Panorama Nacional do Bullying
Panorama Nacional do Bullying
Mafalda Ferreira1, Margarida Gaspar de Matos1 & Equipa Aventura Social
1Universidade Técnica de Lisboa, Faculdade de Motricidade Humana
RESUMO
O estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) é desenvolvido em
colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), e procura compreender os
comportamentos de saúde dos adolescentes em idade escolar, os seus estilos de
vida e os seus contextos sociais (http://www.hbsc.org; http://
www.aventurasocial.com).
Este estudo foi iniciado em 1982 por investigadores da Finlândia, Noruega e
Inglaterra, tendo sido adotado pouco tempo depois pela OMS, sendo que neste
momento, conta com a participação de 44 países, incluindo Portugal, membro
associado desde 1998.
Os estudos da rede internacional HBSC são realizados de 4 em 4 anos, com alunos
de escolas públicas do ensino regular. Portugal conta já com quatro estudos,
realizados em 1998, 2002, 2006 e 2010 pela equipa do projecto Aventura Social
(http://www.aventurasocial.com), coordenado pela Profª. Dr.ª Margarida Gaspar
de Matos na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa,
numa parceria com o Centro da Malária e outras Doenças Tropicais da
Universidade Nova de Lisboa (Laboratório Associado da Fundação para a Ciência
e Tecnologia, LA-FCT/MCES). Desde 1996, foram já inquiridos cerca de 25000
adolescentes, se incluirmos o estudo específico de 2005, realizado em áreas
desprivilegiadas na periferia de Lisboa, e o estudo piloto realizado em 1996.
O questionário utilizado no estudo HBSC inclui questões demográficas (idade,
género, estatuto socioeconómico) e questões relativas aos comportamentos de
saúde dos adolescentes e os seus contextos de vida, de acordo com o protocolo
internacional.
O estudo HBSC criou e mantém uma rede internacional dinâmica nesta área, o que
permite a cada um dos países membros contribuir e adquirir conhecimento
através da colaboração e troca de experiências com os outros países e intervir
directa e ativamente nas políticas públicas de Educação e da Saúde.
Esta comunicação pretende abordar a temática do bullying, procurando não só
apresentar os dados mais recentes mas também uma comparação com os dados dos
últimos estudos nesta área. Assim, de uma forma geral, verifica-se que a maioria
dos adolescentes refere não ter sido provocado na escola nos últimos dois
meses, tendo sido 2002 o ano de maior envolvimento dos adolescentes em
provocações enquanto vítimas. Desde esse ano tem vindo a aumentar o número de
adolescentes que afirma que nunca foi provocado na escola.
Quanto a ser provocado duas vezes ou mais por semana nos últimos dois meses,
este comportamento diminuiu de 2006 para 2010. Desde 1998 o número de
adolescentes que afirma nunca provocar os colegas na escola tem vindo a
aumentar, sendo 2010 o ano em que os adolescentes mais frequentemente referem
nunca ter provocado nenhum colega na escola.
Questionados sobre se assistiram a situações de provocação na escola, mais de
metade declarou ter assistido e referem que na escola os casos de provocação
ocorrem mais frequentemente no recreio. Como já vem sido reportado, as
situações menos estruturadas da escola tendem a ser aquelas onde a provocação
é maior, embora depois a continuidade da ocorrência possa vir a perturbar as
aulas. A organização do espaço dos recreios, do ponto de vista arquitectónico,
da ocupação pró-social do tempo de lazer, e da possibilidade de aí se usufruir
de um bem-estar psicológico parece assim uma excelente estratégia de prevenção
da provocação na escola.
Dos alunos que assistiram a casos de provocação na escola, a maioria afastou-
se e não interveio, tornando-se assim importante estabelecer com os alunos, a
nível de toda a escola, um conjunto de decisões partilhadas sobre o que se pode
fazer quando se assiste a um ato de provocação na escola.
Por outro lado, o acesso fácil à Internet ou outras tecnologias traz consigo
mais um canal no conjunto de possibilidades de ocorrência de violência
interpessoal e, efectivamente, 15,9% dos jovens reporta já ter sido ator de
episódios de provocação com utilização de novas tecnologias, principalmente
através do Messenger e SMS/MMS.
Estas situações urgem de uma acção eficaz e célere, facilitando nos jovens um
aumento das suas competências pessoais, na sua defesa não só face a estes novos
meios mas também contra si próprio.