Gerenciamento de novas tecnologias em centro cirúrgico pelas enfermeiras nos
hospitais de feira de Santana - Ba
PESQUISA
Gerenciamento de novas tecnologias em centro cirúrgico pelas enfermeiras nos
hospitais de feira de Santana - Ba
Management of new technologies in a surgery center by nurses in hospitals
located in Feira de Santana - BA
Administración de nuevas tecnologías en centro quirúrgico por las enfermeras en
los hospitales de Feira de Santana-BA
Marluce Alves Nunes Oliveira
Enfermeira. Mestre em Engenharia de Produção na área de Mídia e Conhecimento.
Professora Assistente do Curso de Graduação em Enfermagem da Disciplina
Enfermagem na Saúde do Adulto e Idoso II do Departamento de Saúde da
Universidade Estadual de Feira de Santana
E-mail do autor: milicialves@yahoo.com.br
1 Introdução
A acepção enfermeira gerente de centro cirúrgico é compreendida como a
profissional responsável pelos serviços em que o cuidado perioperatório é
ministrado ao paciente, independente do tipo de hospital em que atua:
filantrópico, privado ou público.
Dentre as diversas unidades da estrutura hospitalar, destaca-se o centro
cirúrgico, uma unidade que contém um conjunto de elementos destinados às
atividades cirúrgicas, constituindo assim, o setor que tem como prioridade
prestar assistência de qualidade ao paciente, desde o recebimento no pré-
operatório imediato até a recuperação pós-anestesica. Sabe-se que é fundamental
obter-se condições adequadas no ato anestésico-cirúrgico, tanto para segurança
física e psicológica do paciente quanto da equipe cirúrgica.
Ultimamente, presencia-se, no cotidiano da unidade de centro cirúrgico, um
aumento exponencial de complexidade tecnológica, científica e de relações
humanas, gerando, dessa forma, um novo perfil para a gerente dessa unidade(1).
É importante que a enfermeira de centro cirúrgico compreenda que a tecnologia
pode contribuir no fortalecimento da capacidade de inovar a assistência ao
paciente no perioperatório. As exigências do mundo contemporâneo observado no
cotidiano, à vista da utilização da ciência e da tecnologia, repercutem cada
dia mais na vida das pessoas, mostram, com grande ênfase, que a sociedade deve
se organizar para adaptar-se aos novos tempos. Impõe-se, portanto, a
necessidade de atualização das enfermeiras de centro cirúrgico para tornarem-se
profissionais eficazes e sintonizados com as novas exigências do mercado de
trabalho.
Considerando o valor das novas tecnologias (biomédica, comunicação e
informação) na assistência hospitalar, é necessário que os profissionais de
saúde tenham a clareza que esta assistência deve ser pautada pelo respeito a
vida humana e pela observância dos princípios ético-morais no convívio entre
profissionais e pacientes.
O presente estudo foi suscitado ao ingressar na Universidade Estadual de Feira
de Santana como docente da disciplina Enfermagem Cirúrgica, e atualmente, na
disciplina Enfermagem na Saúde do Adulto e Idoso II, do Curso de Enfermagem,
havia sempre o questionamento sobre a atuação das enfermeiras em centro
cirúrgico, no que diz respeito à assistência ao paciente no perioperatório.
Daí, a motivação para realizar-lo, a partir da vivência no campo da prática com
os estudantes do 7º semestre do Curso de Enfermagem, nos centros cirúrgicos dos
hospitais públicos e privados do Município de Feira de Santana.
Observou-se a ausência da enfermeira no início do intraoperatório, momento em
que a presença desse profissional é muito importante, a fim de transmitir
confiança, segurança e proporcionar uma assistência de qualidade ao paciente,
colaborando assim, com toda a equipe cirúrgica. Diante dessa realidade, o
questionamento: Por que a enfermeira durante o intraoperatório se ausenta da
sala de operação? Como a enfermeira gerencia as novas tecnologias? Como a
tecnologia está inserida no processo de trabalho da enfermeira? O nível de
adequação ao domínio das novas tecnologias é satisfatório ou insatisfatório no
gerenciamento da enfermeira em centro cirúrgico?
Neste estudo, o padrão de qualidade estabelecido é nível de adequação ao
domínio das novas tecnologias satisfatório (NADNTS) e nível de adequação ao
domínio de novas tecnologias insatisfatório (NADNTI).
O NADNTS deve ser compreendido como o conhecimento e habilidade da enfermeira
em efetuar a assistência por meio dos recursos tecnológicos (equipamentos e
materiais) de máxima efetividade em tratamento dispensado ao paciente, com
eficácia e segurança, a fim de contribuir na assistência de enfermagem com
qualidade. Quanto à tecnologia da informação e comunicação, é considerada
satisfatória, quando essa é exercida no gerenciamento e na administração dos
serviços e como suporte à prática assistencial, considera-se o NADNTI, quando
essas atividades são realizadas em forma de processo eventualmente ou não.
O presente estudo teve como objetivo geral:avaliar o NADNT por parte das
enfermeiras no gerenciamento em centro cirúrgico de hospitais, e como objetivos
específicos: Identificar e descrever os fatores que interferem no NADNT, bem
como propor ações para o desenvolvimento no NADNT pelas enfermeiras no
gerenciamento em centro cirúrgico de hospitais.
2 Marco Teórico
No trabalho da enfermeira de centro cirúrgico deve-se procurar alcançar a
qualidade através das novas tendências do mundo contemporâneo, a fim de buscar
o equilíbrio entre eficácia e eficiência.
Sabe-se que o centro cirúrgico é uma das unidades mais complexas do hospital,
pela sua especificidade, pelo estresse e a grande probabilidade de expor o
paciente a riscos da saúde, ao serem submetidos a intervenções cirúrgicas.
Portanto, é responsabilidade da enfermeira do centro cirúrgico proporcionar
estrutura física, recursos humanos e materiais para que o ato anestésico-
cirúrgico se realize em condições ideais, visando assistência integral, o
ensino e a pesquisa.
Enfim, é da responsabilidade da enfermeira perioperatória gerenciar a unidade
com responsabilidade e competência, estabelecer condutas éticas a toda a equipe
do centro cirúrgico, manter um ambiente seguro e educar o paciente a respeito
de sua doença, tratamento, promoção a saúde e autocuidado, assim promover o
cuidado ao paciente cirúrgico com qualidade(2). Assim, "o trabalho da
enfermagem compreende quatro processos: cuidar/assistir, administrar/gerenciar,
ensinar/educar e investigar/pesquisar"(3:68).
Será dada ênfase ao processo gerenciar/administrar da enfermagem. Nessa maneira
de gerenciar, a enfermeira de centro cirúrgico coordena e lidera atividades
assistenciais, atividades administrativas e atividades tecnológicas.
A tecnologia, em todas as áreas, evolui muito rapidamente, é necessário,
portanto, que a enfermeira que gerencia o centro cirúrgico, desenvolva novas
habilidades e novos conhecimentos referentes à tecnologia para que ofereça ao
paciente uma assistência de qualidade e com vantagens competitivas.
Neste sentido, a rápida obsolescência do conhecimento causada pelas contínuas
mudanças tecnológicas e mercadológicas impõe a necessidade de transformar o
aprendizado em uma prática constante(4).
O termo tecnologia provém de técnica que, de acordo com o vocabulário latino,
significa arte ou habilidade, então, depreende-se que a tecnologia é uma
atividade que está ligada à prática(5).
Dessa forma, aplicar o conhecimento da tecnologia no cotidiano da enfermeira
significa levá-la a compreender melhor o seu papel como administradora da
assistência ao paciente no perioperatório, utilizando os novos recursos
tecnológicos.
Entendendo que "as organizações utilizam alguma forma de tecnologia para
executar suas operações e realizar suas tarefas"(6:2). Sabe-se que essa
tecnologia poderá ser tosca e rudimentar ou poderá ser sofisticada, porém,
todas as organizações dependem de um tipo de tecnologia para poderem funcionar
e alcançar seus objetivos.
Observa-se que a introdução cada vez maior de elementos tecnológicos e
científicos nos mais variados campos da ação humana, incluindo os serviços
públicos e privados, exige a atualização de procedimentos de trabalho em
velocidade que o ensino formal não consegue acompanhar.
Entende-se que na área de saúde, o crescimento tecnológico está acionado ao
processo de trabalho e promove uma melhor qualidade de vida, reduzindo o
sofrimento físico do paciente.
A lei do exercício profissional da enfermagem no Brasil, em seu artigo 8º, diz,
na alínea h, que cabem ao enfermeiro, privativamente, "cuidados de enfermagem
de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos adequados e capacidade
de tomar decisões imediatas" e nas atividades como integrante da equipe de
saúde, e na alínea q, "participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada
à assistência de saúde"(7:33).
Com base nessas constatações e reflexões, considera-se que o conhecimento e
domínio das novas tecnologias são de grande importância para a enfermeira de
centro cirúrgico, que depende dela, para garantir um atendimento seguro ao
paciente no perioperatório. Por meio dessas tecnologias, o paciente recebe o
cuidado de que necessita; a enfermeira administra empregando diferentes
equipamentos, técnicas e métodos.
Considera-se tecnologia biomédica os equipamentos utilizados em centro
cirúrgico, que dão suporte à equipe de saúde nos cuidados prestados ao paciente
no perioperatório; a tecnológicos da comunicação (fax, telefone, vídeo-
conferência, entre outros), como forma de beneficiar seus pacientes e auxilia-
los na assistência, e, considera-se a tecnologia da informação como sistema de
computadores que coletam dados, armazenam, processam, recuperam, mostram e
comunicam a informação necessária, em tempo real(8).
Em relação a informação. ressaltam "o uso rotineiro de informações em um
hospital atende às necessidades, a priori,de dois processos: a assistência ao
paciente e o funcionamento do próprio hospital"(9:178).
Com o crescimento tecnológico, a informação, em especial, constitui o elemento
básico para a prática da enfermagem perioperatória em centro cirúrgico, a fim
de melhorar a qualidade da assistência que deve prestar ao paciente.
Então, percebe-se a necessidade de abordar as novas tecnologias biomédicas, da
informação e comunicação em saúde, e em especial em enfermagem, que muito é e
será utilizada pela enfermeira no gerenciamento de centro cirúrgico.
3 Procedimentos Metodológicos
Para alcançar os objetivos propostos, procurou-se desenvolver um estudo
transversal exploratório-descritivo, por meio de uma abordagem quantitativa, a
fim de possibilitar compreensão da maneira que a enfermeira de centro cirúrgico
gerencia as novas tecnologias.
Este estudo foi autorizado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade
Estadual de Feira de Santana, o universo da presente investigação constitui-se
de instituições hospitalares, cujo quadro de pessoal fosse composto por
enfermeiras com experiência em unidade de centro cirúrgico e que estivesse em
pleno exercício profissional no local da pesquisa.
Pesquisou-se 33 enfermeiras dos hospitais do Município de Feira de Santana-BA
no período de junho e julho de 2002, a fim de que se pudesse entender melhor o
gerenciamento das novas tecnologias da enfermeira em centro cirúrgico.
Nos hospitais, fez-se contato com os diretores, entregaram-se as solicitações
para autorização da pesquisa, foram dadas as informações sobre os objetivos da
pesquisa para estes, as chefias de enfermagem e as enfermeiras, informaram-se
os objetivos da pesquisa e solicitou-se das mesmas a colaboração e autorização
por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; foi entregue, a cada
enfermeira, o questionário e agendada a data de devolução.
O instrumento utilizado foi o questionário a fim de que fossem alcançados os
objetivos traçados para o estudo.
4 Processamento e tratamento estatístico
Com base nas características (variáveis dependentes) levantadas em um
questionário aplicado às enfermeiras dos centros cirúrgicos, criou-se uma nova
variável dependente: nível de adequação ao domínio das novas tecnologias das
enfermeiras no gerenciamento de centro cirúrgico em hospitais, com duas
categorias (Satisfatória e Insatisfatória).
As duas categorias foram definidas ao considerar-se a nota média obtida de 12
questões que originou uma média geral das enfermeiras de 5,17, que tratavam do
uso das novas tecnologias pelas enfermeiras dos centros cirúrgicos. Assim, as
enfermeiras daqueles centros cirúrgicas que atingiram a média maior ou igual a
3,14 (61%) foram agrupadas na categoria Satisfatória, e as abaixo de 3,14
(61%), na categoria Insatisfatória. Após a alocação das enfermeiras nessas duas
categorias, pode-se associar o índice de adequação ao domínio das novas
tecnologias, aos possíveis fatores ambientais, que são as características do
hospital e fatores individuais, as características sociodemográficas e
comportamentais das enfermeiras.
O teste estatístico adotado neste estudo foi o Qui-Quadrado de Pearson,
estabelecendo-se o nível de significância de 5%. Quando o número de casos for
menor que 20 ou o valor esperado abaixo de 5, uma alternativa foi aplicar-se o
teste exato de Fischer. O nível de significância estabelecido para os testes
foi de 5% ou 0,05 (p < 0,05).
5 Análise e discussão dos resultados
Como mostra a tabela_1, o nível de adequação ao domínio de novas tecnologias
foi insatisfatório, alcançando freqüência superior correspondente a 54,5% do
total da população, foi satisfatório, com um percentual de 45,5%.
Observa-se, na tabela_2 acima que, o sexo feminino, na amostra estudada,
encontra-se em sua totalidade (100%), em 54,5% dessas enfermeiras o NADNT foi
considerado insatisfatório, e em 45,5%, satisfatório.
São vários os fatores que interferem na prática da enfermagem, entre eles,
destaca-se: força de trabalho predominantemente feminina(10).
Observou-se na tabela_3, que para 42% das enfermeiras com jornada de trabalho
de 6 horas, o domínio de tecnologias foi satisfatório e para 19,4% não,
enquanto que, para 29% das enfermeiras com jornada de 8 horas foi
insatisfatório.
Observa-se que estatisticamente existe associação significante no nível de 5%,
ou seja, há evidência entre carga horária das enfermeiras ao domínio de novas
tecnologias.
Infere-se que, a carga horária (8 horas), pode dificultar o desenvolvimento do
trabalho da enfermeira, no que diz respeito a assistência ao paciente,
principalmente, por ser o centro cirúrgico uma unidade estressante e com grande
número de atividades complexas, além de possuir um número reduzido de
funcionários para o serviço.
Da da amostra estudada, observou-se que 90,9% das enfermeiras atuam em
hospitais gerais, destas 51,5% o domínio de novas tecnologias foi
insatisfatório e 39,4%, foi satisfatório.
Observa-se, entretanto que, estatisticamente, não houve significância em nível
de 5% de probabilidade entre domínio de novas tecnologias e tipo de hospital.
Em relação à capacidade do hospital percebe-se que, 36,4% das enfermeiras que
trabalham em hospitais de médio porte, o domínio de tecnologias foi
satisfatório e para 21,2% foi insatisfatório. Para os hospitais de grande
porte, toda a amostra estudada, ou seja, para 24,2%, o domínio de tecnologias
foi insatisfatório. Observa-se que, estatisticamente, existe associação entre
capacidade do hospital e o domínio de novas tecnologias no nível de 5% de
probabilidade.
Neste sentido, existe um crescimento excessivo no quadro de pessoal dos
hospitais de grande porte, com pouca desvantagem aos serviços voltados ao
paciente(9). Portanto, observa-se que existe um excesso de funcionários
burocráticos e um déficit de profissionais qualificados, principalmente na área
de enfermagem.
Tabela_4
Na tabela_5, observa-se que 84,4% das enfermeiras responderam que a tecnologia
da informação contribui na organização e sistematização das atividades em
centro cirúrgico.
Quanto à opinião que a tecnologia reduz, a assistência humanizada da enfermeira
de centro cirúrgico, 68.8% das que responderam "não", 15,6% enfermeiras que
responderam "sim".
Essa associação demonstrou não haver significância no nível de 5% de
probabilidade entre o nível de adequação ao domínio de novas tecnologias com
organização e sistematização, assistência de qualidade e reduz a assistência.
As inovações tecnológicas causam conflito tanto para o paciente quanto para a
enfermeira; o paciente recebe o cuidado e a enfermeira o administra empregando
diferentes equipamentos, técnicas e métodos. E acrescenta que o relacionamento
humano é uma maneira de superar as conseqüências negativas da tecnologia, pois
evita que os pacientes se transformem em meros objetos(10).
A autora deste trabalho discorda que a enfermeira sente impacto com as
inovações tecnológicas(11). Sabe-se, que essa deve estar preparada para
gerenciar as novas tecnologias, por meio de conhecimento científico e técnico,
e carece usá-las na administração da assistência, garantindo um atendimento
seguro ao paciente no perioperatório.
Verificou-se na tabela_6 que 75,8% das enfermeiras opinaram que estão
preparadas para gerenciar as novas tecnologias em centro cirúrgico, entretanto,
em 54,5%, o domínio das novas tecnologias em centro cirúrgico foi
insatisfatório. Fica claro que as enfermeiras com experiência em centro
cirúrgico concordam que a tecnologia é importante no seu trabalho, promove um
atendimento seguro, porém, não sentem segurança para usá-la na contribuição da
assistência ao paciente. Acredita-se que a enfermeira deve preparar-se melhor
para gerenciar as tecnologias, o que com certeza pode-se conseguir por meio da
atualização contínua.
A eficiência e a qualidade do suporte agregado pelo investimento em tecnologia
dependem do preparo de seus usuários. Profissionais de todas áreas são
desafiados o tempo todo. Para isso, é necessário estímulo e força de vontade
para desbravar novos horizontes sem medo do desconhecido(13). Novas
oportunidades estão emergindo com toda força, principalmente para o setor de
enfermagem, e o único jeito de se precaver contra essa constante mudança é
conhece-la, identificá-la e saber caminhar com ela.
Os atuais recursos científicos e tecnológicos têm possibilitado grandes avanços
na realização de ações no atendimento à saúde da população. Enquanto que o uso
de métodos manuais mostra-se cada vez mais ineficientes(7).
Com relação à participação das enfermeiras na escolha e aquisição de materiais
de consumo e permanente nas instituições que trabalham, 63.3% informaram que às
vezes elas participam na escolha e 26.7% responderam que sim.
Infere-se que na área de equipamentos e materiais é da responsabilidade da
enfermeira, portanto uma assistência de qualidade aos pacientes no
perioperatório comumente depende da qualidade dos materiais e dos equipamentos.
Assim, as enfermeiras deveriam estar familiarizadas com os materiais que usam,
principalmente por ser da sua competência o planejamento e escolha dos mesmos.
Procurou-se saber das enfermeiras a importância dos equipamentos biomédicos na
assistência de qualidade em centro cirúrgico, 57.6% responderam que acham
indispensáveis esses equipamentos. Observa-se que as enfermeiras concordam com
a importância da aquisição de equipamentos de alta tecnologia, ademais,
percebe-se a dificuldade em utilizá-los como contribuição na assistência.
Considerando a importância da atualização e do conhecimento da enfermeira, com
referência ao manuseio dos novos equipamentos no centro cirúrgico, constatou-se
que 59.4% responderam que "as vezes" sentem dificuldades em manusear os
equipamentos no centro cirúrgico.
Acredito que os profissionais de saúde estão seguros da importância que as
tecnologias trazem, porém, ressalto que a operacionalização ainda deixa a
desejar(12).
Assim, entende-se que a maior dificuldade das enfermeiras no manuseio dos
equipamentos e materiais deve-se aos seguintes fatores: sua ausência na
participação e escolha desses materiais durante o planejamento da unidade;
despreparo em decorrência da falta de treinamento e atualização e a falta de
oportunidade em utilizá-los devido ao excesso de atividades administrativas e
burocráticas.
Constatou-se na tabela_7, que 97% das enfermeiras consideram importante a
informatização do centro cirúrgico.
Apesar de a tecnologia da informação ter avançado rapidamente no item referente
à conectividade física para comunicação da informação, aspectos referentes à
integração de sistemas e utilização da informação pelos profissionais de saúde
não avançaram no mesmo nível(13).
As profissionais de enfermagem, pelo que se observa, não dominam a tecnologia
da informação, principalmente por carência de enfermeiras especializadas nessa
área, pouca motivação em aprender a lidar com a informática, e a falta de
preocupação de alguns hospitais em acompanhar o atual desenvolvimento
tecnológico.
Inquiridos com relação às enfermeiras que trabalham em hospitais que têm o
centro cirúrgico informatizado, verificou-se que 56,3% /(tabela_7) das
enfermeiras trabalham em hospitais em que o centro cirúrgico não é
informatizado.
Neste sentido, a informatização, o trabalho da enfermeira será mais organizado
e eficiente, eliminando atividades redundantes e ineficazes, podendo medir
resultados de suas ações de forma mais direta, adverte, entretanto, que
qualquer desenvolvimento de sistemas informatizados está na dependência de quem
o desenvolve(14).
Portanto, diante de um percentual maior para os centros cirúrgicos não
informatizados, percebe-se pouca intimidade da enfermeira com a tecnologia da
informação, no que concerne a sua utilização no apoio à prática da enfermagem.
6 Conclusão
Conclui-se que há evidência de que as enfermeiras necessitam gerenciar o centro
cirúrgico por meio de atividades sistematizadas e com adequação ao nível
satisfatório do domínio de novas tecnologias (biomédicas, comunicação e
informação).
O nível de adequação da enfermeira ao domínio de novas tecnologias (NADNT) no
gerenciamento em centro cirúrgico foi insatisfatório (54,5%), não se pode
afirmar existir só o exercício desse padrão, estando a gerência interligada a
outras situações que são aplicados na prática da enfermeira na referida
unidade.
Comprovou-se estatisticamente haver discordância significativa em nível de 5%
de probabilidade entre as variáveis categorizadas no perfil da enfermeira e
característica da instituição com o NADNT, exceto as seguintes variáveis: carga
horária e capacidade do hospital. Entretanto, observa-se que as demais
variáveis (sexo, idade, tipo de hospital) são fatores condicionantes no domínio
das novas tecnologias. Pelo exame percentual e a vivência profissional da
autora, constata-se a importância que cada uma das varáveis representa para o
NADNT pela enfermeira de centro cirúrgico, pois refletem eficácia, qualificação
do individuo, conhecimento, habilidades (técnica, humana, liderança, tomada de
decisão), aspectos referenciados pela literatura, com fatores condicionantes do
êxito do gerenciamento de novas tecnologias em centro cirúrgico.
Considerando os resultados alcançados, adverte-se que a realidade da prática
representa a tendência do grupo a uma conscientização do seu verdadeiro papel
de gerente de centro cirúrgico frente às novas tecnologias.