Quem vai à consulta de atendimento jovem?
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PM-30
Quem vai à consulta de atendimento jovem?
Ana Rodrigues SilvaI; Gracinda OliveiraII; Marisol Castelo-BrancoI; Amélia
CunhaI; Maria Conceição MilheiroI
IUCSP Norton de Matos
IIHospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Introdução:O absentismo dos jovens às consultas de vigilância de saúde é
amplamente conhecido. De forma a obviar esse problema, algumas Unidades de
Saúde criaram uma consulta aberta aos jovens, sem necessidade de marcação. O
nosso objectivo foi avaliar e caracterizar a população que recorre a esta
consulta.
Metodologia:Estudo transversal e descritivo das primeiras Consultas de
Atendimento Jovem a adolescentes com <18 anos, numa Unidade de Cuidados de
Saúde Primários durante 3 anos. Foram avaliadas variáveis demográficas e
psicossociais (através da análise das respostas ao questionário HEADSSS).
Resultados:No período analisado inscreveram-se pela primeira vez 137 jovens na
consulta de atendimento jovem, dos quais 35 apresentavam idade <18 anos (média:
18; [14-18] anos). Eram do sexo feminino em 74%.
Os três principais motivos de primeira consulta foram: início de contracepção
(43%), alterações menstruais (20%) e queixas musculo-esqueléticas (11%).
Aproximadamente metade (48%) teve consultas subsequentes. Foram encontrados
outros diagnósticos em 20%.
Na avaliação psico-social foi constatado que os adolescentes dormiam em média
7h por noite e que 28% praticava desporto. Verificou-se ainda que 28%
apresentava consumos (maioritariamente tabaco) e que 74% já tinha iniciado
actividade sexual. A idade média para o início da actividade sexual foi 15,5
anos e o número médio de parceiros foi 1,7 [1-5].
Conclusões:Os nossos resultados estão de acordo com os dados conhecidos para a
população portuguesa. A maioria dos jovens procura o atendimento jovem para o
início de contracepção, em consultas pontuais. A Consulta de Atendimento Jovem,
sendo em horário alargado e aberta a qualquer jovem que pretenda inscrever-se,
constitui um momento oportunista de avaliação, neste caso através do
questionário HEADSSS. Devem ser direccionados esforços na formação dos cuidados
de saúde primários e dos próprios jovens, para a não substituição da consulta
de vigilância por uma consulta com objectivos dispares e para antecipação dos
principais motivos de procura da mesma. Tendo em conta este último ponto é
também crucial a manutenção e reforço da educação para a saúde reprodutiva
junto da população-alvo.