Células T gamadelta em crianças com doença de Behçet e doença aftosa oral
recorrente
POSTERS
PM-28
Células T gamadelta em crianças com doença de Behçet e doença aftosa oral
recorrente
Ana Cristina FreitasI; Inês FerreiraI; Carla ZilhãoI; Esmeralda NevesII; Sónia
DiasII; Nancy AzevedoII; Judite GuimarãesII; Júlia VasconcelosII; Margarida
GuedesI
IServiço de Pediatria do Centro Hospitalar do Porto
IIServiço de Imunologia Clínica do Centro Hospitalar do Porto
Introdução:A doença de Behçet é uma doença inflamatória multissistémica de
etiologia desconhecida, cujas manifestações podem surgir em idade pediátrica.
As células T gamadelta participam na defesa contra bactérias e vírus
intracelulares e neoplasias, assim como na proteção contra a auto-imunidade. O
aumento das populações gamadelta no sangue periférico é relativamente comum na
doença de Behçet e na doença aftosa oral recorrente, mas o seu papel na
patogénese da doença e significado clínico não estão ainda esclarecidos. O
objectivo deste trabalho foi comparar a percentagem de células T gama-delta no
sangue periférico em crianças com estas patologias, de forma a melhor
compreender sua relação com as manifestações clínicas.
Metodologia:Estudo descritivo das características clínicas e analíticas de
crianças com doença de Behçet e doença aftosa oral recorrente referenciadas à
consulta de Reumatologia Pediátrica do Centro Hospitalar do Porto entre Junho/
2000 e Junho/2014 e a quem foi realizado contagem de células T gamadelta.
Resultados:Dezanove doentes pediátricos foram incluídos, apresentando mediana
de idade de 15,8 anos, distribuição equitativa entre géneros e mediana de
seguimento clínico de 2 anos. Ocorreram úlceras genitais (critério para
classificação como doença de Behçet) em 8 crianças (42%). Observou-se um
aumento de células T gama-delta em 9 doentes (47%), sem diferença
estatisticamente significativa entre doentes com doença de Behçet ou doença
aftosa oral recorrente (médias de 10,7% e 12,2% respectivamente, p=0,56).
Apenas as crianças com aumento das células T gama-delta apresentaram lesões
cutâneas (pseudofoliculite ou teste de patergia positivo), mas sem outras
diferenças em relação a género, idade de início das manifestações, presença de
úlceras genitais, sintomas gastrointestinais, articulares ou neurológicos,
velocidade de sedimentação ou haplótipos HLA associados a doença de Behçet.
Conclusões:Descreve-se um grupo de doentes pediátricos com doença aftosa oral
recorrente e doença de Behçet em que o aumento de células T gamadelta apenas se
relacionou com sintomas cutâneos. A reduzida dimensão da amostra e a idade
pediátrica podem limitar a interpretação dos resultados. O repertório e os
aspectos funcionais das células T gamadelta não foram analisados, o que poderia
auxiliar na caracterização e explicação da imunopatogénese destas doenças.