Suicídio de um paciente: a experiência de médicos e psicólogos portugueses
Introdução
Os comportamentos suicidários constituem um dos mais graves problemas de saúde
pública, com grande impacto social no mundo ocidental. Os psiquiatras, médicos
de medicina geral, psicólogos ou outros profissionais de saúde que perdem um
paciente por suicídio estão expostos a uma das experiências mais perturbadoras
da prática clínica1,2,3.
O suicídio de um paciente é reconhecido na literatura internacional como um
risco dos profissionais de saúde4,5,6,7, com acrescida probabilidade para
aqueles que desenvolvem a sua atividade na área da saúde mental, tal como os
psiquiatras e os psicólogos8,9,10,11,12,13,14. Paralelamente, a investigação
sugere que 20-76 dos suicidas procuram um médico no mês anterior ao suicídio e
que a maioria consulta o médico de medicina geral e familiar, não um
psiquiatra15,16,17,18,19. Porém, a investigação acerca do impacto da morte por
suicídio de pacientes em clínicos gerais tem sido negligenciada20,21,22, sendo
que, no contexto nacional, esta escassez empírica estende-se aos demais
profissionais, não existindo, até à data, em nosso conhecimento, nenhum estudo
disponível sobre o impacto do suicídio de pacientes em profissionais de saúde
portugueses.
Os profissionais de saúde que passam pela experiência do suicídio de um
paciente reagem enquanto pessoas que perdem alguém significativo através de
reações usuais de processo de luto (reações pessoais) e, simultaneamente, de
acordo com o seu papel profissional específico (reações profissionais)23,24.
Na literatura internacional as reações apontadas como mais comuns ao suicídio
de um paciente são a negação, o choque, a tristeza, a raiva, a culpa, a
descrença, a angústia, o sentimento de fracasso, o medo de
acusações13,14,25,26,27,28,29. Vários autores exploraram a relação entre o
impacto do suicídio e diferentes características do profissional, do paciente,
da relação entre estes dois e de especificidades do
suicídio5,9,10,13,25,29,30,31,32. Em relação ao género do profissional, os
estudos tendem a ser concordantes na existência de diferenças significativas:
as mulheres tendem a expressar mais frequentemente sentimentos de vergonha,
responsabilização ou culpa, assim como tendem a colocar mais em causa o seu
conhecimento e competência profissional como consequência do suicídio de um dos
seus pacientes, em relação aos profissionais homens5,31. Contudo, relativamente
a outras variáveis, os resultados das diferentes investigações não são
consensuais, revelando a necessidade de investimento neste foco específico de
análise. Por exemplo, enquanto alguns estudos encontram relações significativas
entre a idade dos profissionais e a intensidade das reações10 e na mudança das
práticas clínicas6, outros estudos não encontraram estas diferenças9,25,29. Da
mesma forma, relativamente ao grupo profissional, alguns dados empíricos
apontaram para a não existência de diferenças31, enquanto outros revelaram, por
exemplo, que os psiquiatras declaravam um maior sofrimento associado ao
suicídio do paciente do que os psicólogos29. Outros dados mostraram que
determinados grupos teriam uma maior tendência para operar mudanças nas
práticas profissionais após o suicídio6.
As mudanças na prática profissional mais referidas como resultantes do suicídio
de um paciente são a maior atenção a sinais de risco de suicídio, uma tendência
maior para hospitalizar, mais interesse no fenómeno, procura de formação
especializada na área, maior abertura à discussão de casos com colegas e maior
atenção a implicações legais da prática profissional9,10,25,26. Os recursos de
ajuda apontados como mais úteis para lidar com esta experiência são a
supervisão, a formação especializada, a discussão com colegas, a revisão do
caso e a participação nas cerimónias fúnebres8,9,10,33,34.
Os objetivos deste estudo são: descrever as reações emocionais de psicólogos,
psiquiatras e médicos de medicina geral perante o suicídio de um paciente,
considerado pelos próprios com maior impacto, identificar as mudanças na
prática clínica e vida pessoal decorrentes deste acontecimento, identificar os
recursos de ajuda ou suporte usados para lidar com a situação e conhecer como
estes profissionais de saúde avaliam a utilidade de cada suporte usado. O
estudo pretende também contribuir para o conhecimento dos fatores relacionados
com a experiência do suicídio de um paciente, investigando se existem
diferenças nesta vivência devidas às características dos profissionais.
Esperamos encontrar diferenças entre géneros e grupos profissionais. Esta
investigação assume ainda particular relevância por ser o primeiro estudo em
Portugal a disponibilizar dados empíricos na área.
Método
Instrumento
Para estudar o impacto do suicídio de um paciente nos psicólogos, psiquiatras e
médicos de medicina geral foi construído o Questionário Impacto do Suicídio de
um Paciente (QISP) - versão para médicos e psicólogos (disponível em anexo). O
desenvolvimento deste questionário foi baseado na revisão de literatura e nos
instrumentos internacionais existentes de avaliação desta
experiência8,13,25,31,32,33. O QISP é composto por três partes principais. A
primeira parte recolhe informação sociodemográfica e profissional dos
participantes, tal como idade, género, grupo profissional, anos de prática,
local de trabalho e a existência ou não de formação específica em prevenção do
suicídio. A segunda parte questiona acerca do contacto dos profissionais com
comportamentos suicidários na prática clínica e na vida pessoal. Na terceira
parte solicita-se aos profissionais que identifiquem e caracterizem o suicídio
do paciente que maior impacto lhes causou e, através de questões abertas, que
descrevam o que sentiram na altura, que reações tiveram e que mudanças
profissionais e pessoais decorreram como consequência deste acontecimento.
Pede-se também aos profissionais que, retrospetivamente, avaliem em que medida
aquele suicídio era previsível e prevenível. Apresenta-se ainda uma lista de
possíveis recursos de apoio e solicita-se que perante cada um deles os
profissionais se posicionem quanto à sua utilidade. Finalmente, o questionário
inclui uma questão aberta que solicita aos médicos e psicólogos que, tendo em
conta a própria experiência do suicídio de um paciente, aconselhem um colega
inexperiente sobre a melhor forma de lidar com a situação.
Participantes e procedimentos
Os potenciais participantes foram recrutados através de um processo de
amostragem misto: amostragem focalizada (targeted sampling)35 e amostragem bola
de neve (snowball)36,37. No primeiro processo, amostragem focalizada, foram
identificados diferentes locais de trabalho de diferentes regiões do país, tais
como hospitais, centros de saúde, faculdades, instituições de intervenção
comunitária, onde se apresentou o estudo (presencialmente, via email ou carta)
e convidou os profissionais, psicólogos, psiquiatras e médicos de medicina
geral e familiar, a participarem.
No segundo método, bola de neve, caracterizado pelos participantes do estudo
recrutarem outros potenciais participantes através das suas redes profissionais
ou pessoais, utilizaram-se procedimentos adicionais no sentido de obter um
conjunto inicial de participantes mais representativo do que a técnica clássica
permite, tal como defendido na literatura38,39,40.
Estes procedimentos consistiram em: (1) solicitar aos profissionais (iniciais e
intermediários) que enviassem aos investigadores contactos (email, telefone ou
endereço) de profissionais potenciais participantes ou que eles próprios
convidassem outros colegas a participar, ou seja, foi solicitado que nomeassem
potenciais participantes mas também que os recrutassem para o estudo; (2)
limitar, em parte dos participantes, o n.° de recrutados, solicitando que
nomeassem entre 3-5 colegas; (3) no sentido de fomentar a colaboração efetiva
dos profissionais, usou-se um sistema de incentivos na apresentação, promotores
da participação (p. ex. texto personalizado, referência à importância de obter
respostas naquele distrito ou zona do país). Estes procedimentos promovem
composições de amostras que convergem e atingem um equilíbrio depois de um
número relativamente limitado de cadeias, independentemente da amostra inicial,
permitindo que se selecione arbitrariamente os primeiros participantes. Desta
forma, apesar da seleção não randomizada, o viés introduzido é progressivamente
eliminado, ultrapassando-se um dos problemas centrais da tradicional bola de
neve - a amostra inicial aleatória - e evitando efeitos de designado
voluntarismo e diferenças das redes entre profissionais.
Os dados foram recolhidos quer através de questionário on-line, cujo link foi
enviado via email e colocado em sites de psicologia e medicina, quer através do
questionário em suporte de papel enviado por correio e acompanhado com um
envelope individual pré-pago para retorno. Os dados foram recolhidos em 2010 e
2011 e o anonimato e confidencialidade dos mesmos foram assegurados.
Análise de dados
Realizaram-se análises de conteúdo das respostas às questões abertas, usando
dois avaliadores independentes para a categorização das mesmas. As análises
estatísticas foram realizadas usando o SPPSS versão 19. Calcularam-se
estatísticas descritivas e inferenciais. As diferenças na experiência do
suicídio de um paciente devidas a características do profissional foram
investigadas através de análises de variância &- ANOVA a um fator (one-way)
seguidas do teste post-hoc de Tukey, do teste t de student para amostras
independentes e testes qui-quadrado (com correção de Bonferroni).
Para estas análises, a idade e os anos de prática foram recodificados em
variáveis categoriais de três intervalos. Foi ainda calculada uma medida global
do apoio usado pelos profissionais, recodificada numa escala de três pontos:
recurso a ajuda baixo ou muito baixo, moderado e alto ou muito alto. Foi também
calculado um score global para a avaliação da utilidade dos recursos, através
da média desta medida.
Resultados
Características dos participantes
Participaram neste estudo 242 profissionais de saúde, cujas características
estão descritas na Tabela_1. Cinquenta e três por cento eram psicólogos e 47
eram médicos, sendo que entre estes, 46 eram psiquiatras e 54 eram médicos de
medicina geral e familiar. Quanto ao género, 70 eram mulheres e 30 eram homens.
A idade média dos profissionais foi de 38 anos e a média de experiência clínica
foi de 13 anos.
Em relação ao local de trabalho, 32 exercem a sua prática em hospitais, 30 em
centros de saúde, 24 desenvolvem a sua atividade em faculdades ou escolas e 12
trabalham em projetos ou instituições de intervenção comunitária. Catorze por
cento indicam outros locais, onde se incluem equipas de tratamento do Instituto
da Droga e da Toxicodependência, Instituto Nacional de Emergência Médica e
consulta de prevenção do suicídio, entre outros. Quase metade dos participantes
(44) acumula os seus locais de trabalho com a prática clínica privada.
Relativamente à distribuição destes locais no país: 48 eram do Norte, 21 do
Centro, 27 do Sul e 4 dos Açores e da Madeira (3 profissionais trabalham em
mais do que uma região e 2 não indicaram a mesma).
Dezoito por cento dos participantes têm formação específica em suicídio, 43
classificam a sua formação como suficiente para acompanhar pacientes com
comportamentos suicidários e a grande maioria dos profissionais de saúde (85)
sente-se capaz de identificar pacientes em risco de suicídio. Simultaneamente,
60 concordam que necessitam de formação especializada na área, 85 julgam que é
fundamental implementar planos de formação dirigidos a profissionais de saúde e
12 avaliam-se como bons formadores na área da suicidologia.
Contacto com comportamentos suicidários
A experiência dos participantes com comportamentos suicidários quer na vida
privada quer na prática clínica está descrita na Tabela_2. Sessenta e quatro
profissionais de saúde tiveram pelo menos um paciente que se suicidou, sendo
que 44 são psiquiatras, 36 são médicos de medicina geral e familiar e 20 são
psicólogos. Em média decorreram 4 anos desde o último suicídio do paciente e o
preenchimento do questionário (M=4,1 anos, DP=4,9), sendo que para alguns
profissionais decorreram meses e para outros 30 anos. Ter passado pela
experiência do suicídio de um paciente relacionou-se significativamente com o
género do profissional de saúde (X2 (correção de Yates)=17,65, df=1, p=0,000):
a proporção de homens com esta experiência (46,5) é significativamente superior
à das mulheres (18,9). Não se encontram, porém, diferenças significativas no
número de suicídios de pacientes entre clínicos masculinos e femininos. Também
foram encontradas diferenças significativas de acordo com o grupo profissional
dos participantes (X2=40,99, df=2, p=0,000). As proporções de psicólogos,
psiquiatras e médicos de medicina geral que tiveram, pelo menos, um paciente
que se suicidou são significativamente diferentes: 11, 55 e 38, respetivamente.
E foram também encontradas diferenças significativas no n.° de suicídios entre
grupos (F (2, 60)=3,34, p=0,042). As diferenças encontradas nas médias de
suicídios são de magnitude moderada (Eta squared=0,10). O teste post-hoc de
Tukey revelou que a média de suicídios de pacientes entre os psiquiatras
(M=2,86, DP=2,19) é significativamente superior à média de suicídios de
pacientes entre os psicólogos (M=1,25, DP=0,87). A média de suicídios de
pacientes dos médicos de medicina geral (M=2,09, DP=1,76) não difere
significativamente dos restantes profissionais.
Características do paciente e suicídio com maior impacto
Os 64 profissionais que tiveram pelo menos um paciente suicida foram convidados
a fornecer informações mais detalhadas sobre o suicídio que lhes tinha
provocado maior impacto (Tabela_3).
Mais de metade dos pacientes que se suicidaram eram do sexo masculino (67) e
tinham idades compreendidas entre os 13-74 anos (M=38,5, DP=16,2). Em média,
estes suicídios aconteceram há 7 anos. Para alguns profissionais decorreram
meses desde o suicídio com maior impacto até ao preenchimento do questionário e
para outros 40 anos. O método para cometer suicídio mais utilizado foi o
enforcamento (32), seguido da arma de fogo e precipitação (19). Sessenta e nove
por cento dos profissionais referem que o suicida tinha um diagnóstico
psiquiátrico identificado, destacando-se a depressão como o mais comum (55),
seguido da esquizofrenia e perturbação bipolar (14). Em 33 dos casos os
profissionais de saúde descrevem a existência de tentativas de suicídio
anteriores ao ato fatal.
Suicídio de um paciente: a experiência dos profissionais de saúde
Forma como os profissionais tiveram conhecimento do suicídio do seu paciente
Sessenta e oito por cento dos profissionais de saúde ficaram a saber do
suicídio através dos familiares do paciente que comunicaram diretamente ao
profissional ou fizeram chegar a informação à instituição onde este exercia
funções. Em 19 dos casos a notícia foi dada por outros profissionais, como por
exemplo, a assistente social ou elementos da equipa de enfermagem. Onze por
cento dos profissionais de saúde tiveram conhecimento do suicídio através de
outras pessoas que conheciam o suicida (que não familiares), como vizinhos ou
outros pacientes amigos. Em 5 dos casos, a notícia chegou através de
notificação formal da polícia ou do tribunal. Em 3 dos casos, o profissional de
saúde foi chamados ao local do suicídio, sendo confrontado diretamente com o
acontecimento, e a mesma percentagem (3) soube da notícia através de meios de
comunicação social.
Perceção da possibilidade de prever e prevenir o suicídio
Mais de metade dos profissionais de saúde (53) percecionou o suicídio do seu
paciente como sendo nada ou pouco previsível e 35 consideraram que não teria
sido possível preveni-lo (Tabela_4).
Sentimentos perante o suicídio do paciente
Sessenta profissionais de saúde relataram o que sentiram após o suicídio do
paciente. Os sentimentos descritos foram codificados em oito categorias
descritas na Tabela_5. O sentimento mais relatado pelos profissionais de saúde
foi o sofrimento emocional ou dor psicológica, referido por quase metade dos
profissionais (47), incluindo tristeza, desespero, desgosto, sentimento de
perda, dor e angústia, entre outros. A seguir, a categoria mais referida (35) é
composta por preocupações, insegurança, dúvidas e medos, quer relativos ao
futuro e a novos pacientes - "receio que voltasse a acontecer com outro
doente" - quer em relação à intervenção realizada com o paciente
falecido: "Questionei-me se teria feito tudo o que estava ao meu alcance
para evitar esta situação". Vinte e oito por cento referiram a frustração
ou outras emoções negativas, como zanga ou desilusão, dirigidas à situação,
paciente ou familiares, e incluindo a culpabilização destes pelo suicídio.
Vinte e três por cento dos profissionais de saúde sentiram-se chocados ou
ficaram perplexos perante a situação. Vinte e dois por cento dos respondentes
sentiram que falharam no reconhecimento dos sinais de risco ou que fracassaram
na intervenção e 18 sentiram culpa e responsabilidade pelo suicídio.
Sentimentos de impotência são descritos por 17 dos profissionais. E,
finalmente, 7 revelaram aceitação ou resignação, sentindo o suicídio como um
resultado possível, inevitável ou uma solução aceitável para uma dor
insuportável e prolongada no tempo: "Aceitei: para a utente foi o
culminar de um sofrimento de cerca de 40 anos".
Em relação à duração dos sentimentos descritos, 15 dos profissionais relataram
que estes persistiram para além dos 6 meses após o suicídio do paciente,
enquanto para mais de metade (57) estes sentimentos duraram menos de um mês.
Não se encontraram diferenças significativas entre os sentimentos relatados e o
género, a idade, os anos de prática ou o grupo profissional dos participantes.
Mudanças na prática e outras reações
Além da descrição dos sentimentos, 40 participantes descreveram outras reações
relacionadas com o suicídio do paciente e que, correspondem, principalmente, a
mudanças na prática clínica. Estas são apresentadas na Tabela_6.
Oitenta por cento dos profissionais relataram que, depois de passarem pela
experiência do suicídio de um paciente, tornaram-se mais atentos aos sinais de
risco de suicídio e alteraram práticas de intervenção: "Passei a dar mais
atenção à fase de melhoria sintomatológica e a valorizar seriamente todas as
tentativas de suicídio"; "maior número de cuidados junto da
família" e "maior número de internamentos nas primeiras 2 semanas
após o início do tratamento". Paralelamente, 28 referiram uma maior
insegurança e ansiedade na intervenção com potenciais suicidas e familiares,
incluindo insegurança relativa às capacidades profissionais: "Que não
percebia nada de psiquiatria", "questionei a minha capacidade para
ser psicóloga" ou "receio de não ter capacidade profissional para
enfrentar a situação", são alguns exemplos. A seguir a reação mais comum
(18) foi a de rever procedimentos ou refletir acerca da intervenção,
nomeadamente em equipa. Treze por cento procurou formação ou informação
especializada ou dedicou-se à investigação na área. Por último, 5 dos
profissionais de saúde referiu que passaram a envolver mais a família nestes
casos.
Quatro profissionais de saúde (7) referiram implicações e mudanças na vida
pessoal motivadas pelo suicídio do seu paciente. Uma maior capacidade de
aceitação da vida em geral, vontade abandonar a psiquiatria (ainda que
temporária), o ter que ir a tribunal por causa do caso e a opção pela saúde
escolar, foram as implicações descritas.
Recursos de apoio e perceção da sua utilidade
Perante uma lista de possíveis apoios, relativos à experiência do suicídio do
paciente, 62 profissionais de saúde (97) indicaram quais os recursos usados e
em que medida os mesmos foram úteis para lidar com a situação (Tabela_7). O
recurso mais usado pelos profissionais foi o apoio dos colegas (63), seguido do
contacto com a família do paciente (58), da revisão do caso em equipa (44) e do
apoio da família do próprio profissional (42). Relativamente à utilidade destes
apoios, os profissionais de saúde tendem a avaliar a supervisão como o recurso
mais útil, seguindo-se a revisão do caso com a equipa e o apoio dos colegas. As
medidas globais de uso de apoio (baixo ou muito baixo 68, moderado 25 e alto ou
muito alto 7) e a medida global da avaliação da utilidade de recursos usados
indicam-nos que, na generalidade, os profissionais de saúde tendem a recorrer
pouco aos apoios apresentados, mas quando o fazem tendem a avaliá-los como
úteis. A contrariar esta tendência, surgem a família e os amigos do
profissional de saúde, cujas pontuações de utilidade são as mais baixas. Não se
encontraram diferenças significativas de género na medida global de recurso a
apoio, nem no score de utilidade. Da mesma forma não se encontraram diferenças
nestas medidas entre os psicólogos e os médicos.
A grande maioria dos profissionais (98,4) referiram que não existe qualquer
sistema formal de apoio na instituição onde trabalham, previsto para apoiar os
profissionais que passam pela experiência de um paciente se suicidar.
Sugestões e outros comentários adicionais
Setenta por cento dos profissionais de saúde que passaram pelo suicídio de um
paciente responderam ao desafio de aconselhar colegas inexperientes sobre a
melhor forma de como lidar com este acontecimento. A sugestão mais frequente
foi a de partilhar com colegas, incluindo colegas experientes e colegas de
confiança (47). Seguiram-se conselhos de rigor na intervenção, nomeadamente na
identificação do risco e na atuação vigilante e imediata, e onde se inclui o
internamento e o encaminhamento para profissionais especializados (29).
Proceder à revisão do caso (27) e procurar supervisão (20) foram também
aconselhados. Aceitar que o suicídio de um paciente faz parte da profissão e
evitar sentimentos de culpa foi referido por 13 dos profissionais. A mesma
percentagem aconselha a que se articule com a família enlutada, incluindo a
prestação de apoio, enquanto 11 salientam a importância de se manter nestes
casos um distanciamento emocional do caso e da família, sendo que um dos
profissionais desaconselha a participação nas cerimónias fúnebres. Por fim, 9
dos respondentes sugerem apoio interdisciplinar para o acompanhamento destes
casos e que os profissionais perante o suicídio de um paciente recorram a
psicoterapia.
Alguns profissionais (23) acrescentaram um comentário adicional relativo à
vivência do suicídio do paciente. Estas observações foram no sentido de
reforçar este acontecimento como uma experiência provável e perturbadora -
"é uma morte que se carrega, é incomensurável" - apesar do
reconhecimento do suicídio como uma possibilidade, um risco inevitável e a
impossibilidade de prevenir todos os suicídios: "O suicídio de um
paciente psiquiátrico é um mau outcome, mas provável em técnicos que lidem com
pessoas em risco de suicídio". Nestas observações é também referida a
necessidade de formação específica na área da suicidologia, especificamente por
parte dos médicos de medicina geral e familiar: "é sempre uma experiência
perturbante com que lido com alguma dificuldade. Os médicos de família
necessitam de mais formação em saúde mental".
Discussão
Este estudo, realizado com psicólogos, psiquiatras e médicos de medicina geral
e familiar, acrescenta novos dados à suicidologia, particularmente ao estudo do
impacto do suicídio de um paciente em profissionais de saúde, área, até à data,
inexplorada em Portugal.
Os dados empíricos deste estudo revelam que 27 dos profissionais de saúde
experienciaram o suicídio de, pelo menos, um paciente. Esta frequência, entre
os estudos que usaram amostras multidisciplinares, tem uma variação muito
ampla: entre 195-706. Porém, diferenças na metodologia, nas taxas de resposta e
na composição das amostras, em termos de grupos profissionais, limitam o valor
destas comparações. Os dois estudos referenciados incluíram, para além de
médicos e psicólogos, técnicos de serviço social, educadores sociais e
enfermeiros como participantes, sendo este último o grupo com maior
representatividade. Relativamente aos processos de amostragem, tal como no
estudo português, foram identificados locais de trabalho, onde potencialmente
os profissionais teriam pacientes que se tinham suicidado. Porém, no estudo com
taxa mais elevada este processo incluiu uma pré-triagem destes locais, através
de um questionário prévio às instituições, no sentido de identificar em quais
tinha acontecido o suicídio de utentes nos últimos 5 anos. Apenas nas que
responderam afirmativamente, os profissionais foram convidados a participar6.
Ou seja, apesar de se tratarem de proporções de profissionais com pacientes que
se suicidaram, a população da qual se extraíram os casos prevalentes é
distinta, condicionando a comparabilidade. Num outro estudo, realizado com
psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, outros técnicos de saúde mental e
técnicos de serviço social a taxa de suicídio de paciente encontrada foi de 21,
mas esta prevalência apresentada refere-se ao período de estágio ou internato
destes profissionais4.
De acordo com o esperado, e com o descrito na literatura internacional9,28,
neste estudo encontraram-se diferenças significativas na frequência de suicídio
de pacientes entre os três grupos profissionais, sendo que, para os psiquiatras
este é um risco acrescido. Neste estudo, 55 dos psiquiatras tiveram pelo menos
um paciente que se suicidou, reforçando a evidência que esta é uma experiência
comum para estes profissionais. Esta frequência é comparável às taxas obtidas
em estudos realizados com psiquiatras no Canadá (50)13 e nos EUA (51)10 e
inferior às taxas obtidas em estudos com psiquiatras escoceses (68)8,
irlandeses (80-82)41,42 e belgas (92)43.
A percentagem de psicólogos portugueses que tiveram um paciente que se suicidou
foi de 11. Comparando com pesquisas norte-americanas, efetuadas com este grupo
profissional, verifica-se que a taxa portuguesa é inferior à encontrada numa
amostra de psicólogos (22)9, mas igual à obtida numa amostra de psicólogos
estagiários (11)12.
Num estudo irlandês os autores encontraram uma frequência de 86 de médicos de
medicina geral com pacientes que se tinham suicidado21, taxa consideravelmente
mais elevada que a obtida no nosso estudo (38). No entanto, os dados empíricos
disponíveis acerca da frequência do suicídio de pacientes dos médicos de
medicina geral são muito escassos. Apesar desta lacuna, os estudos que procuram
determinar as taxas de contacto dos suicidas com cuidados de saúde primários
fornecem indicadores indiretos de que esta frequência será elevada: em média,
cerca de metade dos suicidas contactam com médicos de medicina geral durante o
ano antecedente à morte15,16,17,18 e cerca de 20 estabelecem este contacto dias
antes da morte18. Em pacientes idosos estes números são ainda mais
impressionantes: 73 visita o seu médico de família no mês antecedente ao
suicídio43. Estes dados foram calculados a partir da revisão de estudos que
disponibilizam dados do contacto com os cuidados de saúde de suicidas antes do
ato fatal (incluindo autopsias psicológicas e análise de registos)16,18, ou na
própria revisão de registos médicos e médico-legais17,44.
Para além de diferenças entre os grupos profissionais, constatou-se que era
mais provável um profissional de saúde masculino ter passado pela experiência
do suicídio de um paciente que uma profissional de saúde feminina. Os dados
disponíveis relativos a estas diferenças de género não são consensuais. Há
estudos que encontraram, tal como neste, diferenças nas proporções entre os que
tiveram e os que não tiveram pacientes suicidas45, enquanto noutros estudos
estas diferenças não foram significativas9,12. Outros dados mostram que, dentro
dos que passaram pela experiência, os homens tiveram mais suicídios de
pacientes que as mulheres43.
Este estudo mostra que o suicídio de um paciente tem um impacto emocional e
profissional considerável nos médicos e psicólogos portugueses - "é uma
experiência que não nos abandona enquanto formos terapeutas, fica cá
dentro" causando sofrimento emocional e outros sentimentos negativos,
tais como, medo, frustração, choque, sentimento de fracasso, culpa, entre
outros, e levando a mudanças na prática clínica. Estes resultados estão de
acordo com o encontrado em pesquisas internacionais.
Os resultados deste estudo permitem sintetizar o impacto do suicídio de um
paciente em efeitos positivos e negativos para prática clínica, à semelhança do
apresentado numa investigação com internos de psiquiatria46. Os efeitos
positivos, referidos por uma percentagem elevada dos participantes,
correspondem à experiência de aprendizagem que este acontecimento proporcionou,
traduzindo-se numa maior atenção e rigor na avaliação do risco e na intervenção
com eventuais suicidas. Incluíram ainda, ações realizadas com o intuito de
melhorar a prática, tais como revisão de procedimentos e o investimento em
formação especializada. Os efeitos negativos ou potencialmente prejudiciais
para a prática clínica foram referidos por 28 dos profissionais de saúde e
incluíram maior insegurança, incerteza e ansiedade ao lidar com pacientes e
famílias e um enfraquecimento da confiança nas próprias capacidades
profissionais. Litman24 reforça que níveis de ansiedade excessivos perante a
possibilidade de comportamentos suicidas podem comprometer a eficácia dos
terapeutas nestes casos. O suicídio de um paciente, considerado como um dos
acontecimentos mais perturbadores da prática clínica1,2,3, pode também
constituir-se como uma oportunidade de aprendizagem profissional.
Os sentimentos e reações descritos pelos profissionais de saúde deste estudo
indicam a vivência de um processo de luto - "sentimento de perda,
tristeza profunda, desgosto, dor" -. Simultaneamente, os resultados são
também reveladores da existência de reequacionamento de questões profissionais,
incluindo o confronto com limitações - "fiz tudo o que podia para
evitar?" - e responsabilidades - "reforcei o meu sentimento de
responsabilidade". Inclui ainda a adaptação de estratégias profissionais.
De acordo com Litman24, após o suicídio de um paciente coexistem dois tipos de
reação: uma reação pessoal relacionada com um processo de luto normal e uma
reação relacionada com a função profissional específica.
Neste estudo 22 dos profissionais de saúde relataram sentimentos de fracasso e
18 de culpa perante o suicídio do seu paciente. Embora o tema da adaptação e
coping pós-suicídio seja gerador de alguma discórdia na literatura, parece que
poucos acontecimentos da prática clínica serão causadores de um sentimento de
fracasso e culpa tão intensos como o suicídio de um paciente47. Perante outro
tipo de mortes, nomeadamente decorrentes de doença grave não psiquiátrica, mais
facilmente se considera a ocorrência como inevitável. Ao contrário, o suicídio
é tendencialmente perspetivado como evitável e possível prevenir, gerando nos
profissionais o sentimento de que poderiam ter feito melhor, deveriam ter
estado mais atentos aos sinais ou que deviam ter sido mais rigorosos e
vigilantes quanto a questões de internamento ou follow-up. Neste estudo, apenas
7 descreveu sentir o suicídio do seu paciente como um resultado inevitável ou
uma solução aceitável (face a uma dor insuportável e prolongada no tempo).
Simultaneamente, 53 retrospetivaram o suicídio do seu paciente como nada ou
pouco previsível e 35 consideraram que não teria sido possível preveni-lo.
Estes dados parecem refletir a dificuldade que é para os profissionais
equilibrarem atitudes perante o suicídio de um paciente. Ou seja, considerarem
o suicídio como inevitável e imprevisível pode protegê-los da culpa e evitar
uma cultura de responsabilidade excessiva. Ao mesmo tempo, esta atitude poderá
promover descrença nos efeitos da intervenção clínica8, agravada pelo fraco
poder preditivo dos fatores de risco do suicídio48,49 e pelo facto das
estratégias de prevenção eficazes com base na evidência científica serem muito
reduzidas50,51.
Com este estudo ficamos também a saber que, em caso de suicídio de um paciente,
não existem sistemas de apoio específicos nos diferentes locais de trabalho e
que, para além disso, os profissionais de saúde tendem a não pedir ajuda nestas
circunstâncias. Porém, quando recorrem a algum tipo de suporte avaliam-no,
geralmente, como útil. Uma primeira possível explicação para os profissionais
recorrerem pouco a ajuda é a da experiência não carecer de suporte específico.
Mas os dados deste estudo contariam esta explicação: os recursos avaliados como
menos úteis são, exatamente, os suportes não especializados ou específicos da
situação - amigos e família do próprio profissional. Assim, outra hipótese de
explicação prende-se com o estigma social e profissional a que se mantém ligado
este acontecimento. O suicídio de um paciente é visto como um resultado
profissional errado e associado a uma falha do clínico (como já discutido).
Esta atitude pode contribuir para uma resistência na procura de ajuda e criar
barreiras à adoção de ações adequadas pós-suicídio. Designadas na literatura
internacional por medidas de postvention, estas ações incluem providenciar
apoio à família do suicida, a outros elementos da equipa que tenham acompanhado
o paciente (como por exemplo enfermeiros) e a outros pacientes (particularmente
em meio hospitalar), assim como de garantir suporte ao próprio
clínico25,32,47,52,53,54,55,56,57.
De acordo com o encontrado em pesquisas empíricas anteriores3,5,13,43,58,59, o
apoio dos colegas foi o recurso pós-suicídio mais utilizado pelos profissionais
de saúde e avaliado como um dos mais úteis. O recurso avaliado com maior
utilidade, o supervisor, foi usado por poucos profissionais, refletindo,
provavelmente, a dificuldade em aceder à supervisão, quer pelo tipo de (in)
disponibilidade deste recurso em meios institucionais, quer pelo facto de
implicar em muitos casos, gastos económicos consideráveis. Apesar da escassez
de dados empíricos específicos, a literatura defende que a supervisão pode ter
um papel importante para o profissional de saúde em casos de suicídio de um
paciente12,13,33,52,53,60,61.
O contacto com a família do suicida, tendo uma dupla função, de apoio aos
familiares e de integração da experiência por parte do profissional, e a
revisão do caso em equipa, ambos claramente aconselhados na literatura como
práticas a seguir pós-suicídio, foram validados pelos resultados deste estudo.
Apenas 10 dos profissionais foram ao funeral do seu paciente, percentagem
inferior à encontrada em amostras de psiquiatras belgas (17)59 (26)43 e
escoceses (15)8 e psicólogos norte-americanos (18)12. Na literatura é referido
que, na generalidade, os profissionais de saúde não vão às cerimónias fúnebres,
mas aqueles que o fazem consideram-no útil, quer para si quer para a família
enlutada12,62,63. Neste estudo, metade dos profissionais que foram ao funeral
consideraram-no útil.
Para além da revisão de caso, da partilha com os colegas, da supervisão, do
contacto com a família e da presença no funeral ou envio de cartão de
condolências, a literatura aconselha também a formação especializada como
recurso adequado para lidar com este acontecimento13,56,59,64. Nesta
investigação, apenas 18 têm formação especializada e mais de metade considera a
sua preparação insuficiente para acompanhar pacientes suicidas. A necessidade
de formação, para melhorar competências na intervenção com comportamentos
suicidários, é reconhecida pela maioria dos participantes. Será assim essencial
que a formação em suicidologia se generalize a mais profissionais de saúde.
Esta formação, para além dos conteúdos tradicionalmente abordados (avaliação do
risco, gestão da crise, epidemiologia, fatores de risco), deverá incluir
procedimentos de postvention, assim como componentes formativas em que se
antecipe o suicídio de um paciente como um risco provável, e se reflita acerca
de questões de responsabilidade3,64.
A formação suicidológica recebida nas diferentes formações académicas é
escassa. Um estudo recente com profissionais de saúde portugueses revela que as
dificuldades no acompanhamento de indivíduos suicidas podem situar-se em 4
níveis diferentes: nível técnico (p. ex. avaliação do risco), nível emocional
(p. ex. medo que o indivíduo se suicide), nível relacional e comunicacional (p.
ex. como dialogar com o paciente acerca da morte) e ao nível da abordagem da
família.1 As limitações da formação com consequências ao nível das competências
de avaliação e gestão de pacientes suicidas por parte dos profissionais de
saúde não é exclusiva do nosso pais65,66,67. Acresce que tem vindo a ser
demonstrado que uma das estratégias eficazes de prevenção do suicídio com base
na evidência é a formação dos profissionais de saúde, com destaque para os
médicos de família49,50. Juntam-se ainda dados que revelam que dada a
complexidade da intervenção com pacientes suicidas é necessário formação
contínua, específica e baseada na experiência68.
Neste estudo, não se encontraram diferenças significativas entre géneros na
experiência do suicídio de um paciente, ou seja, apesar de ser mais provável
para um profissional de saúde homem ter tido um paciente que se suicidou,
quando passam pela situação, homens e mulheres parecem ter vivenciado este
acontecimento de forma semelhante. Também não foram encontradas diferenças
entre géneros ao nível da utilização dos recursos de apoio pós-suicídio. Estes
resultados contrastam com estudos anteriores5,6,14,29,31,42.
Em relação ao grupo profissional a literatura não é consensual nem linear.
Existem estudos que, tal como este, não encontraram diferenças entre grupos
profissionais31. Outros obtiveram níveis de impacto emocional negativo
significativamente mais elevado nos psiquiatras que nos psicólogos29. Outros
ainda, não encontram diferenças na intensidade das respostas, mas identificaram
efeitos significativos nas mudanças das práticas profissionais entre alguns
grupos específicos6.
Este estudo apresenta algumas limitações metodológicas. Em primeiro lugar, a
representatividade não pode ser garantida através do processo de amostragem
utilizado (focalizada cruzado com bola de neve). Porém, foram usados
procedimentos metodológicos adicionais que fazem com que um viés sistemático
seja improvável. Em segundo lugar, o facto de se seguir um desenho que assegura
o anonimato, torna impossível verificar que percentagem, dos que não
responderam, teve ou não pacientes que se suicidaram, condicionando o valor da
taxa de profissionais com suicídio de pacientes. Terceiro, e porque o objetivo
do estudo era descrever os sentimentos e reações perante o suicídio de paciente
considerado pelos profissionais de saúde com maior impacto, o estudo poderá não
ser representativo de todos os suicídios com que os profissionais lidaram. De
referir ainda a impossibilidade, do cálculo da taxa de resposta ao estudo dado
o desenho metodológico.
A investigação futura deverá explorar relações entre atitudes perante o
suicídio e impacto do suicídio de um paciente, aprofundar o estudo dos efeitos
das variáveis socioprofissionais, incluindo variáveis de formação, e ainda
estudar dificuldades específicas dos profissionais perante comportamentos
suicidários. Aconselha-se ainda o uso de entrevistas de profundidade no sentido
de apurar fatores chave para o processo de adaptação e aprendizagem após o
suicídio de um paciente.
Como referiram os profissionais de saúde, o suicídio de um paciente apesar de
ser "um risco inevitável para quem trabalha com certo tipo de população,
é uma experiência muito difícil de viver". Assim, caberá à investigação
produzir mais conhecimento sobre o impacto deste acontecimento, os processos de
adaptação por parte dos profissionais e os fatores que medeiam o mesmo, no
sentido de promover que esta experiência difícil seja uma oportunidade de
crescimento pessoal e profissional e potencie intervenções futuras de qualidade
com pacientes em risco.