A luta contra a desnutrição num país em desenvolvimento: relato de experiência
COMUNICAÇÕES ORAIS
CO-7
A luta contra a desnutrição num país em desenvolvimento ' relato de experiência
Clara PretoI,II; Milamedinar VazIII; Alice FerreiraIII
ICentro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro
IIUNICEF
IIIHospital Geral de Cumura, Guiné-Bissau
A Guiné-Bissau (GB) é um dos países mais pobres do mundo, encontrando-se, de
acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano, em 176º lugar num total de 185
países. O contexto económico do país, as sucessivas crises políticas e
militares desde 1998 e a insegurança alimentar contribuiram para uma situação
nutricional complexa. Na GB 27,4% das crianças, menores de 5 anos, sofrem de
desnutrição crónica, 6,5% de desnutrição aguda e 17,5% de insuficiência
ponderal, situação considerada como precária pela OMS.
Dado o contexto do país, a UNICEF decidiu, em colaboração com o Ministério da
Saúde, rever o Protocolo Nacional de Desnutrição Aguda Grave (DAG) de 2007, que
não havia sido aplicado no país, e implementá-lo a nível Nacional. Após revisão
e validação do Protocolo, procedeu-se à elaboração de manuais adaptados para os
Profissionais de Saúde e para Agentes de Saúde Comunitária, bem como de
cartazes resumo. Foi criado um Centro Modelo de Formação e Implementação do
Novo Protocolo Nacional de DAG num dos Hospitais da GB com mais experiência no
tratamento de desnutrição. Todos os profissionais desse Hospital receberam
Formação Teórica e Prática intensiva sobre DAG, sendo feita uma triagem dos
formados para a seleção de formadores. O Centro Modelo foi dotado de um polo de
formação teórica e de um Centro de Recuperação e Educação Nutricional em
Ambulatório para Desnutrição Grave (CRENAG) e um em internamento (CRENI)
devidamente preparados para receberem formandos. Iniciou-se o projeto pelas 4
áreas sanitárias com maior prevalência de Desnutrição Aguda no país, escolhendo
algumas das suas Instituições de Saúde, tendo em conta as necessidades locais e
condições existentes, para integrarem CRENAGs ou CRENIs. Essas Instituições
foram dotadas dos materiais necessários respetivos para o funcionamento dos
Centros. O Centro Modelo de Formação iniciou atividades em Dezembro de 2013 e
formou até Maio de 2014, 62 Agentes de Saúde Comunitária e 125 Profissionais de
Saúde das 4 áreas sanitárias referidas. Neste momento estão em funcionamento 12
CRENAGs e 8 CRENIs e estão em curso atividades de rastreio ativo e prevenção
primária nessas regiões sanitárias.
Os autores pretendem alertar para a existência de realidades nutricionais muito
diferentes da do nosso país e, como membros coordenadores do projeto, mostrar a
estratégia de implementação de um programa de luta contra a desnutrição aguda
num país em desenvolvimento, com todos os desafios e dificuldades que lhe estão
inerentes.