TEITOK@C-I   |   Corpora@C-I   |   CELGA-ILTEC   |   Contacto

EN | PT

Representação em texto

BrBRCVAg0100-29452002000300049

variedadeBr
Country of publicationBR
colégioLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0100-2945
ano2002
Issue0003
Article number00049

O script do Java parece estar desligado, ou então houve um erro de comunicação. Ligue o script do Java para mais opções de representação.

Influência do tipo de ramo sobre o crescimento e produção do cajueiro-anão- precoce de copa substituída Influência do tipo de ramo sobre o crescimento e produção do cajueiro-anão-precoce de copa substituída1INTRODUÇÃO A área plantada com o cajueiro-anão-precoce tem crescido acentuadamente. O porte baixo, que facilita a colheita, o manejo e a condução dos pomares, a precocidade, a maior produtividade em relação ao tipo comum e o crescente interesse ao aproveitamento do pedúnculo, tanto para consumo "in natura", como para a agroindústria, são os fatores que têm contribuído para o aumento da área plantada. Devido à expansão ter ocorrido com muita rapidez, houve inicialmente pouca disponibilidade de muda enxertada com material genético de boa qualidade.

Esta pouca disponibilidade de mudas elevou o custo, o que ocasionou a formação de pomares de cajueiro anão precoce com mudas propagadas por semente, os quais se mostram com grande desuniformidade e baixa produtividade. Entre as graves conseqüências dessa desuniformidade, Crisóstomo et al. (1992) destacaram a heterogeneidade das plantas, das castanhas, das amêndoas e dos pedúnculos, com efeitos sobre o rendimento e produtividade da cultura. Barros et al. (1984) e Araújo & Rodrigues (1988) estimaram que, de 30% a 50% desses cajueiros, são improdutivos ou apresentam baixa produtividade. Na busca de recuperar a rentabilidade desses pomares, a Embrapa Agroindústria Tropical, viabilizou a tecnologia da substituição de copa, que se tem revelado, conforme Rossetti et al. (1998), como excelente alternativa na recuperação desses pomares improdutivos. Trata-se de uma prática simples, barata e que pode ser realizada em qualquer época do ano, desde que haja propágulos adequados para enxertia.

Este fato propicia grande flexibilidade de ajustes nas atividades da empresa agrícola, sem grandes prejuízos. Com a viabilização dessa tecnologia, por meio da enxertia por borbulhia em placa, a pleno sol, nas brotações crescidas das plantas decepadas, algumas pesquisas necessitarão ser realizadas. Estudar os melhores períodos para fazer-se a substituição de copa e escolher os ramos mais indicados para fornecerem as borbulhas para enxertia, são algumas investigações passíveis de buscar-se respostas.

O presente trabalho teve por objetivo identificar os melhores ramos fornecedores de borbulhas, avaliar o pegamento de enxertia e testar a sua eventual influência sobre o crescimento e produção do cajueiro-anão-precoce, na substituição de copa.

MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi conduzido na fazenda Itaueira, pertencente à CEMAG - Ceará Máquinas Agrícolas S.A., localizada no município de Canto do Buriti, no Estado do Piauí, situada à latitude de 8o 17' e longitude de 43o 21', de agosto de 1990 a dezembro de 1995, num plantio com dois anos de idade. A área utilizada apresenta, segundo Ramos et al. (1997), as seguintes características: Latossolo amarelo, de textura média e baixa fertilidade natural, bem drenada, topografia plana, altitude de 500 m, clima BSkw, semi-árido quente, com chuvas de verão distribuídas entre setembro e abril, e precipitação média anual de 790 mm, temperatura média de 26,4oC e 60% de umidade relativa média. O experimento foi instalado em área implantada com material de pé-franco, originado de semente de cajueiro-anão-precoce, cuja área e plantas foram escolhidas conforme metodologia proposta por Rossetti & Barros (1996). As plantas selecionadas foram decepadas conforme Rossetti et al. (1993). Sessenta dias após o decepamento das plantas, realizou-se um desbaste nas brotações e foram selecionadas, em cada planta, as duas mais vigorosas. As brotações foram distribuídas, tanto quanto possível, simetricamente, em relação ao tronco da planta, conforme sugerem Rossetti et al. (1998). Nessas brotações, foram enxertadas, a pleno sol, borbulhas do clone CCP76. As borbulhas foram obtidas de oito tipos de ramos: (1) ramo em início de floração e sem folha; (2) ramo em inicio de floração e com folha; (3) ramo vegetativo e sem folha; (4) ramo vegetativo e com folha; (5) ramo com panícula seca e sem folha; (6) ramo com panícula seca e com folha; (7) ramo com flores abertas e sem folha; (8) ramo com flores abertas e com folha. O experimento foi instalado em delineamento de blocos casualizados, com quatro repetições. Em cada parcela, foram escolhidas de cinco a oito plantas úteis. Nas brotações selecionadas, a enxertia por borbulhia em placa foi realizada em novembro de 1990, por dois enxertadores experientes.

O manejo da área experimental foi o mesmo adotado pela Fazenda, para todo o pomar.

Os efeitos dos tratamentos foram avaliados a partir da fase juvenil, por meio de variáveis de vigor, em que foram medidas a porcentagem de pegamento de enxertos, a altura de planta e a envergadura leste-oeste, conforme Crisóstomo et al. (1992). Na fase produtiva, a partir do segundo ano de produção, durante quatro anos, avaliaram-se o peso e o número de castanhas. Na Tabela_1, são apresentados os resultados da análise de variância dos componentes, para todas as variáveis avaliadas, e a comparação dos tratamentos, apresentada na Tabela 2, foi feita pelo teste de Ryan-Einot-Gabriel-Welsch (regwq), equivalente ao teste de Tukey para dados não-balanceados, a p<0,05 de probabilidade, a fim de que se comparassem todos os contrastes de duas médias. A comparação de dois grupos de tratamentos foi feita pelo teste de Duncan, a p<0,05 de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Dez dias após o decepamento, todas as plantas emitiam brotações intensamente. Essas brotações eram, em grande maioria, em torno de todo o caule. No grupo de tratamentos em que os propágulos foram fornecidos por ramos em floração, a porcentagem de pegamento da enxertia ocorreu em cerca de 96,00% das plantas, com diferença significativa a p<0,05 de probabilidade, pelo teste de Duncan, em relação ao grupo dos demais, onde o pegamento médio foi de 85,25%. Considerou-se, para esse efeito, a planta com, pelo menos, um enxerto pego, embora, em grande parte delas, tenha ocorrido pegamento de todos os enxertos feitos. Esse percentual de pegamento, superior aos cerca de 86% obtidos no preparo de mudas enxertadas em viveiro, pelo mesmo método de borbulhia em placa, deveu-se, provavelmente, ao vigor e à juvenilidade das plantas em que, com o sistema radicular no local definitivo, passa água e nutrientes minerais em ótimas quantidades à nova parte aérea. Pelas estimativas de variâncias apresentadas na Tabela_1, verifica-se que as maiores variações ocorreram para porcentagem de pegamento de enxertos, cuja maior contribuição para isso foi dada pelos tratamentos enxertados com borbulhas de ramos vegetativos, e para número de castanhas, o que é normal para o cajueiro. As plantas com nova copa apresentaram excelente uniformidade, apesar de haver clara distinção entre dois grupos: um das enxertadas com gemas de ramos com floração e outro com gemas de ramos vegetativos e de panícula seca, como se observa na Tabela_2. Os tratamentos, cujos propágulos foram fornecidos por ramos vegetativos, foram os que tiveram pegamento mais baixo, mas sem diferença significativa entre si. Nas brotações enxertadas com propágulos provenientes de ramo com panícula seca, apesar de a porcentagem de pegamento ter sido ligeiramente superior aos provenientes de ramos vegetativos, a diferença não foi estatisticamente significativa. Quando, porém, comparados com os de ramos em floração, observou-se diferença significativa, a p<0,05 de probabilidade, como se na Tabela_2. Esses resultados estão de acordo com os obtidos por Embrapa (1991), em que os melhores índices de enxertia de mudas de cajueiro foram conseguidos com borbulhas provenientes de ramos com panícula desenvolvida e os piores, com as de ramos com panícula seca.

Os resultados obtidos para a variável produção, medida pelo peso e número de castanhas, foram bastante similares entre si, como se Tabela_2. Isso ocorreu, devido à correlação positiva que entre essas variáveis, principalmente entre envergadura leste-oeste e produção, conforme enfatizam Azevedo et al. (1998). Verifica-se, ainda, que as melhores produções ocorreram no grupo de plantas enxertadas com borbulhas provenientes de ramos com floração e as menores nas enxertadas com borbulhas provenientes de ramos vegetativos e com panícula seca. Neste grupo, a produção mais baixa foi verificada nas plantas enxertadas com propágulos fornecidos por ramos vegetativos, sem, contudo, haver diferenças significativas, quando comparadas às enxertadas com borbulhas de ramos com panícula seca, mesmo com produções ligeiramente superiores.

Esses resultados fortalecem o uso da substituição de copa em cajueiros. Cada vez mais, essa técnica torna-se eficaz e serve como alternativa viável para recuperar a uniformidade e produtividade dos pomares formados por plantas propagadas por semente.

CONCLUSÕES 1. Na substituição de copa em cajueiro-anão-precoce, os propágulos mais apropriados para enxertia por borbulhia em placa, são os provenientes de ramos com flores abertas e no início da floração.

2. Os propágulos provenientes de ramos com flores abertas, e no início da floração, apresentaram maior porcentagem de pegamento de enxertos.

3. As plantas enxertadas com propágulos de ramos com flores abertas, e no início da floração, propiciaram maior produção nas plantas de copa substituída.

AGRADECIMENTO Os autores agradecem à Fazenda Itaueira, pelo apoio e colaboração para a realização deste trabalho.


transferir texto