HTP neonatal: revisão de 5 anos num Centro Hospitalar terciário
RESUMO DAS COMUNICAÇÕES LIVRES
PM-8
HTP neonatal ' revisão de 5 anos num Centro Hospitalar terciário
Andreia FranciscoI; Pedro EpifânioI; Teresa DionísioII; Sofia MoraisIII; Rui
CastelaIV; António PiresI; António MarinhoI; Eduardo CastelaI
IServiço de Cardiologia Pediátrica, Hospital Pediátrico de Coimbra, CHUC
IIUnidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Serviço de Pediatria, Hospital
Pediátrico de Coimbra, CHUC
IIIUnidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Maternidade Bissaya Barreto, CHUC
IVUnidade de Cuidados Intensivos do Recém-Nascido, Maternidade Daniel de Matos,
CHUC
Objectivo:Avaliar a incidência de Hipertensão Pulmonar (HTP), sua etiologia,
terapêutica e evolução numa população de doentes internados nas Unidades de
Cuidados Intensivos Neonatais (UCINeo) de um Centro Hospitalar terciário.
Metodologia:Análise retrospetiva dos RN admitidos nas Maternidades pertencentes
a este centro num período de 5 anos (2009-2013). Foram colhidos os parâmetros
descritivos da amostra, incluindo os dados do Eco- Doppler cardíaco que
permitiram o diagnóstico de HTP. O diagnóstico da HTP foi feito quando o rácio
da Pressão Sistólica na Artéria Pulmonar (PSAP) e a da Pressão arterial
sistólica (PAS) era > 0,4. A análise estatística foi realizada com o programa
SPSS versão 17.0.
Resultados:Foram internados neste período 2691 doentes nas UCI´s destas
maternidades. De 73 doentes com diagnóstico HTP, 56% apresentavam idade
gestacional (IG) acima das 34 semanas. A média da PSAP foi de 43,8mmHg para uma
média de PAS de 51,9mmHg. Nos 59 doentes com shunt através de FOP e/ou PCA,
registou-se fluxo D-E em apenas 22 doentes.
As associações pré-natais encontradas mais frequentemente foram: 5 casos de
gravidez não vigiada, 7 infecções maternas, 4 grávidas com Hipertensão
sistémica (HTA) e 6 com Diabetes Mellitus. Em 9 casos verificou-se a existência
de mecónio no líquido amniótico. Relativamente ao período peri/pós natal
constatou-se que 20 doentes apresentaram taquipneia transitória do RN. Em 3
ocorreu aspiração meconial; existiram 8 casos de asfixia e em 14 doentes
ocorreu sépsis/pneumonia.
Trinta e dois RN apresentaram índice de Apgar <7 no 1º minuto, dos quais 18
eram prematuros com <34 semanas. Quarenta e sete doentes necessitaram de
ventilação invasiva, 1 dos quais, ventilação de alta frequência; 11 fizeram
ventilação não invasiva.
Para além das medidas de terapêutica de suporte, foi realizada terapêutica
especifica com sildenafil em 13,7%. O Óxido Nítrico foi usado em 5,5%.
O tempo médio de internamento na UCI neonatal foi de 25,4 dias, tendo sido
sujeitos a terapêutica para HTP durante uma média de 14 dias. À data da alta
13,7% destes doentes, apresentavam ainda algum tipo de sequela. Ocorreram 14
óbitos, dos quais 10 apresentavam IG abaixo das 34 semanas.
Conclusões:Na presente série, a incidência de HTP Neonatal aproximou-se de 3%.
A evolução foi favorável em 68% dos doentes, apresar da alta taxa de
prematuridade.
Foi necessária terapêutica específica vasodilatadora pulmonar em 1/5 dos casos,
verificando-se nestes casos uma evolução mais favorável.