Efeitos de modos de aplicação e concentrações de etefon na coloração da casa e
outros atributos de qualidade do abacaxi 'Pérola'
COLHEITA E PÓS-COLHEITA
Efeitos de modos de aplicação e concentrações de etefon na coloração da casca e
outros atributos de qualidade do abacaxi 'Pérola'1
Effects of application methods and concentrations of ethephon on rind color and
other quality attributes of 'Pérola' pineapples
Luciana Lima de Almeida SantanaI; Domingo Haroldo ReinhardtII; Valdique Martins
MedinaII; Carlos Alberto da Silva LedoII; Ranulfo Corrêa CaldasII; Clovis
Pereira PeixotoI
IEngº Agrônomo, M.Sc., e Professor, D.Sc., respectivamente, da Escola de
Agronomia da Universidade Federal da Bahia, Cruz das Almas-BA, fone (0xx75) 621
1220, cppeixot@ufba.br
IIEng0 Agr0., Pesquisadores (Ph.D., M.Sc., D.Sc., M.Sc. respectivamente)
Embrapa Mandioca e Fruticultura, C.P. 7, 44.380-000 Cruz das Almas-BA, Brasil;
dharoldo@cnpmf.embrapa.br, medina@cnpmf.embrapa.br, ledo@cnpmf.embrapa.br,
rcaldas@cnpmf.embrapa.br, fone (0xx75) 621 8061
INTRODUÇÃO
As técnicas de cultivo da cultura do abacaxizeiro têm melhorado bastante nos
últimos anos, obtendo-se frutos de boa qualidade, mas esta não é adequadamente
mantida na fase pós-colheita (Abreu et al., 1998). O abacaxi brasileiro,
representado pelo fruto da cultivar Pérola, mesmo com suas boas características
de aroma, paladar e sabor, bem como menores teores de acidez e fibras que os da
cv. Smooth Cayenne, tem tido sua aceitação prejudicada devido à coloração
inadequada da sua casca (Gonçalves e Carvalho, 2000), considerando que o
consumidor nacional está cada vez mais exigente quanto à qualidade do fruto.
Em geral, os frutos são colhidos no estádio "de vez", com casca verde-clara, e
chegam aos mercados consumidores com casca ainda predominantemente verde,
enquanto o consumidor prefere frutos com a casca mais amarela e vistosa. Para
atender a esta exigência, tem sido observado que muitos produtores efetuam
aplicações de etefon, na fase pré-colheita (quatro a sete dias antes da
colheita) ou imediatamente após a colheita, no momento do seu carregamento no
caminhão, quando são pulverizados ainda amontoados nos cestos. Tais práticas,
realizadas de forma empírica, sem o respaldo de estudos científicos, têm tido
efeitos imprevisíveis e, muitas vezes, conseqüências negativas, a exemplo da
perda de filhotes por florações precoces, quando ainda presos às plantas-mães
ou durante os primeiros meses após o plantio no campo (Reinhardt, 1998) e a
desuniformidade na coloração da casca e na qualidade dos frutos oferecidos aos
consumidores.
Frutos da 'Smooth Cayenne', variedade cultivada com mudas do tipo rebentão,
localizadas na parte inferior da planta (brotação do caule), quando destinados
ao comércio internacional, há muitos anos vêm sendo submetidos ao tratamento
com etefon pré-colheita para acelerar e uniformizar o amarelecimento da casca.
Esta técnica foi desenvolvida a partir de pesquisas realizadas, sobretudo, em
países africanos exportadores de abacaxi (Poignant, 1971). Por outro lado, este
assunto não tem sido estudado para a cv. Pérola, a não ser por Cunha et al.
(1980), que trataram os frutos colhidos por imersão em solução aquosa de etefon
(0 a 2.000 mg L-1) durante três minutos, observando o seu amarelecimento
durante o armazenamento em condições ambientais, mas não avaliaram a influência
dos tratamentos na qualidade da polpa dos frutos.
O etileno, que é liberado pelo etefon (ácido 2-cloroetilfosfônico), tem tido
efeitos diretos ou indiretos, resultando na degradação da clorofila e, em menor
grau, na síntese e/ou aparecimento de carotenóides na casca dos frutos (Abeles
et al., 1992). Se utilizado em concentrações e formas de aplicação adequadas, o
etefon pode melhorar a coloração amarela da casca do fruto do abacaxi, mas é
preciso evitar que os frutos tratados tenham a sua qualidade interna afetada.
Este trabalho visou a avaliar o efeito de modos de aplicação e de concentrações
de etefon sobre a coloração e a firmeza da casca e propriedades da polpa de
frutos de abacaxi cv. Pérola, durante o seu armazenamento sob condições
ambientais.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho de campo foi conduzido em área comercial de abacaxi 'Pérola' de
sequeiro da Fazenda Lagoa Encantada, Barro Branco, Itaberaba-BA. O município,
localizado à altitude de 250 m, 10º33' latitude Sul e 40º25' longitude Oeste,
apresenta clima semi-árido quente, com chuvas de verão e período seco bem
definido de inverno, classificado no tipo B.Swh de acordo com Köeppen (SEI,
1998). O plantio estava no seu primeiro ciclo, conduzido de acordo com os
tratos culturais usualmente empregados na região (Alves et al., 1998).
O experimento foi instalado quando os frutos apresentaram os frutilhos da sua
base passando da cor verde-escura para a verde-clara e da forma pontiaguda para
a achatada. Estes frutos verdosos, segundo a classificação oficial (Brasil
MAPA, 2002), depois de tratados e colhidos, foram armazenados e avaliados na
Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas-BA, no período de 23 de
dezembro de 2000 a 04 de janeiro de 2001.
O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, em esquema fatorial
4 x 3 + 1, com número variável de repetições por tratamento e data de avaliação
(período de armazenamento), sendo de, pelo menos, cinco para variáveis como a
firmeza da casca, que implicam danificar os frutos (método destrutivo), e 9 a
32 repetições para a variável coloração da casca, usando-se todos os frutos
disponíveis em cada data de avaliação (visual). Cada repetição correspondeu a
um fruto. O primeiro fator foi representado pela concentração do fitorregulador
etefon (ácido 2-cloroetilfosfônico, produto comercial Ethrel a 24% i.a.),
diluído em água, estudando-se as seguintes concentrações: 500 mg L-1, 1.000 mg
L-1, 2.000 mg L-1 e 4.000 mg L-1, além da testemunha absoluta (0 mg L-1). O
segundo fator consistiu em três formas de aplicação do etefon, que foram: 1.
Pré-colheita: pulverização feita quatro dias antes da colheita (18-12-2000),
com jato tipo 'filete' dirigido a um lado do fruto, sem atingir a coroa nem as
mudas do tipo filhote, encontradas ao longo da parte superior do pedúnculo,
logo abaixo do fruto (em média, 5 mL de calda por fruto); 2. Pós-colheita (22-
12-2000): pulverização sobre os frutos colhidos e acondicionados aleatoriamente
em balaio usualmente empregado para o transporte de frutos dentro do pomar (em
média, 50 mL de calda aplicada por balaio com 25 frutos); 3. Pós-colheita (22-
12-2000): imersão rápida (10 segundos) dos frutos, sem atingir as coroas,
realizada no campo, logo após a colheita, antes de serem transportados para o
local de armazenamento (em média, 10 mL de calda por fruto).
Os frutos colhidos e submetidos aos diversos tratamentos pertenciam às
categorias 2 (1.201 a 1.500 g) e 1 (900 a 1.200g), segundo as normas de
classificação do abacaxi (Programa, 2003). Eles foram armazenados em condições
ambientais (26°C ± 2°), por períodos de até onze dias, realizando-se avaliações
aos quatro, cinco, sete e onze dias após a colheita.
A coloração da casca dos frutos foi avaliada, sempre pelo mesmo avaliador, com
base na seguinte escala de notas, adaptada de Giacomelli (1982) e Abdullah et
al. (2000): 1 - fruto totalmente verde; 2 - fruto com os primeiros frutilhos da
base pintando de amarelo; 3 - fruto com 25% da área da casca amarela; 4 - fruto
com 50% da área da casca amarela; 5 - fruto com 75% da área da casca amarela; 6
- fruto com 100% da casca amarela. A firmeza da casca foi determinada na região
mediana dos frutos inteiros, nos pontos de coalescência entre frutilhos, sem
atingir as áreas das brácteas, com uso de penetrômetro (McCormick FT 327),
correspondendo à pressão necessária para fazer uma ponta de prova de seis mm de
diâmetro penetrar 1,5 cm no fruto. As medições de firmeza da polpa foram feitas
na seção horizontal mediana, próximo ao eixo central. Os dados obtidos
representam médias de três medições por fruto, analisados estatisticamente em
kg cm-2 e convertidos para Newton (N) pelo fator 9,807.
A coloração e a translucidez da polpa foram avaliadas mediante observação de
seção transversal mediana do fruto, com base nas seguintes escalas de notas,
adaptadas de Giacomelli (1982) e Abdullah et al. (2000): 1 - polpa branca; 2 -
polpa branca com algum amarelo; 3 - polpa mais branca que amarela; 4 - polpa
mais amarela que branca; 5 - polpa amarela; 6 - polpa amarelo-ouro (coloração);
1 - Polpa completamente opaca; 2 - polpa com até 25% de área translúcida; 3 -
polpa com 26% a 50% de área translúcida; 4 - polpa com 51% a 75% de área
translúcida; 5 - polpa com mais de 75% de área translúcida. Os teores de
sólidos solúveis totais (SST) e da acidez total titulável (ATT) foram
determinados, respectivamente, com uso de refratômetro e por titulação com NaOH
a 0,1 M, em amostra de suco extraída de seção diagonal longitudinal do fruto,
representando um quarto de cada uma de suas metades superior e inferior.
Calculou-se também a relação SST/ATT. Além disso, foram feitas observações
visuais sobre a ocorrência de eventuais problemas que prejudiquem a aparência
dos frutos, sobretudo a desidratação das folhas das coroas.
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas
pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Coloração da casca - O modo de aplicação e a concentração do etefon e a
interação destes dois fatores tiveram efeitos significativos sobre a coloração
da casca aos quatro, cinco e sete dias após a colheita. Na última avaliação,
realizada aos 11 dias, apenas o modo de aplicação do etefon ainda influenciou
significativamente nesta variável, o mesmo ocorrendo com a interação dos dois
fatores (análise de variância não mostrada).
Quanto aos modos de aplicação estudados, a imersão promoveu amarelecimento mais
rápido dos frutos, sendo superior às demais formas de aplicação do etefon, em
todas as datas de avaliação, salvo em relação à pulverização pré-colheita aos
cinco dias de armazenamento (Tabela_1). Nas diversas concentrações de etefon e
datas de avaliação estudadas, os valores obtidos para a coloração da casca
foram, na maioria das vezes, os mais altos para os frutos tratados por imersão
rápida. Estes atingiram, na média, quase 50% (nota 3,95) da área da casca com
coloração amarela, aos quatro dias após a colheita, e mais de 50% da mesma
(nota 4,25) um dia mais tarde. Quando imersos nas caldas com as concentrações
mais altas de etefon (2.000 e 4.000 mg L-1), a coloração amarela da casca foi
ainda mais intensa, chegando a cobrir de 60 a 75% da área da casca (notas 4,4 a
5,0), aos cinco dias após a colheita.
A literatura é escassa no que diz respeito a estudos que comparem formas de
aplicação de etefon com vistas ao controle do amadurecimento do abacaxi. A
prática comum tem sido a pulverização deste fitorregulador sobre os frutos
antes da sua colheita, sobretudo em frutos da cultivar Smooth Cayenne
destinados à exportação (Rebolledo et al., 1998). No entanto, nesta forma de
aplicação, o etefon pode atingir as mudas do tipo filhote, geralmente presentes
em plantas da cv. Pérola, induzindo-as à floração precoce e inutilizando-as
como material de plantio. Um dos poucos trabalhos com a cv. Pérola foi o de
Cunha et al. (1980), que estudaram apenas o tratamento dos frutos por imersão,
por três minutos, sendo armazenados em condições ambientais (cerca de 28°C). Os
frutos começaram a amarelecer, de maneira uniforme, um dia após o tratamento,
com a coloração evoluindo por até nove dias, quando atingiram o estado de
"passado". No presente estudo, os frutos tiveram vida de prateleira mais longa,
permitindo a realização de avaliações até onze dias após a colheita, talvez
devido às temperaturas um pouco mais baixas (26 ± 2°C) reinantes no local de
armazenamento.
Todas as concentrações de etefon estudadas determinaram um maior amarelecimento
da casca dos frutos em relação ao controle, nas avaliações aos quatro, cinco e
sete dias após a colheita (Tabela_1). Já aos 11 dias após a colheita, tais
diferenças desapareceram, pois os frutos-controle também exibiram cascas quase
totalmente amarelas. Ficou evidente que a aplicação do etefon acelerou o
amarelecimento dos frutos do abacaxi cv. Pérola durante o período pós-colheita
sob condições ambientais, fenômeno que também ocorreu nos frutos-testemunha,
mas de uma forma muito mais lenta. Isto confirmou os resultados de vários
estudos sobre o abacaxi da cultivar Smooth Cayenne, na qual tem predominado o
uso de concentrações de etefon na faixa de 400 mg L-1 a 2.000 mg L-1, aplicados
em pré-colheita, portanto concentrações muito próximas às utilizadas neste
trabalho (Poignant, 1971; Rebolledo et al., 1998). Cunha et al. (1980)
estudaram concentrações de etefon de até 2.000 mg L-1, mas não determinaram a
melhor concentração para a imersão pós-colheita dos frutos da cv. Pérola.
Na definição da concentração do etefon mais indicada para o amarelecimento do
abacaxi, precisa ser levada em conta a preferência do consumidor. Este quer
fruto doce, normalmente associando casca amarela com paladar mais doce
(Brasil.MI, 2002). No entanto, o consumidor geralmente não exige fruto
totalmente amarelo, pois isto sugere estádio de maturação mais avançado e,
portanto, provavelmente menor tempo de vida útil para o consumo. Se o objetivo
do vendedor for ofertar frutos com cerca de 50% da casca amarela (nota 4,0), o
tratamento dos frutos com etefon, na lavoura, deve visar a atingir esta meta
dentro do prazo exigido para transportá-los até os mercados, o que normalmente
representa um intervalo de três a quatro dias para os mercados nacionais
distantes das áreas produtoras de abacaxi. Nesse caso, os tratamentos com
etefon, nas concentrações mais altas (2.000 mg L-1 e 4.000 mg L-1), atingiram
este objetivo (Tabela_1). No entanto, nestas concentrações, foi observada a
ocorrência de maior número de folhas secas (queima) na parte inferior da coroa,
o que pode prejudicar a sua aparência geral, uma vez que coroas verdes e com
folhas intumescidas são indicativos de frutos mais frescos. Assim, devem ser
usadas concentrações de etefon as mais baixas possíveis, tais como as de 500 e
1.000 mg L-1, que determinaram colorações da casca iguais ou superiores a 40%
(notas > 3,6), aos quatro dias após a colheita, nos tratamentos por imersão dos
frutos.
No tratamento por pulverização pós-colheita e, em menor grau, no de pré-
colheita, o amarelecimento da casca foi muito menos uniforme que o observado
nos frutos tratados por imersão, no qual houve uma cobertura mais uniforme da
casca com a calda do etefon.
Firmeza da casca e atributos da polpa - As análises de variância não
evidenciaram efeitos significativos para o fator "concentração de etefon" e a
sua interação com o fator "forma de aplicação do etefon", sobre as variáveis de
firmeza da casca e de qualidade da polpa estudadas, dentro de cada período de
armazenamento dos frutos (dados não mostrados). Desta forma, é apresentada
apenas uma comparação resumida entre os resultados médios gerais obtidos para
os tratamentos com etefon e os da testemunha, ao longo do período de
armazenamento (Tabela_2). Notam-se valores similares para etefon e testemunha
para todas as variáveis avaliadas, dentro de cada período de armazenamento dos
frutos, ficando evidente que as concentrações do etefon estudadas, de 500 mg L-
1 a 4.000 mg L-1, não afetaram significativamente a qualidade interna dos
frutos e a firmeza da casca.
Ao longo do período de armazenamento, houve algumas alterações bastante claras
nos valores obtidos para alguns dos atributos de qualidade dos frutos de
abacaxi, com poucas diferenças entre os tratamentos com etefon e a testemunha
sem etefon . A firmeza da casca do fruto diminuiu entre cinco e onze dias após
a colheita para frutos tratados (redução de 46%) e não tratados com etefon
(redução de 35%). Este resultado confirmou o relato de Botrel e Abreu (1994),
segundo o qual, tal redução ocorre principalmente em temperaturas acima de
20°C, como foi o caso deste trabalho. A mesma tendência de queda, mas em
proporção inferior (31% a 37%) ao da casca, ocorreu para a firmeza da polpa.
Os valores da coloração e da translucidez da polpa variaram relativamente pouco
ao longo do período de armazenamento, mas houve uma tendência de sua elevação
para frutos tratados com etefon (Tabela_2). Resultados similares foram
observados por Poignant (1971). Os teores de sólidos solúveis totais oscilaram
entre valores de 12% e 13%, sem efeitos significativos do etefon. A acidez da
polpa aumentou (18% a 20%) com o avanço do período de armazenamento, para
frutos tratados e frutos-testemunha, resultando numa redução progressiva (17% a
18%) da relação SST/ATT. Isto afeta diretamente a qualidade do fruto e sugere
que o abacaxi, embora classificado como não-climatérico, pode apresentar
alterações relevantes nas suas propriedades químicas e físico-químicas na fase
pós-colheita.
O modo de aplicação do etefon determinou efeitos significativos sobre alguns
atributos do fruto. Os tratamentos por pulverização pré-colheita conferiram, em
média, menor firmeza à casca dos frutos aos cinco e onze dias de armazenamento,
quando comparados aos tratamentos por imersão (Tabela_3). A imersão dos frutos
também determinou menor acidez e maiores valores para sólidos solúveis totais e
SST/ATT aos cinco dias após a colheita, em relação à pulverização pré-colheita,
o que pode ser atribuído ao período de quatro dias mais longo de ação do
fitorregulador sobre os frutos nos tratamentos com aplicação pré-colheita. O
tratamento dos frutos por imersão resultou numa maior translucidez da polpa aos
onze dias após a colheita, em relação à pulverização pós-colheita dos frutos
(Tabela_3). Por outro lado, a firmeza da polpa e a sua coloração não foram
significativamente influenciadas pela forma de aplicação do etefon (dados não
mostrados).
Em geral, os resultados evidenciaram que os efeitos do etefon sobre a firmeza
da casca e os aspectos internos do abacaxi são muito restritos, contrastando
com o seu efeito consistente sobre a coloração da casca do fruto. Em geral,
esta divergência pode ser atribuída ao fato de que o etefon penetra muito
superficialmente (poucos milímetros) na cutícula ou casca do fruto, em grande
parte não atingindo a sua polpa, além de não promover a produção endógena de
etileno no abacaxi, conforme observado por Soler (1992) em frutos da cv. Smooth
Cayenne.
Os resultados aqui obtidos para a cultivar Pérola, em grande parte, corroboram
os relatados por outros autores sobre frutos de abacaxi cv. Smooth Cayenne.
Poucos foram os efeitos significativos do etefon sobre os atributos da polpa, e
estes foram positivos para a sua aplicação sob a forma de imersão rápida em
relação à aplicação pré-colheita, prática comum para frutos da cv. Smooth
Cayenne. O tratamento por imersão pós-colheita evita qualquer risco de o etefon
atingir e causar a indução floral precoce das mudas do tipo filhote. Neste
trabalho, a aplicação pré-colheita do etefon, sob a forma de jato em filete
dirigido a um lado do fruto, não comprometeu este material de plantio, não se
constatando incidência de floração durante a ceva e os primeiros 12 meses do
ciclo após o plantio no campo.
CONCLUSÕES
1. A utilização do etefon acelera o amarelecimento de frutos do abacaxi cv.
Pérola, sem afetar a firmeza da casca nem os principais atributos (firmeza,
coloração, translucidez, teores de sólidos solúveis totais e de acidez total e
a relação entre esses teores) da polpa.
2. A imersão rápida dos frutos, realizada logo após a colheita, é a melhor
forma de aplicação de etefon, proporcionando maior uniformidade e rapidez na
mudança de coloração da casca do fruto de abacaxi cv. Pérola, com efeitos
favoráveis sobre a firmeza da casca, bem como a translucidez, o teor de sólidos
solúveis totais (SST) e a relação SST/acidez da polpa.
3. Para se obter coloração amarela em 40% a 50% da casca, dentro do período
suficiente para o seu transporte, sem refrigeração, aos mercados nacionais
distantes (três a quatro dias), recomenda-se o tratamento de frutos de abacaxi
'Pérola' por imersão rápida, logo após a colheita, em calda aquosa de etefon
nas concentrações de 500 a 2.000 mg L-1, usando-se as mais altas para
exigências maiores em relação à cor da casca.