Efeito do ácido naftaleno acético (ANA) e benzilaminopurina (BAP) no aumento do
ângulo de inserção dos ramos em macieira
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
BOTÂNICA E FISIOLOGIA
Efeito do ácido naftaleno acético (ANA) e benzilaminopurina (BAP) no aumento do
ângulo de inserção dos ramos em macieira1
The effect of naftalen acetic acid (NAA) and benzilaminopurin (BAP) in the
increase of the angle of insertion of the branches in apple trees
Aike Anneliese KretzschmarI; Andréia Hansen OsterII; Carlos Roberto MartinsIII;
Gilmar Antonio NavaIV
IEng. Agr. Dra., Prof. De Fruticultura, Depto de Fitotecnia, Universidade do
Estado de Santa Catarina/UDESC, C.P. 281, CEP 88.502-970, Lages-SC. E-mail:
a2aak@cav.udesc.br
IIEng. Agr. M. Sc., Prof. UNIPLAC; E-mail: Hansen@uniplac.net
IIIDoutorando em Agronomia - UFPel; E-mail: marticar@ufpel.tche.br
IVDoutorando em Agronomia - UFRGS; E-mail: gilmarnava@bol.com.br
Muitas inovações ocorreram ao longo dos anos na forma de condução das
macieiras, sendo que os sistemas de condução líder central e líder central
modificado são os mais utilizados nos dias de hoje, com densidades variando de
556 a 3.333 plantas/ha (Pereira & Petri, 2002). Na Europa e EUA, são também
utilizados sistemas de altíssima densidade de plantio para macieira,
pessegueiro e pereira, com 6.000 a 12.000 plantas/ha, resultando em
produtividades elevadas (Fideghelli, 1991).
O arqueamento de ramos é fundamental durante o período de formação da macieira,
a fim de obter uma boa estruturação dos ramos de produção. A abertura dos ramos
laterais favorece maior insolação no interior da copa, melhora a penetração de
produtos para controle fitossanitário, proporciona maior facilidade para
práticas de raleio e colheita, além de melhorar a qualidade dos frutos (Ebert
& Denardi, 1986).
A prática do arqueamento, preconizada por diversos autores (Tiscornia, 1984;
Ebert et al., 1987), é realizada manualmente através da utilização de palitos
de madeira durante o período inicial de crescimento dos ramos, o que demanda
enorme dispêndio de mão-de-obra.
O arqueamento dos ramos também pode ser realizado através da utilização de
fitorreguladores, tais como auxinas e citocininas.
De acordo com Westwood (l982), o aumento da concentração de auxinas no lado
superior da bifurcação do ramo estimula um maior crescimento celular dorsal do
ramo e origina um ângulo de inserção mais amplo.
O tratamento de brotos despontados, com ácido indolbutírico (AIB) nas
concentrações de 250 a 1.000 ppm, provocou a formação de ângulos de inserção
mais amplos em todos os ramos abaixo. Quando se eliminou o fluxo basípeto de
auxina pela incisão anelar, obtiveram-se ângulos de inserção mais fechados
(Westwood, 1982).
Willians & Stahly (l968), citados por Faust (1989), observaram que
ramificações com ângulo aberto podem ser obtidas através da aplicação de
reguladores de crescimento do tipo citocinina, tais como benziladenina (BA) nas
gemas.
Este trabalho teve como objetivo verificar a influência de dois
fitorreguladores, auxina e citocinina, em diferentes concentrações de ácido
naftaleno acético (ANA) e benzilaminopurina (BAP) no aumento do ângulo de
inserção de ramos jovens em macieira.
O experimento foi conduzido em um pomar comercial na região de Lages, durante o
período de agosto/95 a janeiro/97, nas cultivares Imperial Gala e Fuji, com um
ano de idade, sobre porta-enxerto Marubakaido. O delineamento experimental
utilizado foi de blocos ao acaso, com 13 tratamentos e 4 repetições. No ano de
1995, os tratamentos constaram de ANA 100; 200; 300; 400 e 500 mg.L-1, BAP 100;
200; 300; 400 e 500 mg.L-1, arqueamento com palitos e testemunha constando de
algodão embebido em água destilada. Neste ano, as plantas haviam sido recém-
plantadas, sendo arqueados os ramos abaixo do líder, com o intuito de formar o
primeiro andar da planta.
No ano de 1996, foram testados 11 tratamentos: ANA 200; 300; 400; 500; 600 e
700 mg.L-1, BAP 500; 600 e 700 mg.L-1, arqueamento com palitos e testemunha,
constando de água destilada. Neste ano, as plantas estavam com um ano de idade,
sendo arqueados os ramos abaixo do líder, com o intuito de formar o segundo
andar da planta. Em 1997, foram testadas apenas as doses de ANA 200; 300; 400 e
500 mg.L-1, arqueamento com palitos e testemunha, constando de água destilada,
visando a formar o terceiro andar da planta .
Foram escolhidos 5 ramos por planta com 5 a 10 cm de comprimento. Após a
diluição, as diferentes doses dos fitorreguladores foram aplicadas com auxílio
de algodão embebido na solução, na inserção entre o ramo e o caule, sendo que o
algodão embebido com o fitorregulador ficou em contato apenas com a superfície
superior do ramo lateral.
As avaliações foram realizadas após 09; 15; 30 e 43 dias da aplicação dos
fitorreguladores na cultivar Imperial Gala e após 15 e 28 dias na cultivar
Fuji. O ângulo de inserção foi medido com auxílio de um transferidor, aferindo-
se o ângulo a 6 cm acima da base do ramo, como mostra a Figura 3.
A análise estatística dos dados foi realizada pelo sistema de análise
estatística - SANEST, e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de
significância.
Os dados apresentados nas Tabelas_1 e 2 demonstram que o maior ângulo de
inserção dos ramos de macieira foi obtido pela prática convencional através do
uso de palitos em ambas as cultivares testadas.
No ano de 1995 (Tabela_1), os tratamentos com ANA, nas dosagens de 200 a 500
mg.L-1, provocaram um bom arqueamento de ramos na cultivar Imperial Gala, não
diferindo estatisticamente entre si. Estes resultados confirmam as observações
de Westwood (1982) de que, quando a concentração de auxina no lado superior dos
ramos aumenta, ocorre um estímulo maior de crescimento celular dorsal do ramo,
originando um ângulo de inserção mais amplo. Quando comparados com a
testemunha, estes tratamentos apresentaram diferença significativa. Já com o
BAP, houve apenas um pequeno incremento no ângulo de inserção dos ramos.
Em 1996, nos tratamentos realizados com ANA e BAP (Tabelas_1 e 2), o
arqueamento alcançado não diferiu estatisticamente da testemunha, tanto na
Imperial Gala quanto na Fuji.
As doses de 200 a 700 mg.L-1 de ANA e 700 mg.L-1 de BAP tiveram efeito
fitotóxico (epinastia e enrolamento de folhas) sobre os ramos em ambas as
cultivares, o qual teve um aumento diretamente proporcional à dosagem
utilizada. Isto pode ter ocorrido devido ao tempo de exposição dos ramos aos
fitorreguladores que, neste ano, foi maior devido às condições climáticas
ocorridas no dia da aplicação terem sido favoráveis à absorção dos mesmos.
No ano de 1997, não houve diferença significativa entre os tratamentos para a
cultivar Imperial Gala, mas houve uma pequena diferença para a cultivar Fuji,
observando-se que as doses de ANA 200 e 300 mg.L-1 tiveram um arqueamento
superior à testemunha (Tabelas_1 e 2). No entanto, apenas através do uso de
palitos foi obtido um ângulo de inserção próximo de 90°.
Observou-se que a prática convencional de arqueamento dos ramos em macieira,
com uso de palitos, foi o melhor método para promover a abertura dos ramos. No
ano de 1995, o arqueamento de ramos foi influenciado positivamente na dose de
200 mg.L-1 de ácido naftaleno acético (ANA), em relação à testemunha.