Cinema e Estado no Brasil: a Exposição Internacional do Centenário da
Independência em 1922 e 1923
Ocorrida entre 1922 e 1923 na cidade do Rio de Janeiro, a Exposição
Internacional do Centenário da Independência do Brasil foi um evento idealizado
pelo governo para mostrar ao mundo o grau de desenvolvimento do país no
primeiro evento deste tipo feito depois da Primeira Guerra Mundial. O espaço
urbano da então capital da República sofreu uma incisiva intervenção, que tinha
como objetivo abrir avenidas e erigir pavilhões para receber os representantes
de diferentes países. A comissão encarregada de organizar as comemorações
recorreu, entre outras ações, ao cinema, meio de comunicação de massas que
então se consolidava, com o intuito de colaborar neste trabalho de construção
de uma imagem moderna do país diante da comunidade internacional1. Pela
primeira vez em sua história, o Estado brasileiro ocupava-se do cinema. Ainda
que de forma momentânea, essa rápida intervenção antecipou questões de ordem
política e cultural que entraram em pauta nos anos de 1930 e 1940,
principalmente o seu emprego para fins de propaganda. Ao mesmo tempo, revelou
certos mecanismos de regulação e algumas contradições que permanecerão ao longo
da história do novo meio.
O CINEMA E AS EXPOSIÇÕES INTERNACIONAIS
A Exposição Universal de 1900 realizada em Paris foi a primeira feira mundial
que se notabilizou pela presença significativa do cinema entre suas atrações.
Esse espaço evocativo ofereceu à recente novidade no campo do entretenimento a
possibilidade e a chance de um reconhecimento oficial e internacional2.
Não há estudos que permitam estabelecer com precisão como o espaço das
exposições internacionais abrigou, em suas múltiplas edições, o cinema. É
sabido, por exemplo, que o diretor norte-americano David Griffith assistiu
Cabiria (1914), de Giovanni Pastrone, no pavilhão italiano da Exposição
Internacional de São Francisco de 1915 (Estados Unidos). O impacto da projeção
levou Griffith a reexaminar o projeto que sucederia O nascimento de uma nação
(1915), épico que é um marco na consolidação do cinema narrativo clássico e na
sua instituição como fato cultural e social. O diretor teria resolvido ampliar
o escopo de sua próxima obra, conferindo-lhe feições monumentais. O resultado,
ambicioso não apenas do ponto de vista da produção, mas também estético, foi
Intolerância (1916)3.
É significativa a convergência entre esse espaço de celebração e o cinema-
espetáculo, exemplarmente conjugada na exibição de Cabiria no pavilhão italiano
em 1915, em primeiro lugar, por conta do próprio estatuto atingido pelo cinema
nesse momento. Ao se consolidar como meio de comunicação de massa, o cinema
passou a ser utilizado cada vez mais como "vitrine" em que a nação projeta,
diante de si e dos outros, as virtudes nacionais a serem celebradas em um
cenário marcado pelo imperialismo. Foi vontade manifesta dos países com uma
indústria cinematográfica estruturada que determinados filmes fossem vistos
como expressão do orgulho nacional, dada a condensação de pujança econômica,
avanço técnico, talento artístico e competência administrativa em obras como as
de Griffith, Pastrone e outros. Nas primeiras décadas do século xx, ainda mais
do que hoje, a competência técnica e discursiva (em termos do domínio de
procedimentos narrativos específicos) cinematográfica significava progresso
nacional e superioridade numa competição que transferia para a nova arte o
papel desempenhado eminentemente pelas exposições universais ao longo do século
xix. Como os pavilhões nacionais, como as máquinas de última geração, o novo
grande espetáculo visual apoiado em alta tecnologia projetou-se nas telas para
assumir a dimensão de monumento, espécie de alegoria nacional antes mesmo do
conteúdo de experiência humana focalizado por suas representações.
Há um enorme distanciamento entre este quadro aqui delineado e a cinematografia
brasileira, cuja marca nesse período é mais precária4. A seu modo, o Brasil nos
anos de 1920 e início da década seguinte tentava acompanhar aquela tendência
mundial, como atestam as iniciativas do Estado de incorporar o cinema à
Exposição Internacional do Centenário da Independência. Nos vários
documentários encomendados para esse evento existe a mesma vontade de
perpetuação pela imagem cinematográfica de uma memória histórica. Sua
veiculação pelas salas de exibição no recinto da Exposição representava um
esforço imagético de conferir uma identidade moderna ao Brasil por intermédio
dos filmes.
A EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA
Anita Simis, preocupada em identificar na história do cinema brasileiro "uma
política cultural que tivesse no horizonte o desenvolvimento de uma indústria
cinematográfica estável e permanente", vê esse momento como uma das
"iniciativas de grande envergadura" que "naufragaram não sem deixar seus cascos
expostos"5. Sua análise volta-se para dois períodos históricos: o autoritário,
correspondente aos anos de 1930 a 1945, e o democrático, fase terminada com o
golpe militar de 1964. No entanto, apesar da ausência daquele horizonte, Simis
reconhece que em 1922 e 1923,
[...] a par da cavação privada e oficial, [...] a iniciativa da
concessão de verbas para a produção partiu do próprio Estado e várias
pessoas se aventuraram na produção de filmes para a Exposição,
geralmente documentários. Alguns, como os Del Picchia, chegaram a
fundar uma firma, a Independência Omnia Film, que depois produziu os
48 números do jornal Sol e Sombra (1923-1925)6.
De fato, ao que tudo indica, as medidas tomadas em relação à produção de filmes
para a Exposição do Centenário não tiveram como meta a constituição de uma
política cultural de longo prazo para a indústria cinematográfica. Indício
desta ausência é o fato de que nenhuma das ações empreendidas pelo Estado tenha
sido transformada em lei, ao contrário das medidas adotadas pela implementação
do cinema educativo nos anos de 1930, consubstanciadas pelo conhecido decreto
nº 21240, de 4 de abril de 1932.
Apesar disso, entendo que o estudo das iniciativas ligadas ao cinema em 1922 e
1923 contribuem para compreender melhor o seu lugar dentro de uma política
cultural mais ampla, na qual a dimensão de propaganda política e cultural
ocupava papel central, por mais que não tenham sido criados departamentos ou
órgãos específicos. Nesse sentido, discordo parcialmente de Simis quando
afirma:
É de se notar, portanto, que, embora neste período a cavação tenha
produzido documentários e jornais cinematográficos constituídos de
propaganda política e comercial, o cinema ainda não havia sido
incorporado a um projeto de propaganda oficial, seja para a
propaganda do Brasil no exterior, seja para a propaganda interna dos
feitos do governo7.
Para a autora, isso somente teria ocorrido quando o Departamento de Propaganda
e Difusão Cultural tornou-se em 1938 Departamento Nacional de Propaganda, sob o
controle de Lourival Fontes, que dirigiria no ano seguinte o Departamento de
Imprensa e Propaganda (DIP).
No contexto da Exposição, a preocupação com a propaganda estava vinculada,
desde o início, aos filmes, mas diferentes atividades reclamavam a participação
dos cinegrafistas, como a divulgação dos chamados Bônus da Independência, que
demandava a confecção de pequenas mensagens escritas no formato de letreiros
para serem projetados nas telas dos cinemas da cidade antes ou depois dos
longas metragens.
Para o serviço, pequeno se comparado ao pedido de documentários, a concorrência
foi grande. Quase todas as empresas sediadas no Rio de Janeiro colocaram seus
préstimos à disposição, como foi o caso da Carioca Film, de Alberto Botelho, da
Botelho Film, de Paulino Botelho e José Alves Netto, da Empreza Carioca de
Reclames Animados e da Famous Players - Lasky Corporation, representada por
José Ribeiro Guimarães. Quem terminou por ser contratado para a empreitada foi
a Empreza de Divulgação e Propaganda Mundial, de Antonio Leal. Pelo período de
15 de novembro de 1921 a 15 de fevereiro do ano seguinte, Leal recebeu 60
contos de réis. A prorrogação do contrato estava prevista, tendo um custo para
a Comissão de 15 contos por mês8. De acordo com a documentação seriam atingidos
394 cinemas (o número varia conforme a proposta - em alguns casos são
mencionadas 900 salas de exibição9). A despeito da divergência numérica,
estimou-se que 90% dos cinemas tenham exibido os letreiros.
A principal ação, no entanto, estava reservada à realização e à exibição de
filmes. Projeções cinematográficas já estavam previstas em dezembro de 1920,
data em que o plano geral das comemorações foi se adensando. Publicou-se a
intenção de se aproveitar os filmes já existentes sobre a história e a
geografia do país10, cabendo ao Ministério da Agricultura, Indústria e
Comércio, a princípio, "o preparo e a exhibição de filmes no recinto da
Exposição"11. Não deixa de ser inusitada a ideia de que um ministério se
encarregasse da produção de películas, pois certamente ele não teria condições
técnicas (equipamentos, laboratórios e equipe de trabalho) naquele momento de
tomar para si a tarefa de confeccionar obras cinematográficas, o que só se
tornará possível em 1936 com o Instituto Nacional de Cinema Educativo (Ince),
criado no governo de Getúlio Vargas. O que se percebe, de fato, é que as
autoridades não tinham a exata dimensão desta atividade, que é no fundo uma
atividade econômica, e que no Brasil, nessa perspectiva, praticamente não
existia. Tendo em vista o tamanho das transformações operadas na cidade do Rio
de Janeiro para a Exposição, como o arrasamento do Morro do Castelo, talvez
parecesse simples aos olhos dos envolvidos com a organização do evento a
realização de algumas dezenas de documentários, trabalho que, como veremos, se
revelou árduo.
Na discussão sobre o conteúdo das obras, Antero de Almeida propôs a realização
de um filme histórico, cujo plano foi apresentado a 11 de fevereiro de 192112,
mas em seguida abandonado, pois as dificuldades
[...] provêm das exigências de uma reconstituição de tal natureza,
maximé quanto ás questões technicas á indumentária, o trabalho
artistico, difficil de obter sem o concurso de profissionaes
extrangeiros. A idéia é exeqüível, mais as enormes despezas que virá
acarretar e o tempo imprescindível para a realização não permittem
leva-la a effeito até settembro do anno vindour13.
Assim, prevaleceu o que consta do programa final do evento, a saber, a
[...] exibição gratuita, em dias determinados, no recanto da
Exposição, de filmes referentes á história, á geographia, á natureza
e á civilização do Brasil, de paisagens, costumes e typos, de
indumentária e habitação, de aspectos dominantes da vida agrícola e
da vida urbana, como beleza, cultura e progresso14.
Nota-se, na documentação referente aos projetos que os cinegrafistas
apresentavam às autoridades com o objetivo de conseguir a exclusividade de
realização do material de divulgação dos bônus ou dos próprios filmes a serem
exibidos na Exposição, que não apenas as elites no Brasil tinham consciência do
papel a ser desempenhado pelo cinema como instrumento de propaganda: a ideia
era disseminada entre os próprios cinegrafistas, mesmo que pesasse nessa
percepção a perspectiva comercial.
Na proposta de José Alves Netto15, por exemplo, o proponente discorre sobre a
importância da propaganda e o quanto é acertada a divulgação dos serviços do
bônus por intermédio do cinema. Para ele,
A ideia da propaganda de venda de "Bonus" por meio de letreiros nos
films cinematographicos, não sendo uma ideia nova é talvez a mais
acertada dado a grande influencia que este exerce sobre o publico,
influencia acentuada em todo o mundo, e onde por isto mesmo as
propagandas surtem os seus effeitos mais seguros.
Ele fornece diversos exemplos de "verdadeiros impossíveis" que teriam sido
alcançados por meio do cinema nos Estados Unidos, tais como: "o serviço militar
obrigatório; o imposto de guerra; a suppressão do acool [sic]; o voto
feminino". Além disso, informa que o presidente Warren Harding (1921-1923) "fez
a propaganda de sua candidatura victoriosa por meio de films".
Alberto Botelho, outro cinegrafista que dirigiu filmes para a Exposição do
Centenário, apresentou um pequeno histórico de seu envolvimento com o Estado,
iniciado em 1912. Sobre o papel do cinema como propaganda, recorre novamente
aos Estados Unidos como paradigma para o assunto, ressaltando que:
[...] ninguém mais do que nós, os brasileiros, temos tanta
necessidade desta propaganda, por ser ella a ÚNICA PROVEITOSA,
EFFICAZ E SEGURA, porque é feita verdadeiramente as Nações e não aos
seus Governos somente, aos seus cidadãos, as cellulas vitaes dos
organismos sociaes16.
A historiografia sobre o tema havia localizado esta discussão sobre o papel
político do cinema mais à frente, principalmente quando os redatores da revista
Cinearte, criada em 1926, desenvolveram uma campanha a favor da cinematografia
nacional. Segundo a análise de Maria Rita Galvão e Jean-Claude Bernardet, o
periódico tem uma posição um pouco mais matizada em relação à função
propagandística do cinema por defender o "Cinema Arte" e a propaganda indireta
por meio do filme de ficção, evitando o documentário. De acordo com os autores,
É tese de alguns que essa propaganda não deve ser feita por meio dos
documentários. E por esse motivo eles não querem dinheiro dos
governos; querem amparo legislativo, porque dinheiro levaria a
documentário de propaganda direta. A prática, aliás, demonstrou que
eles tinham fartamente razão17.
Galvão e Bernardet situam essa "prática" nos anos de 1930 e 1940. Porém, ela é,
de fato, gestada na Exposição Internacional de 1922. Adhemar Gonzaga, um dos
redatores de Cinearte, colaborara antes com o periódico Paratodos. O crítico
havia acompanhado de perto todas as iniciativas feitas para o evento,
decorrendo daí, talvez, essa orientação posterior a favor do filme de ficção.
Era necessário, portanto, iniciar os documentários idealizados no projeto
geral. Foi reservada para a sua consecução uma considerável verba, apesar de
esta não ter sido incluída no primeiro orçamento referente às despesas com o
evento18. A não previsão de verba demonstra um certo despreparo das autoridades
no reconhecimento efetivo da dimensão econômica da atividade. Mesmo que isso
tenha sido corrigido depois com uma dotação específica dentro do orçamento
geral, talvez não houvesse em um primeiro momento noção precisa sobre o
montante a ser gasto19.
O apoio aos cinematografistas era dado de diferentes maneiras. Em primeiro
lugar, via pagamento feito por documentário realizado. O dinheiro era recebido
não por filme pronto, mas por metro. Em um ofício de Alfredo Musso à Comissão
Organizadora, ele relembra os termos de seu contrato: "10,000 metros de films
cinematographicos, 7$000 o metro"20. O pagamento por metro induzia a um
expediente comum entre os cinegrafistas do período, qual seja, o de girar a
manivela da câmera o máximo possível, preenchendo o filme com imagens que pouco
acrescentavam à história, pois era preciso atingir a metragem combinada. Ao
mesmo tempo, sinaliza da parte das autoridades uma visão destituída de qualquer
viés artístico: pagava-se pela mesma medida que se utilizava para comprar
tecidos. Nessa via de mão dupla, as margens eram estreitas demais para o
surgimento de uma obra que tivesse um traço autoral.
Outra medida muito importante de incentivo foi tomada: a concessão de isenção
de pagamento das taxas de importação dos negativos e de todo material químico
necessário à sua revelação21. A sua vigência foi pequena: durou, infelizmente,
enquanto a Exposição Internacional esteve aberta. Terminada, as taxas voltaram
a ser cobradas.
As isenções acima referidas sempre foram reivindicadas pelos produtores e
diretores em períodos posteriores, principalmente nos anos de 1930 e 1940,
quando o custo das importações aumentou significativamente. Edgar Roquette-
Pinto, antropólogo nomeado diretor do Ince em 1936, afirma em relatório do
instituto de fevereiro de 1937:
Infelismente até hoje o cinema nacional de todos os typos tem andado
nas terriveis contingencias de um autor que tivesse de escrever uma
pagina de arte ou de sciencias num pedaço de papel precioso. No
cinema do Brasil o velho preceito da Arte Poetica resumido no verso
de Boileau "Copiez le et le recopiez..." tem sido letra morta: o film
virgem é muito caro para que o cinematographista repita dez ou vinte
vezes a filmagem. Si a coisa, logo da primeira vez, dá, mais ou
menos... aproveita-se. E o cinema brasileiro não sahirá do mais ou
menos até poder dispor de filme virgem á larga. Nenhum escriptor ou
mathematico tomaria o compromisso de compor uma boa pagina ou
resolver um problema arduo numa só folha de papel. É o que acontece
aqui, actualmente, em materia de cinema22.
O problema da falta de recursos e de infraestrutura à disposição de nosso
cinema sempre foi crônico, deixando-o muito próximo do "menos" do que do
"mais". Durante um curto período de dois anos, uma ação política do governo
permitiu uma produção contínua e expressiva de documentários, mostrando que
economicamente a isenção não era inviável ou prejudicial às finanças do Estado,
argumentos frequentemente levantados contra as demandas de cineastas e
produtores. Tratava-se, enfim, de prioridades estabelecidas. Em 1922 e 1923,
tudo deveria corroborar o esforço de enaltecimento de nossas pretendidas
virtudes, tendo o cinema papel decisivo nesse empreendimento. Findos os
trabalhos e recolhidas as fantasias progressistas, não apenas os pavilhões
foram derrubados, mas também tudo o que restou de incentivos econômicos dado a
um setor que, sem ele, voltaria ao seu próprio ritmo de dificuldades e de
precário equilíbrio.
Como contrapartida ao apoio material, os cinegrafistas deviam seguir o programa
elaborado pela Comissão para a realização de "films cinematographicos". Esse
programa era dividido em tópicos (a cultura do cafeeiro, a cultura da cana-de-
açúcar, a cultura do algodoeiro etc.), e cada item era explicado em detalhe. O
cinegrafista deveria cobrir, por exemplo, todos os pontos atribuídos a um dos
temas elencados. Não era suficiente apenas representar "a cultura do cafeeiro"
em geral, mas sim obedecer uma "pauta" que abarcava todo o processo de
produção, a saber, "desde a derrubada até a queimada; o alinhamento, cavação, a
plantação, as casinhas de café, até o cafesal formado; desde o trato cultural
até a colheita [...]", e assim por diante23. Esse programa deveria "ser
fielmente executado"24.
Por esse programa é difícil imaginar que houvesse qualquer espaço para a
criatividade formal no tratamento do tema, pois tudo era limitado ao registro
visual das atividades. Prevalece nos filmes que sobreviveram25, assim, a câmera
fixa e as lentas panorâmicas, preocupadas mais em descrever o que a objetiva
tinham à sua frente, tônica descritiva reforçada pelos letreiros explicativos,
repletos de informações minuciosas sobre o funcionamento de uma determinada
máquina ou sobre a importância de certo produto. Em geral, o tom era muito
próximo ao de um relatório oficial de diretoria de um instituto governamental.
A diferença em relação às sucessivas páginas dos maçudos documentos
burocráticos de final de gestão ou de ano residia na apresentação dos mesmos
fatos em imagens em movimento, perspectiva "estética" que parecia ser
suficiente aos responsáveis pela encomenda, políticos e intelectuais que
nenhuma afinidade tinham com o cinema. Tudo isso era pouco, na verdade, para
elaborar filmes que conseguissem de fato se comunicar com um público mais amplo
do que aquele composto pelos membros da Comissão Organizadora, preocupados
apenas com a presença dos pontos indicados pela pauta nos filmes pagos a metro.
Os cinegrafistas, obrigados por contrato a cumprir o que fora prescrito,
somente poderiam realizar obras de ritmo lento e sem qualquer elemento
dramático a estabelecer a ponte entre o espectador e o visto na tela. As
chances para o surgimento de algo como Nanook (1922), de Robert Flaherty, eram
nulas, dado que se abdicava de tudo aquilo que o cinema poderia fornecer do
ponto de vista comunicacional.
Se, de um lado, a obrigatoriedade expressa em contrato demonstra que as nossas
elites pouco conheciam de cinema, dado que o resultado previsível dessa postura
seria, como foi, um filme institucional no pior sentido, de outro, a
regulamentação funcionava como uma tentativa de controle sobre a imagem
produzida. Os chamados naturais (nome dado aos documentários da época) até
então vistos transmitiam uma imagem do país distinta daquela desejada pelas
elites, fato já amplamente discutido pela historiografia do cinema
brasileiro26. Incorporar a produção documental ao espaço destinado ao culto da
beleza, da cultura e do progresso em 1922 não deixava de ser um desafio
temerário aos olhos daqueles que somente viam nela defeitos. Ao mesmo tempo,
essa incorporação indica, da parte do governo, uma aposta nas possibilidades de
nossos cineastas cumprirem o intento proposto. A falta de continuidade da
política de isenção aponta, certamente, para uma insatisfação com os resultados
colhidos.
Em todo caso, ao menos uma produção conseguiu atingir os objetivos propostos,
tendo sido bem recebida pela crítica e feito grande sucesso de público. Exibido
primeiramente na Exposição Internacional do Centenário, em 1923, recebeu do seu
júri a medalha de ouro27. Trata-se de No país das amazonas (1922), de Silvino
Santos, responsável por traduzir filmicamente uma leitura do Brasil proveniente
do século XIX e muito representada nas artes plásticas daquele período, segundo
a qual a especificidade da nação brasileira dentro do quadro geral das
civilizações decorre da submissão de nossa exuberante natureza aos desígnios da
civilização28. É nesses termos que O Estado de S. Paulo enaltece uma passagem
do filme: "grande batalha quotidiana com a mata para extracção, preparo e
remessa dos seus productos, a começar na borracha e acabar na castanha"29.
O filme que melhor expressa os ideais pretendidos pela Comissão não foi,
curiosamente, por ela financiado e controlado, o que permitiu que não seguisse
de todo os seus preceitos. Os recursos vieram de um dos maiores empresários
amazonenses do período, Joaquim Gonçalves de Araújo, mais conhecido como J. G.
Araújo. Como veremos, as negociações ligadas à participação de No país das
amazonas na Exposição Internacional do Centenário demonstram também os limites
da ação do Estado nesse processo de inserção do cinema às feiras
internacionais, bem como atestam a força dos poderes locais, repetindo uma
dinâmica que não se limitava apenas ao campo do cinema, como sabido.
Entre os meses de junho e julho de 1921, os responsáveis pela organização do
evento consultaram governos estaduais e municipais, ministérios e repartições,
instituições civis e empresas particulares para saber da existência de
películas que atendessem ao programa idealizado para a exposição.
Das duas respostas que chegaram de Manaus, uma foi de Agesilau de Araújo, filho
do empresário. Em julho de 1921, ficamos sabendo por seu intermédio que Silvino
Santos já havia partido para Rio Branco a fim de concluir "um film
cinematographico de diversos aspectos do Amazonas" a ser finalizado "dentro de
mais ou menos seis mezes"30.
O plano da obra já estava claramente delineado pelos produtores nesse momento,
conforme demonstra a documentação31. A empresa J. G. Araújo, por sua vez,
tentou arrendar o material filmado para a Comissão Organizadora, como aparece
na correspondência trocada em 27 de julho32. A intenção era alugar "duas copias
perfeitas com descripções portuguez francez inglez reservando direito
propriedade terminada exposição pela importância de cincoenta contos pagos
occasião entrega copias"33.
Naquele momento talvez não estivesse claro para J. G. Araújo qual seria o
destino do filme: a sua exibição como um dos produtos da empresa, escolha
firmada mais à frente, ou a sua venda aos organizadores do evento para
exploração dentro dos recintos da Exposição e fora do país. Em outubro de 1921,
quando boa parte da obra parece já ter sido registrada34, o que seria No país
das amazonas é mencionado no plural, indicando a possibilidade de
comercialização desses registros como um programa contendo diversos
complementos35, procedimento comum no período.
Nesse meio tempo, o governador de Amazonas havia respondido em telegrama, após
a consulta formal acima referida36, "não ter Estado nenhum film", abrindo-se
uma brecha para a comercialização dos materiais registrados por Silvino a mando
de J. G. Araújo37. Em 30 de novembro, o delegado da Comissão Organizadora no
Estado de Amazonas e Território do Acre, Monteiro Souza, encaminhou à Comissão
Organizadora a proposta de arrendamento de J. G. Araújo38.
Nesse encaminhamento, Monteiro Souza argumentou a favor da qualidade do
trabalho de Silvino Santos e do papel importante desempenhado por J. G. Araújo
na economia amazonense:
Cumpre-me informar que o proponente é o mais importante commerciante
desta praça e que o operador já trabalhou para a "Amazônia Film", tem
grande pratica e é artista competente. Por algumas photographias e
copias dos films que me foram mostrados os quaes junto remetto a V.
Excia. para verificar o trabalho, pode-se notar a perfeita nitidez da
parte artística39.
Esse pedido foi rejeitado em 13 de janeiro de 1922, pois "os serviços relativos
a films do Estado de Amazonas já foram contractados com o sr. Rodolfo Lima
Penante e não dispõe mais esta Commissão de verba para esses serviços"40.
Telegrama anterior chegou a informar que Penante havia embarcado para Manaus a
fim de iniciar conversações em torno dos registros cinematográficos41. O
cinegrafista seria o responsável por "tirar films por conta desta Commissão nos
Estados do Norte, desde a Bahia até o Amazonas" e da reunião com o delegado
seriam selecionados "os assumptos (principalmente culturas e industrias) que
mais convenha sejam filmados" 42.
A resposta negativa à tentativa malsucedida de negociação trazia em seu bojo
uma nova dificuldade para J. G. Araújo: a contratação de outro cinegrafista
para a realização dos naturais no Estado. O empresário contou com o apoio
decisivo de Monteiro Souza para convencer a Comissão Organizadora da Exposição
Internacional a aceitar o trabalho de Silvino Santos. Além da propalada
qualidade, em carta de 14 de fevereiro de 1922, Souza aponta para outro
impedimento, decisivo tendo em vista a aproximação do 7 de setembro: "Com as
diversas explorações dos productos naturaes aqui se fazem em diversas ephocas
do anno, talvez não possa o sr. Lima Penante no exíguo tempo de que vae dispor,
apanhar os aspectos da maior parte dellas"43. Diante das dificuldades e da
advertência, Penante ocupou-se, afinal, de outros estados, como Pará, Maranhão,
Ceará e Paraíba. A autorização dada à iniciativa de J. G. Araújo garantiu,
enfim, a posterior exibição do filme no recinto da Exposição Internacional.
Sem passar pelo crivo direto da Comissão Organizadora, sem a necessidade de
obedecer de forma rígida ao programa seguido pelos outros cinegrafistas e,
enfim, sem a presença de ninguém além de sua câmera no instante da filmagem,
Silvino Santos conseguiu maior liberdade no trato do tema a que se dedicou,
fato que é significativo para a constituição do que é No país das amazonas.
Em síntese, é possível perceber nesse percurso um Estado preocupado em adotar
novas estratégias de convencimento da população, recorrendo para tanto ao meio
de comunicação de massa recém-consolidado, adoção que demonstrava a sintonia do
Brasil com as iniciativas de outros países. Para reforçar esse diagnóstico,
basta lembrar de um caso então recente para o contexto aqui tratado. David
Griffith fora convidado pelos britânicos, no final de 1916, para fazer um filme
a fim de convencer os norte-americanos a entrarem na Primeira Guerra Mundial. O
diretor chegou a filmar nas zonas de conflito, mas a entrada dos Estados Unidos
na guerra em 1917 fez com que o projeto ganhasse rumo diferente. O filme de
ficção dedicado a mostrar o horror da guerra, Hearts of the world (1918), foi o
resultado desta empreitada. O ineditismo nesse episódio deriva do fato de o
cinema ter sido pela primeira vez objeto de uma ação política coordenada pelo
Estado, grande passo se pensarmos que no início do século XX o consumo das
imagens em movimento era restrito às feiras populares, aos vaudevilles e aos
cafés-concerto44.
Griffith é um exemplo de que nos anos de 1920 o efetivo modelo de um cinema
político, tal como expresso nas opiniões dos contemporâneos aqui recuperados,
era aquele feito nos Estados Unidos. Nessa perspectiva, os nossos governantes
buscavam equiparar o Brasil à nação que empregava o cinema para enfatizar o
trinômio modernidade, domínio econômico e controle político, como comentado
anteriormente a propósito do seu ingresso na era das Exposições Internacionais.
Procurava-se aqui reeditar o encontro prometido em Paz e concórdia, tela de
1902 de Pedro Américo. Na representação idealizada pelo pintor, vemos a jovem
nação brasileira, interpretada por uma figura feminina, caminhando na direção
de outras, entre as quais a norte-americana, a primeira do cortejo, que lhe
estende uma coroa de louros e uma palma.
A equiparação e o encontro, no caso do cinema, continuam como promessa, vontade
manifesta de um desenvolvimento que resolveria todos os problemas do setor ao
estabelecer uma efetiva comunicação com seu público a partir dos mesmos
patamares narrativos. A singularidade do Brasil, no entanto, era e ainda é
marcada pela ausência de uma indústria de cinema. Nos anos de preparo e
realização da Exposição Internacional do Centenário da Independência não havia
entre os cinegrafistas qualquer espírito associativo, dificultando ainda mais o
entendimento adequado de suas demandas e de suas necessidades por parte do
aparato estatal, para além das questões ligadas à manifesta precariedade dos
filmes aqui realizados.
Por fim, esse momento também é produtivo para pensarmos a relação entre
política e estética, dado que o histórico da produção de No país das amazonas
mostra que os filmes não corroboravam, necessariamente, a intenção esboçada nos
projetos ideológicos de origem.
O cenário de palácios e monumentos que no quadro de Pedro Américo serviu de
pano de fundo ao desfile das alegorias republicanas ganhava sua concretude nas
ruas da antiga capital vinte anos depois de Paz e concórdia. Na primeira feira
internacional realizada no país, os governantes estavam atentos ao papel cívico
a ser desempenhado pelo cinema, machine mémorielle do século XX45 que incidia
em um campo até então não conhecido inteiramente. Apesar dessas dificuldades,
na década de 1920 os laços entre cinema, política e Estado no Brasil se
estreitaram. Os dados foram lançados, sendo os resultados, positivos e
negativos, colhidos mais à frente.
EDUARDO MORETTIN é professor de História do Audiovisual na Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
[*] Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho "Fotografia, Cinema e Vídeo", do
XIX Encontro da Compós, na PUC-RJ, em junho de 2010. Pesquisa financiada com
auxílio do CNPq.
[1] Para a presença do cinema nesse contexto, ver Morettin, Eduardo. "O cinema
e a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil".
Artcultura: Revista de História, Cultura e Arte, vol. 8, nº 13, 2006, pp. 189-
201. Sobre a exposição, ver Motta, Marly Silva da. A nação
faz 100 anos: a questão nacional no centenário da independência. Rio de
Janeiro: FGV/CPDOC, 1992; Kessel, Carlos. A vitrine e o
espelho: o Rio de Janeiro de Carlos Sampaio. Rio de Janeiro: Secretaria das
Culturas/Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural/Arquivo Geral
da Cidade do Rio de Janeiro, 2001; Sant'Ana, Thais Rezende da
Silva de. A Exposição Internacional do Centenário da Independência: modernidade
e política no Rio de Janeiro do início dos anos 1920. Campinas, SP: dissertação
de mestrado, Unicamp, IFCH, 2008.
[2] Os dados referentes a essa participação foram historiados por Toulet,
Emmanuelle. "Le cinéma à l'exposition universelle de 1900". Revue d'Histoire
Moderne et Contemporaine, nº 33, 1986, pp. 179-209.
[3] Cf. Xavier, Ismail. "De monumentos e alegorias políticas: a Babilônia de
Griffith e a dos Taviani". Estudos de Cinema, nº 2, 1999, pp. 76-84.
[4] Sobre esse assunto, ver Morettin. "Dimensões históricas do documentário
brasileiro no período silencioso". Revista Brasileira de História, vol. 25, nº
49, 2005, pp. 125-52.
[5] Simis, Anita. Estado e cinema no Brasil. 2 ed. São Paulo: Annablume/Rumos
Itaú Cultural, 2008, p. 10.
[6] Ibidem, p. 85.
[7] Ibidem.
[8] Ver "Termo de contracto que faz a Commissão Executiva da Commemoração do
Centenário da Independência do Brasil com Antonio Leal para a propaganda do
Bônus da Independência mediante films" (Arquivo Nacional, Fundo I1, Comissão
Executiva da Commemoração do Centenario da Independência [Cecci], pasta 2382).
(No caso dos documentos de época referentes à Exposição manteve-se a ortografia
original.)
[9] Ver Carta de Antonio Leal a Delfim Carlos Silva, encarregado do serviço de
propaganda e de collocação dos "Bônus da Independencia", sem indicação de data
(Arquivo Nacional, Fundo I1, Cecci, pasta 2483).
[10] Cf. Artigo de jornal, sem indicação de local de publicação e data, colado
à ata da terceira reunião da Comissão, realizada em 14 de dezembro de 1920 (Cf.
Ibidem, pasta 2390).
[11] "Regimento interno da comissão executiva da commemoração do primeiro
centenário da Independência política do Brasil". A Exposição de 22, nº 1, jul.
1922, p. 28. Deve ser observado que a revista A Exposição de
22 era uma publicação oficial da Comissão Organizadora da Exposição.
[12] Cf. Artigo de jornal, sem indicação de local de publicação, colado à ata
da segunda sessão da Comissão Executiva, realizada em 11 de fevereiro de 1921
(Arquivo Nacional, Fundo I1, Cecci, pasta 2390).
[13] De acordo com a ata da sexta sessão da Comissão Executiva, realizada em 4
de março de 1921 (Ibidem).
[14] Cf. "Programma para a comemoração do primeiro centenário da Independencia
política do Brasil" e "Centenario da Independência 1822-1922: programma da
comemoração e regulamento geral da exposição". A Exposição de 22, nº 1, jul.
1922, pp. 27 e 8, respectivamente. Ver também Motta, op.
cit., p. 68.
[15] Endereçada a 28 de setembro de 1921 ao presidente da Comissão do
Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio na Exposição do Centenário, em
papel timbrado da Botelho Film (Cf. Arquivo Nacional, Fundo I1, Cecci, pasta
2482).
[16] Carta de Alberto Botelho ao então prefeito do Distrito Federal, Carlos
Sampaio, "sobre a confecção de films para comemorar o Centenario da
Independencia do Brazil" (Ibidem, maiúsculas no original).
[17] Galvão, Maria Rita e Bernardet, Jean-Claude. Cinema: repercussões em caixa
de eco ideológica. São Paulo: Brasiliense/Embrafilme, 1983, p. 57.
[18] São 350 contos "para occorrer á despeza proveniente da execução do serviço
de films do Centenario". Declaração de J. Ferreira Chaves, tesoureiro da
Comissão Executiva do Centenário, de 17 de março de 1922 (Cf. Arquivo Nacional,
Fundo I1, Cecci, pasta 2388).
[19] Corrobora essa impressão o fato de não ter sido encontrada na documentação
consultada nenhuma planificação detalhando a quantidade de filmes a ser
produzida e os custos gerais de produção por película (incluindo despesas com
viagens, locações, técnicos etc.).
[20] Carta de A. Musso a Pádua Resende, de 29 de novembro de 1921, em papel
timbrado da Photographia Musso (Cf. Arquivo Nacional, Fundo I1, Cecci, pasta
2455).
[21] Carta de Alberto Botelho, por ele assinada em papel timbrado da Film
Jornal, de 2 de janeiro de 1922, endereçada a Antonio de Pádua Assis Rezende,
encarregado da seção de filmes (Ibidem).
[22] Sem título, Fundação Getúlio Vargas/CPDOC, GC 35.00.00/2, I-8, pp. 3-4. O
documento na verdade é um relatório da sua viagem, que foi publicado no Jornal
do Comércio, em 23 de fevereiro de 1937, pp. 3-4, sob o título "Cinema
educativo: o relatório de sua viagem a Europa, apresentado pelo professor
Roquette Pinto ao Ministro da Educação".
[23] Esse é o programa geral que recebe Salvador Aragão, da Brazil Natural
Film, mas todos os cinegrafistas contratados seguiam o mesmo documento (Cf.
Arquivo Nacional, Fundo I1, Cecci, pasta 2455).
[24] Carta de Pádua Resende, encarregado da seção de filmes, a A. Musso de 28
de novembro de 1921 (Ibidem).
[25] Entre os títulos existentes para consulta na Cinemateca Brasileira, temos:
Companhia Fabril de Cubatão (1922), de João de Sá Rocha; Companhia Paulista de
Estradas de Ferro (1929), Rossi Films; Sociedade Anônima Fábrica Votorantim
(1922), de Armando Pamplona; Exposição do Centenário: 1822-1922 (1922);
Exposição Nacional do Centenário da Independência do Brasil em 1922 (1922);
Independência no Brasil em 1922 (1922), da Brasilia Film; e os filmes feitos
com material de arquivo da época, a saber, Fragmentos da "Terra Encantada"
(1970), de Roberto Kahané, e 1922: a Exposição da Independência (1970), de
Roberto Kahané e Domingos Demasi.
[26] Além dos trabalhos já citados, ver também Galvão. Crônica do cinema
paulistano. São Paulo: Ática, 1975, e Gomes, Paulo Emilio
Salles. "A expressão social dos filmes documentais no cinema mudo brasileiro
(1898-1930)". In: Calil, Carlos Augusto e Machado, Maria Teresa (orgs.). Paulo
Emílio: um intelectual na linha de frente. São Paulo/Rio de Janeiro:
Brasiliense/Embrafilme, 1986, pp. 323-334.
[27] O artigo 43 do Regulamento Geral previa a seguinte diplomação: grande
prêmio, diploma de honra, medalha de ouro, medalha de prata e medalha de bronze
(Cf. Centenário da Independência 1822-1922. Programma da Commemoração e
Regulamento Geral da Exposição. Rio de Janeiro: Ministério da Justiça e
Negócios Interiores).
[28] Para uma discussão mais ampla deste filme, ver Morettin. "O cinema e a
Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil", op. cit., p.
199.
[29] "No paiz das amazonas", O Estado de S. Paulo, 5 de agosto de 1923 (Museu
Amazônico).
[30] Carta de Agesilau de Araújo a J. B. Mello e Souza, Secretario Geral da
Comissão Executiva do Centenário da Independência, Manaus, 27 de julho de 1921
(Cf. Arquivo Nacional, Fundo I1, Cecci, lata pasta 2362, Expositores: Brasil).
[31] Ibidem.
[32] Cf. Cópia de telegrama de Monteiro Souza a Delfim Carlos, Manaus, de 19 de
outubro de 1921 (Cf. Arquivo Nacional, Fundo I1, Cecci, pasta 2297,
Correspondência).
[33] Carta contendo reprodução de telegrama de Monteiro Souza a Antonio Olyntho
dos S. Pires, vice-presidente da Commissão do Ministério da Agricultura na
Exposição do Centenário, Manaus, 14 de dezembro de 1921 (Ibidem).
[34] Carta de Monteiro Souza, delegado no Estado de Amazonas e Território do
Acre, a Delfim Carlos, secretário geral da Comissão Organizadora, Manaus, de 14
de fevereiro de 1922 (Ibidem).
[35] Complemento era o nome dado ao curta metragem exibido antes da programação
principal nos cinemas. Cf. Cópia de telegrama de Monteiro Souza, delegado no
Estado de Amazonas e Território do Acre, a Delfim Carlos, secretário geral da
Comissão Organizadora, Manaus, de 19 de outubro de 1921 (Ibidem).
[36] Cópia de telegrama de Delfim Carlos a Monteiro Souza, de 19 de setembro de
1921 (Ibidem).
[37] Cópia de telegrama de Monteiro Souza a Delfim Carlos, Manaus, de 14 de
outubro de 1921 (Ibidem).
[38] Carta contendo reprodução de telegrama de Monteiro Souza a Antonio Olyntho
dos S. Pires, vice-presidente da Commissão do Ministério da Agricultura na
Exposição do Centenário, Manaus, 14 de dezembro de 1921 (Ibidem).
[39] Carta de Monteiro Souza a Antonio Olyntho dos S. Pires, Manaus, 30 de
novembro de 1921 (Ibidem).
[40] Carta de Delfim Carlos ao delegado no Estado do Amazonas, 13 de janeiro de
1922, (Ibidem).
[41] Telegrama de Delfim Carlos ao delegado no Estado do Amazonas de 24 de
dezembro de 1921 (Ibidem).
[42] Carta de Delfim Carlos ao delegado no Estado do Amazonas, 22 de dezembro
de 1921, (Ibidem).
[43] Carta de Monteiro Souza a Delfim Carlos, Manaus, de 14 de fevereiro de
1922 (Ibidem).
[44] Sobre esse caso ver Merritt, Russel. "Le film épique au service de la
propagande de guerre: D. W. Griffith et la creation de Coeurs de monde". In:
Mottet, Jean (dir.). D. W. Griffith: Colloque International. Paris:
L'Harmattan, 1984, p. 209-20.
[45] Tomo o termo emprestado de Christian-Marc Bosséno em "Les ailes de
l'histoire".Vertigo: Le Cinéma Face à l'Histoire, nº 16, 1997, p. 8.