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Representação em texto

BrBRCVAg0100-29452003000300017

variedadeBr
Country of publicationBR
colégioLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0100-2945
ano2003
Issue0003
Article number00017

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Sistema de pré-aviso para o controle da sigatoka-amarela da bananeira no Recôncavo Baiano DEFESA FITOSSANITÁRIA

Sistema de pré-aviso para o controle da sigatoka-amarela da bananeira no Recôncavo Baiano1

Forecasting for the control of banana 'yellow sigatoka' in the Recôncavo Baiano region, Brazil

Danúzia Maria Vieira FerreiraI; Zilton José Maciel CordeiroII; Aristoteles Pires de MatosIII IEng. Agr., M. Sc., ADAB Barreiras; E-mail: danuzia@cdlmma.com.br IIEng. Agr., D. Sc., Embrapa/CNPMF; E-mail: zilton@cnpmf.embrapa.br IIIEng. Agr., Ph. D., Embrapa/CNPMF; E-mail: apmatos@cnpmf.embrapa.br

INTRODUÇÃO A bananicultura é uma atividade de elevada importância econômica e social, respondendo pela produção de alimento básico para as populações carentes de diversos países, mas também presente na mesa de todas as camadas sociais da população. A banana ocupa o segundo lugar em volume de frutas produzidas no Brasil, que é o terceiro maior produtor do mundo, com uma produção de 5.499.970 toneladas, numa área cultivada de 521.285 ha, sendo superado apenas pela Índia e Equador (FAO, 2001).

Um dos grandes problemas da bananicultura nacional é a Sigatoka-amarela, uma doença endêmica, com picos durante o período chuvoso no Brasil. É causada pelo fungo Mycosphaerella musicola Leach, que, ao infectar as folhas, provoca a morte prematura das mesmas, causando perdas superiores a 50% na produção (Martinez, 1970). O cultivo de variedades suscetíveis à Sigatoka-amarela torna a aplicação de fungicidas uma prática indispensável no controle da doença.

Assim, o uso sistemático de produtos químicos, além de aumentar o custo de produção, constitui prática agressiva ao meio ambiente e ao ser humano, podendo ainda selecionar formas resistentes do patógeno. Sistemas de pré-aviso biológico começaram a ser trabalhados por Ganry & Meyer (1972) e por Ternesien (1985); Fouré (1988) e Marín & Romero (1992), que procuraram simplificá-los e, consequentemente torná-los práticos. O objetivo do presente trabalho foi estabelecer parâmetros, num sistema de pré-aviso biológico, que permitam um controle químico racional da Sigatoka-amarela no Recôncavo Baiano, estabelecendo quando e com que freqüência as pulverizações deverão ser realizadas. O método de previsão se baseia na interação entre o estádio de desenvolvimento da folha vela e a severidade da doença nas folhas mais novas, tornando-se uma alternativa altamente importante na racionalização do uso de fungicidas.

MATERIAL E MÉTODOS O sistema de plantio utilizado foi em fileiras duplas, no espaçamento 4m x 2m x 2m; a cultivar foi a Grande Naine (grupo AAA), suscetível à Sigatoka-amarela. O experimento foi constituído por oito tratamentos, cada tratamento com quarenta e oito plantas, avaliando-se dez plantas de cada tratamento. Os tratamentos utilizados foram: 1. Controle sistemático, normalmente utilizado nos plantios comerciais com aplicação de fungicida a cada 21 dias; 2. Soma bruta 1000; 3.

Soma bruta 1300; 4. Soma bruta 1600; 5. Soma bruta 1900; 6. Soma bruta 2200; 7.

Soma bruta 2500 e 8. Sem controle da doença. Nos tratamentos 2 a 7, o controle foi realizado sempre que o valor da soma bruta era atingido.

A coleta de dados semanais foi feita em dez plantas por tratamento em função do seu desenvolvimento regular e homogêneo. Em uma ficha foram anotados o estádio da folha vela (Brun, 1963) e a incidência (estádio da lesão) da doença nas folhas 2, 3 e 4 (Fouré, 1994). Em outra ficha, foram anotados os dados sobre severidade da doença de acordo com Gauhl (1994). Na época da colheita foram anotados os dados referentes a peso do cacho e severidade da doença.

Os dados coletados nas folhas 2, 3 e 4 incluem o estádio da lesão e a densidade de ataque observada, tomando-se como referência o número de 50 lesões no nível mais elevado de desenvolvimento. Ou seja, quando se tinha mais de cinquenta lesões do estádio mais desenvolvido, assinalava-se com (+), quando se tinha menos de cinquenta lesões do estádio mais desenvolvido, assinalava-se com (-).

Para o cálculo do valor de soma bruta, os dados referentes ao estádio da lesão e a densidade de ataque nas folhas 2, 3 e 4 foram multiplicados pelos coeficientes estabelecidos por Ganry & Laville (1983).

Com os dados de doença e crescimento do hospedeiro alimentou-se um programa de computador, cedido pela Corporación Bananera Nacional (CORBANA), Costa Rica, que calculou o ritmo de emissão foliar, a soma bruta e o estado de evolução da doença, fornecendo desta forma os parâmetros fundamentais para o desenvolvimento do sistema de pré-aviso. Sempre que o estado de evolução da Sigatoka-amarela atingiu os valores de soma bruta preestabelecidos para cada tratamento foi implementado o controle da doença. As aplicações foram feitas utilizando-se atomizador costal motorizado modelo MK 30, com capacidade 20L. O produto utilizado foi o propicanazole, na dosagem de 100 gramas por hectare, em mistura com 5 litros de óleo mineral e água para completar aproximadamente 22 a 23 litros da calda por hectare. O delineamento estatístico utilizado foi o inteiramente casualizado, com oito tratamentos e 10 repetições.

Os dados de produção foram submetidos à análise de variância, utilizando-se o programa estatístico SAEG. O teste de Tukey, a 5% de probabilidade, foi usado para comparação das médias.

RESULTADOS E DISCUSSÃO As curvas de evolução da doença (Figura_1) mostram um efeito sazonal bastante significativo, com elevada severidade nos meses de maio a agosto, decrescendo a partir daí e atingindo níveis pouco expressivos no período compreendido entre os meses de dezembro a março, que corresponde ao período menos chuvoso (Stover, 1968; Pérez, 1978). Isto mostra o quanto os fatores umidade e temperatura são importantes na epidemiologia dessa doença.

Analisando separadamente os tratamentos, observa-se que as curvas seguem a mesma tendência com pequenas variações nos diferentes meses. Os tratamentos 1, 2, 3 e 4 apresentam os menores valores de soma bruta. O tratamento que mais se aproxima deste grupo é o 5, todavia, observa-se que os valores da soma bruta estão sempre mais altos. Como os tratamentos, do um ao oito, decrescem em rigor em relação ao controle da Sigatoka-amarela, pode-se dizer que os resultados estão refletindo o aumento da severidade da doença com a redução do rigor empregado no controle químico.

Comparando a curva apresentada pelo tratamento um (controle sistemático) em relação às demais (Figura_1), observa-se que a mesma apresenta variações menos bruscas em relação aos outros tratamentos. Isto pode ser creditado à manutenção da doença em níveis sempre baixos com a utilização de fungicida em intervalos pré-fixados. os demais tratamentos apresentam curvas com variações mais bruscas, representando as intervenções com fungicida, feitas quando a severidade da doença atingia o estádio de evolução pré-estabelecido. Ainda comparando o tratamento um com os demais, observa-se que, em alguns pontos, os tratamentos dois (SB 1000), três (SB 1300) e até mesmo o quatro (SB 1600) apresentaram valores de soma bruta menores do que o mesmo. Isto mostra que as aplicações de fungicidas, quando realizadas no momento correto, podem apresentar efeito benéfico até mais acentuado do que aquelas aplicações realizadas em intervalos regulares, sem considerar o nível de severidade da doença.

Analisando a curva de progresso da doença, obtida com os dados de soma bruta (Figura_1), os dados de produção e o número de atomizações efetuados por tratamento (Tabela_1), conclui-se que entre os tratamentos que apresentaram produções significativamente superiores à testemunha sem controle (tratamento oito), o tratamento quatro é o que mais se destaca, uma vez que possibilitou a redução do número de pulverizações de treze (controle sistemático) para oito e sem comprometer a produção, a qual foi similar àquela apresentada pela testemunha absoluta (controle sistemático). Estes resultados têm importantes implicações financeiras porque reduzem o custo de produção ao reduzir o número de aplicações em 40%, é preservacionista ao reduzir a quantidade de pesticidas jogados no ambiente e, além disto, reduz a pressão de seleção sobre o patógeno e o aparecimento de variantes resistentes aos fungicidas que, conforme enfatizado por Boreau et al. (1982) e Bureau (1984), é hoje um dos grandes problemas vividos pelas regiões de cultivo intensivo de banana.

No tocante à produção, os tratamentos um (controle sistemático), três (SB 1300) e quatro (SB 1600) foram os que possibilitaram os maiores pesos médios de cacho com 31,18kg, 30,69kg e 30,86kg, respectivamente, diferindo significativamente da testemunha não pulverizada (Tabela_1). Ainda com relação à produção, os tratamentos dois (SB 1000), cinco (SB 1900), seis (SB 2200) e sete (SB 2500), embora sendo estatisticamente semelhantes ao um, três e quatro, não diferiram significativamente do tratamento testemunha sem controle, indicando que os níveis de redução da doença obtidos com esses tratamentos não foram suficientes para evitar quedas na produção.

Ressalta-se que o tratamento dois possibilitou elevada eficiência de controle da Sigatoka-amarela, expressa pelos valores médios reduzidos para soma bruta (Figura_1). Assim sendo, o menor peso médio do cacho evidenciado nesse tratamento (Tabela_1) deve ser atribuído a outros fatores relacionados com o processo produtivo e não a perdas causadas pela doença. Vale salientar ainda que a fertilidade do solo, além de propiciar maiores produções, também interfere na severidade da Sigatoka-amarela sobre a bananeira (Cordeiro & Matos, 2000). Por estas razões e considerando a produção obtida (Tabela_1), pode-se dizer que, na Região do Recôncavo Baiano, o controle químico da Sigatoka-amarela deve ser iniciado quando a Soma Bruta atingir o valor 1600.

CONCLUSÕES Para as condições do Recôncavo Baiano, a aplicação do sistema de pré-aviso biológico, para o controle da Sigatoka-amarela, deve utilizar o valor de soma bruta 1600 como indicador para se efetuar o controle químico da doença.

Todavia, é importante estar atento para a curva de progresso da doença e fatores climatológicos, principalmente previsão de chuva.


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