Capacitação participativa de pré-natalistas para a promoção do aleitamento
materno
INTRODUÇÃO
Os indicadores do pré-natal da cidade de Porto Alegre demonstram a necessidade
de intervenções para reverter os dados atuais, já que somente 19,5% das 18.553
gestantes cadastradas no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC)
realizaram de 4 a 6 consultas, no ano de 2008(1), quando o preconizado pelo
Ministério da Saúde é a realização de, no mínimo, 6 consultas. Há alguns anos,
os gestores buscam alternativas para qualificar a cobertura de consultas de
pré-natal, mas observa-se que os tradicionais protocolos de atendimento com
treinamentos elaborados e pré-estabelecidos não conseguiram melhorar esses
indicadores.
Este contexto incentivou as pesquisadoras do presente estudo a desenvolver a
pesquisa intitulada "A adoção de tecnologias leves para a qualificação da
atenção pré-natal" com o objetivo de promover a capacitação dos profissionais
que realizam a consulta de pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do
município de Porto Alegre-RS, com a inclusão de tecnologias leves e ações
educativas voltadas ao atendimento das gestantes. As tecnologias leves
constituem-se em tecnologias de relações do tipo produção de vínculo, escuta e
acolhimento(2).
A capacitação aconteceu com a participação ativa dos pré-natalistas e das
pesquisadoras, sendo que durante os encontros participativos emergiram várias
necessidades dos profissionais em relação às diferentes temáticas que
constituem as práticas da atenção pré-natal, dentre elas o aleitamento materno.
Desta forma, este artigo trata de parte da pesquisa referida anteriormente e
aborda as temáticas sobre aleitamento materno que surgiram nos encontros para a
capacitação dos pré-natalistas.
A relevância de se trabalhar com amamentação justifica-se pela indiscutível
importância desta prática em relação à saúde materno infantil. Os dados
disponíveis em relação às taxas de aleitamento materno são provenientes de duas
pesquisas realizadas nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, sendo que
a primeira aborda indicadores de aleitamento materno analisados em 1999 e, a
segunda, analisa a evolução dos mesmos indicadores entre os anos de 1999 a
2008. A primeira pesquisa demonstra que a taxa de prevalência de aleitamento
materno em crianças menores de 4 meses foi de 35,5% no Brasil; 41,1% na região
Sul e 38,4% em Porto Alegre(3). Esse mesmo indicador mostra que, na segunda
pesquisa, houve um aumento dessa taxa para 51,2% no Brasil; 53,6% na região Sul
e 46,2% em Porto Alegre(4). Atualmente, a prevalência de aleitamento materno
exclusivo em crianças menores de 6 meses encontra-se em 41% no Brasil; 43,9% na
região Sul do Brasil e 38.2% em Porto Alegre. Já a duração mediana de
aleitamento materno exclusivo no Brasil é de 54,11 dias no Brasil; 59,34 dias
na região Sul e 51,84 dias em Porto Alegre(4).
Mesmo com uma melhora considerável dos indicadores citados, no Brasil, ações
que visam à promoção do aleitamento materno na atenção básica estão sendo
implementadas em nível federal, estadual e municipal, dentre elas, a Iniciativa
Unidade Básica Amiga da Amamentação (IUBAAM) e a Rede Amamenta Brasil. Porém,
com todo o avanço científico e com os esforços de diversos organismos nacionais
(Política Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde) e
internacionais, a duração da amamentação no Brasil ainda não atingiu o
recomendado pela Organização Mundial da Saúde, em especial no que se refere ao
aleitamento materno exclusivo por seis meses e à amamentação complementada por
até 2 anos ou mais(5).
Por isso, objetivando ampliar a compreensão acerca de como as mulheres percebem
a amamentação e a atenção recebida durante o ciclo gravídico-puerperal, um
estudo concluiu que o atual modelo assistencial em amamentação não foi
condizente com as necessidades das gestantes(6). O mesmo estudo ainda apontou a
pouca efetividade na comunicação entre gestantes e profissionais acerca do
preparo para a futura amamentação como principal falha na atenção pré-natal(6).
Nesse sentido, o preparo para o aleitamento materno deve acontecer a cada
consulta de pré-natal, através de orientações para a gestante(7).
Tanto os serviços quanto os profissionais de saúde são responsabilizados pelo
sucesso da amamentação, sendo que a informação e o apoio fornecido às mulheres
devem se estender desde a atenção pré-natal, considerando o desejo da mulher de
amamentar ou não, os seus medos e angústias, as suas experiências anteriores e
o seu contexto de vida, que poderão influenciar diretamente no sucesso da
amamentação(8).
Desta forma, os objetivos deste estudo foram identificar os temas relacionados
ao aleitamento materno durante os encontros participativos com os pré-
natalistas e relatar as ações e/ou estratégias propostas durante cada encontro.
MÉTODOS
Estudo qualitativo com base em pressupostos da pesquisa participante(9). Foram
utilizados registros que compõem o banco de dados da pesquisa intitulada "A
adoção de tecnologias leves para a qualificação da atenção pré-natal".
As capacitações para o atendimento pré-natal foram realizadas na UBS Panorama,
localizada no bairro Lomba do Pinheiro, no município de Porto Alegre-RS.
Aconteceram entre outubro de 2007 e outubro de 2008, totalizando nove encontros
conforme a disponibilidade das profissionais. Os assuntos de cada encontro
foram trabalhados de acordo com as necessidades da pesquisa e interesse das
participantes.
Foram realizadas duas visitas ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas,
hospital de referência para o parto das gestantes atendidas nesta UBS. As três
enfermeiras e as quatro médicas que realizam o atendimento pré-natal na UBS
Panorama aceitaram participar da capacitação que aconteceu sob forma de
encontros participativos entre a equipe de pesquisadoras e as participantes do
estudo.
A coleta de dados foi realizada nos diários de campo provenientes da
capacitação das profissionais. Os mesmos foram confeccionados coletivamente
pelas pesquisadoras do estudo, no qual registraram por escrito o que foi
discutido no decorrer de cada encontro e das visitas. A análise dos dados foi
realizada segundo categorizações de dados(10).
Os dispositivos legais da Resolução do Conselho Nacional de Saúde de número
196/1996 foram respeitados, protegendo os direitos das participantes com
relação à regulamentação das atividades de pesquisa envolvendo seres humanos
(11).
A pesquisa obteve aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Prefeitura
Municipal de Porto Alegre sob processo de número 001.051355.06.0. Foi elaborado
um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido conforme a resolução 196/96(11).
Além disso, as autoras se comprometeram a manter a confidencialidade das
informações contidas nos diários de campo, assim como, o anonimato das
participantes da capacitação.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir da análise dos dados, foram identificados dois temas: o primeiro sobre
a necessidade dos profissionais frente à capacitação, os quais estão
contemplados em três sub-temas. O segundo tema apresenta as ações e estratégias
propostas durante a capacitação.
As necessidades das profissionais frente à capacitação para o atendimento pré-
natal
Atualmente, quando se fala em capacitação, muitas pessoas associam o termo como
sendo um treinamento para alguma finalidade específica e, frequentemente,
atribuem sinonímia aos dois. Neste sentido, a capacitação poderia ser alcançada
apenas pela repetição de uma atividade, não garantindo a aprendizagem nem a
reflexão acerca do que foi aprendido.
Portanto, acredita-se que não basta treinar um grupo de profissionais a fim de
assegurar um melhor atendimento no pré-natal. É preciso que estes se sintam
instigados e mobilizados a repensar suas condutas frente à prática diária. O
pré-natal deve ser um momento de interação entre mulheres e profissionais de
saúde, servindo como uma ação educativa, não somente para o fornecimento de
informações sobre aspectos relacionados à gravidez, parto e cuidados com o bebê
(12).
A falta de atualização das profissionais
As constantes mudanças relacionadas à prática dos profissionais de saúde tornam
evidente a necessidade de atualização, a fim de que seja oferecido um
atendimento adequado à população, o que fica expresso no registro do diário de
campo:
Uma das profissionais disse que não orienta mais nada sobre
amamentação, pois sempre ocorrem mudanças e ela se sente insegura
para orientar as gestantes neste aspecto. (Encontro 3)
O sentimento de insegurança em relação ao trabalho diário de um profissional
pode surgir em função da sua desatualização técnico científica. Nesse sentido,
a relação saber/fazer exerce grande influência na sua prática e evita o
sentimento de insegurança.
Em um dos encontros ficou registrado que os profissionais estão cientes da
necessidade de atualizações para que forneçam orientações adequadas para cada
caso, o que fica caracterizado:
Uma das participantes afirmou que é muito importante a atualização de
todos os profissionais. (Encontro 3)
Refletindo acerca do preparo e da atuação dos profissionais na área da saúde da
mulher e especificamente no aleitamento materno durante o pré-natal, um estudo
identificou que existe falha dos profissionais na abordagem com as gestantes em
relação à amamentação(13).
Observou-se o desconhecimento dos pré-natalistas sobre as recomendações atuais
em relação ao aleitamento materno. Tal situação faz com que o profissional,
muitas vezes, exponha a gestante à adoção de condutas inadequadas e
desatualizadas:
Uma das profissionais disse que orienta as gestantes a colocarem
peneirinha na mama durante a gravidez para ajudar a formar o bico.
(Encontro 3)
Analisando a falta de atualização das profissionais em relação às orientações
sobre aleitamento materno reafirmou-se que a maioria delas desconhece o que é
preconizado quando informações ultrapassadas são transmitidas às mulheres.
Pode-se perceber que as profissionais não acompanharam as mudanças que
ocorreram ao longo do tempo, conforme segue:
Uma das profissionais disse que orienta o uso de chá preto no
tratamento das fissuras das puérperas. (Encontro 3)
Uma das profissionais mencionou que a última vez que estudou algo
sobre aleitamento materno foi na sua graduação, há mais de dez anos
atrás. (Encontro 3)
Os profissionais de saúde carecem de capacitação técnica de modo permanente,
uma vez que a maioria, após sua graduação muitas vezes não volta a se atualizar
(13). Desta forma, os profissionais que estiverem preparados, atualizados e bem
informados terão melhores condições de exercer o seu papel de multiplicadores
da prática da amamentação a fim de promover o seu sucesso.
As profissionais como referência de atendimento às mulheres
No relato das participantes durante a capacitação, observou-se que as mulheres
utilizam os serviços da UBS em estudo buscando principalmente por ações de
proteção e recuperação. Essa procura objetiva a busca de informações que
minimizem e/ou esclareçam as suas dificuldades, dúvidas, inseguranças e
anseios. Isso ficou evidente quando:
Uma das participantes comentou que grande parte da população da UBS
Panorama amamenta e que muitas mulheres costumam procurar ajuda com
elas quando têm problemas com a amamentação. (Encontro 2)
Se a mulher que procura ajuda não for acolhida pelos profissionais de saúde,
ela irá procurar a solução para os seus problemas com uma pessoa que considere
como apoio/suporte para lhe fornecer tais informações(14). De acordo com o
contexto de vida de cada mulher, incluindo experiências, hábitos, crenças,
mitos, tabus, preconceitos e costumes, isso poderá desfavorecer o aleitamento
materno e, consequentemente, favorecer o desmame precoce do bebê.
Em estudo que objetivou conhecer as crenças e as práticas da nutriz e de seus
familiares sobre aleitamento materno afirmou-se que a busca de validação de
crenças no aleitamento materno acontece junto a outras pessoas do convívio
social e familiar da nutriz, principalmente àquelas que já tiveram as mesmas
experiências e vivências(14).
Desta forma, a nutriz seleciona as crenças que julga mais adequadas para ela e
para o seu bebê e, muitas vezes, não questiona se algumas dessas crenças
transmitidas, principalmente pela sua família, poderão lhe trazer algum tipo de
prejuízo(14). Por isso, ressalta-se que para a manutenção do aleitamento
materno, é importante que o serviço de referência seja de fácil acesso e
resolva com disponibilidade os problemas relacionados à amamentação(15).
Salienta-se o exposto, pois "um grande número de crianças são desmamadas por
causas perfeitamente possíveis de serem resolvidas com um programa educativo de
assistência"(13). Esta afirmação ratifica a importância do profissional em
orientar e educar as gestantes sobre o aleitamento materno de forma efetiva,
pois à medida que elas são orientadas e encorajadas com informações claras e
esclarecedoras, elas criam confiança acerca do seu potencial para amamentar
fazendo com que dificuldades futuras sejam minimizadas e/ou evitadas.
Da mesma forma acontece quando existe algum componente que contra-indique ou
dificulte a amamentação. Nesses casos, o preparo e as orientações fornecidas
desde o pré-natal são importantes para que a mulher relativize tal situação ou
tenha tempo para se adaptar a uma futura condição. Visto que muitas vezes as
mulheres buscam ajuda em função de uma dificuldade ou inabilidade em lidar com
as questões do aleitamento, a resolução dos problemas enfrentados por elas
dependerá não só dos profissionais de saúde, mas de todo o suporte que possa
ser oferecido a elas.
Assim, a ação resolutiva não se reduz a uma conduta, mas, à forma como a
situação é conduzida desde o seu início até o seu fim, de maneira que todos os
recursos possíveis sejam utilizados a fim de satisfazer e resolver a situação
do usuário que busca por um objetivo específico.
A importância de padronizar as condutas das profissionais
É importante levar em consideração que entre profissionais de uma mesma unidade
de atenção pré-natal aparecem discordâncias entre o modo de agir frente a
situações que podem levar à interrupção da amamentação. Assim, reforça-se a
idéia de que os profissionais, enquanto em serviço, precisam de informações
claras, precisas e seguras para que a promoção e apoio ao aleitamento possam
acontecer de forma contínua, evitando o desmame precoce.
Essa situação poderia ser prevenida ou minimizada se toda a equipe de saúde
realizasse um trabalho integrado, desde o início do pré-natal e durante todo o
seguimento da puericultura. Com isso, seria mais fácil promover a implantação e
a manutenção do aleitamento materno por períodos mais prolongados(16). Na UBS
em estudo, a preocupação com o desmame precoce das crianças ficou evidente
quando:
Uma das participantes comentou que é muito a favor da amamentação,
mas que uma profissional de outra área prescreve muito leite
artificial. (Encontro 1)
Quando os profissionais adotam condutas divergentes em relação às práticas do
aleitamento, podem surgir situações de conflito entre os colegas da equipe,
pois as condutas dependem de cada profissional, de acordo com o seu saber. Este
fato desestimula alguns membros da equipe a orientar o que consideram correto,
sendo que os prejudicados com essa conduta serão a mulher e o seu filho, como
observa-se a seguir:
Uma das participantes relatou que está cansada de se contrapor à
orientação alimentar fornecida por uma profissional de outra área,
mas, mesmo assim, ainda continua insistindo na amamentação. (Encontro
1)
Da mesma forma que essa situação pode causar impacto na assistência prestada
por uma das profissionais, é comentado em um dos encontros que uma profissional
de outra área age como facilitadora acerca das questões sobre amamentação.
Uma das profissionais presentes no encontro comentou que uma
profissional de outra área que trabalha com grupos de gestantes de 3º
trimestre de gravidez sempre salienta nos grupos a importância da
amamentação. (Encontro 1)
Mesmo assim, as diferenças em relação às informações fornecidas sobre a
alimentação dos bebês pelas profissionais que realizam pré-natal e por uma
profissional de outra área fizeram com que, em um dos encontros realizados, as
próprias profissionais envolvidas na capacitação sugerissem uma resolução para
a dificuldade encontrada. Observou-se isso quando:
O grupo levantou a proposta de convidar a profissional da outra área
a participar das reuniões para que as condutas fossem discutidas com
o objetivo de incrementar o tempo de aleitamento. (Encontro 1)
Chamou atenção o modo como uma das profissionais que participou dos encontros
para a capacitação sentiu a sua atuação e a de outros profissionais frente às
orientações dadas sobre amamentação, durante a consulta de pré-natal.
Isso pôde ser observado de acordo com o que segue:
Uma das profissionais comentou que na primeira consulta de pré-natal
realizada pelas enfermeiras elas até conversam com as pacientes sobre
amamentação, mas que depois as outras consultas são com as médicas.
(Encontro 2)
Esta observação se deu pelo fato de que no início da capacitação as enfermeiras
realizavam só a primeira consulta de pré-natal, sendo que as demais consultas
sempre eram realizadas pelas médicas. Esse fato causa divergências em relação
às condutas e às orientações fornecidas às gestantes sobre aleitamento materno,
em cada consulta.
Com o exposto, salienta-se que o exame de mamas com as suas devidas orientações
também deve ser realizado em diferentes momentos educativos e durante as
consultas de pré-natal. Portanto, é um ato que deve ser executado e praticado
pelos profissionais envolvidos na atenção pré-natal, independentemente do
momento em que é realizado ou por quem é realizado.
Ações e estratégias propostas na capacitação
Durante os encontros para a capacitação ações e estratégias foram propostas,
como: a revisão e atualização de informações sobre aleitamento materno, visitas
ao hospital de referência da UBS em estudo, mudanças no atendimento pré-natal e
decisão de implantação da IUBAAM.
Em cada encontro, dúvidas surgiram em relação à técnica, às orientações, às
atualizações e à prática referente ao aleitamento materno. Para tanto, uma
enfermeira, conselheira em aleitamento materno participou do quarto encontro
realizado, no qual esclareceu e abordou vários aspectos sobre a técnica e a
fisiologia da amamentação; armazenamento, estocagem e degelo do leite materno;
funcionamento dos bancos de leite; fatores emocionais que influenciam na
amamentação; situações que contra-indicam o aleitamento materno, entre outros.
Além desse encontro específico para esclarecer questões acerca do aleitamento
materno, também foram realizadas duas visitas ao hospital de referência da UBS
Panorama. As visitas favoreceram uma aproximação entre as profissionais do
hospital e da UBS e possibilitaram que as participantes da capacitação
visualizassem na prática as questões referentes aos bancos de leite, ao Método
Canguru e aos demais programas do hospital.
No que tange ao atendimento pré-natal, o processo de trabalho foi reestruturado
e a dinâmica do atendimento apresentou alterações. Atualmente, as profissionais
dispõem de 45 minutos para a realização da primeira consulta e de 30 minutos
para a realização das consultas posteriores, ao passo que no início da
capacitação o tempo utilizado era de 30 e 20 minutos, respectivamente. As
enfermeiras realizavam somente a primeira consulta do pré-natal, porém,
atualmente as enfermeiras e as médicas realizam a consulta de forma alternada.
Finalmente, um dos aspectos mais importantes ocorridos durante a capacitação,
foi o pedido de implantação da IUBAAM na UBS Panorama. Esta proposta,
atualmente, encontra-se em fase de construção do conteúdo a ser trabalhado em
cada encontro.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabe-se que a amamentação precisa ser um comportamento aprendido e exercitado e
que mulheres e profissionais de saúde precisam ser estimulados, encorajados e
apoiados a fim de manter os indicadores de amamentação em níveis ótimos.
A falta de atualização e a diferença nas condutas das profissionais que
realizam pré-natal foram importantes achados desse estudo e comprovaram a
necessidade de capacitação em UBS's à medida que as profissionais admitiram que
existem falhas no que diz respeito ao seu próprio aprendizado e atuação.
A capacitação, através de encontros com participação ativa de todas, fez com
que as profissionais verbalizassem suas inseguranças, descontentamentos,
dúvidas e anseios, o que facilitou a construção em conjunto, entre
pesquisadoras e participantes, de soluções viáveis a fim de melhorar ou
amenizar tais situações. Desta forma, todas as sete participantes concordaram
que o preparo para o aleitamento materno deve ser algo trabalhado com as
gestantes desde a primeira consulta de pré-natal, tendo prosseguimento nas
consultas posteriores.
As estratégias e ações adotadas a fim de promover a capacitação dessas
profissionais tiveram resultados positivos e além de oportunizarem o repensar
das práticas diárias das profissionais, também causaram transformações nas
mesmas, fazendo com que o estímulo ao aleitamento materno fosse incorporado
como parte do cotidiano profissional de cada pré-natalista. Esse fato facilitou
e favoreceu o acolhimento, o estabelecimento de vínculo com as gestantes e a
aproximação dessas mulheres com suas unidades de referência, bem como a adoção
de ações mais efetivas dos profissionais, de modo que os mesmos apostem na
promoção, incentivo e intervenção no aleitamento materno.
No atendimento pré-natal ocorreram mudanças ao longo dos encontros,
demonstrando que as profissionais podem interferir e intervir de maneira
positiva frente ao aleitamento materno e a sua prática diária. Isso reforçou
que a busca de soluções pode ser conquistada através de pequenas mudanças.
Ressalta-se a importância da capacitação na decisão de implantação da IUBAAM na
UBS e o quanto essa iniciativa trará benefícios a todos os envolvidos com a
promoção e a prática do aleitamento materno, sendo um dos resultados positivos
da pesquisa.
A dificuldade encontrada no presente estudo deu-se em função da adequação dos
horários das profissionais para a realização dos encontros. Tal fato confirma
que quando existe articulação entre os serviços e as entidades responsáveis
pelo mesmo, a implantação e reformulação de estratégias são facilitadas a fim
de que tal atendimento e programação sejam efetivos e aconteçam.
Finalmente, considera-se que as estratégias para a melhoria dos serviços
prestados à população e para a atuação diária dos profissionais devem ser
realizadas permanentemente e intermiten-temente. Além disso, a implantação dos
programas de saúde e as obrigatoriedades impostas pelos gestores não podem ser
rígidas e fechadas, pois cada unidade de saúde possui suas peculiaridades, sua
população com seu contexto de vida, sua equipe, seu modo de trabalhar. Tais
fatos justificam a necessidade de participação dos profissionais e dos usuários
nesse processo com a adequação dos programas à realidade de cada serviço de
saúde.