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Representação em texto

EuPTCVHe0874-02832011000100018

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0874-0283
ano2011
Issue0001
Article number00018

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A obra Trajectória histórica e legal da enfermagem

O livro com o título Trajectória histórica e legal da enfermagem, é uma edição de 2007, da Editora Manole, revista e ampliada, com 277 páginas. A obra integra uma edição em Série, coordenada por Tamara Cianciarullo.

Elementos pré-texto A obra integra uma apresentação inicial de Taka Oguisso, a qual salienta a importância da descoberta da origem da profissão como estimulante para a sua prática, sendo o desconhecimento do passado um dos maiores entraves ao desenrolar do seu futuro. A Enfermagem não é ainda uma profissão devidamente conhecida e reconhecida. Por este motivo a autora desenrola o seu livro sobre a temática da trajectória histórica da enfermagem, permitindo ao leitor o estudo do crescendo desenvolvimento da enfermagem a partir da prática dos cuidados prestados às pessoas pelas mulheres (que também cuidavam da casa, das crianças e dos doentes); enquanto actividade de caridade, sobretudo pela Igreja Católica e claro, a profissionalização que havia de ocorrer em meados do século XIX. Os demais capítulos orientam-se em torno de destaques, como são a influência francesa na enfermagem brasileira e a prática dos cuidados, também em Portugal (influência essa pouco referenciada em livros e artigos publicados hoje em dia). Por outro lado, com especial relevância para Oguisso, o facto de o primeiro artigo sobre a instrução dos enfermeiros ter sido publicada em Espanha (1617), por Frei Andrés Fernandez, um enfermeiro e religioso que terá trabalhado no Hospital Geral de Madrid por 24 anos. Esta segunda edição tem, relativamente à primeira, mais um capítulo, intitulado por fundamentos para o estudo de história da enfermagem, criado pela necessidade patente de recuperar o significado do fazer história, de modo a perceber-se a diferença entre a interpretação dos documentos antes, pelo Positivismo e agora, pela Nova História. São, de igual forma, estudadas a legislação da enfermagem (cujos dispositivos da legislação merecem estudo num capítulo específico) e as entidades de classe da enfermagem.

Mais importante do que prever o futuro, será, então, construir o futuro, responsabilidade que cabe aos profissionais de enfermagem, por uma profissão que o deseja e merece.

Prefácio A Professora Tamara Iwanow Cianciarullo menciona, no prefácio, que o livro atende às necessidades educativas de professores e alunos dos cursos de graduação em enfermagem no Brasil. Refere que os autores desta obra têm uma experiência muitíssimo diversificada no campo da história e da legislação em enfermagem, bem como experiência académica. Este livro é passível de contribuir não para o desenvolvimento dos alunos de graduação, mas também de permitir o desenvolvimento de estratégias pedagógicas inovadoras e adaptadas aos demais cenários de ensino.

O corpo da obra Estruturada em 11 Capítulos. Capítulo 1: As Origens da prática do Cuidar, a autora Taka Oguisso centra-se nas origens da Acção de Cuidar e na figura do cuidador através dos tempos. Percorre a idade média, cristianismo, cruzadas, reforça o cuidar na Idade Média e a influência do Cristianismo, reformas Socioculturais e Religiosas e seu impacto no cuidar. O Capítulo 2: Os Precursores da Enfermagem Moderna, ainda de Taka Oguisso, retoma os primórdios da busca do bem-estar na civilização clássica, a influência do cristianismo na acção do cuidar, as instituições educacionais e assistenciais da era medieval e as influências marcantes na enfermagem de Theodor Fliedner e da Cruz Vermelha.

O Capítulo 3: Florence Nightingale, Taka Oguisso, descreve a enfermagem empírica e as tentativas de ensino, o surgimento de Florence Nightingale e o seu contributo para o ensino e desenvolvimento da enfermagem, e a enfermagem moderna no Brasil.

FIGURA 2 ' Lâmpada utilizada por Florence Nightingale Fonte: In trajectória histórica e legal da enfermagem

O Capítulo 4: A Profissionalização da Enfermagem, autora. Almerinda Moreira foca a enfermagem como profissão, a profissionalização de enfermagem no Brasil e a criação da primeira escola para o ensino de enfermagem, com um breve histórico da instituição hospitalar como o locus para o ensino e a prática da enfermagem. O Capítulo 5: Movimentos de Profissionalização de Enfermagem, da autoria de Almerinda Moreira, descreve o quadro sinóptico da profissionalização da enfermagem e similaridades históricas da profissionalização da enfermagem nos diversos países. O Capítulo 6: A influência Francesa na enfermagem brasileira, de Taka Oguisso, percorre os tópicos relativos ao papel dos médicos na enfermagem francesa, a laicização dos hospitais, o ensino de enfermagem na escola Salpêtrière e em Bordeaux e as marcas de enfermagem francesa no Brasil.

(nota) A influência francesa fez-se também sentir em Portugal, como demos conta em Apontamentos sobre a obra e o homem que fundou a primeira escola de enfermagem de Portugal - António Augusto da Costa Simões publicado em História e memória, Revista de Enfermagem Referência, II serie, 10 2009. Costa Simões, baseado na experiência da sua visita a França, fundou em 1881 a escola dos Enfermeiros de Coimbra, hoje, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

A autora aborda ainda a importância dos manuais de enfermagem, assunto relevante na história do ensino em enfermagem. O Capítulo 7: Fundamentos para o estudo de história de enfermagem, da autoria de Paulo Fernando de Souza Campos, foca o ofício do Historiador no combate pela (nova) história e pela construção do conhecimento histórico e faz uma análise das fontes e da histórica da enfermagem. O Capítulo 8: Conceituação sobre direito e normas éticas e legais, da autoria de Genival Fernandes de Freitas, analisa direitos e normas que regem a sociedade, distinção entre normas ética e moral, direito e cidadania. O Capítulo 9: A Responsabilidade Ético - Legal do Enfermeiro, do autor Genival Fernandes de Freitas, ênfase à evolução da legislação de enfermagem, responsabilidade Ética, Civil e Penal e à problemática do erro profissional, uma questão muito pertinente nos tempos correntes. Capítulo 10: Entidades de Classe de Enfermagem, de Genival Fernandes de Freitas, foca as organizações internacionais de enfermagem, sindicalismo e perspectivas e rumos da enfermagem brasileira. O Capítulo 11: Situações que desafiam a prática legal da enfermagem, da autoria de Genival Fernandes de Freitas e Taka Oguisso, aborda a prática legal da enfermagem, o papel da comissão de Ética de Enfermagem e o Código de Ética dos profissionais de enfermagem, também este, um assunto relevantíssimo do ponto de vista educativo, científico e da prática dos cuidados.

Esta obra é uma compilação coerente, de leitura fácil e representa, sem dúvida, um contributo muito útil para uso e benefício de quem se interessa pelo estudo da história de enfermagem e para quem estuda questões específicas de identidade e sentido de profissionalidade. Parabéns aos autores e responsáveis da Série Enfermagem, pelo seu contributo para o ensino pesquisa e prática de enfermagem.


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