Resumo das Comunicações Orais
Resumo das Comunicações Orais
Morte súbita em idade pediátrica - Como prevenir
Ana Cristina Freitas1, Marília Loureiro2, Sílvia Álvares2
1S. Pediatria, HMPia, DCA, CHP
2S. Cardiologia Pediátrica, HMPia, DCA, CHP
Introdução: Embora a morte súbita seja rara em crianças e adolescentes é sempre
um acontecimento dramático e com grande impacto na família, comunidade médica e
sociedade em geral. Muito embora algumas destas mortes sejam inevitáveis ou
previsíveis, podem existir sintomas premonitórios, história familiar de morte
súbita em indivíduos jovens, alterações ao exame físico ou
electrocardiograficas ou comportamentos de risco cuja investigação conduza ao
estabelecimento de estratificação de risco e medidas de prevenção
Caso clínico: Criança de oito anos, sexo masculino, saudável e sem sintomas
cardiovasculares referenciado à consulta de Cardiologia Pediátrica por
antecedentes familiares de síndrome de Brugada (pai e dois irmãos de ramo
paterno, um dos quais com paragem cardíaca aos 30 anos) e de morte súbita aos
20 anos de idade em dois primos de ramo paterno. O exame físico cardiovascular
era normal. O ECG apresentava padrão de síndrome de Brugada tipo I. O
ecocardiograma 2D/Doppler era normal. O estudo genético revelou mutação no gene
SCNA 5A. Realizou Holter que, para além do padrão electrocardiográfico
referido, não revelou arritmias. Perante a confirmação de diagnóstico, foram
realizadas as devidas recomendações quanto à prática de exercício físico,
controlo de hipertermia e de fármacos contra-indicados pelo risco de morte
súbita.
Comentários: A síndrome de Brugada é uma das causas de morte súbita em doentes
com coração estruturalmente normal, cujo diagnóstico é realizado através
alterações típicas no electrocardiograma (ECG), associado a sintomas ou
história familiar sugestivos. Este caso permite salientar a importância do
diagnóstico precoce, ainda em idade pediátrica, de forma a proceder a uma
intervenção precoce que reduza o risco de eventos cardíacos potencialmente
fatais. O conhecimento do padrão de Brugada no ECG e da orientação clínica
destes doentes pela comunidade médica pediátrica assume, portanto, extrema
relevância na prevenção de morte súbita.
AVALIAÇÃO DA TRANSMISSÃO MÃE-FILHO DA INFECÇÃO VIH1 NUMA MATERNIDADE
Alexandre Fernandes1, Brígida Amaral1, Ana Margarida Alexandrino2, Maria João
Carinhas3, Laura Marques1
1 U. Infecciologia Pediátrica e Imunodeficiências, S. Pediatria, CHP
2 S. Neonatologia, MJDinis, CHP
3 S. Obstetricia, MJDinis, CHP
Introdução: A infecção pelo Vírus Imunodeficiência Humana 1 (VIH1) na criança,
ocorre quase exclusivamente por transmissão mãe-filho. Na ausência de
profilaxia ocorrem taxas de transmissão entre 15-25%, diminuindo para <2%
quando são adoptadas medidas adequadas. Entre 2000 e 2004 a taxa de transmissão
vertical de VIH na MJD foi de 8%.
Objectivo: Avaliar transmissão mãe-filho da infecção VIH numa maternidade.
Material e Métodos: Estudo retrospectivo, com consulta do processo clínico, de
crianças com mães VIH1+, nascidas na Maternidade Júlio Dinis de Janeiro de 2006
a Setembro de 2010. Não infecção definida como pelo menos 2 testes virulógicos
negativos (um com idade >1Mês e segundo com idade >4Meses) e ausência de
clínica. Análise estatística efectuada com programa Epi-Info® v.3.5.1 (Teste
Fisher, nível de significância 0,05).
Resultados: Nasceram 65 crianças com risco de transmissão VIH1. Trinta e quatro
eram do sexo masculino (52.3%) e 13 (20%) prematuros. Diagnóstico de infecção
materna ocorreu na gestação em 23 (35.9%) e no parto numa (1.6%). Quatro (6.3%)
não efectuaram TARV na gravidez e sete (11.5%) apresentavam carga vírica >1.000
cópias no parto. Parto Eutócico ocorreu em três (4.6%) e 7 (10.8%) tiveram RBA
=4h. Nenhum efectuou Leite Materno e todos fizeram profilaxia no período
neonatal; 15 efectuaram três fármacos (23.1%). Um RN (1.6%) faleceu. Nenhuma
criança está infectada. Um terço (34.9%) apresentou alterações hematológicas e
22 (34.9%) na função hepática reversíveis. Ausência de terapêutica
antiretrovírica na gravidez e parto, RBA=4h e prematuridade associaram-se ao
uso de profilaxia tripla.
Conclusão: Na população estudada não ocorreu transmissão mãe-filho da infecção
VIH1. Esta população apresentava factores que aumentam o risco de transmissão
numa elevada percentagem de casos. Os autores destacam a importância de um
correcto rastreio pré-concepcional de modo a proporcionar melhores estratégias
de prevenção.
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE HOSPITALAR: A PERSPECTIVA DA FAMÍLIA DO DOENTE CRÓNICO
Marta Santalha1, Carla Teixeira1, Laura Marques1
1U. Infecciologia Pediátrica e Imunodeficiências, S. Pediatria, HMPia, DCA, CHP
Introdução: A satisfação dos doentes e familiares no atendimento hospitalar
condiciona o sucesso da adesão às recomendações médicas e constitui uma
avaliação da qualidade do serviço prestado pelos profissionais de saúde.
Objectivo: Avaliar o grau de satisfação dos familiares de doentes seguidos em
consulta de Imunodeficiência (ID), relativamente às condições hospitalares e
actuação dos profissionais de saúde, bem como, a sua percepção de conhecimento
e compreensão das patologias em causa.
Material e Métodos: Aplicação de questionários anónimos, facultativos, aos
familiares de doentes seguidos em consulta de ID durante o período compreendido
entre 1 a 30 de Setembro de 2011.
Resultados: Foram preenchidos 39 inquéritos, dos quais 74,4% foram respondidos
pela mãe do doente. A maioria dos inquiridos tinha idade compreendida entre 20
e 40 anos, sendo que 41% tinha como escolaridade o ensino básico.
Estavam satisfeitos quanto ao tempo de espera para a primeira consulta 95% e
para as subsequentes 85%. Do total dos inquiridos, 15,4% estavam insatisfeitos
com o espaço físico da sala de espera e 5,1% com o gabinete da consulta.
A totalidade dos inquiridos estava satisfeita com o atendimento médico e da
equipa de enfermagem, e 92,3% com o atendimento na secretaria.
Nos itens: esclarecimentos de dúvidas, explicação dos exames e tratamentos
efectuados, 94,9% mostravam-se satisfeitos, uma percentagem maior (97,4%)
considerava a linguagem médica clara e acessível.
Dos inquiridos, 33 responderam à questão sobre o diagnóstico do seu familiar,
dos quais 61,5% afirmavam um diagnóstico de imunodeficiência e destes, 79,2%
sabiam escrever o nome da doença em causa.
Afirmavam terem recebido pelo médico, esclarecimentos específicos sobre a
doença em causa 30 inquiridos, sendo que destes, 70% referiam ter compreendido
a explicação.
Conclusão: Nesta amostra constatou-se um elevado nível de satisfação dos
familiares relativamente ao atendimento pelos profissionais de saúde. Contudo,
uma pequena percentagem estava insatisfeita quanto às condições do espaço
físico. É importante oferecer infra-estruturas com a melhor qualidade possível
para optimizar o conforto dos doentes e familiares. Uma percentagem não
desprezível de familiares tem dificuldade na compreensão do nome da patologia
ou a explicação desta, pelo que se exige uma linguagem médica clara e acessível
e a confirmação periódica da compreensão do doente e família sobre as
explicações dadas, sobretudo quando as patologias são complexas.
PADRÕES E DETERMINANTES DO USO DE CHUPETA
Helena Silva1, Fátima Pinto2
1 S. Pediatria, HMPia, DCA, CHP
2 Consulta de Pediatria, US Aníbal Cunha, ACES Porto Ocidental
Introdução: O uso de chupeta tem um importante papel na sucção não nutritiva e
na prevenção da síndroma de morte súbita do lactente. Contudo, a sua utilização
tem sido controversa, principalmente pelos seus efeitos adversos, nomeadamente
o abandono precoce do aleitamento materno (LM).
Objectivos: avaliar padrões e factores determinantes do uso de chupeta;
analisar possíveis efeitos adversos.
Métodos: Estudo transversal desenvolvido num Centro de Saúde urbano. Englobadas
114 crianças saudáveis, entre os dois e cinco anos de idade. Os dados foram
obtidos a partir de um questionário, aplicado aos pais das crianças que
procuraram o serviço no período de Março a Julho de 2011. A amostra foi
dividida em dois grupos (grupo 1: usuárias de chupeta, grupo 2: não usuárias de
chupeta).
Resultados: Das 114 crianças avaliadas, 52.6% eram do sexo feminino; idade
média de 3.1±0.8anos. A prevalência do uso de chupeta foi de 83.3%, mas após os
dois anos de idade foi de 49.1%. O uso de chupeta foi mais frequente em
primogénitos (p=0.026), nas crianças que não frequentavam infantário (p=0.011),
e associou-se à menor idade materna (p=0.043) e tabagismo materno (p=0.000). Em
62.2%, a sua introdução foi realizada na primeira semana de vida. As vantagens
foram referidas em 89.6%: calmante (64.9%), ajuda a adormecer (31.6%); as
desvantagens em 66.8%: problemas dentários (45.6%), habituação (31.6%). A
interferência na amamentação foi apontada em apenas dois casos. A prevalência
do LM na amostra em geral foi de 87.7%, mais frequente no grupo 2 (44% vs 56%,
p=0.003) e por um período médio (meses) superior (5.3±6.1 vs 8.9±8.5, p=0.001).
O grupo 1 associou-se a uma maior prevalência de otite média aguda (39.3% vs
17.2%, p=0.003), gastroenterite (53.6% vs 31.0%, p=0.015) e má oclusão dentária
(46.6% vs 10.3%, p=0.000).
Conclusão: A utilização de chupeta constitui um importante hábito cultural
parecendo associar-se a determinadas características ambientais. Observou-se
uma associação com o abandono precoce do LM e com uma maior frequência de má
oclusão dentária, infecções otológicas e gastrointestinais. Neste sentido,
relembram-se as recomendações da American Academy of Pediatrics: nos lactentes
sob LM, o uso de chupeta deverá ser adiado até ao primeiro mês de vida,
garantindo que a amamentação esteja bem estabelecida. Em todos, a sua
utilização deverá ser limitada até aos 12 meses de idade, evitando os outros
possíveis efeitos adversos.
IDENTIFICAÇÃO E INTERVENÇÃO NAS DIFICULDADES, PREOCUPAÇÕES E NECESSIDADES DOS
PAIS DE BEBÉS INTERNADOS NA UNIDADE DE NEONATOLOGIA
Zusana Diaz1, Susana Caires1
1Instituto de Educação, Universidade do Minho
AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR EM IDADE PRÉ-ESCOLAR: DO RASTREIO À
INTERVENÇÃO PRECOCE
Helena M Silva1, Alexandre Fernandes1, Brígida Amaral1, Sofia Ferreira2, Fátima
Pinto3
1 S. Pediatria, HMPia, DCA, CHP
2 H São Sebastião, CH Entre o Douro e Vouga
3 Consulta de Pediatria, US Aníbal Cunha, ACES Porto Ocidental.
Introdução: As dificuldades de aprendizagem afectam uma em cada dez crianças em
idade escolar e, frequentemente, são consequentes a problemas do
desenvolvimento psicomotor (DPM) não previamente detectados.
Objectivos: Avaliação do DPM de crianças em idade pré-escolar e identificação
precoce de atraso ou sinais de alarme, de forma a accionar técnicas
reabilitativas e promoção de competências pessoais e familiares.
Material e métodos: Estudo transversal desenvolvido num Centro de Saúde urbano;
foram convocadas 234 crianças saudáveis, entre os 48 e 60 meses de idade. A
avaliação do DPM foi realizada com a escala Schedule of Growing Skills II,
baseada nas sequências de desenvolvimento de Mary Sheridan. Áreas com 1 desvio
padrão (DP) em relação à idade esperada, não sendo considerado atraso do DPM,
representam sinais de alarme requerendo nova avaliação em seis meses; =2DP
define atraso e motiva a avaliação funcional com a Escala de Desenvolvimento
Mental de Ruth Griffiths. Avaliação do nível socioeconómico segundo a escala do
Censuses and Surveys.
Resultados: Das 234 crianças convocadas, compareceram 144 (61.5%): 52.1% do
sexo feminino; idade média 54.3±3.4 meses. Frequentavam o infantário 93.7% e
41.0% pertenciam ao nível socioeconómico V. A presença de =1DP ocorreu em 37
(25.7%) crianças, e associou-se com os seguintes factores: menor nível
socioeconómico (p=0.036), menor escolaridade materna (p=0,01), e menor idade
materna (p=0.024). O atraso do DPM teve uma prevalência de 8.3% (12 crianças).
Estas foram propostas para avaliação com a escala de Ruth Griffiths: seis (50%)
não compareceram; duas obtiveram resultado de Quociente Geral (QG) médio-baixo
e ficaram em vigilância; duas QG médio mas com resultado abaixo do médio apenas
na subescala Audição e Linguagem, tendo sido orientadas para terapia da fala;
duas QG abaixo da média e foram referenciadas à Equipa Local de Intervenção
Precoce.
Conclusão: A direcção geral de saúde preconiza a avaliação do DPM no exame
global de saúde dos 5-6 anos, contudo, a avaliação formal mais precoce
possibilitou a sinalização de crianças em risco de desenvolver dificuldades de
aprendizagem. A elevada taxa de absentismo sugeriu desinteresse parental. Tendo
em conta o impacto negativo do risco ambiental no desenvolvimento infantil,
critério actualmente bem definido como de elegibilidade para o Sistema Nacional
de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI), apela-se para um maior investimento
da Saúde na sua identificação.
HIPERTENSÃO ARTERIAL EM RECÉM-NASCIDOS MUITO BAIXO PESO ' DOIS CASOS CLÍNICOS
Brígida Amaral1, Inês Vaz Matos1, Artur Alegria1, Ana Cristina Braga1, Teresa
Costa2, Elisa Proença1
1S. Neonatologia, MJDinis, CHPorto
2 S. Nefrologia Pediátrica, HMPia, CHPorto
FILHOS DA MEDICINA
Filipa Correia1, Marta Santalha1, Alice Freitas3, Isabel Reis2, Maria José
Costeira3
1Interna Complementar de Pediatria, CH Alto Ave
2 Consultora de Ginecologia e Obstetrícia, CH Alto Ave
3 Consultora de Neonatologia, CH Alto Ave
Introdução e Objectivos: A procriação medicamente assistida (PMA) é o processo
segundo o qual são utilizadas diferentes técnicas médicas para auxiliar à
reprodução humana. Entre estas técnicas incluem-se a fertilização in vitro e a
microinjecção intracitoplasmática de espermatozóides. A literatura defende que
o uso destas técnicas está associado a um maior risco de malformações
congénitas, gestações múltiplas, partos pré-termo e recém-nascidos de baixo
peso ao nascimento. O objectivo deste trabalho foi avaliar o uso de técnicas de
PMA no Centro Hospitalar do Alto Ave (CHAA) em 2009 e 2010: a evolução da
gestação, o período perinatal e neonatal do recém-nascido (RN) e a evolução do
lactente ao longo do primeiro ano de vida.
Material e Métodos: Procedeu-se a um estudo retrospectivo, através da análise
de processos clínicos das grávidas submetidas a técnicas de PMA no CHAA entre 1
de Janeiro de 2009 e 31 de Dezembro de 2010, e respectivos recém-nascidos.
Foram também consultados os relatórios de registo do desenvolvimento da criança
no final do primeiro ano de vida.
Resultados: Foram incluídas 79 grávidas, com uma idade média de 32,8±3,7 anos.
A técnica mais frequentemente utilizada foi a injecção intra-citoplasmática de
espermatozóide (66% dos casos). Dezoito mulheres foram excluídas do estudo por
ausência de informação suficiente. A incidência de gestação múltipla foi de 21%
(gemelar). Cerca de 50% dos partos ocorreram no CHAA, e a taxa de partos
distócicos por Cesariana foi de 66%. Resultaram 74 recém-nascidos. A incidência
de prematuridade foi de 26% e cerca de um quarto dos RN apresentava um peso ao
nascimento <2500g. Oitenta por cento dos bebés não teve qualquer intercorrência
no período neonatal; os restantes 20% necessitaram de internamento em unidade
de cuidados intermédios neonatais (92%) ou em unidade de cuidados intensivos
neonatais (8%). Não foram detectadas anomalias cromossómicas em nenhum dos RN.
Foram avaliados 13 lactentes ao fim de um ano; destes, quinze por cento eram
seguidos em Consulta de Desenvolvimento.
Conclusões: Na nossa amostra a incidência de gestação múltipla foi
discretamente inferior à habitualmente referida e não houve casos de trigémeos,
assim como a incidência de prematuridade e de RNBP, sendo de esperar uma
evolução neonatal favorável na maioria dos recém-nascidos resultantes de PMA.
Apesar da PMA se associar a riscos acrescidos para o RN, no nosso centro, estes
foram inferiores aos descritos na literatura.
FUNÇÃO TIROIDEIA E TRISSOMIA 21: A EXPERIÊNCIA DE UMA CONSULTA
Filipa Correia1, Marta Santalha1, Ângela Dias1, Maria José Costeira2
1 Interna Complementar de Pediatria, CH Alto Ave
2 Consultora de Neonatologia, CH Alto Ave
Introdução e Objectivos:As disfunções tiroideias têm maior prevalência nas
crianças e adolescentes com trissomia 21 do que na população geral, tendo como
causa as alterações da auto-imunidade destas crianças. As alterações hormonais
associam-se a maior morbilidade a médio e longo prazo, enquanto que, a curto
prazo, são responsáveis por um pior desenvolvimento infantil.
Material e Métodos:Procedeu-se a um estudo retrospectivo, através da análise
dos processos clínicos das crianças e adolescentes com o diagnóstico de
Trissomia 21 seguidos em Consulta de Neonatologia no Centro Hospitalar do Alto
Ave entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2010.
Resultados: Foi avaliada a função tiroideia de 34 crianças com Trissomia 21.
Vinte e uma crianças (62%) eram do sexo masculino e treze (38%) do sexo
feminino. A idade média na primeira consulta foi de 1,9±4,5 anos, tendo 85%
destas crianças idade inferior a 12 meses. No final de 2010 a duração média de
seguimento destas crianças em consulta hospitalar era de 7,3 anos. A idade
média na última consulta foi de 9,2±4,9 anos. Onze crianças (32%) não
apresentaram alterações da função tiroideia (avaliada através da medição do
nível da TSH e do nível da T4 livre) ao longo dos cinco anos. Três crianças
(8%) apresentaram pontualmente alterações analíticas compatíveis com uma
situação de hipotiroidismo subclínico, com normalização espontânea. Quatro
crianças (12%) apresentaram alterações analíticas persistentes compatíveis com
um quadro de hipotiroidismo subclínico. Doze crianças (35%) por apresentarem um
quadro de hipotiroidismo encontravam-se medicadas com levotiroxina sódica. Uma
destas crianças tinha hipotiroidismo congénito.
Conclusões: Dada a influência das hormonas tiroideias, nomeadamente, no
desenvolvimento psicomotor infantil, é fundamental rastrear quaisquer
disfunções tiroideias que possam impedir as crianças de atingir o seu máximo
potencial.
O IMPACTO DO RISCO SOCIAL NUM INTERNAMENTO PEDIÁTRICO
João Nascimento1, Inês Ferreira1, Carla Zilhão1, Susana Pinto1,2, Cristiana
Ferreira3 Luísa Caldas2,3, Margarida Guedes1, Virgílio Senra1
1 S. Pediatria Médica, HMPia, DCA, CHP
2 Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco, DCA, CHP
3 Serviço Social, DCA, CHP
Introdução: A admissão de uma criança num hospital só deve ter lugar quando os
cuidados à doença não possam ser prestados em regime de ambulatório.
Objectivos: Análise dos internamentos no serviço de pediatria de um hospital
terciário que motivaram avaliação pelo Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e
Jovens em Risco, Departamento da Criança e do Adolescente (NHACJR-DCA).
Material/Métodos: Revisão dos processos dos doentes internados com avaliação
pelo NHACJR-DCA entre 1/10/10 e 30/09/11, com análise estatística pelo programa
SPSS 16.0. Assumiu-se como alta clínica o momento registado em processo
aguarda resolução social, sem critérios clínicos para manutenção do
internamento. No impacto económico foi considerado o valor do custo de
assistência hospitalar (85.00) referido no DR.1ª série, Jan2009.
Resultados: Num total de 1052 internamentos, foi solicitada avaliação ao
NHACJR-DCA em 4,1% (n=43) episódios. O risco mais frequentemente identificado
foi a impossibilidade na prestação dos melhores cuidados 48,8% (n=21), seguido
de negligência 39,5% (n=17) e maus tratos físicos 6,9% (n=3). Foi ainda
solicitada uma avaliação por abandono parental e outra por mau trato
psicológico. Os lactentes representaram 53,5% (n=23) dos episódios. O modelo de
família mais observado foi a do tipo alargada 39,5% (n=17). Verificou-se que a
ausência de relação laboral foi maior nas mães 90,0% do que nos pais 42,5%. As
situações de risco social determinaram um adiamento da alta hospitalar em 10
casos, traduzindo-se num prolongamento médio do tempo de internamento de 33,2
dias, (mínimo de três e máximo de 136 dias). Neste período observaram-se seis
infecções nosocomiais e um TCE acidental. Embora alvo de avaliação, não foi
possível concretizar uma análise das repercussões no desenvolvimento das
crianças. O custo total estimado de assistência hospitalar aos doentes
internados ou que exigiram prolongamento do internamento por razões
psicossociais foi de 31790.000. Salienta-se ainda um doente que se mantém em
situação prolongada de internamento por não ter reunido consenso nos critérios
de aceitação em rede de cuidados continuados.
Comentários: Neste estudo, apesar das limitações inerentes a uma análise
retrospectiva demonstra-se o impacto do risco social no internamento
pediátrico, a importância de articulação com o NHACJR e a necessidade de maior
suporte na comunidade que permita a alta hospitalar mais célere. Uma análise
multidisciplinar de possíveis estratégias para resolver esta problemática
revela-se necessária tendo por base os direitos da criança hospitalizada e o
contexto sócio-económico actual.
UTILIZAÇÃO DE BAIXA DOSE DE ETOMIDATO NO CONTROLO DE HIPERCORTISOLISMO EM
CRIANÇA COM DOENÇA DE CUSHING
Jorge Sales Marques1, Graça Ferreira1, Martin Savage2
1 S. Pediatria, CH Vila Nova de Gaia-Espinho
2 Pediatrics, adult endocrinology, clinical biochemistry, St. Bartholomew-Royal
London Hosp - UK
Introdução: A doença de Cushing ' Síndrome de Cushing ACTH ' dependente, é rara
na criança e está associada a considerável morbilidade. O adenoma de hipófise é
o principal responsável pela doença, sendo o tratamento de escolha, a abordagem
transfenoidal do microadenoma da glândula pituitária.
Quando o hipercortisolismo é marcado, as consequências são graves para a
criança: hipertensão maligna, atingimento sistémico e morte.
O cetoconazol, etomidato e metirapona, podem inibir o excesso de cortisol
plasmático e consequentemente reduzir o risco préoperatório, sendo utilizado
frequentemente nos adultos com esta doença.
Caso clínico: Criança do sexo masculino, seis anos de idade, surgiu aumento de
peso, aparecimento de caracteres sexuais secundários e hipertensão. Verificou-
se que tinha valores aumentados de ACTH ' 54 ng/l ( N : 10 ' 50 ) com aumento
para 150 ng/l após infusão ev. de CRF ' factor libertação da corticotrofina. O
cortisol plasmático à meia noite era de > 1650 nmol / l ( N : < 50 ) e o
cortisol urinário também apresentava valores elevados - 1098 nmol/24 h ( N : 40
' 340). Não houve resposta ao teste de supressão com dose baixa de dexametasona
' 35 µg/kg/dia x 48 horas. Fez ecografia abdominal que detectou hepatomegalia
com esteatose hepática e ressonância magnética cerebral que mostrou a presença
de um adenoma de 3 mm na hipófise anterior. Os dados clínicos, analíticos e
radiológicos apontavam para Doença de Cushing. Enquanto aguardava a cirurgia
por via transfenoidal, houve agravamento do seu estado clínico, com
hipercortisolismo grave. Iniciou tratamento com etomidato na dose de 3,0 mg/h,
tendo reduzido os níveis de cortisol de 1250 para 250nmol/l após 24 horas.
Posteriormente, devido a difícil abordagem, foi realizado adrenalectomia total
bilateral, com boa resposta clínica e normalização dos valores de ACTH e
cortisol. Três anos após a cirurgia, a criança subitamente começa a ter valores
elevados de ACTH - > 50 ng/ml e baixos do cortisol - < 0,01 nmol/l , com
alteração acentuada da pigmentação da pele , compatível com S. Nelson. Desde
então, teve três internamentos por crise adrenal, tendo respondido bem à
terapêutica instituída.
Discussão: Este caso demonstra que em situações de hipercortisolismo, com risco
de vida para a criança, é possível reduzir de forma significativa os níveis de
cortisol, com a utilização de etomidato que actua como inibidor da 11ß
hidroxilação
DIAGNÓSTICO GENÉTICO PRÉ-IMPLANTAÇÃO E PROBLEMAS ÉTICOS ' ANÁLISE COMPARATIVA
DE OPINIÕES DOS PROFISSIONAIS DE CENTROS DE PROCRIAÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA EM
PORTUGAL NOS ANOS DE 2001 E 2010
Natália Oliva Teles
S. Bioética e Ética Médica, FMUP, Porto e DG-UCI-P, INSA, IP, Porto
Introdução: Através das técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) e de
estudo feito geralmente entre 3-5 dias pós-fertilização, pode atualmente
oferecer-se um diagnóstico para determinadas doenças genéticas graves.
Objetivos: Comparar a diferença de atitudes e a perceção dos problemas éticos
relacionados com o DGPI entre todos os centros de PMA localizados em Portugal
em que se pratique o DGPI ou em que haja potencial para a sua execução.
Materiais e Métodos: A investigação para comparar as diferenças de atitudes e a
perceção dos problemas éticos relacionados com o DGPI foi realizada através de
inquéritos efetuados entre 2001 e 2010, tendo-se colocado diversas questões
éticas levantadas pela prática do DGPI, divididas por três grandes partes: I-
Atitude perante o DGPI, II- Atitude perante o embrião Humano e III-
Caraterísticas do Centro de PMA. O material para este estudo é formado pelo
conjunto de respostas obtidas dos cinco centros públicos de PMA localizados em
Portugal, em 2001, e de 11 dos 27 centros públicos ou privados em 2010,
legalmente reconhecidos pelo Conselho Nacional de PMA.
Resultados: Na generalidade, os maiores problemas éticos que se colocaram aos
profissionais da área da medicina da reprodução são os relacionados com o
início da vida humana, o estatuto do embrião humano, a investigação e
manipulação de embriões, a seleção de sexo e eugénica e afetação de recursos.
Mais concretamente, em relação à parte I, evidenciou-se a grande diferença
entre a ausência de leis relativas à PMA e ao DGPI em 2001 e a sua existência
em 2010 e diferenças na preferência quanto ao tipo de biópsia a efetuar para
DGPI; relativamente à parte II, a maior diferença de opiniões entre 2001 e 2010
residiu na opinião quanto às doenças de manifestação tardia; a parte III
demonstrou que, entre 2001 e 2010, houve um claro aumento no número e no
tamanho de centros de PMA.
Conclusões: Os centros de PMA, para além de mais numerosos e mais bem equipados
em recursos humanos, parecem demonstrar, pela sua diversidade de respostas, que
as preocupações em termos éticos estão presentes. Partindo destes pressupostos
e antevendo que haverá sempre algumas dificuldades nas tomadas de posição para
resolução de conflitos de natureza ética, o grande desafio das próximas
gerações será a definição de limites considerados razoáveis para a correção
embrionária de sociedades futuras, nunca esquecendo os princípios éticos
fundamentais ' autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça.
SÍNDROME DE MARFAN - IMPACTO DA REVISÃO DA NOSOLOGIA DE GHENT
Vasco Lavrador1, Esmeralda Martins1, Marília Loureiro2, Sílvia Álvares2
1 S. Pediatria, HMPia, DCA, CHPorto
2 S. Cardiologia Pediátrica, HMPia, DCA, CHPorto
Introdução: A síndrome de Marfan é a doença genética do tecido conjuntivo mais
comum com uma incidência de 1 para 3000 a 5000 indivíduos e uma hereditariedade
autossómica dominante. Os critérios de diagnóstico (Nosologia de Ghent) foram
recentemente revistos conferindo uma maior importância à dilatação da raiz da
aorta, ectopia do cristalino e ao estudo genético, relegando para segundo plano
outros sinais e sintomas sistémicos com menor especificidade diagnóstica.
Objectivos e métodos: Avaliação retrospectiva do impacto da revisão dos
critérios nosológicos de Ghent numa população de doentes avaliados em consulta
de Cardiologia Pediátrica por síndrome de Marfan, nos últimos 15 anos.
Resultados: Foram identificados 18 doentes, 50% do sexo masculino, com a
primeira consulta de Cardiologia Pediátrica realizada, em média, aos 6,7 anos
(seis dias a 16,8 anos) e um seguimento de 9,8 anos. A história familiar era
positiva em apenas quatro doentes.
A aplicação dos critérios nosológicos de Ghent originais levou à exclusão do
diagnóstico em seis doentes da amostra inicial. No entanto, após a aplicação
dos critérios revistos, foi confirmado o diagnóstico em dois doentes
previamente excluídos e afastado em um adolescente com diagnóstico prévio da
síndrome.
O diagnóstico foi estabelecido em média 2,8 anos após a primeira consulta,
apesar de três doentes apresentarem diagnóstico prévio e cinco terem cumprido
os critérios desde a primeira avaliação. A terapêutica com B-bloqueador foi
iniciada em todos os doentes após a confirmação da síndrome. Apenas um doente
foi submetido a cirurgia cardíaca.
Actualmente, oito doentes mantêm ainda seguimento na consulta de Cardiologia
Pediátrica, tendo os restantes sido transferidos para outro centro pediátrico
ou unidade de adultos.
Conclusão: O estabelecimento do diagnóstico de síndrome de Marfan em idade
pediátrica impõe desafios próprios uma vez que as características da doença
podem surgir tardiamente, exigindo uma elevada suspeição clínica.
A aplicação dos critérios nosológicos revistos de Ghent permite uma abordagem
centrada nas manifestações clínicas primordiais da doença contribuindo para uma
maior especificidade diagnóstica - na nossa amostra, permitiu confirmar o
diagnóstico em dois doentes previamente excluídos, levando à rejeição da doença
em igual número. No entanto, só a avaliação sistemática e periódica permite a
identificação e abordagem correcta de todos os doentes, possibilitando a
instituição precoce de terapêutica com B-bloqueador após o diagnóstico
ANEMIA HEMOLÍTICA AUTO-IMUNE - A EXPERIÊNCIA DE 25 ANOS DO CENTRO HOSPITALAR DO
PORTO
Gisela Silva1, Tânia Monteiro1, Maria Coutinho1, Emília Costa1, Esmeralda
Cleto1, José Barbot1
1U. Hematologia Pediátrica, HMPia, DCA, CHP
Introdução: A anemia hemolítica auto-imune (AHAI) é uma patologia rara na idade
pediátrica e muito heterogénea em termos de apresentação e de evolução. A sua
abordagem diagnóstica e terapêutica, assim como, o seu seguimento depende não
só da gravidade inicial mas também do perfil térmico do autoanticorpo em causa
e do risco de emergência de doença imune sistémica.
Material e Métodos: Estudo retrospectivo, descritivo dos 27 doentes com o
diagnóstico de AHAI seguidos no Centro Hospitalar do Porto no período de 1986 -
2011.
Resultados: A idade média na altura do diagnóstico foi de 5,6 anos. A palidez
(n=16) e adinamia (n=14) foram os motivos que mais frequentemente condicionaram
o recurso a cuidados médicos. O tempo médio decorrido entre o início dos
sintomas e o diagnóstico foi de 9,6 dias. Foi documentada patologia imune
familiar em cinco casos. Foi encontrada alguma relação temporal com o início da
doença relativamente a ingestão de fármacos (n=13), a administração de vacinas
(n=1), a infecção serologicamente comprovada (n=5) e a infecção inespecífica
(n=8).
As AHAIs foram classificadas como: anticorpos frios (C3d+) em oito doentes e
anticorpos quentes em 15 doentes (IgG+-n=9 e IgG+C3d+-n=6). Em quatro doentes
não foi possível documentar isotipo dosauto-anticorpos em causa, que entretanto
se vieram a comportar como quentes.
As situações de AHAIs por anticorpos frios resultaram, de forma inequívoca, nos
dois diagnósticos diferenciais mais frequentes neste contexto (Hemoglobinúria
paroxística ao frio - n=5 e Doença das aglutininas frias - n=3). Todos tiveram
uma apresentação aguda grave (valores médios de hemoglobina de 6,8g/dl),
contrastando com a evolução benigna e auto-limitada.
Os casos de AHAIs por anticorpos quentes apresentaram valores médios de
hemoglobina na apresentação mais baixos (5,8 g/dl). A terapêutica de primeira
linha foi a corticoterapia sendo que 13 dos 19 doentes, no final do primeiro
mês, se encontrava em remissão que se revelou sustentada e definitiva em cinco.
Em sete dos doentes recorreu-se a terapêutica imunosupressora/
imunomoduladoraadicional. Num doente foi necessário efectuar esplenectomia e
plasmaferése um mês após o diagnóstico.
Ao fim de uma média de tempo de seguimento de 3,36 anos, 26% (n=7) dos casos
são classificados como AHAIs secundárias (Síndromes de Evans - n=4, Síndrome de
anticorpo antifosfolipídico - n=1 e LES - n=2). Dos 20 restantes, dois
apresentam marcadores de auto-imunidade adicionais mas ainda sem critérios de
doença específica.
Conclusões: As formas de AHAI provocadas por auto-anticorpos frios apesar de
auto-limitadas têm geralmente uma apresentação aguda que pode condicionar risco
de vida. As formas provocadas por auto-anticorpos quentes tendencialmente
evoluem para a cronicidade e colocam questões delicadas relacionadas com a
abordagem terapêutica assim como o risco de associação a doença imunológica de
carácter sistémico.
O SONO ' HÁBITOS E PERTURBAÇÕES EM CRIANÇAS DOS 2 AOS 11 ANOS
Ana Cristina Barros1, Paula Gomes2, Helena Mourão3
1Interna de Pediatria, USF Infesta
2Assistente de MGF, USF Infesta
3Chefe de Serviço de MGF, USF Infesta
Introdução: O sono é fundamental para o crescimento e desenvolvimento cognitivo
das crianças. As perturbações do sono constituem uma das alterações
comportamentais mais frequentes em idade pediátrica e podem ter repercussões
importantes na atenção, memória, aprendizagem e comportamento. Este trabalho
teve como objectivo determinar os hábitos de sono e a prevalência das suas
perturbações em crianças dos dois aos 11 anos da Unidade de Saúde Familiar
(USF) Infesta, Matosinhos.
Material e métodos: Estudo observacional analítico transversal realizado em
Setembro e Outubro de 2011 na USF Infesta. A população estudada foi as crianças
com idades compreendidas entre dois e 11 anos observadas em consulta de Saúde
Infantil durante o referido período (amostra de conveniência). Os dados foram
recolhidos por questionário, estudando-se variáveis relativas ao sexo, idade e
hábitos de sono da criança e perturbações do sono na criança, pais e irmãos.
Resultados: Dos 117 questionários obtidos, 51,3% (n=60) diziam respeito a
crianças do sexo masculino e a média de idade foi de seis anos (mediana cinco
anos). As crianças em idade pré-escolar (n=61) dormem em média 10-11h nocturnas
e 62% faz sesta com duração de 1-2 horas. As crianças em idade escolar (n=56)
dormem 9-10h. Cerca de 18% (n=21) apresenta um tempo de latência de sono
superior a 30 minutos e 30% não adormece sozinho. Verificou-se que 25,6% (n=30)
das crianças não adormece na própria cama e 63% destas tem medo de dormir
sozinha (p<0,05). O objecto de transição é usado por 37% e 20% dorme com a luz
acesa. Setenta por cento das crianças tinha algum tipo de perturbação do sono e
as mais frequentes foram a somniloquia (36%), os pesadelos (29%) e os terrores
nocturnos (22%). Não foram encontradas associações estatisticamente
significativas entre os diferentes tipos de perturbações. Os terrores nocturnos
foram mais frequentes em idade pré-escolar (34% vs 9%; p<0,05). Onze pais ou
irmãos referiram ter perturbações do sono. Só em seis casos os pais abordaram o
médico assistente por problemas relacionados com o sono.
Conclusões: As perturbações do sono foram detectadas numa percentagem elevada
de crianças, contudo, foram poucos os pais que discutiram esse assunto com o
médico assistente. A falta de intervenção pode levar ao prolongamento dessas
perturbações até à idade adulta, pelo que se torna particularmente importante a
abordagem deste tema nas consultas de Saúde Infantil de forma a prevenir e
rastrear os problemas do sono.
RAQUITISMO HEREDITÁRIO EM IDADE PEDIÁTRICA - REVISÃO DE 20 ANOS
Natacha Fontes1, Eliana Oliveira1, Cátia Sousa2, Inês Sobreira2, Joana
Vidinha3, Paula Matos4, Teresa Costa4, Maria do Sameiro Faria4, Conceição Mota4
1S. Pediatria, H Pedro Hispano, ULS Matosinhos
2S. Pediatria, H Divino Espírito Santo, São Miguel, Açores
3S. Nefrologia, H São Teotónio, Viseu
4S. Nefrologia Pediátrica, HMPia, DCA, CHP
Introdução: O raquitismo é uma doença metabólica óssea caracterizada por uma
diminuição da mineralização das cartilagens de crescimento epifisárias devido a
alterações no metabolismo fosfo-cálcico. Pode ser adquirido ou hereditário,
subdividindo-se este último em raquitismo hipofosfatémico (RH) e raquitismo
vitamina D dependente (RVDD) ou hipocalcémico. A apresentação clínica mais
frequente envolve atraso do crescimento e deformidades ósseas, dependentes do
grau de alteração fisiopatológica e da idade de início. O tratamento compreende
a suplementação com calcitriol, fósforo e cálcio, dependendo da causa, da
evolução clínica e analítica.
Objectivo: Descrever os casos de raquitismo hereditário seguidos em consulta
externa de Nefrologia Pediatrica.
Material e métodos: Estudo retrospectivo com inclusão dos doentes seguidos em
Nefrologia Pediátrica do Hospital Maria Pia entre 1991 e 2010. Foi efectuada a
consulta dos processos clínicos das crianças com diagnóstico de raquitismo
hereditário, com recolha de parâmetros demográficos, clínicos e analíticos.
Resultados: Foram diagnosticados sete casos de raquitismo hereditário durante o
período estudado, sendo cinco destes RH e dois RVDD. Cinco doentes eram do sexo
feminino. A idade de diagnóstico variou entre os três meses e os seis anos, com
uma média de 2,5 anos. A suspeita diagnóstica surgiu devido a deformidades
ósseas ou baixa estatura, excepto num caso em que foi realizada investigação
por história familiar de raquitismo. As principais alterações analíticas
observadas foram a elevação da fosfatase alcalina, hipofosfatemia, diminuição
da taxa de reabsorção tubular renal de fósforo nos doentes com RH e
hipocalcemia nos com RVDD.
A terapêutica foi efectuada de acordo com a patologia de base, envolvendo a
suplementação com 1,25(OH)2 vitD3, fósforo e cálcio, com uma evolução clínica
globalmente favorável. Num caso houve necessidade de correcção cirúrgica das
deformidades ósseas e em três casos a estatura manteve-se no percentil <3.
Conclusão: Apesar do raquitismo ser uma doença cada vez menos frequente nas
formas adquiridas, é importante considerar as formas hereditárias como
diagnóstico diferencial nos casos de baixa estatura associada a deformidade
óssea em idade pediátrica.
ANTICORPOS ANTI-NUCLEARES EM REUMATOLOGIA PEDIÁTRICA
Diana Gonzaga1, Carla Zilhão1, Helena Sousa1, Esmeralda Neves2, Margarida
Guedes1
1 U. Reumatologia Pediátrica, S. Pediatria, DCA, CHP
2S. Imunologia Laboratorial, CHP
Introdução: Os anticorpos anti-nucleares (ANA) são habitualmente utilizados no
diagnóstico das doenças reumáticas auto-imunes. O método standard para a sua
detecção é o teste da imunofluorescência indirecta nas células HEp-2. Contudo,
na interpretação dos resultados, tem de se considerar que a sua especificidade
e sensibilidade são muito variáveis, com títulos positivos (diluição>1/80) em
indivíduos saudáveis assim como resultados negativos em doenças auto-imunes bem
caracterizadas. .
Objectivos: Avaliar o título e o padrão dos ANA numa cohort de crianças
referenciadas a uma consulta de reumatologia pediátrica.
Metodologia: Análise retrospectiva dos processos clínicos das crianças seguidas
na consulta de reumatologia Pediátrica de um hospital terciário. Análise
estatística com o SPSS18
Resultados: Das 341 crianças seguidas na consulta de reumatologia, foram
incluídas 285 crianças que efectuaram teste para ANA, subdivididas em três
grupos: patologia reumática auto-imune 138 (48%) com destaque para AIJ (84),
LES (15), esclerodermia (9), ou espondiloartropatias em DII(4); patologia
reumática não auto-imune 89 (31%), salientando doença de Bechet (8), sindromas
acrocianóticos (40), síndromas periódicos (11) e vasculites (13); e patologia
não reumática 58 (20%), incluindo artrites em contexto infeccioso (16) ou
patologia ortopédica (21). Os ANA revelaram-se + (> 1/80) em 30% da amostra,
variando, entre 8,6% nas crianças sem patologia reumática e 36% no grupo de
doenças de provável etiologia auto-imune. No entanto, se fosse considerado como
= 1/80, os ANA já seriam + em 61,6% deste último grupo e em 47% das crianças
com patologia reumática não auto-imune. O padrão mais prevalente foi o
Mosqueado (79%), seguido pelo Mosqueado fino (7,5%) sendo os homogéneo
nucleolar e de matriz nuclear menos frequentes (2,7% a 4,1%). De salientar que
os padrões homogéneo e nucleolar surgiram apenas nos doentes com patologia
auto-imune e os títulos de ANA mais elevados (>1:320) corresponderam
essencialmente às crianças com esclerodermia ou LES .
Conclusões: Neste estudo, como seria de esperar, a positividade dos ANA
apresentou títulos e padrões variáveis de acordo com a patologia inflamatória
ou não inflamatória. Se valores de ANA > 1: 320 se associaram a um factor
preditivo positivo para possível doença do tecido conjuntivo, também terá de se
aprofundar o significado de valores de 1/80, habitualmente considerados
negativos, e que tiveram significância para patologia reumática nesta amostra.
VENTRICULOMEGALIA FETAL ISOLADA E REPERCUSSÃO PÓS-NATAL
Joana Amorim1, Isabel Sá2, Carmen Carvalho1, Paula Soares1, Maria do Céu
Rodrigues2
1 S. Neonatologia, MJDinis, CHP
2 Centro de Diagnóstico Pré-natal, S. Obstetrícia, MJDinis, CHP
Introdução: A ventriculomegalia (VM) é definida pelo aumento dos ventrículos
laterais cerebrais do feto podendo ser variante do normal ou sinal de
patologia. É diagnosticada com mais frequência no segundo trimestre de
gestação. O seu prognóstico é influenciado sobretudo pela etiologia e pela
evolução no período pré e pós-natal.
Objectivos: Estudo retrospectivo dos casos de ventriculomegalia fetal seguidos
no Centro Hospitalar do Porto ' Unidade Maternidade Júlio Dinis e avaliar a
evolução obstétrica e pós-natal.
Métodos: Revisão dos processos de fetos com ventriculomegalia referenciados ao
Sector de Diagnóstico Pré-natal entre 2005 e 2009, analisando múltiplas
variáveis maternas e dos recém-nascidos.
Resultados: Foram revistos 93 processos tendo-se identificado uma incidência de
VM fetal de 0,5 em cada 100 nados-vivos. Em 73 dos casos a ventriculomegalia
fetal era isolada, sendo 54 ligeiras, 14 moderadas e cinco graves. A mediana da
idade materna foi de 29 anos (min. 15, máx. 42), sendo 36% primíparas. A
mediana da idade gestacional aquando do diagnóstico de VM fetal foi de 25
semanas (min. 18, máx. 34). A gravidez foi interrompida em quatro dos cinco
casos de VM grave. No feto com VM grave que nasceu, a VM regrediu no período
pós-natal. Todos os RN com VM moderadas realizaram ecografia cerebral neonatal
tendo-se confirmado a sua persistência em sete. A avaliação seriada mostrou que
4/7 mantiveram VM estável e todos tiveram desenvolvimento psico-motor (DPM)
normal em idade superior ou igual a 12 meses. Quanto às VM ligeiras 80%
realizaram ecografia cerebral neonatal confirmando-se VM em oito. A avaliação
seriada mostrou que 3/8 mantiveram VM estável com DPM normal em idade superior
ou igual a 12 meses.
Conclusões: Com este trabalho pretende-se salientar que o grau de VM fetal ou
no período NN não está associado a um prognóstico definido, de forma simples e
consistente. O factor mais importante no prognóstico associado às VM é a sua
etiologia, daí a importância da investigação exaustiva da etiologia (pré e pós-
natal). Só o seguimento seriado destas crianças nos permite saber a repercussão
desta entidade no seu DPM.
DISTÚRBIOS DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR ' EXPERIÊNCIA DE QUATRO ANOS DE CONSULTA
EXTERNA DE UM HOSPITAL DISTRITAL
Isabel Nunes1, Teresa Hernandez1, Lúcia Gomes1
1CH Entre Douro e Vouga
Introdução: A incidência e prevalência de distúrbios alimentares em
adolescentes têm aumentado significativamente nas últimas décadas. Estes dados
reflectem-se no aumento de casos referenciados tornando imperativo o
conhecimento sobre o diagnóstico e terapêutica destas patologias.
Objectivo: O objectivo deste trabalho é caracterizar a população de
adolescentes seguidos em consulta externa (CE) por distúrbios do comportamento
alimentar.
Material e Métodos: Estudo descritivo por análise dos processos clínicos dos
adolescentes seguidos em CE de Pediatria/Adolescentes por distúrbios do
comportamento alimentar (Anorexia Nervosa (AN), Bulimia Nervosa (BN) ou
Distúrbios Alimentares não-especificado (ED-NOS), (DSM-IV) entre Janeiro/2007 e
Abril/2011.
Foram analisados parâmetros sócio-demográficos, métodos de referenciação,
antecedentes, apresentação e evolução clínicas.
Resultados: Foram incluídos no estudo 16 adolescentes, correspondendo a 6,4%
dos adolescentes seguidos nesta consulta. A totalidade dos casos pertence ao
sexo feminino com uma média de idades de 14,56 anos (min12-max17). Metade dos
casos foi referenciada pelo Médico Assistente, sendo que 31,25% foi enviado
pela CE de Pediatria e o restante do Serviço de Urgência. Aquando da
referenciação, o tempo médio de doença era 7,45 meses (min 3; max 14), o IMC
médio era 18,98 (min 14,8; max 23,2) e a amenorreia estava presente em 37,5%
(n=6). Todas as adolescentes apresentavam comportamento restritivo, 18,8%
admitiam episódios de comportamento purgativo e 6,4% de binge-eating. No que
diz respeito aos antecedentes, 31,3% apresentavam patologia psiquiátrica, sendo
que a totalidade destas se encontrava sob terapêutica farmacológica.
A maioria das doentes foi diagnosticada com ED-NOS (68,8%), 25% com AN e 6,3%
com BN.
Durante todo o tempo de seguimento as adolescentes foram avaliadas e orientadas
por uma equipa multidisciplinar constituída por pediatra, enfermeiro,
nutricionista e psiquiatra/psicólogo.
A percentagem de jovens referenciadas aumentou a cada ano, sendo o tempo médio
de seguimento em consulta de 13,6 meses e que, das adolescentes referenciadas,
apenas uma teve alta da consulta.
Conclusões: Os distúrbios do comportamento alimentar são causa de morbilidade
em adolescentes e são patologias com uma percentagem cada vez mais elevada de
referenciação e seguimento em consulta hospitalar. Assim, a referenciação e
diagnósticos precoces tornam-se fundamentais para evitar evolução da patologia
e, desta forma, melhorar o prognóstico.
SAÚDE SOBRE RODAS ' CONHECIMENTOS, ATITUDES E COMPORTAMENTOS SOBRE O TRANSPORTE
AUTOMÓVEL DE CRIANÇAS
Ana Cristina Barros1, Pedro Melo2, Helena Mourão3
1 Interna de Pediatria, USF Infesta, ULS Matosinhos
2 Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária, UCC S. Mamede de Infesta,
ULS Matosinhos
3 Chefe de Serviço de MGF, USF Infesta, ULS Matosinhos
Introdução: Os acidentes rodoviários são a principal causa de morte e
incapacidade infantil em Portugal. A utilização dos sistemas de retenção
automóvel (SRA) adequados no transporte de crianças diminui o risco de lesão em
caso de acidente.
Objectivo: diagnosticar os comportamentos e avaliar os conhecimentos dos pais
sobre o transporte automóvel de crianças.
Material e métodos: Estudo quantitativo, exploratório e descritivo, realizado
num Jardim de Infância de S. Mamede Infesta, concelho de Matosinhos, em
Setembro de 2011. Observação dos comportamentos no transporte automóvel das
crianças até ao Jardim de Infância (amostra: 127 crianças; avaliação do uso e
adequação do SRA). Aplicação de questionário à família das crianças que
frequentam o Jardim de Infância (amostra: 117 famílias; avaliação do nível de
conhecimentos e atitudes no uso de SRA).
Resultados: Observou-se o transporte automóvel de 73% (93/127) das crianças e
em 30% (n=28) dos casos o SRA não era adequado ao seu tamanho. Na faixa etária
inferior a 18 meses (n=20) 8 crianças viajavam viradas para a frente e nenhuma
com idade entre 18 meses e 3 anos viaja virada para trás. Obtiveram-se 95
questionários (81% das famílias). A média de idade dos filhos que frequentam o
Jardim de Infância foi 2,5 anos (25% < 12 meses). Quase 90% dos pais consideram
ter um nível de informação boa a muito boa sobre SRA. Em 54% (n=51) dos casos a
fonte de informação foi os profissionais de saúde (35% Pediatra, 11% Enfermeiro
de Família e 3,7% Médico de Família). A maioria dos pais referiu que usa sempre
SRA (94%, n=89). Quando inquiridos acerca da idade até a qual a criança deve
ser transportada na posição virada para trás apenas 39% (n=37) acertaram. É do
conhecimento de 90% dos inquiridos o momento em que deve ser mudado o SRA por
um tamanho maior.
Discussão: O uso de SRA nas crianças observadas foi quase universal, podendo
relacionar-se com maior preocupação dos pais no transporte em idades mais
precoces. Verificou-se discrepância entre o que os pais sabem e fazem em
relação à mudança da cadeira por um tamanho maior. A maioria dos pais não sabe
até que idade a criança deve viajar voltada para trás, o que pode ser
responsável pelo posicionamento incorrecto do SRA. O papel dos profissionais de
saúde no aconselhamento e motivação dos pais acerca do transporte automóvel
adequado é fundamental. Após conhecimento dos resultados é objectivo dos
autores realizar sessões informativas aos pais das crianças deste Jardim de
Infância.
CONVULSÕES AFEBRIS BENIGNAS ASSOCIADAS A GASTROENTERITE AGUDA LIGEIRA: UMA
ENTIDADE A PENSAR
Catarina Matos1, Angela Machado1, Susana Lira1, Carla Brandão1, Leonilde
Machado1
1 S. Pediatria, CH Tâmega e Sousa
Introdução: As convulsões afebris benignas associadas a gastroenterite aguda
ligeira (CABAGAL) são convulsões que ocorrem em apirexia, auto-limitadas,
associadas a quadros de gastroenterite aguda, sem desidratação ou disturbios
hidro-electrolíticos. Entidade bem reconhecida na Ásia, constituí na Europa uma
nova entidade, com poucos casos relatados.
Caso Clínico: Criança, sexo masculino, 15 meses de idade, previamente saudável,
que recorre ao serviço de urgência (SU) por vómitos persistentes com 24h de
evolução associados a episódio de perda de consciência. Realizou estudo
analítico (hemograma, ureia, creatinina, ionograma e PCR) e sedimento urinário
que estavam normais e teve alta para o domicílio tendo sido o episódio
interpretado como uma crise vaso-vagal. Em D2 de doença iniciou dejecções de
fezes líquidas, sem sangue ou muco. Em D3 recorreu novamente ao SU por episódio
de olhar fixo associado a movimentos tónico-clónicos generalizados seguidos de
perda de consciência com duração de um minuto. À entrada, 30 minutos após o
episódio convulsivo, apresentava-se vigil, sem défices neurológicos, apirética,
normoglicémica e hemodinamicamente estável. Não apresentava sinais de
desidratação e a diurese estava mantida. Os exames complementares revelaram:
hemoglobina-11.2g/dL, leucócitos-5.900/uL (31.2% neutrófilos; 55.3%
linfócitos), plaquetas-292.000/uL. A bioquímica apresentava glicose-61mg/
dL,ureia-55mg/dL, creatinina-0.5mg/dL. A gasimetria venosa revelou pH-7.36 e
HCO3-20.3mmol/L. O virológico de fezes foi positivo para rotavírus. Realizou TC
cerebral que não revelou alterações. Oito horas após a admissão apresentou novo
episódio convulsivo, tónico-clónico generalizado, com retroversão ocular, com a
duração de 1-2 minutos, tendo cedido espontaneamente, seguido de sonolência
pós-ictal. Mantinha-se apirética e normoglicémica. Realizou EEG interictal que
era normal. Foi tomada uma atitude expectante, não tendo sido iniciado qualquer
tratamento. Teve alta ao segundo dia de internamento, com melhoria dos sintomas
de gastroenterite aguda e sem medicação específica para as convulsões. Foi
feito seguimento posterior em consulta sem recidivas convulsivas e com um exame
neurológico e um desenvolvimento psicomotor adequado à idade.
Conclusão: Os autores pretendem realçar a importância do reconhecimento desta
nova entidade, pelo seu carácter benigno, auto-limitado e com excelente
prognóstico, evitando assim investigações exaustivas e terapêutica a longo
prazo com anti-convulsivante.
VAGINOPLASTIA COM CÓLON SIGMÓIDE NO SÍNDROME DE MAYER-ROKITANSKY- KÜSTER-HAUSER
Joana Pereira1, Catarina Sousa1, Angélica Osório1, João Moreira-Pinto1, João
Ribeiro-Castro1, Carlos Enes1, José Alfredo Cidade-Rodrigues1
1S. Cirurgia Pediátrica,HMPia, DCA, CHP
Objectivo: O Síndrome de Mayer-Rokitansy-Küster-Hauser (MRKH) caracteriza-se
por aplasia congénita do útero e da parte superior da vagina, em mulheres que
apresentam genitais externos normais, bem como normal desenvolvimento dos
caracteres sexuais secundários, ovários funcionais e um cariótipo 46, XX. O
objectivo deste estudo é avaliar os resultados anatómicos e funcionais da
vaginoplastia com cólon sigmóide em quatro doentes com o Síndrome MRKH.
Material e Métodos: O diagnóstico foi efectuado através de exame físico, estudo
hormonal, cariótipo, ecografia abdomino-pélvica e/ou ressonância magnética. Em
todos os casos foi efectuada laparoscopia diagnóstica devido aos exames
imagiológicos terem sido inconclusivos. A vaginoplastia foi realizada por uma
técnica combinada abdomino-perineal, quando as doentes manifestaram vontade de
iniciar a vida sexual.
Resultados: Uma doente apresentava anomalias renais e auditivas associadas. Foi
efectuada excisão dos remanescentes uterinos e vaginoplastia com cólon sigmóide
a uma idade média de 17 anos. As complicações pós-operatórias imediatas
incluíram uma trombose venosa profunda e uma infecção superficial da ferida
operatória. O tempo médio de follow-up foi de 36 meses. Após os três meses de
dilatação do protocolo todas as doentes tinham uma vida sexual activa e
satisfatória (sucesso anatómico e funcional). Não foram relatadas queixas de
dispareunia significativa, apenas uma necessitou de lubrificação externa e o
excesso de produção de muco foi limitado aos primeiros dois meses de pós-
operatório.
Conclusão: A vaginoplastia com colon sigmóide é um procedimento eficaz na
agenesia vaginal pois permite a criação de uma neovagina auto-lubrificada com
comprimento suficiente e que não necessita de dilatações prolongadas. A
reconstrução durante a adolescência é favorecida pelas excelentes condições
locais e motivação das doentes, permitindo que estas tenham acesso a uma normal
vivência sexual.
BULLYING ' CONHECER PARA INTERVIR
Ana Cristina Barros1, Pedro Melo2, Elisabete Borges3, Helena Mourão4
1 Interna de Pediatria, USF Infesta, ULS Matosinhos
2 Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária, UCC S. Mamede de Infesta,
ULS Matosinhos
3 Prof. Adjunta, ESE Porto.
4 Chefe de Serviço de MGF, USF, ULS Matosinhos
Introdução: As agressões físicas e psicológicas entre as crianças e jovens na
escola é uma realidade muitas vezes ocultada e que pode ter graves repercussões
na vida académica e social. O bullying, no âmbito da violência escolar,
apresenta-se como um fenómeno com características específicas no que se refere
à temporalidade, diferença de poder e local de ocorrência.
Objectivo: O objectivo deste trabalho foi conhecer a prevalência e caracterizar
os comportamentos agressivos e as práticas de bullying no contexto escolar.
Material e métodos: Estudo analítico transversal e descritivo, através da
aplicação de questionário aos alunos do 5º ano de uma escola do Concelho do
Porto, num total de 204 participantes. Analisaram-se características sócio-
demográficas dos alunos, número, local e tipo de agressões, sexo e número de
agressores e intervenção dos pais e professores.
Resultados: Responderam ao questionário 204 alunos do 5º ano (90% com 10 ou 11
anos; máximo 15 anos), com ligeiro predomínio do sexo feminino (51,5%; n=105).
A maioria desloca-se para a escola na companhia dos pais ou familiares (54%) e
29% fá-lo sozinho. Nos três meses prévios à aplicação do questionário (período
lectivo), 38% dos alunos (n=77) admitiram ter sido vítimas de bullying (39 do
sexo masculino; 50,6%), sendo as agressões verbais (56%; n=43) e físicas (27%;
n=21) as mais frequentes. As agressões verbais foram mais prevalentes no sexo
feminino (feminino vs masculino: 13,3% vs 4,2%; p 0,02). A maioria das
agressões (83%) ocorre dentro do recinto escolar (recreio), com predomínio do
sexo masculino nos agressores. No caminho casa-escola 17 alunos (8,3%)
referiram ter sido sofrido bullying (11 do sexo masculino), sendo que oito vão
sozinhos para a escola, cinco com colegas ou irmãos e quatro com os pais ou
familiares. Num período de tempo mais curto (semana prévia ao preenchimento do
questionário) 34 alunos (17%) foram agredidos. No que diz respeito à denúncia
destas situações, apenas 43% revela a situação aos professores e 57% conta aos
pais. Cerca de 45% (35/77) das vítimas confessaram também ser agressores
(predomínio do sexo masculino).
Discussão: A prevalência de comportamentos agressivos no contexto escolar não é
desprezível, pelo que é fundamental a sua divulgação. É importante reconhecer
as vítimas e os agentes agressores para que ambos sejam alvo de intervenção
precoce, sendo determinante o papel da escola e da saúde escolar na promoção da
saúde e na prevenção da violência.