Família, religiosidade e identidade étnica nas práticas de transmissão de nomes
de batismo em um grupo de imigrantes italianos
Introdução
Como se escolhe o nome de batismo de uma criança? Atualmente, em nosso mundo
globalizado, existe uma infinidade de possibilidades e de fontes de inspiração
para a escolha do prenome de um filho. Mas, no passado, como estes eram
escolhidos? Nas últimas décadas, os nomes de batismo têm sido objeto de
interesse de diferentes pesquisadores (historiadores, sociólogos, antropólogos,
linguistas, demógrafos), em função das hipóteses de análise que estes
autorizam, como as regras de funcionamento de uma comunidade, as normas de
transmissão de bens reais e simbólicos, a ação do Estado e da Igreja, as
crenças religiosas, a modernização da sociedade, as relações de gênero e o
desenvolvimento do gosto e da moda. Para os propósitos deste artigo, acredita-
se que o nome, tanto para quem atribuiu como para quem recebe, é um elemento
muito importante na definição da identidade. Conforme Leite de Vasconcellos
(apud ROWLAND, 2008, p. 18), em seu estudo clássico Antroponímia portuguesa, "o
nome passa a ter simultaneamente uma dimensão social e uma dimensão moral,
articulando as identidades pessoais e sociais dos indivíduos e contribuindo,
assim, para a constituição social e moral da pessoa".
Os sujeitos do presente estudo são imigrantes e descendentes de italianos do
município de Campo Largo, no Paraná, conformados em uma paróquia entre as
décadas finais do século XIX e meados do século XX. O referido município,
situado nas proximidades de Curitiba, teve um crescimento populacional
significativo com a vinda de centenas de imigrantes europeus nas últimas
décadas dos oitocentos, entre eles dezenas de famílias de camponeses vênetos
que estavam fugindo do cenário de miséria encontrado nessa região, em função
das transformações populacionais, políticas e econômicas. Ao serem instaladas
no seu novo ambiente, as famílias imigrantes procuraram se reorganizar na
sociedade de adoção como uma comunidade étnica, pautada pelos referenciais
socioculturais da terra de origem. Nessa direção, como forma de estabelecer uma
ligação afetiva e simbólica com a pátria deixada para trás e diante da situação
de estranhamento provocada pelo contato com o outro, esses indivíduos acionaram
diversas estratégias de identificação étnica. Vários trabalhos que se ocuparam
em analisar a organização de grupos de origem italiana no Brasil salientam a
importância que a família e as práticas religiosas tiveram como elementos de
etnicidade. Assim, para o grupo em estudo, os nomes de batismo dados às
crianças são parte dessas estratégias de reconstrução do mundo simbólico
deixado para trás e estão relacionados, principalmente, a esses dois elementos.
A base documental utilizada para analisar as práticas de transmissão de nomes
de batismo foi composta basicamente por registros paroquiais (atas de casamento
e batismo) e também por registros cartorários de óbitos, que foram
sistematizados pela metodologia Fleury-Henry de reconstituição de famílias,
oriunda da demografia histórica. Foram levantados 4.337 registros de batismo,
395 de casamento e 467 de óbito, perfazendo um total de 5.199 registros. A
documentação arrolada cobre o período de1878 a 1937. A baliza inicial refere-se
à criação da primeira colônia italiana no município (Antônio Rebouças),
enquanto o marco cronológico final está relacionado ao momento em que foi
criada oficialmente a Paróquia de São Sebastião, que, por questões de disputas
de jurisdição territorial com a paróquia vizinha, perdeu parte significativa de
seu território, inclusive muitas famílias de origem italiana. Assim, o recorte
espacial cobre basicamente cinco colônias do município de Campo Largo: Antônio
Rebouças, Mariana, Campina, Caratuva e Rondinha, sendo esta última o local onde
localiza-se a sede da paróquia de São Sebastião.
A documentação paroquial possibilitou fazer uma série de inferências a respeito
das práticas de transmissão dos nomes de batismo no interior do grupo étnico. A
partir das famílias reconstituídas, procurou-se verificar como o grupo
construiu laços de uma sociabilidade característica da sociedade de origem.
Observando as famílias reconstituídas,1 especialmente aquelas para as quais
foram obtidas informações referentes a três gerações, foi possível tabular
dados para problematizar a maneira pela qual imigrantes e descendentes
atribuíam os nomes de batismo aos seus filhos. A análise da documentação
paroquial revelou que as escolhas dos prenomes no interior do grupo não foram
aleatórias, muito pelo contrário, estavam influenciadas pela herança cultural
trazida da sociedade de origem. Conforme Robert Rowland (2008, p. 18),
"independente dos nomes em si, a existência de uma distribuição regular dos
nomes próprios em qualquer população, ou a persistência dessa distribuição ao
longo do tempo, constitui um indício seguro do caráter socialmente
significativo das práticas de nomeação".
As práticas de transmissão de nomes de batismo no grupo italiano
Os resultados obtidos a partir da sistematização das fontes utilizadas
mostraram que a maior parte dos nomes de batismo correspondia aos mesmos dos
membros da família ou referia-se aos santos patronos da Igreja. Dessa maneira,
é possível afirmar a existência de convenções, ou melhor, "regras" para a
escolha dos prenomes entre os imigrantes e seus descendentes. Para os primeiros
filhos seriam escolhidos os prenomes dos avós (fossem meninos ou meninas); na
sequência seriam escolhidos prenomes de outros parentes (tios, bisavós, irmãos
falecidos, entre outros) ou de santos do dia, e para os últimos filhos seriam
escolhidos nomes pautados por outros referenciais, como literatura, nomes de
personagens históricos ou bíblicos, inventados ou retirados da moda.
O Quadro_1, representado pela prole de um casal, sintetiza o modelo das
práticas de nomeação, proposto para o grupo. Esse quadro pode ser considerado
um modelo porque caracteriza a sequência mais comum encontrada, em relação às
influências presentes na escolha do prenome das crianças numa mesma família.
Além disso, é utilizado como referência um casal de descendentes de imigrantes,
que nasceram e se casaram em Campo Largo (na colônia Rondinha) e com uma prole
numerosa, comportamento característico das famílias em questão.2 Nessa direção,
parte-se do pressuposto de que a imigração não modificou as práticas de
nomeação, pois o grupo continuou, ou mesmo reforçou, os costumes ligados à
transmissão dos prenomes que eram praticados na sociedade de origem.
O Quadro_1 mostra que os prenomes, em sua maioria, são os mesmos de membros da
família (incluindo o parentesco espiritual). Dos 13 prenomes presentes na
prole, 11 expressaram o parentesco. "Receber um nome que faz parte do
patrimônio onomástico da família é receber à nascença o símbolo de uma pertença
- uma forma de inserção simbólica numa determinada posição hierárquica dentro
do grupo familiar" (LIMA, 2007, p. 40). Observa-se que para a primeira menina
foi escolhido o nome de Maria, prenome da avó paterna. O segundo filho do
casal, como era de costume, recebeu o prenome do avô paterno, assim como o
filho da sequência, o do avô materno. Esse exemplo ilustra uma tendência
generalizada no grupo em estudo, aquela de privilegiar a via agnática.
Os filhos subsequentes receberam os nomes de outros parentes e nomes
devocionais. Para o período em estudo, como as famílias geralmente eram
compostas por muitos filhos, entre as convenções para a escolha dos prenomes,
era comum que os primeiros honrassem os avós ou pais (fossem meninos ou
meninas). Primeiro deveria ser garantida a perpetuação dos nomes dos ancestrais
da linha vertical. Para os filhos que nasceriam na sequência, seriam escolhidos
os demais parentes (tios, irmãos falecidos, padrinhos), santos do dia, ou
outros de preferência do casal (nomes da moda, inspirados em lugares ou coisas,
personagens históricos ou bíblicos, ou ainda inventados ou reinventados).
Entretanto, esse padrão não era fixo, podendo ser readequado em função de
outras motivações ou acontecimentos na vida da família. Exemplo disso,
remetendo a outro casal, refere-se ao primeiro filho (Carlo) de Noé Massochetto
e Adelaide Scapin, que não recebeu o nome de nenhum parente de sangue, mas sim
o do padrinho de batismo do menino, que também fora testemunha do casamento do
casal. Nesse caso, parece ter sido mais forte o desejo de homenagear um amigo
do que um parente. De maneira similar, o primeiro filho de Luigi Cosmo e Regina
Ceccatto foi chamado de Antônio, que também não era prenome de nenhum parente
próximo, mas a referência a Santo Antônio de Pádua, já que o menino nasceu no
dia do santo (13 de junho).
Sérgio O. Nadalin (2004, p. 5) destaca que os pais, ao escolherem os nomes de
seus filhos, são influenciados por uma determinada herança. Assim, é possível
acreditar que, quando uma criança nascia e o casal iria escolher o nome, na
maioria dos casos o que prevalecia era a força da tradição, do costume. O
desejo de manter essa herança cultural está carregado de intencionalidade. A
repetição dos nomes próprios dos antepassados também evoca uma memória que se
quer preservar. Os laços de identificação simbólica com um passado partilhado
pelo grupo têm peso significativo no processo de formação das gerações
posteriores, pois são maneiras importantes para se preservarem a coesão
familiar e a identidade do grupo (LIMA, 2007, p. 43), além de constituírem uma
forma de diferenciação dos outros grupos com que estavam em contato. Nesse
sentido, os nomes, assim como a família e a religiosidade, também se manifestam
como estratégias de identidade.
Para Denys Cuche (1996), a estratégia de identidade pressupõe consciência.
Entretanto, o indivíduo como ator social não é desprovido de uma certa margem
de manobra. Em função de sua avaliação da situação, ele utiliza seus recursos
de identidade de maneira estratégica. Nessa direção, os atores sociais não são
totalmente livres para definir sua identidade segundo interesses materiais e
simbólicos. As estratégias devem levar em conta a situação social e as relações
de força de cada momento (CUCHE, 1996, p. 196-197). Já para Bourdieu (1987, p.
198), "o caráter estratégico da identidade não implica necessariamente em uma
perfeita consciência dos objetivos buscados pelos indivíduos e tem a vantagem
de dar conta dos fenômenos de eclipse ou de despertar de identidade". Dessa
maneira, as práticas nomeativas não são simplesmente formas de homenagear
indivíduos, mas sim de afirmar a identidade com o grupo (WOORTMANN, 1996, p.
210).
A Tabela_1 mostra como estão distribuídas as influências na escolha dos nomes
de batismo.3 Embora exista uma distribuição regular de meninos e meninas
batizados com os prenomes dos avós paternos e maternos, algumas diferenças
podem ser notadas. Para os meninos, com exceção da primeira coorte, evidencia-
se a maior influência do avô paterno. Apesar de prevalecer um equilíbrio entre
as linhagens, a via masculina foi privilegiada, sendo que, geralmente, o
primogênito recebia o prenome do avô paterno. A ideia de garantir a perpetuação
da linhagem por meio do nome fazia com que o lado do pai fosse o primeiro a ser
lembrado. Assim, este costume poderia estar ligado ao próprio modelo de
sociedade que o grupo estava reconstruindo. Se um casal viesse a ter um único
filho homem, este deveria portar um prenome herdado do lado do chefe da casa.
Já para as meninas a preferência recaía sobre o lado da mãe, pois, com exceção
da segunda coorte, a avó materna é mais requisitada que a paterna. Privilegiar
a escolha do prenome do avô paterno para os meninos e o da avó materna para as
meninas parece constituir um padrão clássico de transmissão dos nomes de
batismo, encontrado em diversas regiões da Europa (SANGOÏ, 1999, 2008;
BURGUIÈRE, 1980; ZONABEND, 1980, entre outros).
O costume de transmitir os nomes dos avós se manteve latente em boa parte da
Europa até o século XIX. Essa prática está diretamente ligada à ideia de que o
nome é um patrimônio simbólico familiar, assim como à necessidade de marcar a
posição do indivíduo no interior da linhagem. Entretanto, a crença na
reencarnação parece ser um componente peculiar na explicação dessa prática. Nas
sociedades camponesas a concepção de mundo estava estreitamente ligada a terra.
Cada indivíduo descrevia um arco de vida, mais ou menos longo, segundo a
duração de sua existência: saía da terra através da concepção e a ela voltava
através da morte. Sob a terra estava a morada dos mortos, a reserva da alma à
espera de uma reencarnação, essas almas dos ancestrais que 'renderam o
espírito' e um dia renasceriam num de seus netos. Aliás, não perdurou por muito
tempo o hábito de dar às crianças o nome dos avós como que para melhor
assegurar a continuidade da família? (GÉLIS, 1999, p. 311)
Até o início da grande emigração (1850-1939), a maior parte da Europa ainda era
predominantemente agrária. Na Itália, a expectativa de vida era relativamente
baixa. Assim, muitas vezes, o momento de morte dos avós coincidia com o
nascimento dos netos. Aliás, muitos avós nem chegavam a conhecer seus netos.
Esse modo de viver extremamente instável, que oscilava entre a vida e a morte,
teria contribuído para a manutenção dessas crenças, ligadas ao próprio ciclo da
natureza? No mundo rural, embora a crença na reencarnação tenha sofrido um
desgaste ao longo do tempo, o costume de dar às crianças o nome dos avós
permaneceu bastante forte e se tornou uma tradição que só iria decair no século
XX (POPPEL et al., 1999).
A escolha dos nomes dos membros do grupo familiar, especialmente dos
ancestrais, é um componente que explica a importância da linhagem e da
organização da família no mundo camponês. Segundo Françoise Zonabend (1980), o
nome constitui um meio de guardar uma relação comum entre os membros dispersos
de uma parentela. Ao se perpetuar de geração em geração no interior da mesma
linhagem, determinado prenome se transforma em um emblema de pertencimento, um
brasão de reconhecimento.
Além dos tios, avós e pais, influências de outros parentes (incluindo o
parentesco espiritual) também estiveram presentes na escolha dos nomes de
batismo do grupo em estudo. Seguindo o modelo proposto para as práticas de
nomeação, após reverenciar os avós, para os últimos filhos seriam escolhidos
prenomes dos tios, dos santos, da moda, mas também dos padrinhos e outros
parentes. O parentesco espiritual, muitas vezes, tinha por função estreitar
laços entre famílias. Nesse sentido, a escolha do mesmo nome do padrinho ou
madrinha da criança reforçaria essa ideia. Pitt Rivers, ao investigar sobre as
funções práticas e ideológicas do compadrio no sul da Espanha, enfatiza a
conexão entre a instituição e o nome dado à criança. Segundo o autor, o ritual
de aquisição do nome cristão marca o início da personalidade social do
indivíduo e, sendo este herdado do padrinho ou madrinha, é com ele que haveria
uma maior identificação (RIVERS apud BLOCH; GUGGENHEIM, 1981, p. 378). Sendo o
batismo um segundo nascimento, o qual necessitava de novos pais, o ato de dar o
nome do padrinho seria uma forma de concretizar a paternidade espiritual
(BURGUIÉRE, 1980, p. 31). Como sabemos, o compadrio traduz significados
simbólicos, entretanto, além destes, o ritual do batismo tem um significado
muito concreto: a segurança não só material, mas também afetiva da criança,
pois os pais esperam que os compadres eleitos sejam pais substitutos de seus
filhos, no caso de uma infelicidade (NADALIN, 1996, p. 1.650).
Entre os italianos, os pais espirituais geralmente eram escolhidos entre os
parentes, vizinhos ou amigos. Diferente de outras regiões da Europa como a
França, a escolha dos avôs para apadrinhar um neto não foi tão comum, sendo que
a maior parte dos padrinhos correspondia a pessoas da mesma faixa etária dos
pais. Por meio dos dados da Tabela_1 observa-se que o compadrio, com exceção da
primeira coorte, não exerceu grande influência nos nomes das crianças. Aliás,
uma questão permanece em aberto: o declínio do uso dos prenomes dos padrinhos
seria um indício do desgaste desse costume iniciado na Itália antes de os
imigrantes partirem, ou seria mesmo um hábito pouco praticado na sociedade de
origem? Talvez o próprio fato de serem os pais os responsáveis pela escolha do
prenome da criança contribuiu para a baixa influência dos padrinhos. Uma
questão difícil de ser respondida é se os padrinhos que tiveram os nomes dados
aos seus afilhados foram escolhidos por causa dos nomes que seriam transmitidos
às crianças, uma vez que a análise de algumas famílias mostrou que, para a
escolha dos pais espirituais, não havia "regras" estritas como para os nomes.
A menor influência dos padrinhos talvez possa ser explicada pelo próprio fato
de estes geralmente serem da mesma faixa etária dos pais, enquanto a tradição
da escolha dos nomes recaía sobre aqueles de pessoas mais velhas ou falecidas.
Evidencia-se uma estratégia interessante: a escolha dos nomes reforçava o
vínculo com a sociedade de origem, enquanto o compadrio cimentava relações de
solidariedade e amizade entre os familiares, amigos e vizinhos da sociedade de
adoção.
Entre os alemães de Dois Irmãos (RS), a antropóloga Ellen Woortmann (1995)
constatou que uma das características do padrão de compadrio é a alternância de
gerações, ou seja, o afilhado de um padrinho será o padrinho do neto de seu
próprio padrinho. Em muitos casos o apadrinhamento de uma criança vinha
acompanhado do nome também. Nesse sentido, fazendo uso do conceito maussiano de
dádiva, temos nessa relação uma troca enquanto um "reforço de realidades pré-
existentes" (MAUSS, 1986, p. 41). Por outro lado, esse padrão de reciprocidade
apoiava-se, também, na ideia de que o afilhado era devedor do padrinho e que a
dívida era paga assumindo, para com o neto deste, a mesma obrigação (WOORTMANN,
1995, p. 201). A relação entre a aquisição do nome e o vínculo de compadrio
poderia ser uma forma de cimentar relações de parentesco na sociedade de
adoção, ou por meio de uma ligação afetiva e simbólica com a terra de origem.
O vínculo estabelecido com as gerações ancestrais por meio do nome fica
evidente em alguns casais que nomearam seus filhos, especialmente o primeiro,
não com o nome dos avós, mas sim dos bisavós. Os dados da Tabela_1 evidenciam
que, na primeira coorte, essa opção foi significativa principalmente para os
meninos. Na verdade, esses números são parciais, uma vez que somente em parte
dos casos foi possível recuperar os prenomes dos bisavós. A maior parcela dos
dados refere-se a uma colônia específica (Campina) e foi obtida por meio da
genealogia das famílias pioneiras. É provável que a opção pela escolha dos
prenomes dos bisavós, em algumas ocasiões, reflita o costume de dar o nome de
um falecido à criança, uma vez que, na maioria dos batismos, o bisavô já estava
morto e enterrado na Itália. Exemplo disso foram os dois primeiros filhos
(Luigi e Giuseppe) de Fioravante Camillo e Antonia Maria Simonetto, que
receberam os nomes dos dois bisavós paternos.
Além dos bisavós, nomes de outros parentes (vivos ou mortos) também foram
escolhidos. Como foi encontrada uma variedade de influências (primos, esposa ou
marido falecido(a) do casamento anterior, ou com outro grau de parentesco que
não foi possível definir), todas essas referências foram incluídas em uma só
categoria. Em alguns casos os prenomes poderiam ser escolhidos pelo apreço do
casal por aquele nome, para combinar com outro prenome de família, pela
trajetória de vida daquele indivíduo (no caso de falecido), ou até mesmo para
estreitar um laço de amizade com aquela pessoa. Assim como os bisavós, nomes de
pessoas falecidas também eram escolhidos. Em 28 de agosto de 1885 selaram a
união matrimonial dois viúvos: Alessio de Tomasi e Antonia Filipetto Fabris. O
primeiro filho do casal, uma menina, recebeu o nome da esposa falecida do noivo
(Cattarina). Da mesma maneira, a primeira filha de João Toresin e Angela
Cequinelli recebeu o nome de Anneta, provavelmente uma forma carinhosa de
homenagear Anna, a esposa morta de João.
Ao longo do processo de reconstituição das famílias, um fato recorrente chamou
atenção: muitos casais tinham dois filhos que portavam o mesmo prenome. A
suspeita inicial, que se concretizaria nas evidências posteriormente
encontradas, é que estes nomes referiam-se a crianças falecidas. Como na
paróquia não havia o livro de óbitos, tornou-se necessário recorrer a outras
fontes, como os registros cartorários e os registros da Caixa Mortuária.
Entretanto, as fontes referentes aos falecimentos mostraram-se fragmentárias e
lacunares. De qualquer forma, foi possível recuperar parte das informações
sobre os óbitos de crianças.
A prática de dar o mesmo nome do irmão falecido ao filho subsequente mostrou-se
significativa. A maioria dos casais que tinham um filho falecido o homenageava
colocando seu nome em um irmão que nascesse depois. É claro que esses dados não
correspondem ao total de crianças com nome dos irmãos falecidos, mas sim a uma
amostra. Numerosos estudos mostram que, particularmente nas regiões
mediterrânicas da Europa, dar o prenome de um parente falecido para a criança
era uma obrigação explícita (SANGOÏ, 1999).
Na concepção de mundo camponesa, a ideia do ciclo da vida associado à terra
parece ter uma estreita relação com essa prática. Somado a essas crenças, dar o
mesmo prenome do irmão falecido teria a finalidade de "refazer" o indivíduo no
interior da linhagem, ao colocar o mesmo nome em um novo nascimento. Esse
costume coloca em evidência a concepção de comunidade, típica do mundo
camponês, que não abrangia somente os vivos, mas também os mortos. Basta
lembrar que na Itália, até pelo menos o final do século XIX, a morte de
crianças prematuramente ainda era fato corriqueiro. Portanto, a convivência com
a morte fazia parte do cotidiano do mundo camponês.
Os nomes dos falecidos também podem evidenciar a crença na reencarnação,
oriunda dos cultos agrários, que, embora refutada pela Igreja, se manteve
presente no mundo rural.
A tradição do culto aos mortos foi uma das práticas fundamentais de
quase todas as religiões, mesmo as mais primitivas. Inicialmente, o
culto aos mortos esteve ligado aos cultos agrários e aos da
fertilidade da terra. O defunto como as sementes, eram enterrados com
vista a uma futura ressurreição ou nascimento. Como as sementes,
esperavam a volta a uma nova vida. Por isso, a ideia central da festa
dos mortos é a mesma dos ritos agrários e da fecundidade: retorno a
vida que deve surgir de algo oculto e misterioso, da morte, como a
planta surge das sementes inertes (FOCHESSATO, 1980, p. 11).
Por outro lado, na liturgia cristã, o nascimento espiritual de uma criança que
recebe juntamente com a água do batismo seu nome anularia a morte do portador
de seu prenome que a precedeu (KLAPISCH-ZUBER, 1980, p. 100). Ao utilizar o
mesmo nome, a criança falecida teria um representante legítimo na terra capaz
de assegurar seu descanso no mundo dos mortos e de zelar pelo seu espírito.
Assim,
na cultura cristã, o nome de batismo tinha uma dupla função
propiciatória. Aquela de assegurar à criança a saúde e a felicidade
no mundo, mas também uma boa morte e a vida eterna: era o nome de
batismo inscrito no "livro da vida" que se encontrava no céu, e era a
maneira como poderia ser reconhecido, quando evocado nas orações
(FINE apud NADALIN, 2004, p. 5).
Dar aos novos nascimentos o nome dos mortos também seria uma maneira de os
vivos interceder, com suas rezas e orações, na salvação de suas almas. No mundo
colonial italiano, o culto aos mortos era uma forma de afirmação da vida para
além da morte. Eles entendiam que os falecidos estavam, de certo modo, unidos
aos seus familiares e, por isso, eram muito lembrados nas orações, missas e
também nos nomes (FOCHESSATO, 1978, p. 27).
A perpetuação dos prenomes dos falecidos também pode estar associada a devoções
e funções denotativas do poder simbólico do nome. Baptista Cavallin e Maria
Alessi tiveram 12 filhos. O sexto filho do casal foi batizado como Antonio, uma
provável referência ao santo, já que nasceu em 14 de junho. O menino veio a
falecer e o filho subsequente recebeu o nome do irmão falecido, mas esse também
faleceu e o último filho do casal foi novamente nominado de Antonio. O que
teria feito o casal não desistir do nome, mesmo depois de duas mortes? Seria a
crença no poder do prenome, que era o mesmo do santo? Uma promessa? A força da
tradição? O desejo de perpetuar esse prenome? Na verdade poderia ser qualquer
uma das opções, ou mesmo todas juntas. Em algumas famílias, a prática de
transmitir os mesmos nomes dos irmãos foi rigidamente seguida. Olivo Bertoja e
Dominga Cunico tiveram 15 filhos, sendo que quatro morreram e todas essas
crianças tiveram seus nomes lembrados nos filhos que nasceram na sequência.
Além dos nomes retirados da família, nas práticas de nomeação a religião também
tem papel significativo. Entre as populações católicas da Europa, os nomes dos
santos, desde muitos séculos, têm sido uma fonte inspiradora para a escolha do
nome de batismo. Os nomes retirados do calendário litúrgico, ou escolhidos por
outro motivo religioso, podem ser resultado de devoções pessoais, ou mesmo
estarem relacionados às influências da Igreja. Entre os italianos, a autoridade
do padre também poderia influenciar os pais da criança a ser batizada, na
escolha do nome. No grupo em estudo, muitos nomes referiam-se aos patronos da
Igreja, mas nem todos foram escolhidos em função deles. Provavelmente, a
difusão desses prenomes remonte a própria influência da Igreja Católica na
cristianização dos nomes próprios, processo que se intensificou no período pós-
reformas religiosas do século XVI.
O Concílio de Trento prescrevia que a criança deveria receber um nome de
batismo cristão, um nome piedoso que evocasse as virtudes do seu portador,
assim como seria um símbolo de fidelidade a Deus (DUPÂQUIER, 1980, p. 5). Para
a Igreja, o prenome tinha um valor pedagógico: a criança tinha que imitar as
qualidades de seu patrono (SANGOÏ, 1999, p. 5). Na verdade, a tentativa de
impor a supremacia dos nomes cristãos vem desde pelo menos o século XII, mas
esse processo só intensificou-se a partir do século XVI. Especialmente nas
áreas pouco atingidas pelo protestantismo, como a França, a Itália e a
Península Ibérica que se mantiveram fortemente fiéis ao catolicismo, o uso dos
nomes dos santos se deu de maneira intensa.
A utilização de certos prenomes por determinada família também serve para o
estudo das devoções particulares. No grupo analisado, a prática relacionada ao
uso de nomes de santos podia ser o resultado da afirmação de devoções
familiares, de promessas realizadas ou até mesmo da influência do padre. Os
nomes devocionais podiam ser o resultado de uma troca, ou, no sentido
maussiano, uma dádiva (MAUSS, 1974), uma forma de estabelecer um contrato com o
sagrado: o nome do santo em troca de suas bênçãos, ou de sua proteção para o
indivíduo durante toda sua vida.
Além da relação com o calendário litúrgico, muitos dos padroeiros das colônias
tinham seus nomes dados a muitas crianças. Na verdade, a escolha de determinado
santo como padroeiro reflete as próprias devoções das aldeias de origem de
muitas famílias de imigrantes. Nossa Senhora do Carmo é padroeira da colônia
Antonio Rebouças e é justamente nessa região que foi batizada a maior parte das
meninas com os nomes Carmem, Carmella, Carmelita e Carmelina. No núcleo
colonial de Mariana, que tem como padroeira Nossa Senhora da Anunciação, também
está concentrada a maior parte das meninas nomeadas como Núncia ou Anunziata.
Já para os meninos, foram encontradas muitas crianças batizadas de João
Batista, em Campina, que tem este santo como patrono, assim como a maioria com
o nome Sebastião nasceu na colônia sede da paróquia (Rondinha), que tem como
padroeiro São Sebastião.
Os prenomes retirados de determinado estoque familiar, ou do calendário
litúrgico, constituem a maior parte do rol daqueles utilizados. Entretanto,
apesar de esporádicos, alguns nomes bastante inusitados chamam a atenção. O uso
de Itália ou Ítalo como nome de batismo parece não ter sido fato incomum nos
diversos núcleos coloniais do Sul do Brasil. Conforme cita o padre Henrique
Vieter, em Silveira Martins, no Rio Grande Sul, foram constantes as lutas dos
sacerdotes palotinos para a "cristianização" de alguns nomes próprios
demasiadamente ligados ao nacionalismo italiano.
Os italianos muitas vezes davam o nome de Ítalo aos meninos, e Itália
às meninas, e contra isso nada se podia fazer. Para evitar longas
discussões eu lhes dizia: 'tomemos São José por protetor', e batizava
o menino com o nome de José Ítalo. As meninas também merecem uma
grande padroeira, e lhes dava o nome de Maria Itália, com o que os
colonos se sentiam muito satisfeitos (VIETER apud POSSAMAI, 2005, p.
147).
Embora, dentro do grupo em questão, fossem poucas as meninas batizadas como
Itália, tanto de forma simples como combinada, o caso de uma família específica
merece ser destacado. O segundo e terceiro filhos do casal Domingo Bianco e
Maria Vechiato, um menino e uma menina, receberam os prenomes de Vitório e
Itália, respectivamente. Esses prenomes parecem não ser herdados de nenhum
parente próximo, mas provavelmente referências ao país de origem de seus pais.
Vitório poderia ser uma referência ao primeiro nome do rei italiano (Vittore
Emanuelle) e o da menina, a menção à própria pátria de origem.
A análise das famílias reconstituídas mostrou a influência de diferentes
elementos nas escolhas dos prenomes (bisavós, avós, tios, padrinhos, irmãos
falecidos, santos do dia). Entretanto, em uma parte dos prenomes dados às
crianças, na amostra de famílias utilizada, não foi possível identificar uma
provável razão para tal escolha. Todos esses casos de origem indeterminada
foram inseridos na categoria "outras influências". Os dados apresentados na
Tabela_1 evidenciam duas características. Primeiro em relação à diferença de
gênero. Como nas demais categorias, percebe-se que as "regras" sempre são mais
rígidas para os meninos do que para as meninas. Seria uma valorização maior do
gênero masculino, característica das sociedades patriarcais, que se expressava
também nas práticas de nomeação? Provavelmente, foi sobre as mulheres que o uso
de prenomes retirados da moda, de personagens da literatura, ou mesmo
inventados se manifestou primeiro. Assim, sendo a pressão social menos forte
sobre as meninas, prenomes "novos" seriam primordialmente utilizados para elas
(NADALIN, 2007b, p. 28). Na cultura do mundo camponês tradicional, predominavam
a hegemonia simbólica masculina e a subordinação feminina (LIMA, 2007, p. 52).
Nas sociedades ditas tradicionais, as regras de transmissão do patrimônio
simbólico seguem as mesmas do patrimônio material. Como em geral, eram os
homens os herdeiros das possessões materiais da família e era sobre estes que a
atribuição dos prenomes deveria se manter mais rígida.
A escolha de um nome também poderia estar associada a um significado
conotativo. Segundo a definição de Sonderegger (apud SIEMENS, 1992, p. 34), o
significado conotativo é a soma das associações, imagens e sentimentos ligados
a ele, quer sejam positivos, quer neutros, quer negativos. Essa conotação pode
ser evocada pelo corpo sonoro, pela forma escrita do nome, pelo portador, pela
capacidade de imaginação do ouvinte, ou, até mesmo, pelo seu significado
etimológico, na medida em que for possível identificá-lo. Entre os descendentes
de italianos do grupo em estudo, era comum a modificação de determinados
prenomes a partir do nome de batismo de um familiar. Nessa direção,
principalmente para o gênero feminino, existem muitos prenomes terminados em -
ina, como: Paolina (de Paola), Orsolina (de Orsola), Carmelina (de Carmela),
Pasqualina (de Pasqua), Angelina (de Angela), Rosalina (de Rosa), Santina (de
Santa). O objetivo dessa prática parece ter uma dupla função: ao mesmo tempo
que se buscava a inovação, a escolha de um prenome pouco comum e assim
sublinhar a identidade do indivíduo, homenageava-se um membro da família. Era
escolhido um nome diferente, mas que não deixava de evocar um parente. Dito de
outra forma, a própria repetição gerava essas "corruptelas", tendo em vista a
conciliação entre a tradição e a criação de uma nova identidade para a criança
por meio do nome. Por outro lado, essas modificações de prenomes, especialmente
femininos, evidenciam as diferenças nas formas de nomear homens e mulheres
naquela sociedade.4
Além da diferença de gênero, percebe-se que para a última coorte, em relação às
demais, há um aumento de nomes escolhidos a partir de outros referenciais.
Seria resultado do próprio tamanho das famílias? Como eram muitos os filhos,
escolhiam-se os prenomes dos antepassados para os primeiros, enquanto para os
demais seriam buscados outros prenomes, abrindo espaço, inclusive, para a
inovação, a moda, ou mesmo nomes de uso corrente na sociedade receptora,
evidenciando assim um estreitamento dos contatos culturais e a diluição da
fronteira etnocultural. O casal João Massochetto e Catterina Gadens, casados em
05 de julho de 1913, escolheu para os primeiros filhos os nomes dos avós,
enquanto para os dois nascimentos seguintes foram escolhidos prenomes pautados
por outros referenciais (Desidério e Orlindo). Da mesma forma, Angelo
Micheletto e Maria Costa, casados em 31 de julho de 1915, para as primeiras
filhas escolheram os prenomes das duas avós e, para as demais meninas (Agnes,
Narcisa, Emma e Doralise), atribuíram nomes de pouco uso no grupo. Seria uma
forma de individualizar as crianças com um nome pouco utilizado, uma vez que
várias outras meninas da região onde o casal morava portavam "nomes
tradicionais". Por outro lado, poderia ser referência a um parente distante ou
mesmo a uma amiga, o que não foi possível evidenciar na documentação.
Alguns casos "saltam aos olhos" pelo seu caráter inusitado. José Peruzzolo e
Antonia Bisetto, casados em 25 de maio de 1918, batizaram nove filhos na
paróquia e para todos eles (Idalina, Abílio, Mercede, Oreste, Maria Genaide,
Lídia, Amadeo, Rodolpho e Lauro) não foi possível relacionar a nenhuma das
categorias anteriormente mencionadas. Entretanto, se alguns prenomes foram
buscados na moda ou em um referencial distante que não foi possível localizar
neste estudo, muitos deles, independentemente da influência, passaram a fazer
parte do estoque onomástico da família. Em 1921, o oitavo filho de Vitório
Scapin e Maria Zanin e o sétimo filho de Noé Mazzuchetto e Adelaide Scapin
foram batizados como Zepherino. Independentemente do motivo pelo qual o
primeiro menino foi assim nomeado, acabou por influenciar o nome do primo que
nasceu naquele mesmo ano. Dois outros casos são interessantes para serem
destacados, porque, mesmo não sendo prenomes de um parente próximo, estes são
reafirmados na prole do casal.
O costume de se atribuírem prenomes pautados por outros referenciais mostrou-se
significativo, especialmente, para os últimos filhos do casal. Na maior parte
dos casos, para os primeiros filhos (sejam meninos ou meninas) eram escolhidos
os prenomes dos avós, ou outro parente, enquanto para os últimos os pais
estariam mais livres para escolher outros prenomes, que poderiam ser retirados
de membros mais distantes da família, nomes devocionais, de personagens
históricos, de pessoas importantes ou mesmo da moda. Após terem referenciados
seus diversos parentes (vivos ou mortos) para os primeiros filhos, à medida que
iria se caminhando para o final da prole, as "regras" estariam mais flexíveis,
possibilitando aos pais escolher outros prenomes, podendo, inclusive, inovar.
Atitudes como essas podem ser indicativos de que a "fronteira etnocultural"
estava sendo deslocada. Segundo Barth (1998, p. 201), as fronteiras não são
imutáveis, mas sim concebidas como uma demarcação social suscetível de ser
constantemente renovada pelas trocas.
Considerações finais
O fenômeno da imigração certamente trouxe uma grande mudança para todos os
grupos que deixaram definitivamente sua terra natal. Entretanto, o ato de
emigrar não implicou, necessariamente, uma ruptura completa das estruturas
socioculturais e simbólicas da terra de partida. Muito pelo contrário, as
atitudes dos diversos grupos étnicos foram no sentido de reconstruir a vida na
nova pátria com base nos elementos da sociedade original. Assim, todo um
arcabouço cultural e simbólico foi transportado e reelaborado nesse processo.
Tais atitudes puderam ser percebidas nas práticas de transmissão dos nomes de
batismo, em que ficou clara a presença de crenças, costumes, imaginários e
tradições típicas do mundo rural italiano. Seja como uma marca social,
religiosa ou familiar, o nome de batismo é uma referência identitária. Mais que
o estudo de tradições, a análise dos nomes de batismo revelou-se como uma outra
referência de etnicidade (NADALIN, 2007a, p. 16). A família e a religiosidade
foram signos importantes demarcadores da identidade e, assim, constituíram
praticamente a base de orientação para a escolha dos nomes entre os imigrantes
e descendentes. Por mais que o grupo italiano tenha cortado muitos laços que
uniam-no à "sociedade emissora", continuou a manter ligações afetivas e
simbólicas. Percebendo a diferença com os outros grupos que estavam em contato,
esses italianos e seus descendentes passaram a reavaliar a orientação de seus
valores fundamentais e os sinais ou signos por meio dos quais se identificavam
(NADALIN, 2007a, p. 18). Assim, a forma pela qual o grupo fazia a transmissão
dos prenomes tem caráter muito relevante para a análise de como se deu o
processo de construção da identidade coletiva.