A exclusão do pai da sala de parto: uma discussão de género e poder
Introdução
A cultura das diferenças de género e da divisão de tarefas entre os sexos
sempre esteve presente em nossa sociedade. Os papéis assumidos por pais e mães
eram tradicionalmente distintos, nos quais a mulher possuía a função de
cuidadora e o pai o de provedor das necessidades materiais da família. Assim,
cabia aos homens uma autoridade sem se preocupar com a educação e cuidado de
seus filhos, deixando às mães a referência afetiva para as crianças (Oliveira
et al., 2009).
Esses papéis eram reforçados no próprio parto, uma vez que, parteiras ou
comadres eram exclusivamente mulheres de confiança da gestante e/ou
reconhecidas pela comunidade por sua experiência na realização do parto e no
acompanhamento durante o trabalho de parto e pós-parto, que ocorriam no
domicílio (Crizóstomo, Nery e Luz, 2007).
Com a transferência do parto do ambiente domiciliar para o hospital
presenciamos, atualmente, nas maternidades brasileiras, a adoção do modelo
americano de assistência ao parto, caracterizado pelo processo altamente
intervencionista, institucionalizado, adaptando-se cada vez mais às novas
tecnologias. Dessa forma, gradativamente, o parto deixa de ser um assunto de
mulheres e passa a ser uma atribuição médica, cada vez mais complexa (Acker,
2006).
Para o homem, este é um momento em que ele adquire maior consciência da
importância da sua participação neste processo. A presença do homem/companheiro
é um fator positivo que favorece o fortalecimento dos laços familiares e faz
com que eles se sintam importantes e realizados ao poder exercer de forma
concreta o papel de pai (Oliveira et al., 2009).
Diante disso, o objetivo deste estudo é analisar o processo de exclusão do pai
no nascimento de seu filho sob a perspetiva das relações de poder no contexto
da medicalização do parto.
Metodologia
Trata-se de uma revisão de literatura, cuja pesquisa bibliográfica integrou
periódicos indexados nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe
em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (MEDLINE) e na
coleção Scientific Eletronic Library Online (SciELO), no período compreendido
entre junho de 2000 e dezembro de 2010. A escolha do início da pesquisa deve-
se ao fato de que neste ano foi lançado pelo Ministério da Saúde do Brasil o
Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Este programa, entre outros
aspetos, diz que é dever das unidades de saúde receber com dignidade a mulher e
seus familiares, além de criar um ambiente acolhedor e adotar condutas
hospitalares que rompam com o tradicional isolamento imposto à mulher.
A busca bibliográfica aconteceu em duas etapas: a primeira foi baseada nas
relações de género e poder tendo como referência os descritores: direitos da
mulher, poder, preconceito de género e poder social. A segunda parte
refere-se à participação e/ou ausência do pai no processo de parturição. Para
isso, foram utilizados os seguintes descritores: parto, humanização do
parto, paternidade, comportamento paterno.
A seleção dos textos baseou-se nos seguintes critérios de inclusão: textos
publicados na íntegra em periódicos nacionais e/ou teses e dissertações que
constaram nas bases de dados definidas para este estudo; publicados no idioma
português e que obedeciam à presença de, pelo menos, um dos descritores
mencionados; textos que retratassem as relações de género e poder, inclusive no
campo da saúde; textos que, de alguma forma, abordassem a participação ou
ausência do pai na sala de parto como foco principal e não apenas como uma mera
citação. Após leitura e análise preliminar foram selecionados para este estudo
12 textos que representam a amostra desse trabalho, sendo 9 artigos e 3
dissertações de Mestrado. O quadro 1 apresenta uma síntese destes textos e os
mesmos encontram-se citados na lista de referências.
QUADRO 1 ' Súmula dos textos analisados. Rio de Janeiro ' Brasil, 2011.
A fim de se obter um panorama detalhado da produção científica nacional sobre o
tema, os textos foram analisados segundo os seguintes núcleos temáticos: a
relação de poder do homem sobre a mulher, a transição do parto em domicílio
para o ambiente hospitalar, a exclusão do pai do ambiente hospitalar, a
dominação médica sobre o corpo feminino e a (re)inserção do pai no processo de
parturição.
Resultados e discussão
A relação de poder do homem sobre a mulher
Até o início do século XX, o modelo de família patriarcal se impôs determinando
um vínculo homem-mulher no qual estava implícita uma relação de poder, onde a
mulher ocupa, nessa relação, o lugar da subalternidade. Este foi um período em
que a mulher deveria ficar em casa e não se desviar desse foco. De maneira
geral, ela era submissa nesta relação sem grandes conflitos, ocupando,
inquestionavelmente, funções relacionadas direta ou indiretamente, à
maternidade, tais como, amamentar, alimentar e educar os filhos (Levy e Gomes,
2008).
Essa relação de poder existiu porque tanto os dominadores como os dominados
aceitaram as versões da realidade social, o que acaba por transformar as
questões de género numa divisão de sexo, contribuindo para justificar o fato de
a mulher cumprir ordens dadas pelos homens (Macedo et al., 2004).
No Brasil não era diferente. Cuidar da casa, dos filhos e do marido
configurava-se como atributos da mulher desde o tempo de Colónia. Fugir dessa
determinação seria estar condenada a romper com os valores preconizados por uma
sociedade que estabelece distinções rígidas quanto aos papéis do homem e da
mulher. A elas o mundo do lar, ao homem, o mundo fora dele; e aquelas que, por
algum motivo, não correspondiam a este modelo eram caracterizadas como
anormais ou marginalizadas pela sociedade (Levy e Gomes, 2008).
Durante muito tempo, essa submissão se perpetuou e as mulheres sabiam que
apenas o que podiam desejar eram ilusões a cerca de um homem ideal. Este
deveria ser provedor, forte, competente, companheiro e ótimo pai para seus
filhos. As mulheres precisavam sentir-se protegidas por este homem, assim como
esperavam proteção dele para sua prole. O homem, por sua vez, deseja salvar uma
mulher, e necessitava que ela reconhecesse sua potência e seu lugar de
Majestade (Levy e Gomes, 2008).
Nesse contexto patriarcal, os homens normalmente eram deixados à margem dos
acontecimentos domésticos, inclusive aqueles ligados à reprodução e criação dos
filhos (Oliveira, 2007). Sua participação era muito pequena e, muitas vezes, no
que diz respeito ao processo de nascimento, estava restrita aos partos de
animais, o que contraria os padrões culturais dominantes na época (Seibert et
al., 2005). Desse modo o parto era entendido como espaço de expressão do poder
feminino. Por isso, é importante ressaltar que até ao século XVI, o cuidado com
as doenças femininas pouco interessava aos médicos, profissão, até então,
masculina. A cirurgia era tarefa de homens rudes e ignorantes e existia, nesse
período, um excesso de pudor em relação ao profissional homem. Diante disso, a
atenção ao parto era deixada a cargo das mulheres e constituía um ritual
feminino assistido pela parteira (Acker et al., 2006).
A transição do parto em domicílio para o ambiente hospitalar
As parteiras eram exclusivamente mulheres, amigas, mães, vizinhas ou escolhidas
na comunidade. Eram de origem social simples, sem formação escolar. Aprendiam a
partejar observando outras mulheres na prática com outras parturientes, assim
como também, através da própria experiência em realizar os partos. Sua atuação
era reconhecida socialmente e elas eram frequentemente requisitadas (Acker et
al., 2006; Zampieri et al., 2010).
Os rituais do parto em domicílio, realizados por essas mulheres, eram marcados
por grande envolvimento afetivo. Elas criavam um clima emocional em torno desse
processo, por meio de suas crenças, orações e receitas mágicas para aliviar a
dor das contrações das parturientes (Seibert et al., 2005). Porém, estes
rituais foram se modificando ao longo do tempo, tornando-se progressivamente
mais raros e, atualmente, se concentram nas áreas rurais das regiões norte e
nordeste do Brasil. Isso ocorre em virtude de influências significativas do
avanço da ciência, passando de uma atividade empírica realizada por pessoas
leigas, a uma prática institucional, realizada dentro dos hospitais pelos
médicos (Acker et al., 2006).
A principal característica para defender que a realização do parto fosse feita
no âmbito hospitalar surgiu a partir do momento em que foi identificada a
infeção puerperal (Storti, 2004). As medidas de higiene contribuíram para que
os hospitais tivessem uma melhor aceitação pela sociedade e, com isso, as
mulheres resolveram procurar os profissionais de saúde, em especial os médicos,
por acreditarem que estes lhes poderiam dar mais segurança no momento do parto
do que as parteiras. Por esse motivo, gradativamente, a medicina vai tomando a
frente do gerenciamento da saúde feminina e da reprodução com técnicas
intervencionistas, impessoais e tecnicistas, caracterizado pelo alto grau de
medicalização e pelo abuso de técnicas invasivas (Acker et al., 2006; Santos e
Shimo, 2008).
A efetiva institucionalização do parto nos hospitais começa então a partir de
1930, quando o índice de partos hospitalares supera o de partos domiciliares,
tornando-se um ato quase que exclusivamente médico e medicalizado. Aos poucos a
tradição de familiares participarem do nascimento foi sendo desconsiderada, as
mães passaram a ser atendidas nos hospitais apenas por profissionais de saúde e
deixaram de serem sujeitos da ação para se tornarem objetos. Como consequência,
passaram a ficar sozinhas durante o longo período do trabalho de parto, uma vez
que, a internação hospitalar favorece a separação da gestante de sua família e
a torna uma propriedade da instituição (Acker et al., 2006).
Em suma, o processo de parturição se tornou um assunto médico e hospitalar,
separado da vida familiar e comunitária, servindo à obstetrícia de três modos:
restringindo a competição com as parteiras; estabelecendo o controlo médico
sobre as parturientes e permitindo o treinamento de novos médicos. O parto
hospitalar medicalizado tornou-se sinónimo de modernidade, no qual vários
especialistas se apropriaram de aspetos da assistência aos partos, cabendo ao
médico obstetra o cuidado com o parto propriamente dito, ao anestesista,
retirar a dor e ao pediatra, as ações sobre a criança (Colacioppo et al. 2010).
A exclusão do pai do ambiente hospitalar
No passado, o parto era acompanhado pelas parteiras em um ambiente domiciliar.
O homem também prestava assistência ao parto naquilo que fosse necessário
(Aires, 2006).
Entretanto, o cuidado prestado à mulher durante o processo de parir sofreu
muitas modificações decorrentes da medicalização e institucionalização do
parto, dos avanços tecnológicos e do desenvolvimento da medicina, contribuindo
para que hoje a parturiente seja a paciente e o médico o protagonista desta
cena (Seibert et al., 2005).
A presença do médico neste momento está associada à criação de um instrumental
próprio (fórceps, sondas, agulhas, tesouras, ganchos) e a práticas cada vez
mais invasivas. Estas práticas foram criadas para construir uma imagem de
conhecimento científico, competência e superioridade desses profissionais em
relação às parteiras, que usavam apenas as mãos nas suas manobras e
diagnósticos (Martin, 2006; Martins, 2004).
Além disso, o banimento das parteiras também fez desaparecer os conhecimentos
das próprias mulheres sobre seus corpos, suas dinâmicas e seus produtos,
fazendo com que a mulher entregasse o poder sobre o seu corpo nas mãos do
médico. Afinal, a forma como parto é visto atualmente, coloca a gravidez como
uma situação de risco para a mulher e, portanto, deve ser um procedimento
cirúrgico isolado da família (Aires, 2006; Progianti e Vargens, 2004;
Torniquist, 2004).
Essa resistência à presença do pai, como acompanhante da mulher, para dar apoio
durante o processo de nascimento é frequente, sob o argumento de que o homem
pode atrapalhar ou agir como fiscal da atuação da equipe médica. Além disso,
essa é também umas das consequências do modelo tecnocrático que desumaniza a
assistência ao transformar o parto em um acontecimento médico-hospitalar
(Storti, 2004).
A participação do homem no processo de parto de seu filho é algo que ocasiona
um encontro nas relações entre homens e mulheres no que diz respeito à
gravidez, parto e recém-nascido. Entretanto, a exclusão deles na sala parto
ainda é frequente, muitas vezes, porque as instituições de saúde ainda não
dispõem de um adequado espaço físico e profissionais que estejam preocupados
com uma assistência humanizada no nascimento (Longo, 2008).
A dominação médica sobre o corpo feminino
Ainda hoje, mesmo com todas as transformações ocorridas na condição feminina,
muitas mulheres não podem decidir sobre suas vidas. São vistas e tratadas como
objetos, não exercem e, principalmente, não acumulam poder. Elas reproduzem-no
para aqueles que, no modelo tecnológico atual da assistência, de fato controlam
o poder, ou seja, o médico. Estes, até o final do século XIX, fizeram com que
suas verdades prevalecessem, controlando a vida da mulher, baseados na medicina
(Fleck e Wagner, 2003).
Os médicos procuraram, ao longo do século XIX e início do século XX, ocupar o
espaço das parteiras, trazendo para si o controle, o conhecimento e domínio
sobre o corpo da mulher. Nessa relação, o médico vai dirigir e conduzir a
parturiente com regras e normas próprias do modelo (Acker et al., 2006).
Esta forma de controlo sobre a mulher é historicamente reconhecida, e acaba por
ser acrescida ao domínio que o marido já exercia sobre ela. Seu discurso partia
do principio de que somente os médicos estavam preparados para o parto, pois
sabiam o que estava acontecendo e o que estavam fazendo, devendo a parturiente
ser submissa aos seus cuidados (Santos e Shimo, 2008).
O avanço da ciência na saúde trouxe inúmeras transformações no modo de assistir
ao parto. Os hospitais passaram a fazer parte do universo das gestantes, como o
ambiente mais indicado para a realização do parto, o que gerou uma
medicalização da parturiente. Dessa forma, emergiu um movimento de apoderamento
da medicina em relação ao corpo feminino, no sentido de dar-lhe proteção.
Percebe-se então uma transição de poder, a mulher sai da tutela do marido e
passa para a do médico, e novas práticas são então incorporadas e aceitas como
adequadas à mulher em detrimento de outras, como por exemplo, o uso rotineiro
de procedimentos invasivos, tais como a cesariana (Longo, 2008).
Portanto, é notável que práticas úteis como o uso de métodos não farmacológicos
e não invasivos no alívio da dor são, aos poucos estimulados, e o parto passa a
ser considerado como algo que produz sensações que qualquer mulher tem o
direito de anular, afinal, no parto moderno, despersonalizado, alcançou-se o
controle mecanizado do corpo e a completa anulação de todas as sensações
desagradáveis (Longo, 2008).
A (re)inserção do pai no processo de parturição
Atualmente, cada vez mais mulheres preocupam-se com sua realização académica e
valorizam a construção de uma carreira profissional, trabalhando fora de casa e
contribuindo com a renda da família. Essas mulheres, pressionadas pela dupla
jornada de trabalho, passaram a reivindicar a participação dos homens nos
cuidados quotidianos com os filhos e a casa, e pode-se também incluir sua
participação na gravidez, no parto e pós-parto (Fleck e Wagner, 2003).
A participação do pai é considerada como de extrema importância no
acompanhamento pré-natal e no momento do parto, trazendo significativas
contribuições ao exercício dos direitos reprodutivos dos homens e mulheres em
nosso país (Storti, 2004). A escolha de um acompanhante, como o apoio do pai da
criança durante o trabalho de parto e o parto faz parte de uma das propostas do
Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento, elaborado pelo Ministério da
Saúde/Brasil, em junho de 2000, em que a questão da humanização e dos direitos
aparece como o princípio estruturador.
O programa fundamenta-se no direito à humanização da assistência obstétrica e
neonatal como condição primeira para o adequado acompanhamento do parto e do
puerpério. A humanização compreende, entre outros, a convicção de que é dever
das unidades de saúde receber com dignidade a mulher, seus familiares e o
recém-nascido, criando um ambiente acolhedor e adotando condutas hospitalares
que rompam com o tradicional isolamento imposto à mulher (Brasil, Ministério da
Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde (2000).
Assim, o pai deixa de ser apenas um espetador e provedor, passando a se
envolver com os assuntos que diziam respeito somente às mulheres, conquistando
um novo espaço junto à gestante, sendo aceite a sua participação nos assuntos
relacionados à gravidez. Este pai tenta abrir, ou retomar, o seu espaço no
nascimento do seu filho que lhe foi retirado pelos profissionais que atendem o
parto (Fleck e Wagner, 2003).
Apesar dos benefícios dessa prática e da legislação vigente, o que se observa é
um despreparo dos profissionais em lidar com a figura do acompanhante/pai, como
alguém participando do processo de nascimento. Nos últimos anos, percebemos que
a enfermeira do Centro Obstétrico tem favorecido a presença do pai durante o
trabalho de parto, mas a equipe médica tem negado, quase que sistematicamente,
a sua participação no parto, mesmo em situações de baixo risco (Fleck e Wagner,
2003).
Portanto, é evidente que ainda devemos lutar para que a todos os homens sejam
assegurados direitos de participação maior que do que atualmente, a fim de que
práticas humanizadas sejam implantadas.
Conclusão
Apesar da mulher no movimento feminista ter trazido um rearranjo nas relações
homens/mulheres e na família, a participação dos homens nos cuidados
quotidianos com os filhos, na gravidez, no parto e pós-parto ainda é pouco
incentivada no ambiente familiar e pelos profissionais de saúde. Talvez não
seja, porém, por vontade própria do homem, mas devido às consequências de um
modelo tecnocrático de assistência que transformou o parto de um evento
doméstico, natural e fisiológico a um evento cirúrgico, realizado em um
ambiente hospitalar, cujo médico, dominador do corpo feminino, é quem decide o
que deve acontecer com ele.
Isso acontece, infelizmente, sem consentimento da mulher, já que esta, mais uma
vez, na visão medicalizada, não é capaz de entender e até mesmo de opinar sobre
o seu trabalho parto. E o homem, pai do bebé, muitas vezes é visto como uma
pessoa que pode perturbar o centro obstétrico e atuar como fiscalizador da
equipe médica e não como alguém que pode trazer apoio e tranquilidade para a
parturiente. Por isso ele é excluído do processo de parturição.
Entretanto, a reinserção do homem no acompanhamento do nascimento de seu filho,
em todas as etapas deste processo, é algo quem vem sendo incentivado pelo
Ministério da Saúde, na intenção de que profissionais e serviços de saúde se
conscientizem da importância e benefícios que esta atitude pode trazer no
processo de humanização do parto. Mas para isso, infelizmente, ainda há um
longo caminho a percorrer.