Enraizamento de diferentes tipos de estacas de aceroleira utilizando ácido
indolbutírico
Enraizamento de diferentes tipos de estacas de aceroleira utilizando ácido
indolbutírico1
Rooting of different types of acerola cuttings using indol butiric acid
Tiago Chaltein Almeida GontijoI; José Darlan RamosII; Vander MendonçaIII;
Rafael PioIV; Sebastião Elviro de Araújo NetoV; Fernando Luiz de Oliveira
CorrêaVI
IGraduando do curso de Agronomia, Bolsista de Iniciação Científica-CNPq,
Universidade Federal de Lavras/UFLA. Tel. (35)3822-5631.
tiagocgontijo@hotmail.com
IIEng. Agrônomo, Dr., Prof. Adjunto IV do Depto. de Agricultura, Universidade
Federal de Lavras/UFLA, C.P. 37, CEP 37200-000, Lavras-MG. Tel. (35)3829-1339.
darlan@ufla.br
IIIEng. Agrônomo, M.Sc., Doutorando do curso de Fitotecnia, Universidade
Federal de Lavras/UFLA. Tel. (35)3822-5210. vander@ufla.br
IVEngº. Agrônomo, M.Sc., Doutorando do curso de Fitotecnia, Universidade de São
Paulo, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" - ESALQ/USP.
Rua Nove, n.168 - Iate Clube de Americana, CEP 13465-000, Americana-SP. Autor
para correspondência. Tel. (19)3465-1493. rafapio@esalq.usp.br
VEng. Agrônomo, M.Sc., Doutorando do curso de Fitotecnia, Universidade Federal
de Lavras/UFLA. Tel. (35)3822-3368. selviro@zipmail.com.br
VIEng. Agrônomo, M.Sc., Doutorando do curso de Fitotecnia, Universidade Federal
de Lavras/UFLA. Tel. (35)3821-1229. fernando@ufla.br
INTRODUÇÃO
O cultivo da aceroleira teve um grande impulso nos últimos anos, devido à
elevada taxa de ácido ascórbico (vitamina C) presente nos frutos (Junqueira et
al., 2002). Apesar de toda a perspectiva real e potencial que envolve o cultivo
da aceroleira no Brasil, a realidade é diferente, pois, na maioria das áreas já
estabelecidas, utilizam-se mudas provenientes de sementes, o que propicia a
desuniformidade dos pomares (Neto et al., 1996), pois a propagação da
aceroleira por via sexual apresenta como inconveniente a segregação hereditária
(Martins et al., 2000).
O domínio do método de propagação é fundamental, tanto para o melhorista, como
para o agricultor e a indústria, por assegurar a formação de plantios uniformes
de aceroleira e de qualidade (Gomes et al. 2000). A propagação por estaquia,
que é um dos métodos mais importantes no processo de propagação vegetativa,
destaca-se por promover a multiplicação de plantas-matrizes selecionadas,
mantendo as características desejáveis da mesma (Meletti, 2000). No entanto,
existem espécies que apresentam facilidade em emitir raízes adventícias de suas
estacas, outras as emitem regularmente e aquelas com dificuldade no
enraizamento (Tofanelli, 1999). A propagação comercial de mudas por estaquia é
viável, mas dependente da capacidade de enraizamento de cada espécie, da
qualidade do sistema radicular formado e do desenvolvimento posterior da planta
(Fachinello et al., 1995). Tem-se observado que a dificuldade no enraizamento
de estacas de algumas espécies pode ser superada se forem fornecidas condições
e fatores ótimos para o enraizamento das mesmas (Oliveira, 2000).
A dificuldade de enraizamento das estacas, envolvendo a participação tanto de
fatores relacionados à própria planta como também ao ambiente, constitui um dos
mais sérios problemas, sendo importante a busca de técnicas auxiliares, como o
uso de reguladores de crescimento, para assim proporcionar uma melhoria do
enraizamento (Biasi, 1996; Mayer, 2001). O grupo de reguladores de crescimento
usado com maior freqüência é o das auxinas, que são essenciais no processo de
enraizamento, possivelmente por estimularem a síntese de etileno, favorecendo
assim a emissão de raízes (Norberto et al., 2001). Segundo Pasqual et al.
(2001), é necessário que haja um balanço hormonal endógeno adequado,
especialmente entre auxinas, giberelinas e citocininas, ou seja, equilíbrio
entre promotores e inibidores do processo de iniciação radicular. A maneira
mais comum de promover esse equilíbrio é pela aplicação exógena de reguladores
de crescimento sintéticos, como AIB (ácido indolbutírico), que podem elevar o
teor de auxina no tecido.
A presença de folhas no enraizamento de estacas influencia no processo de
formação radicular, auxiliando no transporte de substâncias promotoras de
enraizamento e promovendo a perda de água por transpiração (Costa Júnior,
2000). Musser et al. (1987), citados por Bueno (1995), concluem que a
utilização de auxinas, associada à presença de folhas, favorece o aumento da
porcentagem de estacas enraizadas de aceroleira.
Sendo assim, este trabalho teve como objetivo avaliar a influência do número de
pares de folhas e testar o efeito de diferentes concentrações de AIB (ácido
indolbutírico) no enraizamento de estacas semilenhosas de aceroleira.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi desenvolvido no período de dezembro a março de 2001,
nas dependências do pomar do Departamento de Agricultura da Universidade
Federal de Lavras - UFLA, situado no município de Lavras-MG.
As estacas foram coletadas da porção mediana de ramos de plantas-matrizes,
sendo padronizadas com 15 cm de comprimento. O delineamento experimental
utilizado foi o inteiramente casualizado, em esquema fatorial 5 x 3, com cinco
concentrações diferentes de AIB (0; 1600; 2000; 2400 e 2800 mg.L-1) e três
tipos de estacas (sem folhas, com um par de folhas e com dois pares de folhas),
com 4 repetições e 10 estacas por parcela. As estacas foram imersas nas
soluções de AIB por 5 segundos, para então serem colocadas em bandejas de
polipropileno contendo o substrato vermiculita, sendo transportadas para casa
de vegetação com umidade e temperatura controladas.
As avaliações foram realizadas 100 dias após a instalação do ensaio, através de
coleta dos seguintes dados biométricos: porcentagem de enraizamento,
comprimento da raiz, nº de raízes e massa seca das raízes. Os dados
experimentais foram submetidos à análise de variância, as médias ao teste Tukey
e os níveis de AIB à regressão, ao nível de 0,05 de probabilidade, sendo
seguidas as recomendações de Gomes (2000). As análises foram realizadas pelo
programa computacional Sistema para Análise de Variância - SISVAR (Ferreira,
2000).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Houve efeito significativo da interação entre as concentrações de AIB e o tipo
de estaca (número de pares de folhas na estaca) na porcentagem de enraizamento
e no comprimento da raiz. As maiores porcentagens de enraizamento (50%) foram
obtidas em estacas de aceroleira com dois pares de folhas e tratadas com 2800
mg.L-1 de AIB (Figura_1).
Os resultados apresentados na Figura_1 discordam dos obtidos por Meletti
(2000), que obteve taxas significativas de enraizamento de estacas de
aceroleira com a concentração de 2000 mg.L-1 de AIB. Musser et al. (1987),
trabalhando com estacas semilenhosas de acerola em sistema de microaspersão e
tratadas com 2000 mg.L-1 ANA, obtiveram 51,7% de enraizamento. Duarte et al.
(2000) obtiveram melhores resultados no enraizamento de estacas semilenhosas de
aceroleira com a dosagem de 2000 mg.L-1 de AIB. De acordo com Nascimento
(1991), a faixa de concentração entre 2000 e 8000 mg.L-1 tem efeito prejudicial
no enraizamento de estacas semilenhosas de aceroleira.
Observa-se na Figura_1 que estacas sem folhas não apresentaram quaisquer sinais
de enraizamento, levando à não-sobrevivência das mesmas.
Com relação ao comprimento de raiz (Figura_2), observa-se que as raízes
cresceram mais com o aumento da concentração de AIB em estacas com um e dois
pares de folhas. O maior comprimento da raiz (9 cm) foi obtido na concentração
de 2800 mg.L-1 de AIB em estacas com dois pares de folhas.
Para as variáveis número de raízes e massa seca das raízes, verificaram-se
diferenças significativas entre as concentrações de AIB e entre os tipos de
estacas. Nas Figuras_3 e 4, observa-se que, com o aumento das concentrações de
AIB, houve um aumento no número e na massa seca das raízes das estacas de
aceroleira. A concentração de 2800 mg.L-1 de AIB proporcionou maior número de
raízes por estaca (2,5) e maior massa seca das raízes (6,7 mg). O tratamento
com auxinas, em especial o AIB, na base das estacas, propicia efeitos benéficos
no tocante ao peso e qualidade do sistema radicular formado, segundo Pasqual et
al. (2001).
Na Tabela_1, verifica-se que a presença de dois pares de folhas em estacas de
aceroleira proporcionou maior número (3,73) e massa seca (28,85 mg) de raízes
por estaca. As folhas são requisitos essenciais para o enraizamento das estacas
(Silva, 1998), tendo demonstrado grande participação no processo de
enraizamento, por contribuírem com substâncias benéficas ao mesmo (Oliveira,
2000). Trabalho desenvolvido por Biasi et al. (1997) constatou fundamental
importância da presença de folhas para o enraizamento das estacas semilenhosas
de porta-enxertos de videira, não ocorrendo formação de raízes em estacas
ausentes de folhas. De acordo com Araújo e Minami (1994), o enraizamento de
estacas de aceroleira com folhas, em ambiente sob nebulização intermitente,
proporcionou bons resultados.
CONCLUSÕES
Nas condições em que o presente trabalho foi conduzido, permitem-se as
seguintes conclusões:
1) A presença de folhas é importante para o enraizamento de estacas de
aceroleira; em estacas sem folhas não ocorreu a formação de raízes.
2) Estacas de aceroleira com dois pares de folhas tratadas com 2800 mg.L-1 de
AIB apresentaram maiores porcentagens de enraizamento (50%) e comprimento de
raízes (9 cm).
3) A concentração de 2800 mg.L-1 de AIB proporcionou maior número e massa seca
das raízes por estaca de aceroleira.
4) A presença de dois pares de folhas em estacas de aceroleira proporcionou
maior número e massa seca das raízes.