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Representação em texto

BrBRCVAg0100-29452003000200007

variedadeBr
Country of publicationBR
colégioLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0100-2945
ano2003
Issue0002
Article number00007

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Conservação de polpa de cupuaçu [Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.) Schum] por métodos combinados Conservação de polpa de cupuaçu [Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.) Schum] por métodos combinados1

Preservation of cupuaçu pulp [Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.)Schum] by combined methods

Marta Cristina CostaI; Geraldo Arraes MaiaII; Men de Moreira Souza FilhoIII; Raimundo Wilame de FigueiredoII; Renata Tieko NassuIII; José Carlos Sabino MonteiroII IBolsista da Capes IIDepartamento de Tecnologia de Alimentos/UFC Cx. Postal 12168, E-mail: frutos@ufc.br.Fortaleza-Ceará, Brasil IIIEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/EMBRAPA, Rua Dra. Sara Mesquita, 2270. Planalto Pici. CEP 60511-110 ' Fortaleza-CE. Fax: (0xx85) 2991833

INTRODUÇÃO A fruticultura destaca-se como um dos segmentos mais importantes da agricultura brasileira, respondendo por cerca de 25% do valor da produção agrícola nacional (Reinhardt, 1996).

O cupuaçuzeiro, Theobroma grandiflorum, é uma fruteira de grande importância para a região Amazônica. Pertence à família Sterculíaceae, gênero Theobroma.

Esta espécie é encontrada espontaneamente nas áreas de mata do sul e nordeste da Amazônia oriental brasileira e nordeste do Maranhão, e também na região Amazônica de países vizinhos (Schwan, 2000).

Dentre as frutas tropicais nativas da Amazônia, o cupuaçu é aquela que reúne as melhores condições de aproveitamento industrial (Chaar, 1980).

A alta perecibilidade, juntamente com a falta de facilidade na armazenagem durante os picos do processamento industrial contribuem para perdas pós- colheita. Deste modo, grande expectativa para o desenvolvimento de processos para preservação local (junto ao produtor) de frutas e hortaliças por métodos combinados (Alzamora et al., 1992).

O objetivo do presente trabalho foi estudar os processos de conservação da polpa de cupuaçu por métodos combinados, tendo como obstáculos principais a atividade de água, pH, tratamento térmico e conservantes. Esta é uma opção para a conservação da polpa, criando uma alternativa para o seu aproveitamento, visando à redução das perdas pós-colheita.

MATERIAL E MÉTODOS Frutos de cupuaçus maduros, com formato redondo, oriundos do Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido - CPATU/EMBRAPA, em Belém, foram recebidos, lavados por imersão em água clorada (50ppm de cloro ativo/15min) e descascados manualmente. A polpa de cupuaçu foi obtida mecanicamente com auxílio de uma despolpadeira. Avaliou-se o rendimento em polpa. A polpa obtida foi acondicionada em sacos plásticos flexíveis de polietileno com espessura de 25 m, termosselados e armazenados em congelador doméstico à temperatura de 20ºC, para análises posteriores. Inicialmente, foi realizada adição de sacarose com vistas à redução da Aw das polpas, empregando como modelo as equações de Ross (1975) e de Norrish (1966), conforme Chirife et al., (1980). Após a adequação da Aw, a polpa foi acidificada através da adição de ácido cítrico até níveis de pH 3,0, com 1,74% para a polpa com Aw 0,98; 1,34% para a polpa com Aw 0,97, e 1,19% para a polpa com Aw 0,95. Foram adicionadas às polpas as seguintes concentrações de benzoato de sódio 500, 750 e 1000ppm, visando a garantir a estabilidade microbiológica das mesmas. As polpas foram avaliadas por meio de determinações de bolores, leveduras e contagem total de microrganismos aeróbios mesófilos. Utilizaram-se 200 e 400 ppm de SO2 com o intuito de avaliar o efeito protetor quanto ao escurecimento da polpa, sendo também testado o efeito do tempo e da temperatura na operação de branqueamento (90ºC por 1 e 2 minutos) frente à eficiência na redução da carga microbiana da polpa e na alteração da cor da polpa. Em seguida, a polpa foi resfriada e armazenada à temperatura ambiente (25ºC).

O fluxograma do processamento de polpa conservada por métodos combinados está demonstrado na Figura_1.

Com o objetivo de avaliar as melhores aplicações dos obstáculos para a conservação da polpa do cupuaçu, vinte quilos de polpa foram obtidos e, em seguida, divididos em amostras de 250 g. Para as análises físico-químicas e microbiológicas efetuadas a cada quatro dias por um período de 20 dias, foram tomadas três amostras e as análises realizadas em triplicata. A cor foi determinada segundo Hunter (1975). As determinações de sólidos solúveis totais, pH e dióxido de enxofre foram efetuadas de acordo com a Association of Official Agriculture Chemists (1992) e acidez total titulável (ATT) de acordo com o Instituto Adolfo Lutz (1985). Os açúcares redutores e totais, conforme Miller (1959). A atividade de água foi medida diretamente no medidor Aqualab, modelo CX-2.

As determinações microbiológicas de contagem total de microrganismos aeróbios mesófilos, bolores, leveduras e coliformes foram realizadas segundo a American Public Health Association (2001); Silva, et al. (2001).

RESULTADOS E DISCUSSÃO A polpa de cupuaçu apresentou valores para mofos e leveduras de 1,1 x 102 UFC/ g e para contagem padrão em placa de 5,5 x 102 UFC/g. Estes resultados evidenciaram a qualidade microbiológica satisfatória de acordo com os atuais padrões estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2001). A polpa de cupuaçu apresentou as características químicas e físico-químicas médias de pH 3,34; ºBrix 12,5; ATT 2,27%, e Aw 0,98. Estes resultados mostram que a polpa estava dentro dos padrões de identidade e qualidade (PIQs) estabelecidos para a polpa de cupuaçu segundo o Ministério da Agricultura e do Abastecimento (2000), onde os valores mínimos estabelecidos foram mantidos. Na adequação da atividade de água, chegou-se a valores de 0,95 e 0,97, sendo necessária a adição de sacarose de 22,5% e 34%, respectivamente. A Figura_2 ilustra o efeito da adição de sacarose na atividade de água da polpa de cupuaçu. Visando ao ajuste do pH, foram necessárias dosagens de ácido cítrico de 1,74% para a polpa com Aw 0,98; 1,34% para polpa com Aw 0,97, e 1,19% para polpa com Aw 0,95, para a redução do pH para o nível de 3,0. A Figura_3 mostra o gráfico e as equações da curva de pH x ácido cítrico adicionado na polpa de cupuaçu. Os valores de ATT(%) da polpa de cupuaçu, para as diferentes dosagens de ácido cítrico adicionadas, podem ser demonstrados através da Figura_4. A polpa corrigida para pH 3,0 e com Aw 0,97 e Aw 0,95 apresentou valores finais de ºBrix de 35,64 e 44,10 e ATT(%) de 3,13% e 2,66%, respectivamente. Nas condições descritas, foi possível ajustar Aw e pH para a faixa adequada na conservação de frutos por métodos combinados. Com relação ao efeito do benzoato de sódio, em todas as concentrações empregadas, para a polpa com pH 3,0 e pH 3,5 e Aw ajustadas, verificaram-se, para as amostras de polpa com Aw 0,98 e para as amostras com Aw 0,95 e 0,97, valores de bolores e leveduras entre 1,5x 101 UFC/g e 7,5x 101 UFC/g e contagem padrão entre 1x101 UFC/g e 5,5x 101 UFC/ g, após sete dias de armazenagem à temperatura ambiente. A polpa sem nenhum tratamento apresentou valores de 2,3 x 108 UFC/g para bolores e leveduras e 5,5 x 102 UFC/g na contagem padrão no mesmo período. Os valores de L* do acompanhamento do escurecimento da polpa em que se verificou maior tendência ao escurecimento (menores valores de L) para as amostras, foram aqueles com menor atividade de água. Esta tendência ao escurecimento pode ser associada à incorporação de sacarose para ajuste de Aw, que, por influência da acidez e baixo pH, tem favorecida sua hidrólise no decorrer da armazenagem, elevando a concentração de grupos redutores e criando condições adequadas ao surgimento de escurecimento não-enzimático (Tabela_1). Verificou-se maior tendência ao escurecimento nas amostras sem adição e com adição de 200ppm de SO2, enquanto as amostras com 400ppm de SO2 apresentaram menor tendência, mantendo boa estabilidade de sua coloração, o que pode ser observado pelo maior valor de L nas amostras com 400ppm de SO2 durante os 20 dias de armazenagem. Na Tabela_2, são apresentados os valores residuais de SO2 em polpa de cupuaçu com diferentes níveis de Aw, durante a armazenagem de 20 dias. Os resultados referentes ao efeito do branqueamento são apresentados nas Tabelas_3 e 4, onde se verifica que o tratamento por dois minutos a 90ºC ofereceu melhor resposta quanto aos atributos de cor e estabilidade microbiológica.

CONCLUSÕES Os obstáculos selecionados: pH 3,0; Aw 0,98; Aw 0,97, e Aw 0,95, 500ppm de benzoato de sódio e 400ppm de SO2, foram adequados e eficientes para manter o controle microbiológico e controlar o escurecimento da polpa de cupuaçu durante um período de 20 dias de armazenamento à temperatura ambiente (25ºC).


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