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BrBRCVAg0100-29452002000200058

variedadeBr
Country of publicationBR
colégioLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0100-2945
ano2002
Issue0002
Article number00058

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Ação antagônica de rizobactérias contra Phytophthora parasitica e p.

citrophthora e seu efeito no desenvolvimento de plântulas de citros COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

A podridão radicular dos citros (Citrusspp.), causada por Phytophthora parasitica(Dastur) Waterhouse e P. citrophthora (Smith & Smith) Leon., é uma doença que pode provocar perdas significativas em viveiros de todas as regiões citrícolas. Segundo Feichtenberger (1990), o índice de contaminação em viveiros é alto e vem agravando-se diante da substituição de porta-enxertos, em virtude do aparecimento da tristeza (Citrus tristeza vírus) e do declínio (Xylella fastidiosa). A importância da sanidade em sementeiras é bastante significativa, mesmo quando o estoque da sementeira está destinado a áreas onde o patógeno está presente. O controle da doença é maior se a planta estiver livre do patógeno no tempo do estabelecimento (Shea & Broadbent, 1983).

Atualmente, o controle de Phytophthora spp., nos viveiros, ainda é feito com fumigantes (Feichtenberger, 1990). A microbiolização de sementes pode constituir uma opção potencial para o controle de fitopatógenos habitantes do solo, bem como para diminuir os problemas ambientais decorrentes do uso de produtos químicos no ambiente (Luz, 1993).

Microrganismos antagonistas do gênero Bacillus e Pseudomonas têm sido avaliados como um meio de controlar podridões radiculares causadas por Phytophthora spp.

em eucalipto (Malajczuk et al., 1977) e soja (Sneh et al., 1977), pois, além de residirem no solo, rizoplano e filoplano, apresentam boas características para os estudos de controle biológico de doenças de plantas.

Em vista disso, cogitou-se a possibilidade de utilização de bactérias antagonistas a P. parasitica e P. citrophthorana cultura dos citros, dado o potencial destas de colonizarem o sistema radicular e atuarem como uma barreira à penetração do patógeno. Este trabalho teve como objetivo verificar o potencial de rizobactérias no tratamento de plântulas de citros para o controle da podridão de raízes em viveiros.

Amostras de solo foram coletadas a partir de solo aderido às raízes provenientes de plantas de citros, localizadas em pomares com sintomas de Phytophthora spp. Suspensões de solo em solução salina (0,85% NaCl), na proporção de 1g/9ml, foram agitadas por um minuto em agitador vortex e por 20 segundos em ultra-som. Diluições em série foram feitas até 10-7 e alíquotas de 0,1ml das três últimas diluições foram plaqueadas em meio B de King (KMB). As culturas foram incubadas a 28ºC por cinco dias, em câmara de crescimento, quando se procedeu a pulverização de uma suspensão de esporos de Phytophthoraspp. sobre a superfície do meio onde as colônias de bactérias se desenvolviam. As culturas foram incubadas por mais sete dias a 28oC, quando foram identificadas colônias de bactérias manifestando zonas de inibição aos fungos, as quais foram repicadas, purificadas em meio nutriente ágar (NA) e armazenadas a 5oC.

Um isolado de B. subtilis (Ehrenb.) Cohn. e um de P. putida (Trev.) Mig., cedidos pela coleção de culturas de microrganismos do Laboratório de Fitopatologia da Embrapa Monitoramento Ambiental, foram incluídos aos ensaios, por serem antagônicos a diversos patógenos do solo.

As suspensões bacterianas foram preparadas a partir de culturas com 48 horas de crescimento em meio NA, sendo as células transferidas para tubos de ensaio com 10 ml de MgSO4 0.1M e mantidas sob agitação mecânica por 1 minuto. A concentração das suspensões foi determinada pela comparação com a escala de McFarland e ajustada para aproximadamente 109 células/ml. A cada suspensão, foi adicionado o espalhante adesivo Tween 80, na concentração de 0,05%.

Foram utilizados um isolado de Phytophthora parasitica (P9) e um isolado de P.

citrophthora (P45), provenientes do Instituto Biológico (SP). No preparo do inóculo, discos de cultura de Phytophthora em meio BDA foram repicados para placas com meio V8-CaCO3 e incubados por 10 dias a 28ºC, em regime de escuro contínuo, seguido da homogeneização com 200ml de água destilada.

Sete isolados de rizobactérias, selecionados em testes preliminares, foram submetidos a três ensaios contra P. parasiticae P. citrophthora em meio BDA (Batata-dextrose-agár), colocando-se um disco de ágar de 5mm de diâmetro com crescimento abundante de Phytophthora a 1,5cm da borda da placa e na outra extremidade uma estria da bactéria selecionada. Após oito dias de incubação a 28ºC e fotoperíodo de 12 horas, a redução do crescimento micelial foi medida.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em arranjo fatorial, com 14 tratamentos, constituídos pela combinação dos sete isolados bacterianos e os dois isolados de Phytophthora, e três repetições. As testemunhas foram constituídas por crescimento de discos de Phytophthora sem as bactérias.

Os dados originais do crescimento micelial de Phytophthoraspp. foram submetidos a análise de variância, e as médias comparadas através do teste de Tukey, a 1% de probabilidade.

Sementes de limoeiro-Cravo (Citrus limoniaOsbeck) foram desinfestadas em solução de hipoclorito de sódio (NaClO 0.7%) por 5 minutos, lavadas em água corrente e, após a secagem por 24 horas, à temperatura ambiente, foram imersas nas suspensões bacterianas por 1 hora. As testemunhas consistiram de sementes desinfestadas e imersas em solução de MgSO4 0.1M adicionada de Tween 80, sem a presença de células bacterianas. Após a secagem por duas horas, as sementes foram semeadas em substrato não esterilizado, constituído por solo/areia/ esterco de curral (2:1:1), infestado artificialmente com Phytophthora spp.

através do tratamento com 50 ml de suspensão/ kg de solo. Este ensaio foi repetido duas vezes.

Quinze dias após a germinação, foi feita a avaliação da percentagem de plântulas infectadas.

Utilizou-se um delineamento em blocos casualizados, com três repetições, sendo 32 plântulas por repetição. Os dados originais do número de plantas mortas foram transformados em , onde x = porcentagem de plantas infectadas, para efeito de análise estatística pelo teste de F, e as médias foram comparadas através do teste de Tukey, a 1% de probabilidade.

Tratamentos-controle somente com as rizobactérias foram feitos a fim de avaliar-se os efeitos das mesmas na promoção do crescimento de plântulas de limoeiro-Cravo. Avaliou-se a matéria seca da parte aérea e das raízes das plântulas, após dois meses de inoculação com as bactérias em substrato esterilizado.

Utilizou-se um delineamento em blocos casualizados, com três repetições, sendo 32 plântulas por repetição.

Antagonismo "in vitro" de rizobactérias contra Phytophthora Dos trinta e três isolados bacterianos testados, sete apresentaram atividade antagônica à Phytophthora spp. em meio King's B, ou seja, 21,2% foram capazes de inibir significativamente o crescimento micelial dos patógenos. Destacaram- se RC2, OG, C1S/Na e C1-1B (Tabela_1 ), sendo selecionados para os testes subseqüentes. Verificou-se que as bactérias introduzidas (OG e Santa Bárbara) mostraram atividade antagônica igual ou superior a C2-8C e RA2. Estes resultados indicam que as rizobactérias não apresentam especificidade de ação, o que permite a sua utilização para diferentes sistemas planta-hospedeiro.

O teste de antagonismo in vitro foi realizado em meio de KMB para detectar a produção de sideróforos. Acredita-se que pode ter ocorrido antagonismo tanto pela produção de sideróforos (competição por ferro) como pela produção de substâncias tóxicas (antibiose). Resultados semelhantes foram obtidos por Stein (1988), que verificou a inibição de fungos de solo por Pseudomonas fluorescentes, pelos mecanismos de antibiose e competição por ferro.

Antagonismos "in vivo" de isolados de rizobactérias contra Phytophthora spp.

Quando aplicados como tratamento de sementes, os isolados bacterianos diferiram significativamente entre si quanto à capacidade de reduzir a doença (Tabela_2).

Os isolados OG, CiS/Na e C1-1B foram mais eficazes em controlar a doença, não diferindo significativamente dos isolados Sta. Bárbara e RC2.

Estes resultados levam-nos a crer que os isolados de rizobactérias dos citros são eficientescolonizadores de raízes, possivelmente pela capacidade de crescimento e/ouhabilidade competitiva. Brown (1974) constatou que crescimento rápido e competição são algumas das características necessárias ao sucesso do estabelecimento na rizosfera.

Com relação às bactérias introduzidas nos experimentos, muitos trabalhos ressaltam ogrande potencial de espécies de Bacillus no controle de patógenos do solo. Meloet al. (1995) constataram que a linhagem OG de B. subtilis isolada do rizoplano de feijoeiro, no município de Guaíra (SP), foi um potente antagonista contra algunspatógenos de raízes de feijão, como F. solanif. sp.

phaseoliKendrick & Snyder,Rhizoctonia solanie Sclerotium rolfsii.

Promoção de crescimento induzido pelas rizobactérias Com relação à promoção de crescimento, verificou-se que todos os tratamentos promoveram o crescimento das plântulas de citros, tanto para raiz como para parte aérea, quando comparados à testemunha (Figura_1). B. subtilis(OG e RC2), Flavobacterium sp. (CiSNA) e P. putida(C1-1B e Sta. Bárbara) proporcionaram melhores efeitos. Estes dados mostram que as rizobactérias estimulam o crescimento direto das plantas na ausência de patógenos (Luz, 1993).

fig01

Várias hipóteses têm sido aventadas no sentido de explicar a capacidade que possuem as rizobactérias de promover o crescimento das plantas. A maioria dos trabalhos relaciona essa capacidade à inibição e alteração da microbiota normal da rizosfera, fazendo com que a planta cresça com um sistema radicular sadio, seja por antibiose (Brisbane & Rovira, 1988), seja ou pela competição por nutrientes, destacando-se entre esses o ferro (Geels & Schippers, 1983) e o carbono ( Elad & Chet, 1987). Os isolados Santa Bárbara e OG, que têm promovido o crescimento de plântulas de pepino e tomate ( Melo et al., 1995), comprovam, nesse trabalho, seu efeito benéfico na promoção do crescimento de plantas de citros.

Conclui-se que Pseudomonas putida, biovares A e B, Flavobacterium sp. e Bacillus. subtilis são capazes de controlar Phytophthora parasitica e P.

citrophthorae promover o desenvolvimento de plântulas de citros .


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