TEITOK@C-I   |   Corpora@C-I   |   CELGA-ILTEC   |   Contacto

EN | PT

Representação em texto

EuPTCVHe0872-81782013000200009

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0872-8178
ano2013
Issue0002
Article number00009

O script do Java parece estar desligado, ou então houve um erro de comunicação. Ligue o script do Java para mais opções de representação.

Lesão esofágica como causa de disfagia Lesão esofágica como causa de disfagia Esophagic lesion as cause of dysphagia

Lígia Peralta e Eunice Trindade Unidade de Gastroenterologia Pediátrica, Serviço de Pediatria, UAG da Mulher e da Criança, Centro Hospitalar de São João, Porto, Portugal *Autor para correspondência

Criança de 6 anos de idade, sexo masculino, previamente saudável, referenciada ao serviço de urgência por disfagia para sólidos, de agravamento progressivo, com uma semana de evolução, apesar de terapêutica com sucralfato. Sem outras queixas. Foi realizada endoscopia digestiva alta (EDA) que revelou lesão plana rosada, com bordos bem definidos, não ulcerada, imediatamente abaixo do esfíncter esofágico superior (fig._1), sendo a restante mucosa esofágica de aspeto normal. O estudo histológico da biópsia da lesão mostrou tratar-se de mucosa gástrica oxíntica de tipo fundo/corpo (fig._2), sendo as biópsias do esófago distal e médio normais. Ficou assintomática após realização da endoscopia, nunca tendo chegado a efetuar tratamento com inibidor de bomba de protões. Cerca de 6 meses após o diagnóstico iniciou epigastralgias, o que levou à repetição da endoscopia e da biópsia lesional, observando-se aspetos endoscópico e histológico sobreponíveis. Dada a normalidade do restante exame realizou apenas tratamento com antiácido com resolução das queixas. Ao fim de um ano de seguimento, a criança está assintomática e sem qualquer medicação.

A heterotopia gástrica está descrita ao longo de todo o aparelho digestivo, sendo mais comum no esófago (3,8- 10%) e duodeno (0,5-2%)1. No estudo prospetivo de Macha et al.2, realizado em crianças submetidas a EDA durante um período de 2 anos, a incidência de heterotopia gástrica esofágica (HGE) foi de 5,9%, tendo sido superior em crianças mais velhas quando comparada com lactentes (11,8 vs 4,5%). A sua identificação depende em larga medida da experiência do endoscopista e da procura ativa deste tipo de lesão3. Dada a sua localização, logo abaixo do esfíncter esofágico superior, a identificação não é fácil na introdução do endoscópio, uma vez que a passagem é rápida neste local; na retirada do aparelho esta zona deve ser cuidadosamente observada, mantendo insuflação adequada e inspecionando todo o perímetro esofágico. O diagnóstico deve ser confirmado com biópsia. Quase sempre assintomática nos adultos, a HGE é frequentemente um achado endoscópico. A maioria dos doentes descritos em séries pediátricas tem outra patologia esofágica associada e frequentemente são sintomáticos. Pode cursar com odinofagia e, mais raramente, com estenose, fístula ou perfuração4. O tratamento médico, quando necessário, baseia-se na utilização de inibidores da bomba de protões, tendo sido recentemente descrita em adultos ablação da lesão com argon plasma em casos de persistência de sintomas do tipo «bola faríngea»5. Embora descrita, a ocorrência de adenocarcinoma é extraordinariamente rara e a HGE não deve ser encarada como uma lesão pré-neoplásica6. Não existem recomendações acerca do tipo de vigilância a manter, sendo desconhecida a história natural desta entidade.

Apesar de pouco frequente, a HGE deve ser procurada ativamente nas crianças com sintomas de disfagia e impactação alimentar não explicados por outras causas.


transferir texto