Inovação e ciências sociais: em busca de novos referenciais
Introdução
Inovação é uma daquelas palavras carentes de definição precisa e que são
defendidas por grupos sociais os mais diversos. De forma semelhante a outros
conceitos como globalização e desenvolvimento sustentável, é um termo
extremamente polissêmico e consensual, tido por muitos como a tábua de salvação
para todos os problemas que envolvem tecnologia e crescimento econômico.
Nos países avançados, a temática da inovação adentrou na agenda de diferentes
setores, e desde os anos de 1980 os países da Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) vêm alterando o padrão de apoio à indústria,
incorporando medidas de inovação que integram a política de comércio
internacional com a industrial e tecnológica. Em vez de subvencionarem empresas
por meio de contratos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) específicos e
pontuais, os governos desses países passaram a criar condições para que a
atividade produtiva se organizasse de forma sistêmica e integrativa (Cassiolato
e Lastres, 2000).
No Brasil assistiu-se a partir de meados dos anos de 1990 a um investimento
crescente em políticas de inovação. A criação dos fundos setoriais para
financiamento de pesquisas, a formulação da Lei de Inovação e o crescimento na
importância das Incubadoras de Empresas apontam para a tendência de se integrar
experiências e práticas de inovação tecnológica (Lemos, 2000).
Regras de propriedade intelectual, formação de redes de pesquisa e sinergias
entre setores público e privado na área tecnológica são questões que têm
ocupado a atenção dos formuladores de políticas. Apesar de ainda ser prematuro
avaliar os impactos dessas políticas na sociedade brasileira, elas demonstram
que a temática da inovação penetrou na agenda pública do país (Trigueiro,
2002).
A trajetória dessa discussão é extremamente fecunda sob diversos aspectos. Tem
possibilitado uma reflexão sobre mudanças nos comportamentos corporativos; a
articulação de setores públicos de pesquisa com a iniciativa privada; a
formulação de redes de pesquisa e desenvolvimento; e outras contribuições nas
áreas de contato entre empresas, centros de pesquisa, universidades e setor
público (Lemos, 2000).
Mas se observa que a área de ciências sociais não está inserida tão fortemente
nessa agenda de pesquisa, em comparação com a economia e as ciências
organizacionais. Desde seus fundadores, os cientistas sociais muitas vezes se
ocuparam da problemática tecnológica, discutindo seus impactos nas relações
sociais e nas formas de exploração do trabalho, mas freqüentemente se
esquivando de debater o fenômeno técnico em si mesmo e a questão da inovação
(Feenberg, 1991).
Mais recentemente, os teóricos do risco social apontaram a crise das certezas
do mundo contemporâneo, em que a contingência e a instabilidade das práticas
tecnológicas repercutem diretamente na sociabilidade. O princípio de precaução
e a desconfiança no desenvolvimento tecnológico passaram a ter grande presença
no pensamento social contemporâneo (Brueseke, 2002).
O tema da inovação tem se mantido estreitamente ligado a preocupações de ordem
econômica, como competitividade e pressões da demanda e investimento. Alguns
autores chamam a atenção para o desafio premente de incluir variáveis
socioculturais nas avaliações e nos estudos sobre a implementação da inovação
em contextos locais e nacionais. Os conceitos de contexto tecnológico e de
ambientes de inovação representam novas possibilidades de incorporar teórica e
empiricamente práticas de inovação em uma dimensão sociológica (Flichy, 1995;
Maciel, 1997).
O propósito deste artigo consiste em realizar uma discussão exploratória acerca
das articulações possíveis entre as ciências sociais e a problemática da
inovação, de maneira a apontar o potencial dessa área do conhecimento para
tratar esse tema. Em um primeiro momento, será feito um breve balanço das
tendências preponderantes da análise sobre inovação.
Posteriormente serão discutidas as contribuições de sociólogos como Bruno
Latour, Maria Lúcia Maciel e Manuel Castells, que trabalham com conceitos que
permitem adicionar questões à agenda schumpeteriana sobre o tema da inovação.
As noções de ambientes de inovação, contextos e tradução têm o potencial de
inserir novas variáveis nesse debate.
Em seguida, será discutida a problemática da indeterminação do processo
inovativo, tema que mobiliza diversos autores na área de ciências sociais e
reforça os principais argumentos deste artigo.
O conceito de inovação tecnológica
Sem pretender esgotar o tema, já tratado por diversos autores, o intuito desta
seção consiste em contextualizar a emergência e a consolidação do conceito de
inovação no quadro teórico mais recente.
A disciplina econômica foi a que sem dúvida deu o maior impulso à construção da
agenda da inovação. As elaborações de Joseph Schumpeter no início do século XX
tiveram um impacto considerável no debate sobre transformações tecnológicas e
desenvolvimento econômico.
Segundo ele, os investimentos nas novas combinações de produtos e processos
produtivos de uma empresa repercutem diretamente em seu desempenho financeiro,
de modo que o moderno empresário capitalista deve ocupar ao mesmo tempo um
papel de liderança econômica e tecnológica. O comportamento empreendedor, com a
introdução e a ampliação de inovações tecnológicas e organizacionais nas
empresas, constitui um fator essencial para as transformações na esfera
econômica e seu desenvolvimento no longo prazo (Schumpeter, 1982).
Na esteira das elaborações de Schumpeter, há algumas décadas o termo inovação
foi cunhado no âmbito da OCDE com vistas a promover uma interação mais efetiva
entre o setor produtivo e as áreas de pesquisa e conhecimento. Isso ocorreu no
momento em que a abertura de mercados e o aumento da competitividade
internacional incitaram empresas e governos a estabelecerem sinergias
envolvendo pesquisa tecnológica e política industrial, para a manutenção das
taxas de crescimento econômico.
O economista Christopher Freeman, considerado um autor neo-schumpeteriano, foi
o responsável pelo estabelecimento do conceito em sua versão atual. Desde os
anos de 1960, essa discussão surge e se desenvolve com um claro perfil
corporativo, sendo vista como condição para que empresas e governos tenham um
bom desempenho na economia internacional em face das oscilações de mercado e de
ameaças da concorrência (ver Freeman, 1982; 1992).
Diferentes perspectivas de análise foram construídas para lidar com a questão
da inovação. Uma das primeiras vertentes da pesquisa sobre inovação foi a
teoria da "hélice tripla", que se propunha a entender os processos inovadores a
partir da conjugação de três segmentos: empresas, universidades e o Estado. O
encontro entre pesquisadores, formuladores de políticas e empresários
garantiria o desenvolvimento de empreendimentos cruzados de atividade
científica e tecnológica.
O grande problema enfrentado pelas análises baseadas na perspectiva tradicional
da hélice tripla é que elas atendiam geralmente em inovações pontuais e
específicas. Dava-se, dessa forma, uma grande ênfase aos produtos gerados pela
atividade tecnológica, pelos setores produtivos (clusters), e sua capacidade de
entrada no mercado, independentemente dos formatos institucionais subjacentes a
cada processo de inovação e dos impactos sociais decorrentes.
De grande destaque nas últimas décadas, essa perspectiva de análise levou à
formulação de diversos modelos de inovação e projeções macroeconômicas. O
cruzamento de informações sobre patenteamento de produtos e investimentos
públicos e privados na área tecnológica, por exemplo, permitiu a elaboração de
fórmulas e modelos para se avaliar os efeitos do mercado sobre as práticas de
inovação, a célebre problemática da indução pela demanda (Flichy, 1995).
Um recorte essencialmente quantitativo e linear, assentado no cruzamento de
dados sobre aquisição de patentes e investimentos em pesquisa básica e
avançada, deu o tom das investigações sobre o processo de inovação na atividade
industrial. A ligação estreita e mecânica entre avanço tecnológico e
comportamento econômico dominou os estudos sobre inovação durante décadas,
conforme observado por diversos autores (Maciel, 2001).
Segundo Flichy (1995), um sério problema metodológico persegue essas teorias
que procuraram estabelecer as relações entre pressão da demanda, oferta
tecnológica e inovação. Elas propiciaram modelos e cruzaram determinadas
variáveis, mas não lograram explicar como os processos inovativos aparecem e se
desenvolvem.
Por um lado, essas análises estabeleceram categorias importantes para se
entender o fenômeno da inovação, mas, por outro, mantiveram esquemas lineares e
deterministas de explicação. As relações exógenas entre ciência e tecnologia e
os modelos mecânicos de interferência da demanda sobre a atividade tecnológica
mostraram-se insuficientes para esclarecer por que determinadas inovações
tiveram êxito e outras não. Além disso, tais análises não permitem perceber que
a inovação possui um ritmo técnico próprio que não se submete totalmente às
modificações do mercado e que esse último também é condicionado por mudanças
nas práticas tecnológicas (Nicolas e Mytelka, 1994; Maciel, 2001).
A partir dos anos de 1980, os economistas passaram a mudar o enfoque de
análise. Os produtos específicos a serem desenvolvidos e os efeitos da oferta
de recursos e da demanda de trabalho na indução à inovação deixaram de
representar o centro das atenções da prática inovativa. Com a globalização da
economia e a flexibilização dos formatos organizacionais envolvendo empresas,
agências estatais e centros de pesquisa, a formação e o desenvolvimento de
redes passaram a ser um tema central das pesquisas sobre inovação (Freeman,
1992).
Nesse contexto, em que a estrutura organizacional assentada nos fluxos de
informação passa a ser mais essencial que os próprios produtos desenvolvidos a
partir das atividades tecnológicas, estabelece-se um novo conceito, o de
sistemas nacionais de inovação (Cassiolato e Lastres, 2000).
Esse conceito, que adquiriu grande primazia durante os anos de 1990, advoga que
as interações entre os agentes econômicos, as instituições de pesquisa e os
organismos governamentais estipulam ações recíprocas que geram a capacidade de
desenvolvimento de condições de inovação. Nesse sentido, políticas locais e
setorizadas passaram a ser imprescindíveis para a compreensão do potencial
inovativo de uma nação e região, independentemente da atividade específica de
cada setor e das oscilações da demanda.
A construção de novos formatos organizacionais e a ênfase em atividades de
parceria, prestação de serviços, intercâmbios e convênios envolvendo empresas,
governos, universidades, incubadoras e centros de pesquisa em regras múltiplas
e variáveis passaram a constituir a precondição para qualquer inovação.
A crítica aos padrões lineares e simplistas de inovação, que enfocavam as
relações estritas entre mercado e indústria, permitiu a construção não só de um
programa de pesquisa centrado na difusão de informações e conhecimento, mas
também de novas variáveis de análise. A partir desse momento, algumas análises
econômicas começaram a manifestar a necessidade de ampliação da agenda de
pesquisa centrada em inovação tecnológica.
O trabalho de Nicolas e Mytelka (1994) é um exemplo de análise econômica que
discute essas abordagens convencionais, procurando inserir outras variáveis na
pesquisa sobre inovação. Segundo os autores, os economistas neo-schumpeterianos
[...] abstraem o fato de que a tecnologia seja uma construção social,
determinada não somente pela acumulação de conhecimentos, mas também
pelas forças sociais, necessidades econômicas, decisões políticas e
pelas pressões públicas que influenciam a direção da mudança
tecnológica [...]. Adotar uma definição estreita da noção de
progresso tecnológico e torná-lo o motor de toda uma cadeia de
acontecimentos faz com que um processo dinâmico pareça estático e
linear [...] (1994, p. 7).
Se a princípio essa problemática tinha um foco estritamente econômico,
produtivo, atualmente ela precisa incorporar variáveis culturais, sociais e
políticas. Faz-se necessário, pois, expandir o conceito de inovação de forma a
incluir as condições coletivas para a qualificação de profissionais, a inclusão
de setores marginalizados, a revitalização do espaço urbano, entre outras.
Ainda segundo esses autores, o conceito de sistemas nacionais de inovação,
formulado por economistas e administradores ao longo dos anos de 1970 e 1980,
foi importante uma vez que ampliou a organização, os formatos institucionais e
o financiamento da atividade inovadora. Mas ele não conseguiu alterar
significativamente o elenco de agentes envolvidos nas práticas da inovação -
sobretudo universidades, empresas e órgãos governamentais.
Contextos e ambientes
A partir dos anos de 1970, o pensamento sociológico começou a adentrar no
debate sobre inovação trazendo novas perspectivas de análise. Uma das grandes
críticas dos cientistas sociais à tradição schumpeteriana reside no
determinismo e na abstração dos modelos de inovação, que precisam dar lugar a
uma abordagem circunstancial e multilinear, que não aceitam como auto-
suficientes os parâmetros das escolhas racionais.
Entre os vários autores que tratam desse tema, foram escolhidos três sociólogos
para embasar a presente análise: Bruno Latour, Maria Lúcia Maciel e Manuel
Castells. Apesar das especificidades de cada um, suas contribuições são
relevantes para se estabelecer uma agenda sociológica para a tema da inovação.
A obra de Bruno Latour sem dúvida tem apresentado novos parâmetros para a
perspectiva da inovação em confronto à tradição estabelecida a partir de
Schumpeter. Fatores importantes da análise econômica, como mecanismos de
mercado e progresso técnico, passam a ter sua capacidade explicativa
questionada por abordagens que privilegiam as relações circunstanciais da
prática inovativa.
Segundo Latour, que dirige o Centro de Sociologia da Inovação na Escola de
Minas em Paris, toda inovação deve se construir a partir daquilo que ele
denomina ação estratégica dos inovadores. Nessa ação estratégica, o inovador
precisa ao mesmo tempo controlar o contexto social em que se desenrola a
prática inovadora e se adaptar a ele (Latour, 2000).
O conceito de contexto adquire importância capital em sua sociologia da
inovação. Em suas práticas, os agentes inovadores ao mesmo tempo constroem e se
submetem aos seus respectivos contextos de inovação. Toda inovação solicita um
contexto que lhe seja favorável e, caso seja impedido de manipular tal
ambiente, o agente inovador se verá incapacitado para impor novas regras de
articulação entre as tecnologias e o comportamento social. O social e o técnico
possuem uma recorrência mútua que o pensamento técnico tradicional não foi
capaz de identificar (Latour, 1992).
A externalidade entre o técnico e o social se desfaz à medida que os sistemas
ampliam sua abrangência e constroem para si mesmos seu próprios ambientes. A
implementação de dispositivos multifuncionais e de alta compatibilidade externa
e interna é uma necessidade fundamental para atender demandas complexas, e o
caminho para esse encadeamento se faz mediante a tradução de propriedades
técnicas e sociais anteriormente dispersas, como no caso do projeto do metrô
Aramis em Paris (Idem).
Em sua análise sobre a construção de Aramis e sua crise ao longo dos anos de
1980, Latour aponta que se conforma em torno dele uma troca incessante de
informações e conhecimento, que só se pode constituir a contento mediante uma
conjugação complexa de fatores diversificados. Este é um exemplo de projeto de
inovação que se propunha a promover impactos profundos sobre setores técnicos e
leigos de forma imprevisível e cambiante, representando a constituição de um
novo contexto técnico e social na confluência entre o espaço urbano, os
recursos tecnológicos, os posicionamentos jurídicos e o imaginário dos
consumidores.
Policy makers, técnicos em engenharia, urbanistas e consumidores passaram a
configurar um contexto social de argumentações em torno dessa inovação. Nesse
contexto, os setores tradicionais do paradigma schumpeteriano, como os
mecanismos de mercado e os investimentos em P&D, tornaram-se abstrações que
não dão conta de explicar as escolhas e as controvérsias inovativas.
Para entender essas controvérsias e argumentações, Latour utiliza a perspectiva
da tradução, que constitui para ele o dispositivo teórico mais fecundo para
analisar os princípios de inovação. Os agentes sociais que compartilham o mesmo
contexto de inovação dispõem de interesses e motivações diferentes, mas
traduzem uns aos outros suas disposições continuamente em uma grande cadeia.
Nesse processo de tradução ou deslocamento de interesses, as noções rígidas de
funções e sistemas não desempenham papel relevante, uma vez que a
interpenetração dos agentes no trabalho de inovação prescinde de esquemas
preestabelecidos.
A tradução efetua-se mediante a conciliação dos contrários, que misturam seus
posicionamentos e argumentações de forma anárquica e imprevisível, sem papéis e
disposições fixas (Idem).
Na esteira das formulações de Latour e dos construtivistas, alguns autores
empenharam-se ao longo dos anos de 1990 em detectar situações concretas em que
a produção de inovação adquiriu significação sociológica especial. O conceito
de ambientes de inovação, formulado inicialmente no interior da física, trouxe
importantes contribuições nesse sentido. Esse conceito representa um enfoque
diferenciado acerca das possibilidades de construção da prática da inovação,
visando a articular tecnologia, economia e vida social de uma maneira
diferenciada e aberta, distante do padrão que relaciona a inovação tecnológica
exclusivamente ao setor produtivo (Maciel, 2001).
Ele consiste de um espaço institucional e de relações de forças intangíveis que
um grupo disponibiliza para implementar práticas que sejam inovadoras. A
socióloga Maria Lúcia Maciel defende a utilização do conceito de ambientes de
inovação em estudos sociais sobre produção tecnológica, e apresenta a seguinte
definição:
[...] procura dar conta do conjunto de condições - limites,
obstáculos, possibilidades, estímulos - da inovação em uma
determinada formação social. Ambiente de inovação refere-se portanto
ao conjunto de fatores políticos, econômicos, sociais e culturais que
estimulam ou dificultam a inovação [...] (1997, p. 109).
Os ambientes de inovação são muito mais abrangentes e inclusivos em comparação
com a perspectiva dos sistemas de inovação. Nesses, elementos advindos da
herança cultural e da criatividade peculiar de um grupo social não são
reconhecidos como componentes de inovação, em contraposição ao que ocorre nos
ambientes.
Por exemplo, no estudo de Maciel (1996) sobre a Itália, o fortalecimento do
processo inovativo nos anos de 1980 dependeu fortemente do enquadramento e da
flexibilidade de seu ambiente. Nesse trabalho, a autora utiliza a noção de
ambiente e detecta um importante componente cultural e estético que explica o
grande impulso à inovação que o país atravessou, independentemente do contexto
macroeconômico regional do período.
De acordo com sua análise, a capacidade estética (design), a herança cultural
italiana e a instituição familial forneceram um ambiente extremamente fecundo
para o estímulo de uma produção diferenciada, apesar da reconhecida
ineficiência das iniciativas estatais na área de ciência e tecnologia.
Naquele país constituiu-se um ambiente de inovação especialmente propício para
arranjos institucionais e diálogos entre empresas, governos e incubadoras de
forma plural e criativa, o que em outros países não se deu na mesma
intensidade.
A autora diferencia a inovação em sentido estreito - tecnológico - e em sentido
amplo - socioeconômico, o que lhe permite asseverar que a chave para a
explicação do grande surto inovativo da Itália nesse momento se deve mais a
fatores culturais e familiares do que à atuação dos agentes produtivos. Por
exemplo, a entrada maior das mulheres no mercado de trabalho e as tendências
pós-fordistas que fortaleceram a propriedade familiar representam fontes
explicativas mais consistentes do que os gastos em P&D convencionais.
Por meio da noção de ambiente de inovação foi possível para a autora perceber o
potencial criativo advindo de aspectos tradicionais da sociedade italiana e os
rearranjos institucionais e administrativos que se construíram a partir da
omissão do Estado. Empresas, órgãos governamentais, trabalhadores,
universidades, associações familiares, partidos e institutos de pesquisa
conformaram uma grande rede, disforme e cambiante, que possibilitou a
construção de um modelo específico, fruto de arranjos interdisciplinares e
interinstitucionais propícios ao incremento das inovações tecnológicas, muitas
delas já presentes anteriormente. Sem essa conjugação de esforços e interesses,
específicos ao caso italiano em um determinado período, o desempenho econômico
do país provavelmente não teria o mesmo efeito.
Diferentemente da perspectiva de Latour, que engloba o contexto tecnológico em
torno de intervenções específicas, como o projeto Aramis, e se aprofunda nas
tramas operacionais dos dispositivos técnicos, o conceito de ambientes de
inovação representa um quadro de relações aberto no tempo e no espaço. Em suas
análises, Maciel não se deteve especificamente em um único projeto, apontando
controvérsias específicas em processos de tradução dos diferentes agentes, mas
se propôs a recortar aspectos intangíveis das relações sociais mais amplas que
repercutem no desenvolvimento tecnológico e econômico de uma determinada
configuração.
Análise semelhante à de Maciel tem sido conduzida por Manuel Castells (2003)
sobre tecnologias de informação e redes sociais. Ambos apontam para caminhos
instigantes de análise das ciências sociais sobre avanço tecnológico e arranjos
institucionais. Castells não se utiliza do conceito de redes da mesma forma que
os autores ligados à sociologia construtivista como Latour e Callon, que
consideram as redes sociotécnicas prolongamentos de entidades humanas e não-
humanas como resultados solidificados de processos de tradução (Latour, 2000;
Flichy, 1995).
Em Castells, o conceito de rede possui um significado sociológico tradicional,
como interconexão de nós diferenciados, composta por agrupamentos humanos
diversos. A chegada da era da informação, que articula a microeletrônica e o
pós-fordismo, representa para Castells o contexto social propício para a
ampliação da sociabilidade em rede do século XXI (Castells, 1999).
Segundo esse autor, no mundo contemporâneo as novas arenas informacionais e o
uso múltiplo e desregulamentado das redes tecnológicas têm possibilitado o
florescimento de organizações e entidades sociais inusitadas e cada vez mais
atuantes. A banalização do acesso às redes de computadores permite a
comunidades de baixa renda criarem e recriarem suas formas de inserção social
em formatos e circunstâncias antes inexistentes.
Na Europa, diversas cidades assistem à disseminação de entidades coletivas e
organizações montadas em torno das redes informáticas, que possuem
estruturações e regras de participação em muito diferentes das instituições
conhecidas (Castells, 2003). Em Amsterdã, o autor relata a constituição e o
declínio nos anos de 1990 de um grupo virtual da cidade cuja maioria dos
participantes viviam em outras localidades, ocasionando formas diversas de
pertencimento e identificação com o espaço urbano, a Cidade Digital.
O crescimento da cultura digital pública em Amsterdã nos anos de 1990 foi
marcado mais por mudanças culturais e novas legislações do que propriamente por
inovações tecnológicas. É verdade que a difusão da world wide web forneceu
condições técnicas imprescindíveis para o florescimento das redes comunitárias,
mas as feições destas foram mais nitidamente forjadas pelas condições
específicas das localidades em que se situavam.
Nesse caso, o surgimento e o desaparecimento de entidades e instituições, a
construção de lideranças e as formas autogestionárias de compartilhamento das
decisões coletivas constroem-se por regras e rituais sociais totalmente
distintos dos usuais. Os diferentes projetos assumidos pelos agentes geram
controvérsias e alterações de rumo, sociais e técnicas, que redundam em novas
práticas e institucionalidades.
A emergente cultura hacker, as redes de ativismos já existentes em Amsterdã e a
participação da administração pública propiciaram o cenário social para a
implantação dessa política digital inovadora. Essa heterogeneidade foi
fundamental para sua implantação, mas também contribuiu posteriormente, por uma
série de fatores, para seu declínio.
Com o tempo, o tipo de comportamento dos usuários e o aumento da concorrência
com outros web sites levaram à crise da Cidade Digital como tinha sido
originalmente estabelecida pelos seus fundadores, ativistas e universitários, e
por questões financeiras e estratégias de marketing veio a se transformar em
mais uma holding.
O relato de Castells sobre a ascensão e a queda da Cidade Digital de Amsterdã é
especialmente interessante para se perceber as oportunidades analíticas de se
enquadrar economia, tecnologia e cultura em novas óticas. Em diversos momentos
desse percurso as tecnologias desenvolvidas foram a reboque das práticas
coletivas qualitativamente relevantes. O perfil das lideranças digitais,
atrelado aos mecanismos de cooptação da administração pública, forneceu um
referencial importante para a elucidação da trajetória tecnológica e da prática
informacional no continente europeu, elementos imperceptíveis para a análise
econômica tradicional.
Essas novas redes e fórmulas de sociabilidade são alguns dos exemplos das
amplas possibilidades de investigação das ciências sociais acerca das
manifestações de inovação que vêm se disseminando no mundo contemporâneo.
Castells chama atenção para a diversidade de situações técnicas e sociais que
se engendram para além dos muros do Estado, das empresas e das universidades e
que demandam conceitos e fórmulas de investigação oriundas das ciências
sociais.
Em várias dessas abordagens trazidas pelos cientistas sociais nos anos de 1990,
depreende-se que em muitos casos as inovações se tornam menos tecnológicas e
mais sociológicas. O caso italiano trabalhado por Maciel (1996) levanta de
maneira recorrente esse problema, pois em muitos momentos a inovação ocorreu
independentemente dos gastos em P&D. Na Cidade Digital dá-se algo
semelhante: o ambiente inovador suscitou mudanças nas lideranças locais e novas
atividades culturais com baixo incremento tecnológico. No limite, podem ser
detectadas importantes práticas inovativas sem invenção tecnológica (inovação
sem tecnologia).
O conceito de ambiente de inovação e os parâmetros da sociologia construtivista
trazem opções teóricas e metodológicas para o reconhecimento de um vasto campo
de inserção dos cientistas sociais na discussão sobre inovação tecnológica e
relações sociais, apesar de suas especificidades. A noção de ambientes de
inovação proporciona um olhar mais amplificado sobre a prática inovativa, que
não se deixa circunscrever a jogos de relações específicas e pontuais entre
humanos e não-humanos, como o que ocorre nos processos de tradução de contextos
analisados por Latour (ver Maciel, 2001).
O estudo de casos específicos de projetos tecnológicos e avanços econômicos
podem propiciar o reconhecimento de um amplo espectro de relações coletivas que
interferem decisivamente nos rumos do processo inovativo, mas que não são
reconhecidos como tais.
Os cientistas sociais que trabalham com movimentos sociais e grupos específicos
podem incorporar a discussão sobre inovação com estudos focados, e articular de
modo contextualizado as práticas tecnológicas com as instituições no seu
entorno, sem se ater especificamente a mecanismos de mercado ou a novas
tecnologias.
A instalação de computadores nas escolas, a formação de redes de consumidores
articulando seus direitos e o estabelecimento de formas mutualistas de produção
agrícola etc. são exemplos de intersecções entre organização social e práticas
tecnológicas que abrem espaço para abordagens ao mesmo tempo focadas e
abrangentes. Por intermédio da construção de contextos ou ambientes específicos
é viável entender a presença ou a omissão de fatores socioculturais nos rumos
do desenvolvimento tecnológico.
A indeterminação do processo inovativo
A instabilidade, o risco e a contingência são temas recorrentes no pensamento
social contemporâneo. A partir dos anos de 1990 os teóricos do risco passaram a
apontar que o mundo atual precisa se preparar para lidar com as inconstâncias e
as instabilidades recorrentes, oriundas da prática científica e tecnológica, e
que somente mediante a vigilância e a precaução constante é possível gerenciar
os riscos da modernidade. Toda prática assentada em resultados incertos e
instáveis representa potencialmente um risco para as instituições e relações
sociais. A indeterminação e a incerteza passam a ser a norma social (Beck,
1992).
Na esfera técnica, contudo, a instabilidade e a indeterminação são elementos
altamente positivos. Diversos filósofos da tecnologia apontam para o caráter
imprevisível e instável da dinâmica tecnológica como garantia de sua
originalidade e consistência. Não pode haver desenvolvimento técnico sem uma
margem de indeterminação dos objetos técnicos, uma brecha em sua funcionalidade
é o que garante a inserção social. É por meio dela que os objetos trocam
informações com seu entorno e podem aprimorar sua inserção em conjuntos
técnicos mais amplos. Segundo essa tradição de pensamento, a inovação depende
dos riscos para sua efetiva realização (Simondon, 1969; Stiegler, 1998).
Para a tradição econômica, contudo, o processo inovativo não pode ser aberto à
indeterminação. Ele deve ser planejado e controlado mediante regras rígidas de
financiamento e investimentos criteriosos em P&D. O excesso de
administração e intervenção de policy makers e gestores industriais leva a um
fechamento de suas possibilidades, de modo que os resultados e os indicadores
são mais importantes do que os processos e os experimentos.
Os policy-makers e gestores industriais que organizam a prática inovativa e
estabelecem metas, projeções e mecanismos de avaliação buscam coordenar o
avanço tecnológico e retirar seu aspecto de indeterminação e imprevisibilidade.
O estreitamento entre desenvolvimento e inovação, alavancado continuamente por
governos e empresas, tende a provocar uma descaracterização desta, na medida em
que a racionalização e a modernização da esfera produtiva impõe padrões e
projeções de resultados que não permitem uma abertura às múltiplas demandas
coletivas, à contingência dos acordos sociais e nem à margem de indeterminação
dos objetos técnicos (Stiegler, 1998).
A proposta dos cientistas sociais interessados em compreender os rumos da
inovação na sociedade contemporânea significa uma mudança de enfoque analítico,
voltado agora para os elementos intangíveis e cambiantes da prática tecnológica
e social, em que as relações são mais fundamentais do que as coisas, em que os
processos superam os resultados em termos de intelegibilidade das práticas
sociais (Maciel, 2001).
Há uma dimensão qualitativa fundamental na prática inovativa que os modelos da
agenda schumpeteriana são incapazes de abordar. É necessário ter em mente que a
indeterminação representa um componente-chave da dinâmica da inovação, a sua
abertura para arranjos e modelos impensáveis e incontroláveis
aprioristicamente.
Voltando à análise do metrô Aramis, Latour (1992) desenvolve a noção de porta-
vozes da prática tecnológica, que representa o caminho para se compreender a
tradução operada pelos agentes sociais presentes nos contextos de inovação.
Segundo esse autor, as regras de mercado e o acesso às tecnologias avançadas
não representam o locus preferencial onde se constroem as condições de
inovação; esta se desenvolve a partir da articulação contraditória e
ambivalente dos porta-vozes das agências que se encontram na atividade
inovativa.
Na construção de Aramis, constituiu-se uma arena de relações instáveis, um
encontro de racionalidades diversas que adquiriram uma conformação
circunstancial a partir da troca de experiências entre setores produtivos,
consumidores, gestores públicos, experts, entre outros. Engenheiros, advogados,
urbanistas e outros agentes deslocaram suas posições conjuntamente, produzindo
um contexto de inovação que não pode ser explicado pelo esquema binário
reprodução/mudança.
Ou seja, não existem princípios evolutivos que determinem aprioristicamente os
rumos do processo inovativo; este se constrói por intermédio de estratégias de
recrutamentos, alianças e assimilações de disposições concorrentes. Os porta-
vozes das diferentes agências se revezam na definição de posturas voltadas à
mudança e à reprodução, descontruindo lógicas e posicionamentos aparentemente
estabilizados. Os processos de tradução impedem o estabelecimento de agendas
coletivas definitivas, de modo que a inovação se constrói a partir do choque de
identidades e dimensões dos atores, e estas constituem em si mesmas temas de
pesquisa.
Para Latour, mais importante do que determinar as causas da crise de Aramis, é
identificar como os agentes envolvidos (a Companhia Automatismo e Técnica, o
poder público) construíram uma cadeia de traduções que transforma uma questão
global em problemas específicos (técnicos e sociais).
As conclusões de outras análises vão em sentido semelhante, apesar de trilharem
outros caminhos. Segundo Maciel (1996), no caso da Itália durante os anos de
1980 o desenvolvimento conquistado tomou rumos imprevistos e até mesmo
contraditórios aos indicadores econômicos tradicionais. Fatores geográficos,
comportamentos empresariais inusitados e formas de inovação alternativas às
práticas de pesquisa tradicionais levaram a Itália a desempenhos inovativos
cada vez maiores, que pouca influência teve do investimento de P&D por
parte das agências oficiais. De acordo com a autora,
Contribuíram para o sucesso econômico importantes avanços no campo da
inovação social como as diversas formas de educação continuada,
incluindo a qualificação e atualização tecnológica dos trabalhadores;
o desenvolvimento de formas originais nas relações capital/trabalho e
na organização do trabalho nas empresas [...] e a implantação de
parques tecnológicos visando não só à pesquisa e à produção mas
também à formação de recursos humanos qualificados, em colaboração
com as universidades (1996, p. 78).
Para Maciel, o caso italiano demonstra cabalmente que a inovação é sempre um
processo em aberto, mediado por um sem-número de variáveis que os agentes
econômicos são incapazes de controlar, como taxa de natalidade, apropriação de
tecnologias preexistentes, arroubos estéticos etc. A inovação social pode tomar
rumos imprevisíveis, que os analistas econômicos não podem antecipar, e os
fatores essenciais são mais qualitativos do que quantitativos. A utilização
original de tecnologias já existentes, conjugada ao desempenho otimizado ante o
baixo investimento tecnológico, propiciou uma conjuntura surpreendente de alto
crescimento econômico com poucos recursos materiais.
A inovação socioeconômica é o vetor de transformação tecnológica, e não o
contrário. Isso acarreta o problema teórico de como gerar modelos para
controlar e antecipar essas tendências. Seguindo o raciocínio da autora, a
concepção dominante de desenvolvimento tende a colonizar o sentido da inovação
e alijá-la de um de seus componentes mais ricos e férteis, a incerteza e a
experimentação constante.
Na discussão de Castells (1999), esse aspecto é também visível. A banalização
de novas tecnologias tem levado a novos arranjos empresariais e dispositivos
jurídicos inusitados, que prejudicam o estabelecimento de uma agenda social
compartilhada.
Os gastos dos Estados nacionais com segurança eletrônica, as mudanças no
comportamento político dos cidadãos a partir da Internet e outros exemplos
fazem divisar um amplo conjunto de problemáticas e tendências que se inclinam a
ditar os rumos de diversas inovações.
O crescimento do individualismo em suas novas manifestações, os processos de
mobilidade urbana em fluxos e a exclusão de grandes contingentes populacionais
da economia informacional devido a déficits educacionais não são apenas o
efeito da instalação das novas tecnologias, mas correspondem a comportamentos
coletivos e escolhas políticas específicas que, por sua vez, impõem parâmetros
para os rumos da inovação tecnológica.
Castells (1999) defende que o determinismo tecnológico presente na retórica das
grandes corporações e dos experts em gestão estratégica não dá conta das
múltiplas situações conflituosas entre empresas e consumidores; autoridades
públicas e população marginalizada dos grandes centros urbanos em face da
utilização de novas tecnologias informacionais. Em muitos casos, o avanço
tecnológico e o formato das inovações seguem os rumos anárquicos estipulados
pelos contratos e pelas conveniências dos acordos coletivos.
Essa circularidade entre comportamento social e desenvolvimento tecnológico
pede uma agenda de pesquisa complexa, antenada aos processos de consolidação de
novas práticas coletivas e de relações cambiantes entre agentes múltiplos e de
identidade em formação. Contra a vontade de grandes corporações, policy makers
e técnicos, os rumos dos processos inovativos não são programáveis e
controlados gerencialmente, mas sofrem as tendências impostas por articulações
imprevisíveis entre os diferentes agentes.
Conclusão
Desde os seus primórdios, as ciências sociais têm se ocupado da questão
tecnológica. Em alguns momentos acentuando uma perspectiva otimista de
aceleração tecnológica conectada ao crescimento econômico, em outros, chamando
atenção para o panorama de incerteza e indeterminação que cerca os sistemas
técnicos e a realidade social. Não tem sido fácil para os cientistas sociais
transporem essas posições e buscarem novas ferramentas analíticas para cruzar
as relações sociais com a inovação dos processos tecnológicos.
As análises sociológicas sobre o projeto do metrô Aramis na França, a Cidade
Digital de Amsterdam e a Terceira Itália abrem perspectivas instigantes para as
ciências sociais cruzarem o desenvolvimento tecnológico com o intangível das
relações sociais. Apesar de suas diferenças, a partir da discussão desses casos
é possível perceber que a problemática da inovação tecnológica pode ser
submetida a uma infinidade de enfoques, e que as ciências sociais têm grandes
contribuições a dar.
Este trabalho procurou mostrar algumas dessas contribuições. Uma delas reside
na questão dos ambientes de inovação, os quais não respeitam somente aspectos
econômicos e administrativos, mas igualmente as condições intelectuais e as
tradições culturais em que elas se enraízam e se desenvolvem. Toda uma linhagem
de pesquisa, e o trabalho de Maciel (1996) é um expoente nessa direção, aponta
para a necessidade de inclusão de variáveis diferenciadas na definição das
práticas inovativas. Estudos etnográficos e análises comparativas podem
propiciar novos enfoques qualitativos dentro dessa agenda de pesquisa.
Outra contribuição que se pretendeu trazer foi a problemática da indeterminação
do processo inovativo. A avaliação dos investimentos em inovação pode receber
um tratamento diferenciado, à medida que a dinâmica tecnológica for encarada em
sua contingência e experimentação, e não mediante parâmetros e modelos acabados
de análise.
Por fim, discutiu-se como o conceito de tradução e a análise sociológica de
cenários específicos alavancam o debate em torno da construção coletiva de
processos tecnológicos e sociais.
Apesar de os trabalhos sobre esses temas serem ainda escassos no âmbito das
ciências sociais, nota-se uma tendência crescente de aglutinar a perspectiva
cultural do desenvolvimento tecnológico com seus dados mais propriamente
objetivos. Um caminho ainda em aberto e com inúmeras possibilidades.