando na
publicação de artigos sobre esta temática, inferindo-se que, tal fato, possa
ter ocorrido devido à mesma ser uma das regiões com maior estímulo no campo da
pesquisa científica e por essa apresentar uma alta incidência de câncer de mama
diagnosticado. Outro fator que chamou a atenção foi a região nordeste ter
ficado em segundo lugar no número de pesquisas, apesar de ser uma região
economicamente pobre do Brasil.
Contudo, identificaram-se muitas fragilidades nos artigos pesquisados no que se
refere a dados metodológicos essenciais para o entendimento do leitor,
académicos e demais pesquisadores da área, dificultando assim, a coleta de
dados. Sobretudo, o vasto número de artigos publicados encontrados, revelou que
há uma preocupação dos pesquisadores em buscar, cada vez mais, informações e
dados relacionados às temáticas "mulheres" e
"mastectomia".
Com isso, espera-se que esta investigação de cunho científico, possa contribuir
para a comunidade académica, proporcionando uma reflexão sobre os artigos que
estão sendo disponibilizados nos bancos de dados eletrônicos desse país,
merecendo estudos mais aprofundados que divulguem esse perfil com mais
precisão.