TEITOK@C-I   |   Corpora@C-I   |   CELGA-ILTEC   |   Contacto

EN | PT

Representação em texto

BrBRCVAg0100-29452002000300017

variedadeBr
ano2002
fonteScielo

O script do Java parece estar desligado, ou então houve um erro de comunicação. Ligue o script do Java para mais opções de representação.

Armazenamento de dois tipos de sapoti sob condição de ambiente Armazenamento de dois tipos de sapoti sob condição de ambiente1INTRODUÇÃO O sapoti é originário da América Central, mais provavelmente do Sul do México.

Em 1980, Lakshminarayana levantou a existência de nove cultivares de sapoti no Sul da Índia, sete cultivares na India Oriental e doze na Ocidental. O sapotizeiro é uma fruteira muito bem adaptada às condições edafoclimáticas de nosso País, mais especificamente às da região Nordeste. Seu fruto, o sapoti, é reconhecido por seu delicioso sabor adocicado e levemente adstringente, e, na maioria das vezes, é consumido in natura ou na forma de doces, compotas ou geléias.

O sapoti é um fruto muito perecível e, por ser climatérico (Sastry, 1970 e Abdul-Karim et al., 1987), seu amadurecimento sob condições naturais é rápido, o que dificulta sua conservação e comercialização. Como o sapoti é muito apreciado ao natural, a necessidade de estabelecer-se técnicas de manejo e conservação pós-colheita do fruto para que este possa ser ofertado em mercados mais distantes, com boa qualidade. O uso de atmosferas modificadas com remoção de etileno e aumento na concentração de CO2, assim como conservação refrigerada com períodos intermitentes de aquecimento mostraram-se úteis para um prolongamento da vida útil pós-colheita do sapoti (Huertas et al., 1999 e Vargas et al., 1999). Pode-se conservar o sapoti por até 2 a 3 semanas, em temperatura entre 12 e 16oC (Yahia, 1997).

Um dos problemas na definição de condições de manuseio do sapoti é que existe uma enorme variabilidade dentro da espécie. A heterogeneidade dificulta grandemente um acordo entre os horticulturistas com respeito à classificação do sapoti em variedades. Os fatores de variação da espécie incluem a forma e tamanho da árvore e do fruto, a cor da polpa e o número de sementes (Leon, 1968).

No Brasil, não existem variedades bem definidas de sapoti, sendo os tipos diferenciados entre si pela conformação da copa da planta e dos frutos, em ovalados, arredondados, oblongos, entre outros; mas, de forma geral, todos apresentam o mesmo sabor (Simão, 1971). Em linguagem popular, no Nordeste do Brasil, os frutos de forma oval são chamados de sapoti e os arredondados, de "sapota". Uma pesquisa da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) indicou o uso de 10 matrizes para a produção de frutos para consumo ao natural, dentre as quais, a Itapirema-31 mostrou os melhores resultados em produção, peso médio de frutos e época de colheita (Moura & Bezerra, 1982).

No campo, os dois tipos de sapoti avaliados no presente trabalho foram diferenciados como "sapota" e "sapoti", por causa das semelhanças no formato e tamanho que um desses tipos apresenta com a sapota, fruto arredondado, de outra espécie da mesma família (Sapotacea).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a vida útil de dois tipos de sapoti em temperatura ambiente com ou sem atmosfera modificada por filme de PVC.

MATERIAIS E MÉTODOS Os frutos utilizados são oriundos de um pomar da estação experimental do Vale do Curu, da Embrapa Agroindústria Tropical, no município de Paraipaba, Ceará.

Não se sabe ao certo se os frutos utilizados nesse trabalho são realmente variedades diferentes de sapoti, por isso resolveu-se fazer esse estudo comparativo entre ambos. Os frutos de formato oval são chamados de sapoti tipo I e os arredondados, parecidos com a sapota, de sapoti tipo II. Ambos foram obtidos de plantas originadas da matriz Itapirema-31 do IPA. O experimento foi instalado em 20-08-1999, e a colheita deu-se quando os frutos atingiram o estádio de maturação "de vez" e com a casca sem a textura arenosa. Após serem colhidos, os frutos foram levados para o laboratório de Pós-colheita da Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza, Ceará, onde se seguiram o armazenamento e as avaliações.

Os dois tipos de frutos, denominados daqui em diante apenas de sapoti tipo I e II, foram avaliados no dia da colheita e durante o armazenamento sob atmosfera ambiente e modificada. A atmosfera modificada de conservação consistiu no uso de um filme do tipo PVC (cloreto de polivinila com poros de 12m), transparente e auto-aderente, revestindo os frutos colocados em bandejas de isopor. Foram colocados quatro frutos por bandeja, e metade das bandejas foi envolvida com o filme de PVC. O tempo de armazenamento foi de 12 dias, em temperatura de 24 ± 2oC e umidade relativa de 90 ± 5%. As avaliações foram realizadas em seis época: 0; 3; 6; 8; 10 e 12 dias.

Os frutos de cada tratamento (atmosfera de armazenamento e tipo de fruto) foram analisados quanto: a perda de peso, utilizando-se uma balança semi-analítica com 0,1 mg de precisão; a textura, através de um texturômetro eletrônico; o teor de sólidos solúveis totais (SST) após filtração com papel de filtro, utilizou-se um refratômetro digital da marca ATAGO PR-101; o conteúdo de acidez total titulável (ATT) foi obtido por titulação com NaOH 0,1N (IAL, 1985); a relação SST/ATT foi obtida através do quociente entre as duas análises; o pH, utilizando-se de um potenciômetro com membrana de vidro (AOAC, 1992); a concentração de açúcares solúveis totais, foram medidos pelo método da antrona (Yemn & Willis, 1954); os açúcares redutores, segundo Miller (1959), e o conteúdo de amido, segundo AOAC (1992). A senescência foi avaliada de acordo com o aparecimento de sinais como incidência de manchas, infecção por fungos e enrugamento. Os frutos foram considerados senescentes quando apresentavam um ou mais desses sintomas. Adotou-se uma escala subjetiva, com notas variando de 0 a 4, com base na porcentagem dos frutos afetados: 0 = ausência de sintomas; 1 = 1 a 15 %; 2 = 16 a 30 %; 3 = 31 a 45 %; e 4 = mais de 45 % dos frutos afetados.

O experimento foi realizado segundo um delineamento experimental inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2x2x6 (tipo de sapoti x atmosfera x tempo) e 3 repetições sendo submetido à análise de variância. Quando houve interação significativa entre os fatores, fez-se análise de regressão polinomial.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Os frutos apresentaram uma redução de peso quando em atmosfera ambiente, mas muito pouca diferença foi observada sob atmosfera modificada (Figura_1), durante o armazenamento. Sob atmosfera ambiente, sapoti do tipo I perdeu significativamente mais peso que o do tipo II. A perda de peso dos frutos sob atmosfera modificada foi muito pequena e, por isso, não comprometeria o valor comercial dos frutos. Os frutos do tipo II sob atmosfera ambiente perderam pouco peso e, portanto, sob este aspecto, seriam considerados mais aceitáveis para comercialização. Mohamed et al. (1996) observaram que a perda de peso do sapoti em atmosfera modificada com filme de PVC foi menor em temperaturas de armazenamento mais baixas. Esses autores constataram que os frutos envoltos em filme de PVC, armazenados por 2 semanas sob temperatura de 15oC, perderam 1,2% de peso, enquanto os frutos-controle perderam 8,6%.

Em relação ao teor médio de sólidos solúveis (SST), não houve diferenças significativas entre as diferentes atmosferas utilizadas nem entre os tipos de frutos. Observou-se apenas uma redução com o tempo de armazenamento, de 26 para 21oBrix. Esse comportamento do sapoti em reduzir a quantidade de sólido solúveis totais, durante o armazenamento, havia sido notado em publicações anteriores (Flores & Rívas, 1975).

Foram observadas variações na acidez total titulável (ATT) nos dois tipos de frutos, porém essas variações não foram influenciadas pela condição de atmosfera (Figura_2). Observou-se apenas que a ATT foi ligeiramente mais elevada no tipo I que no tipo II. A acidez desses frutos equipara-se à das cultivares mexicanas SCH-02 e SCH-03 (Lakshminarayana, 1980 e Vélez-Colón et al., 1989). Não foram observadas variações importantes com relação à palatabilidade (SST/ATT), razão pela qual o gráfico correspondente não é apresentado. Os índices de 111,17 no tipo I e 133,44 no tipo II sugerem que o sabor doce é fortemente predominante nesses frutos, podendo mesmo impedir a percepção do sabor ácido.

Tanto no sapoti do tipo I quanto no do tipo II, observou-se um pequeno decréscimo no pH, de 5,3 para 4,9, sem diferenças entre os tratamentos. Essa redução no pH concorda com a redução na acidez total titulável, resultante do consumo dos ácidos orgânicos no metabolismo celular, principalmente o respiratório. Os valores de pH concordam com os valores encontrados por Vélez- Colón et al. (1989), em experimentos com quatorze cultivares plantadas em Porto Rico.

Os dois tipos de sapoti apresentaram uma grande redução na firmeza da polpa ao longo do armazenamento, sendo que essa redução ocorreu mais rapidamente sob atmosfera modificada (Figura_3).

O teor de açúcares solúveis totais reduziu ligeiramente durante o armazenamento, de 17,8 para 16,3 %, independentemente do tipo de fruto e da condição de atmosfera. O sapoti maduro armazena seus açúcares solúveis tanto na forma de glicose quanto na de frutose (Lakshminarayana, 1980, e Lakshminarayana & Subramanyam, 1966). O conteúdo de açúcares redutores aumentou durante os 12 dias de armazenamento (Figura_4), o tipo I apresentou uma concentração final de açúcares redutores de 13,4 % e 12,2 % e o tipo II de 13,6 % e 12,3 % sob atmosfera ambiente e modificada, respectivamente. Nesse experimento, observou- se que a concentração de amido, aproximadamente 2,4%, ficou praticamente inalterada em ambos os frutos sob as duas atmosferas. O sapoti apresentou esse comportamento ímpar, onde a quantidade de amido não diminuía conforme a quantidade de açúcares redutores aumentava. Estudos sobre as alterações bioquímicas e fisiológicas que ocorrem ao longo do desenvolvimento, poderiam explicar esse comportamento da concentração de amido no sapoti.

Pouco tempo após o climatério, o sapoti começa a senescer, e um dos principais sintomas de senescência é um característico aroma alcoólico. Além da senescência em si, um aroma alcoólico poderia sinalizar uma fermentação anaeróbica resultante da embalagem em atmosfera modificada; isso resultou na avaliação de qualquer mudança desagradável no aroma como sinal de senescência.

Tanto no tipo I quanto no tipo II, foram observados sinais de senescência durante o armazenamento, independentemente da atmosfera em que se encontravam, embora esses sinais tenham sido mais acentuados no tipo I (Figura_5). Os frutos do tipo II permaneceram em melhores condições até o final das observações, pois não manifestaram sintomas com nota superior a 1.

CONCLUSÃO Os resultados indicam que os frutos do tipo II, aqueles com o formato da sapota, possuem uma maior vida útil pós-colheita. Levando-se em consideração que esses frutos (tipo II) apresentam, também, uma maior uniformidade em tamanho e aspecto, que os do tipo I, essa informação poderia ser útil para os produtores de sapoti. As pequenas diferenças observadas entre os dois tipos de sapoti estudados devem-se, provavelmente, ao fato de esses frutos serem provenientes de plantas que tiveram a mesma origem. A grande variabilidade geralmente observada entre os frutos de sapotizeiro explicaria as diferenças morfológicas e fisiológicas de "vida de prateleira", observadas neste trabalho.


transferir texto