Arquitetura da participação e controles democráticos no Brasil e no México
Na América Latina houve uma multiplicação de experiências participativas
orientadas, implícita ou explicitamente, pelas noções de accountability e
controle social democrático sobre atores políticos e políticas públicas.
Avaliar o alcance e as limitações dessas experiências, bem como identificar os
fatores que aumentam ou obstruem sua capacidade, constitui um exercício
particularmente fértil para sociedades nas quais foi arriscada a implantação de
tais experiências na expectativa de melhorar a qualidade das políticas públicas
e de reduzir diversos déficits das instituições políticas que ordenam a vida de
tais sociedades. Esse é especialmente o caso do Brasil, onde a
institucionalização de experiências participativas colocou o desafio de
desenvolver um campo de investigação sobre as chamadas "instituições
participativas" e sua efetividade1.
Porém, a diversidade institucional de inovação em termos de controles sociais
democráticos e a ausência de ferramentas analíticas que a tornem comparável
desafiam as melhores intenções e, não raro, levam a estratégias de análise
concentradas em estudos de caso. Examinamos alhures as características comuns
da inovação democrática na América Latina e reconstruímos suas conexões com a
evolução teórica do debate sobre accountability social, representação e
participação2. Neste artigo, oferecemos um quadro analítico útil à comparação
da diversidade da inovação democrática enquanto arquitetura da participação
orientada para o controle social. Mediante a aplicação desse quadro, examinamos
a configuração de duas arquiteturas contrastantes, originárias dos contextos
mexicano e brasileiro. Primeiro, examinamos a arquitetura de duas experiências
de inovação emblemáticas e de nível nacional nos dois países, nomeadamente, o
Instituto Federal Eleitoral (IFE) do México e os conselhos gestores de
políticas no Brasil. Em seguida, replicamos a operação em duas experiências de
controle social democrático de escala municipal e de natureza muito distinta,
na medida em que se trata de experiências de controle social especializadas e
bem-sucedidas, mas inscritas no seio da sociedade civil. São elas o Grupo
Multissetorial HIV-AIDS, no estado de Veracruz (México), e a Rede Nossa São
Paulo. Apesar das dIFErenças de escopo e do caráter civil dos agentes aí
envolvidos, a observação dessas duas últimas experiências citadas confirma
traços encontrados nas primeiras. A avaliação é um exercício preliminar, mas
gera resultados instigantes e anima a construção de teoria e a produção de
novos conhecimentos. Em termos teóricos, o exercício aponta para a
possibilidade de caracterizar regimes de controle social democrático em escalas
municipal, estadual ou nacional - para cuja caracterização é indispensável
desenvolver estruturas analíticas capazes de orientar a descrição sintética das
arquiteturas de participação. Por sua vez, os resultados são preocupantes com
respeito à fragilidade estrutural do sistema de controles sociais democráticos
no México, mas, por outro lado, esclarecem algumas das características mais
interessantes da experiência brasileira, com as chamadas instituições
participativas, e, em ambos os casos, indicam desafios.
ARQUITETURAS DA PARTICIPAÇÃO ORIENTADA PARA O CONTROLE
Na América Latina, o repertório de inovação institucional no campo do controle
social democrático é amplo. Inclui, em contextos específicos, órgãos colegiados
para a definição e a fiscalização de políticas, para a elaboração de
prioridades nas áreas de planejamento ou de alocação de gastos públicos,
comitês participativos em diferentes níveis da administração pública,
instituições eleitorais de caráter civil, observatórios cidadãos, comissões de
vigilância, ouvidorias e supervisões (veedurías) regionais - para citar apenas
alguns casos emblemáticos da proliferação de instâncias, geralmente colegiadas,
de participação e representação dos cidadãos e da sociedade civil em toda a
região3. Essa proliferação não é, aliás, uma excepcionalidade regional. Basta
lembrar aqui experiências famosas de outras latitudes como as Emendas
Constitucionais 73 e 74 na Índia, a conhecida People's planning campaign do
estado de Kerala (Índia), o Local Government Code nas Filipinas ou o New
Localism na Inglaterra para perceber quão difundida é a inovação democrática
voltada para o exercício de diferentes graus de controle social democrático por
cidadãos e organizações civis sobre as instituições políticas e as políticas
públicas4.
No México e no Brasil, como em todos os países da América Latina, as
iniciativas institucionais são variadas. Se observarmos apenas as experiências
que obtiveram presença territorial considerável e notoriedade além das
fronteiras nacionais, o panorama parece dominado por um conjunto menor de
inovações em escala sem precedentes: no Brasil, Conselhos Gestores de Políticas
Públicas, Conferências Nacionais de Política, bem como as experiências do
Orçamento Participativo, e em menor medida os Planos Plurianuais e os Planos
Diretores; já no México, a estrutura federal do IFE, que organiza a
participação e o controle cidadãos no sistema eleitoral mexicano, e o sistema
de proteção do direito à informação pública governamental (institucionalmente
cristalizado no IFAI).
Se nos concentramos, porém, em experiências setorial ou territorialmente mais
circunscritas, a diversidade da inovação democrática se manIFEsta em sua
plenitude. Seria o caso, por exemplo, de experiências relativamente bem-
sucedidas e com capacidade de incidência sobre as políticas setoriais no
México. Nesse conjunto, poderíamos incluir a criação do Grupo
Interinstitucional de Salud Reproductiva durante o governo Zedillo, do
Consorcio Nacional en Salud y la Mujer com o apoio do secretário de Saúde,
Julio Frenk, na administração presidencial de Fox5, ou, em âmbito regional do
mesmo setor, do Grupo Multissetorial HIV-AIDS no estado de Veracruz6. No
Brasil, o panorama das instâncias de participação local se assemelha a uma
"selva institucional", na qual a multiplicação dos espaços com orientação
subsetorial e trans-setorial parece ser a regra. Por exemplo, no município de
São Paulo ou em um município vizinho como o de Guarulhos, com uma população
quase cinco vezes menor que a do primeiro, desconsiderando-se as instâncias
submunicipais de participação - i.e., por distritos administrativos ou por
subprefeituras -, existem no mínimo 35 conselhos, câmaras e comissões de âmbito
municipal, dentre os quais a maioria esmagadora é de criação voluntária da
prefeitura ou não obrigatória por lei, como o Conselho Municipal de Atenção à
Diversidade Sexual, o Conselho de Proteção e Defesa dos Animais, o Conselho
Municipal de Participação da Comunidade Nordestina e o Conselho Municipal de
Turismo, entre outros7.
Reconhecendo essa diversidade comum a ambos os casos, parece pertinente
perguntar a respeito dos benefícios cognitivos de um exercício de análise
comparativa que, forçosamente, levaria a igualar instâncias de índole muito
variada. Ora, pensar a participação nos termos de sua arquitetura é, para nós,
ser capaz de descrever experiências específicas valendo-se de uma linguagem
estrutural que permita não somente reconstruir os significados específicos,
quando descrições qualitativas tornam-se necessárias, mas também, e
simultaneamente, identificar traços comuns nas configurações arquitetônicas
úteis à produção de conhecimento mais abstrato e generalizável. Esse segundo
movimento permite construir uma visão de conjunto de uma multiplicidade de
instâncias que, de fato, compartilham um senso comum de origem ligado ao
contexto pós-Guerra Fria e pós-transições, e que estão dentro de um processo
maior de inovação institucional8. Além disso, a despeito das razões
conjunturais subjacentes à criação das diferentes instâncias de participação e
das atribuições particulares a elas conferidas, trata-se, com intensidade e
extensão variáveis, de uma tendência de pluralização institucional das
democracias9, inclusive das democracias do hemisfério Norte10.
Assim, de uma perspectiva mais ampla, as arquiteturas dessas inovações podem
ser pensadas em seus traços estruturais comuns, bem como em suas eventuais
articulações, no sentido da caracterização - e edificação - de regimes de
controle democrático. As ideias de sistema político e separação de poderes são,
hoje, notadamente insuficientes para dar conta da complexidade dos controles
democráticos intraestatais, multiplicados nas últimas décadas. Essa inadequação
é certamente ainda maior para a compreensão dos controles democráticos
propriamente sociais. Nesses termos, diagnosticar as principais características
arquitetônicas dessas inovações institucionais encerra a promessa de aproveitar
a riqueza da análise detalhada a respeito de instâncias específicas de
participação e representação cidadã e da sociedade civil, sem, contudo, abrir
mão de uma visão sintética que permita identificar regimes nacionais e
subnacionais de controles democráticos. A distância entre a apreensão
qualitativa de uma inovação institucional específica, sua descrição formal ou
arquitetônica e a eventual reconstrução de regimes de controle democrático é
considerável - nossa aposta é encurtar essa distância tornando esse caminho
analiticamente mais transitável.
O FERRAMENTAL ANALÍTICO: PERSPECTIVA RELACIONAL MULTINÍVEL
Como comparar a diversidade ou como fazer desse caminho algo mais transitável?
Não se trata de propor um modelo normativo; nosso ferramental analítico é,
antes, útil à descrição e à análise formal das complexas interfaces
socioinstitucionais das experiências de controle social democrático. A
perspectiva relacional multinível centrada nos dispositivos, por nós
apresentada de modo bastante breve, opera em três níveis de abstração
unificados pelo privilégio dado, no plano cognitivo, à análise relacional dos
diferentes tipos de atores sociais envolvidos nas inovações de controle
democrático: i) no nível micro, a atenção se volta para a dinâmica situacional
dos atoresconcretos em determinada interface de controle social; ii) no nível
intermediário (ou meso), importa a interaçãoinstitucional relevantetal como
ordenada nos dispositivos de controle; e iii) no nível macro, são privilegiadas
as condiçõesestruturais, isto é, uma visão de sistema da atuação ou das
posições reservadas aos respectivos actantes11. A descrição formal e integrada
do segundo e do terceiro níveis permite identificar arquiteturas institucionais
da participação orientada para ocontrole. A investigação dos efeitos realmente
produzidos e das dinâmicas realmente presentes, incluídas no primeiro nível,
exige um deslocamento da arquitetura aos conteúdos, quer dizer, do plano da
pesquisa empírica estrutural ao da pesquisa empírica qualitativa centrada no
exame das interações e das trocas em jogo nas interfaces entre seus diversos
atores.
Os atores concretos se relacionam em função de um conjunto de relações diretas
transcorridas nas interfaces socioestatais, por meio de arranjos institucionais
determinantes dos procedimentos que ordenam tais relações em função dos
resultados pretendidos. Além disso, eles se relacionam em função de condições
estruturais de atuação definidas institucionalmente que, a princípio, definem
as capacidades de ação para possíveis atores - os chamados actantes. Assim, no
primeiro nível, mais concreto, por meio da noção de interface, é possível
ordenar a descrição e a análise das interações entre os atores, sejam eles
sociais ou estatais. O conceito de interface - social, estatal ou socioestatal
- remete à ideia de um espaço constituído por sujeitos intencionais12, cujas
relações - na maior parte das vezes - assimétricas com outros sujeitos
estabelecem um espaço de conflito, de negociação e disputa13.
Em uma escala de análise maior, os dispositivos (e não os atores) orientados
para o controle aparecem no aparato conceitual para pensar a dimensão
intrainstitucional relevante na definição das possibilidades das ações sociais.
Os dispositivos regulam as faculdades e os recursos institucionais disponíveis
aos diferentes atores. Contudo, embora definam as lógicas institucionais de
atuação, eles não determinam, nem sequer definem por completo, as interações
entre os atores específicos. Dito de outra forma, as instituições de controle
democrático não mantêm relações in totum com os cidadãos e os atores sociais.
Essas relações se dão, antes, através de dispositivos específicos (como, por
exemplo, ouvidorias, queixas ou audiências), de modo que eles apresentam
lógicas, não apenas distintas, mas também próprias, ainda que pertençam a uma
mesma instituição. Assim, para retomar um jargão caro ao institucionalismo, as
instituições que importam são os dispositivos. O conceito "dispositivos" nos
permite ligar a perspectiva da interface (atores concretos e suas interações) a
uma visão de sistema (actantes e suas relações), a fim de avançar duplamente:
para além de descrições normativamente carregadas e de descrições reféns de
dados pontuais incapazes de iluminar a lógica mais ampla das políticas de
controle social democrático presentes em determinado contexto.
É no nível macro, finalmente, que as posições relacionais estruturais dos tipos
de actantes são contempladas. Actantes entendidos como posições em uma rede de
significado e de capacidades pré-constituídas de ação, que podem corresponder a
um ator, a uma instituição, a uma articulação de atores e, mesmo, a
dispositivos14. Como produto do esforço de decomposição máxima, é possível
distinguir quatro tipos de actantes: a sociedade (S), o Estado (E) e a
sociedade civil (SC). Dentro do Estado podemos reconhecer o quarto actante:
instituições voltadas para o controle de outras instituições estatais - sendo
esta uma característica complementar, como nas comissões de fiscalização
parlamentar, ou central, como no caso de ombudsman ou tribunais de contas
públicas. Vamos chamar instituições como essas de agências de prestação de
contas (Arc).
Para o diagnóstico da arquitetura da participação orientada para o controle é
necessário definir a lógica institucional da ação, ou seja, a definição
institucionalmente dada pelo dispositivo daquilo que é o bem básico de troca,
seu sentido (em que direção ou em quais direções se dá tal troca), bem como sua
lógica de intercâmbio. Depois de algumas tentativas e ensaios15, chegamos à
formalização de três grupos de significados nos quais os bens trocados podem
ser "informação", "poder" e "bens e serviços". Nos termos das ações entre os
atores, esses grupos incluem, respectivamente, "fazer saber", "fazer fazer" e
"fazer ter". Desse modo, a descrição das arquiteturas de participação orientada
para o controle pode ser analiticamente concebida com referência a uma
constelação de dispositivos configurados por múltiplas interfaces de
representação, informação, provisão e controle. Por outro lado, vale lembrar
que a direção das ações pode, logicamente, se dar de três formas16:
provenientes do primeiro sujeito, do segundo sujeito ou em ambas as direções. O
Quadro_1 expõe, embora não de maneira exaustiva, essa perspectiva. Nele,
utilizamos vetores para representar a direção das relações, a nomenclatura dos
tipos básicos de actantes e elementos gráficos para representar os bens básicos
("informação", "poder" e "serviços e bens") das trocas mediante os vetores17.
A ARQUITETURA DA PARTICIPAÇÃO COMO SISTEMA DE CONTROLE NO MÉXICO E NO BRASIL
Da perspectiva relacional multinível, um breve olhar sobre uma das inovações de
controle democrático selecionadas, e mais especificamente, sobre seus
dispositivos de controle em perspectiva diacrônica, revela uma arquitetura com
possibilidades de controle muito específicas relacionadas à sua concepção,
alcances e formas de participação e representação social.
Vejamos, primeiro, o Instituto Federal Eleitoral (IFE), a autoridade que
organiza as eleições federais (presidente, senadores e deputados) no México
(Quadro_2). O órgão máximo do IFE é o Conselho Geral (CG), um grupo de nove
pessoas (conselheiros) eleitas, por uma maioria de dois terços dos deputados
federais, para exercer o controle da instituição. As tarefas de controle são de
responsabilidade do CG, com 192 cidadãos nos 32 órgãos estaduais
descentralizados (seis pessoas em cada conselho local) e 1800 pessoas em nível
distrital (seis em cada conselho distrital nos trezentos distritos eleitorais).
Eles têm poderes formais para exercer o máximo controle dentro do IFE: apenas
os conselheiros, chamados de "cidadãos", têm direito a voto, junto com os
presidentes de cada conselho local e distrital; estes últimos, ao mesmo tempo,
são os chefes da estrutura burocrática do seu âmbito (institutos eleitorais
estatais). Sobre isso, vale notar dois pontos: a relação entre conselheiros e
cidadania é um fato significativo apenas no momento das eleições, quando
milhares de cidadãos participam como membros das mesas receptoras de votos.
Paralelamente à ação da cidadania e dos conselheiros cidadãos, operam agências
de prestação de contas específicas, quais sejam, o Tribunal Eleitoral do Poder
Judicial da Federação e do Procurador Especial de Atenção a Crimes Eleitorais,
órgão especial do Ministerio Público Federal18.

A relação S = SC (cidadania representada pelos conselheiros eleitorais
cidadãos) não é um caso de representação por autorização, mas sim de
representação presuntiva em uma instituição do sistema político19. Quer dizer,
uma representação mediada pelos deputados que indicam os conselheiros cidadãos,
muitas vezes, "notáveis" da sociedade civil. O Conselho Federal Eleitoral (GC)
- tal como os conselhos eleitorais estatais - é um exemplo de dispositivo de
controle transversal, no qual representantes civis (SC) atuam dentro do Estado
e mantêm uma relação de cogestão com funcionários públicos do IFE (E), para a
realização de eleições e a mediação das disputas partidárias.
Os conselhos eleitorais cidadãos do IFE, como dispositivo de controle
transversal, estão representados como "dispositivo transversal 1" (DT1), os
funcionários públicos como (E) e a cidadania em geral como (S). A arquitetura
mostra que a cidadania é representada de maneira presuntiva, por meio da
indicação feita pelos deputados federais quanto à composição do Conselho Geral
do IFE. Como se vê, a estrutura do IFE está conformada em três âmbitos
(distrital, estadual e federal), e em um sentido de legitimidade/ representação
"de cima para baixo".
O modelo da arquitetura de conselhos gestores de política pública no Brasil
revela contrastes. Nesse caso, são basicamente as organizações da sociedade
civil e, em menor medida, subpúblicos determinados que votam ou fazem acordos
para a integração dos representantes ou conselheiros da sociedade civil. Os
conselhos e conselheiros, no plano arquitetônico, participam nas três etapas da
política, incluindo o planejamento, a implementação e a avaliação ex post da
política, embora haja variações significativas entre os diferentes conselhos
setoriais, de modo que os conselhos de saúde são aqueles mais plenamente
desenvolvidos ou exemplares desse modelo. Deve-se enfatizar que existem, nesse
modelo, instâncias de adensamento de consensos e de definição de prioridades
entre atores da sociedade civil, pelo que os conselhos se encontram conectados
a subpúblicos da sociedade civil, mas também às comunidades das políticas
setoriais, contemplando burocracias públicas e privadas, poder executivo e
organizações econômicas. Os chamados fóruns temáticos e as conferências
espelham esse tipo de instância de adensamento, as primeiras, em geral,
constituídas por atores da sociedade civil, e as segundas por atores das
comunidades de políticas. Em ambos os casos se dão acordos que, seja em nível
municipal, estadual ou federal, orientam as decisões dos conselheiros civis, ao
modo de um "mandato facultativo". Para além das limitações e críticas das
formas efetivas de concretização de tal modelo20, na realidade, a arquitetura
dos conselhos gestores remete à cogestão - rara em outras latitudes com as
mesmas extensão e diversidade temática encontradas no Brasil21.
O Quadro_3 mostra a arquitetura desse dispositivo de controle transversal
societal. Nele, conselhos gestores de políticas públicas são representados como
"dispositivo transversal 1" (DT1), mostrando suas relações com os funcionários
públicos (E) que implementam a política em questão (saúde, educação etc.) e
fóruns temáticos e conferências (DS1, DS2), que desempenham o papel de
mediadores para organizar o debate público sobre a política no sentido de
adensar e viabilizar consensos dentro dos atores tematicamente interessados da
sociedade civil (fóruns) e dentro das comunidades de políticas (conferências).
[/img/revistas/nec/n92/a07qua03.jpg]
Outro elemento a ser destacado nessa arquitetura orientada para o controle das
políticas públicas é a presença de fundos para o financiamento da política
setorial (DT2) que operam sob supervisão e com representação dos conselhos
setoriais específicos. A estrutura conselhista opera com lógica federativa,
replicando sua estrutura em cada nível da federação, incluindo-se aí os
dispositivos societais. A adoção dos conselhos no nível municipal, em alguns
casos setoriais como o da saúde, foi estimulada por meio de transferências
condicionadas de recursos federais. Ainda que as transferências obedeçam a uma
lógica de coordenação que vai das definições federais para a implementação
municipal - "de cima para baixo" -, a configuração da legitimação/
representação dos conselheiros civis opera no interior de cada nível federativo
e, eventualmente, "de baixo para cima".
Os dois casos examinados são emblemáticos das inovações democráticas em seus
respectivos contextos, e em ambos a relação entre atores estatais e sociais é
parte importante do desenho do sistema de controle. No primeiro caso, o tipo de
representação é presuntivo, mas ligado a um evento originário de legitimidade:
a autorização indireta dos conselheiros do Conselho Geral do IFE, com indicação
do Congresso. Assim, os partidos escolhem seus controladores. No segundo, os
representantes contam com a autorização das organizações civis e, às vezes, de
subpúblicos, e incorporam presuntivamente a representação de toda a sociedade
ou de segmentos dela diante dos funcionários públicos22. O
controledoscontroladores é, em certa medida, exercido tanto pela indicação dos
conselheiros através de acordo (e/ou por voto) entre as organizações civis
quanto por efeitos de controle, diretos e indiretos, de fóruns e conferências,
bem como pelo efeito de "mandato facultativo" das instâncias de adensamento de
consensos.
PARA A IDENTIFICAÇÃO DE TRAÇOS ESTÁVEIS NAS ARQUITETURAS
Podemos corroborar alguns dos indícios produzidos pela análise relacional dos
dispositivos presentes em duas das mais conhecidas experiências de inovação
democrática, no México e no Brasil, mediante o exame de duas inovações de
controle de menor envergadura - a começar pela sua escala de caráter municipal
- e de natureza muito dIFErente pelo fato de encontrarem-se inscritas dentro da
sociedade civil como iniciativas especializadas e exitosas de controle social.
A segunda instância de comparação originária do México é a experiência do Grupo
Multissetorial HIV-AIDS de Veracruz (GM, Quadro_4)23. Trata-se de um
dispositivo de controle de políticas públicas que, poder-se-ia dizer, encontra-
se do lado oposto ao IFE em termos de quantidade de recursos financeiros,
institucionais e normativos para exercer sua função. Ainda assim, ele tem
conseguido incidir na implementação da política pública de luta contra a
epidemia do vírus da imunodeficiência humana e a favor das pessoas que vivem
com HIV-AIDS. O GM mostra que para exercer controle com algum grau efetivo de
institucionalização sobre programas ou políticas públicas nem sempre é
necessário obter o reconhecimento constitucional nem contar com recursos
financeiros milionários como o IFE. Fundado em abril de 2002, o grupo é formado
por indivíduos e organizações provenientes de diversas experiências, desde a
luta pelos direitos humanos, passando pela academia e pelo setor de saúde,
chegando ao trabalho sexual e à luta contra a discriminação.
[/img/revistas/nec/n92/a07qua04.jpg]
A partir de um acordo com o responsável estatal do setor de saúde em Veracruz,
essa rede, não formalizada sob nenhuma figura legal, leva a cabo o
monitoramento de clínicas e hospitais, especialmente no que se refere ao
programa - que é parte da política nacional - de luta contra a epidemia de HIV-
AIDS. Com reuniões de seguimento bimestrais com o secretário de Saúde, ou com
maior frequência se algum problema o requer, o gm (DS2) exerce formas de
controle baseadas no custo de reputação que eventualmente levaria ao descrédito
de funcionários públicos. Utiliza, quando necessário, a publicação de informes
e denúncias nos meios de informação de massa (DS1), bem como tem desempenhado
trabalho específico para modificar a base normativa de sua atividade.
Especificamente, o GM decidiu utilizar a ferramenta da iniciativa popular para
criar uma lei estatal contra o HIV-AIDS com o objetivo de situar o tema na
agenda regional, mas também para aumentar sua capacidade de interlocução e
controle com relação aos funcionários públicos encarregados da área de seu
interesse. Com o apoio da Universidade Autônoma de Veracruz, foi possível
reunir as 30 mil assinaturas necessárias para que o projeto de lei fosse
discutido pela legislatura estatal. Graças a essa mobilização, à qualidade
técnica do texto proposto e à conjuntura política adequada, o GM conseguiu que
a iniciativa fosse aprovada por unanimidade nos últimos dias de 2008. Um
elemento interessante para analisar o papel do GM como dispositivo de controle
social é, conforme pode ser observado no Quadro_4, a relação que este guarda
com um agente estatal do âmbito federal. Nesse caso, a comunicação favorável do
GM com o órgão federal encarregado da política nacional de luta contra o HIV-
AIDS favorece o exercício de controle, já que este órgão não apenas transfere
recursos ao setor de saúde local e regional, mas também possui faculdades
normativas sobre toda a política pública voltada para a epidemia.
No caso do Brasil, a segunda instância de comparação de controle exercido
mediante iniciativa da sociedade civil é originária da cidade de São Paulo:
trata-se da rede Nossa São Paulo (RNSP)24. A rede inspirou-se em outras
práticas da América Latina como Bogotá Cómo Vamos. Contudo, sua incidência nas
políticas da cidade não é nutrida somente por sua capacidade técnica e clareza
de agenda, mas, em boa medida, por sua conformação plural e capacidade de
convocação e interlocução pública. A RNSP está conformada por agentes que
contribuem para sua articulação com dispositivos horizontais e internos de
controle do Estado, mas também com dispositivos transversais que são próprios
da experiência brasileira, como os fóruns e os conselhos gestores de política
pública (ver Quadro_5).
[/img/revistas/nec/n92/a07qua05.jpg]
A RNSP foi fundada em maio de 2007 e em menos de dois anos contava com um
número de filiados superior a quinhentas organizações autodenominadas "de base,
empresariais e sociais". Sua organização baseia-se em uma assembleia composta
de tais organizações que se articulam em grupos de trabalho. Os recursos
financeiros da RNSP (DS3) canalizam-se mediante uma fundação e o trabalho de
articulação, e o seguimento dos acordos é realizado por uma secretaria
executiva. A metodologia de trabalho consiste em elaborar indicadores e metas,
realizar o monitoramento de gestão dos poderes Executivo e Legislativo
municipais, assim como na análise e divulgação do orçamento e na permanente
consulta da opinião pública, através de surveys, de informações das
organizações que a conformam e da comunicação eletrônica com o conjunto da
cidadania paulistana mediante seu acesso aos grandes meios de comunicação
(DS2). A RNSP mantém o chamado Observatório cidadão: um acompanhamento público
dos indicadores de processo e de resultado da gestão do poder público municipal
e das condições de vida de seus habitantes. A rede conseguiu articular suas
atividades de monitoramento por área e território (as 31 submunicipalidades e
os 96 distritos) com a agenda pública da gestão municipal. Também conseguiu
negociar a iniciativa pela qual os governantes (desde 2009) devem elaborar seu
plano de trabalho a partir de suas promessas de campanha, traduzir o plano em
indicadores e prestar contas semestrais de seu desempenho com a perspectiva de
tais indicadores.
Um ponto central para compreender o êxito da experiência da RNSP (DS3) é sua
relação com os mundos dos atores estatais dedicados ao controle do próprio
Estado, das organizações civis e dos movimentos sociais com agenda urbana. A
RNSP articula-se com o Ministério Público (DH1) e com o Tribunal de Contas
(DH3), bem como mantém conexão permanente com a Câmara de Vereadores (DH2).
Ademais, a RNSP estabelece relações não apenas com organizações civis e
movimentos como membros da rede, mas com representantes em instâncias nas quais
desempenham o papel de agentes de controle social: conselhos (DT1) e
conferências (DS1). Como pode ser observado no Quadro_5, tal arquitetura de
dispositivos de controle é muito diversa e, de fato, possibilita sinergias
entre dispositivos de controle democrático transversais, horizontais, sociais e
internos; sinergias raras em outros contextos como o mexicano.
REGIMES DE CONTROLES DEMOCRÁTICOS NO MÉXICO E NO BRASIL: ALGUMAS
CARACTERÍSTICAS
A multiplicação de inovações institucionais orientadas ao controle democrático
de burocracias, políticos e políticas públicas nos dois hemisférios é parte do
espírito do tempo, caminhando lado a lado com a pluralização institucional da
democracia e com a crescente percepção de que as eleições e seu mecanismo
básico, o voto, embora fundamentais, são um instrumento limitado para controlar
os representantes e praticamente nulo para estimular respostas das burocracias
aos anseios dos cidadãos25. As eleições, devido a seu caráter plebiscitário,
não permitem discriminar entre o certo e o errado com relação à atuação dos
governos, bem como seu duplo significado, como eleição de futuro entre várias
ofertas e/ou como julgamento crítico das ações do governo em questão, obscurece
a mensagem do voto e, com isso, suas possibilidades de induzir o comportamento
dos representantes (re)eleitos.
Apesar das reticências dos representantes diante das diversas tentativas de
promover maior accountability, para além dos mecanismos de prestação de contas
vertical tradicionais, os controles internos, as agências de prestação de
contas e as instituições híbridas de controle democrático social se
multiplicaram. Tal multiplicação conta com instituições estatais autônomas,
como o Ministério Público e os Tribunais de Contas brasileiros, o Instituto
Federal de Acesso à Informação e a Comissão Nacional de Direitos Humanos
mexicanas, ou os ombudsman e as veedurías de outros países; conta também com
diversas formas de controle "externo" e "interno", como as ouvidorias, as
controladorias e as auditorias; e, conforme mencionado, com dispositivos mistos
como o IFE ou os conselhos gestores de políticas. Além disso, existem
iniciativas da sociedade civil não institucionalizadas no Estado que "disparam"
os mecanismos de controle externo e horizontal dentro do Estado.
Sem dúvida, diversas inovações específicas merecem e vêm recebendo atenção.
Contudo, o processo em curso delineado pela proliferação de tais inovações
sugere uma pluralização institucional da qual estão emergindo democracias que
não mais respondem às descrições animadas pela doutrina clássica da separação
de poderes, nem por conceitos precisos da ciência política do século xx como o
de sistema político. A teoria política deste século corresponderá ao desafio de
gerar quadros conceituais capazes de oferecer uma visão de conjunto das
instituições políticas das democracias.
A perspectiva relacional multinível aqui esboçada e aplicada oferece um
instrumental analítico descritivo para a comparação estrutural ou formal de
instituições de controle democrático, assumindo o pressuposto de que a
acumulação de exercícios comparativos sistemáticos permitirá avançar na
caracterização de regimes de controles sociais democráticos. É certo que a
comparação metódica não dispensa o desenvolvimento teórico dos critérios
conceituais para a especificação de tais regimes, e, nesse sentido, estas
páginas contêm não uma teoria, mas uma intenção teórica (perspectiva) munida de
distinções conceituais positivas sistemáticas (ferramental) que julgamos úteis.
A comparação entre arquiteturas da participação orientadas ao controle de
atores estatais e a definição de políticas públicas revelou traços
interessantes que parecem iluminar algumas das características dos regimes de
controle democrático no México e no Brasil. O fato de que partidos designem os
conselheiros cidadãos de uma instituição (IFE), originalmente pensada como
estritamente apartidária e inteiramente civil, mostra o peso dos partidos no
domínio dos circuitos não tradicionais de controle democrático no México. Por
sua vez, a importância da comunicação fluida entre o GM e o órgão federal
responsável pela política de combate ao HIV-AIDS sugere não apenas a
persistência do centralismo no federalismo mexicano - neste caso com
consequências positivas diante da política local conservadora -, mas também a
escassez de apoios locais na institucionalidade pública estatal e municipal. A
escassez parece apresentar sua contrapartida na rarefação da sociedade civil
local, a julgar pelo tamanho da articulação civil que mantém o GM. Centralismo
político, partidocracia e rarefação da sociedade civil na configuração das
inovações de controle parecem prefigurar um regime limitado de controles
democráticos sociais, vulnerável às mudanças do governo central, às
conveniências partidárias e com baixa resiliência quanto às iniciativas não
institucionalizadas no Estado26.
Por sua vez, as experiências brasileiras analisadas colocam resultados e
desafios opostos. Os conselhos são um caso exemplar da federalização/
municipalização das políticas públicas no Brasil, mas sem dúvida não são únicos
em matéria de controle democrático social: as conferências também seguem a
estrutura federativa, e os planos plurianuais e os planos diretores são
obrigatórios para todos os municípios. A federalização dos controles
democráticos sociais chama a atenção porque inevitavelmente pressupõe que a
política de controle e da participação tornou-se parte da agenda do Estado.
Vale notar também não apenas a presença de vários dispositivos sociais e
transversais simultaneamente articulados entre si, e conectados com a sociedade
civil e com o Estado, como demonstrado pela conexão entre conselhos gestores de
políticas, por um lado, e fundos setoriais, fóruns da sociedade civil e
conferências convocadas pelo Estado, por outro, mas o fato de que esses
dispositivos se articulam em torno de uma instância - os conselhos - que conta,
no plano municipal, com formas de acordo e, por vezes, de autorização próprias
e reguladas para a seleção dos representantes da sociedade civil entre
organizações civis do mesmo campo temático e entre subpúblicos. A lógica
federativa dos conselhos corre nos dois sentidos, de cima para baixo e vice-
versa, isto é, do plano municipal para o federal, claramente uma lógica
distinta das indicações dos conselheiros do IFE mexicano. Por sua vez, a
experiência da RNSP mostra um dos traços mais interessantes da inovação
democrática no Brasil, a saber: o desenvolvimento de agentes institucionais
dentro do Estado com agendas de forte controle horizontal como o Ministério
Público e o Tribunal de Contas na experiência analisada - mas também a Polícia
Federal ou o Conselho Nacional de Justiça, entre outros exemplos possíveis. As
relações com esses agentes institucionais encontram-se entre os recursos mais
eficientes das estratégias de controle social de iniciativas civis como a RNSP.
Essa iniciativa mostra uma densidade associativa da sociedade civil - associada
a, mas não derivável automaticamente do tamanho da cidade - que torna as
iniciativas das redes de organizações civis menos vulneráveis aos humores da
política eleitoral.
Em suma, no Brasil, a federalização de parte central das inovações de controle
democrático social, a institucionalização estatal ou incorporação da questão
dos controles democráticos sociais na agenda do Estado, a presença de agentes
institucionais do Estado com agendas fortes de controle horizontal, a densidade
organizacional da sociedade civil e os efeitos multiplicadores da articulação
entre as agendas desses agentes e da sociedade civil prefiguram um regime de
controles democráticos sociais amplo, policêntrico e capilar, com potenciais
aliados estratégicos de controle horizontal dentro do Estado. Aqui, o desafio
não é claramente o de crescimento, senão o de evitar o risco de hipertrofia por
conta dos efeitos multiplicadores dos fatores anotados.
Há claros indícios de que a definição de um sistema unificado de controles
democráticos sociais está na agenda do governo, mas trata-se de uma questão
delicada e de futuro incerto.
Avançar na caracterização das arquiteturas da participação orientada ao
controle e na compreensão das implicações de seus traços para a configuração de
regimes de controles democráticos sociais encerra não somente a possibilidade
de compreender e eventualmente explicar esses regimes, mas também, como desde
sempre na análise institucional a partir dos federalistas, a promessa de
desenhar arquiteturas virtuosas para realidades prosaicas.
ERNESTO ISUNZA VERA é pesquisador do Centro de Investigaciones y Estudios
Superiores en Antropología Social (México).
ADRIAN GURZA LAVALLE é professor do departamento de Ciência Política da FFLCH-
USP, pesquisador do Cebrap e do Centro de Estudos da Metrópole.
[*] Este artigo foi escrito graças à parceria entre o Centro de Estudos da
Metrópole (CEM) e o Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en
Antropología Social (CIESAS). Os autores agradecem o financiamento do cem para
a pesquisa que consubstancia a parceria, bem como à Fapesp e ao cnpq, em cujos
programas de financiamento (CEPID e INCT) encontra-se inscrito o CEM.
[1] Pires, Roberto (org.). Efetividade das instituições participativas no
Brasil: estratégias de avaliação. Brasília: IPEA, 2011; e
Avritzer, Leonardo (org.). A dinâmica da participação local no Brasil. São
Paulo: Cortez, 2010.
[2] Isunza Vera, Ernesto e Gurza Lavalle, Adrian (orgs.).La innovación
democrática en América Latina. Tramas y nudos de la representación, la
participación y el control social. México: CIESAS-UV, 2010.
[3] Cf. Isunza Vera, E. e Olvera, A. J. (orgs.). Democratización, rendición de
cuentas y sociedad civil: participación ciudadana y control social. México:
ciesas-uv-Miguel Ángel Porrúa, 2006; Grindle, Merilee S. 1999. Audacious
Reforms. Institutional Reform and Democracy in Latin America. Baltimore: Johns
Hopkins University Press; Hevia de la Jara, Felipe. "Participación ciudadana
institucionalizada: análisis de los marcos legales de la participación en
América Latina". In: Dagnino, E., Olvera, A. J. e Panfichi, A. (coords.) La
disputa por la construcción de la democracia en América Latina. México: FCE-
CIESAS-UV, 2006.
[4] Cf. Heller, Patrick. "Moving the State: The Politics of Democratic
Decentralization in Kerala, South Africa, and Porto Alegre". Politics and
Society 29, 2001; Gaventa, John. "Representation, Community Leadership and
Participation: Citizen Involvement in Neighborhood Renewal and Local
Governance". Neighborhood Renewal Unit Office of Deputy Prime Minister.
Londres, 2004; Santos, Boaventura de Sousa. Democracia e participação: o caso
do orçamento participativo de Porto Alegre. Porto Alegre: Afrontamento, 2002.
[5] Gómez-Jáuregui, Jésica. "Participation in Reproductive Health Policies in
the Context of Health System Reform in Mexico", IDS Bulletin, vol. 38, n. 6,
Brighton, 2008.
[6] Isunza Vera, E. "El reto de la confluencia. Las interfaces socioestatales
en el contexto de la transición política mexicana (dos casos para la
reflexión)". In: La disputa por la construcción de la democracia en América
Latina, 2006.
[7] Tatagiba, Luciana. "Participação e reforma do Estado: sobre a arquitetura
da participação em São Paulo". In: O'Donnell, Guillermo, Tulchi, Joseph S. e
Varas, Augusto (orgs.). New Voices in the Study of Democracy in Latin America.
Washington: Woodrow Wilson International Center for Scholars, 2008, pp. 221-73; Gurza Lavalle, Adrian, Oliveira, Osmany, Serafim, Lizandra e
Voigt, Jéssica. "Guarulhos as best case - mapping participatory governance
structure and social conflicts". Relatório de pesquisa Chance 2 Sustain Project
(manuscrito), 2011.
[8] Cf. Plotke, David. "Representation is Democracy". Constellations 1: 19-34,
1997; Schmitter, C. Philippe. "The future of 'Real-Existing' Democracy".
Society and Economy, vol. 33, n. 22, pp. 399-428, ago. 2011; Gurza Lavalle e
Isunza. "A trama da crítica democrática: da participação à representação e à
accountability". Lua Nova, cedec, v. 84, pp. 95-140, 2011.
[9] Gurza Lavalle, Adrian, Houtzager, Peter e Castello, Graziela. "Democracia,
pluralização da representação e sociedade civil". Lua Nova, cedec, v. 67, pp.
49-103, 2006.
[10] Cain, Bruce E., Russell, J. Dalton e Scarrow, Susan E. (orgs.). Democracy
Transformed?: Expanding Political Opportunities in Advanced Industrial
Democracies. Oxford: Oxford University Press, 2003.
[11] Originário da linguística, o conceito actante foi re-significado por Bruno
Latour como parte da sua teoria do ator-rede, que permite contemplar atores
humanos e não humanos, bem como discursos. [N. do T.]
[12] García Selgas, Fernando J. "Análisis de sentido de la acción: trasfondo de
la intencionalidad". In: Delgado, Juan e Gutiérrez,Juan (orgs.). Métodos y
técnicas cualitativas de investigación en ciencias sociales. Madri: Síntesis,
1994.
[13] Long, Norman. Sociología del desarrollo. Una perspectiva centrada en el
actor. México: CIESAS-El Colegio de San Luis, 2007.
[14] Latour, Bruno. Reensamblar lo Social: una introducción a la teoría del
actor-red. Buenos Aires: Manantial, 2008.
[15] Cf. Isunza Vera, Ernesto e Hevia de la Jará, Felipe. Relaciones sociedad
civil-Estado en México. Un ensayo de interpretación. Xalapa: ciesas-Universidad
Veracruzana, 2006; Isunza Vera, Ernesto. "Para analizar los procesos de
democratización: interfaces socioestatales, proyectos políticos y rendición de
cuentas". In: Isunza e Olvera, op. cit., 2006; Isunza Vera, Ernesto. "Rendición
de cuentas desde una perspectiva comparada en América Latina. El caso de la
ciudad de São Paulo". In: Hernández, A. (coord.)Experiencias de Accountability
horizontal y social en América Latina: estudios de caso comparados en Brasil,
México, Venezuela y Colômbia. Bogotá: Unidandes, 2011.
[16] Na formalização das redes sociais, as matrizes representam quatro
possibilidades de conexão: inexistente, com vínculo entrante, com vínculo
saliente e com vínculo recíproco (ver Hanneman, Robert A. Introducción a los
métodos de análisis de redes sociales, <http://wizard.ucr.edu/~rhannema/
networks/text/textindex.html>, acessado em out. 2010).
[17] Por economia de espaço, excluímos a apresentação e a aplicação da dimensão
temporal - controle ex ante, durante e ex post.
[18] O Tribunal qualifica as eleições presidenciais em última instância. Cumpre
mencionar que o Ministério Público no México (a Procuraduría de Justicia) não é
autônomo do Executivo, como ocorre no Brasil. Cf. Isunza Vera, Ernesto.
"Árbitros ciudadanos de las disputas partidarias. Una mirada sobre los consejos
electorales federales en la contienda de 2000 en México". In: Isunza e Olvera,
op. cit., 2006; Aziz Nassif, Alberto e Isunza Vera, Ernesto. "La crisis del
modelo electoral mexicano: financiamiento, medios, instituciones y política
social". Foro Internacional 4, 2007, pp. 740-84.
[19] Cf. Gurza Lavalle, Adrian, Houtzager, Peter e Castello, Graziela.
"Representação política e organizações civis: novas instâncias de mediação e os
desafios da legitimidade". Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 21, n.
60, 2006, pp. 43-66; Gurza Lavalle, Adrian e Castello, Graziela. "Sociedade
civil, representação e a dupla face da accountability: Cidade do México e São
Paulo". Caderno CRH, UFBA, v. 21, 2008, pp. 67-86.
[20] Tatagiba, op. cit.; Teixeira, Ana Claudia e Tatagiba, Luciana. "Democracia
participativa en la ciudad de São Paulo: continuidades y rupturas". In: Isunza
e Gurza Lavalle, op. cit., 2010.
[21] Silva, Marcelo K., Cortes, Soraya M. V., Réos, Janete C. e Barcelos,
Márcio. "Cuando nuevos personajes dominan el escenario: recursos organizativos
y relaciones de poder en el Consejo Nacional de Salud de Brasil". In: Isunza e
Gurza Lavalle, op. cit., 2010.
[22] Gurza Lavalle, A., Houtzager P. e Castello, G. "Democracia, pluralização
da representação e sociedade civil", op. cit.
[23] Esta seção está baseada em Isunza Vera, Ernesto. "El reto de la
confluencia. Las interfaces socioestatales en el contexto de la transición
política mexicana (dos casos para la reflexión)", e sua atualização em Isunza
Vera, Ernesto. "Participación ciudadana como control en la escala local de la
construcción democrática: herramientas conceptuales y prácticas comparadas
México-Brasil". Apresentado no colóquio "La reconnaissance de l'égalité et de
la différence: Regards transnationaux sur la démocratisation dans les
Amériques". Centre d'études interaméricaines, Institut québécois des hautes
études internationales, Universidad Laval, Quebec, Canadá, 27 e 28 de novembro
de 2009.
[24] Este trecho retoma de modo sucinto Isunza Vera, Ernesto. "Rendición de
cuentas desde una perspectiva comparada en América Latina. El caso de la ciudad
de São Paulo".
[25] Przeworski, Adam, Stokes, Susan C. e Manin, Bernard. "Elections and
representation". In: Democracy, Accountability and Representation. Cambridge:
Cambridge University Press, 1999, pp. 29-54.
[26] Essas características também foram constatadas comparando tanto a
construção política das sociedades civis quanto o modus operandi da sociedade
civil na Cidade do México e em São Paulo (ver Gurza Lavalle, Adrian e Bueno,
Natália. "Waves of Change within Civil Society in Latin America: Mexico City
and São Paulo". Politics & Society, v. 39, 2011, pp. 415-50; Gurza Lavalle, Adrian, Houtzager, Peter e Castello, Graziela. "La
construcción política de las sociedades civiles". In: Gurza Lavalle, Adrian
(org.). El horizonte de la política - Brasil y la agenda contemporánea de
investigación en el debate internacional. México: CIESAS, 2011.