TEITOK@C-I   |   Corpora@C-I   |   CELGA-ILTEC   |   Contacto

EN | PT

Representação em texto

BrBRCVAg0100-29452002000300048

variedadeBr
Country of publicationBR
colégioLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0100-2945
ano2002
Issue0003
Article number00048

O script do Java parece estar desligado, ou então houve um erro de comunicação. Ligue o script do Java para mais opções de representação.

Influência de fatores fisiológicos de plantas-matrizes e de épocas do ano no pegamento de diferentes métodos de enxertia do umbuzeiro Influência de fatores fisiológicos de plantas-matrizes e de épocas do ano no pegamento de diferentes métodos de enxertia do umbuzeiro1INTRODUÇÃO O umbuzeiro pertence à família Anacardiaceae. Em seu habitat, estende-se através das áreas de caatinga do Nordeste brasileiro, e seu extrativismo ocupa um lugar de destaque na composição da renda familiar dos agricultores pelo seu expressivo valor comercial. Segundo Santos (1998), o negócio agrícola da coleta, beneficiamento e comercialização dos frutos do umbu situa-se em torno de 6 milhões de reais/ano.

Em relação ao mecanismo fisiológico de resistência à seca, alguns estudos têm sido realizados para explicar tal mecanismo. Ferri (1955), Ferri & Labouriau (1952), Oliveira & Labouriau (1961), Lima Filho & Silva (1998) e, mais recentemente, Lima Filho (2001) concordam que o umbuzeiro exerce rígido controle sobre o seu estado hídrico e que a abscisão foliar anual do umbuzeiro ocorre mesmo quando a planta é cultivada em regiões úmidas com uma boa hidratação nas folhas.

A época de realização e os métodos de enxertia encontram-se entre os fatores externos que afetam ou que podem afetar o pegamento dos enxertos. Normalmente, espécies lenhosas caducas, como as frutíferas de clima temperado, apresentam ótimos índices de pegamento quando os enxertos são realizados em período de repouso vegetativo (Hartmann et al., 1990; Fachinello et al., 1994).

Estudos referentes às melhores épocas e métodos de enxertia têm sido realizados com outras espécies, como o conduzido por Gonzaga Neto (1982), que recomenda os meses de agosto e setembro como os mais propícios para a enxertia em goiabeira (Psidium guajava L.), muito embora, Gama et al. (1989) tenham identificado o mês de maio como a melhor época para a enxertia da mesma cultura. Em relação aos métodos de enxertias, Pinheiro et al. (1970) recomendam o método de garfagem em fenda cheia para mangueira (Mangifera indica L). Ledo & Fortes (1991) relatam que as garfagens em fenda cheia e inglesa simples são os métodos recomendados para gravioleira (Annona muricata) e Holanda Neto et al. (1996) recomendam as garfagens no topo em fenda cheia e à inglesa simples para enxertia em cajueiro-anão-precoce.

Baseado no conhecimento existente, Pedrosa et al. (1991) relatam que a borbulhia em janela aberta é o método de enxertia recomendado para o umbuzeiro.

Nascimento et al. (1993) ressaltam que produção de mudas de umbuzeiro em escala comercial deve ser feita através da garfagem no topo em fenda cheia. Os autores realizaram as enxertias em apenas uma fase do estádio fenológico da planta- matriz do umbuzeiro, o que limita muito a disponibilidade de garfos para a produção de mudas.

A necessidade de ampliar-se o período de coleta de garfos, para um maior fornecimento de mudas, é uma das prioridades da pesquisa. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a influencia de fatores fisiológicos das plantas- matrizes de umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda), as épocas de realização e os métodos de enxertia sobre o pegamento dos enxertos.

MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi realizado com o umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) na Embrapa Semi-Árido, situada a 45 km de Petrolina-PE. Conforme classificação de Köeppen, o clima local é classificado como semi-árido quente BSwh', sendo as coordenadas geográficas 09º 09' de latitude Sul e 40º 22' de longitude Oeste, e a altitude de 365 m. Os dados climáticos observados ao longo de 33 anos mostram que a temperatura média anual é de 26,3 ºC, com média mínima de 20,5 ºC, e média máxima de 31,6 ºC; 61% de umidade relativa do ar e precipitação média anual de 570 mm.

Foram estudados três métodos de enxertia: garfagem no topo em fenda cheia ( T1 ), garfagem no topo à inglesa simples ( T2 ) e borbulhia em "T" invertido ( T3 ).

O estudo foi composto por cinco experimentos, cada um representando uma época de enxertia (janeiro, março, maio, julho e setembro de 1998). O delineamento empregado foi em blocos ao acaso, utilizando-se de três tratamentos (métodos de enxertia), com oito repetições para cada época.

Os porta-enxertos foram formados com sementes provenientes de uma única planta adulta da safra de 1997, de ocorrência espontânea, e receberam o enxerto aos 286 dias contados da semeadura quando apresentavam uma espessura média de 0,6 a 0,8 cm. Os garfos e borbulhas (semilenhosos), sempre do ano anterior, tinham idade média dos tecidos de 12 meses.

As plantas das quais se retiraram os enxertos e se avaliaram as características fisiológicas, foram propagadas vegetativamente. Estas plantas-matrizes tinham sete anos de idade e fazem parte do Banco Ativo de Germoplasma de Umbu da Embrapa Semi-Árido. Em cada época de enxertia, foi utilizada uma planta do acesso para as avaliações das características fisiológicas e fornecimento do enxerto.

As enxertias e as avaliações das características fisiológicas foram realizadas nas distintas fases fenológicas, caracterizadas pela fase de crescimento vegetativo, reprodutivo e o estádio de dormência (Tabela_1).

Os processos de enxertias foram realizados de acordo com a metodologia de Hartmann et al. (1990). A avaliação do pegamento dos enxertos foi realizada aos 45 dias após a enxertia, contando-se o número de enxertos viáveis. Os tratos culturais foram realizados de acordo com a necessidade da cultura.

Nas épocas de cada enxertia, foram também realizadas as avaliações do potencial hídrico da planta, da taxa fotossintética líquida e da condutância estomática nos horários das 9h e 13h e foram determinadas com o medidor portátil de fotossíntese LICOR 6200 (Licor Inc, Nebraska, EUA). As leituras foram tomadas de folhas maduras expostas ao sol, situadas nas bordas da projeção da copa do umbuzeiro. Nas épocas de julho e setembro, considerou-se o valor zero para fotossintese e condutância, haja vista que a planta se encontrava totalmente sem folhas. A densidade de fluxo de fóton variou em média de 1400 a 1900 µmol/ cm2/s.

O potencial hídrico foi tomado de folhas maduras expostas ao sol, situadas nas bordas da projeção da copa, pelo uso de uma bomba de pressão PMS (PMS, Utah, EUA), e nas épocas de julho e setembro foi determinado em pequenas ramificações (ramo com diâmetro médio de 2mm), e a umidade do solo foi determinada gravimetricamente, amostrando-se três pontos eqüidistantes na projeção da copa, nas profundidades de 0-20, 20-40 e 40-60 cm, utilizando um trado tubular de ferro galvanizado com 3,8 cm de diâmetro.

Os fatores do ambiente, como a umidade relativa e a temperatura do ar, foram monitorados por um higrômetro e termômetro, respectivamente, e armazenados em coletor automático de dados modelo LI-1000. Os sensores e o coletor automático de dados foram instalados no mesmo local onde se encontravam as plantas- matrizes. As precipitações pluviométricas foram coletadas na Estação Experimental de Manejo da Caatinga da Embrapa Semi-Árido, local onde se realizaram os experimentos.

As análises estatísticas foram realizadas para avaliar as diferenças entre os métodos de enxertias, em cada época e conjuntamente, considerando épocas, métodos e a interação métodos versus épocas como efeitos fixos. No caso da interação métodos versus épocas, fez-se a decomposição dos efeitos, avaliando- se as diferenças entre os métodos em cada época, de acordo com recomendações de Banzatto & Kronka (1989).

Os índices de pegamento dos enxertos foram submetidos à transformação angular do arco-seno da raiz da proporção (X= arco-seno Ö%), de acordo com recomendações de Snedecor & Cochran (1974). A significância entre o efeito dos métodos de enxertia foi determinada pelo teste "F" e, nas comparações de média, utilizou-se o teste de Tukey, a 5%.

Para as análises de correlações, utilizou-se o método de " forward selection" (Draper & Smith 1966). Neste método, a ordem de inserção de variáveis é determinada pelos coeficientes de correlação parcial. Os coeficientes de correlações simples, entre o índice de pegamento dos enxertos e as características fisiológicas da planta-matriz e fenológicas dos porta-enxertos, foram testados utilizando o teste "t " de Student, a 5%, com o objetivo de verificar o nível de significância.

RESULTADOS E DISCUSSÃO As diferentes fases fenológicas das plantas-matrizes não alteraram o índice de pegamento dos enxertos. Isto amplia o período de coleta de garfos, o que pode melhorar a oferta de mudas ao longo do ano.

Os índices de pegamento dos enxertos, em todas as épocas estudadas (Tabela_2), superaram os valores encontrados por Pedrosa et al. (1991), ou seja, 33%, 30% e 16% para os métodos de garfagem à inglesa simples, fenda cheia e borbulhia em "T" invertido, respectivamente. Os autores não encontraram diferenças significativas entre as garfagens e a borbulhia em "T" invertido, apesar de terem trabalhado com a mesma espécie e sob condições de viveiro.

Em todas as épocas estudadas, não houve diferenças significativas entre as enxertias de garfagens, no entanto, foram significativamente superiores à borbulhia. A média de enxertos viáveis, 97,1%, para a garfagem em fenda cheia, aliada à facilidade de execução deste método, permite indicá-lo como o melhor para o umbuzeiro, independentemente da fenologia e dos fatores fisiológicos, apesar de não ter apresentado diferenças significativas em relação à garfagem à inglesa simples (Tabela_2).

Nas avaliações da taxa fotossintética líquida, observou-se que a mais alta taxa foi no mês de janeiro, diminuindo sensivelmente nos meses seguintes, atingindo zero em 17 de março e não mais voltando a atingir valores superiores a 1mmol de CO2/m2/s (Figura_1). Este comportamento, em grande parte, reflete a disponibilidade de água para a planta. A maior concentração de chuva foi no mês de janeiro e fevereiro, com chuvas reduzidas em março e sem nenhuma chuva em abril (Figura_2). Neste período de janeiro a março, a planta encontrava-se em plena atividade fisiológica e consumia bastante água, o que pode ter contribuído para uma queda de água disponível no solo neste mesmo período (Figura_3).

A umidade do solo, via mecanismo de potencial hídrico ou déficit hídrico, pode não apenas afetar a taxa fotossintética, mas também provocar redução da divisão celular dos tecidos meristemáticos da planta, afetando seu crescimento (Fachinello et al.,1994).

Observa-se na Figura_3 alta disponibilidade de água durante o período de janeiro a fevereiro, estando próxima à capacidade de campo. Contudo, após o mês de fevereiro, a umidade do solo permaneceu próxima ou abaixo do ponto de murcha permanente.

Como a reserva natural para o abastecimento de água da planta é o solo, o teor de umidade afeta diretamente o potencial hídrico da planta. Neste sentido, observações do potencial hídrico da planta (Figura_4) mostraram valores mais altos para os meses de janeiro e fevereiro, com uma progressiva diminuição após estes meses. Diferenças no potencial hídrico das folhas entre 9h e 13h devem ser maiores para os períodos de boa umidade do solo e mínimas para os períodos de déficit hídrico (Hsiao, 1973). Entretanto, Morgan (1984), revisando o efeito do ajustamento osmótico e potencial hídrico sobre as plantas, comenta que as plantas superiores podem aumentar seu potencial hídrico sob condições de déficit hídrico. Isto causaria o potencial hídrico das 13h ser superior ao potencial das 9h, como mostra a Figura_4.

O efeito do déficit hídrico sobre mecanismo estomatal foi demonstrado por Boyen (1970), Castro Neto (1991) e Salisbury & Ross (1992). Entretanto, o déficit hídrico pode afetar a taxa fotossintética mediante mecanismo não estomático (Berry & Dawnton, 1982; Krieg, 1983).

Os estudos conduzidos sobre o comportamento fotossintético do umbuzeiro são raros. Neste trabalho, os dados de fotossíntese e condutância estomática indicam que, inicialmente, durante a época das chuvas, a fotossíntese, tanto no horário das 9 horas como às 13 horas, foi controlada por um mecanismo estomático devido à redução da taxa fotossintética ser acompanhada por uma diminuição da condutância estomática. Contudo, após o término do período das chuvas (Figura_2), verificou-se um esgotamento da água disponível no solo (Figura_3), levando-o a atingir seu ponto de murcha permanente.

Os dados obtidos sugerem que um mecanismo não estomático pode ser o principal responsável pela inibição da fotossíntese do umbuzeiro, sob condições de déficit hídrico. Esta sugestão parece provável devido ao aumento da condutância estomática não provocar elevação ou aumento da taxa fotossintética do umbuzeiro (Figura_1). Nesta situação, provavelmente, tenham ocorrido danos ao sistema de enzimas do aparelho fotossintético, ou o estresse hídrico foi capaz de afetar a atividade das membranas dos cloroplastos, como sugerem os autores Krieg (1983) e Berry & Downton (1982); apesar disto, o percentual da enxertia não foi afetado (Tabela_2). Para Medina et al. (1998), o decréscimo da fotossíntese em laranjeiras foi ocasionado pelo aumento do déficit de pressão de vapor e da temperatura ambiente.

Em relação ao controle estomatático, este mecanismo é o mais eficiente para o controle de perdas de água das plantas, embora a planta tenha de enfrentar o dilema de ter de economizar água e absorver CO2 pelo mesmo caminho, isto é, os estômatos (Salisbury & Ross, 1992). Nos dados deste trabalho, observa-se que, durante o período das chuvas, a condutância estomática apresentava-se baixa, sugerindo, assim, um controle estomatal para a economia de água.

CONCLUSÕES 1. Os fatores fisiológicos, fotossíntese, potencial hídrico, resistência e condutância estomática, observados na planta-matriz, nas diferentes fases fenológicas, não influenciaram o índice de pegamento dos diferentes métodos de enxertia do umbuzeiro.

2. Os métodos de enxertia por garfagem em fenda cheia e à inglesa simples apresentaram maiores índices de pegamento, em média 97,1 e 92,4%, respectivamente.

3. O material vegetativo (garfos) obtido nas épocas de coleta (fases fenológicas) não afetou a porcentagem de pegamento das enxertias realizadas pelos métodos de garfagem em fenda cheia e à inglesa simples, o que amplia a oferta de mudas ao longo do ano.


transferir texto