Atitudes de enfermeiros de hospital geral frente ao uso do álcool e alcoolismo
PESQUISA
Atitudes de enfermeiros de hospital geral frente ao uso do álcool e alcoolismo
Clinical nurses' attitudes toward the use of alcohol and alcoholism
Actitudes de enfermeros de hospital general frente al uso de alcohol y al
alcoholismo
Divane VargasI; Renata Curi LabateII
IDoutorando do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da
EERP-USP. devargas@eerp.usp.br
IIProfessora Doutora do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências
Humanas da EERP-USP
1. INTRODUÇÃO
O alcoolismo constitui um dos mais graves problemas médico-sociais dos grandes
centros na atualidade. Esse fato tem preocupado governos, profissionais da
saúde e a sociedade de um modo geral. O primeiro levantamento domiciliar sobre
o uso de drogas psicotrópicas no Brasil, que envolveu as 107 maiores cidades do
país(1) apontou que o uso de álcool pela população atinge uma porcentagem de
68,7%. Esse resultado está próximo aos 70,8% observados no Chile e aos 81,0%
constatados nos EUA. O mesmo levantamento apontou que, nas cidades estudadas, a
estimativa de dependentes de bebidas alcoólicas era de 11,2% .
Sabe-se que o alcoolismo acarreta sérios problemas, dentre eles: problemas
sociais, econômicos e de saúde, sendo que as repercussões do uso abusivo na
saúde do indivíduo acabam tornando comum o atendimento de pacientes dependentes
do álcool nos hospitais gerais, o que faz essa prática freqüente entre os
enfermeiros de setores clínicos e cirúrgicos. Este fato é possível de se
observar ao se analisarem vários estudos(2-5) que trazem informações sobre a
internação de alcoolistas nos hospitais especializados e gerais do Brasil.
A experiência prática e a literatura(5-7) revelam, no entanto, que apesar da
crescente demanda de dependentes do álcool nos hospitais, nem sempre o
enfermeiro encontra-se preparado para atuar frente a essa problemática. Talvez
não seja tarefa fácil para os enfermeiros generalistas compreenderem alguns
aspectos que envolvem o alcoolismo, principalmente, porque pouca atenção tem
sido dada à questão do abuso de álcool na formação desses profissionais(8,9).
Concomitantemente com a dificuldade em compreender o alcoolismo em suas várias
dimensões, associa-se o fato de o alcoolismo constituir-se em uma doença
estigmatizada pela sociedade, podendo essa questão influenciar as atitudes dos
enfermeiros que cuidam de pacientes alcoolistas, através das opiniões das
pessoas, experiências vividas, crenças, valores e conhecimentos.
O enfermeiro é um dos profissionais mais adequados ao tratamento das doenças
mentais e particularmente o alcoolismo, sendo que suas atitudes têm um grande
impacto na relação com o paciente e conseqüentemente nos resultados do
tratamento(10).
Por ser o enfermeiro o profissional que tem o maior contato com o paciente
alcoolista durante a internação, o relacionamento entre eles deve favorecer a
construção de um ambiente que possa influenciar a decisão do paciente em
facilitar o tratamento(11). A percepção que o enfermeiro tem do paciente é o
principal determinante da qualidade, bem como da quantidade do cuidado de
enfermagem que será prestado(12). Quando o enfermeiro possui uma atitude
negativa, o paciente pode, em contrapartida, desenvolver uma postura hostil ou
contra-terapêutica. Sendo assim, uma análise das atitudes desses profissionais
é necessária, uma vez que essas atitudes poderão interferir no relacionamento e
tratamento do alcoolista.
Outra razão importante para estudar atitudes de enfermeiros frente ao álcool e
ao alcoolismo deve-se ao fato de o hospital geral constituir-se, na maioria das
vezes, porta de entrada para o tratamento dos problemas relacionados ao álcool
(6).
Diante da influência das atitudes do enfermeiro no relacionamento e tratamento
do alcoolista, bem como das dificuldades que permeiam essa relação,
desenvolveu-se um estudo para mensurar as atitudes do enfermeiro de hospital
geral no que se refere ao álcool e aos problemas com o beber.
1.1 Conceituando atitudes
Concepções clássicas de atitude surgiram nos livros de Psicologia na década de
1970(13,14). As ações sociais do indivíduo refletem sua atitudes, as quais são
sistemas duradouros de avaliações positivas e negativas, sentimentos emocionais
e tendências de ação, favoráveis e desfavoráveis, com relação a objetos sociais
(14).
Uma atitude é a predisposição adquirida e duradoura a agir sempre do mesmo modo
diante de uma determinada classe de objetos, ou um persistente estado mental e/
ou neural de prontidão para reagir diante de uma determinada classe de objetos,
não como eles são, mas sim como são concebidos(13).
2. OBJETIVO
Verificar as atitudes de enfermeiros de hospital geral frente ao álcool e ao
beber.
3. METODOLOGIA
Estudo psicométrico que utilizou, como instrumento de mensuração, oSeaman
Mannello Nurse's attitudes toward alcohol and alcoholism Scale(15). Esse
instrumento foi criado e validado pelas autoras, com uma amostra original de
439 enfermeiras, em Buffalo, New York, EUA. É composto por 30 itens, divididos
em cinco subescalas: trata-se de um instrumento específico para mensurar
atitudes de enfermeiros frente ao álcool e ao alcoolismo .
O presente estudo trata da subescala V que mede as atitudes pessoais dos
enfermeiros frente ao álcool e ao beber. Os sujeitos da pesquisa posicionaram-
se frente aos itens através de uma escala do tipo likertcom opções de resposta
de 1 a 5 pontos, sendo que 1 representou completo desacordo com o item proposto
e 5 completo acordo. O quadro_1 apresenta os itens da subescala V, os quais
foram respondidos pelos sujeitos.
A população do estudo constituiu-se de 196 enfermeiros de um macro-hospital
geral de um município do interior paulista, dos quais 88% eram do sexo
feminino, cinco eram diretoras de seção (2,9 %); quinze enfermeiros-chefes
(8,8%); dois enfermeiros encarregados (1,2 % ) e 149 enfermeiros (87,1 %). A
idade variou entre 22 e 51 anos, e 51% dos sujeitos revelaram experiência
profissional com alcoolistas.
O instrumento foi entregue em envelopes lacrados e foi solicitado que os
questionários não fossem identificados, a fim de garantir a privacidade dos
mesmos. Dos 196 questionários entregues, 171 (82,2%) foram devolvidos.
O questionário levou aproximadamente 30 minutos para ser respondido e foram
inclusas no mesmo as instruções para o preenchimento, bem como o termo de
consentimento esclarecido.
A análise foi dividida em duas etapas. Inicialmente, os dados coletados foram
lançados no EPINFO, programa da Organização Mundial da Saúde (OMS), de domínio
público, utilizado para análise de estudos dessa natureza. Isso possibilitou
realizar uma análise descritiva das informações sócio-demográficas da população
estudada.
Posteriormente, analisaram-se as questões das cinco subescalas que compõem o
The Seaman Mannello Nurses'attitudes Toward Alcohol and alcoholism, atribuindo
1 e 2 pontos para categorias de respostas desfavoráveis ao item; três para
categorias intermediárias e quatro e cinco pontos para categorias favoráveis.
Da soma dos escores obtidos, calculou-se uma média, sendo esse resultado
interpretado, de acordo com as autoras do instrumento.
Para fins de apresentação neste estudo, agruparam-se os itens 1-discordo
totalmente e 2- discordo em 1-discordo , 2- não concordo nem discordo
(neutralidade) e 4 concordo e 5- concordo totalmente em 3- concordo.
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A média do escore obtido nessa subescala que mede as atitudes dos enfermeiros
frente ao álcool e ao beber foi de 16,08, escore considerado baixo. Os
enfermeiros deste estudo vêem o álcool como perigoso, sendo nocivo em qualquer
quantidade e moralmente errado(15).
Para apresentação dos resultados, dividiu-se a análise em duas categorias. Na
primeira, são apresentados e discutidos os dados referentes às atitudes
pessoais dos enfermeiros sobre a bebida alcoólica e, na segunda, os dados
referentes às atitudes frente ao consumo das mesmas.
4.1 Atitudes pessoais frente à bebida
A análise dos resultados dos itens que avaliam as atitudes dos enfermeiros
frente à bebida alcoólica mostra que, entre as enfermeiras participantes do
estudo, predominam atitudes pessoais negativas com respeito ao álcool.
Verificou-se que mais da metade da população estudada (54,4%) considera que as
bebidas alcoólicas, mesmo que usadas moderadamente, prejudicam a saúde, 57,1%
acreditam que o beber com moderação não é inofensivo. Enquanto 66,1% consideram
que a ingestão moderada de bebidas alcoólicas não é tão inofensiva quanto a
ingestão de bebidas não alcoólicas.
As figuras que seguem mostram a distribuição das respostas frente aos itens que
mensuram as atitudes pessoais no tocante às bebidas alcoólicas.
Com relação às conseqüências do álcool, os dados apontaram que os enfermeiros
percebem nas bebidas alcoólicas um perigo para a saúde de quem as consome, não
importando a quantidade consumida. Talvez esse resultado esteja relacionado às
concepções e vivências proporcionadas por experiências desses enfermeiros ao
prestarem assistência a pacientes com complicações decorrentes do beber.
Associado a essa questão, é possível, ainda, que as informações recebidas
durante a graduação em disciplinas de formação geral, que enfatizam o álcool
como fator contribuinte e, muitas vezes, desencadeante de uma série de
patologias orgânicas, poderiam justificar tal achado.
Por outro lado, as dificuldades encontradas, no tratamento do alcoolismo, podem
contribuir para essas atitudes, uma vez que os enfermeiros entram em contato
com esse paciente em estágios já muito avançados da doença, quando as
complicações clínicas se manifestam e quando, na maioria das vezes, tornam-se
irreversíveis. Daí que a questão da formação, da vivência e da constatação dos
resultados provocados pelo uso do álcool pode levar esses enfermeiros a
considerar a bebida nociva e perigosa para a saúde do indivíduo, justificando
suas atitudes negativas frente à bebida alcoólica.
Cabe ressaltar, no entanto, que as atitudes dos enfermeiros contra o beber
parecem não ser tão seguras. Quando precisam avaliar a nocividade do uso
moderado do álcool, percebe-se que não existe uma atitude totalmente definida,
pois 54,4% dos enfermeiros acreditam que o beber mesmo moderadamente prejudica
a saúde, no entanto, quase 40% dos enfermeiros acreditam que o beber moderado
não é prejudicial e somente 7,6% dos entrevistados colocaram-se em posições
intermediárias, sem opinião formada.
4.2. Atitudes frente ao beber
Na questão que avaliou as atitudes pessoais dos enfermeiros frente ao beber, os
resultados encontrados revelam a não-aceitação do beber por parte dos
entrevistados. O beber é encarado como errado (Gráfico_4), sendo que as pessoas
deveriam evitar tal prática (Gráfico_5), pois acreditam que o álcool é capaz de
tornar o indivíduo débil e louco (Gráfico_6).
Ao encararem o beber como algo moralmente errado, é possível que atribuam à
doença a vontade própria do paciente que, mesmo conhecendo as conseqüências do
uso do álcool, age de maneira errada ao consumi-lo.
Embora 47% dos enfermeiros consultados encarem o beber moderado como algo
errado, chama atenção o fato de um percentual bem próximo a esse (38%)
acreditar não existir nenhum problema em consumir bebidas alcoólicas. Tal
achado talvez se justifique pelo fato de que muitos enfermeiros refletem a
visão dominante da sociedade, que aceita o beber moderado e rejeita o indivíduo
que bebe de maneira descontrolada(16,17).
Dados semelhantes foram encontrados em estudo realizado no norte da Inglaterra
(17). A razão apontada pelos autores para hesitação nas atitudes das
enfermeiras frente ao beber foi atribuída à aceitação difundida socialmente do
beber moderado, bem como à comparação com o próprio consumo de álcool das
enfermeiras.
Ao considerarem o beber como moralmente errado, é possível que atribuam ao
alcoolista o caráter da voluntariedade da doença. Sabe-se que, dentre as
patologias psiquiátricas, o alcoolismo é uma das mais rejeitadas, sendo o
alcoolista estigmatizado por seu problema(18).
A retirada do caráter de voluntariedade da ingestão de bebidas alcoólicas
abole, ao menos oficialmente, o julgamento moralista em relação aos dependentes
do álcool, segundo o qual a responsabilidade de ingestão exagerada de bebidas
alcoólicas é atribuída à degradação moral(19).
Em um estudo realizado com 140 estudantes de enfermagem(20), encontrou-se que
os mesmos preferiam cuidar de pacientes que se mostrassem dependentes e
comunicativos e mostraram-se menos aptos a trabalhar com pacientes que na sua
concepção fossem responsáveis pela sua doença. Sendo assim, ao considerar o uso
do álcool sobre o cunho moral, os estudantes podem também atribuir a
responsabilidade da doença ao próprio indivíduo quando ele perde o controle.
Em um outro estudo(21), verificou-se que estudantes de enfermagem tinham menos
atitudes de aceitação frente ao alcoolista do que frente a pacientes
fisicamente incapacitados. É possível que a não-aceitação do alcoolista esteja
relacionada à questão do consumo exagerado de bebidas alcoólicas, nesse sentido
a dependência pode ser vista como um sintoma da doença provocada pela prática
errada do beber.
Os enfermeiros também revelam dificuldade na aceitação do beber como um direito
da pessoa, manifestando-se uns, de maneira radical, favoravelmente (35%) ou
contra (34%) e outros sem opinião formada (31%).
Uma revisão de estudo de atitudes de profissionais para com o alcoolismo sugere
falta de aceitação do mesmo, sendo que vários grupos de profissionais
reconhecem o alcoolismo. Sendo, porém, mais fácil aceitar isso intelectualmente
do que emocionalmente(22).
Na opinião da metade dos enfermeiros do estudo (50%), as bebidas alcoólicas são
capazes de tornar pessoas saudáveis em "débeis e loucas". As alterações do
psiquismo atribuídas aos efeitos do álcool sobre o funcionamento do sistema
nervoso parecem justificar tal visão.
Pois a baixa tolerância à frustração, em referência às reações inadequadas e
pouco ajustadas, frente a estímulos desagradáveis, justifica o modo de o
alcoólico encarar a realidade dos outros, negando a sua realidade e alterando a
percepção da realidade do outro. Isso seria a conseqüência da mudança fácil e
repetida da consciência sobre o efeito da bebida(23).
Além disso o humor lábil do paciente alcoólico, manifestado muitas vezes, por
irritação, descontrole, ansiedade e depressão sem causas concretas, pode ser
associado a sintomas de debilidade ou loucura.
Tal fato é preocupante, pois sugere dificuldade em entender esses sintomas e
condutas como decorrência da dependência, atribuindo-os à doença mental. É
possível que o alcoolismo seja classificado enquanto doença mental, devido ao
fato de que, como já mencionado anteriormente, os enfermeiros têm recebido
pouca informação e treinamento específico sobre o alcoolismo(8,9),o que reflete
a pouca atenção dada à temática na formação dos profissionais de saúde,
tornando o conhecimento incipiente(9).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com os resultados obtidos neste estudo, os enfermeiros consideram que
as bebidas alcoólicas prejudicam a saúde (54,4%), que o beber com moderação não
é inofensivo(57,1%) e é errado (47,4%). Consideram ainda que a ingestão
moderada de bebidas alcoólicas não é tão inofensiva quanto a ingestão de
bebidas não alcoólicas (66,1%). Além disso revelam dificuldade na aceitação do
beber como um direito da pessoa, manifestando-se uns, de maneira radical,
favoravelmente (36,9%) ou contra (34,5%) e outros sem opinião formada (31,5%).
Também consideram que as bebidas alcoólicas são capazes de tornar pessoas
saudáveis em "débeis e loucas" (29,8%).
A média encontrada nessa subescala (16,08) é considerada desfavorável e revela
atitudes negativas. Um escore baixo como o obtido neste estudo indica que, na
concepção do enfermeiro, o álcool é perigoso, sendo assim seu consumo é nocivo
independentemente da quantidade ingerida e é moralmente errado(15).
Isso leva a pressupor que, sob o ponto de vista dos enfermeiros deste estudo, o
álcool é perigoso e nocivo, mesmo que usado socialmente, e que seu uso pode ser
visto por esses profissionais como moralmente errado. Sendo assim, podem
atribuir ao indivíduo as causas e conseqüências de sua doença, uma vez que
podem conceber que o paciente conhece os riscos oferecidos pelo uso do álcool.
Faz-se necessária a retirada do caráter de voluntariedade da ingestão de
bebidas alcoólicas, abolindo o julgamento moralista em relação aos dependentes
do álcool, segundo o qual a responsabilidade de ingestão exagerada de bebidas
alcoólicas é atribuída à degradação moral do indivíduo(19).
Ver o alcoolismo como algo moralmente errado permite rotular o alcoolista como
fraco e dependente, culpando-o pela sua fraqueza de caráter. O pressuposto de
que o alcoolista pode controlar seu hábito de beber tem influenciado a
população de um modo geral(25). É possível que o enfermeiro sofra influências
do meio social. A relação da sociedade com o álcool é contraditória, pois ao
mesmo tempo em que existe aceitação de seu consumo, observa-se a reprovação
severa ao alcoolismo propriamente dito, que é sempre associada a uma decadência
moral, econômica, volitiva do indivíduo e que acaba por levá-lo à rejeição
social(22).
Talvez isso justifique o fato de 40% dos enfermeiros do estudo apresentarem
atitudes favoráveis frente ao beber moderado, mesmo que 70% deles considerem as
bebidas alcoólicas prejudiciais em qualquer quantidade.
O dependente de álcool não deve ser visto como alguém que cometeu uma falha
moral, mas como vítima de uma doença cujo sinal patogênico é a perda do
controle individual e comunitário(19).
Sendo assim, é importante que o enfermeiro examine suas atitudes acerca do
alcoolismo e ofereça cuidados sem julgamento à pessoa do alcoolista, haja vista
que é responsável em várias situações pelos cuidados prestados a esses
pacientes. Para isso faz-se necessário o reconhecimento das fontes de suas
atitudes; explorar como suas atitudes afetam os cuidados prestados ao paciente
complementando com autoconsciência e mudança de certas atitudes comprovadas
como negativas. Entende-se que o alcoolismo é uma problemática constante nos
locais de trabalho dos enfermeiros. O enfermeiro é um profissional capacitado a
atuar com esse paciente, tendo em vista que tem a vantagem de poder assistir o
paciente de forma mais ampla e em várias situações acompanhando, aconselhando e
ajudando o paciente a atingir a estabilidade, além disso é o profissional que
se encontra em uma das posições mais privilegiadas para entender os sentimentos
dos pacientes, segundo diferenças sociais, culturais e individuais(18).
Diante disso, o enfermeiro é um profissional indispensável para o tratamento e
a busca da recuperação do alcoolista e suas atitudes podem influenciar
definitivamente no relacionamento com o paciente alcoolista e conseqüentemente
favorecer o tratamento.
Lançar mão de uma prática mais humana, onde exista mais sensibilidade de escuta
destituída de preconceitos pode ser um primeiro passo para garantir uma
assistência de qualidade a essa clientela. Tal prática poderá ser viabilizada
com o estabelecimento de três fatores fundamentais e inter-relacionados:
mudança de atitudes, busca de conhecimentos e aperfeiçoamento de habilidades.
Essa conscientização dos profissionais se faz necessária, uma vez que os dados
mostram que cada vez mais o paciente alcoolista faz parte do cotidiano do
enfermeiro generalista.